500 Toques: The Verve, Damon Albarn e Oasis

Setembro 30th, 2008

“Forth”, The Verve (EMI)
Se anos após o fim da banda, a carreira solo e nem os projetos paralelos emplacaram, a reunião é inevitável. O Verve volta a ser quarteto (Simon Tong ficou de fora) com um álbum que não tem nenhum hino urbano, mas junta canções psicodélicas como a poderosa “Love is Noise” com baladinhas acústicas como “Valium Skies”. Assim como em “A Northern Soul”, das doze canções, dez ultrapassam os cinco minutos, o que faz ter saudades dos tempos do vinil. Nada que os bons oito minutos da porrada “Noise Epic” não resolvam.
Preço em média: $30 (nacional)
Nota: 7,5

“Monkey: Journey to The West”, Damon Albarn (XL)
Em alguns momentos, “Monkey” – trilha inspirada na ópera adaptada de um romance chinês do século 16 por Albarn, Hewlett e Chen Shi-Zheng – parece como se os integrantes do Kraftwerk tivessem nascido em 1999 e lançassem agora o seu primeiro álbum (aos 9 anos). Em outros não se entende nada. Albarn, que já tocou com músicos de Mali, com o baixista do Clash e com personagens de desenho não descansa, o que não quer dizer que acerte sempre. Aqui, por exemplo, parece que ele errou. Será? Cadê o Blur??
Preço em média: $50 (importado)
Nota: :o)

“Dig Out Your Soul”, Oasis (Sony&BMG)
Descontando a chupada do Doors em “Waiting For The Rapture”, o 7º álbum de estúdio dos Gallagher faz bonito. “Dig Out Your Soul” perde para os dois primeiros álbuns, clássicos, mas briga a tapas pelo bronze com o drogadaço “Be Here Now”. O rockão de abertura “Bag It Up” (com riffs ásperos de guitarra e ótimo vocal de Liam), “The Shock of the Lightning”, “Lord Don’t Slow Me Down” (do excelente CD bônus da edição de luxo) e mesmo a “Five To One Oasis Version” (sic) fazem sorrir num discaço de rock.
Lançamento: 06 de outubro
Nota: 8,75

Oito meses de Wonkavision

Setembro 30th, 2008

Desde o começo do ano que o Wonkavision posta mensalmente uma música nova em seu endereço virtual, mas é claro que a gente se perde na correria do dia a dia, e esquece de ir lá baixar. Hoje eles devem estar postando a canção de setembro, mas mesmo assim as outras oito faixas estão lá para download, coisas como “O Impar Perfeito” (uma das cinco grandes canções do ano), “Rebobinar”, “Tanto Faz”, “Double Dealing” e “A Farsa Que Eu Fracasso Em Ser”. Download gratuito. Vai lá.

http://www.wonkavision.com.br/WordPress/

Uma frase

Setembro 29th, 2008

“Estamos todos na sarjeta, mas alguns ainda olham as estrelas”
Oscar Wilde

“Adorata EP”, The Gutter Twins

Setembro 29th, 2008

Greg Dulli passou os anos 90 infernizando o mundo com melodias apaixonadas entre o rock e o soul, letras surrealistas e pornográficas e muito barulho com sua banda, o Afghan Whigs. Nos anos 00 decidiu começar tudo de novo, engavetou os Whigs e criou o Twilight Singers, que lançou cinco álbuns até o momento. Agora é a vez do Twilight Singers ir para o banco de reservas e ceder lugar para o The Gutter Twins, projeto de Dulli ao lado do amigo Mark Lanegan.

Mark Lanegan, você conhece: é um dos caras acima de qualquer suspeita no cenário rocker mundial. Era vocalista do ótimo Screaming Trees e quando, em 1989, foi gravar sua estréia solo, chamou amigos para participarem da gravação. Na mítica cover de “Where Did You Sleep Last Night”, de Leadbelly, ele conta com o auxilio de Kurdt Kobain (grafado exatamente assim) na guitarra e Chris Novoselic no baixo, núcleo da banda que viria a ser conhecida três anos depois como Nirvana.

Nos últimos anos, Lanegan se especializou em participar de grandes projetos seja ao lado do Queens of The Stone Age (com quem gravou – entre outros – o matador “Songs For The Deaf”, um dos dez melhores discos da década independente dos outros nove), com Isobel Campbell, ex-Belle and Sebastian (parceria que já rendeu dois álbuns), Soulsavers (o belíssimo “It’s Not How Far You Fall, It’s The Way You Land”, de 2007), fora participações em álbuns de PJ Harvey, Melissa Auf der Maur e muitos outros.

Mark Lanegan já vinha colaborando com Greg Dulli nos discos do Twilight Singers e costumava marcar presença em alguns shows do grupo (é famoso o áudio de um show devastador do grupo acrescido de Lanegan em Bruxelas, 2006), o que facilitou o processo de criação do The Gutter Twins, cuja estréia oficial se deu em março com o lançamento do álbum “Saturnalia”, pelo selo Sub Pop, e agora retorna ao mercado – apenas via iTunes – com “Adorata”, um EP caprichado com oito faixas redentoras.

“Adorata”, assim como os shows de Dulli e Lanegan, é recheado por covers inusitadas que vão de Primal Scream e Scottt Walker, passam por José Gonzalez e Vetiver  e inclui uma “Flow Like a River”, do Eleven, banda que conta com Jack Irons, ex-baterista do Red Hot Chili Peppers e do Pearl Jam, e Natasha Shneider, amiga dos músicos e membro do Queens of The Stone Age, que morreu de câncer no começo deste ano. Parte da renda da venda do EP será destinada para a ONG Natasha Shneider Memorial Fund.

Boa parte de “Adorata” foi gravada parcialmente ao vivo durante as sessões de “Saturnalia” com Greg Dulli alternando-se entre vocal, piano, guitarra e, inclusive, bateria, e Mark Lanegan segurando o microfone. O EP abre com a suave versão de “Belles”, do Vetiver (banda próxima a Devendra Banhart), que mantém a leveza folk da canção inserindo uma bateria sincopada, mellotron e harmonium marcantes e uma bonita guitarra espacial afastada na mixagem.

“Down The Line”, um dos cavalos de batalha de José Gonzàlez, surge acelerada numa versão contagiante que destaca belíssimos trechos de violino. “Deep Hit Of Morning Sun” deixa a eletrônica da versão original do Primal Scream para valorizar a linha vocal e a explosão de guitarras no refrão. Por sua vez, “Flow Like A River”, do grupo Eleven e uma das grandes canções de “Adorata”, lembra a versão original de “Deep Hit Of Morning Sun”. Destaque para o poderoso refrão grunge.

“St. James Infirmary” é uma trágica canção tradicional de autor desconhecido composta entre o final do século 18 e o começo do século 19 e que narra a desventura de um homem que ao ir ao hospital descobre que perdeu seu filho e sua mulher no parto. Lanegan já havia gravado uma versão em dueto com Isobel Campbell, mas está versão de “Adorata” impressiona com uma melodia mais forte e densa que materializa sua tragicidade embalada pela marcação blues e com órgão ao fundo.

“Duchess” vem na seqüência numa versão folk tão suave e fiel ao arranjo original que faz sorrir. Gravada por Scott Walker em “4″ (de 1969), a canção favorece o tom vocal de Mark Lanegan, que emociona. Para o final, duas belas faixas inéditas gravadas em sessões na California: “Spanish Doors”, com arranjo orquestral e um crescendo mortífero, e “We Have Met Before”, típica canção de Greg Dulli, que começa leve e explode levando todos os instrumentos consigo.

Com “Adorata” e “Saturnalia”, Greg Dulli e Mark Lanegan entram na briga pelo posto de melhor álbum de 2008, o que não chega a ser surpresa para quem acompanha a qualidade do trabalho destes dois interpretes em versões como “Live With Me” (Massive Attack), “Hyperballad” (Bjork) e “A Love Supreme” (John Coltrane), covers registradas em álbuns do Twilight Singers e que já davam uma pequena amostra do que poderia render essa parceria. Aproveite.

“Adorata”, The Gutter Twins (One Little Indian/Sub Pop)
Preço em média: US$ 0,99 por música via iTunes
Nota: 9

 Leia também:
- “Powder Burns”, The Twilight Singers, por Marcelo Costa (aqui)
- “Live at Brussels”, The Twilight Singers, por Marcelo Costa (aqui)
- “It’s Not How Far You Fall, It’s The Way You Land”, Soulsavers (aqui)

Medeski, Martin and Wood ao vivo em São Paulo

Setembro 28th, 2008

“Por favor, você conseguiria o set list para mim?”, peço a uma das pessoas do backstage assim que o trio Medeski, Martin and Wood deixa o palco do Sesc Vila Mariana na segunda noite (esgotada) de passagem por São Paulo após mais uma apresentação irrepreensível. “Eles não usam set list, usam partitura”, responde um dos técnicos. Sentiu o clima?

Não é o fato minúsculo de usar partitura que faz de uma apresentação do trio de power jazz algo espetacular, mas, sobretudo, saber que eles sabem exatamente o que estão fazendo sobre o palco. E, olha, não deve ser nada fácil. Os arranjos de cada canção são intrincados e complexos, o que não torna o som difícil, muito pelo contrário: o que sai pelas caixas é envolvente e empolgante.

Em duas horas de excelente música, Medeski (alternando-se entre piano de cauda, órgãos e teclados), Martin (com seu kit de bateria cuja até a “lataria” serve como ambiente de som) e Wood (entre o contrabaixo elétrico e o baixolão acústico) confirmaram a expectativa de mais um show para a lista de melhores do ano em uma apresentação mais barulhenta que a de 2006, e tão sensacional quanto.

Fotos: Marcelo Costa (http://www.flickr.com/photos/maccosta/)

Gripe, febre e outras cositas

Setembro 26th, 2008

Após dois dias fora do iG e do MSN num curso promovido pelo RH chego em casa completamente detonado. A gripe que me atacou na madrugada e tomou minha garganta já ferve minha testa em febre e me fez ter vontade de ouvir… Raimundos. Vou me enrolar no edredom, colocar algum DVD e apagar deitado na sala. Espero não ficar o fim de semana todo assim. Passei o Skol Beats, mas domingo tem Macalé recebendo Luiz Melodia e Adriana Calcanhoto. Quero ir. Ou ao menos tentar. E quero ainda escrever um texto sobre o “Blindness” além da brincadeira ai debaixo… risos. Deixa só a febre ir embora…

Atualizando o post no domingo à noite:

Ps1: o texto sobre o Blindness está ai embaixo.

Ps2: show solo do Jards Macalé é altos; do Luiz Melodia, idem; da Adriana Calcanhoto já não posso dizer o mesmo (eu morreria de tédio numa apresentação inteira dela, mas quatro músicas até tem como aguentar), mas os três juntos acompanhados por uma banda beeeem mediana e com o filho do Waly Salomão declamando os poemas do pai, desculpa, mas preciso dizer: é chato demais.

Ps3: a febre foi embora…

“Ensaio Sobre a Cegueira”

Setembro 26th, 2008

 “Ensaio Sobre a Cegueira”, de Fernando Meirelles - Cotação 3/5

Antes de qualquer coisa acho importante dizer: eu não li o livro (ainda). Amigos e muitos críticos reforçam a fidelidade do roteiro ao livro, mas quando digo que não li estou me despindo de uma pretensa comparação entre literatura e cinema, e também de uma expectativa formada no âmago (muitas vezes inconscientemente) que procure respostas emocionais que transformem a ansiedade em algo tocável e reconhecível. 

O desconhecimento da história torna o espectador refém do roteiro, inevitavelmente, afinal ele não sabe o que vem pela frente e por experiência, destreza ou chute forma pequenos núcleos opinativos em sua mente que caminham para lá e para cá conforme a fita vai desenrolando na tela. É um jogo interessante entre diretor e espectador que, quando bem executado, gera filmes inesquecíveis.

“Ensaio sobre a Cegueira” nasce valorizado como história. Baseado na obra homônima do escritor português José Saramago, agraciado com o Nobel de Literatura em 1998, a história é devastadora. Aborda uma epidemia de cegueira em uma cidade qualquer que começa infectando um homem e, depois, toma toda a população e a joga em uma espiral de desencontros cujos valores são esquecidos.

O tema é caro a vários escritores – “A Peste”, de Albert Camus (cujo inimigo também é uma epidemia), “O Macaco e a Essência”, de Aldous Huxley (a fumaça negra causada pela bomba nuclear em uma terceira guerra mundial devasta a civilização) e mesmo “Blecaute”, de Marcelo Rubens Paiva (com três amigos criando em uma São Paulo devastada) – cujo pessimismo em relação à humanidade fica evidente.

Para esta adaptação, Fernando Meirelles cercou-se de alguns dos seus colaboradores (César Charlone na fotografia, Daniel Rezende na edição) e de um time estrelado de atores do qual fazem parte Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Don McKellar, Danny Glover e Gael Garcia Bernal. O filme foi rodado em Toronto, no Canadá, em São Paulo e Osasco no Brasil e Montevidéu no Uruguai, e apesar de todo o esforço o resultado soa… incompleto, distante.

Se o roteiro de “Ensaio sobre a Cegueira” é fiel ao livro, e o livro é um clássico da literatura moderna, qual o motivo do filme não funcionar? Talvez seja a opção da direção em torná-lo distante de seu público. A estilização fotográfica é belíssima, mas inibe o espectador que acaba por fim não se envolvendo com a história, por mais que a história seja envolvente.

Colocado na posição de observador, o espectador enfrenta um segundo problema, talvez o maior do filme: a sujeira visual exibida nos corredores, nos destroços de ruas famosas de São Paulo é muito maior do que a sujeira moral proposta pelo roteiro. Fernando Meirelles parece ter amaciado o formato visual do discurso para não chocar o público, e a sujeira moral é um dos grandes atrativos de “Ensaio sobre a Cegueira”.

Meirelles já havia feito o mesmo em “Cidade de Deus” alcançando um resultado excepcional ao contar a história da favela carioca com um certo tom de humor, câmera e edição frenéticas e muita ação, opções que amaciavam a realidade dura de um território dominado pelo tráfico de drogas, vivendo chacinas recorrentes e com “governantes” locais que desafiavam o Estado.

Em “Ensaio sobre a Cegueira”, porém, a opção parece não funcionar. As cenas estão ali, mas não causam impacto. A derrocada da sociedade na visão de José Saramago é completamente pessimista, e não dá para o público ficar alheio a esta visão. Porém, tudo se apóia na belíssima metáfora da cena final, lírica, dos cegos que vêem, pois o espectador deixa a sala achando que a humanidade tem solução, mesmo com toda barbárie exibida minutos antes.

Entre a sutileza do discurso cinematográfico e a metáfora deslumbrante de seu final arrebatador (e talvez rápido demais – o que pode escapar ao público), “Ensaio sobre a Cegueira” está longe de ser um filme ruim assim como também não exibe os dotes tão caros a um filme clássico. Fica no meio do caminho e até pode abrir os olhos de algumas pessoas, mas o mérito será muito mais do paciente do que do médico. Não será sempre assim?

Mojo Club - agora vai!

Setembro 25th, 2008

500 Toques: Marcelo Camelo, Capital Inicial e Leo Jaime

Setembro 24th, 2008

 “Sou/Nós”, Marcelo Camelo (Sony&BMG)
O ex-Los Hermanos continua pregando em sua estréia solo o tom calmo que marcou parte do disco “4″, canto de cisne de sua ex-banda. Ele clona um Chico Buarque aqui (”Copacabana” é safra 66), faz bossinhas ali e acolá, arrisca um soft rock (”Mais Tarde”) e conta com a presença da fofa Mallu Magalhães – que desafina horrores em “Janta”, mas convence. O carimbó “Menina Bordada” e a bela introdução de “Liberdade” (na sanfona marcante de Dominguinhos) brilham num disco que, por fim, é chaaaaato demais.
Preço em média: R$ 21,90
Nota: 5

 ”Multishow ao Vivo”, Capital Inicial (Sony&BMG)
Este registro mega (gravado na Esplanada dos Ministérios no dia do aniversário de Brasília) prova que o tempo passou e, quem diria, o Capital se transformou na maior banda do país, a única “das antigas” que ainda cria material novo e não sobrevive (só) do passado. Entre hits velhos (”Independência”), novos (”Eu Nunca Disse Adeus”, umas das mais festejadas, é de 2007) e covers (Raimundos/Legião), “Dançando com a Lua”, uma inédita de sotaque emo que deve garantir mais alguns anos para o quarteto.
Preço em média: R$ 21,90
Nota: 6,5

 ”Interlúdio”, Leo Jaime (Som Livre)
Um dos maiores hitmakers da música pop nacional dos anos 80, Leo Jaime estava há 13 anos sem lançar disco novo. “Interlúdio” é irmão direto do reflexivo “Nada Mudou” (1986), disco subsequente a superexposição causada pelos megahits “A Vida Não Presta”, “As Sete Vampiras” e “A Fórmula do Amor”. É um disco sereno, cujo (eterno) romantismo (com um ar de deboche) dá o tom de parcerias com Leoni e Alvin L. e mantém afiada a veia pop em canções como “Se Ela Soubesse O Que Quer”, “Tudo” e “Fotografia”.
Preço em média: R$ 19,90
Nota: 8

Onde comprar CDs em Buenos Aires?

Setembro 24th, 2008

O Hugo perguntou e fui consultar o Gustavo, capo da Ultrapop, selo independente argentino que lança no mercado portenho gente como Cat Power, Stephen Malkmus e Jon Spencer, entre outros. Diz o Gustavo:

Loja Compakta: Pasaje El Lazo 3156, local 7, Compakta

Rockand Freud: abaixo do shopping Alto Palermo, 1972 en Palermo

y puede pasar por nuestro bar tienda!!!! Tambien tenemos discos:
ULTRA
Sala de conciertos y eventos. Restaurant. Bar. Arte.
San Martín 678
Buenos Aires
Tel 54 11 4312 5605

****

Além das boas dicas do Gustavo, uma passada na Musimundo, na Ateneu e na Dromo (todas na Calle Florida). A Avenida Santa Fé tem filiais das três lojas e várias boas lojinhas de rua. E não esqueça de olhar nas bancas de revistas. A Rolling Stone tem uma edição especial com disco clássicos que é bem bacana…

Leia também: Onde comprar discos na Europa? (aqui) Turismo em Buenos Aires (aqui)