Blog do Editor do Scream & Yell
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O show do R.E.M. no Rock in Rio 2001

Hoje, 21 de setembro de 2011, o R.E.M. anunciou, via site oficial, que estava encerrando as atividades. Uma das cinco grandes bandas dos últimos 30 anos (sinta-se a vontade para eleger as outras quatro), o R.E.M. conseguiu em um carreira extensa manter-se honesto ao propósito inicial: fazer grandes canções. O único tropeço, assumido pela própria banda, foi o disco “Around The Sun”, de 2004, mas eles recuperaram a fé do público com dois grandes discos: “Accelerate” (2009) e “Collapse Into Now” (2011).

Tive o prazer de ver o R.E.M. cinco vezes ao vivo em minha vida. A primeira, cuja sequência de vídeos abaixo registra, foi no Rock in Rio 3, em 2001, um show espetacular, uma comunhão perfeita entre público e banda. Depois cruzei a banda na turnê “Accelerate” em Leuven, na Bélgica (atendi o pedido de Michael Stipe e levantei meu celular para o alto emulando as luzes de Hollywood Hills em “Electrolite” - assista aqui) e suportei um show inteiro do Kings of Leon na Escócia para poder ficar no gargarejo (e valeu a pena).

Por fim, eles tocaram duas noites seguidas no Via Funchal, em 2008, para uma plateia de amigos que dançavam, cantavam e pulavam aquelas canções cravadas na alma enquanto Michael Stipe festajava sua Itapava. Foram 30 anos intensos e, parafraseando a amiga Pamela Leme, só nos resta agradecer ao R.E.M. pelos shows e, principalmente, por nos fazer suportar a vida. Poucas bandas hoje em dia conseguem arrancar lágrimas sinceras da gente e, bem, eu chorei enquanto escrevia isso. Talvez não aconteça nunca mais. Talvez.

“Não basta admirar um artista para que ele seja responsável pelo melhor show que você viu na vida. É uma pequena conjunção de fatores que torna um show algo especial. Particularmente, admiro (muito) e já vi ao vivo gente como Brian Wilson, Patti Smith, Neil Young e Echo & The Bunnymen, e apesar deles terem feito grandes shows, nenhum deles está neste Top Ten pessoal. É um preâmbulo necessário para evitar comentários óbvios tipo “esse é o seu show preferido porque você é fã da banda”. Nem sempre as bandas que mais admiramos são aquelas que fazem os melhores shows de nossas vidas. Às vezes são os piores…

Não é o caso do R.E.M. no Rock In Rio 3. O show aconteceu no segundo dia do festival, num sábado, e estava cercado de expectativas. Quando recebi no meio da tarde o set list que a banda iria apresentar mais à noite, fiquei impressionado: era impossível que eles fizessem um show ruim com aquele repertório. O trio havia selecionado um repertório best of para seu show no Brasil, que viria a se tornar o maior público para o qual a banda já tinha se apresentado. Assim que o Foo Fighters encerrou sua apresentação, tratei de arrumar um lugar na “fila do gargarejo” para presenciar o show. E foi… inesquecível.

Michael Stipe estava visivelmente emocionado. O som – que havia derrubado Beck e Foo Fighters – começou ruim, com o baixo à frente dos outros instrumentos, mas em três músicas já estava tudo ok. Daí vieram clássico atrás de clássico: “Fall On Me”, “Stand”, “So Central Rain”, “Daysleeper”, “At My Most Beautiful”, “The One I Love”, “Man on The Moon”, “Everbody Hurts”… Até hoje em dia, quando ouço o CD com o áudio do show, me arrepio quando Peter Buck dispara no bandolim o riff inconfundível de “Losing My Religion”, e ouve-se a massa vibrando (imagine 150 mil pessoas atrás de você gritando insanamente quando ouvem uma das músicas mais lindas já escritas na música pop). No final, “It’s The End” embebida em microfonia e Michael Stipe repetindo “and i fell fine” sem querer sair do palco. Antológico, clássico e inesquecível”. Um dos shows especiais da minha vida (mais aqui)

9 comentários

1 Alexandre Dias { 09.22.11 at 12:37 am }

Grande texto. E agora só nos resta um grande vazio.

E já disse Michael Stipe a muito tempo atrás:
“This is my world, and I am the World Leader Pretend.
This is my life, and this is my time,
I have been given the freedom to do as I see fit.
It’s high time I razed the walls that I’ve constructed.”

2 Alexandre Dias { 09.22.11 at 12:46 am }

Continuando……Tava lá em 2001 também, lá no final da galera, longe pra caramba do palco, mas ver aquelas 150.000 pessoas pulando e cantando é daquelas imagens que não se esquece nunca.

3 cris { 09.22.11 at 9:47 am }

Por pouco perdi o show do RiR, mas delirei no Via Funchal, lindo, lindo! REM sai de cabeça erguida, tem tanta banda por aí lançando disquinho medíocre. Vai fazer muita falta, mas espero sinceramente que um dia vc volte a derramar lágrimas por alguma outra banda .

4 Adriano Mello Costa { 09.22.11 at 11:12 am }

A banda da minha vida. Cresci na segunda metade dos 80 escutando discos como Document e Green em fitas k7 , antes de ter toda a coleção em casa. Banda única. Provavelmente a que mais escutei, até mais que os Beatles. Banda que nunca lançou um disco ruim (até o Around The Sun tem seus méritos) e sempre foi honesta com o público. Ontem quando fazia uma seleção das músicas no meu media player, também chorei quando as canções me arremesavam no tempo. Não deu para ver em 2001 no Rock In Rio, vi em casa enchendo a cara, pois a excursão deu furo em cima da hora. Mas em 2008 no Via Funchal foi um show esplendoroso. O rock com certeza fica mais pobre e sem graça a partir de ontem.
Grande abraço Mac.

5 Rubens { 09.22.11 at 3:28 pm }

O que me impressiona é ver gente da crítica festejando o término da banda. As mesmas pessoas que endeusam bandas como o Radiohead e o Wilco, que vêm lançando o mesmo disco há anos. Sério, às vezes eu me pergunto qual é o parâmetro de algumas pessoas, de verdade…

6 Hugo Oliveira de Souza { 09.23.11 at 2:30 pm }

O R.E.M. é especial. Assisti a três shows, em momentos distintos da vida. Sempre vou me lembrar de tudo que envolveu a atmosfera das apresentações - pessoas, fatos, papos. Sabe a cena final de ‘Invasões bárbaras”, quando o protagonista relembra passagens de sua vida ao tomar uma injeção letal? Acho que, grosso modo, vai ser mais ou menos assim…
E sim, Mac: Peter Buck pegando o bandolim e disparando “Losing my religion” foi um dos momentos mais mágicos em relação a todos os - poucos - shows que assisti.
Eu e meu companheiro de blog, Ricardo Pereira, escrevemos dois textos distintos sobre o fim da banda. http://aboutthepassion.blogspot.com

7 sonia { 10.01.11 at 2:04 pm }

Chorei com o seu texto! Parabéns, belas palavras e bela homenagem! Para nós, o R.E.M. não vai acabar jamais!

8 Mariana Takamatsu { 10.05.11 at 12:46 pm }

Ótimas palavras. REM é minha banda desde a pré-adolescência e fiquei arrasada com o comunicado. Estive no RiR em 2001 e nos dois shows em SP em 2008. Agora me arrependo por não ter ido aos outros shows no Brasil.
Outro grande arrependimento foi estar na exposição do namorado de Michael (com a presença dele) em SP e não falar nada… Sonhava (literalmente) com esse momento, mas não estava num dia bom e fiquei com receio da galera cool achar fanatismo. Doctor Brown, me empresta a DeLorean já!!

9 Top 5 Cássia Eller | Pensar Enlouquece, Pense Nisso { 12.10.12 at 8:03 pm }

[…] cumpridas: Michael Stipe e sua trupe fizeram um dos melhores shows que vi em toda a minha vida (este texto de Marcelo Costa, um dos mais de 170 mil espectadores daquela noite no Rock in Rio III, é um belo relato). Porém, […]

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