Blog do Editor do Scream & Yell
Random header image... Refresh for more!

Posts from — Novembro 2008

Radiohead no Brasil (agora vai!)

Após confirmar data no Chile (aqui), agora Argentina, Brasil e México já aparecem no site oficial do Radiohead ainda sem data nem local. Thom Yorke vem ai!

Novembro 11, 2008   6 Comments

Radiohead confirma shows no México e no Chile

Thom Yorke e compania tocam na cidade do México, no México, e em Santiago, no Chile, em março de 2009, naquela que vem a ser a primeira turnê sul-americana do Radiohead. No México vão ser três datas: 15, 16 e 17 de Março. No Chile a data é a da imagem acima, dia 27. Ingressos à venda para o show no Chile a partir de hoje (veja mais aqui e aqui). Shows na Argentina e Brasil devem ser anunciados na sequência. Agora vai?

Preços no Chile

General: $25.000 (R$ 86)
Marquesina Lateral: $28.000 (R$ 96)
Fundadores Campeones: $35.000 (R$ 120)
Fundadores Marquesina: $48.000 (R$ 163)
Palco: $53.000 (R$ 180)
Golden Circle: $60.000 (R$ 204)
Fundadores Premium: $70.000 (R$ 238)

Ps. O show do Chile já está no site oficial (aqui)… Brasil deve ser no começo de abril. Dia 1?

Novembro 11, 2008   2 Comments

R.E.M. em São Paulo, primeira noite

Fotos: Divulgação/InPress

Acho que esse foi o set list se a minha memória não me trair…

01) “Living Well Is The Best Revenge”
02) “I Took Your Name”
03) “What’s The Frequency, Kenneth?”
04) “Fall On Me”
05) “Drive”
06) “Man-Sized Wreath”
07) “Ignoreland”
08) “Hollow Man”
09) “Imitation of Life”
10) “Electrolite”
11) ”Great Beyond”
12) “Everbody Hurts”
13) “She Just Wants To Be”
14) “The One I Love”
15) “Sweetness Follows“
16) “Let Me In”
17) “Bad Day“
18) “Horse To Water“
19) “Orange Crush“
20) “It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)”

Bis
21) “Supernatural Superserious”
22) “Losing My Religion”
23) “Animal”
24) “(Don’t Go Back To) Rockville”
25) “Man On The Moon”

Novembro 11, 2008   17 Comments

Diálogos Impertinentes

- Quantos anos você ter daqui cinco anos, quando a Júlia nascer?
- 43…
- Então quando ela tiver 20 você vai estar com… 63.
- É, eu vou estar bem velhinho…
- Tudo bem, você vai ser um velhinho tipo o Gabeira.
- ?
- Jovem.
- ???
- Ah, você entendeu.
- ?????

Novembro 10, 2008   1 Comment

Indie bate o Mainstream no Planeta Terra

Texto: Marcelo Costa / Fotos: Lili Callegari

Em sua segunda edição, o festival Planeta Terra voltou a repetir a produção impecável do ano anterior, com um leve descuido na sonoridade dos palcos (no principal, na frente o som era bom, e no fundo uma porcaria – e o inverso aconteceu no Indie Stage), mas muita organização para um público excelente de mais de 15 mil pessoas. No geral, os shows do palco indie superaram com facilidade – e muito barulho – as atrações do palco principal, e o Jesus and Mary Chain não jogou sua história pelo ralo, como muitos esperavam.

Devido ao esquenta de sexta, com um bom show do Mombojó no Studio SP, e dezenas de cervejas, acordei abençoado por uma ressaca fenomenal cujo resultado mais significativo foi o corte das atrações da minha lista pessoal. O plano era chegar para Curumin, mas entrei na Vila dos Galpões exatamente no momento em que a fofa Mallu Magalhães encerrava seu set. Ela desafina demais, toca Beatles e Johnny Cash e mostra que ainda tem muito a aprender.

E então Jesus surgiu. E tocou o mesmo set-list apresentado em Buenos Aires na semana passada. Quatro canções do “Automatic”, três do “Honey’s Dead”, três canções que apareceram apenas na coletânea “21 Singles” (e agora no box “The Power of Negative Thinking”) e apenas uma de cada um dos clássicos “Psychocandy”, “Darklands” e do ótimo “Munky”. E uma inédita, “Kennedy Song”. A expectativa era de um show decepcionante, comum a carreira do grupo, mas até que eles se saíram bem.

“Snakedriver” abriu a noite seguida de “Head On”, ambas prejudicadas com o acerto de som, com a bateria lá em cima, e as guitarras no chão, situação que ainda marcou “Far Gone & Out” e “Between Planet”. Em “Blues From a Gun” o som melhorou, mas já dava para perceber qualé a do grupo. William Reid namorava os amplis Marshall enquanto despejava microfonia sobre o público. Jim canta bem e como apresentação foi tudo correto, no lugar, o que em se tratando de Jesus pode ser gol contra.

“Just Like Honey” soou capenga, e canções mais lentas – e bonitas – como “Some Candy Talking” e “Teenage Lust” parecem feitas para apresentações mínimas e acústicas e não para um palco enorme e aberto. “Happy When it Rains”, “Sidewalking”, “Cracking Up” e “Reverence” mostraram vitalidade, mas a banda soa certinha demais ao vivo. No fim fica a impressão de termos visto um bom show. Só isso? Só. O problema é que todos esperam mais do que um bom show do Jesus and Mary Chain. Expectativa, como diria outro, é uma m****.

Pensei em conferir alguns momentos do Animal Collective, mas fiquei no pensamento. Troquei o Foals por um hot-dog e uma H20 sabor Maça com Limão na boa Praça de Alimentação do evento, e de certo modo me arrependo. Vários amigos definiram o show como “intenso” e o classificaram como uma das grandes apresentações da noite. Ok, não se ganha todas. De consciência limpa, deixei o Offspring de lado (embora eu quisesse muito ouvir/ver “Come Out and Play” e “Pretty Fly (For a White Guy)”) e fui ao Indie Stage presenciar um dos shows do ano em terras brasileiras.

Comandados pelo vocalista/guitarrista com jeito de demente Britt Daniel, o grupo texano Spoon mostrou um rock de altíssima qualidade aos brasileiros. Com canções centradas no ótimo “Ga Ga Ga Ga Ga Ga” (2007), o Spoon parece melodicamente furioso como Nick Cave quando acompanhado pelos Bad Seeds e Jon Spencer Blues Explosion. A tríade “Don’t You Evah”, “You Got Yr. Cherry Bomb” e “Don’t Make a Target” (todas de “Ga Ga Ga Ga Ga Ga”) empolgaram enquanto “The Ghost Of You Lingers” mostrou que é possível fazer rock com piano, baixo, bateria e voz (sem guitarra) sem soar chato.

No entanto, a guitarra de Britt Daniel é uma estrela a parte num show do Spoon. De riffs secos, fortes e extremamente limpos, o guitarrista impressiona. Ainda houve espaço para “The Beast And Dragon, Adored” e “My Mathematical Mind”, ambas do álbum “Gimme Fiction” (2005), “The Way We Get By”, de “Kill The Moonlight” (2002) e “Black Like Me” (outra do “Ga Ga Ga Ga Ga”) apresentada como “Black Like Mr. President” . O grande momento da noite foi “The Underdog”, que mesmo sem os metais característicos da canção, se mostrou perfeita e empolgante. Um show chapante no limite entre o melódico e o furioso.

No palco principal, pelo telão, era possível ver o Bloc Party se aquecendo no backstage para enfrentar o público após o fiasco do playback no VMB. De bermudinha e boné, o vocalista Kele Okereke adentrou ao palco sobre uma base eletrônica e introduziu a poderosa “Hunting For Witches”, em versão tão fraquinha que deu dó. O som das guitarras estava em algum outro lugar, mas não no palco do Bloc Party. O baterista Matt Tong errou viradas na segunda música, e tudo pareceu extremamente constrangedor.

Durante a apresentação, Kele se desculpou pelo acontecido no VMB esperando que o show consertasse as coisas, mas não tive paciência para esperar (pelo jeito, iria demorar mais que acertar sozinho na megasena), e quatro músicas depois já estava no Indie Stage aguardando as irmãs Deal e o Breeders, torcendo internamente para que elas tocassem “Gigantic”, do Pixies, que infelizmente não rolou. Mesmo assim foi uma grande apresentação, alternando momentos divertidíssimos com bobagens dispensáveis numa relação final de muitos altos e alguns baixos.

Extremamente sorridente, bastante acima do peso e bebendo cerveja sem álcool, Kim comandou a noite com maestria. Centrando o repertório da noite nos dois primeiros álbuns do grupo (”Pod”, de 1990, e “Last Splash”, de 1993), deixando raros momentos para coisas do fraco novo álbum “Mountain Battles” (como o bis com a bonita “Regalame Esta Noche”, cantada pela irmã Kelly em espanhol) e pequenas raridades como “Tipp City”, do projeto The Amps, “Shocker In Gloomtown”, cover do Guided by Voices, e “Happiness Is a Warm Gun”, dos Beatles.

Os momentos de festa e histeria, porém, foram causados por pepitas do álbum “Last Splash” como “No Aloha”¸ “Divine Hammer”, “I Just Wanna Get Along”, “Saints” e uma versão deliciosa de “Drivin’ On 9″ (com Kelly Deal no violino), sem contar, claro, o grande hit “Cannonball”. Muito mais em forma que a irmã, Kelly exibia com orgulho sua camiseta com um desenho do rosto do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enquanto o baterista José Medeles surpreendia com sua mão pesada no lado direito do palco. Grande show.

No palco principal ainda faltava o KaiserChiefs, mas a vontade era de ir embora. Abandonei a banda na metade do show em Werchter e no T In The Park só precisei dar umas duas olhadas no palco para decidir ver outro show. Mesmo assim a apresentação em São Paulo foi boa. As grandes canções do álbum de estréia do grupo (”Everyday I Love You Less and Less”, “Modern Away”, “Na Na Na Na Na” e “I Predict a Riot”) perdem muita força ao vivo, mas mantém um certo frescor, algo que a excelente “Ruby”, do segundo disco, já não consegue. Fica a impressão que eles – assim como o Bloc Party – são muito melhores em estúdio. Melhor ouvir os discos.

Com duas edições, o Planeta Terra ainda tateia em busca de personalidade, mas já mostra um grande avanço de escalação entre esta segunda edição e a do ano passado, que foi encerrada pelo pífio Kasabian. A Vila dos Galpões é um achado para abrigar um festival desse porte, e em termos estruturais o festival se fixa como um dos melhores do país numa noite marcada por duas lendárias bandas de irmãos e um banho do Palco Indie sobre o Main Stage. Que venha a terceira edição.

Leia também:
- CSS, Devo e Rapture no Planeta Terra 2007, por Marcelo Costa (aqui)
- Veja fotos dos shows do Planeta Terra 2008, por Liliane Callegari (aqui)

Novembro 9, 2008   13 Comments

Rock independente, webjornalisno e Madonna

O Lucas, o Mauricio e a Julianne me enviaram perguntas nas últimas semanas acerca de alguns assuntos bacanas, que tomo a liberdade de reproduzir abaixo:

1) O rock independende brasileiro passa por um momento de grande boom para as bandas, produtores e criação de selos independentes, devido ao surgimento de mídias alternativas. Essas mídias digitais colaboram na divulgação e facilitam o acesso de determinado segmento (que se identifica com determinadas bandas) a terem o acesso as músicas (através de download de CD´s completos, vídeos no You Tube, sites e blog entre outros); além de manter atualizado determinado público quanto à agenda de shows, histórico da banda entre outras informações. A interatividade, que marca a  mídia digital e a nova forma de divulgação atinge os objetivos de quem se lança numa diferenciada experiência musical e mercadológica (no intuito de se vender uma música em que se acredita)?

Acredito que sim, mais até que em outros tempos. Primeiro: agora você elimina o atravessador, o lojista, e fala direto com seu público. Segundo: você sabe o preço certo do seu produto que, com certeza, será mais barato do que se fosse vendido por um grande conglomerado de comunicação. O problema é que o alcance ainda é mais restrito. Essas novas mídias digitais, em países como o Brasil, não tem a força de uma rádio e de uma TV, então no quesito divulgação a coisa toda ainda está meio lenta, mas tende a melhorar.

2) Uma das polêmicas após o surgimento do MP3 era a de que com a liberdade do usuário poder “baixar” os CD´s completos prejudicariam a venda dos mesmos. Muitos acreditam que esse era o fim do formato CD. Mas no meio do rock independente o MP3 só veio a colaborar com as bandas para divulgarem seus trabalhos sem precisarem lançar um CD. Comente acerca da relação do artista com as grandes gravadoras e do consumo cada vez menor de CDs devido a facilidade do MP3.

Bem, ainda não há um estudo cientifico que afirme que a baixa das vendas de CDs seja culpa do MP3. A pirataria, por exemplo, pode ser a maior culpada. No caso da web existem muitos casos que provam o contrário, CDs que foram baixados antes do lançamento e que bateram recordes de vendas. O problema, na verdade, é mais no futuro do que no presente. Quem comprou CD e vinil sempre irá comprar. Mas a molecada que cresceu baixando música será que um dia irá pagar por ela? Por outro lado, será que os artistas não estão mal acostumados com um modelo de mercado que existe há mais de 50 anos e que já está ultrapassado? Para mim, o futuro dos artistas será ganhar dinheiro com show, não com CDs. Como disse um jornalista espanhol sabiamente, “na época em que se compra menos CDs, se ouve muito mais músicas”. E é esse o lance. Quem está chorando é quem ganhava muito dinheiro e agora irá deixar de ganhar. Parodiando a frase de um famoso apresentador, quem sabe faz ao vivo. E vai viver disso. 

3) Na atualidade existe a possibilidade de que o rock independente cresça a tal ponto que ele se torne mais um produto nas mãos das multinacionais e das majors? As grandes gravadores poderiam demonstrar interesse em transformar isso num grande negócio? As bandas se renderiam?

Não existe isso de se render, é folclore demais. Nirvana se rendeu por que assinou com a Geffen? De maneira alguma. Estamos caminhando cada vez mais para a liberdade artística. O cara grava o CD em casa (ou num estúdio alugado), produz e entrega a máster pronta para a gravadora, que se interessa ou não em lançar o produto (com o Pato Fu e várias medalhões da MPB já vem fazendo). As gravadoras só vão na onda. Se o Vanguart estourar nacionalmente vão pintar dez cópias de Vanguart no mercado, e as gravadoras vão vendê-las e todo mundo vai ganhar dinheiro e ficar feliz. Menos as outras bandas que não soavam como Vanguart e continuam no underground. E esse exemplo pode ser adaptado dezenas de vezes.

4) No começo dos anos 80, no Brasil, começavam a surgir as primeiras bandas independentes, os primeiros produtores e selos voltados para esta produção, principalmente nas grandes cidades, a exemplo de São Paulo e Rio de Janeiro, que  encontravam um público maior e “mais aberto” a experimentalidade desses músicos. A maior parte deles, influenciados ainda pela contracultura, procuravam novos caminhos para fazer sua música “acontecer”. Em sua opinião o espaço da internet é correlato a este momento anterior do cenário musical independente? Quais são os prós e os contras das mídias digitais em relação a divulgação e comercialização de novas tendências musicais?

Não daria nem para dizer que eram bandas independentes aquelas nascidas no começo dos 80. Era uma coisa underground por obrigação, não por opção. Tanto que a maioria delas (inclusive os punks) assinaram com grandes gravadoras e tiveram seus discos lançados. É um momento bem diferente agora. Tem muita banda atual que não quer assinar com uma gravadora porque quer ter domínio total sobre sua carreira. Quantos aos prós e os contras, para mim só existem prós: você pode montar um site com custo baixíssimo ou disponibilizar as suas canções em um site que as hospede gratuitamente (tipo My Space e Trama Virtual). Isso já é divulgação. A comercialização é uma outra coisa que precisa ser adaptada e repensada para os novos tempos. Vivemos uma nova idade média com a vantagem que agora os músicos podem gravar CDs e vende-los para seu público, enquanto lá atrás eles tinham que ir de cidade em cidade se apresentando, e ganhavam dinheiro só com o show que faziam, e não com os discos. Agora o cara lança uma música hoje e amanhã já vai ter gente no show cantando. O National, que veio ao Tim Festival, agradeceu à internet, pois ela possibilitou a vinda da banda ao Brasil, um país que nunca teve um disco deles lançado aqui. Eles ganharam dinheiro com os discos? Não. Eles ganharam dinheiro para virem fazer shows aqui. O mundo precisa se adaptar a isso. Enquanto ficar tentando ajeitar um modelo antigo em um novo negócio estará perdendo tempo. E tempo, todos sabem, é dinheiro.
*********

1) Como você analisaria a experiência do jornalismo cultural na internet? Em relação a outras mídias, o que ela traz de mais interessante e quais os seus problemas?

A internet permite a união de várias mídias, e isso é sensacional. Uma pessoa pode falar de um show, colocar fotos, vídeos e ainda receber comentários rápidos de outras pessoas que também foram neste show. Ou seja, a interatividade e a união das mídias são dois fatores importantes que favorecem o uso da web.

2) A internet mudou muito desde o início do Scream & Yell até hoje. Como isto afetou o conteúdo e o site num todo?

Afetou muito, e pra melhor. A velocidade aumentou de oito anos pra cá e, principalmente, as ferramentas de edição permitiram que eu melhorasse algumas coisas como o transporte do blog que eu fazia em html dentro do site para o wordpress, que permitiu uma atualização mais rápida e maior contato com os leitores.

3) De que modo a interação com o leitor interfere no seu trabalho? Você leva isto em conta para definir pautas e reportagens?

A interação intefere de várias maneiras. As melhores são quando alguém aparece para corrigir alguma informação que eu eventualmente tenha me equivocado, ou mesmo completa-la. Em vários casos, a discussão nos comentários do texto esclarecem pontos que ou ficaram obscuros ou mesmo serve para verificar se aquilo que eu queria propor com o texto funcionou. E acaba, em poucos casos, ajudando na pauta, mas é mais corriqueiro.
*********

1) Na sua opinião, o que fez a Madonna se manter no topo por tanto tempo?
 
É muito difícil mensurar isso, mas acredito que tenha sido seu carisma aliado a um alto conhecimento de mercado e indústria, juntando a isso a sua constante adaptação ao que está em voga no momento através de parceiros e produtores.

2) Como você entende essas mil faces da Madonna? Autenticidade, estilo ou alguma espécie de tendência de mercado mesmo, como um produto rentável?
 
A Madonna é extremamente rentável, quanto a isso não a dúvida. E essas mil faces são um choque dessas coisas que você citou, internas e externas: autencidade e estilo (coisas delas) com o mercado e o momento histórico que vivemos (coisas do mundo). Desse choque nasce o personagem Madonna.

3) Musicalmente, quais são os méritos e os deméritos da Madonna?
 
Atualmente, seu maior mérito é também um demérito: ao procurar se atualizar sempre buscando o “produdor do momento”, ela se afasta das caracteristicas próprias de compositora que ela tinha nos anos 80 e começo dos 90. Ou seja, ela passa a ceder mais ao mercado ao invés de tentar fazer com que o mercado ceda a ela.

4) Na sua opinião, qual é o melhor e o pior trabalho dela?
 
Admiro seus trabalhos dos anos 80. Coisas como Into The Groove, Like a Virgin, Lucky Star e Material Girl são eternas. As baladas, que ela abandonou nos anos 00, também eram estilosas. Acho que a sua última grande canção foi Music. Na outra ponta incomoda a repetição de American Life, Confessions on a Dance Floor e Hard Candy, nenhum deles um disco totalmente ruim, mas que pouco evoluem de um trabalho para o outro.

5) O que a Madonna representa hoje pra música pop?

Ela é a principal artista do mundo (já que Michael Jackson se aposentou). Ela ainda consegue chocar, mexer com as pessoas. Como escrevi na resenha sobre o disco Hard Candy: “Aos 50 anos, ela viu nascerem dezenas de “filhas”, e até beijou na boca a mais famosa (incesto é tão Madonna), mas continua dando as cartas no mundo pop”. É isso, ela continua dando as cartas.

Novembro 7, 2008   5 Comments

O Planeta Terra está chegando

Chega a ser engraçado a quantidade de amigos meus que ama o Jesus and Mary Chain e garante que o show no Planeta Terra vai ser uma m**** (risos). Ok, eu também faço parte desse grupo, mas assim como eles, vou estar ali na frente babando se o set list for como este mais abaixo tocado no Personal, em Buenos Aires, semana passada.

Porém, sabe que eu baixei um ao vivo deles no badalado programa francês Black Sessions (baixe aqui) e… me arrepiei? Pra mim, é o (anti)show do festival, já que o KaiserChiefs me faz  bocejar (esbarrei neles na Bélgica e na Escócia e quase dormi), o Bloc Party ao vivo é quase ruim, o Offspring é para menores de 21 anos, e Breeders é só o bis (e eu - bonzinho - dei 6,5 pro disco novo aqui). Bom prestar atenção no Curumin, no Animal Collective e no Spoon: o show da noite pode sair desse trio…

Set list do Jesus and Mary Chain em Buenos Aires

Snakedriver
Head On
Far Gone & Out
Between Planet
Blues From a Gun
Teenage Lust
Sidewalking
Cracking Up
All Things
Some Candy Talking
Happy When it Rains
Halfway To Crazy
Kennedy Song
Just Like Honey
Reverence

O Planeta Terra 2008 está escalado assim:

Main Stage
01h30 – 02h45 - Kaiser Chiefs
23h45 - 01h   - Bloc Party
22h   - 23h15 – Offspring
20h30 – 21h30 – Jesus and Mary Chain
19h   - 20h   – Vanguart
17h30 - 18h30 -  Mallu Magalhães

Indie Stage
00h   - 01h30 - Breeders
22h30 - 23h30 - Spoon
21h   - 22h   - Foals
19:30 - 20h30 - Animal Collective
18h   - 19h   – Curumin
16h30 – 17h30 - Brothers of Brasil

Dj Stage
01h   – 03h   – Felix da Housecat
23h30 – 01h   – …….. (dj set)
22h   – 23h30 – Milo (dj set)
20h30 – 22h   – Mau Mau

Ps. Quer se organizar para o festival? Olhe aqui (by Helena)

Ps1. Esquenta amanhã: Ecos Falsos no Outs e Mombojó no Studio SP? Bora?

Novembro 6, 2008   9 Comments

O polêmico Tim Festival 2008

Já faz uns dias que estou para jogar esses links aqui a blog, mas a velocidade do mundo moderna me atropela, entende (hehe). Esse assunto foi extensamente discutido na comuna da Bizz no orkut (aqui), e é bastante interessante:

“Sete dos erros do festival (dark in the pseudoglow)”
por Antônio Carlos Miguel (leia aqui)

“Não precisamos assistir a shows”
Por Hermano Vianna, um dos curadores do evento, no JB (leia aqui)

Junte os dois e tire as suas próprias conclusões.

Novembro 5, 2008   11 Comments

Obama presidente

“In America, The land of the free, they said, And of opportunity, In a just and a truthful way. But where the president, is never black, female or gay, and until that day, you’ve got nothing to say to me, to help me believe”

Morrissey estava (um pouco) errado. Ainda bem.

Novembro 5, 2008   9 Comments

Renovando passaportes

 

Renovando passaportes
Boas novas no mundo de Wry, The Tamborines, CSS e Kissing Kalina
Por Luciana Lazarini, especial para o Scream & Yell
(www.myspace.com/lulazarini)
Fotos: Divulgação

Há algumas semanas voltei para casa após um ano de Londres. Depois da zonzeira dos primeiros meses na ilha, entre os inúmeros shows, bandas e lojas de discos com tudo-o-que-você-sempre-quis nas prateleiras e artistas do mundo todo mantendo a agenda cultural ultra-diversificada, rolou Justice abrindo para o Cansei de Ser Sexy no Brixton Academy (com o famoso “sold out” estampado no letreiro da fachada), The Tamborines nas noites do Sonic Cathedral e Wry na ’segunda-casa’ do Buffalo Bar, um inferninho bem ao lado da estação de metrô Highbury e Islington.

Como eles mesmos insistem, não se trata de uma cena de bandas brasileiras em Londres. O que The Tamborines, Wry, Cansei de Ser Sexy e Kissing Kalina têm em comum são histórias de músicos que botaram o pé na estrada para não parar mais de fazer shows e criar músicas que transpiram as experiências deles lá. Sem pretensão de se apresentar como uma banda brasileira ou uma banda dessa ou aquela cena da semana, eles preferem diluir alguns rótulos e seguir cada um seu rumo, estilos e referências. A idéia aqui então não é estabelecer fronteiras entre eles, mas ouvir o que têm de novidade - novos singles, shows e histórias de bastidores.

Em poucos toques: Wry planeja turnê (retorno definitivo?) no Brasil, The Tamborines vai lançar o primeiro álbum, CSS - às voltas com o traumático segundo LP - segue com a agenda lotada e Kissing Kalina descola elogios com o primeiro single. O bate papo todo segue abaixo. Que tal fazer uma visitinha à Londres?

 

Wry: novos rumos?
www.myspace.com/wrymusic

No ano em que o Wry completa a simetria de sete anos de banda no Brasil e sete anos na Inglaterra, os destinos dos sorocabanos ainda é incerto. Há até quem diga que eles já voltaram de vez para o Brasil. Por enquanto, não. Eles ainda estão circulando pela região de Stoke Newington e pelo Buffalo Bar, apesar de já terem oficializado o último show do ano da banda, pouco antes do baterista André Zanini ir embora de Londres no final de maio. Um retorno que, nas palavras dele, “não deixa de ser um protesto contra a magia londrina que atinge qualquer pessoa que fica aqui e não consegue deixar mais a Inglaterra”.

Mesmo com o destino ainda incerto, a novidade para os fãs brasileiros é que o Wry vai tocar no Brasil entre abril e agosto de 2009 e daí mora a possibilidade de eles darem um tempo a mais por aqui. O grupo segue lançando seus álbuns pela Monstro Discos no Brasil e com a Club/AC30 no Reino Unido e, ainda esse ano, sai o “National Indie Hits”, álbum de covers de bandas brasileiras que homenageia gente como Walverdes, MQN, Pin Ups, Snooze, Astromato, Pelvs e Killing Chainsaw, entre outros. No começo de 2009, a banda lança o álbum “Whales and Sharks” no Brasil (que só saiu na Inglaterra pela ClubAC30).

Como o Wry passou grande parte de 2008 dentro da casa-estúdio em Stoke Newington gravando e mixando o novo álbum, “She Science”, o lançamento está previsto para abril. Quer mais novidade? Neste último álbum algumas das músicas são cantadas em português. Lá pelo meio de um ensaio, o vocalista canta a primeira das músicas em português e, só depois de finalizado o transe, bateria, baixo e guitarra se dão conta da ‘nova’ linguagem.

… Some candy talking …

Quem acompanha o blog do Mário Bross (http://mariowry.blogspot.com/) sabe que ele viveu neste ano um dos momentos mais delirantes da banda, que, antes dos primeiros acordes, eram um grupo de adolescentes que sonhava em ser um time de basquete.

16.05.2008. Norte de Londres. Na programação do Buffallo Bar daquela noite, Wry e Le Volume Courbe. O vocalista do Wry checa a lista de convidados do Volume com nomes como Douglas Hart (The Jesus and Mary Chain) e os My Bloody Valentine Kevin Shields (namorado da vocalista do Volume, Charlotte Marionneau), Colm O’Ciosoig e Debbie Googe, além de Bobby Gillespie, vocalista do Primal Scream. Nada mal para Mario Bross, que é declaradamente obcecado por MBV, e teve a certeza de que deveria montar uma banda quando, nos anos 90, assistiu a um cover do Jesus. Os caras assistiram ao show do Wry, que subiu ao palco como quem se entrega para um ritual. Parando a história aqui, eles já teriam ganhado a noite. O tom extasiado do relato do vocalista me impede de tentar recontar. Então, pausa um trecho do blog do Mário Bross sobre o candy talking com Kevin Shields após o show.

“Ele apertou minha mão firme e disse o quanto o show tinha sido bom. Apertou de novo e completou dizendo que teve momentos do show em que ele pensou em músicas novas. Que tinha se inspirado. Eu disse ironicamente que não acreditava no que dizia, mas que depois pagaria uma bebida para ele. Ele sorriu e eu saí dali, com a cabeça a mil. Poucas coisas me atingem, mas algumas me matam, como essa acima. (…) Já era 11pm e conversamos muito depois, sobre tantas coisas diferentes e até segredos que não são contados a jornalistas e que não vou relatar aqui. Um dia talvez eu te conte pessoalmente. Kevin acrescentou mais tarde que a música “Bitter Breakfast” fez ele mesmo pensar numa outra música. Falando com o Luciano, ele disse que estão escrevendo músicas novas pros shows que vão fazer este ano. Conversaram sobre pedais. Sons, Ebay. Conversamos sobre cachês, Brasil, Londres, guitarras, Belinda e os ensaios da banda”.

 

The Tamborines: entre-tempos e muralhas de pedais
www.myspace.com/thetamborines

Depois de assistir a shows do The Tamborines no Brasil e na Inglaterra, acompanhar os últimos singles lançados e mergulhar pelas viagens de “Sally O’Gannon”, chego à conclusão de que eles são uma banda que sabe brindar o passado e o presente, como quem tem olhos para contemplar o agora. É o tipo de música que revê tempo e espaço. É como se alguém tivesse oferecido aos músicos a oportunidade de viver o ‘espírito do tempo’ de Londres nos anos 60, seguir para a muralha de guitarras distorcidas dos anos 90 e, finalmente, chegar aos anos 2000 para criar uma estética que, provavelmente, nunca vai estar entre os charts, mas tem lugar garantido nos circuitos independentes que (ainda) existem.

O power trio formado por Henrique Laurindo, Lulu Grave e Renato Tezolin - agora de volta à bateria -, lançou o single “31st Floor/Come Together” em agosto - classificado pela revista NME como “The Byrds em uma bad-trip de ácido”. No Brasil, o compacto está à venda pela Sonic Flowers em uma edição transparente fofíssima, com arte e finalização feita pela própria banda. Em novembro, o Tamborines vai lançar a música “Sonic Butterflies”, um single com a banda Black Nite Crash, de Seattle. Depois de bagunçarem a vida com um primeiro label e só após seis meses lançarem “Sally O’Gannon” pelo Sonic Cathedral, o Tamborines agora decidiu viver o ‘do-it-yourself’ e criar o próprio selo, Beat-Mo Records. “Nós mesmos gravamos as músicas, produzimos tudo, da arte da capa até posters. É mais bacana assim, temos liberdade e fazemos quando bem entendermos”, explica Henrique.

A novidade é que a banda está agora concentrada em gravar o primeiro álbum, que vai ser lançado pelo selo Planting Seeds nos Estados Unidos e tem planos de fazer uma turnê por lá no ano que vem (pedido recorrente na página de recados do Myspace deles). Para quem conheceu o Tamborines ainda no Brasil ou por algumas turnês que eles fizeram por aqui, ainda não há shows previstos para o Brasil. “Adoraríamos. Seria legal ir ao Brasil na mesma época, mas tudo depende de custos. Ao mesmo tempo, temos material novo que gostaríamos de começar a gravar assim que este álbum sair, então temos que ver como tudo isso vai se encaixar no nosso calendário”, adianta Henrique.

Com uma lista de top shows no Natural Music Festival, na Espanha; no Truck Festival, em Oxford e Anson Rooms, em Bristol, e um tributo ao Tony Wilson, da Factory Records, o power-trio deixou para trás os palcos improvisados de Maringá. Desde então, eles acumulam momentos lendários, como no show em que um cara da platéia invade o palco, toma conta de um dos microfones e canta metade do set da banda. “Bem, o que ele não sabia é que o técnico de som havia desligado o microfone dele. Por fim, este acabou sendo um dos nossos melhores shows”, lembra Henrique. No Brasil, ele diz que a banda só começou a ser levada a sério depois de elogios do exterior.

Com a palavra, o músico: “No fim das contas, somos uma banda bem underground. Não acho que a crítica do Brasil esteja interessada, pois eles precisam de músicos polêmicos ávidos em alimentar a cena… Na Inglaterra, somos bem respeitados. Ainda que volta e meia consigamos entrar pela porta dos fundos da indústria (através de corporações como BBC ou NME), nós nunca tivemos que apelar ou fazer algo que não acreditamos. As pessoas que nos colocam lá não estão recebendo dinheiro. Acredite: existem as raríssimas exceções, porém quem lida com gravadora grande tem as mãos sujas. But it’s only rock n’roll, right?”

 

Kissing Kalina: outsiders sintetizados
www.myspace.com/kissingkalina

Eles se consideram outsiders e desviam de fronteiras. De uma combustão musical espontânea, surge o duo Kissing Kalina, formado por Danny Sanchez e Lily Valentine. Ele saiu do Brasil anos atrás e passou por ‘cerca de 843 bandas’ até surgir o KK. Lily cresceu em Londres e entrou em contato com o KK pela primeira vez em 2007, enquanto trabalhava no projeto solo dela: “Fiquei completamente encantada por este mundo estranho e bonito que o Danny havia criado”. No ano seguinte, quando já fazia parte da banda, o duo criou o selo Honey Buzz Records para ter liberdade ao lançar a música deles.

Nas primeiras vezes que se escuta “Here She Comes”, o debut do duo que acaba de ser lançado e pode ser baixado no My Space, a sensação é de ter encontrado uma nova seqüência para ouvir andando rápido pela cidade, relembrando os planos-sequência do filme-B que deu sentido à noite passada. Nas palavras deles, Kissing Kalina soa como The Ronettes numa viagem de heroína. Talvez The Cramps numa onda beatnik. Com single à venda no circuito indie das lojas Rough Trade e Intoxica, a dupla esteve no tracklist do programa da BBC de Tom Robinson, além de rádios da Espanha, Nova Zelândia, Áustria e Estados Unidos. Por enquanto, apesar de eles serem a fim, ainda não têm previsto nenhum show no Brasil.

Para eles, pouco importa definir as origens da banda. “O KK nasceu aqui. Mas como temos uma alta rotação de colaboradores, pessoas de lugares de todo o mundo já tocaram conosco. Daí fica difícil de saber se a banda é inglesa, brasileira, londrina, japonesa, italiana…. Na verdade acho que ninguém envolvido com a banda já parou para pensar nisso”, diz Daniel.

Então esqueça a idéia de uma banda que se apegue a rótulos ou aceite ser encaixada em alguma nova “cena” recém-criada. “Tivemos alguns problemas quando começamos. Algumas pessoas não entendiam porque não soávamos como Libertines, Artic Monkeys ou derivados… Ou porque tocávamos mais alto do que as outras bandas. Algumas pessoas eram um pouco mais agressivas. Me diverti bastante…”, ironiza Daniel. Lily diz nunca ter entendido por que alguém gostaria de fazer parte de uma “cena” e perde o respeito por aqueles que passam a seguir uma nova moda passageira, sem identidade musical. Nessa mesma sintonia, Daniel diz que em Londres não há uma “cena” de bandas brasileiras e, pela diversidade cultural característica da cidade, o que há são “músicos/bandas/artistas/produtores/charlatões de todo o mundo. Cada um faz seu trabalho da melhor maneira possível, ou tenta…”. Eles estão tentando… da melhor maneira possível.

  

CSS: um assento na janela, ao lado da saída de emergência
www.myspace.com/canseidesersexy

O que não falta para o Cansei de Ser Sexy são polêmicas e rótulos por diversos cantos da internet. De banda brasileira fenômeno mundial, a crise do segundo álbum rendeu história, inclusive, com o rompimento com a baixista Ira Trevisan e o antigo produtor da banda. Tudo revelado em matéria de capa da revista inglesa NME (New Music Express) com direito a choro, traição e a revanche na música “Rat is Dead”. Digno de novela brasileira. Mas o capítulo agora é outro e, depois de uma turnê extensiva de shows pela Europa que durou cerca de dois anos, eles continuam na estrada, agora com o novo álbum, “Donkey” (haja fôlego!).

Com a agenda lotada e sem nenhuma janela até o final de dezembro, segundo o baterista Adriano Cintra, os fãs brasileiros vão ter que esperar mais um pouco para vê-los ao vivo. “Mas queremos muito tocar no Brasil. Tocar aí foi incrível”, garante. Em novembro, eles passam por sete de países na Europa e, na seqüência, Japão. Mesmo que a energia e espontaneidade do primeiro álbum já deixem uma ponta de nostalgia, eles continuam nas pistas de dança do leste de Londres e estão sempre em pauta nas revistas de lá (sem dúvidas, com mais destaque lá que aqui). Neste mês, rolou o lançamento do single “Move” em CD e compacto 7″… mas o vídeo já tinha “vazado” na rede. Confira os remixes no MySpace (vá direto ao do Cut Copy, please).

A proposta é continuar como uma banda média: “Não somos obrigados a fazer coisas que não queremos, como voar amanhã para a Austrália para gravar um programa de tevê. Não, obrigado. Quando você joga um jogo mais pesado, tem que fazer esse tipo de coisa contra sua vontade. Tem que deixar a gravadora meter a mão no seu disco. A Sub Pop nem ouviu as demos de ‘Donkey’! Eu pedi pra mixar com o Mike Stent e eles “tudo bem”. Acho que o CSS gostaria de ocupar um assento na janela, no meio do avião, de preferência na saída de emergência em cima da asa do lado esquerdo. Tá. Somos uma banda de porte médio que está feliz com o tamanho que tem e não tem pretensão alguma de ser algo que não é. Já tocamos no Brixton Academy sold out, já tocamos quatro vezes no Wembley Arena abrindo pra gente muito maior que a gente (o Basement Jaxx e a Gwen Stefany) e no Brasil somos uma banda que deu certo no exterior”, define Adriano.

Agora morando em Londres nos intervalos das turnês, ele diz ser ao mesmo tempo muito bom e esquisito morar fora do Brasil. “É bom porque aqui é primeiro mundo. E esquisito porque a comida aqui na Inglaterra é horrível”.

Novembro 4, 2008   27 Comments

Woody Allen de 0 a 10 (atualizado)

Um ano atrás eu fiz uma listinha de 0 a 10 com todos os filmes que eu tinha assistido de Woody Allen, e agora preciso atualizá-la com urgência, culpa do box especial Diretores que a 2001 (aqui) está vendendo com exclusividade, e traz três grandes filmes de um dos maiores diretores do mundo. Ok, eu sou suspeito, mas depois que assisti ao sensacional “Stardust Memories” só consegui pensar: “Annie Hall”, “Manhattan” e “Hannah e Suas Irmãs” ganharam um concorrente no posto de melhor Woody Allen de todos os tempos.

“Memórias” (1980) é simplesmente arrebatador. Woody Allen homenageia Fellini neste que é tido como o seu “8 1/2″ e, não à toa, é um constantemente citado como seu filme preferido ao lado de “Rosa Púrpura do Cairo”. A história é alucinógena: um diretor está em crise com sua filmografia, e cansado das comédias decide fazer filmes sérios. A abertura cita “8 1/2″ e joga o Sandy (Allen) num redemoinho de sonhos surrealistas que relembram um ex-amor, imaginam o futuro e colocam o diretor discutindo com ETs (numa das cenas mais divertidas do longa). Clássico, clássico, clássico.

O box ainda traz outro filme sublime, “A Era do Rádio”, um retrato belíssimo da lembranças de infância de um garoto de família judia nos anos 40, e ainda o ótimo “Broadway Danny Rose” (1984), sobre um empresário artístico mal-sucedido (Allen) que vê a chance de melhorar sua carreira agenciando um problemático cantor destacando uma atuação brilhante de Mia Farrow. Além dos três (em venda exclusiva na 2001 – site e loja), a 20 Century Fox coloca “Bananas” (1971) nas lojas. A lista, atualizada, fica assim:

10
“Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (”Annie Hall”), 1977 (resenha)
“Manhattan”, 1979 (resenha)
“Memórias” (”Stardust Memories”), 1980
“Hannah e Suas Irmãs” (”Hannah and Her Sisters”), 1986 (resenha)

9,5
“Zelig”, 1983 (comentário)
“A Era do Rádio” (”Radio Days”), 1987
“Crimes e Pecados” (”Crimes and Misdemeanors”), 1989
“Ponto Final” (”Match Point”), 2005 (resenha)

9
“A Rosa Púrpura do Cairo” (”The Purple Rose of Cairo”), 1985
“Tiros na Broadway” (”Bullets over Broadway”), 1994 (comentário)

8,5
“Desconstruindo Harry” (”Deconstructing Harry”), 1997 (comentário)
“Vicky Cristina Barcelona” (”Vicky Cristina Barcelona”) 2008 (resenha)

8
“Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo” (”Everything You Always Wanted to Know About Sex”), 1972
“Broadway Danny Rose” (”Broadway Danny Rose”), 1984
“Poucas e Boas” (”Sweet and Lowdown”), 1999
“Tudo Pode Dar Certo” (”Whatever Works”), 2009 (resenha)

7,5
“A Última Noite de Bóris Grushenko” (”Love and Death”), 1975
“Contos de Nova York” (”New York Stories* “Oedipus wreck”), 1989
“Poderosa Afrodite” (”Mighty Aphrodite”), 1995

7
“Bananas” (”Bananas”), 1971 (comentário)
“Dorminhoco” (”Sleeper”), 1973
“Meia-Noite em Paris” (”Midnight in Paris”), 2011 (resenha)
“Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão” (”A Midsummer Night’s Sex Comedy”), 1982
“Setembro” (”September”), 1987 (comentário)
“Misterioso Assassinato em Manhattan” (”Manhattan Murder Mistery”) 1993 (comentário)
“Todos Dizem Eu Te Amo” (”Everyone Says I Love You”), 1996 (comentário)

6,5
“Sonhos de Um Sedutor” (”Play It Again, Sam”) 1972 (resenha)
“Interiores” (”Interiors”), 1978
“A Outra” (”Another Woman”) 1988
“Trapaceiros” (”Small Time Crooks”), 2000 (resenha)
“Melinda e Melinda” (”Melinda and Melinda”), 2004 (resenha)

6
“Maridos e Esposas” (”Husbands and Wives”), 1992
“Celebridades” (”Celebrity”), 1999
“O Sonho de Cassandra” (”Cassandra’s Dream”) 2007 (resenha)

5,5
“O Que Que Há, Gatinha?” (What’s New Pussycat?) 1965 (comentário)
“Um Assaltante Bem Trapalhão” (”Take The Money And Run”) 1969 (comentário)

5
“O Que Há, Tigreza?” (”What’s Up, Tiger Lily?) 1966 (comentário)
“Simplesmente Alice” (”Alice”), 1990 (comentário)
“O Escorpião de Jade” (”The Curse of Jade Scorpion”), 2001 (resenha)
“Dirigindo no Escuro” (”Hollywood Ending”), 2002 (resenha)
“Scoop - O Grande Furo” (”Scoop”), 2006 (resenha)

4,5
“Neblinas e Sombras” (”Shadows and Fog”), 1992 (comentário)
“Você Vai Encontrar o Homem dos Seus Sonhos” (”You Will Meet a Tall Dark Stranger”), 2010

4
“Igual a Tudo na Vida” (”Anything Else”), 2003 (resenha)

Leia também:
- “Quem precisa pensar sobre tamanhas bobagens”, Woody Allen (aqui)
- Os filmes prediletos de Woody Allen em todos os tempos (aqui)
- A cinematografia de Woody Allen de 0 a 10, por Marcelo Costa (aqui)
- Cenas da Vida em São Paulo, parte 3, por Marcelo Costa (aqui)

Novembro 4, 2008   10 Comments

Blog do André Forastieri

Muito tempo atrás, acho que numa das últimas vezes que falamos algumas coisas à sério na brincadeira (hehe), comentei com o Forasta que ele devia lançar um livro com seus melhores textos nos moldes da coleção Iê, Iê, Iê, da Conrad. Ele deu uma resposta evasiva e saiu pela tangente, mas chega agora com um blog em endereço próprio que pretende reunir seus textos para diversas publicações.

Sintomaticamente, recebo a notícia do blog no mesmo momento que um leitor me manda um e-mail especial, daqueles que a gente tem que ler com os pés no chão e com uma tremenda responsabilidade: “Oi, Marcelo. Sou estudante de comunicação e blogueiro, e pretendo ser como você quando crescer”. O que posso dizer é: deixe-me de lado e vá direto à fonte:

http://andreforastieri.com.br/

E ferro na boneca!

Novembro 3, 2008   No Comments

Spiritualized no Brasil… em março?

A possível boa nova vem do orkut, mais precisamente da comunidade do Spiritualized. Segundo Daniel Petry (aqui), que conversou com Mr. Jason “Spaceman” Pierce após as duas horas e meia de tempestade sônica que o grupo apresentou no La Trastienda, em Buenos Aires, o homem foi contatado para shows no Brasil em março de 2009, que ainda não estão fechados, mas a conversa parece que está rolando. Março também não tem uma provável vinda do Radiohead?

Novembro 3, 2008   6 Comments

Todas as minhas rugas

A idade, meus caros, chega para qualquer um (risos). A imagem acima linka para a entrevista que concedi ao graaaande amigo Rodrigo Carneiro, do Showlivre, após uma corridinha para fugir da chuva no Tim Festival. Mais do que falar sobre os shows, impressiona a minha quantidade de rugas (Lili, não assista! - risos). Mas é isso ai. O tempo passa, o tempo voa, a poupança Bamerindus não existe mais e o Itaú e o Unibanco vão se juntar. A vida segue. :) Keith Richards, nos aguarde!

Novembro 3, 2008   8 Comments

Como vão ser os shows do R.E.M. no Brasil

Todas as fotos por Marcelo Costa: R.E.M. no T In The Park

Após sete anos da apresentação arrebatadora do Rock In Rio 3, o R.E.M. volta ao Brasil para uma mini-turnê de quatro apresentações que começa na próxima quinta-feira (06), em Porto Alegre, segue-se no sábado no Rio de Janeiro (08), e termina com duas noites em São Paulo, segunda (10) e terça (11).  Ainda há ingressos para as quatro noites. Ao contrário do show “greatest hits” que o grupo apresentou no Rock In Rio, as apresentações da nova turnê centram foco no excelente último álbum do grupo, “Accelerate”, mas também trazem velharias do fundo do baú, clássicos incontestes e talvez uma faixa inédita. Então atenção: spoilers a vista.

Desde que Michael Stipe, Peter Buck e Mike Mills colocaram o pé na estrada no começo de março, na Flórida, EUA, já se foram quase 80 apresentações com muitas curiosidades. Na perna norte-americana da turnê, Johnny Marr (ex-Smiths, atual Modest Mouse, banda que estava abrindo os shows do R.E.M. nos EUA) subiu ao palco em mais de dez oportunidades para tocar guitarra em “Fall On Me”, “Man On The Moon” e “Pretty Persuasion”. Eddie Vedder engrossou o coro vocal de “Begin to Begin” na Filadélfia.

Cruzei com o R.E.M. duas vezes em julho na Europa e o que é possível adiantar é que faço parte do coro que diz que a banda está totalmente em forma atravessando um dos melhores momentos de sua carreira. Em média, o set list traz 23 canções que privilegiam o repertório de “Accelerate”, mas abrem espaço para canções de “Reckoning” (oito canções do disco já foram tocadas na nova turnê), “Automatic For The People” (que comparece com sete canções), “Document” e “Monster” (seis canções cada). Canções de todos os álbuns já foram tocadas na “Accelerate Tour”.

Ou seja: um show do R.E.M. nunca é igual ao outro. É possível arriscar – com uma grande margem de acerto – a espinha dorsal dos shows, mas o restante é uma grande surpresa. Assim, duas faixas de “Accelerate” tem lugar garantido no show, pois foram as únicas músicas tocadas em todas as apresentações do R.E.M. em 2008: “Living Well Is The Best Revenge” e “Supernatural Superserious”. Outras que devem aparecer são “Man-Sized Wreath”, “Horse To Water” e “Hollow Man”.

A espinha dorsal da “Accelerate Tour” é feita por uma série de clássicos que foram se fixando no set-list conforme a banda experimentava números. “What’s The Frequency, Kenneth?” é – sempre – uma das três primeiras canções do show. “Ignoreland”, “Drive” e “Electrolite” formam o núcleo central da apresentação. A primeira, um belo número do álbum “Automatic For The People”, nunca havia sido tocada ao vivo pela banda. Entrou no repertório da turnê em maio e não saiu mais.

“Electrolite” é um dos grandes momentos do show. Michael conversa com o público, pede para que todos elevem seus celulares aos céus, e diz que as luzinhas dos aparelhos lembram as luzes de Hollywood Hill ao anoitecer. Na segunda parte aparecem “Let Me In”, “Orange Crush” (esta pode estar entre as primeiras canções também), “Imitation Of Life”, “The Great Beyond” e “Walk Unafraid”. A primeira, uma original esporrenta do álbum “Monster” em homenagem a Kurt Cobain, vira um country com todos os músicos numa roda de violão.

O trecho final abre com “The One I Love” e “Bad Day”, e segue com “It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)”, clássico que ficou fora de toda primeira parte da turnê, mas parece que se fixou no set list agora. Para o bis, “Losing My Religion” e “Man On The Moon”. O set list básico da turnê seria, então, este:

01) “Living Well Is The Best Revenge” ou “What’s The Frequency, Kenneth?”
02)
03) “What’s The Frequency, Kenneth?” ou “Living Well Is The Best Revenge”
04)
05) “Ignoreland” ou “Orange Crush” ou “Fall On Me”
06)
07) “Drive”
08) “Man-Sized Wreath”
09) “Electrolite”
10) “Walk Unafraid”
11) “Imitation Of Life”
12)
13) “Orange Crush”
14) “Horse To Water” ou “Hollow Man”
15) “Let Me In”
16) “The Great Beyond”
17) “The One I Love”
18) “Bad Day” ou “I’m Gonna DJ”
19) “It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)”

Bis
20) “Supernatural Superserious”
21) “Losing My Religion”
22)
23) “Man On The Moon”

Os espaços em branco podem ser preenchidos com diversos números. Três canções entraram no repertório da turnê nas últimas apresentações, e tem grande chance de aparecer no Brasil para tapar os buracos especiais do set list: “She Just Wants To Be”, “Everybody Hurts” e “I Took Your Name”. Ao todo, a banda já tocou 86 canções diferentes nesta turnê em 2008, o que daria ao trio a chance de fazer quase que quatro shows completamente diferentes entre si. Ou seja, não é possível cravar nada, pois uma apresentação será diferente da outra e todas vão ser históricas. Mas diz ai, o que você gostaria de ouvir?

Abaixo você acompanha a lista de canções (atualizada com os dois shows de Santiago: “I Believe” e “Radio Free Europe” entraram no set list da tour) e a quantidade de vezes que elas foram já apresentadas na “Accelerate Tour”:

79 - Living Well Is The Best Revenge (Accelerate)
79 - Supernatural Superserious (Accelerate)
76 - Man On The Moon (Automatic For The People)
76 - Man-Sized Wreath (Accelerate)
75 - Bad Day (In Time: The Best of R.E.M. 1988-2003)
75 - Losing My Religion (Out of Time)
74 - Hollow Man (Accelerate)
74 - Horse To Water (Accelerate)
73 - What’s The Frequency, Kenneth? (Monster)
71 - The One I Love (Document)
69 – Ignoreland (Automatic For The People)
68 – Electrolite (New Adventures In Hi-Fi)
68 - Let Me In (Monster)
67 - Orange Crush (Green)
63 - I’m Gonna DJ (Accelerate)
62 - Drive (Automatic For The People)
60 - Imitation Of Life (Reveal)
51 - The Great Beyond (Man on The Moon)
45 - Fall On Me (Life’s Rich Pageant)
42 - It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine) (Document)
42 - Walk Unafraid (Up)
38 - These Days (Life’s Rich Pageant)
37 – Houston (Accelerate)
25 - Driver 8 (Fables of the Reconstruction)
24 - Seven Chinese Brothers (Reckoning)
23 - (Don’t Go Back To) Rockville (Reckoning)
23 - I’ve Been High (Reveal)
22 – Accelerate (Accelerate)
22 - Begin The Begin (Life’s Rich Pageant)
20 - Animal (In Time: The Best of R.E.M. 1988-2003)
18 - Pretty Persuasion (Reckoning)
16 - Final Straw (Around The Sun)
15 - Disturbance At The Heron House (Document)
14 - Auctioneer (Another Engine) (Fables of the Reconstruction)
13 - Country Feedback (Out of Time)
13 - She Just Wants To Be (Reveal)
13 - Sweetness Follows (Automatic For The People)
13 - Until The Day Is Done (Accelerate)
12 - So Fast, So Numb (New Adventures In Hi-Fi)
11 - Circus Envy (Monster)
11 - I Took Your Name (Monster)
10 – Nightswimming (Automatic For The People)
10 - West Of The Fields (Murmur)
09 – Harborcoat (Reckoning)
09 - Time After Time (Annelise) (Reckoning)
08 - Exhuming McCarthy (Document)
08 - Get Up (Green)
08 - Just A Touch (Life’s Rich Pageant)
08 - So. Central Rain (Reckoning)
07 - Find The River (Automatic For The People)
07 - Little America (Reckoning)
07 - Second Guessing (Reckoning)
07 - Strange Currencies (Monster)
07 - Welcome To The Occupation (Document)
06 – Cuyahoga (Life’s Rich Pageant)
05 - At My Most Beautiful (Reveal)
05 – Departure (New Adventures in Hi-Fi)
05 - Sitting Still (Murmur)
05 - The Wake-Up Bomb (New Adventures in Hi-Fi)
04 - 1,000,000 (Chronic Town)
04 - Everybody Hurts (Automatic For The People)
04 - Finest Worksong (Document)
04 - Maps And Legends (Fables of the Reconstruction)
04 - Mr Richards (Accelerate)
04 - Sing For The Submarine (Accelerate)
04 - Star 69 (Monster)
04 - Wolves, Lower (Chronic Town)
03 - Life And How To Live It (Fables of the Reconstruction)
03 - World Leader Pretend (Green)
02 - Leaving New York (Around The Sun)
02 – Pilgrimage (Murmur)
02 - Pop Song 89 (Green)
02 - Staring Down The Barrel Of The Middle Distance (Inédita)
01 – Airliner (B-Side Accelerate)
01 - Carnival Of Sorts (Chronic Town)
01 - Feeling Gravitys Pull (Fables of the Reconstruction)
01 - Gardening At Night (Chronic Town)
01 - Have You Ever Seen The Rain?
01 - I Believe (Life’s Rich Pageant)
01 - I Wanna Be Your Dog
01 - New Test Leper (New Adventures In Hi-Fi)
01 - Perfect Circle (Murmur)
01 - Radio Free Europe (Murmur)
01 - Shaking Through (Murmur)
01 - Turn You Inside Out (Green)

Quando cada álbum cedeu de canções para a turnê:
“Accelerate” (2008) – 12 músicas
“Reckoning” (1984) – 08 músicas
“Automatic For The People” (1992) – 07 músicas
“Document” (1987) – 06 músicas
“Life’s Rich Pageant” (1986) – 06 músicas
“Monster” (1994) – 06 músicas
“Murmur” (1983) – 06 músicas
“Fables of the Reconstruction” (1985) – 05 músicas
“Green” (1988) – 05 músicas
“New Adventures In Hi-Fi” (1996) – 05 músicas
“Chronic Town” (1982) – 04 músicas
“Reveal” (2001) – 04 músicas
“Around The Sun” (2004)  – 02 músicas
“Out of Time” (1991) – 02 músicas
“Covers” – 02 músicas
“In Time: The Best of R.E.M. 1988-2003″ (2003) – 02 músicas
“Inédita” – 01 música
“Up” (1998) – 01 música

Leia, veja e ouça também:
- “Accelerate”, do R.E.M: Cinismo e barulho, por Marcelo Costa (aqui)
- R.E.M. apresenta as novas canções ao vivo no Blogotheque (aqui)
- Cinco shows – que eu vi – para baixar e ouvir: R.E.M. na Bélgica (aqui)
- R.E.M ao vivo no Rock In Rio 3, por Marcelo Costa (aqui)
- R.E.M. – Discografia comentada, por Marcelo Costa (aqui)

Novembro 2, 2008   17 Comments

Mostra SP: “45 RPM”

“45 RPM”, de David Schultz -  Cotação 1,5/5

Em uma cidadezinha dos cafundós do norte do Canadá, sem esperanças e completamente a parte do mundo vive Parry Tender, um garoto que mata aulas para ir pescar ou simplesmente para ficar no teto de sua casa tentando sintonizar uma rádio de Nova York cuja uma promoção está chacoalhando a América: são 30 canções em 30 segundos. Quem acertar as 30 ganha um convite duplo para ir assistir a um show especial com as maiores lendas do nascente rock and roll. Estamos em 1960.

A pessoa mais próxima de Parry é Luke, uma menina que se veste de menino e anda com cinto de cowboy e uma arma de brinquedo para cima e para baixo. Parry e Luke cresceram juntos, e Luke acaba de descobrir que está apaixonada pelo amigo. Entra em cena Debbie, uma loirinha que já rodou Canadá e EUA acompanhada pelo pai major da aeronáutica, que se interessa a primeira vista pelo rapaz que todos na escola dão como um caso perdido. Está formado o núcleo narrativo de “45 RPM”.

Assim que o filme começa, com os acordes de “Roll Over Beethoven” e a voz de Chuck Berry preenchendo o espaço, percebe-se que estamos diante de um leve drama adolescente com jeitão de Sessão da Tarde. A dupla de amigos tenta adivinhar as 30 canções que o tiraram daquele lugar no meio do nada, e a loirinha Debbie chega para dividir o coração de Parry e causar ciúmes em Luke. Tudo bem, tudo bom, mas “45 RPM” guarda surpresas para o trecho final.

Parry não conheceu sua mãe, que sofreu abuso infantil na adolescência, engravidou, e deu o filho para o índio Peter George criar. A história volta a se repetir (e outra cena sugere que o fato repete-se com freqüência), agora com uma de suas amigas, que engravida e separa-se dele. O rock and roll, a promoção, a escola, o coração dividido, tudo fica em segundo plano, e o rapaz deixa tudo para trás em busca do seu verdadeiro amor.

Lendo assim parece bonito e um bocado piegas, vamos combinar. O diretor canadense Dave Schultz tenta armar uma armadilha para o espectador, aconchegando-o numa história juvenil de temática largamente conhecida para, depois, criar o ambiente do abuso infantil, mas algo se perde pelo caminho. A leveza acaba se sobrepondo e a violência que sofre um dos personagens não chega a ganhar força na trama. Fica a sensação de que o recado foi dado, mas o filme não decolou. Basta? Não para o cinema.

Novembro 2, 2008   No Comments

Almoço de domingo

Já fazia um tempo em que eu não arriscava nada na cozinha, então decidi que neste domingo teríamos algo diferente na mesa. Fizemos feira ao meio-dia, abasteci a geladeira de Hoegaarden e fui para o fogão. Na verdade, fui ao google procurar uma receita para o bife de alcatra que eu havia comprado (o mais bonito do supermercado). Optei pelo Bife de alcatra ao molho de vinho.

A receita original – do chef Tunney Fujimaki aqui – previa um prato completo, mas fiquei só com o bife de alcatra ao molho de vinho acompanhado de arroz branco (sob responsabilidade de Lili) e uma saladinha de tomate italiano com azeitonas recheadas com pimentão (já que esquecemos o alface em algum lugar, pois tenho certeza que o compramos na feira, mas não o trouxemos). E um Carmenere da Concha Y Toro.

O preparo foi super simples. Bife frito no azeite em uma frigideira funda banhado vo vinho quando ele chegasse no ponto crocante. Após retirado o bife da panela, mais vinho e também maisena, para dar consistência ao molho. Ficou ótimo. Bem, quase. Na verdade, faltou temperar melhor o bife e deixa-lo descansar (só temperei com sal e pimenta do reino) para assumir o tempero. E… não gosto de molhos. (hehe)

Lili adora qualquer coisa diferente (e já estava “bebinha” no meio do prato – risos), mas eu tenho sérios problemas com molhos fortes que se sobrepõe ao sabor do prato. Exemplo rápido: não como sanduíche com ket-chup, nunca! O ket-chup se sobrepõe ao sabor do hambúrguer, da salada, do tempero, do queijo e parece que você está comendo apenas ele. Com molhos é a mesma coisa seja madeira ou este à base de vinho.

Mesmo assim, a experiência valeu para lembrar-me que a minha paixão por bifes pede receitas que valorizem o gosto da carne, e não o escondam. Abaixo, a receita básica do bife de alcatra ao molho de vinho.

Ingredientes
800 gramas de alcatra sem gordura
amaciante de carnes estilo grill ou fondor
1 cenoura grande
Azeite de oliva virgem
150 ml vinho cabernet sauvignon para o molho
Sal a gosto
Açucar
Amido de milho

Preparo
1) Corte a alcatra em bifes grossos de 2 cm;
2) Polvilhe os bifes com amaciante e deixe descansar por 30 minutos;
3) Aqueça uma frigideira funda com azeite bem quente;
4) Coloque os bifes para fritar e só vire o lado quando o primeiro estiver com a textura crocante. Repita o procedimento com o outro lado do bife;
5) Jogue parte do vinho ( 50ml) na frigideira molhando bem os bifes;
6) Aperte bem os bifes para deixar escorrer o caldo na frigideira;
7) Retire os bifes e reserve;
8 ) Dilua uma colher de sopa de amido de milho com o restante do vinho e acrescente ao molho existente na frigideira;
9) Coloque 1 colher de sopa de açúcar e mexa bem até encorpar como um mingau

Novembro 2, 2008   No Comments

R.E.M. em Buenos Aires: “Satisfacción garantizada”

 O R.E.M. tocou na noite de sábado fechando o Personal Fest, em Buenos Aires. Saiba como foi o show lendo o texto da Rolling Stone argentina (a foto acima é de Leo Liberman): http://www.rollingstone.com.ar/nota.asp?nota_id=1065855

E veja o set list:

Living Well Is The Best Revenge
I Took Your Name
What’s The Frequency Kenneth?
Drive
Driver 8
Man Sized Wreath
Ignoreland
Fall On Me
Electrolite
Imitation of Life
Hollow Man
Everybody Hurts
She Just Wants To Be Me
The One I Love
Night Swimming
Let Me In
Horse To Water
Bad Day
Orange Crush
It’s The End of The World As We Know It (And I Feel Fine)

Supernatural Superserious
Losing My Religion
Great Beyond
Man on the Moon

Falta pouco…

Novembro 2, 2008   2 Comments

“Existem quatro ou cinco lembranças muito, muito difícies com as quais eu tenho que conviver hoje, da hora que acordo até de noite. Por mais que o sol brilhe lá fora, por mais música, alegria e riso que haja em casa. Uma dessas lembranças é esta: havia uma mulher, talvez uns dois ou três lugares à frente de mim, e ela estava com uma criança pequena, e ela não queria largar da criança. E ela também estava grávida. Todo mundo podia ver. Ela ficou de joelhos, implorando pela criança. Os nazistas pegaram aquela criança e a jogaram no chão e pisaram nela, e depois chutaram, com aquelas botas, a mãe grávida. Isso é algo que não dá para esquecer. É algo que não pode ser mostrado num filme ou na televisão. E, se mostrarem, não é real. É uma encenação, algo que ninguém acredita que pode acontecer de verdade.”

Ester Chichinski

Melhor respirar fundo. Eu passei mal pra caralho em Berlim, em julho. Um guia nos levou em vários “pontos turísticos” e nos deu uma aula de história alemã. No final do tour eu estava tremendamente enjoado. Enjoado por muitos motivos, mas o principal é que essas lembranças narradas acima por Ester flutuam no ar como a poluição e os pássaros. Faz parte da atmosfera, e eles precisam manter isso no ar - acredito eu - para que as novas gerações não cometam os mesmos erros, para que ninguém nunca se esqueça disso (como se fosse realmente possível).

Ester é irmã de Bill Graham, o homem que lançou Janis Joplin, Otis Redding, Cream e muitos outros, e profissionalizou uma arte até então capenga chamada rock and roll. Bill, de família judia, foi internado aos 8 anos em um orfanato ainda em Berlim, para fugir dos nazistas, depois mandado para Paris, Barcelona, Madri e, enfim, Estados Unidos, quando foi adotado e começou vida nova. Sua mãe, segundo Ester, não chegou a Auschwitz. “Injetaram gás dentro do próprio trem, e todo mundo morreu. O trem dela, junto com muitos outros, nunca chegou aos campos de concentração”. Ester chegou em Auschwitz no fim de 1943 e foi libertada em 19 ou 20 de abril de 1945.

O relato - e vários outros - integram a parte inicial de “Bill Graham Apresenta: Minha Vida Dentro e Fora do Rock”, livro que está sendo lançado pela Editora Barracuda. Mais pra frente devemos ter histórias de bastidores do rock (Pete Townshend escreveu o prefácio, Keith Richards, Eric Clapton e Santana deram depoimentos), mas esse trecho inicial - que me lembrou o começo de “E o Resto É Loucura”, biografia de Billy Wider - é extremamente sufocante, tão sufocante que não páro de pensar nele desde ontem à tarde, quando comecei a devorar o livro. Das coisas que precisam ser ditas, sempre.

Novembro 1, 2008   No Comments

“O Fora”

A Wonkavision está disponibilizando para download “O Fora”, música de outubro, nos três links abaixo:

http://www.myspace.com/wonkavisionmusic
http://www.reverbnation.com/wonkavision
http://www.lastfm.com.br/music/Wonkavision

Novembro 1, 2008   No Comments