Entrevistando Fernanda Young

Não lembro ao certo que mês de 2001 foi, mas acho que era novembro ou dezembro. Desci a rua Albuquerque Lins, no bairro de Higienópolis com meu gravador e duas fitas cassete de 60 minutos para entrevistar Fernanda Young em seu apartamento. Ela estava lançando um livro (mediano), “Efeito Urano”, até hoje o único que li dela (por causa da entrevista), e me aguardava com os dois pés atrás.
Assim que entrei em seu apartamento, notei uma certa insegurança por parte dela, que gesticulava muito tentando soar à vontade. “Você é o repórter da Reuters, certo. O Alexandre (Carvalho, marido) me disse que a Reuters é muito importante. E eu ficava falando pra mim mesma. ‘Reuters, Reuters, Reuters, está tudo bem”. Ela chamou a empregada, me ofereceu algo para beber e ficou feliz de eu ter escolhido coca-cola ao invés de água. Sinais, sabe.
Cerca de quarenta minutos depois, no meio de uma resposta, ela solta: “Puxa, eu nunca falei tanto como eu estou falando agora (risos) e eu nem queria dar entrevista, né”. A tarde passou voando e quando vimos, as duas fitas cassete de 60 minutos estavam abarrotadas de conversa. Então surgiram Estela May e Cecília Madonna, suas duas filhas, e aproveitei o momento família para me despedir e subir a Albuquerque Lins em direção a Teodoro Sampaio, local em que eu morava na época.
Fernanda Young foi bem interessante nas duas horas que conversamos. Me pareceu se desarmar da persona que criou para provocar o mundo e a conversa rendeu uma longa entrevista de 14 páginas que ficou reduzida a 3 mil toques para a Reuters. Isso era 2001 e cortamos para 2009. Ela é capa da edição de novembro da revista masculina mais famosa do país, e parece ter incomodado muito gente com isso. Mais: homens agem como se fosse proíbido ela ter feito o ensaio. Bobagem.
Alguns dizem que ela é feia, no que discordo, embora também não a ache um exemplo de beleza. Na verdade, beleza não tem a ver com ela. Fernanda Young é falastrona, provocadora e irritante. E isso a sociedade (principalmente a ala masculina) não suporta. É o inverso da sensação de paixão que faz com que homens enxerguem suas mulheres como a mais bela do mundo. Pouca gente parece amar Fernanda Young, e isso a torna feia, burra e chata. Copo meio vazio, eu sei, mas é assim.
Particularmente, gostei de algumas fotos prévias do ensaio. Essa edição vai ser (fácil) mais interessante do que qualquer uma das tão “amadas” Mulheres Frutas. No entanto, fotos de nudez a parte, acho que essa entrevista que fiz com Fernanda Young em 2001 é uma das minhas prediletas junto com o bate papo com Ian McCulloch e também uma longa troca de e-mails com o amigo André Takeda. Recentemente, fiquei feliz com o resultado da conversa com Wado aqui em casa.
Destas quatro citadas (linkadas abaixo) e entre todas as outras que fiz, a minha preferida é a da Fernanda Young. Acho que o politicamente incorreto é extremamente necessário (nunca sonhei em viver no paraiso do bom mocismo), e a liberdade de expressão é um bem valioso demais para todos, mas fica feio quando descamba para a hipocrisia. São gestos não pensados e idiotas de machos que pensam apenas com a cabeça debaixo que acabam desancadeando fatos como o da moça da Uniban.
Fernanda Young muitas vezes me irrita, mas se ela quer ficar pelada, eu não vou reclamar. Pelo contrário. Como diria o sábio Roger Rocha Moreira no hino “Eu Gosto de Mulher”: “mulher faz bem pra vista”. Sua nudez é benvinda e não deveria ser castigada. Em um mundo em que Gilberto Kassab é um péssimo prefeito, José Serra candidato forte à presidência e Caetano Veloso é consultado (e levado à sério) sobre tudo que acontece, Fernanda Young é dos males (se for), o menor. E não quero nem imaginar Kassab, Serra e Caê nus. Prefiro a Fernanda Young.
Leia mais:
- Marcelo Costa entrevista Fernanda Young (aqui)
- Marcelo Costa entrevista Ian McCulloch (aqui)
- Marcelo Costa entrevista André Takeda (aqui)
- Marcelo Costa entrevista Wado (aqui)















14 comentários
Por falar em homem que pensa com a cabeça errada, o link com as fotos está com erro “Referral Denied”.
Verdade, Fausto. E estranhamente o link não abre quando linkado no meio do texto. Tem que copiar e colar no browser. Vá entender.
http://playboy.abril.com.br/galeriast/galeria_108794_0.shtml
Eu acho a Fernanda muito gata.
Tem muita cabecinha pequena nessa resistência ao ensaio da moça. Um pouco de machismo velado e invejinha boba mesmo. Mas é interessante observar a grita. Muita gente mistura a opinião a respeito da obra dela com o suposto direito dela de posar ou não. Mas, como vc disse Mac, enfim uma nudez bem mais interessante que a maioria dos últimos tempos.
E afinal, que nossas amadas mulheres não nos ouçam, mas “falastrona, provocadora e irritante” são características bastante presentes nos espécimes mais fascinantes do delicioso gênero feminino
Não tô nem aí pro que ela escreveu ou não… só acho que ela é bem feinha mesmo huahuauauh
obrigado: conseguiste dar uma opção à minha visão.
olha eu acho a Fernanda muito bonita e boazuda, há tempos não compro Playboy, vou comprar por causa dela, que a Playboy continue assim, colocando mulheres negras e ” exoticas “, para os padrões hortifrutigranjeiros do brasileiro medio
Bosta pura!!! E olha que me masturbo bem!!!Cismada coitada!!
Eu achei o ensaio dela o máximo!
Meio fora do padrão, ainda que comercial…
Mac, discordo de você…O que incomoda os homens, verdadeiramente, é a inteligência de Young… e a prova concreta disso é que ela é uma mulher que não teme expor os seus desejos…..E isso sim é uma ofensa aos homens - e a algumas mulheres também.
=)
“prefiro a Fernanda Young” (2)
Acho ela chata.
Essa Fernanda Old não vale uma punheta minha.
Que bacana. Primeira vez que leio um comentário sobre a Fernanda Young ( e sua capa da Playboy) interessante. Tava cansada de ler aquele monte de bobagem preconceituosa e sem cérebro que sempre falam dela. Parabéns, adorei o post.
Excelente a matéria, gostei muito do seu estilo espontâneo de escrever. Deve ter sido um encontro bem curioso esse com a Fernanda Young.
Adorei o post.
=)
nossa, gente, fotos de mulheres nuas só servem para bater punheta?
Seu post veio numa boa hora, MaC! Entrevista muito boa com a Fernanda (que eu ainda não havia lido). Abraço
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