Blog do Editor do Scream & Yell
Random header image... Refresh for more!

Posts from — Julho 2008

Antoni Gaudi, Tom Waits e Barri Gotic

Andei, andei, andei. E andei. Andei pra cacete ontem. Assim que cheguei em Barcelona, na segunda, comprei um passe de metro/tram para tres dias (algo que compensa muito em qualquer grande cidade europeia). Acordei ontem, e fui pra estacao Diagonal pegar o metro pra estacao Sagrada Familia. Pro meu “azar”, a estacao Diagonal esta em obras, e algumas conexoes estao fora de servico temporariamente. Olhei no mapa, achei perto, e fui caminhando. Meus joelhos estao um caco, mas valeu a pena.

Valeu a pena pois a Sagrada Familia eh… deslumbrante. Na verdade, eh muito dificil achar um adjetivo para descreve-la. Mesmo deslumbrante eh pouco. Seria como a coisa mais foda que eu ja vi na minha vida, ou algo assim. Imagina: a igreja ainda nem esta terminada e ainda assim atrai 1 milhao de visitantes por ano! O arquiteto Antoni Gaudi assumiu o projeto em 1883 e dedicou-se a ele nos 40 anos seguintes (chegando ate a morar dentro do canteiro de obras). Ele morreu em 1926, tres dias apos ser atropelado perto da igreja, 43 anos apos ter assumido o projeto. E la se vao 125 anos.

Otimistas acreditam que a igreja estara terminada em 2030. Outros apontam para 2080. Eh fascinante demais imaginar quantas pessoas se dedicaram a obra e nao vao ve-la finalizada. Mesmo em construcao, no entanto, a igreja pode ser visitada. Ha um museu no subsolo que conta a historia de Gaudi (cujo corpo esta em uma cripta, ali mesmo), o visitante pode admirar a obra em construcao e, ainda, subir aos campanarios ja prontos. A escadinha eh sinistra, mas a visao dos detalhes da igreja e de Barcelona valem o susto. A Sagrada Familia eh para a arquitetura o que o “Smile”, dos Beach Boys, eh pra musica pop. Coisas de genios.

Dali fui para a Vila Olimpica (namorar uma arquiteta rende passeios assim) e, em seguida, para o Barri Gotic, um bairro que um dia foi um vilarejo romano, e cujas ruas estreitas sao completamente apaixonantes. O guia sobre a cidade que estou acompanhando apontava varios lugares bacanas no bairro, mas pedia para andar a esmo, deixando-se levar pelas ruas estreitas e por sua beleza. Nao pensei duas vezes: comprei uma San Miguel (cerveja espanhola, de Alicante) e segui caminho. Cinco cervejas depois eu ja estava amando o lugar.  (risos)

Decidi comer por ali, e gastar um pouco mais (ja fazia mais de tres dias desde o bom almoco em Glasgow) e escolhi a Plaza Real para desfrutar um filet iberic amb salsa de pebre verd acompanhado de arroz, salada e um copo de vinho. No fim das contas, nem saiu tao caro. O menu do dia estava por 8,75 euros. A conta ficou em 16 euros (aproximadamente R$ 42).  Voltei a caminhar feliz pelo lugar e, quando ja estava anoitecendo, passei no hostel, tomei um banho rapido (fez 35 graus o dia todo em Barcelona - o sol se foi as 21h) e fui tentar encontrar com Tom Waits. Mas…

Bem, Tom Waits iria fazer dois shows em Barcelona, no enorme Forum, capacidade para 2200 pessoas. Os ingressos estavam entre R$ 290 (o mais barato) e R$ 350 (o mais caro). Pra mim, nunca iria esgotar. Cheguei a tentar, ao menos tres vezes, comprar os ingressos ainda no Brasil, mas nao rolou. Ontem, apos ter saido da Sagrada Familia, foi ao Forum, mas a bilheteria soh iria abrir as 17h. Quando cheguei, as 21h, ja estava sold out. Sabe que deu um alivio? Pagar R$ 300 em um show eh muuuuuito dinheiro, e em economia de viagem, seria uma extravagancia e tanto.

Na parte da tarde, no Barri Gotic, passei em umas lojinhas bacanas de CDs da Calle Tallers. Namorei uma caixa das Supremes com quatro CDs que estava com 20% de desconto sobre os 34 euros da capa (e vamos combinar, R$ 18 eh um grande desconto), mas acabei levando pelo mesmo preco um box com seis CDs que flagram as BBC Sessions completas do Wedding Present, mais um Cinerama (”BBC Sessions”), um Black Box Recorder (”The Facts of Life”), uma coletanea dupla de raridades do Superchunk e um EP de covers do Los Lobos, e tudo isso saiu por 4o euros (pouco mais de R$ 100), e eu iria pagar 125 euros no show… foda.

Lembro que paguei R$ 250 para ver o Dylan, e olha que eu e Lili precisamos debater muito se valeria a pena. Sei que teria valido a pena ter visto o Tom Waits, e ainda vou tentar ve-lo em Dublin, dia 31 de julho, quando terei uma ideia da situacao catastrofica da minha conta bancaria, mas ontem soh me restou pegar uma Estrella (cerveja de Barcelona, bem boa) na porta do show (em que nao haviam cambistas, ja que a Teleentrada vendeu os ingressos por telefone e os mesmos eram nominais) e partir, novamente, para a Sagrada Familia, e jantar um sanduiche baratinho de bacon com queijo admirando a obra de Gaudi.

Hoje o roteiro eh totalmente Gaudi: vou a Pedrera e ao Parc Guell. Acordei cedo e fui para a Barcelona Sans, estacao central de trens, para tentar simular a confusao que sera a volta de Benicassim na segunda. Meu trem esta marcado para chegar em Barcelona as 11h49. Tenho que sair do vagao correndo, comprar a passagem para o trem para o aeroporto, e voltar correndo para pega-lo as 11h55. Se perde-lo, vou morrer com uns 30 euros de taxi, pois meu horario limite para embarcar para Malaga eh 12h45, no aeroporto. Dedos cruzados ae.

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 16, 2008   3 Comments

“I Love You, Spain”

girona.jpg

Eu estava no segundo degrau, descendo a escada do aviao, quando uma menina atras de mim (provavelmente escocesa), soltou a frase que dah titulo ao post. Pousamos em Barcelona as 19h45 (14h45 no Brasil) e o sol estava a pino com os termometros do aeroporto marcando 28 graus. Oito horas da noite!!!!!! Bem, o clima eh outro, nao tem como nao falar. Marajei meus olhos soh de entrar na cidade.

Alias, tenho falado pouco das cidades, nao? Bem, me apaixonei por Leuven, na Belgica, mas muito mais pela calma e pelo seu jeito de presepio do que por qualquer outra coisa. Nao eh uma cidade baladeira, mas eu tambem ja passei da fase baladeira. Agora quero sair para passear com o cachorro empurrando o carrinho de bebe com a Julia e a Ana. Outros tempos, outros tempos.

Bruxelas me encantou, mas preciso explorar mais a cidade. Berlim foi um caso de amor e odio. Tem coisas excelentes (como beber cerveja no onibus, na rua, no banheiro, no banco - risos), mas a memoria da guerra me incomodou. E para viver numa cidade igual a Sao Paulo, fico em Sao Paulo. Mesmo assim, senti saudade de Berlim quando estava em Glasgow, uma cidade mais… caipira (nao sei se essa eh a definicao correta).

Glasgow (e a Escocia), definitivamente, nao me conquistou. Se eu nao tivesse passado pela parte antiga da cidade, entao, provavelmente a teria achado a coisa mais normal do mundo, mas valeu ter estado la. Fiquei cinco horas em Bournemouth, e foi interessante. O onibus que vai ao aeroporto fez um trajeto de tour para se conhecer a cidade (praia, igrejas, monumentos), mas mesmo com o sol estava um friozinho.

Ja Barcelona… assim que voce entra na cidade, vindo de qualquer um dos dois aeroportos, entra numa autovia linda, quase subterranea. Quando voce sobe para a cidade, ve os cabos e andaimes na Sagrada Familia, do lado direito, e ja sabe que esta realmente na cidade de Gaudi. Fiz um pequeno trajeto de metro (comprei o ticket para tres dias) e cheguei ao albergue, que fica a 100 metros da Casa Milá. Depois de um banho fui tomar um sorvete aos pes do predio… foda. Estou indo ver a Sagrada Familia. Volto com fotos e historias!

Julho 15, 2008   7 Comments

Direto de Bournemouth

Acordei as cinco nesta segunda-feira para partir em direcao a Barcelona, na Espanha. Para economizar, estou fazendo dois trechos de Ryanair: o primeiro de Glasgow para Bournemouth, o segundo de Bournemouth para Barcelona (na verdade, Girona, cidade que abriga o segundo aerporto que serve a regiao). Bournemouth fica na Inglaterra, a cerca de 170 quilômetros a sudoeste de Londres, no litoral sul do país. Eh uma cidade famosa por receber varios turistas e estudantes dispostos a aprender ingles nas escolas para estrangeiros.

Um paranteses: eu nao entendia patavina do que os escoceses falavam. Nada! Nada mesmo. Se nao fosse a Ju e a Renata, provavelmente eu teria me comunicado no gesto toda a minha passagem por Glasgow. Eles falam um ingles dificilimo de se entender, e nem fazem questao mesmo de serem entendidos. Para pedir cerveja, soh pra voce ter uma ideia, eu pagava sempre com notas e 5 libras ou 10, pois nunca entendia qual era o valor certo. Eh serio (e eh engracado, vai). Notei a diferenca chegando em Bournemouth, cujo senhor da informacao turistica falou tao pausadamente as frases que mesmo que eu nao soubesse ingles teria entendido.

Meu primeiro voo chegou as 10 da manha. O outro sai as 16h (12h no Brasil). Vim passear pela cidade, atualizar o blog, e encarar mais um fish and chips. E entao me lembrei que Bournemouth fica no condado de Dorset, local que deu ao mundo a senhorita PJ Harvey. Estou em terra abencoada, caros amigos. Soh nao fico mais aqui pois tenho um encontro marcado com Gaudi e, mui provavelmente, Tom Waits, nos proximos dois dias. Mas PJ, agora que eu sei de onde voce eh, me aguarde, me aguarde… (risos)

Tops da viagem

Shows

1- Radiohead (Berlim)
2- R.E.M. (T In The Park)
3- Pogues (T In The Park)
4- Sigur Ros (Werchter)
5- Neil Young (Werchter)
6- The National (Werchter)
7- Grinderman (Werchter)
8- Vampire Weekend (Werchter)
9- The Hives (Werchter)
10- The Verve, Ben Folds e Gossip (Werchter), British Sea Power (T In The Park)

Cervejas

1- Duvel (Bélgica)
2- Leffe Black (Bélgica)
3- Mahou (Espanha)
4- Kostriker (Alemanha)
5- Orval (Bélgica)

Julho 14, 2008   5 Comments

T In The Park, Sunday

Nada como uma boa noite de sono para se recuperar para mais um dia de festival, não é mesmo. O problema é que boas noites de sono andam em falta por aqui, então o jeito é descansar vendo shows sem fazer do festival uma grande maratona. Foi pensando nisso que optei por praticamente passar o dia na tenda King Tut’s ao invés de ficar pulando de um palco para o outro. Meus joelhos agradeceram. Na verdade, o plano era começar na tenda Pet Sounds vendo o Brian Jonestown Massacre e só então partir para a Kings, mas parece que a turma de Anton Newcombe não deu as caras.

Direto para a King Tut’s então. Deu tempo de pegar a meia hora de show do Delays, e eles não tocaram “You and Me”, a minha preferida. Show morno, sem surpresas. A tenda esvaziou e aproveitei para tirar um cochilo em um dos cantos. Quando acordei, o local ja estava abarrotado para prestigiar a sensação do momento, a dupla The Ting Tings. Com o público predominantemente adolescente, a dupla fez um show correto, cantado por todos, mas que não apresenta nada de novo. Diversão para quem não quer se preocupar com outra coisa, sabe. O British Sea Power veio na sequência para mostrar que dentro de uma guitar band também bate um coração. A coisa toda ficou bonita com o acréscimo de um violino.

britishseapower.jpg

O Vampire Weekend subiu ao palco para fazer aquele que seria o último show da turnê de divulgação de seu álbum de estreia, homônimo. O show foi um repeteco do apresentado no Werchter, uma semana antes, com a diferença de que o vocalista Ezra estava mais falante e animado na Escócia. O público embarcou na fórmula Talking Heads + Paul Simon e a banda saiu (assim como na Bélgica) com a honraria de ter feito um dos grandes shows do festival. Se você esbarrar com eles por ai, não perca o show, não perca.

Mr. Ian McCulloch trouxe consigo o Echo and The Bunnymen e abriu a tarde com três hits: “Rescue”, “Seven Seas” e “Bring on The Dancing Horses”. Na sequência, uma roqueira música inédita (”I Think I Need It Too”) e, então, era uma vez a voz de Ian: “Nothing Lasts Forever” soou tão capenga que só merece a citação pois, no final, o vocalista cantou “Walk on The Wild Side” inteirinha dentro da canção, e o público aprovou. Quando soaram os acordes de “The Killing Moon” eu já partia para o Main Stage.

vampire2.jpg

Com uma bandeira do Brasil tremulando frente ao palco (fotos no flickr), Amy Winehouse exibiu seu drama pessoal para o festival. Visivelmente bêbada, entornando copos e copos de sabe-se-lá-o-que, tropeçando no salto alto, e muito mais, a moça que um dia cantou que não iria mais voltar pra clinica de reabilitação é apenas uma pálida amostra do que já foi um dia. Ela desafina horrores, sai do tom, entra errado nos versos e não consegue tirar nem a blusa sozinha. Pena. Porém, a história da música pop esta cheia de exemplos de pessoas que sacudiram a poeira e deram a volta por cima. É torcer por ela.Antes da grande atração da noite tive que suportar mais 1h45 de Kings of Leon. Quero avisar que já paguei todos os meus pecados, ok. Dois shows inteiros do Kings of Leon é para deixar o capeta feliz da vida. O que impressiona é como a banda tem um público fiel, que canta as canções, faz air guitar na hora dos solos e parece se divertir com a bundamolice roqueira do quarteto. Paciencia. O que não fazemos para vermos uma banda que admiramos bem de perto, não é mesmo. E o R.E.M. fez valer a pena, melhorando ainda mais a excelente apresentação que a banda havia feito no Werchter. Um showzão para ninguém botar defeito e um encerramento com chave de ouro para um dos maiores festivais da Europa, que terminou, de verdade, com um gaitista de fole tocando o hino escocês e queima de fogos.

park3.jpg

Dois festivais nas costas, qual deles é o melhor? Pprefiro o Werchter, na Bélgica. Bem mais organizado, mais limpo, com um line-up excelente e sem a quantidade de palcos que detona as pernas da galera no T In The Park. E muuuuuito, mas muuuuito mais barato mesmo. É bem provavel que, no futuro, eu não vá a nenhum dos dois, e opte por bater cartão em Benicassim, na Espanha, ou no Rock en Seine, na Franca. É preciso pernas, condição fisica e muuuuito pique para encarar os grandes festivais europeus, mas não vou dizer “dessa cerveja não beberei”, ok.

Fotos: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Ps. Abaixo, o set list dos dois shows do R.E.M. que vi.

Rock Werchter, Belgica

1. Orange Crush
2. Living Well Is the Best Revenge
3. What’s the Frequency, Kenneth?
4. Ignoreland
5. Drive
6. Man-Sized Wreath
7. Imitation Of Life
8. Hollow Man
9. Walk Unafraid
10. Houston
11. Electrolite
12. The One I Love
13. Begin The Begin
14. Fall On Me
15. Let Me In
16. Horse To Water
17. Bad Day
18. I’m Gonna DJ

Bis
19. Losing My Religion
20. Supernatural Superserious
21. Driver 8
22. Pretty Persuasion
23. Man On The Moon

T In The Park, Escocia

1. Living Well Is the Best Revenge
2. These Days
3. What’s the Frequency, Kenneth?
4. Begin The Begin
5. Man-Sized Wreath
6. Drive
7. Ignoreland
8. Hollow Man
9. Imitation Of Life
10. Electrolite
11. The One I Love
12. Losing My Religion
13. Fall On Me
14. Let Me In
15. Bad Day
16. Horse To Water
17. Orange Crush
18. I’m Gonna DJ

Bis
19. Supernatural Superserious
20. It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)
21. Man On The Moon

Julho 14, 2008   8 Comments

T In The Park, Saturday

O maior e mais badalado festival da Escócia começou na sexta-feira, com Verve, Stereophonics, Feeder, Futureheads, Wombats e Chemical Brothers, mas devido ao alto preço dos ingressos (em libras), compramos os tickets apenas do fim de semana. E da-lhe gastos em pounds: o onibús ida-e-volta de Glasgow para o festival (1h30 de viagem) custa 22 libras (mais de R$ 70), a programação com o horário de cada show sai por 8 libras (quase R$ 30) e o festival ainda destaca milhares de oportunidades para você gastar o seu rico e suado dinheirinho.

O T In The Park até parece um shopping center tamanho o número de lojas. Tem de tudo: as comidas mais variadas (e servidas de forma tosca, claro), energéticos especiais apenas para maiores de 18 anos, massagem, cabelereiro, lojas de roupas e… roda gigante, bungee jump, trem fantasma e carrinho de bate-bate. Ou seja, o festival nao é um shopping, mas sim um circo. Boa parte do público marca presença não por causa desta ou daquela banda, e sim pelo fato de que o lance é estar aqui, independente das atrações.

Quanto as atrações, elas são divididas em oito palcos, sendo três tendas de música eletrônica, uma tenda para bandas novas, dois palcos maiores (Main Stage e NME Radio 1 Stage) e duas outras tendas bacanas. O certo seria escolher uma ou duas tendas próximas, ficar se revezando entre elas e esquecer o mundo, mas quem diz que a gente consegue. Haja perna, pois as caminhadas são beeeem longas, mas costumam valer a pena.

Fizemos cada um a sua programação pessoal, e saimos na batalha. Começamos com os belgas do dEUS, que tinham fechado o Werchter, na semana passada, e aqui praticamente abriam a tenda NME Radio 1. Bom show, ao menos as quatro músicas que vimos. Passamos pelo Main Stage para olhar a Kate Nash. O microfone estava dentro de uma armação em forma de ostra, e apesar da Kate ser toda fofinha, o show não embalou. Duas músicas depois e já estávamos no palco das bandas novas, o Futures Stage, vendo os ingleses do The Metros. Eles tem muuuito o que caminhar ainda, mas valeram as três músicas que vimos.

sons1.jpg

O festival realmente começou, com cerveja voando pro alto e a galera cantando junto, quanto o The Subways entrou no NME Radio 1. Fazia um tempo que a banda não pisava na Escócia, e a saudade foi compensada com uma apresentação vibrante, que até compensa a falta de qualidade da banda em estúdio.

O primeiro grande show do dia aconteceu na tenda King Tut’s Wah Wah. Jogando em casa, os escoceses do Sons and Daughters, responsáveis por um dos grandes discos de 2008 (”This Gift”), só tinham 40 minutos (dos quais usaram 36 apenas), mas mandaram bem focando nas canções mais antigas (”Johnny Cash”, “Rama Lama”, “Dance Me In”) e no poderoso single “Gilt Complex”. Adele, com um longo camisão com Leonard Cohen de estampa sobre um micro shortinho, derreteu coracões. E Scott Paterson segura tudo na guitarra. Showzão.

Na sequencia, um pouquinho da honestidade rocker do Hold Steady, da pieguice pop do Kooks (ovacionados no Main Stage) e o único momento de dúvida do dia: Raconteurs ou Pogues? Bem, imaginei que o Raconteurs tem 105% de chance de tocar no Brasil, se não for neste ano, que seja no ano que vem, enquanto o Pogues, never. Sem contar que ainda tinha o acréscimo de que cruzo o Raconteurs no Benicassim, na próxima semana, e de que o Pogues estaria tocando “em casa”. Ganhou Shane MacGowan, o Wander Wildner do Reino Unido.

park2.jpg

A escolha não poderia ter sido mais acertada (e não só pelo fato do show do Raconteurs, segundo a Juliana, ter sido meia boca). Quinze minutos antes do show começar, a tenda já estava superlotada com o público entoando as canções do grupo como se estivéssemos todos em um estádio de futebol. A segurança foi reforçada de cinco para quinze pessoas na frente do palco, que distribuiam água para as primeiras filas tanto como cuidavam dos desmaiados e dos mais afoitos, que tentavam pular a grade. A banda começou atacando um número instrumental, e assim que Shane pisou no palco, dezenas de celulares foram ao alto para registrar o momento.

Shane MacGowan é como um deus bêbado para este povo. Ele se enrola com o microfone, caminha cambaleante pelo palco, briga com o backing, e canta como se estivesse em um pub rodeado por cervejas. O público vai junto, e “Dirty Old Town”, um dos clássicos da banda, rende um dos momentos mais belos que a música pode proporcionar, com pessoas chorando, cantando abraçadas, balançando bandeiras e se emocionando. Lindo de se ver. Shane estourou o horário em vinte minutos, mas ele pode, pois ele é um deus bêbado e desdentado que esse povo ama. Amém.

E acabou o festival? Não. Ainda tinha Interpol, Kaiser Chiefs, Ian Brown e Rage Against The Machine, todos no mesmo horário. Meu plano era ver três músicas do Interpol (só para confirmar o que eu já sabia) e ir ver outro deus tocar cancões de sua ex-banda, uma tal de Stone Roses, e cabular Kaiser Chiefs e Rage. Vi as três músicas do Interpol (sim, é aquilo mesmo: as músicas do dois primeiros discos são foda, as do último são lixo) e parti pra tenda Kings pra ver Ian Brown. Quem disse que consegui entrar? Apesar de sua carreira solo ser frouxa, o homem é idolatrado, e o show vale pois ele toca várias canções do disco que mudou o rock britanico nos anos 90, mas depois de ter batido a cara na porta, decidi voltar ao Interpol (no caminho conferi três músicas do RATM: é, não gosto deles), que fechou a noite com hits e mandou todo mundo feliz pra casa.

Uma coisa interessante, e que você já sabia, mas custa nada falar: todos os shows que vi na Europa até agora, e que já tinha visto no Brasil, foram melhores aqui. Até o Kings of Leon! Esse do Interpol foi a prova dos nove: dava para se ouvir as duas guitarras, o baixo, bateria e voz perfeitamente, como se estivéssemos ouvindo um CD. Foda. Bem, uma hora e tanto depois já estávamos de volta ao hostel.

Estou de malas prontas para embarcar para Barcelona nesta segunda, mas antes tem o último dia do T In The Park. Minha agenda pessoal: Brian Jonestown Massacre, The Ting Tings, British Sea Power, Vampire Weekend, Echo and The Bunnymen, Amy Winehouse, Hot Chip e R.E.M.; Se a Amy der cano, vou me ajoelhar na frente do palco do National, novamente. Assim que der, volto pra contar. Me aguarda!

pogues1.jpg

Fotos: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 13, 2008   3 Comments

A capital do Brasil eh…

Coisas surreais da viagem:

7) Fomos pra balada ontem, numa rua bacana cheia de pubs. Segundo o tabloide The Skinny, Chris Geddes (Belle and Sebastian) iria discotecar no Brel. Fomos conferir, bebemos bastante (ahhhhh, Leffe), e nada de discotecagem. Saimos antes do metro fechar (alias, o metro de Glasgow parece um ferrorama de brinquedo) e fomos para o Nice’in Sleazy para passarmos o resto da noite bebendo ao lado de 3/4 do Teenage Fanclub (Gerard Love sorriu pra Ju).

6) No hostel de Glasgow, puxei conversa com um carinha ingles - com cara de nerd e nao mais que vinte anos - no quarto. Ele tambem vai ao T In The Park, pois eh “big fan” do R.E.M., mas tem outros planos para os outros dias: “Vou fazer um tour de golfe pelas highlands”!!!!!

5) Na entrada na Escocia, um senhor grisalho me recebeu na imigracao: “O senhor veio fazer o que aqui?”, ele perguntou. “Vim ao T In The Park”, respondi. “Ahhhh, T In The Paaaaaaaark”, comentou com sotaque carregado, e emendou: “Fica ate quando?”. E eu: “Segunda, quando vou para a Espanha”. “E voce vai fazer o que na Espanha?”, ele perguntou. “Vou para o festival de Benicassim”. Ele ignorou a minha resposta e mandou: “E Portugal, voce nao vai? La eles falam portugues”…

4) Renata volta do toilete da balada e conta: “No banheiro das meninas tem maquina para fazer chapinha”!!!!!

3) No Werchter, vento forte, eu com a camisa fechada ate o ultimo botao. Uma belga questiona: “Pq isso?”. E eu: “Esta frio!!!!” E ela me olha com uma cara de quem ouviu um palavrao. Emendo: “Sou brasilero. La eh muuuito quente!!!!”. Ai parece que caiu a ficha. Ela sorri e diz: “Ok, ok”.

2) Conversando com uns moleques suecos no albergue de Berlim: “Voce mora onde no Brasil?” E eu: “Sao Paulo”. Outro pergunta: “Eh a capital do pais?”. Respondo que nao, e antes de eu continuar, outro comenta: “A capital nao eh aquela cidade que tem a estatua do homem com os bracos abertos - e gesticula imitando o Cristo Redentor”.  Sorrio e respondo que a capital nao eh o Rio de Janeiro, mas sim Brasilia. Os tres olham um para o outro, incredulos. Ainda tento um gancho: “Voces ja ouviram falar de Oscar Niemeyer?”. Nao, na Suecia eles nao sabem qual a capital do Brasil e nem quem eh o Oscar….

1) Bebendo no Nicos, em Glasgow, um cara mais velho (aparentando uns 45 anos) senta em uma das cadeiras de nossa mesa, percebe que eu, Ju e Renata nao estamos falando a lingua local, e puxa papo: “Voces sao de onde?”. E nos: “Brasil”. Ele olha estupefato e sai com o seguinte comentario: “Mas voces nao tem aqueles negocios que aumentam os labios e nao sei o que”. A gente olha um pro outro e a Renata com uma cara de “o que esse escoces ta falando?”. E eu: “Re, ele ta surpreso de nao sermos indios”… 

Julho 12, 2008   4 Comments

Da terra de Kapranos e Murdoch

murdoch.jpg

Dicas para a sua viagem: planeje com antecedencia os roteiros, nao faca uma viagem muuuuito extensa e nao fique pulando de cidade para cidade a cada tres dias, ok. Depois de quatro dias de Rock Werchter, na Belgica, e caminhadas por Bruxelas e Berlim (e mais o show do Radiohead), estou um bagaco. De verdade. Muuuuuito cansado. E ainda faltam 28 dias (acho que eh isso) para eu voltar.

Contribuem para o cansaco o peso das mochilas (a principal, com 12 quilos, e as outras duas mais leves, mas mesmo assim, aumentando o peso), o jet lag (dormi pouco mais que tres horas nesta noite) e as longas caminhadas entre uma cidade e outra. Nos ultimos dez dias foram quatro voos, um deles de 10 horas. Foram tres “casas” diferentes. Quando estou comecando a me acostumar com o lugar, bye bye. Isso eh foda.

O voo para Glasgow (Easyjet novamente) foi sossegado. Deu balancadas e o pouso foi uma pancadinha na pista, mas tudo ok. Nao sei pq, mas toda vez me lembro do pouso em Santiago, quando eu e Lili estavamos voltando do deserto do Atacama. Pegamos uma tempestade forte quase chegand0 na cidade, e o piloto foi baixando o aviao aos trancos e barrancos, mas na hora que colocou a nave no solo, nem percebemos tamanha a delicadeza do pouso. Nao a toa, todos os passageiros aplaudiram. Eu nunca tinha visto isso… risos

O hostel em Glasgow eh extremamente bem localizado, e muito mais organizado (e mais caro) que o de Berlim. Cheguei, joguei as malas no armario e fui ligar pra Ju e pra Renata, que ja estavam me esperando para almocar, e me levaram para comer o tradicional “fish and chips” acompanhado de um pint de cerveja. Nesse momento, por mais contraditorio que possa parecer, comecei a sentir falta de Berlim: as cervejas alemas e belgas sao muuuuuito melhores que as daqui. E aqui, se voce beber no onibus, eh multado… putz.

Comemos, caminhamos um pouco, bebemos mais, fomos em uma famosa baladinha indie local (famosa por ter marcado o encontro do pessoal do Franz Ferdinand e do Belle and Sebastian), que estava vazia, e ainda vimos trechos de tres shows de bandas novas em um lugar chamado Box (bem bacana). Mas a cidade ainda nao tinha me dito a que veio ate, nesta manha, eu conhecer a Catedral da cidade, grandiosa (de madeira e pedra), mas com uma area para a missa tao aconchegante que me fez escorrer lagrimas.

Bem, hoje comeca o segundo festival maratona da viagem, mas eu e a Ju (Renata volta para Londres e Paris) soh vamos encarar o sabado e domingo (Ju ate comprou uma galocha - viu o momento Gloria Kalil no flickr? - para atravessar o mar de lama, se chover) com shows de R.E.M. (sim, de novo), Raconteurs, The Fratellis, The Kooks, We Are Scientists, Ian Brown, The Pogues, Primal Scream, The Charlatans, Echo & The Bunnymen, Sons and Daughters, Vampire Weekend, British Sea Power e muito mais (veja aqui).

Vai ser correria! E na segundas, as 6h da manha, pego um trem para o aeroporto de Prestwick a caminho de Barcelona… aguenta coracao!!!!! Ah, e rapidinho, a The Fly (guia de baladas distribuido gratuitamente no Reino Unido) deu quatro moscas (num total de cinco) para o disco novo do CSS, cujo album foi o destaque desta edicao. E a Lovefoxxx abre o berreiro na capa da NME desta semana. Ainda nao ouvi o disco novo, mas voces podem me adiantar o que acharam, hein.

Ps. Atualizando as listas top da viagem:

Shows

1- Radiohead (Berlim)
2- Sigur Ros (Werchter)
3- Neil Young (Werchter)
4- The National (Werchter)
5- R.E.M. (Werchter)
6- Grinderman (Werchter)
7- Vampire Weekend (Werchter)
8- The Hives (Werchter)
9- The Verve (Werchter)
10- Ben Folds / Gossip (Werchter)

Cervejas

1- Duvel (Bélgica)
2- Leffe Black (Bélgica)
3- Mahou (Espanha)
4- Kostriker (Alemanha)
5- Orval (Bélgica)

Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 11, 2008   8 Comments

Radiohead em Berlim

radiohead_berlim.jpg

Dois shows do Radiohead em um intervalo de quatro dias. O que pode acontecer de diferente? Olha, nada. Em conceito, a apresentacao que Thom Yorke e cia fizeram na terca-feira à noite, em um anfiteatro no meio de uma floresta (literalmente) em Berlim, foi igual a apresentacao que o grupo havia feito no sábado passado no Werchter, na Bélgica. Porém, desta vez eu já sabia o que iria acontecer (nao havia a surpresa, positiva ou negativa) e… estava bêbado. Cerveja quente (os alemaes bebem e a gente vai junto) sobe que é uma beleza.

Quer saber: o melhor lugar do mundo para se estar às 20h do dia 08 de agosto de 2008 era em Wuhlheide, periferia de Berlim, um enorme parque de mata quase fechada que, se você nao tomar cuidado, se perde (eu nao tomei, e me perdi). Choveu no meio do show, as pessoas se abracavam e cantavam junto, ingleses, um americano, outro suico, uma galera de espanhóis, belgas e alemaes lavaram a alma com um show extremamente impecável. Cacete, eles tocaram “No Surprises”, “My Iron Lung” e “Street Spirit”… difícil nao ser passional num momento desses.

Estávamos uns cem metros do palco, mas mesmo assim o Luiz foi pro gargarejo. Resultado: nos desencontramos na saída. Eu, que adoro inventar novos caminhos, fui pro lado inverso ao qual entrei, e me perdi. Caminhei uns 30 minutos, peguei dois ônibus errados, fui pra lá, voltei pra cá, e quando já estava imaginando que iria dormir na rua na perifa de Berlim, um casal alemao me salvou: “Onde fica a estacao Köpenick?”. Ela nao sabia, mas ele, que nao falava ingles, me indicou o ônibus certo. Da Köpenick voltei para o hostel, e fui dormir às três da manha (para acordar às cinco - sim, estou sofrendo de jet lag…).

Abaixo, o set list dos dois shows do Radiohead que vi. Mais fotos do show no flick: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Setlist Rock Werchter, Bélgica:

01 Arpeggi
02 The National Anthem
03 Lucky
04 All I Need
05 There There
06 Nude
07 Climbing Up The Walls
08 The Gloaming
09 15 Step
10 Faust Arp
11 How To Disappear Completely
12 Jigsaw Falling Into Place
13 Optimistic
14 Just
15 Reckoner
16 Idioteque
17 Bodysnatchers

Bis

18 Videotape
19 You and Whose Army?
20 2+2=5
21 Paranoid Android
22 Everything In Its Right Place

Setlist do show em Berlim

01 15 Step
02 Airbag
03 There There
04 All I Need
05 Where I End and You Begin
06 Nude
07 Weird Fishes/Arpeggi
08 The Gloaming
09 Videotape
10 No Surprises
11 Jigsaw Falling into Place
12 My Iron Lung
13 Wolf at the Door
14 Reckoner
15 Everything in Its Right Place
16 Bangers and Mash
17 Bodysnatchers

Primeiro bis

18 Cymbal Rush
19 You and Whose Army?
20 Paranoid Android
21 Dollars & Cents
22 Idioteque

Segundo bis

23 House of Cards
24 National Anthem
25 Street Spirit (fade out)

Julho 9, 2008   6 Comments

Andando na Unter Den Linden

Berlim

Andei tanto nessa cidade nos últimos dois dias que estou até enjoado. Nada contra a cidade, imagina, mas Berlim tem um ar pesado de quem traz marcas da guerra em cada esquina. A localização do hostel em que estou é bem emblemática, pois mostra perfeitamente as diferenças da Berlim Oriental (aqui) e a da Berlim Ocidental, mais… capitalista. Porém, o que me deixou enjoado, provavelmente, não foi o ar pesado, mas como a cidade convive com seu passado.

Duas coisas podem exemplificar bem o que estou tentando falar: no caminho do Muro (há só uns 100 metros dele em pé hoje) existem vários camelôs vendendo badulaques socialistas, de quepes a fardas até… máscaras de gás. Mau gosto pra cacete. A outra coisa foi a seguinte: em um dos memoriais que passei, na Wilhelm Strasse, está em pé um dos poucos prédios construídos pelos nazistas. Hoje em dia, o prédio abriga o Memorial das Passeatas contra o Comunismo. A passeata mais significativa, de 1953, está estampada em um grande painel fotográfico postado no chão, na entrada do prédio.

Ok, o painel está ali, e algumas meninas (norte-americanas, pelo jeito) não sabiam que não podiam pisar nele (o guia não avisou). No que elas pisam, um senhor grisalho - que estava dentro de um carro parado no meio da rua aguardando o sinal abrir - desce do carro, atravessa a rua e começa a desferir xingamentos contra as meninas, que ficaram completamente sem saber o que fazer (entender o alemão normalmente já é difícil, imagina o cara nervoso, falando pelos cotovelos). Ou seja, há um culto da memória que precisa ser preservado (para que os erros não se repitam), mas que pega pesado no fundo do estômago. É foda conviver com esse passado.

No entanto, a cidade tem muuuuuitas coisas imperdíveis. Caminhar na Unter Den Linden é algo inebriante. Pra mim, foi daqui que Lúcio Costa se inspirou para desenhar o Eixo Monumental de Brasilia. A rua liga o Portão de Brandemburgo ao Palácio Real e entre os dois eixos existem uma dezenas de prédios históricos, de museus a igrejas passando pela Ópera Estatal, a embaixada Russa, a Universidade Humboldt e o museu Guggenheim de Berlim, entre outras coisas. Foda.

Eu e o Luiz (amigo carioca que conheci no primeiro dia do hostel) encaramos um tour “gratuito” (que custou 5 mangos pra cada um, e valeu a pena) e o cara deu uma aula sobre a Alemanha para a turma. Já comecei a entender as linhas de trem e ônibus e estou até falando “Danke” algumas vezes. Como a grana está contada nas moedinhas de cent, estou comendo bobagens e reservando apenas um dia em cada cidade para gastar um pouco. Por isso hoje almocei file mignon com uma salada deliciosa e um batata assada com creme de queijo. Saiu por 23 Euros, mais de R$ 50, mas compensou. Lá pra segunda eu como bem em Glasgow… até lá, pizza e lanches! risos

Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 9, 2008   1 Comment

Europa, dia 6

brussels.jpg

Bem, acordei cedo em Leuven com o pensamento de chegar em tempo de ver Bruxelas antes do vôo.  Passei na principal rua de compras de Leuven, peguei um CD do Sigur Rós por 7,50 euros (aquele dos paranteses) e parti em direcao a Gare Central, estacao central de trens de Bruxelas. Chegando lá, quem eu encontro: a comitiva recifense (risos). Isso serve para exemplificar o quanto a Bélgica é pequena.

Devidamente acompanhado de amigos, fizemos um tour de ônibus pelos principais pontos de Bruxelas. Segundo Victor Hugo, a Praca Central da cidade é a mais linda de todo o mundo. Olha, fica dificil discordar, viu. Vejam as fotos no flickr. Apos o passeio e uma pizza de calabrese (que era de atum), mais uma despedida dos amigos e vôo para Berlim.

O primeiro vôo de Easyjet a gente nao esquece. O aviao balancou tanto em certo trecho da viagem que parecia uma montanha russa. E a cada balancada, umas meninas francesas gritavam: “uhu”. Sinistro (risos). Mesmo assim, o pouso foi ok e o deslocamento do aeroporto para o albergue uma moleza: um trem só e fiquei a duas quadras do All In Hostel.

Berlim é… a Praca da Republica em Sao Paulo, mas sem os camelos - ao menos a parte oriental. O hostel que optei fica na ex-Berlim Oriental, e isso é perceptivel pela fachada dos prédios. Conto mais amanha, quando vou beber uma cerveja na Alexander Platz, dica do amigo brasileiro que conheci no hostel, e que já virou compania da cerveja da noite. Me espera. Ah, tem Radiohead nesta terca também… será que vai ser outro show eletrônico

Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 7, 2008   5 Comments

Bye bye Bélgica

leuven.jpg

Faz só cinco dias que estou na Europa, mas parecem meses. Foi especial demais ter comecado pela Bélgica por vários motivos: por ter compania brasileira no primeiro festival (Carlos, nao sei o que dói mais: joelhos ou sola do pé), e abrigo na casa da Odile,  uma belga que já trabalhou em ONG no Recife, e foi bastante querida conosco. A inseguranca de uma primeira viagem desse porte já é coisa do passado.

Ok, deu para falar bem pouco meu péssimo inglês (e a Odile entende bem o português), mas percebi que tem como se virar sozinho superando a barreira da língua, algo que eu temia muito. Ainda nao estou entendendo nada de flamengo, o idioma predominante de Leuven, mas me apaixonei pela cidade (saiba mais dela aqui). Gótico e moderno se misturam sem se agredir. A cidade está perto de várias capitais européias e o clima no ar é de calma e sossego.

Mais de 100 mil pessoas moram em Leuven, e só para você ter uma idéia do tamanho do festival Rock Werchter, 100 mil pessoas é o número diário do festival (que acontece faz mais de 20 anos - só o R.E.M. já tocou sete vezes aqui, a primeira em 1983). Tenho mais dois festivais pela frente, mas já indico o Werchter como uma parada obrigatória caso você queira ver festivais na Europa. Ele acontece no primeiro fim de semana de julho, e a escalacao costuma ser sempre sensacional (e o preco dos tickets é um dos mais em conta da Europa).

Porém, para curtir o Werchter é preciso ter um bom condicionamento fisico, muita forca de vontade, e estar descansado. Nao tem como colocar o festival no final de um roteiro de férias: você vai chegar cansado de todas as cidades que conheceu, e o Werchter nao admite cansaco! (risos). É caminhada de um palco para o outro (e só sao dois palcos), chuva, lama, horas e horas em pé, depois mais dois quilometros caminhando para chegar ao ônibus que faz o translado da estacao de trem de Leuven para o festival (15 km fora da cidade). Quatro dias assim derrubam qualquer um (e eu nem comentei das dúzias de Stellas)…

A partir desta segunda parto para novas aventuras. A idéia é acordar cedinho e ir para Bruxelas, caminhar no centro da cidade para dizer “oi, estive aqui”. Depois, no fim da tarde, voar para Berlim. É bem provável que eu nao consiga manter posts diários como fiz em Leuven (que tinha um lap conectado no quarto em que estávamos), mas vou tentar. Odile disse que se eu gostei de Leuven, vou amar Antuérpia (que é o ponto de referência para o festival de Lokerse, aquele com Sonic Youth e Supergrass). O Carlos insiste que eu vá para Budapeste. De algum lugar qualquer, eu escrevo. I promise. :)

Ps. Ranking das cervejas

1- Duvel (Bélgica)
2- Leffe Black (Bélgica)
3- Mahou (Espanha)
4- Orval (Bélgica)
5- Stella Artois (Bélgica)

Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 6, 2008   2 Comments

Werchter, Day 4

O sábado demorou a terminar. Na quinta e na sexta, eu e o Carlos “matamos” os shows de Chemical Brothers e Moby (respectivamente) e saimos antes de todo mundo para pegar o ônibus que nos leva até a estacao de trem de Leuven (o festival fica 12 km fora da cidade). No sábado, com o Radiohead, nao teve jeito: saimos quando todo mundo saiu (no palco secundário, o show de Roisin Murphy acabou antes do Rasdiohead) e até que foi tudo organizado, mas fomos chegar “em casa” quase às três e pouco da manha para pensar no último dia do festival.

O Carlos, que tem que trabalhar na segunda e estava detonado, decidiu pular fora. A comitiva recifense também. Me agendei para ir ao festival apenas ver o Grinderman e voltar, mas esbarrei nas Duvel, cerveja com 8,5% de teor alcóolico. Vou te dizer: bate que é uma beleza. É tao forte que estou sentindo as cinco que bebi até agora. No ônibus para ir ao festival, sozinho, conheci três brasileiros que vivem na Europa (dois em Bruxelas, uma em Londres), e fiquei de colar neles e acompanhar o último dia. Quem disse que consegui.

Passamos pelo palco principal - onde o Kooks usava seus hits para entreter o público - em direcao ao palco secundário, já que o trio brasileiro queria ver Mark Ronson, e fui junto. Me perdi deles na entrada da tenda, e fiquei vendo o show sozinho - e bêbado. E nem assim consegui gostar. Na boa, até eu faco uma tenda inteira pular acompanhado de uma banda de 14 componentes que toca “Just” (Radiohead), “Toxic” (Britney), “Oh My God” (Kaiser Chiefs), “Valerie” (Zutons, mas em versao Amy) e “Stop Me If You Think That You’ve Heard This One Before” (Smiths). Picaretagem, sabe, mas todo se divertiu.

Uma vantagem ao menos eu tive: assim que o show acabou, e o público do Mark Ronson saiu da tenda, fiquei na grade de frente para o microfone do sr. Nick Cave, que iria apresentar no festival o seu projeto paralelo garageiro Grinderman no mesmo horário que o palco principal iria receber Jack White e Brendan Benson com o Raconteurs. Fiquei com Nick Cave, por razoes óbvias: ainda vou esbarrar no Raconteurs em outros dois festivais e ver Nick Cave com o Grinderman nao acontece todo dia nao.

O show comecou com duas porradas - “Depth Charge Ethel” e “Get It On” - que serviram para introduzir a banda com Nick Cave assumindo a guitarra em diversos momentos e Warren Ellis completamente tomado tocando tudo que aparecer na frente. A cada riff de guitarra, o braco do instrumento arremessava o microfone para longe. Rolou música inédita (”Dream”) e uma versao arrasadora de “No Pussy Blues” com Cave exibindo uma disposicao juvenil para o barulho que impressiona. Uma puta show de rock and roll.

Antes de ir embora ainda deu para assistir um pedaco do show do Kaiser Chiefs. Hits como “Everyday I Love Less and Less”, “Modern Way”, “Ruby” (que todo mundo cantou), “Na Na Na Na Na”, “Oh My God” e “I Predict a Riot” fizeram bonito no palco grande, mas nada que impressionasse tanto a ponto de me fazer ter vontade para esperar pelo bis - e pelo Beck, que viria na sequência, mas minhas pernas já nao podiam aguentar. No final das contas, o meu top 10 do Werchter 2008 ficou assim:

1- Sigur Rós
2- Neil Young
3- Radiohead
4- The National
5- R.E.M.
6- Grinderman
7- Vampire Weekend
8- The Hives
9- The Verve
10- Ben Folds / Gossip

Fotos: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Kooks no Rock Werchter por Marcelo Costa

Julho 6, 2008   3 Comments

O que fazer no dia de aniversário?

Eu tinha planejado passar meu aniversário, 05 de agosto, em Liverpool, terra do… Echo and The Bunnymen (ok, ok, dos Beatles), mas acaba de surgir uma nova rota na viagem: de 01 de agosto a 10 de agosto acontece o Lokerse Feesten, em Lokeren, uma hora de Bruxelas. É um festival pequeno, poucos shows por noite, e sem muita “muvuca”. No dia 05 de agosto sobem ao palco o Sonic Youth tocando o “Daydream Nation” na integra, e em seguida o Supergrass. $20 euros só. Estou pensando em ir só neste dia, e ficar os outros em Londres mesmo, mas ainda estou na dúvida sobre o que fazer…

Julho 6, 2008   3 Comments

Werchter, Day 3

werchter2.jpg

 Ou “o dia em que o Sigur Ros roubou a festa do Radiohead”…

Bem, o terceiro dia do festival era disparado o de melhor line-up, e não só pela presença do Radiohead fechando a noite. O dia começou com a fofinha Beth Ditto encaixando “Psycho Killer”, dos Talking Heads, inteirinha dentro de “Listen Up”. E em toda pausa ela mostrava a potência de sua voz cantando “Crazy”, do Gnarls Barkley, que também iria tocar no Werchter neste mesmo dia (e no mesmo horário do Sigur Rós). O show do Gossip foi bem bom, com o ponto alto ficando, claro, para “Standing In The Way of Control”, com a pessoa mais cool do mundo em 2007, segundo a NME, cantando no meio do público.

O Hives veio na sequência. Os dois últimos discos não são lá grande coisa, mas o show é muuuito bom. Howlin Pelle Almqvist é um entertainment de primeira, um dos melhores do novo rock. Brinca com o público, conta histórias, faz piadas sobre a vida em turnê e obriga todo o público a esticar a mão direita e prometer sempre ouvir Hives. O show já seria bom se não tivesse hits, mas imagina o que cancões poderosas como “Main Offender”, “Tick Tick Boom” e a sensacional “Hate To Say I Told You So” podem fazer numa pista de danca e você terá idéia da festa que foi quando elas apareceram no Werchter. Pelle é responsa.

Já na hora do Hives a chuva tinha voltado, e não ia ser o Editors que iria me fazer encarar água e lama. Vi algumas músicas de longe, o vocal é muito bom ao vivo, mas nada me fez ter vontade de ir lá “pra frente”. O Kings of Leon, que fez um dos piores shows da história do Tim Festival uns anos atrás, mostrou competência, muito embora eu vá morrer sem saber qualé o motivo da existência do quarteto. Eles não tem sex-appeal, suas cancões abusam dos clichês e o vocalista não consegue formar uma frase - em inglês - para se comunicar com o público. Definitivamente, não consigo entender. Já Ben Harper mostrou seu bom show (que passou pelo Brasil em 2007) com a galera cantando junto várias canções.

E então o Sigur Rós entrou no palco. Por um motivo de “estratégia”, eu estava encostado em uma das grades perto do palco, para ver melhor a turma de Thom Yorke que viria na sequência. Quem acompanha o Scream & Yell lembra que não fui muito simpático com os islandeses quando eles tiveram no Brasil, tocando entre Grandaddy e Belle and Sebastian. Na verdade, eu nunca tinha tido muita paciência com o grupo, e aquele show em particular foi uma balde de água fria para quem estava embalado pelas outras duas bandas da mesma noite. No Werchter, porém, o grupo fez um show apoteótico que descongelou meu coração.

gossip.jpg

De cara, tocaram seu maior “hit”, “Svefn-g-englar”, a única coisa que eu lembrava como sendo deles. No Werchter, ao vivo, o Sigur Rós me pareceu o meio termo, a ponte perfeita entre Arcade Fire e Mogwai. Os islandeses começam onde termina o som dos canadenses e terminam quando começa a usina de barulho dos escoceses. Rock com guitarra tocada com arco de violino. Baixo tocado com baqueta de bateria. Barulho e melodia no mesmo compasso. Comandado por Jón Þór Birgisson, e mais 11 pessoas (incluindo um quarteto de metais), o Sigur Rós emocionou (e nem precisava do por-do-sol às dez da noite).

Pela qualidade do show do Sigur Rós, o Radiohead iria ter que trabalhar muito para fazer uma apresentação mais poderosa, porém, quem diz que eles ligam para isso. Com uma decoração de palco fantástica, e o telão dividido em seis, com imagens flagradas das já populares mini-camêras que o quinteto tem usado em seu estúdio particular, o Radiohead fez um show de lados b eletrônicos no Werchter. É claro que o show foi fantástico, afinal, se eles fizerem um show com lados C e D, a possibilidade de ser uma apresentação sensacional é enorme, mas… faltaram mais hits, desculpa dizer isso.

A rigor, foi uma música do “The Bends” (”Just”), duas do “Ok Computer” (”Lucky” e “Paranoid Android”), cinco do “Kid A” (incluindo “Idioteque”, um dos grandes momentos da noite, e “Everything in Its Right Place” em versão eletro), uma do “Amnesiac” (”You and Whose Army?” completamente irreconhecivel), três do “Hail To Thief” (”There There”, “The Gloaming” e “2+2=5″) e oito cancoes do “In Raimbows” (”House of Cards” é uma das que ficou de fora).

É difícil explicar o que eu esperava de um show do Radiohead. A apresentação foi sensacional, a banda ao vivo é impecável, a melhor formação do mundo atual sobre um palco, mas ficou um gostinho de “podia mais”. Quem sabe eu mude de idéia na terca-feira, em Berlim, quando assisto novamente a banda ao vivo. Espero que eles mudem o repertório e que Thom Yorke esteja mais animado. Neste show ele só foi ao microfone uma vez para falar que era uma honra estar tocando no mesmo palco que Neil Young tocou um dia antes. “Ele é um dos meus ídolos”, disse Thom. Na boa, o show de Neil Young também foi melhor…

sigurros1.jpg

Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 5, 2008   6 Comments

Werchter, Day 2

verve.jpg

Sol, sorvete de chocolate belga e duas horas de Neil Young. O segundo dia do Werchter comecou com uma ótima noticia: sai a chuva, volta o sol. A área de fora do segundo palco parecia uma praia sem mar nem areia: belgas de biquíni, Stela gelada e Ben Folds na versao trio para animar a festa com direito ao maestro Ben comandando um coro de vozes em “Annie Waits” e arrasando em “Army” e “Bastard”. No outro palco, o Slayer quebrava tudo com o riff clássico de “Angel of Death”.

O dia prometia muito, e uma das principais promessas se cumpriu: o Tim Maia britanico deu cano no Werchter. Foi o terceiro show consecutivo que Pete Doherty deixou passar batido. Pena, eu queria muito ver o Babyshambles. No palco secundário, o pessoal do My Morning Jacket pagava tributo aos anos 70. Eu sempre relutei em dizer isso, ainda mais depois que o mundo babou os caras após o bom álbum “Z”, mas eles sao chatinhos. Um Wilco que nao deu certo… vi tres músicas e me mandei para o palco principal.

Jay-Z foi recebido com festa por lá. Encontrei a comitiva brasileira e como eu havia decidido sair da frente do palco, onde estávamos, para comprar cerveja e só voltar quando o rap acabasse, fiquei encarregado de trazer cerveja pra todos no retorno. O show acabou, peguei cinco cervejas e fui atrás dos caras. Quem disse que os achei? Alemaes, ingleses, holandeses e até belgas de olho na bandeja de ouro, ops, cerveja, e nao resolvi desperdicar: encostei num canto e quando um dos brasileiros me achou eu já estava terminando o terceiro copo…

The Verve no palco. Richard Ashcroft comanda a galera em um coro que canta os hinos urbanos da banda: “Sonnet”, “The Drugs Dont Work”, “Lucky Man” e “Bitter Sweet Symphony”, que me fez derrubar uma lágrima de emocao. Fechando a noite, duas horas com o mestre Neil Young e seu show de guitarradas e clássicos como “Love and Only Love”,  ”Hey Hey, My My”, “Everybody Knows This Is Nowhere”, “The Needle & The Damage Done”, ”Unknown Legend” e “Heart of Gold”.

Num total de 17 cancoes emblemáticas, Neil Young trascendeu mesmo em duas covers: uma para a sua já famosa versao para “All Along The Whatchtower”, de Bob Dylan, tao tempestuosa quanto a imortalizada por Hendrix, e a outra no bis, surpreendendo com “A Day In The Life”, dos Beatles, em versao consagradora. No palco principal ainda havia Moby DJ Set, mas melhor guardar energias comendo sorvete de chocolate belga, afinal, neste sábado, Radiohead. Preciso me preparar espiritualmente…

Fotos: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 4, 2008   5 Comments

Werchter, Day 1

vampire1.jpg

Rock, lama e por-do-sol às dez da noite. Também teve muita cerveja, comida gordurosa e bons shows, claro. Comentários rápidos pois o dia amanheceu ensolarado e tem Ben Folds e Babyshambles (se o Pete Doherty aparecer) abrindo a programacao. No primeiro dia, após caminharmos e almocarmos no centro de Leuven (cerveja Orval, boa, pero mui forte - acompanhado de um omelet de stek) fomos descobrir em que raios de lugar era o festival. E é longe.

Ok, o lugar é longe, mas existem vários onibus fazendo o translado da estacao de trem em Leuven e o festival. Chegando lá, a primeira coisa que impressiona é a quantidade de áreas de camping e toda a estrutura que as cerca, com barracas de roupas, produtos de limpeza, comida e, obviamente, muita cerveja. Como o mundo é pequeno, na hora de entrar, um carioca trabalhando no evento nos cumprimentou. Vai Brasil.

Lá dentro a coisa impressiona ainda mais. Estrutura mega, dá fácil para viver lá dentro. O Modern Skirts abriu a programacao no palco secundário, e chegou carregando a responsa de ser a banda atual preferida de Mike Mills, do R.E.M., que viu o show da frente do palco. Mills já produziu a banda, que também é de Athens, e busca suas referencias nos anos 60. O tecladista parece um Jack Black ensandecido e o vocalista lembra o Mark Lanegan moleque. O show, a partir da terceira cancao, foi muito bom. Um nome para ficar atento.

Os badalados moleques do Vampire Weekend fizeram do palco secundário uma festa cigana. O vocalista e guitarrista Ezra Koenig comanda o ritmo da banda ao lado do batera Chris Tomson e o som lembra um Police mais roqueiro nas partes rock e mais suingado nas partes suingadas. Bebendo na fonte dos africanos, o Vampire Weekend fez um show divertido com os hits “A-Punk” e “Cape Cod Kwassa Kwassa” cantadas em coro, mas o público pulou o show todo.

national1.jpg

The National veio em seguida para mostrar como se faz barulho com violino e metais. O show ignorou completamente os dois primeiros álbuns e concentrou-se nos excelentes “Alligator” e “Boxer”. O vocalista Matt Berninger é ensandecido e comanda a banda com maestria, deixando o microfone cair, derrubando o pedestal e bebendo vinho, cerveja e o que tiver pela frente. “Apartment Story” e “Fake Empire” vieram em versoes arrasadoras.

Pelo caminho teve Lenny Kravitz tocando no por-do-sol às dez da noite, chuva que fez o festival se transformar em um grande lamacal, brasileira que estuda na Bélgica perdida no meio das mais de 100 mil pessoas e, claro, R.E.M., que fez o penúltimo show do palco principal (Chemical Brothers estava escalado para encerrar a primeira noite, mas como já os tinha visto em Sao Paulo, achei por bem dar um descanso para as pernas e sai após o R.E.M.).

A primeira coisa boa a se falar deste show novo do R.E.M. é que o repertório abriga várias coisas que eles nao tocaram no Rio, em 2001, dito melhor show da minha vida (leia aqui), e só por isso já valeu estar aqui. Entraram no repertório “Ignoreland”, “Drive”, “Electrolite”, “Pretty Persuasion”, “Driver 8″ e “Let Me In” em versao rancheira. Os hits, claro, nao podiam faltar, entao da-lhe “One I Love”, “Losing My Religion”, “Imitation of Life”, “Fall On Me”, “Supernatural Superserious” (uma das mais festejadas) e “Man On The Moon” fechando uma noite memorável.

rem1.jpg

Fotos: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 3, 2008   4 Comments

Em Leuven

Foi ,qis dqcil do aue eu imqginqvq. Traduzindo: as teclas do teclado são uma zona, não acho os acentos, e o q esta invertido com o a. É o seguinte: cheguei em Leuven, terra do Rock Werchter, e foi mais fácil do que eu imaginava. Vôo de duas horas de Madrid para Bruxelas, e de lá encontrei um trem que vinha direto do aeroporto para Leuven. Uhu. O Carlos, amigo que vem da Alemanha, chega em duas horas, então aproveitei para passear pelo centro da cidade: pânico! Está tudo escrito em flamengo, uma variacão do holandes!!!!! Mas deu para reconhecer o logo da Stela Artois em todos os bares, afinal, a cerveja é feita aqui. Bebi uma para refrescar - está um calor dos diabos - e tentei caminhar, mas levar 12 quilos de bagagem nas costas não é facil não. Mas o que importa e que estou aqui e amanhã tem… Vampire Weekend, The National, Chemical Brothers e… R.E.M.

Julho 2, 2008   5 Comments

Em Madrid

O teclado é péssimo, mas o aeroporto é algo. Estou a caminho de Bruxelas após um vôo longo e cansativo. O cara da imigracao nem olhou direito pra mim, carimbo no passaporte e vamos lá. Anota a primeira cerveza da viagem: a madrilenha Mahou, leve e deliciosa, apesar do teor alcóolico de 5,5%.  Foi no “jantar” de ontem no aviao, que ainda contou com pasta, salada e um bolo de chocolate com uma camada de creme de framboesa no meio e outra de creme de maracujá no final. Até me lembrei do maxi goiabinha (hehe). Agora, hora de ir. Já já de Bruxelas ou Leuven. :-)

Julho 2, 2008   No Comments

Malas prontas

Bem, estou terminando de abastecer os MP3 Players para a viagem. As malas já estão prontas, passaporte na mão, alguns euros já devidamente separados para a chegada e, espero, o próximo post será escrito de Bruxelas ou Leuven, na Bélgica, amanhã à tarde, se eu conseguir encontrar a rua onde devo ficar: Naamsesteenweg. Imagina se eu tivesse que falar o nome dessa rua para alguém? Bem, para a minha sorte, o Carlos (amigo que mora na Alemanha) também vai ao Werchter. Mas Naamsesteenweg é só o começo da viagem… vem mais por ai. A gente se vê. (hehe)

Trem que cruza a Naamsesteenweg, foto de Jakkes (veja mais aqui)

Julho 1, 2008   4 Comments