FIB 2008, Sábado

O dia em Benicàssim comeca depois das 14h. É quando a comunidade branquela do mundo (eu incluso) e alguns poucos morenos acorda e abarrota as praias do balneário procurando um lugar para… dormir (e as meninas, fazer topless). Perdi o trem das 14h30 de Castellon para Benicàssim (assim, cheguei até a entrar no vagao, mas estava na dúvida se era aquele mesmo ou se eu estava pegando um trem para o sentido contrário. Era aquele) e tive que encarar a viagem de ônibus, que geralmente derruba o freguês de sono. Me desencontrei do pessoal do Alto Falante, enconstei em um bar na orla, estiquei as pernas na cadeira e… três Amstel de um litro (cerveja de Sevilha) e eu já estava pronto para o ritual: capotar na praia.
Arranjei um lugar “limpinho”, fiz da mochila e dos chinelos meu travesseiro, coloquei o relógio para despertar às 18h e sonhei com anjos. Acordei às 18h20 e só nao perdi o The Ting Tings pois o show atrasou. Quando coloquei o pé direito na tenda, Katie White e Jules De Martino entraram no palco. Era um dos primeiros shows do dia, 18h40, solzao no alto, e o local estava abarratodo (repetindo a loucura do T In The Park). O duo novamente fez uma boa apresentacao, com algumas criancas na platéia e clima de festa adolescente. “That’s Not My Name” (que bateu no número 1 da parada britanica), “Shut Up And Let Me Go” e “Great DJ” incendiaram a tenda.
Primeira grande comida de bola da viagem: finado o show do Ting Tings, eu, Renata e Carol procuramos um lugar pra armar o boteco e esperar o próximo show. Enquanto isso, para uma tenda com 1/4 de sua lotacao (ou seja, vazia), Jon Spencer levava ao FIB seu projeto paralelo de rockabilly Heavy Trash. Eu bebendo cerveja na grama e Jon Spencer - sem barba e de terninho - mandando ver no barulho na tenda FiberFib. Das coisas que acontece quando o line-up tem mais de 110 nomes confirmados. Pena. Mas vi meia hora de José González (aquele show bonito que a gente já conhece) e três músicas do Brian Jonestown Massacre (eu esperava mais do Anton; acho que o ótimo documentário “Dig!” superestimou a banda).
De volta a tenda FiberFib, novamente com pouca gente, estirei-me no chao a dez passos da grade e vi a performance do American Music Club inteirinha jogado. O vocalista e guitarrista Mark Eitzel (foto abaixo) tira um faca cravada no peito a cada novo número trazendo as cancoes lá do fundo do amâgo, onde você nao acredita que alguém consiga buscar emocao. Eitzel é daqueles caras que poderia ficar rico vendendo honestidade em frasquinhos de 5ml, e o reconhecimento veio no pedido de bis, o primeiro que vi neste festival, mas que o pequeno público fez questao de pedir, e ganhou como presente a pungente e arrepiante ”All My Love”, em versao comovente, de congelar a espinha. Puta show.

Por falta do que ver, tive que encarar um show inteiro do My Morning Jacket. O Thiago, do Alto Falante, definiu bem: “Eles sao até legais em disco, mas em show abusao do rock burrao”. Tem até guitarra flying V. Era isso ou ver Tricky. Fiquei matando tempo até à meia noite, quando Alison VV Mosshart e Jamie Hince entraram no palco do Main Stage. Assumo: se eu nao fosse casado (e ela também), eu pediria a Alison em casamento. Fácil. Ao contrário de Paula Toller, Alison é daquelas mulheres que solos de guitarra podem conquista-la. Ok, nao sao os solos do Kid Abelha, mas sim do The Kills, uma usina de barulho movida a bateria eletrônica e guitarradas. O show, no entanto, foi inferior ao do Campari Rock 2005, e terminou de forma abrupta como um coito interrompido. Alison gosta de partir coracoes e ir embora sem dizer adeus.
Depois de troca-los por Grinderman, na Bélgica, e The Pogues, na Escócia, finalmente me vi frente a frente com o Raconteurs. Jack White conseguiu montar uma banda de garagem com todos os clichês do gênero (para o bem e para o mal). Tem longos improvisos e jams que na maioria dos momentos enchem o saco, mas quando a banda engata a quinta marcha, sai debaixo. Nenhuma música surge tal qual foi gravada em álbum. Eles recriam tudo, e em várias passagens se superam, caso da versao arrasa-quarteirao de “Steady, As She Goes”, mas nao é o show da vida de ninguém. Sao simplesmente quatro bons músicos declarando paixao e devocao pelo barulho. “Many Shades of Black”, com Brendan Benson comandando, foi um dos grandes momentos, mas muita coisa boa do primeiro disco ficou de fora em detrimento de faixas medianas do segundo. E vamos combinar: Jack White e Michael Jackson podem sair de maos dadas no quesito brancura.
A noite ainda teve Gnarls Barkley (que abriu o show com a festejada cover dos Violent Femmes, “Gone Daddy Gone”) tocando seu álbum de reggae dos anos 2000 (com direito a cover do Radiohead, “Reckoner”, do “In Rainbows”) e sanduiche de bacon com chourizo (aprovado) acompanhado de duas Jake and Coke. Quando cheguei no hotel, o relógio marcava quase sete da manha, e eu precisava descansar, afinal este domingo é o grande dia do FIB 2008: na agenda Leonard Cohen e Morrissey. Amanha, correria: às 9h embarco de trem para Barcelona. Chego às 11h42 e saio correndo do vagao para comprar uma passagem de trem para o aeroporto (11h55), onde preciso estar até 12h35, horário final do check in do vôo para Malága, na Andaluzia, onde tenho encontro marcado com Lou Reed às 21h. Torce por mim. Vai ser muuuuita correria.

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta
Julho 20th, 2008 at 6:55 pm
To torcendo… L. Cohen, Morrissey e Lou Reed… To torcendo muito!
Julho 21st, 2008 at 11:19 am
Ele finalmente cortou o cabelo!!!!!!
Que lindo :~
Julho 22nd, 2008 at 11:35 am
Cris, fooooda!
Ju, vou levar mais fotos pra voce, podexa!
Julho 22nd, 2008 at 8:48 pm
Cara…ver o Eitzel tocar as musicas do seu clube de musica americana deve ser algo imprescindivel…E essas garotas de topless por ai…que plus!!..:))