Blog do Editor do Scream & Yell
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Posts from — Maio 2010

O frio não dá trégua em Viena

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Não tem jeito: nada de trégua do frio. Ao menos não chove em Viena, e isso já é de se comemorar muito. Porém é de se imaginar como essa cidade deve ficar linda no verão. Viena já conquistou um lugar em meu coração, e não consigo explicar bem o motivo. Talvez por ela ser a típica cidade de primeiro mundo, com seu transporte público que funciona, a limpeza absurda das ruas, seus cafés, praças e monumentos, mas há algo que chama a atenção da alma.

Viena não é toda certinha como uma cidade perfeita da Bélgica (tipo Leuven), por exemplo, nem “errada” como Paris, cuja beleza (e os franceses) muitas vezes mais afasta do que aproxima, ou lírica como Veneza, um conto de fadas dentro do mar. Por outro lado, ela não é bagunçada como Roma, não carrega o peso de Berlim e tampouco a urgência de Londres. Viena, assim como Barcelona, é para se morar e viver, e acho que esse é o maior elogio que se possa fazer para uma cidade.

Segundo a previsão do tempo, a terça-feira não teria chuva, mas o frio iria continuar. E eles acertaram (o que é péssimo, já que há previsão de chuva para os próximos dois dias). Passamos toda a manhã caminhando pela Ringerstrasse (a Avenida do Contorno dos austríacos), rua que abriga os principais monumentos da cidade. A Ringerstrasse é o anel viário que percorre o caminho em que se erguiam as muralhas que delimitavam a cidade até o século XIX.

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Seguimos o conselho do nosso guia de viagem (”O Viajante Independente”) e descemos a Ringerstrasse à pé passando pela impressionante catedral gótica Votivkirche (bastante detonada, mas ainda assim magnífica) e pela Universidade de Viena (fotos dos nove ganhadores do Prêmio Nobel formados no local estão expostas na entrada. Um décimo espaço destaca uma interrogação: Quem será o próximo?) e pela Prefeitura, uma construção imponente em estilo gótico.

Após uma visita ao Parlamento, pausa para café e apfelstrudel em frente à universidade. Dali pegamos um tram, e descemos em frente à Opera de Viena, onde dezenas de covers de Mozart vendiam tickets para apresentações de ópera e música clássica de quinta categoria. Bobeamos e não entramos no prédio assim como não entramos na Secession, construção pré-modernista que abriga uma obra clássica de Gustav Klimt: um painel de 34 metros sobre a Nona Sinfonia, de Beethoven.

O almoço (quase às 15h) foi na encantadora Naschmarkt, um mercado ao ar livre com centenas de barracas que vão de vinhos, lojas de kebab, doces, frutas, verduras até dezenas de restaurantes (com predominância para a comida indiana e japonesa). Fico chapado em mercados locais. É um festival de cores, cheiros e sabores que impressiona o olhar, o olfato e o paladar. Ficamos entre um com cara de pub que tinha strognoff, mas estava lotado, e outro de comida local, que acabou nos recebendo.

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Lili foi do tradicional Wiener Schnitzel (um belo filé de vitela acompanhado de fritas e salada) enquanto optei por uma ótima wurst (salsicha) com queijo. Para acompanhar, vinho branco para a dama (lema de Lili na Europa: se a taça de vinho é o mesmo preço que o do refrigerante, beba vinho), cerveja para o cavalheiro. Cerveja? Com o cardápio em mãos pedi uma Gösser Radler, que acabei descobrindo na prática ser feita de 40% de cerveja e 60% de limonada!!! E não é que, comparando com a Sprite, ela é boa (risos).

Para não perder o embalo das cervejas (após a limonada alcoólica), peguei uma Gösser Märzen na vendinha do metrô. Minha primeira impressão é que a Gösser Märzen (com 5,2% de teor alcoólico) é a cerveja de boteco dos austríacos, equivalente às nossas Antarctica, Brahma e Skol. Ou seja, bem basiquinha e sem sabor marcante. Resta saber se causa ressaca como as nossas, mas melhor não arriscar (apesar da boa fama da água dos austríacos, que desce purinha direto dos Alpes).

Gastamos o fim de tarde caminhando pelo bonito centro da cidade e terminamos o dia na Catedral de Santo Estevão (Stephansdom), mais requintada que a Votivkirche. Para esta quarta o plano é passar a manhã no Quartiermuseums (imagina: eles têm um quarteirão todo de museus!) e, à tarde, ir ao Scholoss Belvedere, um castelo com três museus que destacam obras de Monet, Renoir e, principalmente, Klimt. Foi aqui que viveu Franz Ferdinand, líder austríaco que foi assassinado em Sarajevo, fato que desencadeou a Primeira Guerra Mundial.

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A previsão para esta quarta-feira é de chuva e frio. Tomara que ela erre o primeiro…

Ps1: Na Naschmarkt, Lili provou um docinho rosa chamado Punschkrapfen, que não sei direito explicar o que é. Tinha uma camada grossa de calda de açucar, algo de banana, nozes e com certeza tinha álcool. Uma delícia. No entanto, sofremos para entender os cardápios, a grande maioria em alemão.

Ps2: A lei anti-fumo não chegou em Viena. Estamos cheirando à cigarro até agora devido à meia-hora que passamos no café em frente à universidade, local frequentado essencialmente por estudantes, a grande maioria meninas montadas co saias curtíssimas (apesar do frio).

Ps3: Já compramos a passagem de volta para Budapeste. Sexta devemos almoçar na cidade. Forints devidamente guardados. Antes, na quinta, faremos um bate e volta em Bratislava, capital da Eslováquia, 50 minutos de Viena.

Ps4: Entrei numa loja de CDs no centro de Viena. 70% da loja é dedicada à música clássica, o que não quer dizer que não passei vontade: eles já têm a edição dupla do “Exile on Main Street”, dos Stones (que também está sendo lançada no Brasil) e uma edição dupla bacanérrima do último Paul Weller (além de boxes tentadores dos Stones e de Miles Davis). Não comprei nada… ainda.

Ps5: Viena é mais bonita que Budapeste… e mais cara também.

Ps6: Em Viena não se acha uma grande variedade de cervejas no supermercado (diferente de Londres, qualquer cidade da Bélgica e Berlim – que qualquer quiosque de metrô têm umas 15 marcas diferentes). E a minha impressão é de que as poucas cervejas que costumam estar em todos os lugares são versões pioradas da ótima Budweiser Budvar (no resto do mundo conhecida por Czechvar), da República Tcheca.

Top Cervejas
1) 3,5/5 – Hofbrau Munchen, Alemanha (aqui)
2) 2,6/5 – Arany Ászok, Hungria (aqui)
3) 1,9/5 - Dreher, Hungria (aqui)
4) 1,8/5 - Gösser Märzen, Áustria (aqui)
5) —/5 - Gösser Radler, Áustria (aqui)

Ps7: O Pavement toca na sexta à noite no mesmo lugar que o BRMC tocou na segunda. Pinta ser um show histórico… mas estarei em Budapeste. Stephen Malkmus, nos vemos em Barcelona.

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Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Maio 19, 2010   5 Comments

BRMC ao vivo em Viena

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 Antes de bater perna até o lugar do show nada melhor do que uma consultada no Google Maps para verificar qual a melhor forma de chegar. No mapa parecia do outro lado de Viena, e a melhor condução sem dúvida era o metrô, mas o lugar tinha um jeitão sinistro. Uma foto que registra a fachada toda pintada, lotada de grafites, tira a dúvida: a Arena Wien é (praticamente) um squat. A noite promete.

O trajeto entre o hotel e a Arena (doze estações de metrô) não demorou 15 minutos. Chegamos mais de uma hora antes do horário marcado para o show, mas a frente já estava tomada. Na entrada, a única decepção da noite: confiscaram meu guarda-chuva… e minha câmera digital. Logo em um lugar tão fotografável quanto a Arena Wien. Recebo um ticket para retirar os objetos na saída. Tentei argumentar, mas sem choro.

A Arena Wien é um squat, mas a organização impressiona. A construção parece uma antiga fábrica tomada pelos punks, que circulam pra cima e pra baixo com crachás, piercings e cabelos azuis. O conjunto de prédios está totalmente detonado e todo pichado, mas o clima é excelente e reina uma harmonia no ar. Há, no mínimo, uma meia dúzia de bares no lugar, e barraquinhas que servem lanches, hot dogs e bratwurst.

O espaço da Arena parece pequeno, mas é muito bem aproveitado. Devem caber umas cinco mil pessoas (talvez mais) entre pista e passagens laterais, e todo mundo assiste ao show numa boa. O palco é profissional, a iluminação é deslumbrante, e apesar de parecerem detonadas pelas pichações, as caixas de som fazem bonito deixando qualquer Tim Festival/Planeta Terra e casas noturnas brasileiras no chinelo.

A garoa marca presença, e os californianos do Spindrift tem a árdua missão de aquecer a platéia para a grande atração da noite. O show é chato, cheio de clichês e exagerado, mas a tortura dura pouco. Nem 20 minutos se passam e o BRMC está no palco detonando o primeiro single do novo disco, a empolgante “Beat The Devil’s Tatoo”. Uma edição especial dupla do álbum em vinil branco de 180 gramas está sendo vendida por 35 euros na lojinha, mais camisetas e outros badulaques.

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O show é longo e o repertório caprichado passa pelos cinco álbuns dos caras. Está tudo ali: da paixão escancarada e escarrada pelo Jesus and Mary Chain até a descoberta de Bob Dylan numa porrada musical que faz parecer que os irmãos Reid nasceram no Mississipi. “Ain’t No Easy”, do álbum “Howl”, por exemplo, prova por a + b que é possível contagiar uma multidão apenas com violão, gaita, baixo e bateria. Um dos grandes momentos da noite.

E eles não economizam os hits mandando os principais até o meio do show: “Berlin” (com direito a roda de pogo), “Red Eyes and Tears”, “Weapon of Choice”, “Love Burns” e “Shuffle Your Feet” empolgam a galera, mas é “Whatever Happened To My Rock and Roll” que ganha o prêmio de catalizadora de arremessos de cervejas ao alto pelo público. Carinhosamente apelidada de “Punk Song”, “Whatever” começa com o “1,2,3,4” característico dos Ramones e incendeia o lugar numa versão arrasadora.

No palco, o baixista Robert Levon Been posa de bêbado enquanto o guitarrista Peter Hayes é mais comportado. Os dois dividem os vocais e tudo funciona perfeitamente, com a bateria segura de Leah Shapiro completando o time. Números novos como “War Machine”, “Mama Taught Me Better” e a poderosa “Consciente Killer” marcam presença na noite mostrando que o novo disco tem seus momentos calmos, mas sabe ser denso quando quer. Porém, “Half-State”, tijolada psicodélica de mais de dez minutos dispera o público.

Levon Been sabe como trazer os fãs de volta: ele pega o violão e sozinho emenda uma versão emocional de “Dirty Old Town”, música de 1949 regravada pelo Pogues nos anos 80. Dai em diante o show alterna momentos de brilho (“Six Barrell Shotgun“, “Spread Your Love”, “Stop”) com exageros psicodélicos, longos solos que parecem não levar a lugar algum. No entanto, “Shadow’s Keeper”, outra das novas, impressiona.

BRMC ao vivo é uma experiência especial. Não é um show espetacular no quesito técnico, mas a entrega da dupla fundadora é contagiante. O trio consegue emocionar ancorado em um repertório repleto de músicas brilhantes, e o público que deixa a Arena Wien quase às 23h sabe que viu uma das principais bandas da atualidade em plena forma. Valeu a garoa, o ótimo bratwurst e a boa cerveja de trigo.

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Fotos: BRMC Live At Botanique, Brussels, 14/05/10. Por Kmeron

Maio 18, 2010   8 Comments

O vento e a seriedade dos húngaros

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Os termômetros marcavam 11 graus às 14h, mas a sensação térmica era fácil de -1 grau devido ao vento fortíssimo que, segunda a minha contagem, deixou mais de 15 guarda-chuvas detonados pelas ruas de Budapeste – fora aqueles que as pessoas insistiam em usar, mesmo estando arrebentados. Vou te contar: venta muito nessa cidade. Passamos a manhã toda nos preparando para a Budapeste: comprando capas de chuva, jaquetas e meias – saudades  do verão do ano passado.

Apesar da passar o dia inteiro com os dedos nadando dentro do tênis, Budapeste soou interessante. Saímos do hotel às 9h e voltamos às 21h. Caminhamos muito, Lili tomou goulash e eu uma tradicionl sopa de tomate húngara com peperoni e pimenta, gostosa mas enjoativa. No jantar partimos para um cantina italiana (comida italiana não tem como errar), o que se mostrou um ótimo investimento.

Passamos a maior parte do tempo em Peste, mas atravessamos o Danúbio (que de azul não tem nada) pela bela ponte Szabadság para irmos, em Buda, no maior e mais popular banho termal da cidade, o Gellért Gyógyfürdö, que foi inaugurado em 1918 dentro de uma estilosa construção art nouveau. Pagamos uma cabine (que serve também como locker) para nos trocarmos e lá fomos nós para essa atividade tão exótica.

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Há uma piscina central, morninha, que chama a atenção, mas o banho termal é feito em outra piscina, menor, com a água quentinha à 36 graus. Você fica ali sentado sem a minima vontade de sair. O mais impressionante é que há fora do prédio outra piscina termal, e haviam muitas pessoas lá. Lembre-se: 11 graus, sensação términa de -1 e umas 10 pessoas numa piscina fervendo ao ar livre. Tem que ser muito húngaro.

Na volta para o hotel chegamos a passar em frente à Básilica de São Estevão, onde iria começar um concerto de música clássica alguns minutos depois. Se meus pés não tivessem tão molhados e os ingressos não fossem tão caros (30 euros) até que eu arriscaria. No mais, Budapeste é bem bonita (ao menos ao domingo, com chuva, sem muita gente na rua), com algumas partes detonadas, mas nada muito assustador (além da estação central de trem de Keleti Pu, com jeitão barra pesada).

Lili destaca a seriedade dos húngaros. Eles poucos sorriem e seguem a norma européia de serem pouco prestativos. As húngaras têm um rosto muito bonito (cada olho azul de deixar o seu queixo caído), mas boa parte da população é de terceira idade – ao menos foi o que sentimos nesses dois dias. A Hungria tem apenas 10 milhões de habitantes, e o país inteiro é menor que o estado de Santa Catarina.

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Já estamos com os tickets de trem e amanhã, às 9h, partimos para Viena, onde à noite tem show do Black Rebel Motorcycle Club. Ficamos em Viena até sexta de manhã, quando voltamos pra Budapeste para tentar pegar um pouco de sol e monumentos históricos. A viagem está só começando…

Ps1: O wi-fi do Ibis não ajudou nada na noite passada (mas as prostitutas no lobby do hotel tentaram uma “conexão”, em vão) enquanto o minuano húngaro não parou um segundo.

Ps2: Eu estava com saudade de Cherry Coke.

Ps3. Apesar de conseguirmos ir pra lá e pra cá de metrô sem perguntar nada (e sem entender o nome das estações anunciado no som do vagão), ainda não conseguimos pronunciar nenhuma palavra em húngaro. Nem bom dia e nem obrigado. Eis uma missão para a próxima sexta-feira.

Ps4. Ao menos na Áustria se fala alemão, e obrigado e bom dia a gente já sabe. Ou a gente acha que sabe…

Ps5. As escadas rolantes do metrô são em velocidade 5. Não se perde tempo em Budapeste.

Ps6. Em Viena pretendemos ir ao palácio em que viveu o príncipe Franz Ferdinand. :~

Ps7: Foram duas as cervejas do domingo: a primeira uma vermelha e gostosa Arany Ászok, de Budapeste (assim como a Dreher), num café charmoso que, assim que sentamos, começou a tocar “Mas Que Nada”, do Jorge Ben (não sei de quem era a versão).  A segunda do dia (terceira da viagem) foi uma alemã de trigo deliciosa, a Hofbrau Munchen. Veio com uma fatia de limão no copo, mas o sabor tradicional de banana marcou presença. Bela pedida.

Top Cervejas
1) 3,5/5 – Hofbrau Munchen, Alemanha (aqui)
2) 2,6/5 – Arany Ászok, Hungria (aqui)
1) 1,9/5 - Dreher, Hungria (aqui)

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Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
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Maio 17, 2010   7 Comments

Venta, e venta muito em Budapeste

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Chegamos em Budapeste debaixo de chuva e totalmente detonados. Entre sair de casa e chegar na capital da Hungria foram 25 horas. Só por isso optamos pela mordomia de pegar um ônibus que nos deixava na porta do hotel ao invés de outro muito mais barato que nos levaria até o metrô, e de lá para o hotel. O húngaro é indecifrável. Estamos nos sentindo naquele episódio do Seinfeld em que a Elaine acha que as manicures orientais estavam tirando com a cara dela.

A cidade pareceu bastante agradável no trajeto, mas nem arriscamos colocar os pés para fora do hotel devido à chuva. Comemos por aqui mesmo (o tradicional goulash estava ok, mas o prato principal era bem fraquinho). A noite também teve a primeira cerveja da viagem, a húngara Dreher, uma pilsen normal feita em Budapeste mesmo (me lembrou a finlandesa Tuborg), clarinha e amarga, com 5,2% de graduação alcoólica, sabor ok, mas sem personalidade. Devem existir umas 100 iguais a ela.

A programação para esse domingo inclui um banho termal (queremos ficar umas quatro horas cozinhando) e uma caminhada pelo centro da cidade. Tomara que pare de chover.

Ps. O dia amanheceu nublado e aquilo que no sul do Brasil se chama minuano não parou um segundo a noite toda. Venta, e venta muito em Budapeste. Lá vamos nós enfrentar a cidade.

Top Cervejas
1) 1,9/5 - Dreher, Hungria (aqui)

Fotos da viagem:
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Maio 16, 2010   1 Comment

Em Barajas, Madri

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Dez horas depois e estamos em Madri… detonados. Meus joelhos pedem banhos termais já, mas decidimos que vamos fazer isso amanhã, quando acordamos em Budapeste. Nosso vôo chegou às 11h em Madri (6h em São Paulo) e nossa conexão para Budapeste sai às 14h20.

Lili voltou a reforçar sua paixão pelos terminais T4 e T4S do aeroporto de Barajas, obra dos arquitetos Antonio Lamela e Richard Rogers, este último responsável (ao lado do italiano Renzo Piano) pelo incrível Centro Pompidou, em Paris. O projeto dos novos terminais de Barajas faturou o prêmio Stirling, em 2006. Fodão.

Na pressa de sair de casa acabamos esquecendo os guias de Barcelona e Londres, e também um guia de pronúncias, que iria quebrar um galho enorme no leste europeu. Lili aposta que vamos olhar o cardápio dos restaurantes e não entender nada. Tô achando que vou me alimentar de cerveja. Não tem como errar.

Já já, Budapeste

Ps. A passagem pela imigração foi sossegada com as questões de praxe: “o que você veio fazer” (”vacaciones”), “onde você vai ficar” (”Budapeste”) e “você tem a passagem de volta ai?” (”Tenho”). Um novo carimbo no passaporte e simbora povo.

Fotos da viagem:
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Maio 15, 2010   5 Comments

Celebrate each goal with Pitú Cachaça

18h, aeroporto de Guarulhos. Lili diz que essa é nossa viagem mais desorganizada, porém chegamos com bastante tempo livre ao aeroporto, com tempo para comer e resolver umas últimas pendências do site. O vulcão, pelo jeito, acalmou e nosso avião já está no solo. Demos uma passadinha básica no Duty Free (três garrafas de Jack Daniels por 66 doletas me lembram os irmãos Dias) para Lili pegar uma barra de Lindt enquanto rio com um pack pega turista da… cachaça Pitú. A propaganda diz: “Celebrate each goal with Pitú Cachaça”. Um dos packs traz um kit para fazer caipirinha. No rádio do aeroporto, Chico Buarque. Definitivamente vivemos em um mundo repleto de clichês…

Maio 15, 2010   No Comments

Tudo (quase) pronto para a viagem

As férias começaram. Eu só não esperava que começassem com uma ressaca forte, mas tudo bem, passou (uma dorzinha imperceptível aparece vez em quando). Agora só falta fechar a mala e chamar o taxi. Na verdade, ainda existem umas burocracias (ligar pra Net e pra Claro para desligarem internet e celular por um mês), mas está tudo lindo. É bem provável que o próximo post seja de Madri (primeira escala) ou Budapeste (primeira parada do tour 2010), então amanhã damos um alô do velho mundo. Friozinho danado na barriga. risos. A gente se vê.

Maio 14, 2010   7 Comments

Opinião do Consumidor: Schmitt Barley Wine

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Finalmente, uma das gaúchas me conquistou. Após mostrar má vontade com a Schmitt Ale e desaprovar a Schmitt Sparkling, eis que a versão Barley Wine da cervejaria artesanal de Porto Alegre conseguiu um pontinho a favor com meu paladar cervejeiro – e agora é esperar que a La Brunnete Stout empate a peleja e a Magnum vire o jogo.

O segredo da Barley Wine é a dose tripla de malte que deixa a cerveja encorpada e agressiva não só no sabor, mas também na graduação alcoólica: 8,5% (contra 4,5% das nossas tradicionais de boteco) mesma graduação da Duvel, cerveja belga que se chama Demônio e reina absoluta aqui em casa.

O aguado e o azedo característico das versões Ale e Sparkling também batem ponto aqui, porém, logo cedem lugar para o amargor que deixa clara a valorização do álcool no ótimo conjunto. Nota-se ainda um pouco de frutado e cítrico no paladar, que ficam em segundo plano. À frente, brilhando, vem o álcool e o malte.

A top das Schmitt é uma cerveja que pode ser guardada por bastante tempo (essa da foto poderia ser consumida até novembro de 2014), e pede-se para bebê-la como se fosse conhaque. Recomenda-se, inclusive, envelheça-la (as Barley Wine inglesas, por exemplo, podem ser consumidas em até 25 anos). Pode ser encontrada em lojas e revendedores entre R$ 6 e R$ 8 a garrafa de 355 ml.

Teste de Qualidade: Schmitt Barley Wine
- Produto: Cerveja Ale
- Nacionalidade: Brasil
- Graduação alcoólica: 8,5%
- Nota: 3,5/5

Leia também:
- A Schmitt Ale se perde entre o azedo e o aguado (aqui)
- Sparkling Ale (sem bolhas) lembra demais a Schmitt Ale (aqui)

Maio 13, 2010   1 Comment

Los Hermanos volta para shows no Nordeste

Marcelo Camelo é o entrevistado do mês da revista Trip, e além de se dizer fã de Bon Jovi e falar da namorada Mallu Magalhães, avisa que o Los Hermanos vai se reunir para dois shows fechados no Nordeste no segundo semestre. Leia tudo aqui.

Maio 13, 2010   4 Comments

Download: discos e projetos do Supercordas

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O pessoal do Supercordas montou um blog para a (mu)shroom records e está disponibilizando toda discografia da banda além de projetos raríssimos ali. Simplesmente imperdível. Baixe tudo aqui.

Maio 13, 2010   No Comments

Lou Reed na Flip 2010

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Foto: Marcelo Costa

A organização da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que, devido à Copa do Mundo, acontecerá entre os dias 4 e 8 de agosto, confirmou a presença de Lou Reed no evento. O ex-líder do Velvet Underground baixa em Parati para falar de seu livro “Todas as letras”, que a editora Companhia das Letras lança em breve no País.

Já faz alguns anos que tento ir à Flip. Se não estou me confundindo, teve um ano que eu queria ir para ver o Paul Auster, cheguei na Fnac da Paulista para comprar o ingresso antes do local abrir, a fila era pequena, e mesmo assim quando cheguei ao guichê, todas as entradas estavam esgotadas. “O sistema da internet foi aberto antes”, tentou justificar a vendedora.

Desta vez, no entanto, vou fazer uma força extra. Lou Reed me acompanha desde sempre com suas canções. Como ele mesmo escreveu em seu diário, certa vez, “eu digo a vocês mais do que muitas pessoas sabem sobre seus amigos. Eu falo de mente a mente, coração a coração, espírito a espírito por meio da música (leia o texto na integra aqui)”.

Já vi Lou duas vezes na vida. Uma no Credicard Hall, em São Paulo, dez anos atrás. Ele vestia jaqueta de couro, tocou o mezzo álbum “Ecstasy” inteirinho e só no bis arrancou sorrisos de verdade com “Sweet Jane”, “Dirty Boulevard” e “Perfect Day” (leia aqui). Uma canção do “Ecstasy” ficou e se transformou na minha canção preferida de Lou nos últimos dez anos: “Baton Rouge” (leia e baixe ela aqui).

O segundo encontro foi em um sonho. Eu estava na primeira fila de um teatro antigo em Malága, na Espanha, terra de Pablo Ruiz Picasso. Lou vestia uma camiseta vermelha amassada, parecia vinte anos mais velho do que naquela noite de novembro de 2000, em São Paulo, e tinha uma superbanda no palco cujo intuíto era tocar o álbum “Berlin” na integra, revivendo a trágica história de Caroline e Jim (leia aqui).

Neste sonho espanhol, Lou tocou “Berlin” inteirinho, saiu do palco e parecia que não ia voltar. O público aplaudiu cinco, dez, quinze minutos sem parar, e ele voltou. Tocou ”Satellite of Love” e “Rock and Roll”, e eu sai de alma lavada pela noite quente e iluminada da Andaluzia até encontrar meu albergue… com o set list do show nas mãos.

Agora Lou Reed aporta em Parati, e eu espero que algum produtor esperto consiga marcar um show do homem por estes lados. Fico de dedos cruzados esperando que isso aconteça. Em todo o caso, uma viagem para a Parati não está descartada. Quem sabe…

Maio 11, 2010   2 Comments

Opinião do Consumidor: Tucher

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Quando fiz minha listinha top ten de cervejas européias da viagem de 2008 (link no final do texto), e coloquei apenas uma cerveja alemã entre as dez escolhidas, um alemão chamado Wolfgang questionou nos comentários: “Sou alemão e fiquei um pouco assustado. Na Alemanha tem mais de 2500 fábricas de cerveja. Da próxima vez que você for a Europa, vá à Bavária e experimente as cervejas de lá (mais aqui)”. Não fui a Bavária, mas a Bavária veio até mim através da Tucher.

Fundada em 1672, a cervejaria Städtisches Weizenbrauhaus (Cervejaria de Trigo Municipal) foi a primeira a produzir cerveja de trigo em Nüremberg. Em 1806, o Reino da Bavária anexou o território de Nüremberg, e a cervejaria passou a se chamar Königliches Weizenbrauhaus (Cervejaria de Trigo Real). 50 anos depois, a família von Tucher comprou a cervejaria, mudando em definitivo seu nome, que passou a ser: Freiherrlich von Tucher’sche Brauerei (Cervejaria do Barão von Tucher).

Hoje em dia, a cervejaria do Barão von Tucher continua se dedicando as cervejas de trigo (que eles fazem desde o século 17) de baixa (Tucher Übersee Export e Tucher Bajuvator) e alta fermentação (Tucher Dunkles Hefe Weizen e Tucher Helles Hefe Weizen). Essas duas últimas podem ser encontradas com certa facilidade no Brasil (entre R$ 9 e R$ 14), mas não mantém o mesmo padrão. Enquanto a Helles (clara) é uma delicia, a Dunkles (escura) deixa bastante a desejar.

A Dunkles é uma cerveja de trigo da Bavária elaborada com malte de cevada pálido e tostado e malte de trigo. A Helles é feita com malte de cevada e malte de trigo. Ambas trazem o sabor característico de uma Weiss: notas de banana, cravo e na escura, um pouco de café e chocolate. Porém, a Dunkel é muito aguada, o que acaba prejudicando seu conjunto. Já a Helles é bastante saborosa, se destacando com uma das melhores cervejas de trigo que já provei. Pouco amargor, sabor delicioso e uma suavidade que não é característica principal das Weiss credenciam a Tucher Helles. Deixe a morena de lado e se concentre na loira.

Teste de Qualidade: Tucher
- Produto: Weiss
- Nacionalidade: Alemanha
- Graduação alcoólica: 5,3% (a Dunkles), 5,2% (a Helles)
- Nota: 3,8/5 para a Helles (clara)
- Nota: 1,2/5 para a Dunkles (escura)

Leia também:
- Top Ten de cervejas européias, tour 2008 (aqui)

Maio 10, 2010   3 Comments

Uma caixa de Leffe e um entrevistão

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Essa é a preparação para o entrevistão de junho. E olha que, com dor no coração, deixei uma caixa de Hoegaarden para trás. O entrevistão de maio, se os deuses do jornalismo ajudarem, entra até quarta-feira no ar.

Maio 10, 2010   4 Comments

A programação do Primavera Sound

O Primavera Sound divulgou a escalação de horários do festival que promete ser uma festa em Barcelona a partir do próximo dia 27/05. Você vê toda a programação dia a dia (e com horários) aqui. A minha pré-lista do que eu gostaria muito de ver segue ai embaixo. Mas não sei se vou conseguir ver tudo isso… 

27/05
El Mató A Un Policía Motorizado
Escenario adidas Originals - 19h

The XX
Escenario Ray-Ban - 21:15h

Superchunk
Escenario San Miguel - 22:10h

Tortoise
Escenario ATP - 23h

Broken Social Scene
Escenario Ray-Ban - 23:15h

The Big Pink
Escenario Pitchfork - 00:15h

Pavement
Escenario San Miguel - 01h

Fuck Buttons
Escenario Ray-Ban - 02:20h

28/05
Hope Sandoval & The Warm Inventions
Escenario Rockdelux (Auditori) - 17:30h

The New Pornographers
Escenario San Miguel - 18:15h

Low performing “The Great Destroyer”
Escenario Rockdelux (Auditori) - 19h
 
Spoon
Escenario San Miguel - 20:20h

CocoRosie
Escenario Ray-Ban - 21:25h
 
Wilco
Escenario San Miguel - 22:30h

Panda Bear
Escenario Vice - 23:30h
 
Pixies
Escenario San Miguel - 01:15h

Yeasayer
Escenario Vice - 02:30h

29/05
Van Dyke Parks
Escenario Rockdelux (Auditori) - 19h

The Slits
Escenario Pitchfork - 20:30h

Florence + The Machine
Escenario San Miguel - 20:50h

The Drums
Escenario Vice - 21:45h

Grizzly Bear
Escenario Ray-Ban - 21:55h

Built To Spill
Escenario ATP - 23:00h

Sunny Day Real Estate
Escenario Ray-Ban - 00:05h

Maio 10, 2010   10 Comments

Revista Noize #33 para download

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Edição nova da revista Noize para leitura online ou download em PDF. Desta vez, na coluna Scream & Yell escrevo sobre o renascimento do samba (torto) em São Paulo. A Noize # 33 ainda traz pautas com a Cibelle, cantora brasileira que vive em Londres e diz que, desde que o mundo conhece seus discos, ela é chamada de exótica. Ainda tem Copacabana Club, Afrika Bambaataa e Ryan Schreiber, que fundou o Pitchfork (site determinante para o indie rock dos anos 2000). Baixe ou leia online aqui.

http://www.noize.com.br/revistanoize/2010/edicao-33-maio/

Maio 10, 2010   No Comments

Sobre o amor, a música e outras bobagens

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Dias atrás o cansaço bateu tão forte que a inevitável vontade de jogar tudo para o alto fez aquela visita corriqueira. Os amigos apareceram, deixaram comentários especiais, tão especiais que me sinto até envergonhado de agradecer. Estamos todos no mesmo barco, afundando, e por mais que essa vontade feladaputa de mandar tudo a merda seja tentadora, ainda não é hora.

Mesmo assim, devo e preciso agradecer ao Murilo, ao Carlos, ao Márcio, ao Júnior, à Cris, ao André, à Erika, ao Daniel, ao Giancarlo, ao Ivan e ao Samuel por dividirem impressões com seus comentários e fazer este espaço tão impessoal parecer uma mesa de bar, e vocês todos grandes amigos. Coisas do século 21. E tem gente que ainda tem medo da internet. Eu só posso agradecer pelos amigos que tenho.

Na sexta realizamos a terceira edição da Festa Scream & Yell, na Casa Dissenso, e em algum momento ali pelo meio do show, enquanto eu filmava a apresentação de Romulo Fróes que estava sendo transmitida via web, alguma ficha caiu. O cansaço dos dias anteriores foi deixado de lado por uma alegria imensa, que tem uma explicação muito simples, mas que se perde na correria do mundo moderno: o amor por algo.

No meu caso, eu amo a música de uma maneira tão intensa que seria tolo tentar traduzir em palavras. Eu não toco nenhum instrumento, mas a música exerce um poder sobre mim que influenciou alguns dos principais passos da minha vida. Eu não estaria aqui se não fosse a música. E não estaria só não conversando com você agora, mas o Scream & Yell não existiria, e eu não conheceria todos os meus amigos. Minha vida seria outra.

Se essa outra vida seria melhor ou pior, quem vai saber. Não tenho base nenhuma para falar dela, apenas algumas suposições que indicam que escolhi o caminho certo. No fim das contas, amo a pessoa que sou hoje, e a música tem boa parte na construção da personalidade desse cara que conversa com você agora. Já escrevi dezenas de vezes: minha alma está realizada faz tempo, o que não quer dizer que vou desistir do mundo.

E foi ali, sei lá, entre “Do Ponto do Cão”, “Qualquer Coisa em Você Mulher”, “Ela Me Quer Bem” e “Para Fazer Sucesso” (entre tantas outras canções brilhantes) que percebi que faço tudo que faço porque amo a música. Porque ali, com uma câmera na mão aos pés de uma grande banda, me emociono. O som que sai dos altos falantes invade o meu coração e me faz ser uma pessoa melhor. Em “O Chão Que Ela Pisa”, Salman Rushdie descreveu com soberba isso que estou sentindo.

“É um mistério tão alquímico quanto a matemática, ou o vinho, ou o amor. Talvez os pássaros tenham nos ensinado. Talvez não. Talvez sejamos, simplesmente, criaturas em busca de exaltação. Coisa que não temos muito. Nossas vidas não são o que merecemos. De muitas dolorosas maneiras elas são, temos de admitir, deficientes. A música as transforma em outra coisa. A música nos mostra um mundo que merece os nossos anseios, ela nos mostra como deveriam ser os nossos eus, se fôssemos dignos do mundo”.

No entanto, o momento de sublimação acontece quando um mero espectador do mundo como eu consegue dividir esse amor pela música com outras pessoas. Então lá estou, sentado com uma câmera na mão quando percebo que no mesmo lugar existem dezenas de outros amigos aproveitando esse momento mágico de felicidade sonora. E tenho participação nisso. É um sentimento que poderia ser descrito como o nirvana para os budistas, um estado de calma, paz, pureza de pensamentos, elevação espiritual.

E tudo isso por causa da música, por causa de um show.

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No palco, o trio afiado que acompanha Romulo Fróes soube usar com excelência a qualidade de som magnífica da Casa Dissenso. Era possível ouvir os mínimos detalhes do som do grupo. Do baixo afiado de Marcelo Cabral à levada de bateria singular de Pedro Ito até os devaneios enlouquecedores da guitarra de Guilherme Held, tudo flutuava no ar com uma qualidade raramente vista na noite paulistana, em que os detalhes das canções são sufocados pelo tilintar de garrafas vazias de cerveja arremessadas ao lixo.

À frente do grupo, Romulo Fróes dedicou-se a embaralhar as músicas de seu álbum duplo, “No Chão Sem o Chão”, e entregá-las ao público alguns quilômetros à frente das versões registradas em disco. O som amadureceu no palco, e a banda soa à vontade, brindando os presentes com “Nada Disso É Pra Você” (canção de Romulo e Clima gravada no segundo disco de Mariana Aydar) e dois belos números inéditos, que contam com a participação de Rodrigo Campos: “Onde Foi Que Nunca Vem” e “O Filho de Deus”.

Lili, que estava fazendo as fotos que ilustram esse post, em certo momento me disse ao pé do ouvido. “Esse é o melhor show que eu vi do Romulo”, corroborando minha própria opinião. A apresentação termina com “A Anti-Musa”, um fragmento de espaço/tempo que marca o encontro improvável de Nelson Cavaquinho com Sonic Youth. O noise tomou conta do ambiente, em quase dez minutos de delírios musicais.

Grandes shows podem ocorrer em qualquer cantinho do planeta, porém, muitas vezes, não estamos na vibe para assisti-los. Sabe aquele ditado que diz que o apaixonado percebe com mais facilidade as belezas do mundo? Isso. Um show não depende só de quem está no palco, mas sim de toda uma constelação de acontecimentos que leva cada pessoa a estar naquele lugar no mesmo momento. E o sentimento que nasce desse encontro pode gerar mil e uma interpretações.

A minha sobre a noite de sexta-feira é a seguinte: o melhor lugar do mundo para se estar entre 22h de sexta e 3h do sábado era a Casa Dissenso, na Rua dos Pinheiros, 747. Eu não queria estar à beira da Torre Eiffel, em Paris, na Piazza San Marco, em Veneza, no melhor restaurante do mundo, em qualquer outro show que fosse. Se eu tivesse que voltar no tempo, agora, quereria estar ali, no mesmo lugar, sentindo aquilo novamente.

E isso tem muito a ver com a presença de dezenas de amigos (e o Eric, a Muriel, a Lita, o João e o Elson, da Casa Dissenso, já se incluem nessa categoria), que não só foram para ver o show, como também para apoiar o trabalho que eu e o Tiago Agostini estamos fazendo. A vibe do lugar era tão boa, mas tão boa, que até deu vontade de fazer como Marcel Duchamp, e condensar “50 Miligramas do Ar da Casa Dissenso” num vidrinho, para guardar.

Uma das coisas que tiro dessa noite especialíssima é que nesse processo todo que estamos vivendo no cenário brasileiro, amar a música é essencial. Ultimamente a música tem sido deixada em segundo, terceiro plano enquanto a política e os desejos pessoais tomam a frente. Não tem como dar certo, pois é um sentimento oco, falso, sem alma. Pensa-se o formato, organiza-se o movimento, mas o mais importante é deixado de lado, como se a música fosse um mero adereço.

“Gosto de não ter de ouvir música porque tenho que ouvir música, mas ouvir música porque sem ela não consigo conceber a própria vida”, escreveu certa vez Ana Maria Bahiana, uma apaixonada. O show foda do Romulo Fróes na Casa Dissenso me trouxe de volta essa sensação que a Ana descreve, e encerrou de maneira brilhante o primeiro semestre de atividades do Scream & Yell. Agora é se concentrar na viagem e  ir matutando um monte de novidades legais que vão pintar em junho.

O site não para nesse período de viagem. Além do diário de férias (que você poderá acompanhar aqui pelo blog) teremos as entrevistas, os textos de cinema, música, cobertura de shows e tudo aquilo que movimento o site normalmente. Scream & Yell 10 anos amando a música. E viagem na bota. Obrigado de coração pela paciência, pela leitura e pelos pensamentos positivos. É hora de seguir em frente.

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Maio 9, 2010   19 Comments

Uma semana para as férias

E contando. Que o euro continue caindo e a Grécia esteja inteira e em paz quando chegarmos por lá, no dia 31/05. O roteiro todo está aqui. A Luana, que voltou do leste europeu faz alguns dias, me mandou uns crows (moeda da República Tcheca) e uns forints (da Hungria) que sobraram, e que devem dar para pegar a condução do aeroporto até o hotel. De resto, estou um bagaço físico e emocional. Nesta sexta, a minha, a sua, a nossa Casa Dissenso recebe mais uma Festa Scream & Yell, desta vez com Romulo Fróes no palco e Leffe estreando no bar. Tem jeito de noite histórica. Eu se fosse você, não perdia. :~~

Maio 6, 2010   1 Comment

Opinião do Consumidor: Edelweiss

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 Um dos carros chefes da cervejaria Hofbräu Kaltenhausen, a Edelweiss Weissbier é a cerveja de trigo número 1 da Áustria e a terceira (e melhor) cerveja austríaca a integrar este espaço (a saber, as outras são a densa double bock Eggenberg e a ótima scoth ale Mac Queens Nessie – links no final). A Hofbräu foi fundada em 1475 em Kaltenhausen, uma pequena vila perto de Salzburgo, e a Edelweiss Weissbier começou a ser fabricada em 1986.

Seu nome foi inspirado na flor Edelweiss, que cresce no alto dos Alpes, cuja coleta é proibida por lei. Assim, dizem os austríacos, ao invés de dar uma flor, você pode presentear sua amada com uma taça de Edelweiss (boa, vai). A cerveja é feita com água de um reservatório próprio nos Alpes, e, dizem, entre as especiarias que integram o rótulo está a tal flor proibida. O processo todo pode ser conferido no site oficial da cervejaria (aqui).

De cara, é uma das melhores cervejas de trigo que já experimentei. Não tirou a apaixonante Hoegaarden do topo da lista, mas está ali. A comparação não é à toa: a Edelweiss lembra muito as witbier belgas (que acrescentam especiarias na fórmula). O aroma doce característico de banana que marca uma boa Weiss está presente. O sabor é marcante, refrescante, uma delicia. Tem um pouco de banana, especiarias, malte de trigo. A long neck pode ser encontrada por ai em torno de R$ 8 enquanto a garrafa de 500 ml sai por R$ 13. Belo investimento.

Teste de Qualidade: Edelweiss Weissbier
- Produto: Weiss
- Nacionalidade: Austríaca
- Graduação alcoólica: 5,5%
- Nota: 3,9/5

Leia também:
- Eggenberg, “a cerveja mais forte do mundo” (aqui)
- Mac Queens Nessie, feita com malte de uísque escocês (aqui)

Maio 5, 2010   3 Comments

Quatro shows

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 Jonathan Richman, no Sesc Pompéia

Difícil escrever algo desse show. Ou seria um anti-show? Fiquei longos minutos caraminholando uma teoria sobre vibe, que versa mais ou menos sobre a pessoa que está assistindo ao show estar na mesma vibe do artista. Quem estava na vibe de Jonathan Richman se divertiu horrores no Sesc Pompéia. O tempo que fiquei em frente ao palco foi bem cool, mas bastou sair pra comprar uma cerveja, e a vibe se foi. Fiquei de longe, com dois amigos, conversando enquanto Jonathan Richman divertia (ou enganava, escolha sua alternativa) o público lá na frente, já que o violão, não microfonado, parava nas primeiras fileiras. Jonathan Richman iria ganhar um dinheirão se fizesse shows em lual de beira de praia. No Sesc Pompéia, meia casa, ficou parecendo esforçado. E meio tolo, desculpa dizer.

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Guizado, no CB

Gostei pacas do álbum “Punx”, mas ao vivo acho um desperdício Guizado deixar o trompete como coadjuvante. No palco, as músicas do “Punx” ficam punks, pesadas e o trompete fica ali escondidinho debaixo de bases eletrônicas. Vez em quando aparece, dá um olá, encanta a alma, e se recolhe. Porém, o show não foi só de “Punx”. Guizado abriu a caixinha de novidades e apresentou várias canções novas, inéditas, que trazem como diferencial sua voz. Isso mesmo: Guizado vai cantar no próximo disco. Ao vivo as novas canções pareceram bem legais, e prometem um bom álbum. Resta esperar que entre encaixar voz, guitarras e programações, Guizado não se esqueça do trompete.

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Sapatos Bicolores, na Casa Dissenso

Não esperava muito desse show, mas o trio surpreendeu. “Quando o Tesão Bater”, disco novo dos caras, está lacradinho aqui em casa, muito pelo fato de que “Clube Quente dos Sapatos Bicolores”, o disco anterior, me soou certinho demais, jovem guarda demais para quem parece gostar do inferno. O show na Casa Dissenso, festa dos amigos do Urbanaque, porém, foi altos. Bons riffs de guitarra, bateria e baixo na medida certa e um tesão danado pelo rock and roll. Vou ouvir o disco novo para tirar a prova, mas os Sapatos Bicolores parecem o tipo de banda cujo palco é seu principal tradutor. Showzão.

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Karina Burh, no CB

Não é toda artista que consegue colocar no mesmo palco dois ícones da guitarra brasileira: Edgard Scandurra e Fernando Catatau. Eles dão um temperinho perfeito ao som da moça, que ainda ganha reforço com o trompete e as programações os efeitos de Guizado. As canções ficam mais pesadas ao vivo, e só fui perceber ali no CB entre cervejas a quantidade de baladas e canções lentas que compõe “Eu Menti Pra Você”, disco de estréia da ex-Comadre Fulozinha. A faixa título foi um dos destaques da noite acompanhada da divertidíssima “Plástico Bolha” e também de “Ciranda do Incentivo”, que eu filmei e coloquei aqui. Não sei se dá para perceber pelo vídeo, mas alguma produtora de moda podia ajudar a Karina na hora de se vestir, hein. Roupa terrível, mas show bom.

Fotos 1, 2 e 4: Marcelo Costa / Foto 3: Liliane Callegari

Maio 5, 2010   5 Comments

Sei lá

Sabe aquele fase em que a gente tem vontade de apertar o delete e começar tudo de novo? Todo mundo já deve ter passado por isso, acho. Eu vivo isso em turnos cíclicos, mas as coisas todas parecem estar mais densas agora, o que sempre é uma bobagem: as dificuldades que estamos vivendo sempre são as mais difíceis, embora se tivéssemos a visão do todo talvez observássemos que o probleminha de agora não é nada perto a outro que a gente já viveu.

No fundo, sei lá. Acho que tem um pouco de 11 meses trabalhando direto, e a cabeça está a mil pedindo férias. Nos últimos três meses vários projetos legais se acotovelaram pedindo espaço, e o coração grande vai tentando abraçar o mundo, em vão. Ele tenta, ele se esforça, ele se transforma em dois, três, às vezes quatro, mas chega uma hora em que a água cai fora do copo, e isso é inevitável. A gente respira fundo, toma um par de Dorflex pra amaciar a dor no corpo e tenta sonhar com anjos.

Olho pra esse blog e fico pensando que eu deveria escrever mais coisas assim. Aliás, quando ele surgiu, tinha esse propósito mais pessoal, mas o site acaba ocupando mais espaço, o social encobre o pessoal, e a vida segue, sabe-se lá até onde. O botão delete é tentador, mas fazer o que quando a gente não sabe exatamente o que fazer. O que quer. A vida é deveras complicada. É bonita, é bonita e é bonita, mas é deveras complicada. Fico pensando na sorte, se ela vai sorrir pra mim, quem sabe uma piscadela.

Em outubro o Scream & Yell completa 10 anos. Tenho medo de colocar no papel quanto tempo da minha vida dediquei para este site, seguramente mais tempo do que para qualquer outra coisa que tenha passado pelo meu caminho. Imagina que tudo que entrou no ar no Scream & Yell – absolutamente tudo – de outubro de 2000 até hoje passou por mim. Fui eu a apertar o botão “publicar” desde sempre. Assusta.

Um amigo querido se refere a mim como um cara tão concentrado quanto extrato de tomate, mas ando querendo fazer outras coisas, sentir outros sons, outros ritmos, outras pulsações. O horizonte é infinito e o futuro é repleto de possibilidades. Se eu pudesse escolher agora, talvez abandonasse tudo por um refugio em Barcelona, Veneza ou Paris. Ou em alguma vilinha de pescador no nordeste. Eu, Lili e um laptop sem conexão, quem sabe um livro pudesse nascer.

O mundo tem me esgotado. São Paulo tem me esgotado. E eu queria paz. Querer um mundo melhor e lutar por isso nem sempre resulta em um mundo melhor. A honestidade, meu amigo, é um fardo danado pra se carregar nas costas. Mas não nos restam muitas saídas. A gente segue vivo, brigando e respirando. Acreditando nas nossas convicções. Argumentando. E eu ando cansado de argumentar.

No fim, ando um pouco cansado de tudo. Talvez seja o acumulo de trabalho que faz um dia de folga virar um dia de stress total. Talvez seja a chegada dos 40 anos. Talvez seja a vontade de ser ermitão, de comprar uma casinha branca com varanda, um quintal e uma janela para ver o sol nascer. A vida é simples, dizem. Agora explica isso pro meu coração apaixonado, pra minha querida gastrite e pros meus pensamentos que não cessam.

No fundo, sei lá.

Maio 3, 2010   11 Comments