Blog do Editor do Scream & Yell
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Posts from — Março 2011

Opinião do Consumidor: Bernard Dark

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Em 1991, três tchecos venceram o leilão de privatização de uma pequena cervejaria fundada no século 16, em Humpolec, uma cidadezinha de 10 mil habitantes na fronteira da Bélgica com a França. A Bernard estava falida, mas os novos donos apostaram e conseguiram conquistar os belgas a ponto de, dez anos depois, ganhar um aporte financeiro da Duvel Moortgat, que colocou a Bernard na prateleira de 26 países.

Como diferencial, a Bernard optou por trabalhar a cerveja microfiltrada ao contrário da pausterizada, bastante comum no grande mercado. Deste modo, as Bernard passam por processos de fermentação, que duram de 7 a 10 dias, e maturação em caves, que pode chegar a 40 dias. O catálogo da casa traz mais de dez rótulos, entre eles a Bernard Dark, uma cerveja escura elaborada com quatro tipos de malte.

A tampa de pressão é um luxo, e assim que aberta derrama no ar o aroma reconhecível de malte tostado das cervejas escuras. Há algo de doce no conjunto que a suaviza e a diferencia em relação a outras lagers escuras – principalmente as britânicas, mais amargas e encorpadas. O padrão adotado é o tcheco. Há bastante similaridade da Bernard Dark com outras tchecas escuras, como a 1795 Dark, por exemplo.

Além do malte tostado, o aroma traz algo de ameixa e de frutas cítricas sem sugerir complexidade. O paladar, desde o primeiro toque na língua, é levemente adocicado com amargor quase zero. O toque na garganta lembra algo de açúcar caramelado que consegue esconder o malte torrado (que está ali sugerindo café e chocolate amargo, sem tanta convicção). No final, há um rastro de café que persiste por um bom tempo.

Há uma leveza excessiva e uma falta de complexidade na Bernard Dark que acabam comprometendo o resultado final. Os referenciais estão todos no lugar, mas ela é tão leve que você pode achar que está bebendo um copo d’água borrado de café. Na falta da ótima 1795 Dark, os fãs podem até despistar com a Bernard, mas a diferença saltará da boca nos primeiros goles. Eis uma cerveja que, mesmo premiada, é apenas ok.

Teste de Qualidade: Bernard Dark
- Produto: cerveja lager
- Nacionalidade: República Tcheca
- Graduação alcoólica: 5,1%
- Nota: 3,09/5

Leia também:
- 1795 Dark, leve amargor que mantém o gosto no paladar (aqui)

Março 31, 2011   1 Comment

Quatro dias para as férias

Tudo praticamente pronto para a viagem aos Estados Unidos. Hotéis reservados e ingressos de shows comprados. Só falta, acredite, garantir o ingresso do Coachella. Quatro dias para as férias e sete para a viagem. Mas antes ainda tem show do National em São Paulo…

Ps. Não resisti e comprei os tickets para o show do Tame Impala com abertura do Yuck em San Francisco, o que já vai garantir uma certa dor de cabeça, afinal já tinhámos reservado hotel em Los Angeles para a segunda pós-Coachella, mas… melhor garantir o ingresso (que custou 30 dólares) e depois pensar se vai rolar ou não ir.

06/04 – São Paulo / Nova York
07/04 – Nova York
08/04 – Nova York (Aimee Mann)
09/04 – Nova York (Sebadoh)
10/04 – Nova York (Rush)
11/04 – Nova York
12/04 – Nova York / San Francisco
13/04 – San Francisco (Broken Social Scene)
14/04 – San Francisco (PJ Harvey)
15/04 – San Francisco/ Índio (Coachella)
16/04 – Índio (Coachella)
17/04 – Índio (Coachella)
18/04 – Los Angeles
19/04 – Los Angeles
20/04 – Los Angeles
21/04 – Los Angeles / Chicago
22/04 – Chicago (Arcade Fire + National)
23/04 – Chicago / Columbus (Decemberists)
24/04 – Columbus / Chicago / São Paulo

Outros shows possíveis
MEN, no Music Hall Of Williamsburg, 07/04 (New York)
Charlie Sheen no Radio City Music Hall, 10/04 (Nova York)
Queens of The Stone Age no Fox Theather, 11/04 (Oakland)
Lauryn Hill no Warfield Theatre, 12/04 (San Francisco)
Bright Eyes no Fox Theater, 12/04 (Oakland)
CSS, na Glass House, 18/04 (Pomona)
!!! (Chk Chk Chk) no The Independent, 18/04 (San Francisco)
Tame Impala e Yuck no The Fillmore, 18/04 (San Francisco)
The New Pornographers no The Regency Ballroom, 18/04 (SF)
Broken Social Scene no Hollywood Forever Cemetery, 18/04 (LA)
Lauryn Hill no Club Nokia, 18/04 (Los Angeles)
The Pains Of Being Pure At Heart no Great American Music, 19/04 (SF)
The Go! Team, no Echoplex, 19/04 (Los Angeles)
Paul Simon, Pantages Theatre, 20/04 (Los Angeles)
Low, no Lincoln Hall, 21/04 (Chicago)

Março 29, 2011   3 Comments

Download: Walverdes ao vivo

walverdes_vivo.jpg

Um dos grupos mais barulhentos desta pobre terra que enxerga Sandy como devassa e Gisele Bündchen como dona de casa em peças publicitárias, a Walverdes ainda não tinha um álbum ao vivo que pudesse dar conta do esporro que Gustavo Mini Bittencourt (guitarrista/vocalista), Marcos Rubenich (baixo) e Patrick Magalhães (baixo) fazem sobre um palco. Não tinham…

“AoVivo@Asteroid” não foi planejado. “Jon Hassuike, que já produziu discos do Wry em Londres, avisou na passagem de som que iria gravar e simplesmente gravou! Depois mixou e nos enviou!”, conta Mini. O repertório é um quase um resumo da carreira da Walverdes, com canções de todos os álbuns oficiais.

As versões rápidas de “Câncer” e “1996” saíram diretamente do EP “90º (2000). De “Anticontrole” (2002) saíram “Viajando na AM”, “Novos Adultos” e “Refrões ao Lado / Classe Média Baixa Records”. De “Playback” (2005), “Saturno”, e de “Breakdance” (2010), “Diagonal”.

Duas faixas chamam a atenção: a raríssima “Kikito aos Medas”, lançada na coletânea “Segunda Sem Ley”, da Excelente Discos (2005) e a versão de “Sweet Leaf”, do Black Sabbath, aqui rebatizada de “Sweet Leaf (Demasiada Sequela Style)”. “É a primeira vez que gravamos ‘Sweet Leaf’ com o reggae que a gente enxerta no meio”, avisa Mini.

A gravação faz parte de um projeto do Asteroid Bar, de Sorocaba, que pretende disponibilizar todos os shows feitos na casa para download gratuito (devidamente mixados e com qualidade de áudio excelente) em seu site oficial (http://asteroid.art.br/). Enquanto o projeto não vai ao ar, o Scream & Yell tem a honra de divulgar “AoVivo@Asteroid”.

Baixe, repasse e ouça no último volume.

Walverdes AOVIVO@ASTEROID

01) Anticontrole
02) Viajando na AM
03) Diagonal
04) 1996
05) Câncer
06) Kikito aos Medas
07) Novos Adultos
08) Saturno
09) Refrões ao Lado / Classe Média Baixa Records
10) Sweet Leaf (Demasiada Sequela Style)

Tocado no bar Asteroid em Sorocaba em 23.10.10
Captação: Jon Hassuike/Marcel Marques
Mixagem: Jon Hassuike
Foto da Capa: Larissa Moura
Lançamento e divulgação: Scream & Yell

Baixe: http://www.mediafire.com/?2z24ck4wa4wamac

Março 28, 2011   1 Comment

De Luis Buñuel para Erasmo Carlos

minhafamademau.jpg

Sai o surrealismo e entra a jovem guarda. Troca necessária neste momento. Em sua excelente biografia (recomendadíssima), o cineasta espanhol inspira a desordem, provoca o pensamento e instiga o caos social. Não há como ficar alheio ao mundo, e isso pode até enlouquecer (no mínimo garantir uma boa dor de estômago). Extremamente inspirador. E (deliciosamente) perigoso.

Por sua vez, em “Minha Fama de Mau”, Erasmo Carlos mostra toda a inocência dos primeiros anos do rock and roll. De mau Erasmo (e a jovem guarda) não tinha nada. Basta colocar lado a lado um filme de Buñuel de 1930 (“A Idade do Ouro”) e uma música de Erasmo e Roberto de 1963 (“Parei na Contramão”). 60 anos separam as duas obras, e quem era mau mesmo?

Erasmo narra um punhado de histórias inocentes de um garoto pobre do bairro da Tijuca. De causos de adolescência a histórias da jovem guarda (incluindo passagens de parcerias com Roberto até exemplos de sua rotina ao lado de um homem com toc), os capítulos surgem com um verniz de inocência que caracteriza (e muito) o período. Parecia não haver maldade. É tudo tão simples que, por vezes, soa simplório.

“Tocaram a campainha e fui atender. Tinha 17 anos e vivia com minha mãe – e os gatos, os periquitos e o cágado – no quarto alugado da rua Professor Gabizo. O tal casarão de beleza decadente, com seus azulejos coloniais e suas incontáveis pulgas. Na porta, estavam Trindade, Arlênio e um outro cara, que eles queriam me apresentar. O sujeito morava no bairro de Lins de Vasconcelos e se chamava Roberto Carlos. Ele fizera parte do Sputnicks e, com o fim do grupo, resolvera seguir em carreira solo. Já cantava boleros e sambas-canção em sua terra natal, Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo.

Gostei dele. Era simpático, usava topete e costeletas e vestia calça faroeste com uma jaqueta vermelha tipo James Dean. Conversamos bastante sobre rock, bebemos água da moringa de barro que eu tinha no quarto e comemos biscoito Aymoré. Num certo momento, a meu pedido, ele afinou o precário violão de cravelhas de pau que eu havia ganhado da minha avó Maria Luiza pouco tempo antes e cantou “Tutti Frutti” e “Don’t Be Cruel”. Arlênio e Trindade iniciaram um vocal que timidamente apoiei. Eu não tocava nem cantava, mas tinha a intenção de aprender. Foi demais!

O motivo daquela visita era saber se eu tinha a letra de “Hound Dog”, o grande hit de Elvis Presley que tocava adoidado nas rádios – Bill Halley ans His Comets viriam se apresentar em breve no Maracanãnzinho e o Clube do Rock, do qual Roberto fazia parte, iria fazer o pré-show. Ele queria aprender a canção e incluí-la no seu repertório.

Eu tinha a letra e prontamente o atendi, recorrendo aos meus arquivos musicais. Naquele mesmo instante ele começou a treinar o seu inglês capixaba enquanto levava sua batida com meu violão. Na saída, entre abraços e piadas sobre as pulgas, agradecido pela hospitalidade, ele disse a frase que mudaria minha vida:

‘Bicho, aparece lá na televisão.’”

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Erasmo com Tim Maia

Leia também:
- De Stanley Kubrick para Luis Buñuel (aqui)
- Luis Buñuel e uma estranha reunião de fantasmas (aqui)
- Luis Buñuel: o que aconteceu com o surrealismo? (aqui)
- Luis Buñuel: o bar é um exercício de solidão (aqui)

Março 25, 2011   No Comments

Opinião do Consumidor: Westvleteren 8

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Westvleteren é uma aldeia na província dos Flandres Ocidentais, na Bélgica. A cidade (quase na fronteira com a França) é conhecida por dar nome a uma cervejaria fundada em 1838 na abadia trapista de Saint Sixtus, que já foi apontada por especialistas como fabricante da melhor cerveja do mundo. O título que daria orgulho para muitas cervejarias não foi visto com bons olhos no monastério. “Nós fazemos a cerveja para viver, mas não vivemos para a cerveja”, avisou o coordenador do claustro, Mark Bode, em entrevista (imperdível) ao tablóide britânico The Independent.

“Os monges acreditam que o mais importante é a vida monástica, não a cervejaria”, continua Mark, lembrando que a produção de cerveja da Westvleteren visa apenas financiar a comunidade – assim como as outras cinco cervejarias trapistas belgas conduzidas por religiosos (a saber: Westmalle, Achel, Chimay, Rochefort e Orval). Eles levam a regra tão à sério que você não irá encontrar as Westvleteren para comprar em empórios ou distribuidores: desde 1941 ela é vendida unicamente no mosteiro, com cota máxima de cinco caixas de 24 garrafas para cada pessoa, e o cliente tem que prometer não vender a cerveja! Você sabe, Deus está vendo.

Essa número 8 da foto acima chegou a minhas mãos como um presente especialíssimo do Guilherme Tosi (@guilhermetosi), que visitou o mosteiro e comprou um pack de seis cervejas. A garrafa não traz rótulo, mas a tampinha leva o brasão da casa e exibe a validade – neste caso, maio de 2013 – além de avisar que você está diante de uma cerveja de 8% de graduação alcoólica. Eles ainda fabricam uma versão loura, de 5,8%, que é liberada para consumo dos próprios monges, e uma número 12 (de 12% de graduação alcoólica), a vedete da casa eleita a melhor do mundo pelo site independente norte-americano Rate Beer – para desespero da comunidade.

No caso da número 8, o aroma é seco e perfumado (maçã em destaque) com notas de cravo, ameixa e nozes – e algo que lembra muito a madeira (e conquista logo que a cerveja é derramada no copo). O sabor, maravilhoso, é encorpado, mas suave. O primeiro toque é adocicado, então um leve amargor se faz presente e ambos vão se revezando (de forma impressionante) sem que um prejudique o outro. Há algo de frutado (ameixa e cereja) e um adocicado que remete diretamente a açúcar mascavo (mas sem o melado). O malte torrado aparece discretamente ao lado do álcool, extremamente bem balanceado no conjunto de uma cerveja espetacular.

Não tem muito mais o que falar. É uma das melhores cervejas do mundo, ponto. Favorite o site do mosteiro (aqui) e leia, ainda, a entrevista rara que o monge Mark Bode concedeu ao The Independent (aqui). E coloque como meta um dia conhecer o lugar. Você não vai se arrepender.

Ps. Tosi, novamente, obrigado \o/
Ps 2. Nunca terminar uma cerveja deu tanta dor no coração.

Teste de Qualidade: Westvleteren

- Westvleteren 8
- Produto: Dark Strong Ale
- Nacionalidade: Bélgica
- Graduação alcoólica: 8%
- Nota: 5/5

Março 23, 2011   12 Comments

Tour virtual pelo Royal Albert Hall

royal_circle.jpg

Eu e Tiago não resistimos e compramos os tickets para o show de Eric Clapton com Steve Winwood no mítico Royal Albert Hall, sala de concertos situada em South Kensington, Londres, inaugurado pela Rainha Vitória, em 1871. Ainda existem lugares de 65 libras (R$ 180), no tablado atrás da banda, mas fomos nos mais baratos, de 45 libras (R$ 120), que fica no círculo superior, no nosso caso à esquerda do palco, bem onde marquei esse ponto amarelo na imagem acima. Se você clicar na imagem poderá fazer um tour virtual de cair o queixo pela casa. Ou seja: não vamos ver só um puta show foda, mas o lugar, a atmosfera, a história, tudo. Abaixo o set-list do último show da dupla.

1. Had to Cry Today (Blind Faith)
2. Low Down  (J.J. Cale)
3. After Midnight  (J.J. Cale )
4. Presence of the Lord (Blind Faith )
5. Glad (Traffic )
6. Well, Alright
7. Tuff Luck
8. While You See A Chance
9. Key To The Highway
10. Midland Maniac
11. Crossroads (Robert Johnson )
12. Georgia
13. Driftin’ (acoustic)
14. How Long  (Leroy Carr) (acoustic)
15. Layla (Derek and the Dominos ) (acoustic)
16. Can’t Find My Way Home (Blind Faith )(acoustic)
17. Gimme Some Lovin’
18. Voodoo Chile (The Jimi Hendrix Experience )
19. Cocaine (J.J. Cale )
20. Dear Mr. Fantasy (Traffic )

Março 23, 2011   4 Comments

Três canções: Echo and The Bunnymen


The Killing Moon (19/06/2008)


Rust (22/01/2011)


Nothing Lasts Forever (19/06/2008)

Veja também: Três canções do Manic Street Preachers (aqui)

Março 22, 2011   1 Comment

Europa 2011: mais alguns shows

roundhouse.jpg

Pelo jeito, vamos ficar com Londres mesmo nos três dias que restavam após a passagem por Barcelona e Amsterdã. A agenda não está toda fechada (cálculos de grana pra cá e pra lá), o único show já garantido é do Kills na casa ai da foto (atualização: compramos os tickets dos shows de Eric Clapton e Art Brut), mas ainda tem estes outros shows pintando nestes três dias londrinos:

01/06
Art Brut no The Lexington (R$ 32)
Emmylou Harris no Royal Festival Hall (R$ 40 a R$ 135)
Eric Clapton e Steve Winwood no Royal Albert Hall (R$ 120 a R$ 180) (comprado)
Fleet Foxes no Hammersmith Apollo (esgotado)
Wolfmother no HMV Forum (R$ 60)

02/06
Art Brut no The Lexington (R$ 32) (comprado)
Fleet Foxes no Hammersmith Apollo (R$ 75)

03/06
Art Brut no The Lexington (esgotado)
Donovan no Royal Albert Hall (R$ 80 a R$ 150)
Jerry Seinfeld no O2 Arena (R$ 230 a R$ 300)
The Kills no Roundhouse (foto): R$ 51 (comprado)
Low no Barbican Centre (de R$ 30 a R$ 50)
Two Door Cinema Club no O2 Academy (esgotado)

25/05 - Barcelona - Primavera Sound
26/05 - Barcelona - Primavera Sound
27/05 - Barcelona - Primavera Sound
28/05 - Barcelona - Primavera Sound
29/05 - Barcelona - Primavera Sound
30/05 - Amsterdã - PJ Harvey (esgotado)
31/05 - Amsterdã - PJ Harvey (esgotado)
01/06 - Londres
02/06 - Londres
03/06 - Londres - The Kills
04/06 - Bruxelas/Madri
05/06 - São Paulo

Março 22, 2011   3 Comments

Cinco fotos: Praga

Clique na imagem se quiser vê-la maior

praga1.jpg
A loucura

praga2.jpg
A ponte

praga5.jpg
A dança

praga4.jpg
O iluminado

praga3.jpg
O castelo

Veja mais imagens de cidades no link “cinco fotos” (aqui)

Março 21, 2011   No Comments

Saiu o line-up oficial do Reading 2011

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Veja também: 21 festivais de abril a agosto de 2011 (aqui)

Março 21, 2011   5 Comments

Três filmes: Naomi, Natalie e Juliette

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“Jogo de Poder” (“Fair Game”, 2010)
A história da espiã norte-americana Valerie Plame já havia inspirado uma canção do Decemberists e agora ganha sua versão cinemão com a dupla Naomi Watts (no papel da espiã) e Sean Penn (como o marido Joseph Wilson) esbanjando carisma. O diretor Doug Liman tem mão boa para thrillers políticos, vide “A Identidade Bourne” (2002) e os dois filmes seguintes da franquia produzidos por ele – além do divertido “Sr. e Sra. Smith” (2005), outra história de espiões. Aqui, no entanto, a motivação é real. Joseph Wilson escreveu um editorial para o New York Times em que acusava a administração do presidente Bush de manipular informações (algumas coletadas pelo próprio diplomata) para justificar a invasão ao Iraque. Ou seja, a Casa Branca mentiu visando uma guerra (novidade?). No meio do caminho ferrou a vida de uma espiã que havia dedicado 18 anos de sua vida ao País. Um filmaço sobre manipulação de interesses no mundo moderno.

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“Sexo Sem Compromisso” (”No Strings Attached”, 2011)
O ponto de partida desta comédia romântica inofensiva é até bacana: a câmera flagra um menino e uma menina conversando, ele tímido, ela falante: “Você é engraçada e esquisita”, ele diz. “Sim, sou esquisita”, ela concorda cinicamente. Corte: cinco anos depois eles se reencontram, paqueram e nada acontece. Mais quatro anos se passam e, bum, sexo. Natalie Portman interpreta Emma, uma garota louca (redundância, eu sei) que não quer se relacionar com ninguém, mas curte a idéia do sexo. Ashton Kutcher é Adam, o cara do primeiro fora (e de outros futuros). Eles topam encarar o lance de serem fuckbodys e, claro, alguém vai se apaixonar. Até ai, tudo bem, mas a história secundária, o roteiro, a trilha, o filme todo não precisava ser tão superficial. Não há química entre Natalie e o péssimo Ashton (era mais fácil enganar de chapado no “That 70′ Show”), mas Kevin Kline garante bons momentos quando aparece em cena. Pena que ele aparece pouco.

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“Cópia Fiel” (“Copie Conforme”, 2010)
Primeira incursão européia do cineasta iraniano Abbas Kiarostami (e um dos melhores filmes do ano passado), “Cópia Fiel” discute o conceito da originalidade em uma obra de arte homenageando (ou seria copiando fielmente?) Rosselini (vale rever “Viagem à Itália”, de 1953, que flagra dois estrangeiros no ocaso do casamento) e Antonioni (e também os dois “Before”, de Richard Linklater) enquanto o casal de protagonistas passeia por uma cidadezinha da Toscana. A fotografia esplendorosa explora reflexos de vidros e espelhos (como em “Os Sonhadores”, de 2003, de Bertolucci) conseguindo resultados arrebatadores enquanto o barítono William Shimell (aqui interpretando o escritor britânico James Miller) e a atriz Juliette Binoche (como a francesa Elle) dão um show (com vários momentos de delicioso improviso) em um romance que não existe, mas que é muito mais belo do que vários que já existiram.

Março 21, 2011   No Comments

Cinema continua sendo, para mim, o melhor lugar para se esconder do mundo. Lembro um aniversário em que passei o dia inteiro vendo filmes. Ou hoje, que assisti a três seguidos, o que acalmou a dor de estômago violenta. Quando eu morrer, ficaria feliz de ver minhas cinzas jogas em uma cinema. Depois as faxineiras iriam varrer o pó junto com os restos de pipoca e os refrigerantes vazios. Mas alguns grãos de cinzas ficariam grudados no carpete vendo os filmes mudarem de semana a semana…

Março 20, 2011   No Comments

Uma História de Futebol

Março 19, 2011   No Comments

Cansaço, melancolia, dor de estômago e vontade de desaparecer: precisava vir tudo junto? Não rolava vir uma de cada vez?

Março 19, 2011   No Comments

Opinião do Consumidor: Brooklyn (parte 2)

brooklyn_monster_ale.jpg

Eis mais duas belíssimas surpresas da cervejaria que ousa enfrentar o imperialismo american lager que assola os Estados Unidos (chegando a ecoar no Brasil). As versões Vienna Lager, Índia Pale Ale e Ale já passaram por aqui (links no fim do post), mas as duas cervejas abaixo são coisa de gente grande, com graduação alcoólica altíssima e uma confusão de sabores para paladar nenhum colocar defeito.

A Brooklyn Monster Ale nasceu em 2009 e é uma cerveja sazonal disponível apenas de dezembro a março. Os norte-americanos capricharam nessa versão Barley Wine (de cervejas tão fortes quanto vinho) da casa. O malte escocês fica curtindo durante quatro meses resultando numa cerveja encorpada, quase licorosa, mas de aroma conquistador (madeira, nozes, vinho) e sabor lupulado, meio doce, que desaparece no final seco.

O amargo do lúpulo disfarça a alta graduação alcoólica, mas é bom não brincar com esse monstrinho. É pra ir devagar e beber como acompanhamento de pratos. O site oficial a recomenda com “queijos, sorvetes, crème brûlée e bons charutos”. Uma das vantagens do estilo é sua durabilidade: é possível guardá-la por bastante tempo. Essa da foto tinha validade para dezembro de 2013. Ou seja, podia ficar ainda melhor. Você teria paciência com ela na geladeira?

Já a Black Chocolate Stout tem tudo para se tornar a stout mais forte que você irá provar na vida. Não só porque a graduação alcoólica é uma cacetada de 10%, mas porque tudo nela é muito mais intenso. Inspirada no estilo Imperial Stout (nascido das cervejas inglesas feitas no século XVIII para a corte de Catarina II, da Rússia, que precisavam de alto teor alcoólico para não congelar no transporte pelo Mar Báltico) a Brooklyn preparou uma cerveja especialíssima.

Seu aroma, naturalmente, é carregado por notas de café impregnadas por chocolate amargo e álcool, este último bastante perceptível. O paladar é invadido por algo que lembra demais chocolate amargo (intensamente), e também café, ameixas e malte torrado. O amargor intenso marca o céu da boca e preenche toda a garganta, com final inicialmente adocicado (mas muito levemente) para terminar amargo (com gosto forte de café, ou o meio termo: cappucino). Uma maravilha.

Teste de Qualidade: Brooklyn (parte 2)

- Brooklyn Monster Ale
- Produto: Barley Wine
- Nacionalidade: Estados Unidos
- Graduação alcoólica: 10,1%
- Nota: 4,57/5

- Brooklyn Black Chocolate Stout
- Produto: Imperial Stout
- Nacionalidade: Estados Unidos
- Graduação alcoólica: 10,1%
- Nota: 4,59/5

As duas foram compradas diretamente na distribuidora, a Casa da Cerveja, ao preço de R$ 18 a garrafa de 330 ml. Assim com a Moster Ale, a versão Black Chocolate Stout também é sazonal, sendo feita apenas de outubro a março.

Leia também:
- Brooklyn na contra-mão do imperialismo american lager (aqui)

Março 18, 2011   No Comments

Unindo arquitetura e turismo

mimoa.jpg

Dica da @licallegari: o Mimoa é um guia turistico de arquitetura online. Você faz o cadastro gratuito e pode pesquisar obras de arquitetura nas cidades que vai visitar (por cidade, arquiteto ou escritório). Muito legal.

http://www.mimoa.eu/

Março 17, 2011   No Comments

Download: Letuce, Sabonetes e João Brasil

letuce.jpg

Os três discos acima estão para download gratuíto no excelente site Musicoteca. Baixe o novo EP do Letuce, “Couves”, aqui, o álbum homônimo dos Sabonetes aqui e “Tom Jobim Loves Baile Funk”, de João Brasil, aqui. Tudo no http://www.amusicoteca.com.br/

Março 16, 2011   1 Comment

Friozinho na barriga

Faltam 20 dias para a viagem aos Estados Unidos, e só hoje a ficha começou a cair. Terminei o livro do Buñuel (que me fez esmigalhar conceitos) e até cheguei a pensar no livro da Patti Smith, mas optei por me preparar para os 20 dias que vão incluir Nova York, São Francisco, Los Angeles e Chicago lendo o Guia Estados Unidos da Folha (também comprei o Guia 10+ de São Francisco e de Nova York. As versões européias foram muito úteis nas viagens anteriores).

Fato é que, incrivelmente, nunca dei muita bola para os Estados Unidos, apesar de sua imensa influência musical, cinematográfica e literária sobre mim. Sempre fui atraído pela Europa, e renunciei para mim mesmo o prazer dessa viagem aos Estados Unidos até… agora. A ficha começou a cair e um friozinho percorreu o estômago assim que comecei a desbravar no guia as ruas e atrações de Nova York. Já anotei alguns museus (Whitney, Frick, Metropolitan e Guggenheim) e vários lugares (cervejaria Brooklyn incluso).

O Thiago, do Alto Falante, escreveu um texto bacana para o Scream & Yell – que publiquei aqui em janeiro do ano passado – sobre seu passeio pelo East Village. Farei. E preciso rever “Little Manhattan”, uma comediazinha romântica que adoro (e que no Brasil ganhou o nome ridículo de “ABC do Amor” - falei dela aqui) e alguns Woody Allen, mas tenho certeza de que vários lugares vão ser trazidos naturalmente pela memória assim que eu passar por eles.

Comecei a folhear as infos sobre Los Angeles, e muita coisa legal vem por ai. E tem Chicago! Será que vou encontrar o Yankee Hotel Foxtrot? Estou animadíssimo com o show do Decemberists em Ohio e, pela primeira vez, completamente arrependido de não dirigir (nunca tinha contado isso, tinha?) para poder alugar um carro e aproveitar melhor o tempo – e essa coisa tão american way of life.

De qualquer forma, a viagem está chegando. Preciso correr atrás de ingressos para o Coachella (não rolou credenciamento e estou vendo que vou morrer numa grana via eBay) e começar a organizar com calma tudo o que quero ver (e trazer – principalmente em discos e CDs). Vão ser 20 dias especiais em que vou tentar manter a rotina dos diários europeus dos anos anteriores (com histórias sobre as cidades, fotos e relatões dos shows). Dedos cruzados para essa primeira invasão norte-americana.

06/04 – São Paulo / Nova York
07/04 – Nova York
08/04 – Nova York (Aimee Mann)
09/04 – Nova York (Sebadoh)
10/04 – Nova York (Rush)
11/04 – Nova York
12/04 – Nova York / San Francisco
13/04 – San Francisco (Broken Social Scene)
14/04 – San Francisco (PJ Harvey)
15/04 – San Francisco/ Índio (Coachella)
16/04 – Índio (Coachella)
17/04 – Índio (Coachella)
18/04 – Los Angeles
19/04 – Los Angeles
20/04 – Los Angeles
21/04 – Los Angeles / Chicago
22/04 – Chicago (Arcade Fire + National)
23/04 – Chicago / Columbus (Decemberists)
24/04 – Columbus / Chicago / São Paulo

Outros shows possíveis
MEN, no Music Hall Of Williamsburg, 07/04 (New York)
Bright Eyes no Fox Theater, 12/04 (Oakland)
Klaxons no Fillmore, 12/04 (San Francisco)
CSS, na Glass House, 18/04 (Pomona)
The Go! Team, no Echoplex, 19/04 (Los Angeles)
Paul Simon, Pantages Theatre, 20/04 (Los Angeles)
Low, no Lincoln Hall, 21/04 (Chicago)

Março 15, 2011   9 Comments

Download: A Banda de Joseph Tourton

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Um dos grandes discos do ano passado
http://www.josephtourton.com.br/downloads/

A Banda de Joseph Tourton, 21/03, 19h, no Sesc Consolação (gratuito)

Março 15, 2011   No Comments

Dia da Poesia

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Há uma caixa em algum lugar no “armário da bagunça” com mais ou menos três mil páginas datilografadas (em máquina de escrever) de poesias que escrevi entre os 13 e os 30 anos. Era pra ser mais. Aos 15 perdi um caderno que continha umas duzentas tentativas de poemas. Foi – felizmente. Naquele início, meus textos eram inocentemente piegas. Terríveis. Coro só de lembrar.

Não que os textos da caixa do “armário da bagunça” sejam lá relevantes, mas gosto de olhar o desenvolvimento da escrita e do pensamento. São todos poemas numerados, e os primeiros, terrivelmente ruins, só persistiram durante tanto tempo para servir de contraponto de amadurecimento (pessoal e literário) com alguns poemas ali pelo meio que, humildemente, ficaram razoavelmente bons.

Enviei alguns poucos para concursos (animado por leituras de Rainer Maria Rilke), e um deles ficou entre os dez finalistas de um em Ubatuba. É uma das noites inesquecíveis da minha vida. Era uma igreja antiga na orla da cidade, e todos os poemas estavam expostos para um bom público que comentava entre si. Li todos, e até achei que eu tivesse chance (e eu devia realmente ter – meu poema era bom).

Cada finalista deveria ler (ou indicar alguém) seu poema. Lembro que fiz uma encenaçãozinha para valorizar muito da ironia que aqueles versos continham, mas fui atropelado por uma senhora, uns 60 anos, que leu seu poema (que na parede parecia tão sem graça) de maneira tão desoladora que foi impossível não chorar. No entanto, o vencedor foi um português, que por algum motivo estava preso, e foi defender seu poema acompanhado de alguns policiais.

Não lembro palavras de seu poema, mas ele falava sobre as saudades que ele sentia de sua terra natal. Nunca vou esquecer que ele começou sua declamação assoviando o hino português. Naquela igreja, naquele silêncio, não precisou muito para fazer quase todo mundo chorar. Ele ganhou o primeiro prêmio. Eu fiquei em quinto (acho). Dormi na praia admirando o mar e o barulho das ondas.

Outra lembrança boa. Numa Semana da Comunicação, na Universidade de Taubaté, decidimos montar uma sala com varais de poesia, e quem quisesse poderia colocar textos seus ali. Para incentivar, eu e mais alguns estendemos poemas aqui e ali. Haviam cartolinas em branco presas pela sala, caso alguém quisesse deixar algum recado. Numa delas alguém que assinava apenas com as iniciais dizia que tinha “roubado” um poema meu do varal, porque… precisava dele. Tenho a cartolina em algum lugar…

Última. 1999 ou 2000 (a foto que abre o post). Mostra de Cultura Independente, em São Paulo, um evento grande que movimentou a Funarte. O pessoal do Cardosonline estava por aqui. O Thee Butchers’ Orchestra fez um show fodaço no teatro. Eu – ao lado da Alessandra (uma amiga com quem troquei poesias durante muuuito tempo) e do Davi (que, se não me falha a memória, estava dividido entre tocar violão e um copo) – declamei uma seleção de poemas meus intercalados com alguns da Ale e outros escolhidos a dedo (com “Atmosphere”, do Joy Division).

Para o trecho final, separei um cavalo de batalha que eu já tinha usado em um trabalho da faculdade: “Os Provérbios do Inferno”, de William Blake. Um amigo, Cezar Zanin, estava filmando, e ao final da declamação, quando ele veio me cumprimentar, seu filho pequeno, assustado e cabisbaixo, dizia ao pai: “Ele mata criancinhas” (em alusão ao verso de Blake que diz: “Melhor matar uma criança no berço do que acalentar desejos insatisfeitos”). Rimos e o acalmamos, mas ele ficou olhando suspeito para mim toda a tarde.

Não lembro ao certo qual foi a última vez que escrevi uma poesia. Deve fazer uns oito ou dez anos, e alguns textos sobre discos e filmes até se aproximaram de um verniz poético. Da mesma forma, parei de ler poesia. Amo Ana Cristina Cesar, os primeiros anos de Vinicius, Guilherme de Almeida, vários sonetos de Shakespeare, Rainer Maria Rilke, Drummond, Blake e Maiakovski. Tenho um Borges que comprei uns seis anos atrás, e nunca li. E tentei Gabriel García Márquez, mas faltava algo. Talvez sangue. Sei lá.

De qualquer forma, não me vejo escrevendo poesia hoje em dia. Talvez, um dia, quem sabe, eu invista minha loucura em um romance, mas é impossível garantir qualquer coisa sobre esse propósito. No entanto, vez em quando, volto aos meus poemas antigos, e eles me consolam. Há dias em que os odeio ferozmente. Detesto as citações, as rimas, tudo. Em outros aceito grande parte deles com carinho (e respeito por seus - e meus - prováveis defeitos). É quase certo que, um dia, eu faça um ritual e coloque fogo em cada página (acalanto esta idéia desde os 15 anos).

Por enquanto, meus mais terríveis escritos permanecem escondidos na caixa no armário aguardando o juízo final. Alguns sortudos – menos piores – foram publicados aqui. Outros circularam por diversos fanzines (não lembro quais e muitos vezes me surpreendo quando esbarro sem querer em um). E um deles virou música. Essa aqui. Indiferente aos seus destinos, todos eles tiveram uma função bastante importante em minha história: mantiveram-me vivo.

Um bom motivo para brindar ao Dia da Poesia.

E para ler Manoel de Barros… afinal… “por pudor sou impuro

Março 14, 2011   2 Comments