Primavera Sound 2010: Dia 1
Na programação do dia de abertura do Primavera Sound 2010, 44 bandas iriam se dividir entre sete palcos (esse número vai subir para 59 na sexta e para 64 no sábado). A caminhada de um para o outro nem é tão longa, mas haja pernas e joelhos para descer e subir degraus. Tonificantes rock and roll são vendidos (a saber: cerveja, muita, Jack Daniels com energético e Jagermeister), mas a sensação é de que, por mais que você queira, não vai rolar ver tudo que queria.
Os portenhos do El Mato a Un Policia Motorizado abriram a minha programação pessoal e fizeram um belíssimo show, melódico e ao mesmo tempo nervoso. Na seqüência, The Fall no palco principal. Mark E. Smith parece um velhinho caduco entre a molecada. Aumenta todos os instrumentos da banda e canta (bem) como um doente. O som que sai das caixas é anos 80 datado (lembra muito PIL), mas se andam copiando muito os anos 80, Mark também tem o direito, afinal ele estava lá.
O XX, por exemplo, não estava, e impressiona o fascínio que o (agora) trio inglês causa no público. As canções são tristes, melancólicas, escuras e soporíferas. Há uma pontadinha de eletrônica que impede o público de dormir, além da garoa, do vento mediterrâneo e dos hits, todos cantados em coro pela audiência, que tentava dançar as canções sem tirar os pés do chão. A tristeza pode ser bela, diria alguns. Na maioria das vezes ela enche o saco, diria outro. O show do XX fica no meio do caminho. Mundo estranho esse em que vivemos.
Dos anos 80 para os 90: a Espanha ama o Superchunk. Todo ano algum festival os escala, e a entrega da banda impressiona. As canções são todas meio iguais, um pop punk que engata a sétima marcha nos primeiros dois minutos, desacelera depois do refrão e termina com todo mundo com o braço levantado e pulando muito. É uma receitinha danada que funciona quando bem executada, e o Superchunk tem o dom. O show foi ainda melhor que o do Festival de Benicassim, três anos atrás.
O grande show da noite, porém, estava por vir. A orquestra rock and roll do Broken Social Scene fez uma apresentação arrebatadora no segundo maior palco do Primavera Sound. A desconstrução das canções tão presente em álbuns funciona muito ao vivo assim como a troca de instrumentos e vocalistas. A banda não perde o controle um segundo sequer (embora soe tremendamente Neil Young em várias passagens), mas Kevin Drew é bem mala quando tenta animar o público. Bastava saber que a música de sua banda já basta. Grande show.
Para o final, Pavement em versão festival. Ou seja, os shows de três horas de duração da volta aqui se transformaram em uma hora e meia… de hits. Começou com “Cut Your Hair”, teve “Perfume V” e “Spit on a Stranger” no meio e terminou com “Stereo” e “Range Life” (fora o bis com “Gold Soundz”). Stephen Malkmus passa 80% do tempo com a alça da guitarra fora do pescoço, jogando o instrumento pra cá e pra lá, e faz a banda parecer necessitar da bagunça para legitimar a história lo-fi, e isso incomoda um pouco, mas a excelência da execução das canções torna a noite especial.
O Festival continua nesta sexta-feira histórica que tem, em seqüência, no palco principal Spoon, Wilco e Pixies. Além tem Hope Sandoval & The Warm Inventions, The New Pornographers, Low, Panda Bear, Autoramas e Yeasayer (e mais 50 outros além dos hot sandwiches e da comida mexicana - olhe aqui sem medo. Haja pique). Não vai rolar ver tudo, mas o trio principal não irá passar batido. A gente se vê no caminho.
Leia também:
- Primavera Sound, Dia 3: The Drums, Grizzly Bear, Charlatans (aqui)
- Primavera Sound, Dia 2: Pixies, Wilco, Spoon, The XX (aqui)
Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/









4 comentários
Hey Mac !
Aproveita pra contratar o Wilco,o Pixies e o Pavement para tua festa do Screamyell na Casa Dissenso,quem sabe eles aceitam né !
Bons shows pra ti e continue com os relatos
Abraços
Eu sou profundamente apaixonado pelo BSS, e fico feliz em saber que as musicas deles funcionam bem ao vivo, algo que eu já vinha suspeitando pelos videos da internet. Alguns discos da banda tem um sério problema de mixagem, isso sempre me frustrava ao ouvir grandes musicas que não alcançavam o seu potencial devido a um trabalho de pós-produção mal feito.
Felizmente o ultimo álbum lançado por eles não compadece desse mal. = )
Que inveja, Mac: Pixies, Pavement, Wilco, Superchunk, New Pornographers… Pelo menos Pixies e Wilco eu já vi ao vivo e, realmente, Jeff Tweedy e cia. são a melhor experiência q alguém pode ter em termos de show nos dias de hoje.
Só uma parada: os chicos do El Mató.. não são portenhos, são de La Plata, portanto, platenses. =) Aliás, outra bandaça ao vivo.
abraaaço!
Acho que é impossivel o Pavement fazer um set list ruim. Com uma hora e meia então, imagino a qualidade da historia. Abração!
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