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Posts from — novembro 2012

Robert Crumb e Philip K. Dick

novembro 28, 2012   No Comments

Download: Mojo Book Doolittle

Clique na imagem com o botão direito e “salvar como”

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Em janeiro de 2007 escrevi uma história inspirada no disco “Doolittle”, do Pixies. O livro foi disponibilizado para download no site da Mojo Books, e esgotou duas edições de downloads – ficando fora de catálogo. Quem ainda não tinha, pode pega-lo agora aqui. A Mojo é uma editora 100% digital. Sua proposta é simples: Se música fosse literatura, que história contaria? Para ver todos os livros que lançados, clique aqui.

novembro 22, 2012   1 Comment

Voltando no tempo: Pampeana Gruit Ale

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A cerveja existe há milhares de anos, e, no principio, ela era bem diferente do que nós estamos acostumados a beber. Consta que sumérios, egípcios, mesopotâmios e ibéricos já fabricavam cerveja 6 mil antes de Cristo, mas esse tipo de cerveja consumida no mundo todo hoje em dia surgiu apenas no século 12, na Alemanha, quando a Abadessa Hildegard Von Biden colocou lúpulo na mistura, descobrindo assim uma flor que não só combatia o adocicado do malte como tinha qualidades de conservante natural. Nascia a cerveja como nós conhecemos – e bebemos.

A questão que fica: como os cervejeiros faziam antes da descoberta do lúpulo? Para contrabalançar o malte e conservar a cerveja durante algum tempo era usado um gruit, que nada mais é do que uma mistura de ervas aromáticas que funcionavam como tempero e concediam a cada cerveja um sabor único e bastante particular. Como as ervas mudavam de região para região, cada localidade tinha uma cerveja sua, que era feita só ali usando os ingredientes locais – muitos deles moderadamente narcóticos (como o lúpulo, aliás, um parente distante da cannabis).

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Com a popularização do lúpulo, num primeiro momento, e a rigorosa Reinheitsgebot (Lei da Pureza da Baviera), que em 23 de abril de 1516 definiu que os únicos ingredientes que poderiam ser utilizados na produção de cerveja fossem apenas água, cevada e lúpulo, o gruit perdeu terreno e desapareceu lentamente, até ressurgir junto ao movimento de microcervejarias norte-americanas dos anos 90. De lá pra cá, várias cervejarias (tanto californianas quanto belgas, britânicas e escocesas) produziram e ainda produzem cerveja apenas com gruit.

No Brasil, a honraria e coragem ficou a cargo do Lagom Brewpub, de Porto Alegre. Para festejar os dois anos da casa, em 2012, o pessoal arriscou e o resultado é a Pampeana Gruit Ale, que conta com diversas ervas, entre elas a Carqueja e o Guaco, típicos da região dos Pampas. A primeira prova saiu extremamente amarga, por isso o mel aparece na receita para equilibrar o conjunto. Vendida apenas em torneira (essas garrafas da foto são uma cortesia para um apaixonado que escreve sobre cervejas), a Pampeana Gruit Ale é uma bela surpresa.

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No aroma, notas intensas de ervas além de melaço e alguma coisa de remédios de infância (isso mesmo). Ainda é possível sentir o malte de caramelo, nozes e álcool (são 8,3% de graduação alcoólica). O paladar valoriza as ervas, que causam sensações que remetem desde própolis e melaço até nozes, coco queimado e, claro, álcool. O liquido cria uma camada de sabor no céu da boca, e a descida deixa um rastro de mel por todos os cantos. O final é longo, adocicado e surpreendente. Eis uma cerveja única.

No balcão da Lagom ela é vendida por R$ 15 cada pint (R$ 10, meio pint), e acompanha uma carta que traz entre outras 10 e 15 cervejas (dependendo da época – a Lagom já produziu mais de 40 cervejas diferentes em dois anos de existência) com destaque para a intrigante Tripel (8,8%) da casa, que junta aveia, coentro e casca de laranja (e remete a anis) e para a sensacional Imperial Stout (9,5%). Sem contar com a Tiltap Irish Red Ale, receita vencedora do concurso Acerva Gaúcha, de 2011, feita por Jesael Eckert e… Wander Wildner (sim, sim!).

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As cervejas da casa são divididas em três grupos cujo preço varia de R$ 7 o pint (PIlsen), R$ 9 (Belgian Ale, Weiss, Brown Porter, Tiltap, Blond Ale, Dunkweiss e Dry Stout) e R$ 13,50 (Tripel, Imperial Stout e a Columbus American IPA). Na parte de petiscos destaque para as brusquetas (que podem ser as tradicionais – tomate, ervas e azeite – ou então de cogumelos e, ainda, uma versão com gorgonzola e alho poró), mas ainda há um Entrecot Viking (500 gramas de carne grelhada acompanhada de purê e ervilhas) e Salsicha Bock com Queijo.

A Lagom fica na Rua Bento Figueiredo, 72, no Bairro Bom Fim, há cerca de cinco minutos a pé do Parque Farroupilha, e funciona de segunda a sábado das 18h às 23h. Merece muito uma visita – com o pint de Pampeana Gruit Ale na taça. Com a Lagom (e muitas outras cervejarias abertas nos últimos dois anos na capital gaúcha), Porto Alegre se junta a Curitiba e Belo Horizonte no quesito de boas cervejas locais. Já é um destino certo para os apaixonados por boa cerveja no lado debaixo do Equador.

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novembro 21, 2012   No Comments

Dez links e dois vídeos

– No Flogase: Rockers Noise, o Festival que não aconteceu (aqui)
– Tiago Agostini conversou com Jarvis Cocker, do Pulp (aqui)
– Bruno Capelas conversou com Cao Hamburguer (aqui)
– Baixe duas músicas novas dos Irmãos Panarotto (aqui)
– Senhor F: Origem e a história do rock iberoamericano (aqui)
– Os 50 discos preferidos de Kurt Cobain, por ele mesmo (aqui)
– Calendário dos Festivais Brasileiros Associados (aqui)
– Os intelectuais progressistas e a discordância como ofensa (aqui)
– Entrevista: seis minutos tensos com Lou Reed na Espanha (aqui)
– Os dois shows do Planet Hemp em SP: Dia 1 (aqui) Dia 2 (aqui)

novembro 20, 2012   No Comments

007, Frankenweenie e Aqui é o Meu Lugar

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“007 – Operação Skyfall” (Skyfall, 2012)
Saudado pela crítica estrangeira com tiros de escopeta e adjetivos elogiosos, a 23ª encarnação de James Bond não é essa coca-cola toda que estão tentando vender, mas tem lá seus muitos méritos. Terceiro e melhor “episódio” da série com Daniel Craig no papel de 007 (relembrando, os anteriores foram o ótimo “Casino Royale”, de 2006, e o ok “Quantum of Solace”, de 2008), “Skyfall” é aquilo tudo que o fã da série idolatra: perseguições sensacionais de tirar o fôlego, beldades de deixar homens e mulheres apaixonados e o cinismo inabalável do personagem. O ponto alto de “Skyfall”, porém, é seu vilão, não um maluquete qualquer que deseja “conquistar o mundo” (ufa, ainda bem), mas sim um ex-agente motivado por vingança, que ganha um colorido digno de indicação de Oscar na interpretação hilária de Javier Bardem (a cena de introdução do personagem é, fácil, Top 3 do ano). Mesmo com toda adrenalina e diversão (e com Adele), “Skyfall” continua sendo excessivamente entretenimento para ser esquecido assim que se sai da sala de projeção, como uma Montanha Russa em um parque de diversões. Neste ponto, a saga Bourne entrega mais (do capítulo “Quando a cópia supera o original”).

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“Frankenweenie” (2012)
Nova investida de Tim Burton no formato de animação em stop-motion, “Frankenweenie” é uma declaração de amor em forma de cinema. Primeiramente ao cinema b preto e branco dos anos 30 e 40 (citações de “Frankenstein”, “Drácula”, “Lobisomem”, “Godzilla” e “Múmia” – entre outros – se acumulam durante a projeção); depois ao próprio universo Burton: “Frankenweenie”, cuja ideia original surgiu do curta-metragem homônimo – e com pessoas reais – que o cineasta realizou em 1984, também soa como uma releitura de “Edward Mãos-de-Tesoura” (1990) – e a participação de Winona Ryder reforça a premissa. Um universo de personagens infantilmente sinistros volta à ativa em “Frankenweenie”, provocando a nostalgia que invade o espectador e o faz buscar, em suas memórias, seu primeiro bichinho de estimação e seu provável primeiro contato com a perda e a morte – assim como seu primeiro filme de terror. Burton questiona instituições como Escola, Família e Estado (o discurso do professor de ciências é corrosivo) num filme (bonito, mas excessivamente) reverente, sonhador e leve, que não tenta podar o sonho infantil – o final feliz atesta.

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“Aqui é o Meu Lugar” (“This Must Be The Place”, 2012)
Paolo Sorrentino integra a nova safra de cineastas italianos e surpreende nesta sua boa estreia em língua inglesa. Com titulo retirado de uma canção do Talking Heads (David Byrne, inclusive, participa de um momento chave da trama), “Aqui é o Meu Lugar” tem como personagem principal Sean Penn, em excelente atuação, como um roqueiro norte-americano, gótico e decadente, que sofre com fantasmas de suicidas, o envelhecimento e o custo do abuso do uso de drogas. Ele vive num exilio voluntário em Dublin, na Irlanda, casado com uma bombeira (Frances McDormand), e sua fala é arrastada e frágil – assim como sua postura, que só se acomoda perante o espectador com cerca de meia hora de filme –, embora as palavras sejam, geralmente, diretas. A MTV planeja um comeback, mas ele decide ir ao encontro do pai – e, bingo, de si mesmo – numa road trip pelos Estados Unidos que acaba se transformando numa caça a um nazista. Sorrentino trata a passagem da adolescência (adultescência) para a maturidade com didatismo visual, o que corrobora uma visão moralista: o que é estranho e diferente é imaturo. Uma pena: “Aqui é o Meu Lugar” é um bom filme até o minuto final, quando escorrega e põe quase tudo a perder. Ainda assim, tem seus méritos (como a boa trilha).

novembro 19, 2012   No Comments

Três cervejas: Rameé, Baladin, Way

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A Baladin – através de seu mestre cervejeiro Teo Musso – é a precursora do renascimento das cervejas artesanais na Itália. Teo inaugurou a cervejaria em 1986 em Piozzo, uma cidadezinha de mil habitantes. De lá pra cá, a Baladin acumula dezenas de prêmios e um catálogo de cervejas de dar água na boca: são 12 rótulos divididos em quatro categorias – Birre Speziate (Picante), Birre Puro Malto (Puro Malte), Birre Luppolate (Lupulada) e Birre Stagionali (Sazonal) – e geralmente apresentadas em belas garrafas de 750 ml.

Esta beleza da foto é a Baladin Open Noir, versão especial de um dos hits da casa italiana, a Open. Nesta versão Noir, Teo Musso acrescenta alcaçuz Calábria na receita, buscando acalmar uma IPA bastante rebelde. No aroma deslumbrante, notas nítidas e ricas de frutas cítricas (abacaxi, maracujá) bailam com lúpulo. No paladar, o alcaçuz tenta combater com doçura o amargo da alta dosagem de lúpulo. O resultado é uma cerveja adocicada que valoriza o alcaçuz e o malte de caramelo sem desmerecer o amargor do lúpulo. Uma cerveja bela e corajosa.

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Localizada no coração da Bélgica, no Brabante Valão, cerca de 50 minutos de Bruxelas, a Abadia de La Ramée (de monges cistercienses) produz, desde o século 13, queijos suaves, patês de carne de porco e, claro, cerveja. Como várias outras abadias francesas e belgas, La Ramée sofreu com as guerras territoriais e religiosas da Europa. Foi incendiada e reconstruída. Durante a Revolução Francesa foi fechada e parcialmente demolida para ser reaberta no século 20, e tombada pelo Patrimônio Histórico em 1980.

A Rameé Blond é tudo aquilo que se espera de uma cerveja belga de abadia. O aroma, cítrico e frutadíssimo, remete a baunilha, abacaxi e flores. No paladar, o álcool (8%) pede passagem sem constranger o freguês. O toque na língua é bastante suave e as notas frutadas não chegam a entregar aquilo que os aromas anunciam alcançando um resultado equilibrado, mas pouco complexo. É uma boa cerveja cuja acidez desce riscando a garganta e deixa pelo caminho um rastro de malte de caramelo e álcool.

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Já a Way, de Curitiba, continua em uma ascendente impressionante. Logo depois que a American Pale Ale da casa foi premiada como melhor do país no 1º Prêmio Maxim de Cervejas Brasileiras, os curitibanos investiram no projeto de cerveja colaborativa, que rendeu a Way 8 Secrets num primeiro momento, e a maravilhosa Way Double APA na sequencia. Agora, a Way surge com a Amburana Lager, uma receita inspirada nas Lagers escuras e mais alcoólicas da região da Áustria, maturada em barris de madeira Amburana Cearensis.

Lançada em setembro de 2012, a Amburana Lager traz um aroma suave com notas de malte defumado, madeira, frutas escuras (uvas e, intensamente, ameixas), toffee, café e álcool (são 8,4% de graduação alcoólica). O paladar licoroso renova as notas do aroma com o álcool saltando à frente e os tons de madeira, ameixa e caramelo bailando com o lúpulo, que se arrasta deixando marcas amargas pelo caminho até o final denso e saboroso – que remete à café. O pessoal de Curitiba está de parabéns. Eles acertaram de novo.

Apresentada no Beer Experience 2012, a Way Amburana Lager já está sendo engarrafada e pode ser encontrada em alguns empórios (em São Paulo precisa procurar bem) entre R$ 15 e R$ 17 a garrafa de 310 ml. As garrafas de 750 ml da Baladin saem por cerca de R$ 50 (estavam sendo vendidas por R$ 20 no Beer Experience) enquanto as Rameé Blond podem ser encontradas entre R$ 16 e R$ 22 (garrafa de 330 ml) – as deste post foram compradas no Clube Flamingo, novo boteco de cervejas especiais na Rua Antonio Carlos, esquina com a Augusta. Recomendo.

Baladin Open Noir
– Produto: IPA
– Nacionalidade: Itália
– Graduação alcoólica: 7,5%
– Nota: 3,84/5

Rameé Blond
– Produto: Belgian Golden Strong Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 7,5%
– Nota: 3,82/5

Way Amburana Lager
– Produto: Wood Aged Beer
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 8,4%
– Nota: 3,84/5

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Leia também:
– Uma das melhores do país: Way Double American Pale Ale (aqui)
– Cinco rótulos da cervejaria curitibana Way Beer (aqui)
– Ranking Pessoal -> Top 200 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)

novembro 19, 2012   No Comments

Podcast: O Resto é Ruído #5

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Na quinta-feira feriado, passei a tarde conversando sobre música e outras coisas com a turma do programa O Resto é Ruído: Elson Barbosa, Fernando Lopes e Lucas Lippaus. Entre os temas, revistas de música, jornalismo cultural, festivais. No set list, Caspian, Astrobrite, Boris tocando Asobi Seksu, Asobi Seksu tocando Boris, Medialunas e fechando com uma raridade ao vivo do Sonic Youth. Mandem comentários: orestoeruido@gmail.com

Para ouvir online basta clicar aqui.  Download aqui.

– CASPIAN – Halls Of The Summer
– ASTROBRITE – You Have Burned Bright
– BORIS – Neu Year (Asobi Seksu Cover)
– ASOBI SEKSU – Farewell (Boris Cover)
– MEDIALUNAS – Conversando Com Os Meus
– SONIC YOUTH – Kat ‘n’ Hat

Download: O Resto é Ruído 05.mp3 (botão da direita + “salvar como”)

novembro 16, 2012   No Comments

Que tal um festival?

novembro 9, 2012   No Comments

Top 5 do Festival LAB 2012

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Fotos por Liliane Callegari

Maceió, no último fim de semana de outubro, rendeu muita praia, sol, camarão e cerveja, e uma sequencia rara de shows de alto nível em um mesmo evento. Em sua quarta edição, o Festival LAB dividiu-se em três datas buscando exibir ao público alagoano apostas e novas referências da música brasileira e latino-americana destacando um line-up cuidadoso e muito bem selecionado. Entre os nomes, gente como Momo, Franny Glass, ruído/mm, Holger e Mellotrons além do Top 5 pessoal abaixo apenas do último fim de semana (que contou com uma noite em parceria com o Coletivo Popfuzz).

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01) Jair Naves
Jair Naves sempre foi um cara que se entrega no palco de uma maneira sem volta. Isso desde os tempos do Ludovic, quando cada show parecia ser o último. Em Maceió, sozinho com seu violão no palco do Teatro de Arena, um espaço minúsculo, aconchegante e perfeito – anexo ao imponente Teatro Deodoro –, Jair Naves se emocionou chegando as lágrimas, fez gente chorar e mostrou um repertório que, além de incluir canções do EP “Araguari” e do recém-lançado (e bastante elogiado) “E você se sente numa cela escura, planejando a sua fuga, cavando o chão com as próprias unhas”, ainda trouxe versões improvisadas de uma canção do Bright Eyes e de “Que Sera, Sera (Whatever Will Be, Will Be)”, famosa na voz de Doris Day. Um show para guardar na memória.

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02) Coutto Orchestra de Cabeça
À primeira vista, prostrados no palco, esse combo que vem do Sergipe lembra o Móveis Coloniais de Acajú. Um pouco pela formação extensa (neste caso, um sexteto que se multiplica no palco) e outro tanto pela metaleira (trombone e trompete, muito bem usados). Mas, felizmente (Móveis é muito legal, mas não precisa de cópias), os sergipanos apostam num instrumental que une beats com sertanismo, que eles mesmos apelidaram de eletrofanfarra (que será o nome do álbum que eles lançam no começo de 2013), e que convida à dança mesmo quem nunca os tinha ouvido – um mérito e tanto. No LAB não foi diferente. O público do festival caiu no forró, gesticulou o tango só faltando a rosa nos lábios, valsou, cumbiou, bailou, pulou e aplaudiu muito um grupo que merece animar muitas cidades Brasil (e, principalmente, mundo) afora. Fique de olho neles. Vale a pena.

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03) Tratak
Ali pelo finalzinho de seu show de estreia (abrindo para Jair Naves), Matheus Barsotti resumiu a apresentação (e o próprio álbum “Agora Eu Sou Silêncio”) como uma terapia pessoal. O show em Maceió marcava o lançamento de seu álbum de estreia (após anos de serviços prestados como baterista de bandas como Margot, Alfajor, Labirinto e Stella-Viva), e, enquanto contava histórias nos intervalos das canções, fazia o público rir, mas assim que começava a dedilhar o violão (eventualmente acompanhado por Heitor Dantas), levava os presentes para seu mundo pessoal, uma casa pintada com tintas depressivas e delicadamente sombrias. O resultado foi uma daqueles raros momentos em que o desnudamento artístico não só comove como se transforma em admiração. Um belo show.

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04) Gato Zarolho
Jogando em casa, o Gato Zarolho deu uma pausa na produção do segundo disco para ser recebido com louvação no Festival LAB. As músicas do primeiro álbum, “Olho Nu Fitando Átomo” (2010), foram cantadas em coro pela plateia, e Marcelo Marques, vocalista e violonista, aproveitou para mostrar várias canções do vindouro segundo álbum. A sonoridade é, perdoe a simplificação grosseira, MPB de faculdade: bem escrita, bem tocada (e cada vez mais musicalmente ampla) e com um q de intelligentsia que anda fazendo falta não só no mainstream nacional como também no cenário independente. Em homenagem aos Guarani-Kaiowás, o grupo sacou do baú uma composição grandiosa de Caetano para fechar a noite: “Um Índio”. Extremamente oportuno.

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05) Lise + Barulhista
Ainda no caminho para o festival, Daniel Nunes (o “Lise”, e também baterista da elogiada Constantina) falava sobre seu desapego com o formato canção propondo-se a compor trilhas-sonoras. Ao vivo, neste encontro com Davidson Soares (o “Barulhista”), o som que saia dos dois laptops, teclados e eventualmente da bateria (alternada pelos dois músicos) era algo em constante desenvolvimento, e poderia ser descrito como trilha sonora para provocar e ampliar os horizontes musicais de um público cada vez mais apegado a banalismos. Perfeitamente adequados ao LAB (e a seu público), Lise + Barulhista fizeram um show contemplativo, mesmo com as porradas de Daniel nos pratos da bateria, e serviram como uma excelente introdução para uma noite de música variada de alta qualidade.

Veja também:
– Download: baixe o CD do Festival LAB 2012 (aqui)
– Download: baixe “Agora Eu Sou o Silêncio”, do Tratak (aqui)
– Download: baixe o CD do Jair Naves (aqui)
– Ouça o EP “Aratu Milonga”, do Coutto Orchestra de Cabeça (aqui)
– Download: baixe os CDs do Lise (aqui) e do Barulhista (aqui)

novembro 7, 2012   No Comments

Cinco fotos: Inhotim

Clique na imagem se quiser vê-la maior

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A fuga

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A banda

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As bolas

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Yellow

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Cochilo

Veja mais imagens de cidades no link “cinco fotos” (aqui)

novembro 6, 2012   No Comments