T In The Park, Saturday
O maior e mais badalado festival da Escocia comecou na sexta-feira, com Verve, Stereophonics, Feeder, Futureheads, Wombats e Chemical Brothers, mas devido ao alto preco dos ingressos (em libras), compramos os tickets apenas do fim de semana. E da-lhe gastos em pounds: o onibus ida-e-volta de Glasgow para o festival (1h30 de viagem) custa 22 libras (mais de R$ 70), a programacao com o horario de cada show sai por 8 libras (quase R$ 30) e o festival milhares de oportunidades para voce gastar o seu rico e suado dinheirinho.
O T In The Park ate parece um shopping center tamanho o numero de lojas. Tem de tudo: as comidas mais variadas (e servidas de forma tosca, claro), energeticos especiais apenas para maiores de 18 anos, massagem, cabelereiro, lojas de roupas e… roda gigante, bungee jump, trem fantasma e carrinho de bate-bate. Ou seja, o festival nao eh um shopping, mas sim um circo. Boa parte do publico marca presenca nao por causa desta ou daquela banda, e sim pelo fato de que o lance eh estar aqui, independente das atracoes.
Quanto as atracoes, elas sao divididas em oito palcos, sendo tres tendas de musica eletronica, uma tenda para bandas novas, dois palcos maiores (Main Stage e NME Radio 1 Stage) e duas outras tendas bacanas. O certo seria escolher uma ou duas tendas proximas, ficar se revezando entre elas e esquecer o mundo, mas quem diz que a gente consegue. Haja perna, pois as caminhadas sao beeeem longas, mas costumam valer a pena.
Eu e a Ju fizemos, cada um, a sua programacao pessoal, e saimos na batalha. Comecamos com os belgas do dEUS, que tinham fechado o Werchter, na semana passada, e aqui praticamente abriam a tenda NME Radio 1. Bom show, ao menos as quatro musicas que vimos. Passamos pelo Main Stage para olhar a Kate Nash. O microfone estava dentro de uma armacao em forma de ostra, e apesar da Kate ser toda fofinha, o show nao embalou. Duas musicas depois e ja estavamos no palco das bandas novas, o Futures Stage, vendo os ingleses do The Metros. Eles tem muuuito o que caminhar ainda, mas valeram as tres musicas que vimos.
O festival realmente comecou, com cerveja voando pro alto e a galera cantando junto, quanto o The Subways entrou no NME Radio 1. Fazia um tempo que a banda nao pisava na Escocia, e a saudade foi compensada com uma apresentacao vibrante, que ate compensa a falta de qualidade da banda em estudio. O primeiro grande show do dia aconteceu na tenda King Tut’s Wah Wah. Jogando em casa, os escoceses do Sons and Daughters, responsaveis por um dos grandes discos de 2008 (”This Gift”), soh tinham 40 minutos (dos quais usaram 36 apenas), mas mandaram bem focando nas cancoes mais antigas (”Johnny Cash”, “Rama Lama”, “Dance Me In”) e no poderoso single “Gilt Complex”. Adele, com um longo camisao com Leonard Cohen de estampa sobre um micro shortinho, derreteu coracaoes. E Scott Paterson segura tudo na guitarra. Showzao.
Na sequencia, um pouquinho da honestidade rocker do Hold Steady, da pieguice pop do Kooks (ovacionados no Main Stage) e o unico momento de duvida do dia: Raconteurs ou Pogues? Bem, imaginei que o Raconteurs tem 105% de chance de tocar no Brasil, se nao for neste ano, que seja no ano que vem, enquanto o Pogues, never. Sem contar que ainda tinha o acrescimo de que cruzo o Raconteurs no Benicassim, na proxima semana, e de que o Pogues estaria tocando “em casa”. Ganhou Shane MacGowan, o Wander Wildner do Reino Unido.
A escolha nao poderia ter sido mais acertada (e nao soh pelo fato do show do Raconteurs, segundo a Juliana, ter sido meia boca). Quinze minutos antes do show comecar, a tenda ja estava superlotada com o publico entoando as cancoes do grupo como se estivessemos todos em um estadio de futebol. A seguranca foi reforcada de cinco para quinze pessoas na frente do palco, que distribuiam agua para as primeiras filas tanto como cuidavam dos desmaiados e dos mais afoitos, que tentavam pular a grade. A banda comecou atacando um numero instrumental, e assim que Shane pisou no palco, dezenas de celulares foram ao alto para registrar o momento.
Shane MacGowan eh como um deus bebado para este povo. Ele se enrola com o microfone, caminha cambaleante pelo palco, briga com o backing, e canta como se estivesse em um pub rodeado por cervejas. O publico vai junto, e “Dirty Old Town”, um dos classicos da banda, rende um dos momentos mais belos que a musica pode proporcionar, com pessoas chorando, cantando abracadas, balancando bandeiras e se emocionando. Lindo de se ver. Shane estourou o horario em vinte minutos, mas ele pode, pois ele eh e um deus bebado e desdentado que esse povo ama. Amem.
E acabou o festival? Nao. Ainda tinha Interpol, Kaiser Chiefs, Ian Brown e Rage Against The Machine, todos no mesmo horario. Meu plano era ver tres musicas do Interpol (so para confirmar o que eu ja sabia) e ir ver outro deus tocar cancoes de sua ex-banda, uma tal de Stone Roses, e cabular Kaiser Chiefs e Rage. Vi as tres musicas do Interpol (sim, eh aquilo mesmo: as musicas do dois primeiros discos sao foda, as do ultimo sao lixo) e parti pra tenda Kings pra ver Ian Brown. Quem disse que consegui entrar? Apesar de sua carreira solo ser frouxa, o homem eh idolatrado, e o show vale pois ele toca varias cancoes do disco que mudou o rock britanico nos anos 90, mas depois de ter batido a cara na porta, decidi voltar ao Interpol, que fechou a noite com hits e mandou todo mundo feliz pra casa.
Uma coisa interessante, e que voce ja sabia, mas custa nada falar: todos os shows que vi na Europa ate agora, e que ja tinha visto no Brasil, foram melhores aqui. Ate o Kings of Leon! Esse do Interpol foi a prova dos nove: dava para se ouvir as duas guitarras, o baixo, bateria e voz perfeitamente, como se estivessemos ouvindo um CD. Foda. Bem, uma hora e tanto depois ja estavamos de volta ao hostel. Estou de malas prontas para embarcar para Barcelona nesta segunda, mas antes tem o ultimo dia do T In The Park. Minha agenda pessoal: Brian Jonestown Massacre, The Ting Tings, British Sea Power, Vampire Weekend, Echo and The Bunnymen, Amy Winehouse, Hot Chip e R.E.M.; Se a Amy der cano, vou me ajoelhar na frente do palco do National, novamente. Assim que der, volto pra contar. Me aguarda!
Julho 13, 2008 3 Comments

















