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Posts from — agosto 2008

Uma tarde na Liberdade

Como que nos preparamos para conhecer outros lugares do mundo se nem conhecemos bem a cidade e o país em que nascemos? Toda vez que volto para casa após uma viagem me questiono isso. Como admiro igrejas de outros lugares e não entro na Catedral da minha cidade? Como procuro conhecer os pontos históricos de Buenos Aires, Santiago, Londres e Paris e deixo passar batido a dura poesia concreta de São Paulo?

Pensando nisso, assim que voltei pra casa após minha temporada européia já comecei a planejar passeios imaginários que precisava realizar, desde tentar passar uma tarde gostosa no bairro da Liberdade até fazer o percurso Mariana/Ouro Preto de Maria Fumaça. Este último pode acontecer em setembro. Já o primeiro fizemos neste domingo passando pela Catedral da Sé, desbravando um pouco da culinária oriental, entrando num supermercado e bebendo suco pobá.

Segundo infos da Wikipedia, o bairro da Liberdade é um distrito da região central da cidade de São Paulo. É o maior reduto da comunidade japonesa na cidade, a qual, por sua vez, congrega a maior colônia japonesa do mundo, fora do Japão. Uma multidão de pessoas circula pela rua Galvão Bueno, a via principal, dominada por luminárias tipicamente orientais e por estabelecimentos  onde as placas são escritas em caracteres orientais.

Meu plano inicial era levar Lili para experimentar o indescritível suco pobá de frutas tropicais na Padaria Itiriki Bakery (Rua dos Estudantes, nº 24), que já foi premiada pela excelente qualidade de seus pães artesanais. O sabor de frutas tropicias, no entanto, está em falta (“Deve chegar em uns três meses”, informou a balconista) então decidi encarar o de Inhame com Leite, cujo gosto me informaram ser de baunilha.

Lili, decididamente, não gostou. Após experimentar o suco, agarrou sua coca-cola e não largou e nem quis experimentar mais. A característica principal do suco tobá são as bolinhas (tipo sagu, mas beeem grandes) que ficam no fundo do copo, e que sobem junto com o líquido adocicado pelo grosso canudo. Assim, o de frutas tropicais é melhor, mas nenhum deles é delicioso com todas as letras. É… estranho, mas interessante. Numa comparação, prefiro o mate com leite. 

Após o lanchinho na Itiriki Bakery voltamos para a Galvão Bueno, descemos à rua e entramos em um supermercado. Em meio ao milhão de ofertas tentadoras e estranhas nas prateleiras (quase todas com uma etiqueta traduzindo o conteúdo descrito em japonês), Lili comprou dois pacotes de balas (um de leite e outro de açúcar mascavo com mel) enquanto eu abracei uma garrafinha pequena de saquê.

O desafio, no entanto, viria a seguir, e perdoem-nos os fãs e apreciadores, mas nem eu, nem Lili, gostamos de comida japonesa. A gente já sabia disso, mas precisávamos confirmar. Nós decididamente tentamos, viu. Entramos no Café Restaurante Banri para um almoço e pedimos um porção de guioza, um banri yi pequeno de sushi com 13 unidades (três niguiri, seis sashimi e três uramaki) e um mini temaki (com um de atum e dois de salmão).

Primeira boa notícia: consegui comer com os hashis. Não manuseei como um mestre, mas acho que dava para tirar uma nota cinco e passar de ano. O guioza estava ok, mas o que eu e Lili comemos na casa do Rodrigo e da Dani meses atrás dava de dez nessa. Esse pastelzinho (no nosso caso, de carne) cozido a vapor é uma boa entrada. Para acompanhar, uma Sapporo (4,9%), cerveja japonesa meio aguada cujo rótulo diz “Japan’s Oldest Brand”, mas que é feita no Canadá.

Até gostei dos sashimis (fatias finas de peixes ou de frutos do mar crus) de salmão, mas não dos de atum.  O mesmo vale para os niguiri (bolinho de arroz em forma alongada coberto por uma fatia de peixe cru ou ainda polvo e camarões) e temaki (cone com alga por fora recheado com arroz, peixe, legumes ou cogumelos) de salmão. Os uramaki (arroz sobre folha de alga, tiras de peixe ou outros ingredientes, enrolado de forma com que o arroz fique na parte externa) também desceram ok.

Então você diz: “se a comida desceu ok, então tudo bem”. Mais ou menos. A comida é ok, mas não é um prato que eu tenha prazer em comer. O peixe cru não desce realmente bem (essa é a verdade), pelo gosto (de tempero de shoyo) e por sua tendência pastosa. A temperatura fria da maioria dos pratos também não me agrada. E mesmo tendo aprovado camarão frito em Maceió após muito tempo, e adorar filé de pescada, das águas salgadas continuo gostando mesmo é de sereia. (hehe)

Mesmo assim foi um avanço, vamos admitir. Da última vez que eu havia ido jantar na Liberdade, com a namorada e um casal de amigos, em um restaurante da badalada rua Thomaz Gonzaga, pedi um filé-mignon enquanto eles comiam comida japonesa. Hoje entrei no clima, e a tarde gostosa no bairro da Liberdade terminou com o bom picolé coreano Melona (veja). Tem de vários sabores (banana, morango, abacaxi), mas eu fui no tradicional Melon Flavored Ice Bar, ou seja, Melão. É um sorvete cremoso formato barra (tipo espetinho de queijo) que faz sucesso no bairro. Curti.

Padaria Itiriki Bakery
Rua dos Estudantes, 24, Liberdade
Preço em média do suco de pobá: R$ 7,90

Banri Café Restaurante
Rua Galvão Bueno, 160, Liberdade
Preço em média do almoço (duas pessoas): R$ 40,00
Sorvete Melona: R$ 3,50

Supermercado Narukai
Rua Galvão Bueno, 34, Liberdade
Preço em média do pacote de balas: R$ 4,20
Preço em média do saquê 150ml: 4,00

Crédito das fotos: Wikipedia (primeira) e Lili Callegari (as demais)

agosto 24, 2008   No Comments

Fui comprar cervejas…

já volto.

Bem, é quase isso. Fui convidado para participar do juri do Prêmio Caixa de Jornalismo, o que quer dizer que me afundei nessa semana no meio de mais de trinta reportagens em texto e umas vinte em vídeo. Eu tinha até planejado uma folga para hoje, mas a chefia já havia me escalado para um curso de gerência e liderança (quinta e sexta). Ou seja, não sobrou tempo para nada nesta semana (espera um pouco que vou ali respirar). Só passei para dar um oi e dizer que… lançaram “Asas do Desejo”, do Win Wenders, em DVD.

Aliás, comprei essa semana “Jules et Jim”, do Truffaut, e “Pacto de Sangue”, do Wider, dois filmes que eu sempre sonhei em ver/ter, e que eu namorava fazia tempos, mas não tinha coragem de pagar R$ 40 por cada um. A Versátil – responsável pelos DVDs mais caros do país – fez uma promoção em julho com algumas lojas e pude comprar os dois por R$ 50. Ok, deixei “Um Cão Andaluz / L’Age D’or”, do Buñuel, mas estou de dedos cruzados esperando que até a sexta que vem ainda sobre um por R$ 27 para eu chamar de meu.

Ok, hora de ir, pois o curso começa cedo e a sexta-feira será um loooongo dia. Para o fim de semana, quem sabe, deve rolar um roteiro de cervejas gringas e audições de Francoise Hardy. Descobri uns bares legais e estou querendo beber o meu top ten para escrever com mais propriedade. Eu vou comprar cervejas, talvez eu demore, mas volto. Sinta-se em casa.

agosto 21, 2008   No Comments

Você já tomou Na Bunda?

nabunda.jpg

Calma minha gente, eu tô falando da cachaça. Com todo respeito, por favor. A picante aguardente de cana grossa envelhecida em tonéis de pau barbado e produzida no município de Cacete Armado de pai para filho desde 1924 (clique nas fotos abaixo para ler mais detalhes do hilário rótulo da cachaça) é apenas uma das várias vedetes que circulam nos balcões do Porto da Pinga, cachaçaria de Paraty (endereço no fim do post). Neste caso, porém, a piada é mais importante que a cachaça (de terceira linha), por isso, deixe-a para o final da noite.

Antes, prove nomes como Canarinha, Boazinha, Lua Cheia, Seleta, Prosa e Viola (todas de Salinas, MG), Claudionor e Januária Centenária (Januária, MG), Germana (Nova União, MG), Benvinda (Patos de Minas, MG), Paratiana (Paraty, RJ), Maria Izabel (Paraty, RJ), entre outros, apreciando o sabor, degustando mesmo. Tome uma Providência (Buenópolis, MG) e, se a grana estiver sobrando, pense em encarar uma dose da mítica Anízio Santiago (Salinas, MG), que pode custar entre R$ 20 e R$ 30 (a dose, não a garrafa).

Curta o cardápio escolhendo as pingas pelas madeiras dos tonéis e, quando estiver preparado, tente encarar a botija com aguardente Pirahy (Volta Redonda, RJ) envelhecida com cobra. Você não tem nem tempo de pensar. O barman coloca o jarro na sua mesa e antes de você perguntar algo, ele mesmo enche o copo e vira a dita. Se ele não cair nos próximos dez segundos, não perca o brio: encha o copo, vire de uma vez e bata na mesa. Apenas tenha cuidado quando sair. Caminhar no Centro Histórico de Paraty pode ser uma aventura. Aqueles paralelepípedos…

Ps. Este blogueiro não tomou Na Bunda… apenas deu uma bicadinha nela!

nabunda1.jpg nabunda2.jpg

Post escrito especialmente para o blog Bebidinhas (aqui)

Restaurante e Cachaçaria Porto da Pinga
Rua Matriz, 12, Centro Histórico, Paraty-RJ
(24) 99074370 / (24) 99580121

agosto 20, 2008   No Comments

Josh Rouse ao vivo em SP

Se o consumismo não fosse tão forte, se não existissem paradas do sucesso, jabaculés e afins, se o que importasse no mundo fosse o simples prazer pelo prazer (e não por modismos, vícios ou enganos), Josh Rouse seria um cara muito mais reconhecido. O músico norte-americano, após um auto-exílio na Espanha, prepara sua volta aos Estados Unidos enquanto coloca na web e nas lojas discos cujo cerne é a simplicidade das boas canções.

Em São Paulo, Josh tocou para uma platéia animada que não esgotou os ingressos do teatro do Sesc Vila Mariana (era possível comprar na porta minutos antes do show), mas que conhecia – e bem – o repertório do show, mesmo com seus últimos álbuns inéditos no Brasil. “Vocês compraram pela internet, não é mesmo?”, brincou o músico em certo momento da apresentação, concentrada em material de seus últimos quatro álbuns (“1972”, “Nashville”, “Subtitulo” e “Country Mouse, City House”).

O bonito “Subtitulo” (2006), primeiro álbum gravado por Josh na Espanha, foi responsável por abrir a noite com as encantadoras “His Majesty Rides”, “It Looks Like Love” e “Summertime”, em versões superiores ao álbum (mesmo com o cantor esquecendo um trecho da letra da última). Do álbum ainda marcaram presença “Givin’ It Up” e a belíssima “Quiet Town”.

Seu disco mais recente, “Country Mouse, City House” (2007), foi representado apenas por três canções: a fofa “Sweetie”, a jazzy “Pilgrim” e o rock “Hollywood Bass Player”, em versão urgente. Vestido de jeans, tênis e blazer e alternando-se entre a guitarra acústica e o violão, Josh confessou paixão pela música brasileira, mesmo sem entender a língua: “Como vocês devem ter lido nos jornais, sou fã de música brasileira. Não entendo o que eles dizem, mas tudo soa tão bem. Não é isso o que importa?”.

O show foi estrategicamente dividido em blocos que procuravam representar algum de seus últimos (quatro) álbuns, ignorando totalmente os três primeiros. Desta forma, “Comeback (Light Therapy)” e “Love Vibration”, ambas do ótimo “1972” (2003) chegaram no meio da apresentação para dar um toque mais suingante para a noite (com detalhe para a slide guitar de Mike Cruz – que também tocou teclados – e a linha de baixo marcante de James Haggerty).

A parte final foi inteiramente dedicada ao álbum “Nashville”, um dos discos favoritos dos fãs. “Winter in The Hamptons”, “Carolina”, “Streetlights”, “Why Won’t You Tell Me?” e “It’s The Nighttime” fecharam o show contagiando o público. Para o bis, “Slaveship” (do “1972”), “Sad Eyes” (outra pérola do “Nashville”) e “Directions” (a pedido do público), única concessão do músico a material antigo, neste caso do álbum “Home” (e também da trilha sonora do filme “Vanila Sky”), de 2000, lançado no Brasil pela Trama. Um belo show.

– “Directions” ao vivo no Sesc Vila Mariana, por Marcelo Costa (aqui)
– “Country Mouse, City House”, de Josh Rouse, por Marcelo Costa (aqui)

Fotos: 1) Marcelo Costa 2) Liliane Callegari

agosto 16, 2008   No Comments

20 filmes para o “primeiro encontro”

Quando eu estava voando de Londres para Madri, para passar o tempo, pedi uma edição do The Times para ler. Apesar da manchete ser extremamente interessante (“Archbishop believes gay sex is good as marriage”), deixei de lado e fui direto para a parte de cultura, que destacava uma daquelas listas que nós – filhotes de Rob Fleming – sempre adoramos. Dois jornalistas (um homem e uma mulher, claro) apontam os vinte melhores filmes para assistir em uma noite a dois (um encontro).  Tem coisas que conheço, babas melosas e, claro, alguns filmes obrigatórios.

Revi um dos filmes do listão assim que voltei de viagem. Quem pensou em “Antes do Por-do-Sol” acertou. Fui rever em que maldito cruzamento após a livraria Shakespeare and Co eu errei a entrada, e descobri que após as três ruas certas que fiz, o filme corta a travessia da rua e a cena já aparece na quarta ruazinha, mas é por ali mesmo. Na próxima vez que estiver em Paris garanto: vou achar o café! Revi também, hoje, “Como Perder Um Homem em Dez Dias”, que não está na lista e nem deve ser visto no primeiro encontro. Ou deve? Não sei, só acho uma comédia romântica fofíssima.

A lista abre com “Núpcias de Escândalo” no número 1, uma comédia romântica de 1940 com Cary Grant e Katharine Hepburn que o Times define como “inteligente e romântica sem ser melosa”. No segundo posto, “Annie Hall” (1977), de Woody Allen, para mim, a comédia romântica perfeita (eu já falei sobre isso aqui). O Times assume o contra-senso de colocar no segundo posto de uma lista de filmes para se ver a dois um filme que narra o fim de um relacionamento, “mas há algo que transcende, como a cena com os entes queridos ou a da lagosta”, escreve a repórter.  Assino embaixo.

Na terceira posição, uma surpresa: “Brokeback Mountain” (2005), o belo filme de Ang Lee sobre o amor entre dois cowboys (escrevi na época). “O filme de Lee é um testemunho do poder do amor contra as probabilidades”, define o jornal. Na quarta posição, outra surpresa: “Digam o Que Quiserem” (1989), filme de estréia do grande Cameron Crowe que até hoje não assisti (agora tenho em DVD). Wendy, a repórter, dispara: “Eu desafio qualquer um a não se derreter na cena em que John Cusack faz uma serenata para sua ex cantando In Your Eyes, de Peter Gabriel, debaixo da janela”.

Cameron Crowe, por sinal, crava dois filmes no Top 20: seu excelente “Jerry Maguire” (1996), uma das raras comédias românticas escritas para homens, aparece em 16º lugar. Kevin, o repórter, reclama das cenas de futebol americano (que eu curto), mas se derrama pela famosa cena final, em que Tom Cruise entra na sala lotada de solteironas e diz, “vai ser aqui mesmo”. Eu tenho uma versão em MP3 de “Secret Garden”, de Bruce Springsteen, com vários diálogos do filme, e sempre me arrepio com a frase final do filme, de Renée Zellweger.

Em quinto lugar aparece “Sideways” (2004), que sinceramente nunca me comoveu e, em sexto, a dobradinha “Antes do Amanhecer”/”Antes do Por-do-Sol” (1995/2004), de Richard Linklater (texto meu da época). Em sétimo, “Amor à Flor da Pele” (2000), de Wong Kar-Wai: “Lânguido, exuberante e recortado por uma requintada melancolia, este é um dos romances visualmente mais deslumbrantes da história do cinema”, diz o Times.  Em oitavo, “Acossado” (1960), de Godard: “…um debate sobre felicidade, liberdade e intimidade” (e Jean Seberg… suspiro pra ela aqui).

Na nona posição, outro filme com Cary Grant, desta vez assinado por Alfred Hithcock: “Intriga Internacional” (1960). A justificativa do Times é divertidissima: “É tudo sobre o poder da sugestão. Após duas horas de perseguições frenéticas e espionagem internacional, Cary Grant e a hot blonde Eva Marie Saint entregam-se ao amor num trem transcontinental. Eles se beijam, se abraçam, e imediatamente antes dos créditos finais o trem mergulha em um túnel maravilhoso. Você vira, então, para o seu par. Yep, a noite está apenas começando” (risos).

Para fechar o Top 10, “Pânico” (1996), de Wes Craven. A lista segue – bastante duvidosa – com “Dirty Dancing” (1987),  “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” (2004 – escrevi aqui), “Ghost” (1990), “Um Casamento à Indiana” (2001), “Gostosa Loucura” (2001), “Jerry Maguire” (1996), “Água Negra” (2002), “Shortbus” (2006), “A Força do Destino” (1982) e “O Clã das Adagas Voadoras” (2004), este último recomendado para pessoas que gostam de pequenas brigas no relacionamento (sim, elas existem).

A reportagem do The Times (e todos os comentários do “casal” de repórteres) só está disponível para assinantes aqui (mas há outro Top 50 aqui). Preste atenção que há links relacionados no texto do The Times com outras três listas, entre elas um Top 10 sobre os filmes que podem matar um encontro, incluindo “Vera Drake” (2004) e “Irreversível” (2002). E qual filme você indicaria para um encontro? Será que “As Pontes de Madison” (1996 – aqui) é muito intenso? E Billy Wider (“Sabrina”, “Se Meu Apartamento Falasse”) é muito leve? Hummm, acho que vou de “Feitiço do Tempo” ou… “Embriagado de Amor”. Será?

agosto 14, 2008   No Comments

Onde comprar CDs na Europa

Título extremamente pretensioso, mas tudo bem. O fato é que assim que voltei pra terrinha, dois amigos me escreveram pedindo dicas de lojas de CDs em Londres. Escrevi para um, dei um “control c control v” para o outro e tudo lindo. Hoje, outro amigo pediu dicas, e já está na hora de socializar essas informações. Ainda mais porque você vai ler e perceber que eu deixei de fora aquela loja sensacional que só você conhece, e que dá próxima vez eu irei (risos). Ou seja, é mais para compilar infos mesmo. Seguem dicas de Londres, Paris, Barcelona, Glasgow, Atenas, Bruxelas, Luxemburgo e Berlim.

Em Paris tem a FNAC (em todos os cantos da cidade) e a Virgin, ambas na Champs Élysées. Bons preços, mas só compra o que estiver na promo! Eles costumam fazer uma promo de CDs por 7 euros, quatro por 20, mas só pra quem tem carteirinha da FNAC ou da Virgin. Mesmo assim, 7 euros compensa muito (comprei Jam, três Sigur Ros diferentes, os três boxes com três CDs cada – com preço de um – do Django Reinhardt mais uns Cohen e Lou Reed que me faltavam). Assim, tudo que não for lançamento geralmente tem um preço bem bom. Quer duas lojinhas bacana em Paris? Vá a Paralleles no número 47 da Saint-Honore (do ladinho do Forum Les Halles) ou na Rue de la Montagne-Sainte-Geneviève, 64 (abaixo do Pantheon), na Crocodisc. Excelentes e com vasto material em CDs e vinis.

Em Londres tem: as megastore e as lojinhas de usados (que não achei em Paris). Nas megas, mesma coisa: bons preços, com a vantagem que em Londres não tem essa de carteirinha de associado, então aproveita as promos de dois CDs por 10 pounds (às vezes quatro). Tem muuuuuita coisa foda. Os lançamentos são caríssimos, então esquece. Muitas coisas do ano passado e de catálogo já estão nas promos de dois por 10 pounds, quando não em uma parte que vai de 3 pounds (como o Secret Machines) até 10 pounds (uma edição especial do último do Snow Patrol). São duas as megas: HMV e Fopp.

A HMV é fácil de achar: está na Oxford Street, principal rua de compras de Londres. Faz pesquisa. Tem coisas que você vê por 15 pounds em uma que está na promo de dois CDs por 10 pounds na Fopp, que fica em Covent Garden e é sensacional. Fica na 1 Earlham Street. Estando perto do metro é mole achar. Aliás, tem a Rough Trade, que merece uma visita (embora eu tenha achado os preços salgados). Fica no 91 da Brick Lane.

Já as lojinhas existem em três pontos distintos: na Berwick Street no Soho (a rua da capa do disco do Oasis), que na verdade é uma travessa da Oxford Street. Tem duas lojas fodas nessa rua: a Sister Ray (número 34/35), que não tem usados, mas tem coisas ótimas em ótimos preços (comprei o Rated R, do Queens, edição dupla, por 7 pounds e o novo da Cat Power, edição dupla em capinha de vinil, por 9 pounds) e a MVE (95), loja de usados que você irá deixar seu salário (risos). Eles expõe apenas a capa do álbum em envelopes. Você separa o que quer e leva no balcão. Os preços seguem uma rotina semanal: eles vão abaixando toda semana se não vender. Então, o que vale é sempre o último preço. Tem CD que chegou lá por 10 pounds que eu peguei por 4. Fica no final da rua.

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Além dela tem as lojinhas de usados da avenida Notting Hill. Você desce no metro Notting Hill Gate, e sai na própria Notting Hill Gate. Vai no número 38 (acho), que é a Rock and Pop. Passa direto pelo térreo e segue para o porão. Meu amigo, lá você vai passar mal. Coisas de 1, 2 pounds. CDs ótimos! Revire o lugar (a parede principalmente) e só depois suba para o térreo, onde você ainda vai encontrar muita coisa boa. No número 42 tem a Soul and Dance, mais focada em jazz, electro, eletrônico e vinis. Entra só por curiosidade. Você vai acabar levando algo. O terceiro lugar é Camden Town, que eu não fui por absoluto medo de gastar muito. O pessoal do Alto Falante pirou lá!

Em Glasgow existem filiais da HMV e da Fopp nas avenidas principais, mas a loja mais bacana da cidade é a Avalanche Records (que também tem uma filial em Edinburgh). Em Glasgow ela fica na Dundas Street, número 34 (foto acima). Achei por acaso, andando para descobrir onde ficava a estação central de ônibus. É uma lojinha especial, daquelas para se revirar toda e encontrar preciosidades.

Em Barcelona, a grande rua se chama Calle Tallers, e começa exatamente nas badaladas Ramblas. São várias lojinhas de CDs umas grudadas nas outras (cinco ou seis). Entre na Revolver Records (número 11) e na Castelló (número 7). Além de muitas coisas em bom preço, eles também tem bootlegs excelentes em áudio (comprei um do R.E.M. tour 2008) e vídeo. Só do Bruce Springsteen tinha uns 15 DVDs não oficiais extremamente caprichados (com shows de 1975 até este ano). Fiquei com medo e pulei Beatles e Rolling Stones na prateleira. Era muuuita coisa. Em Atenas vale conferir a Zacharias (ou Zaxapiae), paraiso de usados e bootlegs no número 20 da Ifestou (ou Ifaistiou). Melhor: desce no metrô Monastiraki, entra na praça e vá com fé no Athens Flea Market (foto da entrada aqui). É por ali.

Na Escandinávia, por mais que a moeda diferente assuste, vale muito conferir duas muito interessantes: em Oslo, a Rakk & Ralls (Rock & Roll) reúne vinis e CDs usados e novos em Oslo e merece o título de Amoeba norueguesa. De compactos de época dos Beatles, Stones, Clash e Sex Pistols, a boxes e CDs raros novos, a loja (que oferta bons preços) pode falir economias claudicantes. Espetacular. Já em Estocolmo, não deixe, mas não deixe mesmo de passar na Pet Sounds, no  distrito de Södermalm. Vinis e CDs, usados e novos. Sensacional.

Já a lojinha bacana de Berlim fica no número 77 da Warschauer Strasse (mesmo metrô) e se chama Warschauer Music Store. Lá tinha umas dez versões de bootlegs do Joy Division (comprei a edição alemã dupla do “Era Vulgaris”, do Queens, mais um bootleg do Radiohead tour 2008). E tem uma loja de livros e CDs perto da Alexander Platz que é meio saldão que quase me levou a falência. Quando vi, estava com dez boxes de CDs nas mãos. Trouxe só quatro, mas volto um dia para pegar os outros seis.

E, imperdível na capital alemã, tem a sensacional Cover Music, no número 11 da Kurfürstendamm, na praça do Europa Center, metrô Zoologischer Garten (impossível não vê-la com seu toldo amarelo cobrindo boa parte da praça). Foi ali que achei o raríssimo vinil “On Strike”, do Echo and The Bunnymen. Muita coisa de vinil e CDs com preços ótimos. Por fim, uma lojinha bacana em Bruxelas: Arlequin. São dois endereços: Rue du chêne 7 e Rue de l’Athénée, 7-8.  O primeiro fica a cinco minutos a pé da Grote Markt, a histórica grande praça da cidade. Foi a que passei e vale conhecer. Na cidade de Luxemburgo tem a CD Buttek From Palais, Rue do Marche Aux Herbes, 16, simplesmente excelente.  Boa sorte.

Leia também:
– Sebos e lojas bacanas de CDs e DVDs em SP (aqui)
– Alta Fidelidade (aqui)
– Comprando vinis com Robert Crumb (aqui)
– Onde comprar CDs em Buenos Aires (aqui)
– Lojas bacanas de CDs e vinis em Nova York e Chicago (aqui)
– Sete lojas de CDs e vinis na Europa (aqui)

agosto 11, 2008   No Comments

Resumão de idéias confusas

 Não sei, mas acho que esse post tem tudo para ser enorme. Sinta-se desobrigado de ler tudo, e perdoe a confusão de idéias que devo tentar transformar em palavras, mas meu coração, neste momento, arde em chamas. Foi absurdamente inebriante fazer essa viagem. É impossível não falar o óbvio, e eu tenho que me juntar ao coro dos contentes: a Europa é… foda. Foda, foda, foda.

Ok, você já sabia disso, né. Eu também, mas a coisa toda é de uma proporção que eu não imaginava ser. Nos meus planos pessoais sempre me imaginei morando fora do Brasil em um certo período da minha vida, e após passar 40 dias vivendo um choque cultural – que mais aproxima do que afasta – a vontade é juntar as coisas e se mandar. Sério.

Nada contra o Brasil. Eu amo esse país com todas as forças que tenho. Lembro sempre do tempo em que servi o exército, companhia de infantaria, pelotão de metralhadoras, no Batalhão de Aviação do Exército, em Taubaté. Cantávamos o hino nacional todos os dias de manhã, e todos os dias de manhã eu me pegava cantando arrepiado. Um ano, um mês e quatro dias assim.

Sempre lembro, também, de uma velha entrevista da Legião na Bizz. A repórter abre perguntando: “Que Pais é Este?”. O Bonfá, afoito, diz: “É um país jóia, maravilhoso, as pessoas são legais pra cacete, não saio daqui por nada. Putz, as pessoas falam a mesma língua que eu”.  O Renato, sempre ele, corta: “Não sei. Às vezes fico achando que as pessoas falam uma outra língua que não a minha”.

Essas realidades são bem palpáveis. Tenho muitos amigos no Brasil, minha família é daqui. Nasci em São Paulo, a alguns poucos quilômetros de onde moro. Fui registrado em um cartório na rua Augusta (que se mudou para a Frei Caneca), pertinho daqui, mas muitas vezes sinto que não entendo o que acontece com essa cidade, com esse país.

Ian McCulloch, quando perguntei sobre o que ele achava do Brasil, respondeu: “Acho que gosto das pessoas daqui porque elas sempre estão felizes, apesar de todos os problemas. É bem diferente do que acontece na Inglaterra”. Sinceramente, não sei se isso é bom ou ruim. Temos o dom da felicidade, e parece que por isso não lutamos por um mundo melhor. Já somos felizes.

Somos felizes apesar de todos os problemas. Apesar das milhares de pessoas dormindo ao relento e passando fome na rua. Apesar do clima tenso de possíveis assaltos a qualquer momento, em qualquer lugar. Apesar dos políticos que elegemos sabendo que eles vão nos roubar sem nos dar, em troca, o mínimo: a esperança de um país melhor.

Vivemos uma condição terceiro-mundista que marca forte na pele – como ferro em brasa – quando você está no exterior. E não é que não haja mendigos, assaltos e políticos corruptos na Espanha, na França ou na Inglaterra. Existem, claro. Como diria um amigo, gente de má índole nasce em qualquer lugar do mundo, não é privilégio nosso.

Também não é que eles sejam melhores que nós. Não são. Há, apenas, um acesso maior aos bens de primeira necessidade: educação, saúde e segurança. Apenas. E é um “apenas” que faz toda a diferença, caros amigos. O choque cultural é imenso, mas no mínimo do mínimo do mínimo, o que faz a diferença são os bens de primeira necessidade.

Em termos culturais, o Brasil é uma ilha. Na minha inocência, eu acreditava que a internet havia nos aproximado do velho mundo, mas não. Continuamos na América do Sul, praticamente inacessíveis a shows de pequeno e/ou grande porte (os que chegam aqui são os médios) sonhando o dia em que o Radiohead fará apenas uma apresentação aqui, num país de 8.514.876.599 km².

O mais engraçado é que passamos uma imagem – inspirada logicamente pelo carnaval – de sermos pessoas liberais, mas estranhamos o top less (nas praias espanholas, nas margens do Sena) e o mictórios ao ar livre e ao lado do palco nos grandes festivais. Aliás, grandes festivais na Europa são sinônimos de sujeira. Existem lixeiras, mas todo mundo joga tudo no chão. Assusta.

Mesmo assim, os museus sensacionais, a história escrita em cada rua, praça e avenida, e as cidades encantadoras com sua beleza antiga ganham o coração da gente de uma forma que eu não imaginava ser possível. São o tipo de coisa que a gente conhece de livros, revistas e fotos, e que não deviam impressionar, mas impressionam, e muito.

É difícil falar das diferenças, do que encanta tanto que faz a gente não querer voltar para a terrinha. Eu me devia essa viagem desde os 29 anos, quando voltei para São Paulo após um longo exílio em Taubaté. O certo teria ter ido aos 19, mas parecia um sonho grande demais e impossível para um filho de classe média baixa. Na verdade, acredito agora que fui na hora certa, e vou voltar.

Uma viagem dessas pressupõe grandes amizades pelo caminho, e agradeço ao Carlos que me apresentou ao Werchter e me ambientou muito bem com bons papos e cervejas na chegada a Europa; à Odile que me abrigou em Leuven e nos recebeu – a mim e o Carlos – com um jantar caprichado; à comitiva recifense (Augusto, Sandro e Rafael) que rendeu boas risadas em Leuven e Bruxelas.

Ao Pepe, companheiro de cervejas alemãs e do show do Radiohead em Berlim; à Ju e a Re que conseguiram o impossível: fizeram de Glasgow um lugar legal; à Carol, Renata e ao pessoal do Alto Falante (James, Machado, Thiago) pelo excelente astral em Benicassim; e ao Daniel, Beth, Luciana e Samuel (e a Coco) por fazerem eu me sentir em casa em Londres.

À você que leu, comentou, deu dicas oportunas e fez com que eu me animasse em escrever esse “diário de viagem maluco” contando as aventuras em cada uma das cidades que passei: Leuven, Bruxelas, Berlim, Glasgow, Bournemouth, Barcelona, Benicassim, Málaga, Madri, Paris e Londres. E, claro, a Leonard Cohen, Lou Reed, Thom Yorke, Michael Stipe, Jason Pierce, Neil Young, Nick Cave e Morrissey, por tudo.

Ainda vou fazer um ranking detalhado do top 10 das cervejas, e segue abaixo um top 30 de shows e um top 10 de cidades, discos comprados e lugares, ok.

Distâncias aproximadas da viagem
São Paulo para Madrid – 8137km
Madrid para Bruxelas – 1572km
Bruxelas para Berlim – 766km
Berlim para Glasgow – 1759km
Glasgow para Bournemouth – 732km
Bournemouth para Barcelona – 1654km
Barcelona para Benicassim – 265km
Benicassim para Malaga – 746km
Malaga para Madri – 535km
Madri para Paris – 1271km
Paris para Londres – 456km
Londres para Madri – 1071km
Madri para São Paulo – 8137km

Dez Cidades
01- Paris (França)  (foto)
02- Barcelona (Espanha)  (foto)
03- Londres (Inglaterra)  (foto)
04- Leuven (Bélgica)  (foto)
05- Berlim (Alemanha)  (foto)
06- Málaga (Espanha)  (foto)
07- Madri (Espanha)  (foto)
08- Bruxelas (Bélgica)  (foto)
09- Bournemouth (Inglaterra)
10- Glasgow (Escócia)  (foto

Dez Lugares
A Casa Milá, em Barcelona (foto)
A margem do Sena e a Torre Eiffel brilhando, em Paris (foto)
A margem do Tamisa, em Londres (foto)
O Palácio Real, em Madri (foto)
A Grande Praça, em Bruxelas (foto)
A Unter den Linder, em Berlim (foto)
A Abadia de Westminster, em Londres (foto)
A Prefeitura Gótica, em Leuven  (foto)
A Catedral, em Glasgow (foto)
O Museu do Louvre, em Paris (foto)

Dez CDs comprados
– Live At Royal Albert Hall 2008, R.E.M. (mais)
– Secret Rainbows, Live in London 2008, Radiohead
– Live in San Francisco 1978, Neil Young and Crazy Horse (mais)
– The Vogue Years, Francoise Hardy (mais)
– Here Comes That Weird Chill, Mark Lanegan (mais)
– Era Vulgaris Tour Edition, Queens of The Stone Age (mais)
– His ‘n’ Hers Deluxe Edition, Pulp (mais)
– Collection Vol 1, 2 e 3, Django Reinhardt
– The Complete Pell Sessions, Wedding Present (mais)
– Volume I, Billy Bragg (mais)

Ps. Beeem mais baratos que esses preços da Amazon….

Trinta Shows
01- Leonard Cohen (Benicàssim)  (foto)
02- Lou Reed (Málaga)  (foto)
03- Radiohead (Berlim)  (foto)
04- Morrissey (Benicàssim)  (foto)
05- R.E.M. (T In The Park)  (foto)
06- Pogues (T In The Park)  (foto)
07- Sigur Ros (Benicàssim)  (foto)
08- Neil Young (Werchter)  (foto)
09- The National (Werchter)  (foto)
10- Spiritualized (Benicasim)  (foto)
11- Grinderman (Werchter)  (foto)
12- Vampire Weekend (Werchter)  (foto)
13- American Music Club (Benicàssim)  (foto)
14- Raconteurs (Benicàssim)  (foto)
15- The Hives (Werchter)  (foto)
16- Babyshambles (Benicàssim)  (foto)
17- British Sea Power (T In The Park)  (foto)
18- Richard Hawley (Benicàssim)  (foto)
19- Sons and Daughters (T In The Park)   (foto)
20- The Ting Tings (Benicassim)  (foto)
21- The Verve (Werchter)  (foto)
22- Gossip (Werchter)  (foto)
23- Nada Surf (Benicàssim)  (foto)
24- Ben Folds (Wertcher)  (foto)
25- José González (Benicassim)  (foto)
26- The Kills (Benicàssim)  (foto)
27- Echo and The Bunnymen (T In The Park)  (foto)
28- Interpol (T In The Park)  (foto)
29- The Subways (T In The Park)  (foto)
30- Kaiser Chiefs (Werchter)  (foto)

agosto 10, 2008   No Comments

Em São Paulo

Bem, cheguei. Na verdade, cheguei ontem, mas sacumé, destruído após ter cochilado alguns minutos depois da balada em Londres, ido para a estação de trem às 4h30, embarcado para Madri às 7h e, depois, de lá para São Paulo às 11h encarando exatas 11 horas de vôo. Coloquei os pés em casa com Lili (ela foi me buscar no aeroporto) ali pelas 20h, e depois de desfazer as malas, desmaiei (imagina que sao 5h de diferença de fuso, então 20h em São Paulo era 1h da manhã em Madri).

Agora, com as roupas sujas todas no varal, os CDs comprados na viagem devidamente organizados (deu quase 100, mas tenta adivinhar quais pela foto acima), e uma sopa quentinha esperando Lili chegar do trabalho, apareço para dar um oi e dizer que ainda estou pensando no balanço da viagem. É preciso tomar cuidado nessa hora. A ressaca pós-viagem é brava, e a vontade é voltar pra lá logo, mas segunda às 8h retorno ao batente na capa do iG, mas tenho alguns pensamentos para dividir com vocês.

Preciso ver o novo filme do Batman, ver Wall-E, rever “Antes do Por-do-Sol”, namorar a Lili e respirar São Paulo, matar saudade dessa maldita poluição que faz meu sangue ferver de saudade, pensar com calma em tudo o que aconteceu e me preparar para voltar ao trabalho. Tem um balanção dos shows, das melhores cervejas da viagem, uma lista de agradecimentos aos amigos e um olhar bastante particular sobre as cidades que passei. Estou aqui, mas já volto. Me espera, please.

agosto 8, 2008   No Comments

Descalço na Abbey Road

Bem, acabo de chegar do meu ultimo ato turístico desta viagem de 38 dias pela Europa: atravessei, descalço, a Abbey Road, pisando com calma naquela faixa de pedestres imortalizada na capa do penúltimo disco dos Beatles, de 1969. O Fabio tirou esse print acima, da câmera do site do estúdio, que flagra 24 horas 7 dias por semana, todos os fãs do quarteto de Liverpool que chegam para fazer essa pequena travessia. Brasileiros, mexicanos, ingleses, franceses, chineses e até um grupo de argentinos marcaram presença no local enquanto eu estava lá.

Aliás, cheguei bem mais cedo do que planejava. Cabulei a visita a Candem (James, se eu fosse lá, iria gastar o dinheiro que eu já não mais tenho – risos) e fui direto descobrir onde ficava o tal estúdio, já que perdi meu mapa no fim de semana, e o guia não falava nada do local, só mostrava uma ruazinha no mapa da capa, perto de uma estação de trem, que descobri (na pratica) ser longe pacas. Peguei um ônibus que me deixou na porta do estúdio para seguir o ritual: cravar o nome no muro e atravessar a rua.

A Abbey Road é uma esquina, sem sinal. Existem avisos antes e depois de chegar nela (aproximadamente 200 metros) apontando ser uma área “turística”, mas mesmo assim os carros passam chutados. Ou então, param no exato momento em que você se aproxima da esquina, como dizendo: “Pode atravessar”. Só que ninguém quer atravessar e posar para a fotografia com carros na faixa de pedestre, não é mesmo. Eu nem liguei, fui assim mesmo, e a foto ficou distante pois a menina não entendeu o que tentei explicar sobre o zoom.

No entanto, posso dizer que dá um friozinho na barriga, sabe. Nem é só por causa da banda, mas sim pelo valor que essa banda tem na vida das pessoas. Foram centenas de pessoas que apareceram ali para atravessar a rua num dia qualquer do meio da semana do mês de agosto. É loucura demais imaginar o que os Beatles representam, assim como é legal demais saber que a banda fez por merecer isso. Tirei algumas fotos para casais que queriam atravessar juntos, e pontualmente as 16h fiz a minha travessia oficial. Agora é ir pra galera.

Ainda tem balada de noite antes do voo para Madri, e do voo seguinte para São Paulo, mas essa viagem esta praticamente encerrada. Ainda volto aqui para um balanção (sim, Argentino, há um ranking das cervejas, espera que vamos bebe-las em São Paulo), os devidos agradecimentos (tem muita gente bacana que fez essa viagem mais especial do que ela já seria) e para a sequencia normal do blog, dia a dia, aquelas ladainhas de sempre que vocês já conhecem tão bem. Eu sei, eu também vou ficar com saudades dessa viagem. Mas a vida segue e a gente precisa batalhar para as próximas férias serem tão especiais quanto esta. Dedos cruzados.

Roteiro de viagem 2008

agosto 6, 2008   No Comments

Ruby Tuesday

No dia 02 de setembro de 1666, um pequeno incendio iniciado em uma padaria causou uma das maiores calamidades da historia de Londres, devastando mais de 13 mil casas num terreno de aproximadamente dois mil quilometros quadrados. Uma nova Londres surgiu apos o incendio, reconstruida. O Olde Cheshire Cheese, pub em que festejei meu aniversario com pint de cerveja, bolo de chocolate e velinha de isqueiro, foi um dos predios reconstruidos em 1667. Fica numa travessinha da Rua Fleet, aquela mesma do barbeiro…

Vou te dizer, mas voce ja sabe: Londres eh algo incrivel. O Daniel estava contando que o irmao de Beth, mulher dele, viu o Nirvana no Reading de 1992. E a mae dela viu os Beatles, ao vivo. E nao foi uma vez soh nao: seis!!!! Ele ainda estava falando que numa ruazinha de instrumentos musicais que passamos numa madrugada, uma das lojas abrigava o estudio em que os Stones gravaram todos os seus primeiros singles. E existe um passeio, macabro, que leva voce por todos os pontos em que Jack, o Estripador, atuava. Tem muito mais.

Bem, melhor voltar ao dia pois, senao, me perco. A terca-feira de rubi comecou na Tate Modern, uma das mais interessantes galerias londrinas. Voce sai da St Paul’s, atravessa a Ponte do Milenio – de Sir Norman Foster – sobre o Tamisa e ja cai na frente da Tate com suas 88 galerias que oferecem um excelente acervo de arte moderna. Nao sou conhecedor nem pesquisadir do lance todo, mas preciso dizer que a arte moderna, principalmente as instalacoes e muitas esculturas, nao me convencem. Podem atirar pedras.

Lembro que, uma vez, um grande amigo jornalista perguntou para o Lulu Santos o que ele achava dos Los Hermanos. “Eh muito intelectual para mim. Eles passam aqui em cima”, disse ironicamente Lulu, fazendo um gesto de mao sobre a cabeca, simbolizando que ele, Lulu, nao conseguia alcancar a frequencia dos barbudos. E eh mais ou menos isso que sinto em relacao a arte moderna. Tem muita coisa que deve ser realmente genial, mas que passa muito acima da minha cabeca, do meu intelecto.

Sem contar que a arte moderna precisa de respiro, maturacao, e sou muito urgente para o mundo. E eh por isso que nao gosto de filmes escandalosamente lentos, comida demorada e musica progressiva. Porque todos eles precisam de uma atencao que nao consigo lhes dar. Quando percebo, ja estou pensando que a chuva londrina molhou os meus tenis, que minha meia esta ensopada, que essa chuva que vai e volta e vai e volta e vai e volta eh bem melhor do que uma daquelas tempestades que lavam a alma. Nossa, passei por duas salas.

O mais interessante eh que, no Tate Modern, fiz muito mais anotacoes do que em alguns dos museus espanhois. Tem muita coisa ali que gostei tipo as coisas do De Chirico (“The Uncertainty of The Poet”), Rene Magritte (“The Annunciation”), Paul Klee (o belissimo “Walpurgis Night”), Roy Lichtenstein (o otimo “Mustard on White”, imagem acima), Picasso (“Seated Nude”, “Bust of a Woman”), Robert Delaunay (“Study For The City”), Henri Matisse (“Reading Woman With Parasol”) e Dod Procter (“Morning”, um dos meus preferidos da visita).

Tem coisas, no entanto, que eu realmente nao entendo, como “480x10x10”, de Miroslaw Balka (infelizmente nao achei imagem da obra), que junta em um fio do teto ao chao dezenas de sabonetes, ou a “White Curve”, de Ellsworth Kelly, ou varios quadros do Richter Cage. Na teoria, acredito realmente que deve ser genial, mas nem tente me explicar o porque pois eh exatamente esse o ponto: quando voce precisa explicar a piada para alguem, ela perde totalmente a graca. Depois que Marcel Duchamp iluminou o caminho, eh preciso ter cuidado…

A minha ideia, na sequencia, seria seguir do Tate Modern para a Tate Britain de balsa pelo Tamisa, mas a arte moderna mexe muito com os pensamentos. Tres horas dentro do Tate Modern sao uma eternidade. Decidi vagar pelas margens do Tamisa pensando em alguns quadros quando, ao longe, vejo um predio. Casar com uma arquiteta tem dessas coisas: “Amor, voce ja viu a prefeitura de Londres? Eh do Sir Norman Foster, um dos maiores arquitetos do mundo – e da Inglaterra – na atualidade. Eh um predinho bem maluco”, escreveu a Lili.

Eu achei que tivesse visto um predinho maluco antes, mas assim que fui me aproximando, nao consegui conter o riso: como o cara consegue fazer algo tao… divertido com uma prefeitura? O predio eh sensacional. Em um texto da BBC (leia aqui) que falava sobre a inauguracao da obra, uma leitora reclamava que “a construcao roubava a atencao dos predios historicos ao redor” (a saber: a Torre de Londres e a Tower Bridge), e isso na verdade eh absurdamente genial: eh o passado e o presente convivendo lado a lado com suas virtudes e belezas. Adorei.

Segui caminhando pela Tower Bridge (aquela ponte que abre para os barcos passarem), olhei a Torre de Londres – erguida por Guilherme, o Conquistador, em 1078 – e fui ao encontro da Luciana (com mais duas amigas) para festejar o aniversario no Olde Cheshire Cheese. Cheguei na casa do Daniel por volta das 23h para mais uma sessao de cervejas belgas em comemoracao da data, e fui dormir de alma enlevada. Na verdade, chorei… de felicidade e saudade. De Londres, da viagem, das pessoas especiais que conheci nesses 40 dias. A vida segue em frente, mas a gente vai deixando pedacinhos da alma pelo caminho.

Neste ultimo dia – na pratica – de Londres (e de Europa), vou tentar ir an Tate Britain, almocar em Candem e atravessar a Abbey Road exatamente as 16h (12h no Brasil). Pode acompanhar nesse link aqui. Estou de camiseta vermelha, do Real Madrid, e se der na telha, atravesso descalco como o Paul (ok, vai faltar o cigarro, o Ringo, o George e o John, mas tudo bem). A noite, balada no Buffalo. E las pelas cinco da manha acordo para a maratona da volta. Chego em Sao Paulo, apos uma escala em Madri, no comecinho da noite. E ja vou preparando no voo um balancao da viagem. Nos vemos.

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

agosto 6, 2008   No Comments