Blog do Editor do Scream & Yell
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Posts from — Outubro 2010

São Paulo, Mr. November

Acho que é isso…

04/11 - Corinne Bailey Rae (Via Funchal)
05/11 - Superguidis (Casa Dissenso) Festa Scream & Yell x Urbanaque
10/11 - Belle and Sebastian (Via Funchal)
14/11 - Norah Jones (Parque da Independência) Gratuito
16/11 - Massive Attack (HSBC Brasil)
18/11 - Stereophonics (Citibank Hall)
18/11 - The Mummies (Clash Club)
19/11 - The Raveonettes (Sesc Pompéia)
20/11 - The Raveonettes (Sesc Pompéia)
20/11 - Planeta Terra (Playcenter)
20/11 - Creedence Clearwater Revisited (Via Funchal)
20/11 - Lou Reed (Sesc Pinheiros)
21/11 - Lou Reed (Sesc Pinheiros)
21/11 - Paul McCartney (Estádio do Morumbi)
22/11 - Paul McCartney (Estádio do Morumbi)
22/11 - Scissor Sisters (Via Funchal)
23/11 - Tokio Hotel (Via Funchal)
23/11 - Hallogallo (Sesc Vila Mariana)
25/11 - Jeff Beck (Via Funchal)
25/11 - Buzzcocks e The Adolescents (Clash Club)
26/11 - Loomer, Inverness e Single Parents (Casa Dissenso)
26/11 - Gill Scott-Heron (Sesc Vila Mariana)
27/11 - Gill Scott-Heron (Sesc Vila Mariana)
27/11 - Twisted Sister (Via Funchal)
27/11 - Terminal Guadalupe (Casa Dissenso) Festa Scream & Yell \o/
27/11 - Bag Raiders e Van She (Smirnoff Nightlife)
27/11 - Ornette Coleman (Sesc Pinheiros)
28/11 - Ornette Coleman (Sesc Pinheiros)
28/11 - Gill Scott-Heron (Sesc Interlagos)
30/11 - Rammstein (Via Funchal)

Outubro 30, 2010   17 Comments

A novela The Raveonettes no Brasil

raveonetes_macv.jpg
Auto Foto: Marcelo Costa

A programação do Festival Barulho escalou, mas o Raveonettes desmentiu (via Twitter): @theraveonettes There’s a rumor of a Rave’s show in Brazil Nov. 19. Unfortunately this is a misunderstanding. Apologies for the confusion/disappointment.

Hoje (quatro dias depois) a banda voltou atrás no Twitter, e admite a possibilidade do show. @theraveonettes Total confusion! So we might be coming to Brazil after all. We’ll know in the next few days. Hang tight. We know it sucks. sunday we knew nothing of a show in brazil. monday it became a possibility. now we’re all waiting to find out.”

Segundo o @flogase apurou, a vinda do Raveonettes está confirmada por um dos managers do grupo, mas a data ainda está nebulosa. A confusão toda se deu devido a desentendimentos do manager europeu com o manager norte-americano, mas a banda vem. Pelo Sesc, a data é 19/11. A banda termina a turnê asiática com um show em Beijing no dia 16/11 (após passarem por Shangai, Hong Kong e Cingapura).

O Raveonettes (da baixista e vocalista Sharin Foo, a loiraça da foto acima) é um dos destaques do Festival Barulho, que ainda terá Lou Reed (no Sesc Pinheiros - mais sobre o show aqui), Splinter Vs Stalin (ITA), Crash Trio (ITA), Chelpa Ferro e Patife Band. Os ingressos (inteira R$ 32, meia R$ 16) começam a ser vendidos amanhã. Infos e preços aqui.

Outubro 30, 2010   20 Comments

Lou Reed traz microfonia para São Paulo

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Foto: Marcelo Costa

É, amigo, as coisas definitivamente ficaram complicadas. O mito Lou Reed baixa no Sesc Pinheiros, em São Paulo, nos dias 20 (dia do Planeta Terra) e 21/11 (dia do primeiro show de Paul McCartney na cidade) com a sua Metal Machine Tour, show em homenagem aos 35 anos do inaudível “Metal Machine Music”, de 1975.

Se passou pela sua cabeça a ligação “Lou Reed = “Perfect Day”, “Vicious” e coisas do Velvet” esqueça. Os shows da tour – com Lou Reed (guitarra e eletrônica), Ulrich Krieger (sax tenor e eletrônica em tempo real) e Sarth Calhoun (processamento ao vivo) – são 50 e poucos minutos de barulho inspirados no disco que já ganhou o título de “pior álbum de todos os tempos”.

Muitas histórias cercam “Metal Machine Music”. A mais famosa conta que Lou devia um disco para a RCA, e decidiu entregar um álbum-piada composto por quatro peças de microfonia, sem nenhuma voz, sem nenhuma melodia, sem nenhuma canção. A gravadora lançou o disco mesmo assim, e muitos fãs devolveram o álbum achando que o vinil estava com defeito.

Ou seja, se você quer arriscar, não diga que não foi avisado. É provável que a única coisa que você vá ouvir Lou dizer durante uma hora de show é “good night, motherfuckers”. “Metal Machine Music” é uma ópera de microfonia, uma ode ao noise, e a noite promete nada de hits, nada de canções do Velvet. Se quiser ter uma idéia do que lhe espera, ouça aqui. Os ingressos devem estar à venda a partir do dia 01/11.

A pergunta que fica é: vale ir? Se você for esperando hits e coisas solo ou do Velvet irá se decepcionar, mas deve ser um graaande show. Mesmo.

Lou Reed - Metal Machine Trio
SESC Pinheiros  
Dia(s) 20/11, 21/11
Sábado, às 21h30
Domingo, às 18h30 (o show do Paul, no Morumbi, começa às 21h30)

R$ 40 [inteira]
R$ 20 [usuário matriculado no SESC e dependentes]
R$ 10 [trabalhador no comércio, matriculado no SESC e dependentes]

Leia também:
- Lou Reed ao vivo em Málaga, 2008, por Marcelo Costa (aqui)
- Lou Reed explica pq não canta as “velhas canções” (aqui)
- Lou Reed ao vivo em Sâo Paulo, 2000, por Marcelo Costa (aqui)

Outubro 30, 2010   16 Comments

Feira Música Brasil, em BH, abre edital

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Atenção bandas e artistas:

“A FMB (Feira Música Brasil) lançou o edital para a seleção de artistas para apresentação na edição de 2010. A FMB irá contemplar mais de 34 artistas ou grupos musicais brasileiros, tanto no erudito (conjuntos de câmara), quanto no popular (artistas solo, grupos e DJs).

Os artistas do Estado de Minas Gerais, sede da FMB 2010, deverão ocupar, no mínimo, 20% das vagas. As apresentações dos selecionados serão gratuitas ou a preços populares, abertas ao público. O edital ficará 20 dias no ar e as inscrições serão feitas online. Para se inscrever é preciso: três músicas em MP3, link para vídeo, release, uma foto, links das redes sociais, rider técnico e mapa de palco.

A inscrição é gratuita e deverá ser realizada até 23h59 do dia 05/11/2010, exclusivamente pelo site www.feiramusicabrasil.com.br, em sua área específica de inscrição. Além dos artistas editados, também irão tocar na FMB músicos convidados e homenageados pela sua 3ª edição.

Sobre a FMB

Entre os dias 8 e 12 de dezembro, a cidade de Belo Horizonte sediará a FMB (Feira Música Brasil), que levará à capital mineira uma série de shows, palestras, painéis, estandes, mostras audiovisuais e de tecnologia, capacitações e encontro de negócios entre artistas, associações e profissionais do mercado nacional e internacional de música.

A edição de 2009 aconteceu no Recife. Os músicos editados foram: A Trombonada, André Abujamra, Anna Ratto, Aurinha do Coco, Banda Naurêa, China, Cidadão Instigado, Daniel Migliavacca, DJ Dolores, Fabiana Cozza, Fino Coletivo, Josildo Sá, Júpiter Maçã, Kassin, Macaco Bong, Milocovik, Mundo Livre S/A, Murilo da Rós, Nina Becker, Orquestra Contemporânea de Olinda, Paula Morelenbaum, Samba de Rainha, Silvia Machete e Wilson das Neves.

A Feira Música Brasil é uma iniciativa do Ministério da Cultura (Minc)/ Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura (PRODEC).”

Outubro 28, 2010   3 Comments

Um email do Pixies

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“Hello.

We’re writing to let you know that we’ve just released an all new PixiesMusic.com.

It feels like the right time for the band to have a proper home, share some music, and provide a place for fans and the band to communicate. We’ll be releasing live shows once a week starting immediately, and have posted a free show (Live at Coachella, 2004) just for you through the end of the week.

Since you’re on the list, you can get the free show at Lala Pixies Love You: http://www.lalapixiesloveyou.com.

We hope you like what we’ve done, and hope you’re ready to help add content to the site.

La La Love You,
PIXIES”

Set List do Show

01) Bone Machine
02) U-Mass
03) Isla de Encanta
04) Wave of Mutilation
05) Broken Face
06) Cactus
07) Caribou
08) Number 13 Baby
09) Gouge Away
10) Tame
11) Monkey Gone to Heaven
12) Debaser
13) Velouria
14) Hey
15) Gigantic
16) Nimrod’s Son
17) Here Comes Your Man
18) Vamos
19) In Heaven (Lady in the Radiator Song)
20) Where Is My Mind?
21) Into the White

Outubro 27, 2010   1 Comment

Pato Fu e Érika Machado no Compacto #9

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A nona edição do caprichadíssimo Programa Compacto tem sotaque mineires. O Pato Fu, através do casal John Ulhoa e Fernanda Takai, encontra Erika Machado (cujo disco foi produzido por John). No “bate papo entrevista”, Fernanda e Erika falam sobre o primeiro instrumento musical que tiveram, os novos artistas que estão curtindo (gente como Leo Cavalcanti e Tulipa Ruiz), como tentam evoluir entre um trabalho e outro e a relação que têm com a internet.

Juntas elas ainda apresentam, nesta primeira parte, uma versão de “Simplicidade”, canção interiorana que o Pato Fu gravou álbum “Toda Cura Para Todo Mal”, na companhia de John Ulhoa – que compôs a música – e Daniel Saavedra, ambos na guitarra, Cecília Silveira, na voz e no violão, Thiago Braga, no baixo, e Lenis Pereira, na bateria. Eu já tinha comentado a idéia sensacional de registro de geração que o Compacto busca quando do lançamento da primeira edição (aqui), mas de lá pra cá muita coisa aconteceu.

No blog Compacto você pode assistir aos nove programas como baixar o MP3 gratuitamente dos registros gravados exclusivamente no programa. Tem “”Deus é Uma Viagem” e “Alados” com a dobradinha Fernando Catatau (Cidadão Instigado) e Siba; “To Solteira” e “Kay Fora” com Gabi Amarantos e Catarina dee Jah; “Ele Leu” e “Toma o Tempo Todo pra Você” com Tulipa Ruiz e Tomaz Alves; “Plástico Bolha” e “Vagalume” com Karina Buhr e Teresa Cristina; “A Grande Mãe / Adeus” e “Cão Guia” com Móveis Coloniais de Acaju e Letieres Leite; e “Mal Estar Card” e “Kalakuta” com Curumin e Leo Marinho.

Tudo aqui: http://www.blogspetrobras.com.br/compacto/

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Outubro 27, 2010   1 Comment

Top Surprise e Lê Almeida em São Paulo

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Para quem gosta de guitarras ásperas, Top Surprise e Lê Almeida tocam em São Paulo nesta sexta e sábado. Vi o último show do Hermitage em Juiz de Fora (falei bastante aqui), em novembro do ano passado. Foi um belo show de adeus da banda, que a partir de então passaria a se chamar Top Surprise, gravou e lançou o EP “Everything Must Go” (baixe gratuitamente aqui) e chega a São Paulo para um show no sábado, na Casa do Mancha, programa bacana que começa às 17h e ainda contará com show da Babe Florida, banda carioca composta por membros de bandas da Transfusão Records (conhece? aqui).

Antes, na sexta-feira, tem o retorno do The Concept (guitar band barulhenta das boas de São Paulo) aos palcos. A noite promete encher de guitarradas e microfonais a Livraria da Esquina, que ainda irá receber Babe Florida (do chapa Lê Almeida) e The John Candy (RJ). Os discos da Babe Florida, Top Surprise, The John Candy (entre outros) assim como o tributo brasileiro Guided By Voices (”Don’t Stop Now”, com 31 covers de gente como Superguidis e Snooze) podem ser baixados todos gratuitamente aqui.

Dia 29/10 - A partir das 23h
Shows: The Concept, Babe Florida e The John Candy
Djs - Márcio Custódio e  Gilberto Custódio
R$ 10
Livraria da Esquina (flyer)
Rua do Bosque, 1254, Barra Funda
Tel: (11) 3392-3089

Dia 30/10 - A partir das 17h
Shows: Top Surprise e Babe
DJs - Gilberto Custódio Jr, Amauri Gonzo e Du
R$ 10
Casa do Mancha (flyer)
Rua Felipe Alaçova s/n, Vila Madalena

Outubro 27, 2010   2 Comments

Boa sorte, indústria brasileira

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Chegou via release: os seis primeiros álbuns da Legião Urbana (lançados entre 84 e 93), editados originalmente em vinil, voltam ao formato em edições de capa dupla, com fotos e textos inéditos. Já “Tempestade” e “Uma Outra Estação”, editados originalmente em CD, foram adaptados ao formato vinil, ambos com dois LPs cada e capas duplas. Todos remasterizados em Abbey Road.

Preços sugeridos (sujeitos a variações determinadas pelas lojas)
Vinis simples – R$ 120 (“Quatro Estações” e “Descobrimento Do Brasil”)
Vinis simples – R$ 140 (“Legião Urbana”, “Dois”, “Que País é Este” e “V”)
Vinis duplos – R$ 190 (“A Tempestade” e “Uma Outra Estação”)

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Enquanto isso, um dos discos mais clássicos da carreira de Paul McCartney (aquele cara que um dia integrou uma banda chamada Beatles e que daqui alguns dias estará entre nós) ao lado do Wings, “Band on The Run”, ganha uma reedição luxuosa também em vinil (além de CDs com material raro) que conta com as nove faixas do álbum distribuídas em dois discos de 12” de 180 gramas. Além, quem comprar o vinil duplo pelo site do Paul ganha “9 bonus audio tracks” em MP3, que são as músicas que integram um dos CDs extras (o tracking list você pode conferir aqui). O disco também foi remasterizado em Abbey Road.

Preço: US$: 29,99 (cotação de hoje: R$ 51,10 26/10)

Ou seja: Paul duplo, R$ 50. Legião duplo, R$ 190.

Assim, eu adoraria comprar vinis nacionais, e até trocar os vinis originais da Legião que tenho por essas novas reedições, mas não dá para acreditar nestes preços. Comprei a coleção do Wilco, via Amazon, 20 dólares cada vinil (todos com o CD de bônus incluso). Não dá para pagar os cento e tantos reais num vinil nacional. Boa sorte, indústria.

Outubro 26, 2010   26 Comments

S&Y e Urbanaque apresentam: Superguidis

superguidis_poster.jpg

Scream & Yell e Urbanaque apresentam:
Dia 05/11 (sexta-feira)
Show: Superguidis (RS)
Discotecagem: Scream & Yell e Urbanaque
Abertura da casa: 21h
Início do show: 23h
Entrada: $20 na porta, $15 na lista (lista@urbanaque.com.br)

Outubro 25, 2010   6 Comments

Do capítulo horários

Não tenho horário para dormir (geralmente entre 00h até às 3h), mas tenho hora para acordar: 6h50. Se eu dormir à 1h ou às 2h30 e acordar às 6h50, normalmente nem sinto o baque (já fui dormir tipo 4h para acordar às 6h50, e consegui levar o dia bem), porém, acordar mais cedo que 6h50 me detona absurdamente. Estou entrando no trabalho às 7h para cobrir férias de um amigo, e o fato de ter que acordar às 5h50 está me detonando (mesmo que eu vá dormir tipo às 23h). Meu relógio biológico é uma merda…

Outubro 25, 2010   1 Comment

Meta para 2011

Desacelerar.

Outubro 23, 2010   5 Comments

Paul McCartney tem um recado para você

paul_recado1.jpg

e aqui para os argentinos…

Outubro 19, 2010   1 Comment

Live at 89.3: Frank Black, Phoenix e Spoon

Três registros ao vivo no programa Live at 89.3 The Current, da rádio pública de Minessota (você pode comprar o CD “Live at Current Volume 6″ aqui, que tem, entre outras coisas, She and Him, Sonic Youth e o Spoon que está linkado abaixo). Dica do grande Jonas Lopes.

 Spoon - Written In Reverse (Live on 89.3 The Current)

Phoenix - Lisztomania (Live at 89.3 The Current)

Black Francis - Velouria (Live at 89.3 The Current)

Outubro 19, 2010   1 Comment

A menina, o mamute e o liquidificador

“A Menina Santa”, Lucrecia Martel (2004)

Considerada por muitos o grande nome do cinema argentino nos últimos dez anos, Lucrecia Martel mostra (por a + c) com “A Menina Santa” o motivo de tanta admiração. Todos os elementos de um filme são tratados com extremo cuidado e personalidade. O roteiro, por exemplo, conduz o espectador na trama delicada sem o tornar cúmplice (o público idealiza mais do que o filme realmente entrega). A fotografia, por sua vez, procura os ângulos pouco comuns, o que passa certo aspecto de voyeurismo e também de intimidade sem, no entanto, desvendar a história através das imagens. Na verdade, nada é desvendado. E este é o grande mérito de “A Menina Santa” (e do cinema de Martel): deixar a idéia flutuando na mente do espectador. O que não se mostra é o que interessa. Uma pequena aula de cinema.

“Soy Cuba, O Mamute Siberiano”, Vicente Ferraz (2004)

Vicente Ferraz estudou cinema na Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de Los Baños, em Cuba, e foi lá que conheceu a obra que o cineasta russo Mikhail Kalatozov filmou no início da revolução cubana, em 1960 (logo após ter conquistado uma Palma de Ouro em Cannes, em 1958). “Soy Cuba” necessitou de quase três anos para ficar pronto, e não agradou ao povo cubano (que não aprovou o olhar dos russos sobre o país) nem tampouco teve sobrevida no Velho Mundo. Foi engavetado logo após a estréia e redescoberto 30 anos depois por Martin Scorsese e Francis Coppola, que o relançaram nos EUA. Ferraz conta a história da produção de “Soy Cuba” e conversa com atores e pessoas que trabalharam na realização do filme – algumas passagens são comoventes. Nos extras ele explica o mais belo plano seqüência do filme (quiça da história do cinema), obra do fotógrafo Serguey Urusevsky.

“Reflexões de um Liquidificador”, André Klotzel (2010)

Eis um dos filmes nacionais mais bacanas deste ano. Não que seja perfeito, mas a originalidade do tema e a esperteza do roteiro transformam o drama de um velho liquidificador em uma história interessante. E Selton Mello agora pode dizer que é um ator pau (ops) pra toda obra. É ele quem dá voz e alma para o liquidificador que, de uma hora para outra, começa a ter sentimentos e conversar com Dona Elvira, uma dona de casa que passa apuros com o sumiço repentino do marido. Klotzel brinca muito bem com os clichês (o policial, a gostosona, o thriller), mas apesar de sua curta duração (80 minutos), “Reflexões” cansa um bocadinho no meio, quando o eletrodoméstico começa a pensar em sua própria vida. Faltou uma história secundária forte para tirar o liquidificador da tomada. Mesmo assim, um filme a ser visto e admirado.

Outubro 18, 2010   1 Comment

Enquete: SWU 2011

Muita gente reclamou da desorganização deste primeiro SWU, e teve gente que até prometeu não voltar para Itu no ano que vem. Debatemos o assunto durante o Scream & Yell On The Radio, na Rádio Levis, na última sexta-feira, e estendemos a você, caro leitor: Supondo que o line-up da edição 2011 do SWU começasse por este abaixo, você voltaria ao festival? E mais, o que você acha que o festival precisa melhorar para a sua próxima edição? Opine.

Line Up - Suposição

Dia 1 - Slipknot e Slayer
Dia 2 - Alice in Chains e Foo Fighters
Dia 3 - Bruce Springsteen ou David Bowie ou Neil Young

Ps. Eu iria.

Outubro 17, 2010   52 Comments

Confraria Pop apresenta Lestics e Jair Naves

Outubro 15, 2010   1 Comment

Download: Podcast Scream & Yell #12

Para a décima segunda edição do Scream & Yell on The Radio, na Rádio Levis, fomos buscar inspiração na Estética do Colono defendida pela inenarrável Banda Repolho (baixe o podcast aqui em um clique). Escolhemos dois símbolos do cancioneiro chapecoense balizado por dois números que amplificam a estética, o hino “Amigo Punk”, da Graforréia Xilarmômica, e “Galo Maringa”, do Charme Chulo. Na seção Download, Guizado, Herod Layne e  Driving Music (este último de BG). Na categoria Lançamentos, canções reluzentes dos novos trabalhos de Neil Young, Grinderman e Black Mountain. Às vésperas do lançamento de seu novo álbum, “Breakdance”, mostramos uma faixa “dez, nota dez” da Walverdes. E fechamos o programa com Bob Dylan. O Podcast Scream & Yell é apresentado por Marcelo Costa, Marco Tomazzoni, Tiago Agostini e, a partir deste número, Tiago Trigo com edição do graaande Edu Parez. Baixe o programa 12 aqui.

BG 1 - Graforréia - “Amigo Punk”

1) Repolho - “Doto Paxeco”
2) Repolho - “Chapecó”

BG 2 - Charme Chulo - “Galo Maringá”

Download
3) Guizado - O Marisco
4) Herod Layne - 300 Megaton Lullaby

BG 3 e 4 - Driving Music - The Day / Love Vigilantes

5) Black Mountain - Old Fangs
6) Grinderman - Mickey Mouse And The Goodbye Man
7) Neil Young - “Walk with Me”

BG - Dinosaur Jr. - Fell The Pain

Exclusividade
8 ) Walverdes - Diagonal

BG  - Walverdes - Dissolução

9) Bob Dylan - I Want You

Todos os podcasts: #1, #2, #3, #4, #5, #6, #7, #8, #9, #10, #11 e #12
O que rolou em cada um dos programas você pode ver aqui

Outubro 13, 2010   3 Comments

“Eu acampei no SWU”, por Elson Barbosa

camping_divulgacao.jpg
Foto: Divulgação

À convite do Scream & Yell, Elson Barbosa (Herod Layne, Sinewave) conta como foi o camping no primeiro SWU. Divirta-se:

“Acampamento, como se sabe, é para aventureiros. Gente que se dispõe a dormir mal, comer mal, se sujeitar a diversos tipos de privações. Mas até aí megafestival também é, e a quantidade de perrengues em um pode ser tão grande quanto no outro. Quando recebi a ligação de um grande amigo me chamando para o camping do SWU, a primeira reação foi o proverbial “não tenho mais idade pra isso”. Mas tem aquele lance que idade é estado de espírito, etc, e certamente não seria pior do que um músico enfrenta durante uma turnê. Topei.

O camping do SWU até teve seus problemas. Mas estes não foram nada perto do caos que muita gente enfrentou nas saídas dos shows. No geral estávamos em um ambiente tão legal (e offline) que não sabíamos de problema nenhum acontecendo no mundo além das catracas.

Passamos por um primeiro perrengue na entrada, quando levamos quatro horas para conseguir acesso para a área de camping devido à falta de informação do evento. Informação é primordial em qualquer tipo de processo. Alguns avisos espalhados pela área teriam um custo quase zero e evitariam uma situação que custou quatro horas de centenas de pessoas. Mas ok, esse tipo de problema não é exclusividade do SWU e muito menos do Brasil - já passei por problemas bem maiores em festivais em outros países. Faz parte. Chegamos na área de camping, montamos a barraca, e partimos para o festival, já com vários bons shows perdidos.

Vale descrever a área de camping. Oficialmente um kartódromo, ficava ao lado de uma área de lazer e pescaria. A área de lazer, aberta 24h, tinha diversas lanchonetes, um restaurante, lojinhas, banheiros. A comida por lá era melhor, mais variada e mais barata que na arena de shows. Fazendo um bom planejamento de horários, era possível ir para o restaurante durante um show mais concorrido e comer sem enfrentar fila nenhuma. A área de pescaria, com seus diversos lagos artificiais, dava um ar bastante bucólico para o lugar. Ambiente perfeito para uma brisa longe da arena de shows.

Durante o dia, mais um perrengue, talvez o mais problemático. Cada pessoa tinha direito a quatro banhos controlados de sete minutos, em horários específicos. Os chuveiros foram muito mal projetados pela organização - havia vinte para homens e dez para mulheres. Isso num camping para milhares de pessoas. A fila era de em média duas horas, embaixo de um sol escaldante (ou, para quem se aventurasse a tomar banho de madrugada, embaixo de um frio congelante). Houve várias reclamações, e até um princípio de tumulto na fila das mulheres, que passava das duas horas de espera. E eis um ponto positivo para a organização - as reclamações eram ouvidas. No dia seguinte ao tumulto, aumentaram o horário para banhos, e puseram várias pessoas do staff para divulgar a informação. Apesar das filas grandes, estávamos sendo bem tratados.

A noite no camping, depois dos shows, era bem tranquila, segura e policiada. Não soube de nenhum problema de roubo ou violência por lá. Pelo contrário - a boa vibe aproximava pessoas que nem se conheciam. Em uma sala com tomadas elétricas para carregar celulares era comum formar rodas de grandes amigos que acabavam de se conhecer. Um festival não é formado só de bons shows afinal. O camping ali era parte da festa.”

Leia também:
- “Três dias de shows e polêmicas em Itu”, por Marcelo Costa (aqui)

Outubro 13, 2010   9 Comments

Promoção: um ingresso para o Green Day

O Scream & Yell sorteia na próxima sexta-feira um ingresso para a pista do show do Green Day em São Paulo, dia 20, na Arena Anhembi. A metodologia é bastante simples: vamos tocar uma música com o Green Day no podcast Scream & Yell, na Rádio Levis, que vai ao ar na sexta-feira.

O primeiro seguidor do Scream & Yell no Twitter (@screamyell) que dizer qual é a música que tocamos leva o ingresso para o show do Green Day com abertura de Nevilton. Tem que seguir o @screamyell. Bem simples. O programa Scream & Yell On The Radio vai ao ar a partir das 15h, na sexta-feira, hoje, na Rádio Levis. Fique atento ao programa, siga o @screamyell e boa sorte.

Outubro 12, 2010   5 Comments

SWU – Dia 3

Texto: Marcelo Costa
Fotos: Liliane Callegari

A saída do segundo dia foi sossegada (ao contrário do drama do primeiro dia). Optamos por cabular o pop Vila Olímpia da Dave Matthews Band e o rock fracote do Kings of Leon para chegarmos à Pousada antes do sol nascer. Funcionou. Praticamente com o estacionamento lotado (e 70% do público ainda no festival), deixamos o local sem traumas. Antes da meia-noite estávamos em Itu assistindo ao Kings of Leon na barraquinha King Lanches (um local perguntou: “Isso é rock?”. Diz muito).

Frente às reclamações e histórias da noite assustadora do dia anterior, a organização conseguiu que a polícia liberasse uma via antes fechada para melhor escoamento do trânsito, colocou mais pessoas informando os locais corretos de embarque para cada destino e 40 ônibus a mais do que na noite anterior (eram 80 e passaram a 120). Como optamos por ir de carro e saímos antes do batalhão de público ao termino do último show, não podemos afirmar se funcionou ou não, mas fica registrada a tentativa da produção em evitar repetir os erros do primeiro dia.

Para o terceiro dia não alteramos o modus operandi do dia anterior. Fomos novamente de carro, estacionamos no local e saímos antes do último show. Chegamos em tempo de pegar metade do belíssimo show de microfonia do Yo La Tengo. Teve “Sugarcube”, “Tom Courtenay”, “Autumn Sweater” e “Pass the Hatchet, I Think I’m Godkind”, 15 minutos de barulho para fã nenhum de rock botar defeito (com exceção dos fãs do Linkin Park, que vamos combinar, não entendem de rock).

Na sequencia, Max e Iggor promoveram a maior, melhor e mais bonita roda de pogo do festival ao tocar hinos do Sepultura como “Refuse/Resist” e “Roots Bloody Roots”, que levantou poeira (ainda rolaram “Atittude” e “Troops of Doom”), com o Cavalera Conspirancy. Tocaram também canções do álbum “Inflikted”, como a faixa título mais “Sanctuary”, “Terrorize”, “Hex”, “Ultra-Violent” e um número inédito, “Warlords”. Do meio do pista normal, os ex-parceiros Paulo Jr. e Andréas Kisser assistiam ao show. Reunião do Sepultura à vista?

 No palco Oi, acompanhado apenas de baixolão e violão, Josh Rouse fez um show intimista e bonito, mas sofreu com um problema comum nesta primeira dia edição do SWU: o mau posicionamento dos palcos (estrutura é um erro grave em um evento deste porte) fazia com que o som vazasse para os outros. O público que ouvia o Yo La Tengo, em momentos mais calmos, percebia o som do Autoramas chegar ao palco principal. E Josh, em show acústico, lamentou: “Vocês conseguem nos ouvir com essa música eletrônica?” Canções delicadas como “Come Back”, “Valencia”, “My Love has Gone”, “Carolina”, “Sunshine”, “Streetlights” e “Love Vibrations” mereciam mais respeito.

Com um atraso inaceitável de 50 minutos, o Queens of The Stone Age subiu ao palco para tocar para uma área Premium tomada por fãs do Linkin Park. O show demorou a engrenar – com problemas visíveis na iluminação, nos telões e na superlotação da área – mas Josh Homme encontrou o caminho para fazer o melhor show do festival. Dois clássicos modernos logo de cara (”Feel Good Hit of the Summer” e “The Lost Art of Keeping a Secret”) mais um punhado de números matadores (”3’s & 7’s”, “Sick, Sick, Sick”, “Monsters in the Parasol”, “Little Sister”, “Go With The Flow”) que culminaram numa versão majestosa de “No One Knows”, a melhor música do melhor disco do QOTSA. Levou a medalha de ouro.

 Entre jornalistas, o comentário era de que o Pixies iria ter que suar para bater o Queens. Mas suar pelo Pixies é um verbo que Frank Black não conjuga mais. A banda ícone enfileirou hits (“Debaser”, “Wave of Mutilation”, “Velouria”, “Monkey Gone to Heaven”, “Planet of Sound”, “Where Is My Mind?” e “Gigantic”) e tocou o álbum “Doolittle” praticamente inteiro (faltaram apenas quatro das 15 faixas: “Silver”, “Dead”, “There Goes My Gun” e, ausência mais sentida, “I Bleed”), mas sofreu com um som embolado e, em momentos mais calmos, parecia tocar em marcha lenta (“Here Comes Your Man”, por exemplo).

Frank Black estampava uma vontade de tocar tão contagiante que se um boneco estivesse em seu lugar não faria diferença, mas são tantos hinos, tantas canções boas, que ele merece o dinheiro que ganha (hoje em dia). Ele é a mente doentia por trás de uma das grandes bandas da história, mas não à toa, o grande momento do show foi ouvir Kim Deal mandá-lo se foder (mesmo brincando) no único espaço em que a baixista pode chamar de seu no show, “Gigantic”. Bonito. Cortinas cerradas. Ainda tinha Linkin Park e Tiesto, mas a festa já tinha terminado - para nós.

Há muito ainda o que falar do SWU, um evento que ofereceu um punhado de shows legais, mas que teve uma porção de problemas na produção. Apesar de Eduardo Fischer, em pequena coletiva na sala de imprensa, colocar o festival entre os cinco melhores do mundo, falta muito para o SWU entrar num top 100. Qualquer festival minúsculo da Bélgica (o país mais pródigo em realizar bons festivais – é só consultar o Prêmio Arthur para conferir) deixa o SWU para trás.

Reconhecer os erros é um mérito que pode melhorar o planejamento para a edição de 2011. O bom número do público reforça a idéia de sucesso do evento, mas não basta (ou não deveria bastar) levar 160 mil almas para uma fazenda no interior do Estado de São Paulo e considerar isso como uma vitória: é preciso tratar essas pessoas com respeito, dar-lhes formas de se alimentar e assistir aos shows de forma prazerosa (entretenimento deveria ser prazer), e condições para que cada uma voltasse para sua casa, barraca ou hotel de forma decente, sem riscos.

Por outro lado é preciso saudar o surgimento de um festival que pode vir a ser o melhor festival sul-americano em quatro, cinco anos. Houve sim problemas (até relatados neste espaço) e serão necessários muitos ajustes para as edições vindouras, mas o Brasil sentia falta de um grande festival anual no formato dos melhores eventos europeus e norte-americanos. Acontece que Europa e Estados Unidos estão 10, 20, 30 anos à frente do SWU no quesito produção. A equipe de Eduardo Fischer precisa aprender com os erros e mirar um futuro em que o show, a música, o fórum sejam notícia, não os problemas. Retuitar apenas os elogios soa cinismo. O público, no entanto, fica no aguardo.

Todas as fotos por Liliane Callegari com exceção da 1, 2 e 11 (por Marcelo Costa) e do Yo La Tengo (Divulgação SWU)

Outubro 12, 2010   4 Comments