Blog do Editor do Scream & Yell
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Posts from — Maio 2010

Wilco ao vivo em Roma

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Um dos poucos monumentos turísticos de Roma que não tem mais de 2 mil anos, o Parco Della Musica (inaugurado em 2002 e já incluso no roteiro de visitas à cidade) não é apenas uma obra de arte visual, mas também uma catedral sonora. Grandes gomos de madeira no teto permitem que os sons flutuem no ambiente, valorizando quem faz música repleta de detalhes, como o Wilco, promovendo um encontro raro de uma banda perfeita sonoramente com um local de acústica impecável.

Jeff Tweedy trouxe a banda para o palco pouco antes das 21h, e assim que suas mãos tocaram o violão, o som de “Ashes Of American Flags” preencheu o teatro desenhado por Renzo Piano dando início a um daqueles momentos especiais que os apaixonados por música sonham a todo momento. Um dos cavalos de batalha do álbum que fez o Wilco renascer na história da música, “Ashes” soou delicada e perfeita abrindo caminho para outra canção do disco “Yankee Hotel Foxtrot” (2002), a usina de desconstrução desapaixonada “I Am Trying To Break Your Heart”.

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Logo na segunda canção do show já é possível perceber com clareza a dinâmica que fez a fama do Wilco (e que anda faltando nos últimos discos de estúdio do sexteto): Tweedy carrega tudo no violão e na voz triste, mas a banda insiste em envenenar a melodia com um arranjo suntuoso abarrotado de trovoadas sonoras. Se fosse só Tweedy solo, o Wilco seria um punhado de canções bonitas ao violão, mas a tempestade do arranjo transforma uma simples canção em um momento sublime de arte.

“Bull Black Nova” é a primeira do disco mais recente do grupo a marcar presença no show, e Nels Cline, o mais brilhante escudeiro de Tweedy na atualidade, pontua a versão (conduzida ao piano) com aspereza. “Wilco (The Album)” (2009) foi recebido com frieza pela crítica, mas a banda investe tocando seis canções dele no show (só “Yankee” empata em execuções), e as músicas crescem um absurdo ao vivo como se o Wilco tivesse nascido para ser uma banda de palco, e não de estúdio. “One Wing”, um dos números brilhantes de “The Album”, surge encorpada e simplesmente arrepia, com Nels Cline arrasando na guitarra.

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E, então, por cerca de cinco minutos, o mundo pára. Um barulho de microfonia surge em meio ao silêncio, e o tecladista Mikael Jorgenses dispara no teclado as notas inconfundíveis de “A Shot In The Arm”. A banda vem junto e entrega para os 2800 espectadores uma versão ensurdecedora e arrasadora de um dos clássicos da primeira fase do Wilco. É a sexta música da noite, e o show já poderia ter acabado. Daí em diante, a banda arranca num crescendo mortífero no show, mas tudo soa estranhamente menor, imperfeito perto da grandiosidade de “A Shot In The Arm”.

Tweedy só se dirige ao público pela primeira vez quando o relógio anota pouco mais de uma hora de música. “Roma, é bom estar aqui”. E conta uma história. “Estávamos ontem, embasbacados, no Coliseu. E uma americana atrás de mim solta a pérola: ‘Nós viemos até aqui para ver isso??’. Definitivamente, eu não sei o que acontece com as pessoas”. Depois, elogia o som da casa e se rende à obra do arquiteto Renzo Piano. “Esse lugar é muito legal. Obrigado por nos deixarem tocar aqui”.

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“One By One”, lançada em um disco com Billy Bragg, traz Nels Cline na guitarra steel, e ele novamente faz seu show particular, e estica o momento com o instrumento no colo, e uma pequena guitarra nos braços, numa versão pungente de “Deeper Down”. Mas é na dobradinha “Handshake Drugs” e (principalmente) “Impossible Germany” que a plateia louva o guitarrista, que sola seu instrumento como se o mundo fosse acabar nos próximos dois minutos, e a última coisa que ele tem a fazer na vida é esse solo de guitarra (no Primavera Sound, o público “cantou” o solo).

“Via Chicago”, inebriante, surge em um arranjo que lembra “A Shot In The Arm” (sua có-irmã do álbum “Summerteeth”) e “Break Your Heart”, e conquista a plateia (mas perde para as outras duas em empolgação). Um mini bloco “Yankee” dá às caras: “War on War” aparece mais acelerada do que no disco. Ao final, Tweedy confessa: “Essa música soou muito bem aqui”. E provoca: “O único problema de tocar num lugar bacana como esse é que vocês ficam estirados como se estivessem dormindo”. O público ri, e aos primeiros acordes de “Jesus etc…” não se contém e se levanta para cantar a canção, como se fosse um hino.

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O trecho final da apresentação é delirante com “Heavy Metal Drummer” abrindo o bloco, que segue com uma versão grandiosa de “Hate It Here”, namora os Beatles (e Paul) em “Walken” e dá um longo e forte abraço em Neil Young com uma versão guitarreira de “I’m The Man Who Loves You”. O show acaba, e o público, que já tinha tomado as laterais do teatro nos números finais, vai para a frente do palco aguardar a banda, que volta com a boa “The Late Greats”, emenda com “California Stars” (assista aqui) e termina country rock (com direito a duelo de guitarras entre Nels e Pat Sansone, o guitarrista cover de Tom Petty) com “Red Eye and Blue / I Got You (At the End of the Century)”, “Hoodoo Voodoo” e “I’m a Wheel”.

No total, 27 canções em mais de 2h30 de música confirmam que o Wilco segue imbatível no quesito performance ao vivo. Aconteça o que acontecer, você precisa colocar como meta em seu futuro ver Nels Cline e Jeff Tweedy ao menos uma vez na vida, o mais rápido possível, ao vivo. O que esses dois caras fazem no palco (escorados com excelência pela banda) é de lavar a alma dez vezes na mesma noite. Embora a banda tenha se acochambrado no classic rock em estúdio (e a imensa presença de cabelos brancos na plateia só pode referendar isso), ao vivo o Wilco é uma das raras experiências imperdíveis que o rock and roll pode proporcionar no novo século, um show para se ver e guardar na memória.

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Leia também:
Europa 2009: Bruce Springsteen ao vivo em Roma (aqui)
Europa 2010: Complexo Parco Della Música, de Renzo Piano (aqui)

Todas as fotos por Marcelo Costa
http://www.flickr.com/photos/maccosta/

Maio 31, 2010   16 Comments

Uma noite com Jeff Tweedy e Nels Cline

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Se tudo correr bem escrevo o texto sobre o show do Wilco em Roma durante o voo para Atenas (tenho quatro horas de sono pela frente, e eu preciso dormir. Mesmo), mas você pode olhar o set list (o bis mudou, conto depois) aqui, pode ver dezenas de fotos do show aqui e, se a conexão e o Youtube ajudarem (estou tentando subir o vídeo pela quarta vez), sentir como é ver o Wilco colado no palco aqui. Sem mais (por enquanto), senão escrevo e não durmo.

Maio 30, 2010   1 Comment

Parco della Musica, de Renzo Piano

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Da série “acasos da vida”. Quando fui atrás de colocar no roteiro da viagem um show do Wilco, fiquei entre uma apresentação na Escandinávia e uma Itália. As duas iriam pedir uma reorganização no roteiro, e tinham atrativos interessantes. Se fossemos para Dinamarca vê-los, com certeza estenderíamos o passeio até Helsinque para ver obras do arquiteto finlandês Alvar Aalto e bisbilhotar a região (o vulcão ainda não tinha acordado). No entanto, por economia, decidimos por Roma (e, de lá, para a Grécia e Turquia).

O show do Wilco em Roma estava marcado para um lugar que eu nunca tinha ouvido falar (e olha que passamos quatro dias em Roma ano passado). Uma busca sobre infos do local e eis que vem a grande surpresa (e o delicioso acaso): o Parco della Musica é um belíssimo complexo arquitetônico inaugurado em 2002, obra do italiano Renzo Piano, um dos arquitetos preferidos da Lili. Ou seja: a gente vê o show e, de quebra, conhece mais uma grande obra da arquitetura recente. Não poderia ser mais perfeito, mas foi…

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Sobre o show você pode ler aqui, mas preciso dizer que o auditório é simplesmente uma coisa linda. Desenhado na mesma área que sediou os Jogos Olimpicos de Verão, em 1960, o Parco della Musica é um interessante parque musical formado por três auditórios fechados (o menor com capacidade para 700 lugares, o médio para 1200 e o maior, que iria receber o Wilco, 2800), que são ligados por um longo e confortável lobby, e uma sala de concertos ao ar livre inspirada nos velhos teatros romanos.

Aliás, durante as escavações para construção do complexo foram encontrados alicerces de uma casa datada do século VI AC (a piada tem fundamento: é quase certo que se você cavar qualquer esquina em Roma irá encontrar sítios arqueológicos). Renzo Piano mexeu na planta original do complexo atrasando o projeto em um ano a fim de acomodar os vestígios arqueológicos e incluiu um pequeno museu para abrigar os artefatos que foram descobertos. Está lá, no centro do complexo, uma adaptação especialíssima.

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Por fora, os três anfiteatros parecem uma grande casca de tartaruga (ou então um besouro), e o inusitado da aparência rendeu um conjunto arquitetônico de brindar o olhar. Os detalhes se estendem ao interior do prédio, com uma acústica impecável, que ganhou vários elogios de Jeff Tweedy durante o show. Para nós, um daqueles acasos que nos faz ficar sorrindo a toa. “É só uma música”, alguém espeta. “É só um prédio”, outro provoca. Bobagem. São coisas que dão sentido à nossa vida caótica, nos fazem felizes, pequenos momentos de paz em meio ao caos. Parabéns Tweedy, parabéns Piano. Vocês fazem… arte.

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Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Maio 30, 2010   3 Comments

Top 30 cervejas a viagem

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Já era esperado, certo. As cervejas belgas de Abadia assumem a ponta do top de cervejas da viagem. No Brasil, uma garrafinha de Chimay sai por R$ 20. Na Espanha, no supermercadp, 1,50 euro (cerca de R$ 4,20). O listão abaixo ainda traz outras novidades como a cerveja de cannabis (bem mediana) e a deliciosa Voll Damm além da Grimbergen. Estou apostando nas novidades. Das 30 cervejas listadas abaixo eu só havia bebido a Voll Damm, a Edelweiss e a San Miguel.

No topo, as Chimay que carregam o selo trapista no rótulo, que denomina as cervejas feitas por monges em uma das sete abadias que seguem o padrão de qualidade (desses sete mosteiros, seis ficam na Bélgica). As Chimay são simplesmente uma delicia, o ponto a se conquistar no quesito cerveja perfeita. Apesar de serem de estilo Abadia, a Grimbergen não são trapistas (valeu pela correção, Tosi), mas não ficam atrás, e a curiosidade é que o alto teor alcoólico de ambas não se percebe no paladar (mas sobe que é uma beleza).

A Cannabia (essa) é interessante, mas o sabor do canhamo (que no conjunto lembra mais o de um chá de erva cidreira) presente na mistura atrapalha a apreciação do malte. E, eu sei que você quer saber disso, não sobe nem dá barato (e é vendida em supermercado). É só uma cerveja com um gosto de erva no meio (que mais atrapalha do que ajuda). Vale pela curiosidade, e só.  Já a Voll Damm é uma pequena obra prima espanhola do estilo Marzenbier coroada por vários prêmio, que já tinha me acompanhado em Madri dois anos atrás (aqui), e volta ao top ten.

1) 5/5 – Chumay Blue, Bélgica (aqui) 9%
1) 5/5 – Chimay Red, Bélgica (aqui) 7%
3) 4,95/5 – Grimbergen Cuvée de l’Ermitage, Bélgica (aqui) 7,5%
4) 4,92/5 – Grimbergen Optimo Bruno, Bélgica (aqui) 10%
5) 4,65/5 – Judas, Bélgica (aqui) 8,5%
6) 4,59/5 – Kout Special Dark Beer 14°, República Tcheca (aqui) 6%
7) 4,50/5 – Grimbergen Blonde, Bélgica (aqui) 6,7%
8 ) 4,02/5 – Voll Damm, Espanha (aqui) 7,2%
9) 3,95/5 – Edelweiss, Áustria (aqui) 5,5%
10) 3,55/5 – Hofbrau Munchen, Alemanha (aqui) 5,1%
11) 3,48/5 – Soproni’s Fekete Démon, Hungria (aqui) 5,2%
12) 2,80/5 – Negra Modelo, México (aqui) 5,2%
13) 2,75/5 – Staropramen Černý (Dark), República Tcheca (aqui) 4,4%
14) 2,74/5 – Kozel Černý (Dark), República Tcheca (aqui) 3,8%
15) 2,73/5 – Pilsner Urquell, República Tcheca (aqui) 4,4%
16) 2,70/5 - Kronenbourg 1664, França (aqui) 5%
17) 2,65/5 – Arany Ászok, Hungria (aqui) 4,5%
18) 2,62/5 - Staropramen Granat, República Tcheca (aqui) 4,8%
19) 2,55/5 - Staropramen Premium Lager, República Tcheca (aqui) 5%
20) 2,54/5 - Gambrinus Svetly, República Tcheca (aqui) 4,1%
21) 2,49/5 - Hubertus Bräu, Áustria (aqui) 3,9%
22) 2,45/5 - Kozel Premium, República Tcheca (aqui) 4,8%
23) 2,10/5 - San Miguel, Espanha 4,8%
24) 2,25/5 - Eggenberg Vollbier, Áustria (aqui) 5,1%
25) 2,09/5 - Wieselburger Stammbräu, Áustria (aqui) 5,4%
26) 2,10/5 - Róna, Hungria (aqui)
27) 2,10/5 - Nastro Azzuro, Itália (aqui)
28) 2,01/5 - Dreher, Hungria (aqui) 5,2%
29) 1,99/5 - Elephant, Dinamarca (aqui)
30) 1,85/5 - Gösser Märzen, Áustria (aqui) 5,2%
31) 1,84/5 - Cannabia, Espanha (aqui) 4,8%
32) 1,00/5 - Gösser Radler, Áustria (aqui) 2,0%

Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Maio 30, 2010   4 Comments

A dificuldade de um hotel em Roma

É preciso muita sorte para achar um hotel bom e barato em Roma. Até as espeluncas são caras. Ano passado quebramos a cara com um albergue. Agora, em que reservei o hotel de véspera (até tentei outro que um amigo falou – esse – mas estava lotado) até que nos saímos melhor, mas esse hotel em que estamos não vale de maneira alguma os 80 euros (cerca de R$ 220) de diária. Com boa vontade, 40 euros. E olhe lá.

O engraçado é que nosso hotel fica quase do lado da Estação Termini (local que abriga a maioria dos hotéis de baixo custo da cidade), num grande prédio que abriga, além dele, mais outros sete hotéis. Isso mesmo. Tem um que é uma estrela. Esse que estamos é duas. E tem outro que é quatro estrelas. Você vai subindo a escadaria e encontra, no primeiro andar, a recepção de um hotel. No segundo é a recepção de outro. No terceiro de outro. E por ai vai. Tipo um hotel por andar.

Comparando com o ano passado já é um avanço. Então imagina como era o do ano passado…

Maio 30, 2010   No Comments

Primavera Sound 2010: Dia 3

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A escalação do terceiro e último dia da edição 2010 do Primavera Sound deixava clara a intenção da organização do festival: com Pet Shop Boys fechando o palco principal à 1 da manhã e Orbital encerrando a maratona no palco Ray Ban à partir das 3 da matina, o negócio era dançar e festejar até o dia raiar. Quase 170 shows depois, o Primavera Sound fechou às portas em 2010 com o saldo extremamente positivo.

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Muitas coisas interessantes pingavam nos palcos cuja curadoria especial era do site Pitchfork (No Age, Lee Perry, The Slits, Dum Dum Girls), da revista Vice (The Drums, Matt and Kim, Gary Numan) e do pessoal do evento All Tomorows Parties (Build do Spill). Ainda tinha coisas dispares como Florence + The Machine (cujo show o El Pais classificou como um “golpe de estado no reinado pop”), Van Dyke Parks e Kimya Dawson, a última numa jam session no palco MiniMúsica.

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Aposta musical da BBC inglesa, o The Drums surgiu no segundo semestre do ano passado causando alvoroço com um ótimo EP independente. Contratados pela Island, o grupo do Brooklin colocou o pé na estrada e promete voar alto. O som é rock inglês tradicional mascado como chiclete, mas a energia dos moleques surpreende e faz parecer que carisma é algo que nasce com a pessoa. Um grande show, mas não solte rojões: a chance de eles se tornarem irrelevantes após três discos (como Kaiser Chiefs, Bloc Party, Interpol e Killers, pra citar quatro) é enorme.

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No segundo maior palco do festival, uma banda que cresce mais a cada dia que passa: Grizzly Bear. O show foi viajandão na medida certa, com momentos comoventes e alguns minutinhos dispensáveis. O pessoal do Flaming Lips precisa tomar cuidado, porque corre sérios riscos de perder seu post dream pop. No palco da ATP, o Build To Spill convertia almas através de guitarradas em um show delicioso… para se ver em pub fechado. O No Age fez aquela catarse que os brasileiros conferiram antes no Popload Gig, ano passado (assim como o Matt and Kim).

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Para fechar a programação pessoal, o Charlatans subiu ao palco com a incumbência de voltar até o distante 1990 recapitulando seu álbum de estréia, “Some Friendly”, e três músicas bastaram para a banda colocar no chinelo a apresentação modorrenta que eles fizeram num Abril Pro Rock, no Brasil, anos atrás. Tim Burgess parece estar envelhecendo com dignidade (embora pareça estar virando o Steve Tyler do britpop), e o show foi correto e divertido (mais tarde eles fariam um pequeno set acústico em uma das tendinhas menores do festival).

Num balanço de um parágrafo, o Primavera Sound recebeu um média de público de 30 mil pessoas por dia e antecipa tendências: o rock de arena parece estar com os dias contados, ou, então, está perdendo um grande espaço para os murmúrios. Foi impressionante ver bandas minimalistas (XX, Beach House, o próprio Grizzly Bear em boa parte do show) tocando para grandes platéias atentas, que não estavam ali para pular, mas sim pelo prazer de escutar uma boa canção. Novos tempos da música pop.

Top 5 de shows
1) Wilco (segundo o El Pais, “no se puede sonar mejor que Wilco”)
2) Broken Social Scene
3) Spoon
4) Grizzly Bear
5) Scout Niblett

Decepção
Pavement (nostálgico e melancólico, tascou o El Pais)

Toquei hits, fiz o público feliz e não sorri
Pixies

Troféu Show Chato pra Caralho
Cocorosie

Cinco shows que eu queria ver, e não vi
Hope Sandoval
Van Dike Parks
Tortoise
Delorean
The Big Pink

Leia também:
- Primavera Sound, Dia 1: The Fall, Superchunk, Pavement (aqui)
- Primavera Sound, Dia 2: Pixies, Wilco, Spoon, The XX (aqui)

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Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Fotos gerais do festival, crédito para Colectivo Anguila (foto 1), Marta Moreiras (foto 2) e Inma Varandela (última).
As demais por Marcelo Costa

Maio 30, 2010   7 Comments

Uma tarde caminhando no El Raval

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Dois anos atrás escrevi que uma das coisas legais do Festival de Benicassim é que quando o festival não tá rolando (tipo manhã e começo da tarde), a galera vai toda pra praia e bodeia. O mesmo não pode ser dito do Primavera Sound, por exemplo. As pernas estão arrebentadas de dois dias insanos de festival (e ainda falta um), mas você está num dia de sol em Barcelona, uma das cidades mais lindas do mundo, e não tem como ficar no hotel de perna para o alto, né. Então, bora camelar.

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O passeio arquitetônico de Lili desta vez nos levou ao bairro El Raval, que antigamente abrigava os bordéis mais devassos da Europa, mas que - de 20 anos para cá - vem passando por uma revitalização, que começou com a inauguração, em 1995, do Macba, o Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, obra do arquiteto norte-americano Richard Meier, que criou um belo prédio branco no meio da paisagem colorida de cortiços de um dos bairros populares da cidade.

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A primeira lembrança que tive foi do Centro Pompidou, em Paris, mas nada a ver com arquitetura, e sim com a ocupação do lugar pelas pessoas. De que adianta fazer um museu ou uma praça que ninguém usa – ainda mais em um bairro degradado. Assim como o museu francês, o Macba virou ponto de encontro de estudantes, skatistas e trabalhadores da região, que encontram-se frente a fachada para fazerem lanches, andar de skate, botecar e paquerar. E beber… orxata.

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O refresco de amêndoas, gergelim e cevada que dá nome à canção que abre o segundo disco do Vampire Weekend pode ser encontrado em uma sorveteria ao lado da Macba, e tem um gosto que lembra alguma coisa que eu e Lili não conseguimos decifrar (risos). É um suco meio pastoso originário de Valência, e os espanhois levam à sério sua fabricação: há até um conselho regulador para garantir a qualidade do produto. Vale experimentar, mas a música é bem melhor.

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Saindo do museu decidimos dar um passeio pelo El Raval começando pelo meio macabro, pero colorido Mercado da Boqueria, uma mistura de cores e culturas bastante interessante. Bobeamos pois fizemos um lanche antes, mas devíamos ter almoçado em alguma casa de tapas por ali, pois os pratos de frutos do mar provocavam (e eu nem gosto de frutos de mar). Descemos até o Palau Guell, de Gaudi, que foi reaberto (só o piso terreo e o subsolo), mas o horário de visita já tinha ido.

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A revitalização que começou 20 anos atrás pelo jeito melhorou muito o El Raval, mas é impossível caminhar pelo bairro sem prestar atenção às faixas que dizem, em catalão, “Volem un barri digne” (”Nós queremos um bairro digno”), uma campanha de moradores e comerciantes visando diminuir o crime e a presença de drogados na região (pelo que entendi, o El Raval tem uma área mais ou menos parecida com a Cracolância, em SP).

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O El Raval apresenta uma Barcelona bastante diferente do Eixample (região desenhada pelo urbanista Ildefons Cerdá, que abriga as maiores obras de Gaudi) e muito próxima ao Barri Gotic. Ficamos caminhando por ali, passamos em frente ao London Bar, na antigamente mal-afamada Carrer Nou de La Rambla (pela sucessão de bordéis e espeluncas), um pub que já foi freqüentado por Picasso, Miró e Hemingway, e ainda hoje promove noites de jazz com música ao vivo. Tomara que a ação dos moradores surta efeitos. O El Raval merece.

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Ou seja, dever (turístico) cumprido. Mais um pedaço de Barcelona para se guardar na memória. Hoje é a última noite do Primavera Sound, e amanhã Wilco em Roma. Aguenta, coração, aguenta.

Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Maio 29, 2010   No Comments

Primavera Sound 2010: Dia 2

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Na programação oficial, 64 nomes divididos em nove palcos. Na programação pessoal, nove. O segundo dia do festival espanhol prometia arrebentar com as pernas da galera, e conseguiu. O primeiro show do dia era para ser o de Hope Sandoval, mas a siesta estendida impediu que chegássemos em tempo de pegar um lugar na enorme fila que levava ao teatro do festival. Fica pra próxima. Rolou de ver a última música do New Pornographers, e o show deve ter sido bem bom. Fecho com chave de ouro.

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No palco ATP, a inglesinha Scout Niblett convertia pessoas comuns em fãs. Com cinco discos já lançados, a menina se diz influenciada pela guitarra de Kurt Cobain (o show é ela na guitarra e um cara na bateria quando não ela sozinha na bateria), mas em alguns momentos é impossível dissocia-la de PJ Harvey, embora Scout seja bem mais calminha. Uma carreira para se acompanhar. O lenga lenga freak folk da dupla Cocorosie levou uma multidão ao palco Ray-Ban com criançinhas africanas no telão e um som que lembrava Enya saindo das caixas de som. Chato.

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Bom mesmo foi o show do Spoon, uma das melhores formações ao vivo da atualidade. Nem o disco novo, que é chatinho, conseguiu tirar a força da cambada de Britt Daniel no palco. O cara parece sentir cada acorde, e consegue passar isso para o público. As músicas novas (três na noite) não deixaram o clima cair, mas foi com hits como “You Got Yr. Cherry Bomb” e “Don’t Me Be a Target” que o gupo fez a apresentação realmente valer a pena. O clima no show do Planeta Terra, anos atrás, estava melhor, mas aqui a banda se superou numa grande apresentação.

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Uma volta rápida ao palco ATP para ver três canções do badalado duo Beach House (acrescido de um baterista) reunir um público excelente e então era hora de ir para o palco principal encontrar Jeff Tweedy, que deu seu recado logo na primeira canção da noite: “Wilco, will love you babe”. Porém, o som em “Wilco, The Song” estava péssimo, e a banda emendou a tempestade sonora de “I Am Trying To Break Your Heart” procurando um caminho no escuro, mas ainda tropeçou nos diversos problemas técnicos.

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“Estamos com problemas, mas acho que agora vai. Vamos começar o show, mas preciso que vocês cantem essa comigo”, pediu Tweedy soltando a voz com “Jesus, etc…”. Atendido. Daí em diante o show engatou coroando, principalmente, a performance arrasadora do guitarrista Neils Cline, que fez números como “One Wing”, “Handshake Drugs”  e “Impossible Germany” soarem… eternas. Hits pra cá e pra lá (“A Shot In The Arm”, “Heavy Metal Drummer”, “I’m The Man Who Loves You”, “Misunderstood”) e um show foda. Se em discos a turma de Jeff Tweedy acomodou-se, ao vivo eles continuam sendo uma experiência redentora. Ou como grifou o El Pais, a melhor banda de rock do mundo.

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Para o final, Pixies… em quaaaaase marcha lenta. Porém, se fosse estático, um show do Pixies ainda seria melhor do que muita coisa por ai (e do próprio festival) tamanha a quantidade de hinos que a banda apresentou no Primavera Sound. Eles foram álbum a álbum tirando o melhor. Assim, “Velouria”, “Is She Weird”, “Allison” e “Rock Music” apresentaram o disco “Bossa Nova”. Já “Tromple Le Monde” foi representado por “Planet of Sound”, pela cover redentora de “Head On” (do Jesus and Mary Chain) e por “Alec Eiffel”.

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O quarteto aumentou o pique das canções na metade do show, e o grosso da apresentação ficou entre “Surfer Rosa/Come on Pilgrim” e “Doolittle”. É só enfileirar as grandes canções: “Monkey Gone To Heaven”, “Debaser”, “Wave of Mutilation”, “Hey”, “Gouge Away”, “Here Comes Your Man”, “Bone Machine”, “Broken Face”, “Caribou”, “Isla de Encanta”, “Holyday Song” e, para o bis, a dobradinha “Gigantic” e “Where is My Mind?”. Até a cover de Neil Young, “Winterlong” mostrou às caras em um show saudosista e comportado, mas ainda assim um grande show.

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O Primavera Sound segue em seu terceiro dia com mais 64 bandas. Tem coisas boas na agenda (The Drums, Build To Spill, Grizzly Bear, Sunny Day Real Estate, Florence + The Machine e The Slits), mas isso depende mais do condicionamento físico do que da vontade de ver mais alguns grandes shows. Pernas, ajudem.

Leia também:
- Primavera Sound, Dia 1: The Fall, Superchunk, Pavement (aqui)
- Primavera Sound, Dia 3: The Drums, Grizzly Bear, Charlatans (aqui)

Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Fotos do show do Pixies, crédito Inma Varandela

Maio 29, 2010   6 Comments

Primavera Sound 2010: Dia 1

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Na programação do dia de abertura do Primavera Sound 2010, 44 bandas iriam se dividir entre sete palcos (esse número vai subir para 59 na sexta e para 64 no sábado). A caminhada de um para o outro nem é tão longa, mas haja pernas e joelhos para descer e subir degraus. Tonificantes rock and roll são vendidos (a saber: cerveja, muita, Jack Daniels com energético e Jagermeister), mas a sensação é de que, por mais que você queira, não vai rolar ver tudo que queria.

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Os portenhos do El Mato a Un Policia Motorizado abriram a minha programação pessoal e fizeram um belíssimo show, melódico e ao mesmo tempo nervoso. Na seqüência, The Fall no palco principal. Mark E. Smith parece um velhinho caduco entre a molecada. Aumenta todos os instrumentos da banda e canta (bem) como um doente. O som que sai das caixas é anos 80 datado (lembra muito PIL), mas se andam copiando muito os anos 80, Mark também tem o direito, afinal ele estava lá.

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O XX, por exemplo, não estava, e impressiona o fascínio que o (agora) trio inglês causa no público. As canções são tristes, melancólicas, escuras e soporíferas. Há uma pontadinha de eletrônica que impede o público de dormir, além da garoa, do vento mediterrâneo e dos hits, todos cantados em coro pela audiência, que tentava dançar as canções sem tirar os pés do chão. A tristeza pode ser bela, diria alguns. Na maioria das vezes ela enche o saco, diria outro. O show do XX fica no meio do caminho. Mundo estranho esse em que vivemos.

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Dos anos 80 para os 90: a Espanha ama o Superchunk. Todo ano algum festival os escala, e a entrega da banda impressiona. As canções são todas meio iguais, um pop punk que engata a sétima marcha nos primeiros dois minutos, desacelera depois do refrão e termina com todo mundo com o braço levantado e pulando muito. É uma receitinha danada que funciona quando bem executada, e o Superchunk tem o dom. O show foi ainda melhor que o do Festival de Benicassim, três anos atrás.

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O grande show da noite, porém, estava por vir. A orquestra rock and roll do Broken Social Scene fez uma apresentação arrebatadora no segundo maior palco do Primavera Sound. A desconstrução das canções tão presente em álbuns funciona muito ao vivo assim como a troca de instrumentos e vocalistas. A banda não perde o controle um segundo sequer (embora soe tremendamente Neil Young em várias passagens), mas Kevin Drew é bem mala quando tenta animar o público. Bastava saber que a música de sua banda já basta. Grande show.

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Para o final, Pavement em versão festival. Ou seja, os shows de três horas de duração da volta aqui se transformaram em uma hora e meia… de hits. Começou com “Cut Your Hair”, teve “Perfume V” e “Spit on a Stranger” no meio e terminou com “Stereo” e “Range Life” (fora o bis com “Gold Soundz”). Stephen Malkmus passa 80% do tempo com a alça da guitarra fora do pescoço, jogando o instrumento pra cá e pra lá, e faz a banda parecer necessitar da bagunça para legitimar a história lo-fi, e isso incomoda um pouco, mas a excelência da execução das canções torna a noite especial.

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O Festival continua nesta sexta-feira histórica que tem, em seqüência, no palco principal Spoon, Wilco e Pixies. Além tem Hope Sandoval & The Warm Inventions, The New Pornographers, Low, Panda Bear, Autoramas e Yeasayer (e mais 50 outros além dos hot sandwiches e da comida mexicana - olhe aqui sem medo. Haja pique). Não vai rolar ver tudo, mas o trio principal não irá passar batido. A gente se vê no caminho.

Leia também:
- Primavera Sound, Dia 3: The Drums, Grizzly Bear, Charlatans (aqui)
- Primavera Sound, Dia 2: Pixies, Wilco, Spoon, The XX (aqui)

Fotos da viagem e dos shows:
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Maio 28, 2010   4 Comments

Barcelona, a cidade dos arquitetos

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O grifo do título é da Lili, mas assino embaixo. O fato de ser casado com uma arquiteta me fez aprender um pouco sobre cidades. E no quesito cidade, indiscutivelmente, Barcelona é a minha preferida entre todas que conheci. Se eu tivesse que copiar uma cidade seria essa. Tudo aqui respira. O transporte público funciona, os grandes passeios convidam, o vento traz o ar do Mediterrâneo pras ruas e as casas de tapas são uma delicia. Barcelona, para mim, é igual qualidade de vida.

Não oficialmente, Antoni Gaudi é o santo padroeiro dos arquitetos. E Barcelona é Gaudi - assim como é Miró e também Cerdá (leia sobre este último aqui), mas a cidade anda se expandindo e ficando high-tech. O que me surpreende é como eles têm conseguido lidar com o desenvolvimento sem negar o passado. Novos arranha-céus espetaculosos surgem a toda hora no fim da Avenida Diagonal enquanto, por outro lado, andaimes continuam reinando sobre a Sagrada Família.

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O jogo de xadrez desenhado por Cerdá continua sendo respeitado assim como o bairro gótico nos faz parecer entrar em outra cidade, mas essa nova área de Barcelona ao fim da Avenida Diagonal (que aproveitou-se do boom das Olimpíadas de 1992), que alguns chamam de bairro americano, tem destaques que impressionam os olhos e parecem funcionar muito bem. O trecho começa na polêmica Torre Agbar (falei dela aqui) e vai até o Parque do Fórum.

É um trecho de três quilômetros onde há espaço para carros, trams, bicicletas e pessoas caminharem ao mesmo tempo sem se misturarem (como no plano central de Cerdá). A coisa toda fluí e a cidade parece caminhar. No meio há o Parque Central de Poblenou, um jardim intergaláctico, obra do arquiteto francês Jean Nouvel (o mesmo do pinto, ops, a Torre Agbar), que pensou nos mínimos detalhes da obra (de cadeira à luminárias até ao piso da área infantil). Simplesmente um deleite.

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Mais à frente temos outro grande parque, o Diagonal Mar, obra dos arquitetos catalães Enric Miralles e Benedetta Tagliabue. Lili já tinha assistido a uma palestra da Benedetta em uma das bienais de arquitetura (segundo ela, na última bienal que valeu a pena), e reconheceu o parque assim que colocou os olhos nele. Há vasos enormes vasos gaudilescos (alguns suspensos no ar), um lago enorme é uma bela área de lazer e descanso.

No final da avenida, quando o azul do Mediterrâneo começa a conquistar os olhos, temos o Parq del Forum, cujo edifício foi construído pelos arquitetos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron. Já conhecia o prédio, pois Tom Waits tocou aqui em 2008 (vim até a porta tentar a sorte de um cambista, mas não rolou), e não gosto dele (um prédio azul marinho com detalhes prateados? Por favor, né), mas gosto de outro do escritório suíço, o Caixa Fórum de Madri (falei dele aqui).

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Ou seja, uma manhã de passeio arquitetônico nos proporcionou várias novidades. Na volta, almoçamos numa casa de tapas na área externa de um shopping, e Lili (finalmente) acertou no pedido (depois de vários tiros n’agua até agora) com os maiores camarões que já vi num prato (aqui). Fui do básico bife argentino, bem bom, acompanhado da refrescante cerveja francesa Kronenbourg 1664 (essa). Ainda passamos no supermercado e fiz um estoque de cervejas belgas de Abadia (nem eu acredito… mas olhe).O Primavera Sound começa hoje. Haja coração.

Leia também
- Barcelona 2009: Joan Miró, Mies van der Rohe e Parq Güell (aqui)
- Barcelona 2009: La Pedrera, de Antoni Gaudi (aqui e aqui)
- Barcelona 2008: Uma foto do Barrio Gotic (aqui)
- Barcelona 2008: Antoni Gaudi, Tom Waits e Barri Gotic (aqui)

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Fotos da viagem:
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Maio 27, 2010   3 Comments

Judas em Barcelona

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Após um vôo de duas horas (o primeiro dos nove que iremos fazer até o dia 15, quando voltamos ao Brasil) aterrissamos no El Prat, em Barcelona. Sol, sol e sol. Isso sim é o som da Primavera. Desfizemos as malas e fomos para as Ramblas, e numa das minhas preferidas da cidade (a Calle Tallers, repleta de lojinhas de Cds) encontramos um bar de tapas ótimo, com uma bela carta de cervejas importadas.

Eu já tinha provado uma dinamarquesa Elephant no aeroporto, 7,2% de pura graduação alcoólica e quase nada de lúpulo. Não curti. Na Calle Tallers, porém, abri a noite com uma mexicana, a ótima Negra Modelo (5,2%), que segue a cartilha das dunkel de Viena, mas é bem mais leve e menos adocicada que a Hubertus Brau, por exemplo. Aprovada. Enquanto isso, um prato com um enorme bife de filé, salada, pimentões e ovo frito, saladas e batatas era colocada em minha frente. \o/

A segunda cerveja da noite foi, na verdade, a primeira da viagem (descontando a Kout, essa sim do grupo das cervejas sensacionais): Judas, uma cerveja belga de alta fermentação com 8,5% de graduação alcoólica, que não são tão perceptíveis assim no conjunto, um tiquinho mais denso que o da Duvel, e tão forte quanto a suprema xará. Percebe-se banana, trigo e mel em algum lugar, mas o paladar é o das grandes cervejas belgas. Top com certeza.

1) 4,65/5 – Judas, Bélgica (aqui) 8,5%
2) 4,59/5 – Kout Special Dark Beer 14°, República Tcheca (aqui) 6%
3) 3,95/5 – Edelweiss, Áustria (aqui) 5,5%
4) 3,55/5 – Hofbrau Munchen, Alemanha (aqui) 5,1%
5) 3,48/5 – Soproni’s Fekete Démon, Hungria (aqui) 5,2%
6) 2,80/5 – Negra Modelo, México (aqui) 5,2%
7) 2,75/5 – Staropramen Černý (Dark), República Tcheca (aqui) 4,4%
8 ) 2,74/5 – Kozel Černý (Dark), República Tcheca (aqui) 3,8%
9) 2,73/5 – Pilsner Urquell, República Tcheca (aqui) 4,4%
10) 2,70/5 - Kronenbourg 1664, França (aqui) 5%
11) 2,65/5 – Arany Ászok, Hungria (aqui) 4,5%
12) 2,62/5 - Staropramen Granat, República Tcheca (aqui) 4,8%
13) 2,55/5 - Staropramen Premium Lager, República Tcheca (aqui) 5%
14) 2,54/5 - Gambrinus Svetly, República Tcheca (aqui) 4,1%
15) 2,49/5 - Hubertus Bräu, Áustria (aqui) 3,9%
16) 2,45/5 - Kozel Premium, República Tcheca (aqui) 4,8%
17) 2,25/5 - Eggenberg Vollbier, Áustria (aqui) 5,1%
18) 2,10/5 - Róna, Hungria (aqui)
19) 2,09/5 - Wieselburger Stammbräu, Áustria (aqui) 5,4%
20) 2,01/5 - Dreher, Hungria (aqui) 5,2%
21) 1,99/5 - Elephant, Dinamarca (aqui)
22) 1,85/5 - Gösser Märzen, Áustria (aqui) 5,2%
23) 1,00/5 - Gösser Radler, Áustria (aqui) 2,0%

Fotos da viagem:
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Maio 27, 2010   No Comments

O bairro judeu e a vodka de maconha

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Praga é dividida em pequenas áreas, que um dia foram vilas, e tudo junto hoje forma a cidade. Cada uma destas áreas tem pontos de interesse turístico: Hradcany é a região do castelo, no alto do morro. Malá Strana tem igrejas e o Museu Kafka. Staré Mesto é o coração de Praga, compreendendo o centro histórico enquanto Nové Mesto é a cidade nova, em que um dos destaques é a Dancing House. Por fim, o Josefov é o bairro judaico.

Surgido no século 13, o bairro judeu de Praga é um dos mais bem preservados da Europa, já que mesmo invadida pelos nazistas, a República Tcheca não atacou tão ferozmente os judeus quanto alemães, poloneses e húngaros. Na região é possível visitar o complexo judaico que conta com quatro sinagogas, um museu e o cemitério, acessíveis com um ingresso único ao preço de R$ 48. Se você quiser fotografar o cemitério, por exemplo, precisa desembolsar mais R$ 4.

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Só para você ter uma idéia, o passe Paseo das Artes, que compreende os três maiores museus de Madri (Reina Sofia, Thyssen e Prado – com obras com “As Meninas”, de Velázquez, “Guernica”, de Picasso, as “Majas” e as “Pinturas Negras”, de Goya e “Quarto de Hotel”, de Hopper) custa R$ 40. Até entendemos não poder fotografar um cemitério por respeito aos mortos, mas cobrar uma taxa extra pelo direito de fotografar (sendo que você já pagou caro para entrar) soa oportunista.

O cemitério é calmo. Sem espaço para enterrar seus mortos, os judeus acabaram sendo obrigados a sobrepor lápides umas às outras. A mais antiga data de 1439 e a última de 1787 (Kafka está enterrado no outro cemitério judeu de Praga). São 12 mil sepulturas e estima-se que mais de 100 mil judeus estejam enterrados aqui (aproximadamente dez em cada sepultura). O clima me passou paz, ao contrário dos grandes cemitérios grandiloqüentes cheios de estátuas e mausoléus.

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Visitamos duas sinagogas (a Pinkas traz em suas paredes o nome de 80 mil judeus tchecos mortos pelos nazistas) e saímos novamente a caminhar pelo velho centro da cidade, e no lugar que abrigou a comemoração do campeonato mundial de hóquei no gelo no domingo, hoje havia uma feira de ciências (mas os wursts e a cerveja continuam sendo vendidos normalmente). Terminamos à noite num café lavanderia pertinho do hotel bebendo cerveja (a 19ª) e lavando roupas.

Já já partimos para Barcelona (e para Pavement, Wilco, Pixies, Spoon, XX e muito mais). Deixo Praga querendo ter feito muito mais coisas. Não rolou de ir a Pilsen conhecer a fábrica da Pilsner Urquell muito menos de ir conhecer a Lodenice, uma fábrica de vinis numa cidade vizinha à Praga. Nem rolou beber Absinto (aprecie com água, açúcar e moderação, tinha avisado a Luana) e nem de experimentar a vodka de maconha (“É para beber, não fumar”, dizia o anúncio). Mas a gente volta.

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Ps1: Fiquei viciado neste pão tcheco furado, que não sei o nome (aqui)

Ps2: A décima nona cerveja da viagem foi uma boa Kozel Dark (aqui)

Ps3. Meu roteiro para o Primavera Sound, por enquanto, é esse (aqui)

Ps4: Queria levar uma garrafa de Absinto e uma de Vôdega Cannabis pra casa, mas não rola. Imagina que temos nove vôos pela frente até voltarmos ao Brasil, dia 15 de junho. Uma hora dessas ela ia quebrar.

Ps5: Terminando de baixar Lost, mas não teve como não ver os comentários no Twitter. Um dos melhores, mesmo sem termos visto o episódio “The End” (download quase no fim), foi do grande @diegomaia: “Chegar ao fim de Lost é como terminar um namoro que passou por altos e baixos, te deu alegrias e tristezas e acabou sem fazer muito sentido”. Gênio :~~~

Ps6: Almoçamos em um bar cubano na terça-feira. Médio. Lili pediu camarões, e vieram mais pimentões que camarões no prato dela. Já o meu espaguete a la matriciana estava bem bom. Que doideira também pedir um prato italiano num restaurante cubano na Repúblicta Tcheca…

Ps7: Domingo, Roma. Segunda, Atenas. Depois Istambul e Londres. Muito chão (ou céu) pela frente ainda.

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Maio 26, 2010   2 Comments

Perambulando nas ruazinhas de Praga

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O mundo tem centenas de milhares de cidades, mas poucas devem merecer o adjetivo de encantadoras com todas – mas muito poucas mesmo – as doze letras que compõe a palavra. Chuto umas dez cidades, mas só consigo pensar em duas ou três neste momento: Paris, Veneza e… Praga. Amo Barcelona, mas a cidade espanhola é uma conjunção de diversos fatores que me atraem (Gaudi, o projeto urbanístico do Cerdá, o Mediterrâneo) e que me fazem ter vontade de morar nela, mas essa paixão é algo mais racional que passional.

Já Paris, Veneza e Praga são passionais. Assim que você atravessa os limites da cidade, já sabe se a amou ou se a odiou. Me apaixonei por Veneza desde a janela do avião, observando aquele monte de casinhas entre a água. Por Paris foi diferente. Odiei o hostel que tinha reservado, estava num dia péssimo, e um norte-americano de New Jersey, observando minha ira, aconselhou: “Você tem um mapa? Faz o seguinte: nós estamos aqui. Pega a Rua do Commercio que você vai sair na Torre Eiffel. Depois atravessa, vai no Arco do Triunfo e desce a Champs Elysees”. Precisa dizer mais?

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Já Praga… Acordamos às 4h20 em Budapeste para pegarmos o trem naquela estação macabra às 5h28 com previsão de seis horas de viagem. A viagem foi monótona, com exceção de um grupo de alunos (média 16 anos) que entrou no nosso vagão já na República Tcheca (o trem que sai da Hungria ainda passa pela Eslováquia) e causou (um deles arremessou a mochila no bagageiro. Segundos depois um líquido vermelho começou a escorrer. Era uma vez uma garrafa de vinho escondida). Engraçado eram os amigos tentando esconder os vestígios da professora.

Chegamos ao hotel após uma boa pernada (erramos o lado de saída do metrô), desfizemos as malas e fomos para a rua. A Charles Bridge estava completamente abarrotada de turistas (enfim, eles chegaram. E nós também). Almoçamos no centro da cidade (Lili arriscou no coelho, e aprovou. Fui do meu steak básico, que perde para o de Budapeste), e saímos a caminhar pelas ruazinhas de Praga sem destino certo (algo delicioso de se fazer numa cidade antiga).

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Chegamos na praça principal, dividida entre turistas e torcedores que iriam acompanhar a final do campeonato mundial de hóquei no gelo (os tchecos enfrentavam os russos – contei aqui). Subimos na torre da antiga prefeitura (construída em 1338), observamos a visão esplendorosa da cidade e depois partimos caminhando por ruazinhas sem destino, um deleite para a alma. São tantas coisas pra se ver na cidade que o mais correto é relaxar e deixar-se levar pelo vento, pelas ruas que pedem seus pés, sem pirar em obrigações. Isso se chama férias.

Praga é uma cidade especial porque parece ter preservado com naturalidade sua personalidade sem se render a brutalidade e impessoalidade do mundo moderno. Os bondinhos passeiam pelas ruas e dão um charme especial ao conjunto. Os prédios antigos estão em ótimo estado, e convidam a contemplação. Há prédios novos (como o lirico “Dancing House”, de Frank Gehry e Vlado Milunic) e centenas de cafés convidativos. E há a Charles Bridge, o conjunto do castelo, o bairro judeu, as cervejas, as comidas, as mulheres mais lindas do mundo (grifo do amigo Carlos)…

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Choveu (e ventou) muito na segunda. Nosso guarda-chuva morreu (assim como todos aqueles de Budapeste) e chegamos completamente ensopados no hotel, mas o dia todo valeu muito a pena. Entramos na St. Vitus Catedral, a impressionante (mais por fora do que por dentro) catedral gótica que começou a ser construída em 1344 (para ser finalizada quase 600 anos depois, em 1929) e que reina no alto do morro do castelo. Um misto de contemplação e receio toma a alma do espectador, e nos leva para uma época em que a religião doutrinava através da beleza, mas também do medo.

Pertinho da igreja está a Golden Lane, uma ruazinha estreita com casinhas de trabalhadores que prestavam serviços no palácio real. Queríamos ver a casa em que viveu Franz Kafka entre 1916 e 1917, mas a vilinha está fechada para reformas. Uma pena. Deixamos a região do castelo medieval debaixo de chuva. Esta terça é nosso último dia na cidade, mas ficamos felizes porque queremos voltar. Praga (assim como Paris e Veneza) não é uma cidade em que você passa apenas uma vez na vida. É daquelas raras paixões que vão e voltam. E esperamos muito que ela volte para nós.

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Maio 25, 2010   8 Comments

Top 18 cervejas da viagem

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Temos uma nova líder no ranking de cervejas da viagem. A Pivovar Kout na Šumavě (site oficial aqui) é uma cervejaria que abriu as portas em 1736, parou de fazer cervejas em 1969 e retornou em 2006 com uma pequena produção que, segundo consta, é difícil de encontrar mesmo na República Tcheca. E é simplesmente deliciosa, uma combinação absolutamente perfeita de malte, lúpulo e água que impressiona.

Bebi a versão 14° com 6% de graduação alcoólica. Há, ainda, uma versão 18° com 8%. Encontrei ela em Praga no Café Celeste, que fica na Dancing House, o prédio que Frank Gehry desenhou ao lado do arquiteto esloveno Vlado Milunic, uma pequena obra de lirismo às margens do rio Vltava. Fica a dica (com acréscimo de uma dica da Luana): se estiver em Praga procure a Pivovar Kout no Café Celeste. Consumindo algo no café você tem o direito de subir ao restaurante, no último andar, e vislumbrar-se com a vista da cidade.

A Kout não foi a única cerveja do dia. Nosso hotel, o ótimo Angelis, fica em frente da fábrica da Staropramen, a segunda maior cervejaria da República Tcheca (suspeito que a Pilsner Urquell seja a primeira) com uma produção de 36 mil garrafas de cerveja por hora. Aproveitamos a manhã de sol e pegamos um tour em inglês na cervejaria, que explica o processo de produção da cerveja e várias curiosidades interessantes.

A Staropramen integra o super grupo Inbev/Ambev, das qual fazem parte a nossa Brahma, a alemã Becky’s e as belgas Hoegaarden, Leffe e Stela Artois, carro chefe da multinacional. “Temos que fazer Stela Artois aqui. Eles nos mandam o malte especial da cerveja, e a produzimos. Garanto: a nossa Stela Artois é melhor que a belga”, ironizou a garota que conduzia o tour. No fim, cerveja direto da cervejaria. Provamos as três versões da Staropramen, boas, mas básicas. Abaixo, o listão atualizado.

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1) 4,5/5 – Kout Special Dark Beer 14°, República Tcheca (aqui) 6%
2) 3,9/5 – Edelweiss, Áustria (aqui) 5,5%
3) 3,5/5 – Hofbrau Munchen, Alemanha (aqui) 5,1%
4) 3,4/5 – Soproni’s Fekete Démon, Hungria (aqui) 5,2%\
5) 2,7/5 – Staropramen Černý (Dark), República Tcheca (aqui) 4,4%
6) 2,7/5 – Pilsner Urquell, República Tcheca (aqui) 4,4%
7) 2,6/5 – Arany Ászok, Hungria (aqui) 4,5%
8 ) 2,6/5 - Staropramen Granat, República Tcheca (aqui) 4,8%
9) 2,5/5 - Staropramen Premium Lager, República Tcheca (aqui) 5%
10 ) 2,5/5 - Gambrinus, República Tcheca (aqui) 4,1%
11) 2,4/5 - Hubertus Bräu, Áustria (aqui) 3,9%
12) 2,3/5 - Kozel Premium, República Tcheca (aqui) 4,8%
13) 2,2/5 - Eggenberg Vollbier, Áustria (aqui) 5,1%
14) 2,1/5 - Róna, Hungria (aqui)
15) 2/5 - Wieselburger Stammbräu, Áustria (aqui) 5,4%
16) 1,9/5 - Dreher, Hungria (aqui) 5,2%
17) 1,8/5 - Gösser Märzen, Áustria (aqui) 5,2%
18) 1/5 - Gösser Radler, Áustria (aqui) 2,0%

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Maio 25, 2010   No Comments

República Tcheca 2 x 1 Rússia

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Imagine um gringo solto na avenida Paulista no dia da final da Copa do Mundo de Futebol, com Brasil e Argentina disputando a taça. Foi mais ou menos o que aconteceu conosco, soltos em Praga na Staromestské Namesti (a praça mais linda do mundo, grifo - que assino embaixo - do amigo Carlos) no domingo, acompanhando com o povo tcheco a final do Campeonato Mundial de Hóquei no Gelo, em que a República Tcheca bateu os até então invencíveis russos (os caras não perdiam uma partida desde 2007!!!!) na final por 2 a 1.

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O clima de agito começou logo cedo. Assim que chegamos em Praga, ao meio dia, desfizemos as malas e partimos atrás da Charles Bridge, ponte de 500 metros construída em 1357 que traz, em seu percurso, 30 diferentes estátuas e esculturas e é deslumbrante. Deslumbrante. Totalmente tomada por turistas, a ponte e o centro da cidade pareciam nos ter colocado na alta temporada do verão europeu, tamanha a quantidade de pessoas caminhando, se esbarrando e comprando bugigangas nas ruas estreitas de Praga. Até então, na rua só turistada e tchecos só nas lojinhas.

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Porém, na Staromestské Namesti, dezenas de camisetas dos Czech coloriam a praça em vermelho, branco e azul. Bandeiras eram pintadas no rosto enquanto cerveja, wurst e um delicioso espetinho de frango (esse aqui) eram consumidos em doses cavalares pelos presentes. Na semifinal, a Suécia bateu a Alemanha e ficou com o terceiro lugar (e os tchecos torciam pela Alemanha). No entanto, o grande momento da noite iria acontecer com o dia morrendo atrás do Castelo de Praga, a praça abarrotada e a confiança dos torcedores (e das torcedoras - aqui) na vitória praticamente impossível.

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Os tchecos abriram o placar aos 20 segundos ampliando para 2 a 0 logo depois. É irônico como os os esportes se repetem. Com 2 a 0 de vantagem, os tchecos recuaram, e a Rússia foi à frente. À três minutos do final, os russos deram cinco chutes perigosos à gol, um deles batendo na trave do goleiro tcheco. Mas, com 35 segundos pro jogo acabar, o russo Datsyuk acertou uma porrada de primeira, indefensável, e diminuiu. Os 30 segundos seguintes foram enlouquecedores, e a torcida contou os dez segundos finais em festa. República Tcheca campeã (e nós em Praga).

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Voltando de tram para o hotel percebemos que vários telões estavam espalhados pela cidade. A torcida comemorava a vitória que, para você sentir o peso da coisa toda, teve direito até a presença do presidente tcheco Vaclav Klaus nos vestiários parabenizando o time campeão. Não sei se há uma grande rivalidade entre a República Tcheca e a Rússia (como a nossa com os argentinos), mas é de se imaginar que algo exista, já que os russos invadiram a Tchecoslováquia nos anos 60 e assumiram o poder. Política e esporte se misturam no imaginário, mas quem dorme feliz hoje são os tchecos.

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Maio 25, 2010   No Comments

Uma semana depois

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Chegamos ao fim da primeira semana de nossa viagem, e nesta madrugada nos despedimos de Budapeste com o coração muito mais feliz. Chegamos aqui no sábado passado debaixo de chuva e frio, e tudo soou abstrato demais. Jantamos um goulash e fomos dormir. No domingo, como a Luana já tinha nos avisado, o comércio fecha, e assustados com a frente fria e a chuva ninguém foi  ruas. Só nós e os turistas orientais. Mas é o povo que faz uma cidade ser uma cidade.

Deixamos Budapeste na segunda-feira em direção à Viena com uma desconfiança na alma. Todo mundo fala tão bem da cidade, e a gente ficou meio assim com ela. Viena, por sua vez, é um encanto. O que é cinzento em Budapeste, em Viena é colorido. Me apaixonei pela cidade nos primeiros dois dias, mas depois a paixão diminuiu, e ainda precisa entender o motivo, mas quero voltar e caminhar pelas ruas em que Jesse e Celine se conheceram.

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Quase descartamos a volta para Budapeste. Chegamos planejando uma maneira rápida para ir logo para Praga, mas o sol nos abraçou, e a cidade renasceu alegre numa noite suave. Tiramos fotos noturnas, caminhamos ao lado do Danúbio, comemos comida húngara e, neste sábado, seguimos com a multidão de turistas para o alto de Buda, conhecer um belíssimo centro histórico e observar a cidade viva e triunfante lá de cima.

Com exceção do banho termal no domingo passado, não entramos em nenhum outro “monumento” em Budapeste. Essa coisa de “ter” que ver tudo cansa muito. O melhor é caminhar a esmo, sentindo a cidade, parando em um café, descobrindo um novo prato (ou uma nova cerveja). Observando o mundo se mover. Até tentamos entrar no labirinto subterrâneo, mas boa parte dos lugares na cidade (mesmo restaurantes) só trabalham com dinheiro vivo, então fica para a próxima.

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Até corremos atrás de ir ao Memento Park, o local distante da cidade em que hoje repousam as enormes estátuas de lideres comunistas. O avançado da hora, no entanto, nos impediu, e decidimos tirar uma soneca para, mais à noite, observar a cidade de novo. Não vou dizer que me apaixonei por Budapeste, mas ela já soa muito mais interessante para mim agora. E o magyar, Chico Buarque só pode estar certo, deve ser a única língua que o diabo respeita. Mesmo.

Sofremos razoavelmente com cardápios, informações e direções nessa primeira semana, mas o que dizer quando o alemão é a língua mais simples que encontramos nesses dias. O eslovaco tem suas nuances, mas nunca vou esquecer da senhorinha me explicando que o tíquete que tínhamos comprado também valia para outro museu. Ele explicou pausadamente, mas neste momento não consigo lembrar de uma sílaba sequer. Uma letra que seja.

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Já o  magyar, meu deus. Lili tem dito que um dos fatores que faz da Keleti Pu, a estação de trens que recebe a grande maioria das viagens internacionais que chega a Budapeste, ainda mais assustadora é a voz que sai pelos alto falantes informando horários de trem. É uma voz séria sem nenhuma nuance de altos e baixos. A e Z podem soar exatamente igual. A gente até tenta entender, mas não consegue. É bem frustrante ao mesmo tempo que é tão rico.

Pois uma das coisas interessantes dessa semana foi que passamos por três países cujas áreas territoriais são menores que o estado de Santa Catarina, e a maior população (do país todo, não das capitais) é praticamente a mesma da cidade de São Paulo, mas mesmo assim eles são todos diferentes uns dos outros. A começar pela língua, passando pela comida e pelo próprio jeitão do povo, tudo é muito particular em Budapeste, Bratislava e Viena.

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O mesmo também deve ocorrer em Praga. Chegamos na cidade ao meio dia, fazemos o check in e partimos para a luta. Nossos amigos nos encheram de dicas sobre a cidade (o que, por exemplo, não aconteceu com as cidades anteriores), o que me faz pensar que a maioria gostou mais de Praga do que de suas vizinhas. Não vou criar expectativas, não vou. Na quarta pousamos em Barcelona, e na quinta começamos a maratona de shows do Primavera Sound. Meu rascunho de line-up é esse aqui. Mas até lá tem muita pilsen para ser bebida ainda…

Ps1. Essa última foto é de uma dupla de músicos que estava enchendo de melodia uma das áreas de Buda. É incrível como ainda me emociono com músicos de rua, mas eles causam um sentimento especial em mim. Eles são… poesia. Ainda mais percebendo que, apesar de seus rostos alegres quando ouvem o tilintar de moedas no chapéu, a música é triste.

Ps2. O top de cervejas da viagem já tem uma nova líder. Neste momento são 14 as cervejas listadas,  o que resulta numa média de duas por dia, quase sempre uma no almoço e outra no jantar (hoje, exceção, foi uma no café da manhã). Quem toma a liderança é a Edelweiss (essa), que eu já tinha bebido (e escrito aqui) no Brasil. No cardápío tinha Soproni’s (uma delicia), Dreher e ela, e optei por uma diferente. A outra do dia foi uma Róna (essa), daqui de Budapeste mesmo, bem básica. Quando chegar à 15 (provavelmente amanhã) publico o top novamente.

Ps3. Um casal de noivos tentava, insistentemente, fazer fotos no alto de Buda. Fiz um clique que me lembrou “Embriagado de Amor”, do Paul Thomas Anderson (aqui)

Ps4. Descobri só agora que o show do Wilco em Roma será no Auditório Parco Della Música, obra de um dos maiores arquitetos do mundo, o italiano Renzo Piano (aqui)

Ps5. Seis horas de trem separam Budapeste de Praga. O trem sai às 5h28. A noite será curta e a viagem, longa.

Ps6. Choveu umas 15 vezes hoje, chuva curtinha. E depois da chuva abria um solarão. Que seja sempre assim.

Ps7. Nos próximos sete dias terei Pixies, Pavement e dois shows do Wilco pela frente. Que meu coração seja forte.

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Maio 22, 2010   1 Comment

E no sétimo dia apareceu o arroz…

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A passagem que compramos de Viena para Budapeste tinha parada em uma cidadezinha da Hungria, antes de chegar na capital. Perguntamos no setor de informações da estação em Viena, e nos avisaram que seria ok descer lá, mas tínhamos que seguir no mesmo dia, senão perderíamos a passagem. E foi assim que acabamos passando algumas horas em Györ, uma cidade de 130 mil habitantes muito mais húngara que Budapeste.

Nada contra Budapeste, por favor, mas qualquer grande capital cosmopolita traz no sangue de seu povo a personalidade do país, mas é no interior que você percebe com mais facilidade o semblante de uma nação. Em Györ, caminhamos por ruelas antigas, visitamos uma igreja que guarda um retrato de uma Maria que chorou sangue por três horas em um St. Patricks Day, 300 anos atrás, e não entendemos patavina do magyar, a língua húngara, mas valeu a pena a parada.

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Chegamos em Budapeste com o sol marcando presença, e a cidade até sorriu para nós. Para você ter uma idéia, chegamos aqui já pensando em Praga, procurando uma maneira de ir para a República Tcheca o quanto antes possível. Porém, o sol animou a cidade (ao contrário da semana passada, em que na chuva não se encontrava viva alma na rua), e Budapeste ficou muito mais agradável, tanto que decidimos sair para provar pratos da culinária húngara.

Escolhemos (via indicação do nosso guia “O Viajante Independente”) o Fatâl, um restaurante de comida local na principal rua de comércio da cidade, a Vaci, número 67. Lili escolheu um Vörösboros Marhapörkölt  (ou beef gulyas: esse aqui) enquanto fui de Hátszin Füszervajjal (ou, simplesmente, steak com ervas: esse aqui). Pela primeira vez em uma semana vimos arroz em um prato, o meu, já que no da Lili era macarrão húngaro (muita batata) com algo que nós conhecemos como strognoff. Lili aprovou, mas um prato dela serviria nós dois, fácil.

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Já o meu prato era uma beleza. Tenho certeza que Tiago Agostini, Rodrigo Levino e o Argentino, meus companheiros de Degas, na Pompéia, iriam se deliciar com o pedaço caprichado de bife. Perceba na foto (aqui) o cubo de manteiga com ervas aromáticas, que confere ao prato um sabor especial. O bife (mal-passado) vem sobre uma porção de batatas coradas e rodeado por legumes além de duas porções de arroz branco. Lindo de ver, uma delicia de comer.

Para acompanhar, a 12ª cerveja da viagem. Antes dela, porém, com méritos, a 11ª, uma deliciosa draught beer húngara chamada Soproni Fekete Demon, uma delicia escura que peguei na estação de trem em Györ, e vim bebendo no trem. No Fatâl, a cerveja do jantar foi a tradicionalíssima Pilsner Urquell, diretamente da cidade de Pilsen. Lili matou a charada no primeiro gole: “Lembra as brasileiras”. Boa para acompanhar o prato e, quem sabe, para um porre. Saímos felizes para caminhar e fotografar Budapeste à noite.

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Animados pelo sol vamos tentar aproveitar bem o sábado. Vamos para Buda logo de manhã, e a noite queremos conferir outro restaurante citado pelo guia. Nosso plano é partir para Praga às 5 da manhã do domingo, chegar lá por volta do meio dia, e ainda aproveitar um pouco da cidade com as dicas que temos do Carlos, da Luana e do Felipe. Já sabemos que não vamos conseguir ver e fazer tudo, mas relaxamos: a idéia é se divertir enquanto temos tempos. Um dia a gente volta com calma (nem chegamos e já estamos pensando em voltar).

Antes disso, porém, temos um dia de sol em Budapeste \o/

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Maio 22, 2010   No Comments

Bratislava, pequena grande cidade

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Ou “little big city”, frase estampada em ônibus e cartazes por toda a capital da Eslováquia, resume bem o espírito dessa cidadezinha de interior (com quase 500 mil habitantes) que se transformou na capital de um país com a separação da Tchecoslováquia, em 1993. Ou Bratislover, como vende a campanha de turismo, que é irresistível: por apenas 14 euros você tem direito a trem ida e volta  Viena/Bratislava – Bratislava/Viena e livre acesso a trams e onibús na capital eslovaca. Imperdível.

A Eslováquia tem uma história sofrida. Seu território foi populado pelos celtas, romanos, germanos e eslavos. Os húngaros anexaram o país em 907. Em 1500 passaram para o domínio dos otomanos e no começo do século XX viveram sobre a sombra do império Austro-Húngaro.. Entre 1939 e 1945  caiu sobre o domínio da Alemanha nazista (junto a República Tcheca) e, depois, em 1968 foi invadida pela Rússia, tornando-se uma nação independente apenas em 1993.

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A separação da República Tcheca pode ter efeito político e econômico, mas o povo parece ainda respirar sobre a união dos países. Em um pub pedi uma cerveja da República Tcheca, que o garçom me avisou ser “nacional”. Os prédios comunistas, imponentes e todos iguais, cortam o céu do outro lado do Danúbio, mas a história da Eslováquia e de Bratislava respira em um belíssimo centro histórico, que nos lembrou algo entre Ouro Preto e Bruges (e, talvez, Tiradentes).

São várias igrejinhas umas próximas às outras, com um q de barroco. E alguns prédios históricos que datam dos séculos 11 e 12. Num deles, a torre Michalská Brána (Portão de São Michel), que tem uma bela vista panorâmica de todo o centro histórico e funciona também como museu, três senhoras tomam conta do acervo. Peço a uma delas para me ensinar a falar obrigado em eslovaco. Ela tenta: “D’akujem”. Me enrolo, mas acho que passo no teste.

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Olhamos a vista, admiramos a paisagem, e quando deixamos o prédio, a mesma senhora nos chama. Ela fala em bom eslovaco. Gestualiza e, em seguida, fala pausadamente, como se o eslovaco fosse mais fácil de se entender silaba a silaba. Pesco umas três palavras no monólogo, e deixamos o lugar sorrindo sem entender patavina. Olho para o ticket de entrada do museu, e a ficha cai: “ele também dá direito a entrar no museu da farmácia ali naquela curva”, dizia ela, voz, mãos e simpatia.

Passamos um bom tempo caminhando a esmo, encantados pela cidade. Subimos até o castelo, que fica no alto de um morro, e exige bem das pernas, mas a vista é magnifica. Pena não termos chego um dia depois, pois no dia seguinte começa no local o Slovack Food Festival, que irá durar todo o fim de semana. Tentados, saímos à procura do prato local: bryndzone halusky, um nhoque (com mais batata que trigo) com queijo acompanhado de cubinhos de bacon. Aprovado.

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Batendo perna nas ruas da cidade, nunca vi tantos pares de olhos azuis quanto aqui. E as meninas são bonitas, nariz meio pontudo (mas diferente das italianas), reto e charmoso, rosto angelical. São quase 19h e o dia ainda está claro (sinal de que os dias de verão estão realmente chegando). A temperatura fica em torno dos 14 graus, mas o problema é o vento forte e cortante (será culpa do Danúbio?, questiona Lili). Voltamos para Viena felizes após um dia perfeito.

É nossa última noite em Viena, e estamos cansados. Como estamos fazendo esse tour pré-verão, as ruas estão mais vazias de turistas, e apenas os velhinhos e os orientais dividem as áreas “famosas” conosco. Faltou muita coisa para se ver em Viena, o que já garante que iremos (e queremos) voltar (tendo revisto “Antes do Amanhecer”) um dia além de partir para outros cantos da Áustria (Salzburgo e Innsbruck na lista).

Nossa próxima parada é (novamente) Budapeste (talvez Györ, talvez).

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Maio 21, 2010   2 Comments

Top 9 de cervejas da viagem

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Era pra ser um Top 10 da primeira semana, se eu tivesse conseguido beber a Eggenberg Vollbier que está na geladeira do hotel, mas ficamos por enquanto com um Top 9. Por estes lados da Europa a cerveja é essencialmente pilsen, que eu gosto, mas nem tanto assim. Tanto que é uma de trigo que lidera a lista. Entraram duas boas pilsners da República Tcheca no top hoje:  a Staropramen e a Kozel Premium.

A primeira eu bebi em um pub (com jeito de balada) em Bratislava. No cardápio apareceram as belgas (Leffe e Hoegaarden) pela primeira vez, mas quis experimentar outra. O garçom queria empurrar a “clássica” Stela Artois, mas acabei pedindo uma cerveja “nacional”, segundo ele (apesar da Eslováquia ter se separado da República Tcheca 17 anos atrás).

A Staropramen é uma pilsen bastante suave para os seus 5% de teor alcoólico. A Kozel Premium (4,8% de teor alcoólico) segue na mesma linha, um tiquinho menos lupulada, o que a deixa, claro, um pouco mais amarga. Pelo jeito, as próximas cervejas a entrar na lista (além da Eggenberg Vollbier) serão todas da República Tcheca. O chapa Felipe Schuery, inclusive,botou pilha para eu ir visitar a fábrica da Pilsner Urquell, em Pilzen. Acho que vai rolar…

1) 3,5/5 – Hofbrau Munchen, Alemanha (aqui)
2) 2,6/5 – Arany Ászok, Hungria (aqui)
3) 2,5/5 - Staropramen, República Tcheca (aqui)
4) 2,4/5 - Hubertus Bräu, Áustria (aqui)
5) 2,3/5 - Kozel Premium, República Tcheca (aqui)
6) 2/5 - Wieselburger Stammbräu, Áustria (aqui)
7) 1,9/5 - Dreher, Hungria (aqui)
8 ) 1,8/5 - Gösser Märzen, Áustria (aqui)
9) 1/5 - Gösser Radler, Áustria (aqui)

Ps. Não deixe se enganar pela foto. Lili até prova as minhas cervejas, mas o negócio dela é vinho seguindo o lema: “Se uma taça por dia faz bem à saude, o que dirá uma garrafa”.

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Maio 20, 2010   No Comments

E então, no quinto dia, o sol apareceu

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Apareceu naquelas: o vento frio estava ali para nos lembrar que a primavera ainda não terminou no velho mundo, mas só de ver o solzinho dar às caras já ficamos animados. Tudo bem que não foi um sol por muito tempo, e a manhã terminou cinza e nublada enquanto a tarde recebeu uma garoa leve, mas os ventos não cessaram um segundo.

Começamos o dia no MuseumsQuartier conferindo as exposições no Leopold Museum e no Mumok. Compramos um ticket para os dois (que com o desconto do Viena Card saiu por 11 euros), mas batendo os dois juntos no liquidificador não dá metade do L’Orangerie, em Paris. Acervo fraquinho, com dois ou três belos Klimt (“Tranquil Pond”, “Attersee”) e alguns Egon Schiele que se revelaram uma surpresa (Lili, que entende mais do assunto do que eu, amou).

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Para mim, os prédios (dois caixotões bacanas) me impressionaram mais do que as obras em si. Gostei muito das paisagens do Schiele (“Crescent”, “House II”) do que de seus retratos nervosos. Praticamente um filho de Gustav Klimt, Schiele é um excelente representante do expressionismo austríaco, e morreu aos 28 anos vítima da gripe influenza espanhola, três dias depois de sua esposa, que estava grávida de seis meses. Talvez seus quadros mórbidos já soubessem da tragédia.

Porém, se você quiser ver Schiele e Klimt em Viena, vá ao Belvedere, o tal palácio em que viveu Franz Ferdinand. O local em si é uma atração à parte, um imenso castelo com jardins ao estilo francês (uma cópia de segunda categoria, na verdade, assim como as esculturas, terríveis perto das de qualquer pracinha italiana) que abriga obras de Renoir, Monet, Degas e Van Gogh, além de duas salas repletas de Schiele e mais duas com obras de Klimt, incluindo a mítica (e bela) tela “O Beijo”.

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Antes de partir, paramos em um café grego em frente à entrada do Belvedere. Tomei o melhor goulash da viagem (acompanhado de pikla, um delicioso pão com alho feito na casa) enquanto Lili arriscou um topfenstrudel. Para não irmos direto para o hotel, decidimos conferir qualé a do Gasometer, quatro imensos prédios que foram recuperados por grandes arquitetos (entre eles, Jean Nouvel, aquele do “pinto” em Barcelona – falei aqui).

Fiquei curioso pelo prédio pois, no dia do BRMC, vi um cartaz que anunciava um show do Wilco lá (em setembro, acho). E o lugar é sensacional. Os quatro arquitetos (cada um pegou uma torre do gasômetro) piravam e construíram um interessante centro comercial que, também, abriga apartamentos, academia de ginástica, casa do shows e é interligado com um complexo de entretenimento com cinema e outras coisas. Um deslumbre.

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Além dos quatro prédios remodelados, o complexo (chamado de Gasometer City) ganhou um prédio todo recortado na frente, e um conjunto de cinco prédios verdes e tortos ao fundo, como se o vento do centro tivesse movido os blocos de lugar. Interessantíssimo. Aproveitamos que estávamos por ali e saímos às compras: mais uma blusa de frio pra Lili, uma garrafinha de vinho (para ela), duas novas cervejas (para mim), queijo brie, Pringles e alguns docinhos.

Nesta quinta faremos um bate e volta na capital do país vizinho, a Eslováquia. Vamos para Bratislava dar uma olhada rápida, e voltamos à noite para arrumarmos as malas e voltarmos para mais dois dias de Budapeste (mais Buda que Peste). Praga já começa a pintar em nosso trajeto. Domingo estaremos por lá.

Ps1. Lili viciou no apfelstrudel

Ps2. Se você está na Áustria, faça como os austríacos e almoce hot dog com wurst. Não tem como não achar engraçado. O cara tem uma máquina que tira o miolo do pão, e é ali que ele introduz o salsichão (que pode ser apimentado, sem pimenta e aquele marrom, que ainda não provei – e não tenho muita coragem). E ele pergunta: “cat chup e mostarda?”. E é só isso, mas sabe que fica bão! :~

Ps3. Seguindo a dica do grande amigo Carlos saímos atrás de alguns lugares que serviram de cenário para “Antes do Amanhecer”. Juro que eu não lembrava que Jesse e Celine desciam em Viena, e passavam o dia na cidade (e a noite no parque). Encontramos a ponte, mas preciso rever o filme para clarear a memória. Para mim, a cena em que o casal encontra o grupo de teatro era em outra ponte e não nessa (aqui). A rever.

Ps4. Em Paris, ano passado e retrasado, visitei a Shakespeare and Co., local que serviu de cenário para “Antes do Por-do-Sol” (aqui). Jonathan Safran Foer estava por lá também lendo trechos de seu novo livro, “Eating Animals” (contei aqui)

Ps5. No supermercado havia um Erdinger Dunkel de rótulo marrom que nunca cheguei a ver no Brasil. Fiquei tentado, ainda mais pelo preço: 0,95 euro. Mas acabei levando uma Eggberg Vollbier. Amanhã falo dela.

Ps6. Como assim 23 graus em São Paulo e 9 em Viena? Já é quase inverno por ai e aqui é quase verão! Como assim??? risos

Ps7. Mais duas cervejas para entrar na lista. A primeira foi a Hubertus Bräu, um dunkel austríaca docinha (com aroma de chocolate e sabor de caramelo) e muito leve (apenas 3,9% de graduação alcoólica) que fica no meio do caminho entre a 1795 Dark e a Malzibier. A outra foi a Wieselburger Stammbräu, 5,4% de graduação alcoólica bastante perceptíveis. A garrafa é daquelas com rolha de pressão, cliplock, e apesar do charme, a cerveja é apenas boazinha, melhor que as concorrentes de boteco da área (tipo aGösser), mas ainda assim nada impressionante. O problema das cervejas austríacas é que elas são aguadas. Quem manda o país ter 70% de água não tratada descendo purinha direto dos Alpes. Essa água toda teria que ir para algum lugar…

1) 3,5/5 – Hofbrau Munchen, Alemanha (aqui)
2) 2,6/5 – Arany Ászok, Hungria (aqui)
3) 2,4/5 - Hubertus Bräu, Áustria (aqui)
4) 2/5 - Wieselburger Stammbräu, Áustria (aqui)
5) 1,9/5 - Dreher, Hungria (aqui)
6) 1,8/5 - Gösser Märzen, Áustria (aqui) (aqui)
7) 1/5 - Gösser Radler, Áustria (aqui) (aqui)

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Maio 20, 2010   8 Comments