Blog do Editor do Scream & Yell
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“35 Doses de Rum”, “Fados” e “As Amigas”

“35 Doses de Rum”, de Claire Daines

“35 Doses de Rum”, de Claire Denis (2008)

Ricardo Calil, que respeito muito em se tratando de cinema, classificou “35 Doses de Rum” (“35 Rhums”), da francesa Claire Denis, como uma obra-prima (mais aqui). Ex-assistente de Wim Wenders, Claire tem uma filmografia elogiadíssima onde quer que se coloque os olhos para ler sobre a diretora, mas o filme não me pegou. Sim, é grande cinema, mas não consegui absorver a história a ponto de sair chapado da sala. Talvez porque ainda não seja pai. Talvez porque alguns recortes da vida real, embora filmados de forma bela, não me impressionem. É um filme bom, e só. Porém, para te confundir, aviso que adorei “Julie & Julia”. Daí você consegue ver quem está mais próximo da realidade… (risos)

“Fados”, de Carlos Saura

“Fados”, de Carlos Saura (2009)

Expectativa é uma merda, não tem jeito. Alguém escreveu que “Fados” era um documentário, e com as credenciais de Carlos Saura assinando a direção achei que tinha a noite ganha. Engano. A opção estrutural pela qual Saura procura documentar a vertente musical portuguesa é simplória: ele junta dezenas de apresentações dos mais variados estilos de fado em 1h25 de rolo de filme que transforma o longa em um extenso videoclipe. Não há nada que guie o espectador, que não saberá dizer nem o nome da capital de Portugal ao fim da sessão. Para cada bom momento surge um equivalente de vergonha alheia. Chico Buarque se destaca com “Fado Tropical” cantada com cenas da Revolução dos Cravos ao fundo. Porém, também tem Toni Garrido…

“As Amigas”, Michelangelo Antonioni

“As Amigas”, Michelangelo Antonioni (1955)

Vencedor do Leão de Prata em Veneza em 1955, “As Amigas” (”Le amiche”) abre uma seqüência de grandes obras de Antonioni, a saber: “O Grito”, 1957, “A Aventura”, 1960, “A Noite”, 1961 e “O Eclipse”, 1962. O foco aqui são as relações de um grupo de mulheres que tenta se encaixar na sociedade, cada uma ao seu modo. A fotografia de Gianni Di Venanzo (”Oito e Meio”) é belíssima, e a cena da praia um bonito momento, mas a temática do filme (e com isso, o próprio longa) perdeu um pouco da força que deve ter tido na época ao buscar compreender as mulheres – e o suicídio, não só por amor, mas também pela sensação de vazio. Foi meu terceiro Antonioni depois de “Profissão: Repórter” e o sensacional “Blow-Up”. Na fila, “O Grito” e “A Noite”.

8 comentários

1 Fábio Andrade { 10.26.09 at 11:10 pm }

Texto que escrevi sobre o filme da Claire Denis:

http://www.revistacinetica.com.br/35rhums.htm

2 gilvas { 10.27.09 at 9:05 am }

peraí: tu queres me dizer que tu esperavas algo do carlos saura? deus, ainda mais sabendo que o caetano ia estar no filme!

3 Otto Klaus Spiess { 10.27.09 at 9:51 am }

Hummm gostaria que alguém aqui comentasse outro filme da Claire Denis… o “Trouble Every Day” também conhecido como “Desejo e Obsessão”… e façam um comparativo. Eu to me preparando pra sessão das 35 doses de rum para poder fazer um paralelo com o filme canibalístico dela visto lá pelos idos de 2003…

4 Fábio Andrade { 10.27.09 at 2:04 pm }

Otto, fuja dos paralelos. Gosto mais do “Trouble Every Day” - que, sendo justo, acho o melhor filme - mas acho que os pontos de contato entre os dois são tão mínimos (embora existam) que é melhor não pensar muito nisso. São filmes quase opostos.

5 felipe { 10.28.09 at 10:02 am }

o bom do antonioni é cada filme dele de “a aventura” até “profissão repórter” são filmes pra se ver anualmente.

6 Otto Klaus Spiess { 10.28.09 at 2:12 pm }

OI Fábio…

Imaginava que seriam filmes opostos… bom, só me resta ter tempo para ver o “35 doses”.
Quanto ao Trouble Every Day o melhor mesmo é quando meu amigo promove sessões do filme para outras pessoas (principalmente as adeptas de cinema pop americano). A razão é no mínimo cômica…

7 Otto Klaus Spiess { 10.28.09 at 2:20 pm }

Alias razão nao…reação heheheh
Abs

8 Fábio Andrade { 10.28.09 at 3:11 pm }

Otto, é mesmo um belo filme pra se ver desavisado. Eu não tive essa sorte, já fui ver sabendo de o que se tratava. Tente ver o 35 Doses de Rum que vale qualquer esforço.

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