Blog do Editor do Scream & Yell
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Três Filmes: Billy Wilder 1944, 1957, 1966

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“Pacto de Sangue” (“Double Indemnity”, 1944)
Uma obra prima. Baseado em uma história real acontecida em 1929, em que uma esposa planeja o assassinato do marido após ter comprado uma apólice de seguro com cláusula de indenização em dobro, Billy Wilder e Raymond Chandler escreveram um roteiro brilhante em que o vendedor de seguros Walter Neff (Fred MacMurray) se vê seduzido pela loura Phyllis Dietrichson (Barbara Stanwyck) e, por ela, decide cometer um crime. Um dos primeiros filmes noir da história, e um dos melhores (não só noir, mas da história do cinema), “Pacto de Sangue” distribui diálogos geniais (a cena do primeiro encontro entre Walter e Phyllis é sensacional) e destaca algumas curiosidades como a cena em que Phyllis se esconde atrás da porta da casa de Walter (uma porta que abre pra fora, truque esperto para aumentar a tensão de em uma passagem clássica). Indicado a sete Oscars, Billy Wilder saiu de mãos abanando e foi atropelado por “O Bom Pastor”, de Leo McCarey, que dos 10 prêmios a que fora indicado, levou nada menos que 7. Em sua biografia, Billy Wilder relembra o primeiro encontro que teve com o escritor Raymond Chandler: “Foi ódio à primeira vista”. O resultado improvável da parceria foi um dos melhores filmes da carreira de Billy Wilder.

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“Um Amor na Tarde” (“Love in the Afternoon”, 1957)
Três anos antes, em 1954, Billy Wilder havia feito “Sabrina” com Audrey Hepburn, um filme que já antecipava a queda do diretor pela inocência da atriz (dividida, no filme, por dois galãs, William Holden e Humphrey Bogart). Em “Amor na Tarde”, Wilder vai ainda mais longe em uma comédia romântica que só podia ter como pano de fundo… Paris. É na capital romântica do amor (os minutos iniciais são irresistivelmente deliciosos) que um milionário conquistador é salvo de um marido ciumento por uma jovem violoncelista. Ariane (Audrey), a violoncelista, é filha de um detetive, e fuçando nas fichas de casos solucionados pelo pai, se interessa pelo Don Juan Frank Flannagan (Gary Cooper), e arquiteta um plano para fisgar o homem – que é bem mais velho que ela. Audrey é a típica heroína que valida vários temas de Billy Wilder: a esperteza do jovem contra a experiência da idade; o amor que consegue vencer o vício e a mulher (aparentemente inocente) que, usando de esperteza, conquista o homem. Outras duas cenas memoráveis: Audrey procurando sapato rastejando-se no chão, e a comovente cena final, na estação de trem. “Amor na Tarde” é uma comédia romântica menor, mas ainda assim muito boa. E tem “Fascinação” na trilha (impossível esquecer da música no filme)…

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“Uma Loura Por Um Milhão” (“The Fortune Cookie”, 1966)
Um câmera de TV que vai parar no hospital após ser atropelado por um jogador de futebol americano em pleno jogo é convencido por seu cunhado, um advogado sem escrúpulos, a fingir ter lesões muito maiores, para assim dividirem uma rica indenização. O ponto de partida desta comédia esperta estrelada por Jack Lemmon e Walter Matthau (Judi West, a loura do título, apesar de bonita é deixada de lado na trama tamanha a química dos dois atores), que rendeu um Oscar (merecido) de ator coadjuvante para o segundo, é uma análise séria da indústria de charlatões (ainda que apoiada na deliciosa verve cômica da dupla de atores) tanto quanto uma valorização da amizade e da responsabilidade (na relação do jogador Luther “Boom Boom” Jackson com Harry Hinkle, o personagem vivido por Lemmon). Com roteiro assinado por Billy Wilder em parceria com I.A.L. Diamond (os dois também são responsáveis por “Amor na Tarde”, “Seu Meu Apartamento Falasse”, “Quanto Mais Quente Melhor” e “A Primeira Página”), “Uma Loura Por Um Milhão” é dividido em capítulos e poderia ser um pouco mais ágil e curto (assim como “Um Amor na Tarde”, que também ultrapassa as duas horas de duração), mas ainda assim diverte.

Leia também:
- Três listinhas “in progress”: Fellini, Truffaut e Wilder (aqui)
- Uma estranha reunião de fantasmas do cinema (aqui)

Abril 28, 2012   3 Comments