Sei lá
Sabe aquele fase em que a gente tem vontade de apertar o delete e começar tudo de novo? Todo mundo já deve ter passado por isso, acho. Eu vivo isso em turnos cíclicos, mas as coisas todas parecem estar mais densas agora, o que sempre é uma bobagem: as dificuldades que estamos vivendo sempre são as mais difíceis, embora se tivéssemos a visão do todo talvez observássemos que o probleminha de agora não é nada perto a outro que a gente já viveu.
No fundo, sei lá. Acho que tem um pouco de 11 meses trabalhando direto, e a cabeça está a mil pedindo férias. Nos últimos três meses vários projetos legais se acotovelaram pedindo espaço, e o coração grande vai tentando abraçar o mundo, em vão. Ele tenta, ele se esforça, ele se transforma em dois, três, às vezes quatro, mas chega uma hora em que a água cai fora do copo, e isso é inevitável. A gente respira fundo, toma um par de Dorflex pra amaciar a dor no corpo e tenta sonhar com anjos.
Olho pra esse blog e fico pensando que eu deveria escrever mais coisas assim. Aliás, quando ele surgiu, tinha esse propósito mais pessoal, mas o site acaba ocupando mais espaço, o social encobre o pessoal, e a vida segue, sabe-se lá até onde. O botão delete é tentador, mas fazer o que quando a gente não sabe exatamente o que fazer. O que quer. A vida é deveras complicada. É bonita, é bonita e é bonita, mas é deveras complicada. Fico pensando na sorte, se ela vai sorrir pra mim, quem sabe uma piscadela.
Em outubro o Scream & Yell completa 10 anos. Tenho medo de colocar no papel quanto tempo da minha vida dediquei para este site, seguramente mais tempo do que para qualquer outra coisa que tenha passado pelo meu caminho. Imagina que tudo que entrou no ar no Scream & Yell – absolutamente tudo – de outubro de 2000 até hoje passou por mim. Fui eu a apertar o botão “publicar” desde sempre. Assusta.
Um amigo querido se refere a mim como um cara tão concentrado quanto extrato de tomate, mas ando querendo fazer outras coisas, sentir outros sons, outros ritmos, outras pulsações. O horizonte é infinito e o futuro é repleto de possibilidades. Se eu pudesse escolher agora, talvez abandonasse tudo por um refugio em Barcelona, Veneza ou Paris. Ou em alguma vilinha de pescador no nordeste. Eu, Lili e um laptop sem conexão, quem sabe um livro pudesse nascer.
O mundo tem me esgotado. São Paulo tem me esgotado. E eu queria paz. Querer um mundo melhor e lutar por isso nem sempre resulta em um mundo melhor. A honestidade, meu amigo, é um fardo danado pra se carregar nas costas. Mas não nos restam muitas saídas. A gente segue vivo, brigando e respirando. Acreditando nas nossas convicções. Argumentando. E eu ando cansado de argumentar.
No fim, ando um pouco cansado de tudo. Talvez seja o acumulo de trabalho que faz um dia de folga virar um dia de stress total. Talvez seja a chegada dos 40 anos. Talvez seja a vontade de ser ermitão, de comprar uma casinha branca com varanda, um quintal e uma janela para ver o sol nascer. A vida é simples, dizem. Agora explica isso pro meu coração apaixonado, pra minha querida gastrite e pros meus pensamentos que não cessam.
No fundo, sei lá.


11 comentários
Se tem uma só coisinha que eu aprendi contigo nesses, sei lá, 2 anos e alguns meses foi algo mais ou menos assim: conseguir o que a gente quer é extremamente fácil perto de descobrirmos o que queremos. E só isso já valeu todo esse tempo, pelo menos de minha parte
E “chegada dos 40″? Agora to vendo isso mais como “conhecimento de causa” haha
Abs!
Legal o texto Marcelo.
Conselho: Nada melhor do que recomeçar, fazer coisa diferente, mudar de cidade, pais , emprego, ambiente, dar voadora, etc.
Isso que injeta sangue novo.
Mas continua com o blog e vamos montar o boteco, mas não em Sampa.
abracos
Mac, se tem uma coisa de que posso me orgulhar é de poder chamar de amigo alguém que considero mais como influência. E a forma efusiva com que você me tratou na última vez em que nos encontramos só reforça isso. Enfim, escrevo isso só pra poder dizer que mais uma vez, leio neste blog algo que eu queria ter escrito, o que me faz perguntar outra vez: “aonde eu assino?”. Grande abraço!
O Scream & Yell - e os seus textos - me acompanham desde a adolescência. E todo esse tempo me fez acreditar em uma coisa: qual for a sua decisão, certamente será algo honesto e inspirado.
No fundo, todos desejamos que o Screamy nunca acabe. Mas acho que todos também querem que a sanidade do autor também não acabe.
Fica aqui um desejo para que você encontre uma resposta pro enorme “sei lá”.
(Foi por textos assim que eu primeiro me apaixonei pelo Scream & Yell)
Você pode mudar, mas sempre será o mesmo e um dia quando passar bastante dos quarenta vai descobrir que isso também não muda nada, que continua carregando o mesmo coração do garoto que era aos 16, 17.
Eu bem que tento me tornar uma ermitã, mas passa uns dias e volto correndo! Tire férias!
Acredito que apenas com tamanha dedicação, mesmo que insana, chega-se onde você chegou. Que venham mais 10 anos! E se o stress apertar, vem morar em Quiririm de novo.. haha
Entendo muito. Estou constantemente com o dedo perto do “delete”, mas já o apertei algumas vezes que decidi que preciso deixar a vida me levar. Na verdade não se trata de apagar e começar de novo. é piégas? é! mas qual é a da vida se não recomeçar e recomeçar e recomeçar…
Concordo com o Junior e, aposto que, com todos os muuuuitos leitores dessa casa: torcemos para que ela nunca feche suas portas, mas…é a sua vida, cara, e é você quem sabe dela, né não?
De qualquer forma, que bom que suas férias estão chegando! Boto a maior fé que você vai voltar com as baterias recarregadas.
Beijão!
Se te conforta, estou abandonando uma carreira sólida em Marketing após 10 anos (que não me rendeu nada senão protusões na coluna - que me matam) família, amigos, devaneios de uma cidade grande, por 20m² em Natal. Eu, meu amor, e o kg do camarão mais barato que a carne. Não é definitivo, mas é definitivo agora pro que quero. Bora!
Me sinto assim atualmente e não posso nem dizer que me sinto infeliz pois atravesso uma boa fase da vida. Acho que justamente por estar na boa fase é que ando pensando em outras coisas. Ja decidi que esse é o ultimo ano de vida da minha carreira musical, depois dos 30 vou pensar em fotografia, em pintura, whatever.
“a vida é fácil”, a gente é que é complicado, já dizia a canção. acho que todo mundo sente vontade de jogar tudo pro alto e se autoexilar em algum canto do mundo, ainda mais nesses dias de vida virtual que só faz a gente acumular mais coisas pra fazer, se preocupar. só que garanto que a maioria depois de um mês ou pouco mais de “isolamento” já ia querer voltar a fazer coisas, porque são coisas que a gente se apaixona e de alguma forma, não consegue escapar. não se pode fugir da vida, dos sonhos, seja em são paulo ou cabrobó. abs e boas férias.
A vida começa aos 40 MAc….rsrsrs
Brincadeiras à parte, você transpôs o que muitos aqui também sentem. Vira e mexe, lá estou eu me sentindo assim de novo…às vezes mais intensamente, outras menos…Estou na fase INTENSAMENTE desde Novembro passado. hehe…E também estou para dar uma virada de mesa geral na vida, porém minha cautela deve ser rebobrada, pois tenho meus dois pimpolhos e seus bem estares a zelar. Porém sinto que, se não for dessa vez, dificilmente criarei energia novamente para tal. Ou o comodismo e a “segurança” de uma suposta estabilidade possam sobrepor a audácia. Vamos pras cabeças!!! A vida é uma só, passa rápido e é implacável.
Abs
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