Blog do Editor do Scream & Yell
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A armadilha de uma descrição verbal

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Trecho do prefácio do livro “Escuta Só”, de Alex Ross:

“Escrever sobre música não é especialmente difícil. Quem cunhou o epigrama “Escrever sobre música é como dançar sobre arquitetura” — a declaração foi atribuída em diferentes momentos a Martin Mull, Steve Martin e Elvis Costello — estava turvando as águas. A crítica musical é certamente uma ciência curiosa e dúbia, e seu jargão varia do inexpressivo (“A Quinta de Beethoven começa com três sóis e um mi bemol”) ao floreado (“A Quinta de Beethoven começa com o destino batendo à porta”). Mas não é mais dúbia do que qualquer outro tipo de crítica. Toda forma de arte luta contra a armadilha de uma descrição verbal. Escrever sobre dança é como cantar sobre arquitetura, escrever sobre literatura é como fazer edifícios sobre balé. Há uma fronteira envolta em névoa que a língua não pode atravessar. Um crítico de arte pode dizer de Laranja e amarelo de Mark Rothko que a tela consiste de uma área de tinta amarela que flutua acima de uma área de tinta cor de laranja, mas de que serve isso para alguém que nunca viu um Rothko? O crítico literário pode copiar algumas linhas da “Esthétique du mal”, de Wallace Stevens —

And out of what sees and hears and out
Of what one feels, who could have thought to make
So many selves, so many sensuous worlds…

— mas quando tenta explicar o significado desses versos, quando tenta expressar sua música silenciosa, outra dança irrealizável se inicia. Então por que se arraigou a ideia de que há algo de peculiarmente inexpressivo na música? A explicação pode não estar na música, mas em nós mesmos. (…) A “Grande Enciclopédia Soviética”, em um de seus momentos mais sensatos, definiu a música como “uma variante especifica de som feito por pessoas”. No fim das contas, a parte difícil de escrever sobre música não é descrever um som, mas um ser humano. É um trabalho delicado, pretensioso no caso dos vivos e especulativo no caso dos mortos”…

“Escuta Só”, de Alex Ross, foi lançado pela Companhia das Letras no Brasil

Agosto 3, 2011   No Comments

Um festival nos EUA com música e vinho

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São Francisco, nos Estados Unidos, recebe entre os dias 12 e 14 de agosto, no Golden Gate Park, a quarta edição do Outside Lands Music and Arts Festival, um festival que tem um line-up de bandas e outro de… vinho e comida. Isso mesmo, vinho e comida! Algumas das mais famosas vinícolas do Sonoma e do Napa Valley marcam presença no festival e uma lista com 50 restaurantes promete não deixar ninguém passar fome.

Em 2008, os headliners musicais foram Radiohead, Wilco, Tom Petty and the Heartbreakers, Beck, Manu Chao, Ben Harper e Jack Johnson. Em 2009 foi a vez de Pearl Jam, Dave Matthews Band, Black Eyed Peas, Ween, TV on the Radio, Dead Weather, Jason Mraz e The National. No ano passado subiram no palco The Strokes, Cat Power, Kings of Leon, Phoenix, Social Distortion, Chromeo e Al Green (entre muitos outros).

2011 promete muito com Arcade Fire, The Black Keys, The Shins, The Decemberists, John Fogerty, Erykah Badu, Beirut, Arctic Monkeys, Big Audio Dynamite e Muse. Entre as vinicolas destacam-se a Ridge Vineyards, de Monte Belo, na Califórnia – que produz premiados Cabernet Sauvignon, Zinfandel e Chardonnay –, Gloria Ferrer, Summer of Riesling, Hess Collection e muitas outras (são 30 vinícolas no total).

Os ingressos comuns por dia saem por 85 dólares (a noite de sábado já está esgotada), aproximadamente R$ 135. Os ingressos vips, ainda disponíveis para todos os dias, custam 185 dólares (R$ 290) e permitem área de descanso especial, massagem, acesso privilegiado para a área com cervejas, vinhos e alimentação além de um pôster comemorativo do festival. Caprichado. Será que daria certo algo assim no Brasil?

http://www.sfoutsidelands.com

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Leia também:
- Diário: 20 dias nos Estados Unidos, por Marcelo Costa (aqui)
- Uma noite com PJ Harvey em São Francisco, por Marcelo Costa (aqui)
- São Francisco e as rachaduras do american dream, por Mac (aqui)

Agosto 3, 2011   3 Comments

Quase

Três horas da manhã. É incrível como o tempo passa rápido. Adoro a sensação de deitar o corpo na cama, curto a ideia de dormir, descansar e tal, mas não consigo me desligar do mesmo pensamento que tenho desde… os 15 anos: dormir é desperdiçar tempo. Bobagem, eu sei, mas olho para a estante e percebo a quantidade de livros que não li… a quantidade de discos que preciso ouvir melhor… tudo aquilo que eu queria escrever… e quase perco o sono. Quase. Boa noite.

Agosto 3, 2011   3 Comments