Blog do Editor do Scream & Yell
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Posts from — Julho 2008

Monalisa, Venus de Milo e… Coldplay

Entao, o Louvre. Fiquei cinco horas e doze minutos dentro do museu, e sai com a sensacao de que soh aproveitei 10% dele. Estou tentando lembrar onde li que sao 11 quilometros de exposicao, e se nao for isso, vou te dizer, esta perto. Mas o problema nem é a caminhada, mas que arte é algo para se namorar, ficar olhando, admirando, sem se preocupar com o que voce vai deixar de ver. Porém, no Louvre, se voce nao ver as coisas rapidamente, vai deixar de ver um monte de coisas…

O mais engracado é que sempre fiz parte do grupo de pessoas que batalha para a expansao da arte, para que todo mundo ouca as melhores musicas, veja os melhores filmes, leia os melhores livros, mas entao voce entra no Louvre com aquele mundareu de gente, e pensa que vai ser impossivel aproveitar com calma o passeio. Tipo, a Monalisa: ninguem pode dizer que viu a Monalisa. Primeiro que ela fica uns dez metros do publico protegida em uma redoma (apos um atentado a faca). Segundo que é uma muvuca…

Ou seja: as pessoas estao ali para olhar o quadro e riscarem na caderneta: “vi a Monalisa, proximo item”. Nao ha como tentar interpretar o sorriso da moca, perceber as pinceladas do Leonardo, admirar o quadro com toda calma que ele merece. Sentar uns quinze minutos em frente a ele como fiz com o Hopper na Espanha. Como dizia a Luiza, minha professora de Educacao Moral e Fisica no colegial, “as pessoas veem, mas nao olhar; falam, e nao dizem; tocam, e nao sentem; existem, e nao vivem”. Em parte, a Luiza estava certissima…

Eh claro que esse distanciamento soh acontece nas duas obras mais famosas do museu, aquelas que um mundo de pessoas quer ver: Monalisa e Venus de Milo. As demais estao ao alcance dos olhos e das maos (literalmente) e a badalacao em torno delas é aceitavel dado o porte do Louvre, um museu com um acervo de mais de 350 mil objetos de arte, e que em 2007 foi o museu mais visitado do mundo com a marca impressionante de 8,3 milhoes de pessoas.

E, na boa, soh o Palacio do Louvre ja valeria uma visita. Construido em 1190 como Fortaleza por Filipe Augusto, parte dele virou museu em 1793, com a Revolucao Francesa. Napoleao, sempre ele, adaptou o lugar como museu. Alem dos tres pavimentos de obras classicas que abrangem antiguidades egipicias, romanas, gregas e orientais ate pinturas e esculturas italianas, francesas e holandesas, ha ainda parte dos aposentos de Napoleao III tal qual eram na epoca, e que por si soh ja fazem o queijo da gente cair (foto 1, 2 e 3).

Das obras, os franceses me impressionaram muito com Prud’Hon (“L’Enlevement De Psique”), Gericaut (“Le Radeau de La Meduse”) e Delacroix, que um quadro antes tinha me chamado a atencao: “Nossa, lembra a capa do Coldplay”. Nao era ele, era o seguinte, “Le 28 de Juillet, La Liberte”. Chris Martin é um coxinha, mas tem bom gosto. Ainda teve Chasseriau, que com sua “Suzanne au bain” balancou meu coracao, mas no quesito musa, vou sonhar com Drost e sua “Bethsabee”.

Dos holandeses, nao me odeiem, mas curti muito mais os dois Vermeer do que todos os Rembrant. E dos italianos, nao tem jeito, Da Vinci. E vou te dizer que a Monalisa perde em encanto para a “La Belle Ferroniere”. Gostei muuuito das esculturas, algo que costumo deixar de lado em outros museus. “Dirce”, de Bartolini (foto 1 e 2), “Mercure Enlevant Psique”, de Vries, “Os Escravos”, de Michelangelo, e “Le Trois Graces” ganharam um bom tempo da minha estadia no Louvre.

Terminada a caminhada, decidi ir comer uma baguete ao lado do Pompidou, e encarar o topo do Centro Cultural. Porem, para ir ao topo é preciso pagar os 10 euros do museu, e como corro o risco de ficar sem nenhuma libra para entrar em Londres nesta quinta, e nao conseguiria ver mais obras de arte apos cinco horas de Louvre, deixo a visita ao Pompidou para o ano que vem, com a Lili. Mesmo assim, me aventurei no lugar admirando suas cores (os canos verdes sao para agua, vermelhos para eletricidade, e azuis para ar-condicionado) e a disposicao das salas de leitura.

A sensacao que tenho ao chegar ao hotel - apos, ainda, passar pelo shopping subterraneo Forun de Halles, com uma Fnac de tres andares abaixo da rua - é de que precisarei vir ao Louvre ao menos mais umas dez vezes para aproveita-lo da forma que ele merece. Foi uma otima primeira vez, mas ate os meus 100 anos espero pisar neste lugar sagrado quantas vezes mais conseguir. Sorrio lembrando que, frente a encantadora Venus de Milo, pensei como era lindo o fato de que uma das mulheres mais fotografadas do mundo nao tivesse os dois bracos. E ela sorriu pra mim, tenho certeza.

Bem, chegou a hora, e esse é o meu ultimo dia em Paris. E, detalhe, acabou o dinheiro. Mesmo. Tudo bem, estou em Paris e tenho um bilhete orange. Vou ate a Shakespeare and Co, a livraria em que a Celine reencontra o Jesse em “Antes do Por-do-Sol”, e vou tentar refazer de cabeca o caminho que eles fizeram no filme. Se eu conseguir chegar ate o cafe, paro, peco um expresso, e me dou por feliz. Se nao encontrar, tudo bem, eu ainda vou voltar a ver essa cidade. Paris, eu volto. Me espere.

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 31, 2008   4 Comments

Lost in Translation

Chego todo empolgado para pedir uma baguete no cafe ao lado do Pompidou, cujo atendente no dia anterior tinha sido muito gente boa: “Sil vous plait, un baguette de jambon and cheese”. O cara ri e nao perde a bola levantada: “French or english?”. E eu: “Merde! Jambon an fromage, fromage”. O cara soh ri…

Fico uns cinco minutos treinando meu frances para perguntar ao atendente como faco para chegar ao segundo andar do Louvre. Chego la e mando: “Pardon, pouvez-vous me dire ou se trouve second etage?”. O cara vira pra mim e responde: “Ablas espanhol?”

No netcafe, um senhor grisalho gasta uns cincoenta segundos misturando portugues, espanhol e frances para me perguntar onde fica o arroba nesse teclado doido: “Eh simples, eh so clicar no altgr e mandar bala”. E o velhinho, surpreso em eu ser brasileiro, agradece: “Ufa, obrigado, estava sofrendo aqui”.

No metro, uma francesa cola em mim e fala algo que eu nao entendo, em frances. Digo: “Pardon, je ne parle pas francais”. Ela me olha com cara de poucos amigos, entao nao perco a deixa: “Est-ce que vous parlez anglais, spanish or portuguese?”. Ela vira as costas a vai embora. 1 x 0, Brasil.

Um grupo de brasileiros esta perdido procurando a Torre Eiffel. Um deles vira para o amigo, e manda: “Pergunta pro gringo ae que vai que ele sabe”. Olho prum lado, pro outro, e descubro que o gringo sou eu. Antes que eles venham gastar o ingles (ou frances) comigo, disparo: “Na quarta rua, a esquerda, voces ja vao ver a Torre Eiffel”. Todo mundo cai na gargalhada…

Julho 30, 2008   7 Comments

“Parri, Parri”

A internet em Paris é disparada a mais cara da viagem. Entao, assim que encontrei um lugar de precos honestos, tratei de voltar a noite, aproveitando meu “bilhete orange” de uma semana (ônibus e metrô). O lugar ficava no Boulevard Clichy, na zona do meretricio parisiense. Ok, assumo, eu queria mesmo voltar a noite. Compara as fotos do Moulin Rouge de dia e de noite que voce vai entender (alias, pra assistir a um show na casa, o ingresso custa 125 euros, mas voce ganha uma garrafa de champagne - risos).

O clima da area nao é tao pesado quanto eu imaginava, mas é bem desaconselhavel para garotas sozinhas. Encostei num pub irlandes e pedi uma Beamish Red, que me desapontou. Esperava mais dessa cerveja vermelha famosa. Mesmo assim, bebi mais dois pint assistindo a um jogo de… hoquei sobre a grama? O jogo acontece num campo gramado de futebol, a trave parece de futebol de salao, a bola parece de golfe, e os jogadores jogam com taco que parece uma colher de pau. Bizarro.

Quando sai do pub, o time amarelo estava vencendo por 2 a 1, e o segundo gol foi de mao, e valeu. Va entender. Apesar de ter encarado um chilly com fries, peguei uma baguete pra comer no hotel, e madeleines com cobertura de chocolate na maquina de doces do metrô (Jonas, você iria adorar isso). Estava pensando na vida, feliz, dentro do vagao do metrô, quando surge um “ohhhhhhhh” geral no ambiente. Viro a pescoco e vejo a Torre Eiffel, completamente azulada, brilhando na escuridao.

Alguem grita no vagao: “Parri; Parri”, e quando percebo, meus olhos marejados ja estao transbordando (bebado é uma m****). Nao penso duas vezes. Desco ali mesmo e sigo hipnotizado em direcao a torre. A Champ-de-Mars esta abarrotada, mas consigo arranjar um cantinho no meio do jardim para aguardar os proximos dez minutos de brilho, a meia-noite (a torre fica acesa a noite toda, mas soh pisca os dez primeiros minutos de cada hora). Pego a minha baguete e as madeleines e decido fazer um piquinique noturno.

Um grupo de mexicanos estoura uma champagne gritanto “Viva Mexico” e se abracando. Uma familia oriental repete a mesma rotina no minimo tres vezes: arma a maquina num tripé, programa o disparo e sai correndo pra posar com a torre iluminada ao fundo. Irlandeses, com varias caixas de cerveja para passar a noite, mais violao e acordeon, tocam musicas regionais. Afegas, com burcas cobrindo o rosto, riem. A Champ-de-Mars parece ser uma versao atualizada da Torre de Babel.

Isso tudo sem contar a centena de casais que se esparramam pela grama. Penso que deve ser intenso viver um romance em Paris, mas mais intenso ainda deve ser sofrer de amor aqui. Se tivesse vivido metade que seja de meus amores desfeitos nessa cidade, com toda certeza, os buracos em meu coracao seriam beeeeem maiores. E teria sido tudo mais dolorido. Feliz, penso em Lili, e agradeco por estar em um momento especial de “mente aberta, espinha ereta e coracao tranquilo”.

Quando as luzes voltam a piscar, a meia-noite em ponto, me levanto, faco algumas fotos da torre toda iluminada e brilhante, digo ate logo a ela e vou caminhando em direcao ao hotel, pois ja nao ha mais metrô. Ainda bebo mais uma Beamish Red em um cafe no caminho, e por mais que eu esteja absurdamente feliz em uma das cidades mais lindas do mundo - se nao for a mais linda, sinto saudades de casa e do colo da minha amada. Durmo sorrindo.

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 30, 2008   2 Comments

Nem Sadine, nem o anao de jardim…

E… choveu em Paris. Logo depois que escrevi o post de ontem, sai pra rua e uma garoa fina, de verao, diminuia o mormaco do calor europeu. As ruas ficaram lindas. A iluminacao dourada refletia nas pocas d’agua e transformava uma simples rua em uma visao de cair o queixo. Choveu e, ih, acho que me apaixonei por essa cidade. Fiquei horas caminhando na chuva e sorrindo a toa…

No hotel, um novo banho e cama, ja que os planos para o vigesimo oitavo dia de viagem eram mirabolantes. Mas ate que deu tudo certo, dentro do possivel. Acordei e em poucos minutos estava em frente a Catedral de Notre Dame, admirando esse templo gotico repleto de historias que comecou a ser construido em 1163 e so foi terminado em 1333, 170 anos depois.

Napoleao se coroou (retirando a coroa das maos do papa Pio VII e colocando ele mesmo a coroa sobre sua cabeca) imperador aqui, e apesar de ja ter visto catedrais mais belas (como a de Glasgow), é impossivel nao sentir um friozinho na barriga la dentro. Gostar mesmo eu gostei da parte externa, com todos aqueles monstros saindo das partes laterais da catedral para espantar o mal.

Dali fui correndo para a Sainte-Chapelle, a poucos metros. A capela fica dentro do complexo do Palacio da Justica, que ainda abriga a Conciergiere. Dez euros para fazer a visita custou caro. A capela é fofa, mas esta bem detonada, e é essencial visita-la ao escurecer. Durante o dia, os vitrais de 15 metros de altura e as estrelas desenhadas no teto tambem impressionam, mas deve ficar absurdamente lindo a noite.

Isso sem contar que a capela, de acustica excelente, abriga concertos classicos. Hoje, por exemplo, Christophe Guiot, violinista solista da Orquesta Nacional de Opera de Paris, estara apresentando a versao - integral e original - de “As Quatro Estacoes”, de Vivaldi. Nos proximos dias, concertos com obras de Bach tambem estao no programa. Mas o preco… 25 euros. Fica para a proxima.

O ticket de 10 euros da direito a conhecer, tambem, a Conciergerie, palacio construido por Filipe, o Belo (esses nomes sao uma graca, nao?), em 1301, e que na epoca da Revolucao se transformou em prisao, com muitos futuros decapitados aguardando aqui a sua hora. O quarto da presa mais ilustre, Maria Antonietta, esta aberto aos visitantes. Pra sair do reino da Disneylandia, ops, o Palacio de Versailles, e vir pra ca, ela tinha que perder a cabeca mesmo…

A ideia, na sequencia, era dar uma passadinha no Hotel dos Invalidos, palacio construido em 1671 para abrigar ex-combatentes de guerra, e que abriga, hoje em dia, os restos mortais do senhor Napoleao Bonaparte, mas acabei trocando o imperador por uma visita a dois templos do consumismo: a FNAC e a Virgin Megastore, na Champs Elysees. Tinha varias promocoes, mas sai de maos abanando.

Dali segui para o Centro Cultural Georges Pompidou, que o James nao avisou que fechava as segundas e tercas (risos). Inaugurado em 1977, essa maravilha moderna é o lugar mais visitado de Paris (sim, mais do que o Louvre e a Torre), e se destaca por sua arquitetura particular, que joga pra fora do predio todos os canos e estruturas que deviam estar dentro. Pirado, e interessante.

Sai dali disposto a enfrentar um filé com arroz e fritas, mas eis que olho ao lado, e uma multidao (vai, umas vinte, trinta pessoas) esta toda alojada em frente ao Pompidou, armada de baguete, refrigerante ou cerveja, e fruta, fazendo um piquinique em plena hora do almoco. Nao resisti. Peguei uma baguete de salame com queijo brie (oi, Lili), uma coca-cola, e fui para a frente do museu admirar essa rotina tao parisiense.

Em Berlin, bebe-se cerveja em todos os lugares: na rua, no onibus, no trem, nas pracas. Em Paris, come-se baguetes e lanches em todos os lugares: na rua, no onibus, no trem, nas pracas. Quando eu estava chegando na FNAC, contei em uma quadra doze pessoas que passaram devidamente “embaguetadas”. Para mim, pessoalmente, soa ate transgressor: acho estranho comer em publico, assim, andando, mas se voce esta em Paris, faca como os parisienses, certo.

Proxima parada: Sacré-Coeur, a igreja prostrada no alto do boemio bairro de Montmartre, cuja vista ao entardecer, dizem, enche os olhos. O problema é que, no verao, entardecer significa, quase, virar a madrugada. Cheguei na frente da igreja por volta das 16h, um sol danado. Decidi sair caminhando pelas ruas do bairro que encantou Salvador Dali (ele morou aqui) e que foi pano de fundo para a historia de Amelie Poulain.

Desci me perdendo pelo bairro ate chegar a zona (literalmente) de meritricio, que abriga a famosa “casa para maiores” Moulin Rouge. Me senti na Augusta: a cada dez passos alguem perguntava se eu queria dar uma espiadinha nas garotas. Curti o lugar - com dezenas de bares com as cervejas top da minha lista - mesmo sem ter visto a Nicole Kidman como Sadine (suspiro) e nem ter encontrado o anao de jardim…

Um pouco antes, no caminho para a Sacré-Coeur, vi um cartaz no metro que anunciava um festival de jazz na Esplanada de La Defense do dia 14 ao dia 29. Estrelas: Dave Holland, Solomon Burke e Herbie Hancock. Pensei comigo: o ultimo dia é hoje! Sai correndo para o lugar, achando ter tirado a sorte grande, mas eu devia ter confirmado o mes: o festival foi em juin e nao em juillet…

A confusao me levou ao bairro de La Defense. Para nao encher de predios altos o centro da cidade, a prefeitura jogou os predios comerciais e governamentais no lado oeste, em La Defense. Aqui, a arquitetura moderna se destaca dos predios de design maluco ao imenso calcadao/jardim (que lembra um Anhangabau, mas muuuuito mais bonito). No fim ha o Grande Arche, uma visao moderna do Arco do Triunfo. Bacana.

Agora passa das 21h, e o sol ainda nao se foi. Estou enrolando pois queria muito fazer o passeio noturno pela Catedral de Notre Dame, que se encerra as 23h, mas quem diz que vai ser um passeio noturno se ainda tiver sol? Mesmo assim, vou pra la. Apesar do dia ter acordado nublado, o sol dominou o dia todo. Amanha tem Louvre e Pompidou no programa. Haja pernas…

Ps. E soh da Brasil na capa das revistas culturais gratuitas nessa cidade. A Trois Coulers (cinema, cultura e tecnologia) crava: “Bresil, Terre de Cinema”, destacando “Cidade dos Homens” e “Tropa de Elite” em uma reportagem de nove paginas. Alem, traz um texto que pergunta: “Tupi or not tupi?” e abre dizendo: “Voce conhece a literatura brasileira?” Ja a OpenMag coloca o CSS na capa com a chamada “Fiesta do Brazil” e entrevista…

Julho 29, 2008   4 Comments

Oscar Wilde e Jim Morrison

Acordei tao bem disposto que ate cogitei continuar no albergue, fechar os olhos pra tosqueira do lugar e deixar de tomar banho, afinal, se voce esta na Franca, faca como os franceses (risos). Serio, algumas ruas e no metro, em que eh dificil evitar o contato humano, o mau cheiro dah as caras, mas na Champs Elysees, por exemplo, a calcada eh um festival de perfumes e aromas.

Top 3 de cheiros da viagem: Champs Elysees em terceiro mostrando que os franceses tomam banho… de perfume; Plaza Mayor, de Madri, de noite: um festival de sons e cheiros aue deixam bebados os olhos e a alma; e o vencedor foi o cheiro de pao nos arredores da Catedral de Glasgow, um cheiro tao bom que quase eu, Juliana e Renata saimos perguntando de onde vinha…

Voltando a Paris, passei a manha no Pere Lachaise, um cemiterio com mais de 1 milhao de sepulturas, com umas tres centenas de “celebridades” como Balzac, Bizet, Chopin, Auguste Comte, Marcel Proust, Edith Piaf, Moliere, Allan Kardec, Rossini e outros. Na entrada ha um posto que fornece um mapa com os tumulos ilustres. E nao tem jeito, la dentro, todos os caminhos levam ate a sepultura de James Douglas Morrison.

Meu plano inicial era ir direto encontrar Oscar Wilde, mas quando voce percebe ja esta seguindo o fluxo de pessoas em direcao ao tumulo do lendario vocalista do Doors. A sepultura esta cercada com uma protecao de ferro, e um guarda dah plantao fixo frente ao tumulo no horario em que o cemiterio esta aberto. E eh gente boa: ele ate pula a grade e coloca junto a lapide um vinil do Doors que um fa trouxe, para uma fotografia.

Uma guia, francesa, passeia pelo lugar com um grupo de vinte turistas. A cada vinte passos voce esbarra em alguem famoso… morto. “Voce viu o Moliere?”, me pergunta uma menina, em frances. Eu havia visto ele umas vinte lapides atras, e indico. Outra senhora me pergunta de Edith Piaf, quando vemos uma turminha reunida uns 100 metros a nossa direita. “Deve ser lah”, falamos ao mesmo tempo. E era.

Quando chego ao local em que deveria estar o tumulo de Oscar Wilde, percebo que foi criada uma cripta no lugar da lapide com a qual Morrissey posou abracado em fotos promocionais apos sua saida dos Smiths. A cripta tem sinais de labios com baton por todos os cantos possiveis e impossiveis, alem de diversas inscricoes que homenageiam o genial e sarcastico autor de “Salome” e “O Retrato de Dorian Gray”.

Imediatamente retorno anos e anos e me lembro da Biblioteca Municipal de Taubate. Foi dali que eu li apenas o primeiro volume de “Os Caminhos de Swann”, de Marcel Proust, que devorei uma colecao de vinte volumes de Shakespeare (ate hoje sonho com aquela edicao em tom azul, com belissimos postscriptuns) e que li a colecao completa de Oscar Wilde, condensada toda em largo volume de paginas em “papel biblia”.

Li nao sei quantas vezes essa edicao da Nova Aguilar (que perdi de pegar, anos depois, naquelas banquinhas de livros da Paulista) me concentrando quase sempre em contos como “O Principe Feliz” e “O Rouxinol e a Rosa” (que Herbert Viana adaptou sem creditar pra musica homonima do disco “Os Graos”, do Paralamas). O mundo seria bem mais chato se nao fosse Oscar Wilde. Sem ele, inclusive, nao existiria Morrissey. Devia essa passada em frente da cripta, por agradecimento.

Voltei ao albergue, peguei a mochila e fui para o hotel. Tomei um banho demorado, fiz a barba e decidi pqssar a tarde no Jardin du Carrousel, em frente ao Museu do Louvre, ficar la descansando as pernas e observando o mundo de pessoas indo pro museu de um lado, e o Rio Sena do outro. No finzinho da tarde, apos uma baguete e uma coca, sai caminhando a esmo, sem direcao ou destino certo. Fui parar em Montparnasse, quase fora do mapa do guia.

Se nao tivesse com os joelhos detonados ate entrava no segundo cemiterio famoso da cidade, local em que estao enterrados Sartre, Baudelaire e Beckett, mas nao rolou. Voltei de metro pro hotel e nao sei o que fazer nesta terca. Queria muito ir ao Palacio de Versailles, mas - segundo o guia - eh um passeio de um dia inteiro. Quero ainda visitar a Catedral de Notre Dame, o Georges Pompidou, a basilica de Sacre-Couer e, ufa, o Museu d’Orsay. Eu sei, nao vai dar tempo…

O Museu do Louvre fecha as tercas, mas na quarta estarei la para passar o dia inteiro no lugar. Vantagem: o bilhete eh valido pro dia todo, ou seja, pretendo chegar de manha, ficar umas duas, tres horas procurando a Monalisa e a Venus de Milo, sair, almocar, deitar as margens do Sena, e voltar la pelas 16h e ficar ate aguentar ficar em pe (as quartas e sextas o museu fecha soh as 22h). Vamos ver o que vai rolar nestes ultimos dias de Paris…

Ps: Faca um tour virtual pelo Pere-Lachaise aqui

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 28, 2008   5 Comments

O dia em que deu tudo errado… em Paris

Coisas que preciso lembrar para a proxima vez que eu vier a Paris: nunca mais agendar um voo para as cinco horas da manha; nunca mais reservar albergue nessa cidade; e nunca mais vir pra ca pra ficar soh tres dias. O dia hoje foi um caos, mas nao se preocupa nao que estou bem feliz: por mais que as coisas deem errado; Paris compensa em dobro. Vamos de flashback.

Arrumei as malas em Madri e ainda tinha umas duas horas livres antes de ir para o aeroporto. Apesar de ter andado em museus o dia todo, nao resisti a mais uma caminhada na capital espanhola, e vou te contar que bateu aquela pontinha de saudade antes mesmo de ir. O check-in no Barajas estava marcado pra comecar as 3h40, e depois de bater cabeca no aeroporto, cheguei na Ryanair pouco mais da 1 da manha, eu e mais umas trezentas pessoas.

Nao preguei o olho a noite toda, e nao consegui dormir nem no voo nem no translado/viagem de Beauvais para Paris. Cheguei no albergue pensando em banho gelado e cama macia, mas quebrei a cara: os quartos ficam fechados de 10h as 16h. Subi puto para arrumar a mala, e um japones de New Jersey salvou meu dia: “Voce tem um mapa? Faz o seguinte: nos estamos aqui. Pega a Rua do Commercio que voce vai sair na Torre Eiffel. Depois atravessa, vai no Arco do Triunfo e desce a Champs Elysees”.

O conselho valeu muito, mas inicialmente parei na Torre. Sao quatro filas para subir nela, duas de escada, duas de elevador (esta mais lenta, ja que sobe menos gente por vez). Fiquei uns dez minutos, sol forte, eu nao tinha durmido, tinha andado os dias anteriores inteiros e subir 700 degraus nao ia ser facil. Deixei de lado por um passeio de balsa no Rio Sena (lembra do “Antes do Por-do-Sol”?).

A primeira meia-hora foi de embasbacar. Se eu ficasse um mes aqui, nao conheceria todas as atracoes da cidade, isso que eu soh vi as que estao nas margens do rio: Torre Eiffel, Port de la Conference, Musee d’Orsay, Musee du Louvre, Jardin du Carrusel, Placa de La Concorde, Palais de Justice, Igreja de Notre Dame, todas as pontes (cada uma com uma historia); fora tudo que eu perdi na segunda meia-hora, em que dormi (hehe).

Voltei pro albergue feliz, quase quatro da tarde, pra tentar tomar um banho. Problema 1: minha toalha sumiu; problema 2: o chuveiro esta mais quente que o sol. Desisto e saio a caca de um hotel, e encontro um umas duas quadras mais perto da Torre: Faco a reserva para os proximos tres dias (em que vou perder os tres dias pagos do albergue :/) e volto a caminhar feliz tomando sorvete de chocolate com creme.

Subo na Torre Eiffel, como a baguete mais cara da minha vida (6,50 euros, mais de 15 reais em pao, queijo e presunto) no segundo piso, mas esqueco de pegar o ticket que dah acesso ao terceiro (e mais alto). Nao me abalo. Desco, vou para o Arco do Triunfo e caminho na Champs Elysees. A cidade esta voltando ao normal apos a Tour de France. Pego a direcao pro albergue (ainda durmo la hoje) e dou sorte de ver a Torre com as luzinhas piscando.

Assim, de boa, tudo deu errado hoje, mas talvez essa seja umas das poucas cidades no mundo que compensa as furadas em que a gente se mete (e precisa lembrar de nao repetir). Estou fedendo (nem tanto, mas sou daqueles que precisa de dois a tres banhos diarios para se sentir bem), mas vou beber um pint de cerveja red e torcer pra que a noite passe rapido. Quem sabe, nesta segunda, vou ao Louvre. Ou entao ao Pere Lachaise, para um papo com Oscar Wilde e Jim Morrison. Me aguarda.

Ps: assim como na Belgica, as letras do teclado sao todas trocadas. Perdoe qualquer erro, a falta de acento e a falta de foco no texto. Estou escrevendo cada palavra duas vezes, e haja paciencia e concentracao. Era pra ser um texto melhorzinho, mas mais alguns dias e eu acostumo…

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 27, 2008   11 Comments

Voll-Damm, Reina Sofia e Thyssen-Bornemisza

Plaza Sofia, em Madri

Eu tinha terminado o penúltimo e-mail dizendo que eu iria beber em homenagem a “La Maja Desnuda”, certo. Fiz bem. Encontrei a Voll-Damm, que pelo rótulo acho que é espanhola, de Barcelona, e patrocina o festival de jazz da cidade. O rótulo ainda diz que ela ganhou o prêmio de melhor cerveza strong lager do mundo em 2007 no World Beer Awards. 7,2%. Bebi duas latinhas e comecei a sorrir à toa.

Comprei mais duas, um pacote com umas 200 gramas de salame, pao e fui pro albergue fazer um lanche. Passo pela cozinha e ouco um “uai, sô”. Dois mineiros apaixonados por música sertaneja papeavam por lá. Fizemos amizade, chegou um casal carioca, e veio o convite dos mineiros: “A gente vai encontrar umas belgas na Plaza do Sol depois cair pra balada. Vamo ae?”. Era só o que eu estava esperando.

Encontramos as belgas, e o irmao de uma delas, na Plaza do Sol, ficamos quase uma hora papeando, quando um guia reuniu a turma para o lance todo, que funcionava mais ou menos assim: voce paga 10 euros, e eles te levam em três bares/baladas, e em cada um voce ganha uma bebida. Por fim, te jogam em uma balada balada mesmo, e te deixam lá fervendo. Achei cool e fico devendo fotos pois minha digital é daquelas grandes demais pra balada.

Nesta hora a turma de brasileiros já tinha aumentado, com uma garota que mora em Berlim, e mais um casal, que acabou se separando em seguida. Chegamos no primeiro bar, ganhamos uma sangria e um vale bebida: dois cocktais por 10 euros. Sacumé brasileiro, né: dispensamos o vale e achamos em frente a parada um bar que vendia Mahou, uma das minhas cervejas Top 5, por 1 euro a latinha de 500 ml. Comecou o estrago.

No primeiro bar, assim que entramos comecou a rolar “Take Me Out”, do Franz, e suspirei aliviado. Na sequencia veio “Song 2″, e quando comecou “Wonderwall” percebi que o DJ era qualquer coisa. E foi dai pra baixo, com Fergie, Black Eyed Peas e o escambau. Lembrei da Laura falando para o Rob: “E ai, você gostou da pessoas, né. Vai lá olhar a colecao de discos deles” (risos). Turma legal, clima bom, música ruim, relaxei.

No segundo bar ganhamos um shot de Tequila, que sempre me derruba. Assim, o bar estava lotado, ou entao ficou lotado assim que chegou a turma da caminhada. Só turistas, inclusive alguns espanhóis de outras regioes (num esquema “Paulista vai a baile funk no Rio”, manja). A coisa toda comecou a ferver. Morenas comecaram a dancar até o chao para ingleses e alemaes sedentos. Comecei a achar estranho.

O casal carioca, que tinha provado cogumelo em Amsterda (”Eles vendem numa bandejinha, junto com os baseados. Tem cinco categorias diferentes. Provamos o mexicano, mais fraquinho, e rimos a tarde toda”, comentaram tanto que até deu vontade), já estava altinho. A garota de Berlim tinha sumido. Os mineiros nem chegaram a vir. Quando deu duas da manha, tomei o rumo de casa.

Ainda encontrei os mineiros na Plaza de Sol, mas a cama estava me chamando. Acordei cedinho com uma pontadinha de ressaca, pensando: “Entrego a Rainha Sofia por uma coca-cola!”. Sai para um café com o já tradicional mixto com jamon, queso e huevo (tô viciando nisso) e uma coca de 200ml, que eu matei sem respirar. Depois sentei no sol vendo cachorrinhos espriguicarem, antes de ver o “Guernica”.

O Reina Sofia impressionou. Como colecao, gostei muito mais do Sofia do que do Prado. Porém, o Reina Sofia é uma desordem. Nas primeiras salas, a posicao da luz é tao errada que atrapalha a visao dos quadros. E, o que mais me incomodou, nao há um isolamente acústico entre vídeos e telas. Tive que ver o “Guernica” ouvindo o áudio do filme “Canciones Para Despues de Una Guerra”, de Basilio Martín Patino, exposto duas salas depois.

Fiquei extremamente contrariado e mesmo que seja intencional, é uma intencao pra lá de idiota. Você nao consegue “mergulhar” no quadro com uma barulheira daquelas. Bem, desabafo feito. A colecao do Reina Sofia é especializada na arte espanhola do século XX e XXI, mas traz boas surpresas de fora também. A divisao das salas obedece um esquema temático e cronológico, o que funciona muito bem.

Nas salas 1 e 2, retratos e paisagens; nas salas 3, 4 e 5, cubismo; na sala 6, 7, 8 e 9, o contexto de “Guernica”, e nas seguintes, Surrealismo. Adorei “Muchacha en la Ventana” (aqui), “Autoretrato Cubista” (aqui) , “Gran Arlequín y Pequeña Botella de Ron” (aqui) e “El Gran Masturbador” (aqui), todos de Salvador Dali, “La Fabrica Dormida”, de Daniel Vazquez Dias (aqui), “La Chimenea”, de Diego Rivera, e “Valencia”, foto de Cartier-Bresson (aqui).

O museu ainda conta com obras de Magritte, Miró, Le Corbusier e muitos outros, mas nao tem jeito, “Guernica” faz voce esquecer tudo a sua volta. A enorme tela ocupa a sala 6 do Reina Sofia. Nao existe uma linha no chao que delimite o quao perto voce pode chegar, entao toda hora soa o alarme (mais um defeito do museu) com pessoas a mais de dois metros da obra. Mesmo com todos os problemas estruturais do museu, a obra reluz e encanta.

“Guernica” mede 350 por 782cm e foi pintado por Picasso entre maio e junho de 1937, especialmente para a Exposição Internacional de Paris. Em abril de 1937, no auge da guerra civil espanhola, os alemaes bombardearam a cidade de Guernica em apoio as forcas nacionalistas do ditador Francisco Franco. O ataque e a destruicao da cidade basca causou revolta internacional, e Picasso desenhou o quadro buscando retratar a dor e a barbarie da guerra.

Nas duas salas anexas a sala 6 em que está “Guernica”, esbocos permitem que o visitante acompanhe o árduo trabalho de Picasso em compor o quadro antes (ele fez oito versoes até chegar a versao final) e depois (existem vários postscriptum). Pequenas (e belíssimas) telas retratam a agônia do cavalo , que tomou a posicao central do quadro na versao final. A mae desesperada segurando o bebê morto também recebeu vários estudos, assim como o soldado morto com o punhal quebrado nas maos.

Se fiquei três horas dentro do Reino Sofia, uma hora e meia, fácil, “gastei” com “Guernica”. E, ok, uns 25 minutos com Bunuel. Peguei numa sala o trecho final de “Lage D’or” e os 16 minutos de “Un Chien Andalou” na seqüência, afinal, (re)ver Bunuel em telao é uma oportunidade rara que nao pode ser desperdicada. Nunca. Para fechar o roteiro de museus fodacos de Madri, só faltava bater cartao no Thyssen-Bornemisza, entao comprei mais uma coca-cola e vamo que vamo.

O Thyssen é o mais variado dos três museus, contendo desde pinturas medievais até pop-art. Isso facilita demais a visita, pois vou te contar que após três salas de cubismo e surrealismo você já está vendo tudo torto, quebrado e disforme. Cansa a visao apesar da beleza das obras. No Thyssen, porém, há muito retrato, paisagem e natureza morta, coisas que nao me conquistam tanto. Porém, sempre tem coisas que valem a pena.

Na minha listinha de preferidos, “La Matanza de Los Inocentes”, de Valkenborch (aqui), “Retrato de Una Joven”, de Bordone (aqui), “El Rapto de Europa”, de Vouet (aqui), “Venus Y Marte”, de Saraceni (aqui), “Vendedora Veneciana de Cebollas”, de Sargent (aqui), “La Casa Gris”, de Chagall (imagem acima), “Sueño causado por el vuelo de una abeja alrededor de una granada un segundo antes del despertar”, de Dali (aqui) e “Portrait of George Dyer in a Mirror”, de Bacon (aqui).

O Thyssen nao é tao lotado quanto o Prado e nem tampouco baguncado como o Reina Sofia. E apesar de conter obras de Picasso, Magritte, Monet, Renoir, Degas e Van Gogh, a minha tela preferida, aquela que fiquei uns bons quinze minutos sentado apreciando foi…”Quarto de Hotel”, de Hopper (abaixo), uma delicada tela de 1931 que flagra a melancolia e a solidao de uma jovem sozinha em um quarto. Bem, tenho que arrumar as malas e, meia-noite, ir para o aeroporto. Agora, só de Paris. Nada de lágrimas ao deixar a Espanha, espero…

Julho 26, 2008   4 Comments

75 habilidades que todo homem deve dominar

Estou com essa reportagem da Esquire espanhola (também saiu na Esquire americana, mas pelo que conferi, a espanhola traz diferencas que contam pontos) desde que desci do vôo da Vueling em Málaga, esperando uma brecha para publicar. É claro que nao vou postar as 75 habilidades (dá uma olhada na lista americana aqui), mas fiz uma selecao imperdível com… 20 (acho). Vai no espanhol mesmo, porque é divertido, mas quem tiver dificuldade com alguma palavra, clica aqui que encontraras um bom tradutor (que sempre uso):

01) Manter una conversacion entretenida
Lo peor que se puede ser en esta vida (olvida el robo, el asesinato) es un tio conazo. Eso si que es imperdonable. Si te sientan en una mesa com desconocidos, evitar hablar del tiempo, de futbol o de politica. Comenta alguna noticia curiosa que hayas leido en alguna parte e vete soltando carrete. Utiliza el humor e evita la pedanteria. No gastes tus mejores anecdotas al principio.

05) Poder citar un libro que merezca la pena
Tienes que leer mas.

06) No carbonizar las chuletillas
No nos preguntes por que, pero alguien decidio en un momento dado de la historia que los hombres somos los encarregados de asas las chuletas en los asados, barbacoas, fiestas e cumpleanos. Asume tu rol y practica. La clave esta en dejar que el carbon haga brasa.

10) Nadar con cierta coordinacion
Apuesta por un estilo y perfeccionalo. No hay nada mas triste que ver um adulto golpear violentamente el agua de una piscina.

13) Cocinar (al menos) un plato proprio
Lo mas operativo es que busques una receita muy sencilla de preparar (pasta, ensalada) y la hagas tuya dándole un toque personal. Descubriras que comerse lo que uno cocina a veces sabe delicioso.

14) Hacerse el nudo de la pajarita (imagem)

15) Conocer Youtube, Facebook e MySpace
Ya no basta con saber programar el vídeo ou recuperar los mensajes del constestador desde otro telefono (eso ya lo hacen hasta los preescolares). Ser un homo digitalis exige mucho hoy en dia.

20) Detectar cuando alguien miente
La mayoria de la gente deja escapar un tic involuntario cuando no dice la verdade: o bien mira hacia un lado o se toca el pelo o habla demasiado alto. Si consigues detectarlo, tendras mucho ganado.

23) Escuchar musica decente
Las modas van y vienen, pero los clasicos permanecen. Una coleccion digna de CDs (o de cualquier otro soporte) deberia incluir, al menos, algo de Neil Young, Lou Reed, AC/DC, John Coltrane, Bach, Dylan, Bowie, Sinatra, John Lee Hooker e Elvis (Costello).

24) Fingir interés
No, no todo el mundo tiene por desgracia, la habilidad número 1 de esta lista. Si te aburres murtalmente, que ao menos tu cara no lo refleje.

32) Retirase a tiempo
A partir de cierta edad, “tomarse la ultima” nos es siempre una buena idea. Si notas que resoplas un poco al salir del bano del bar ou notas la lengua un poco pastosa, la cama te espera, companero.

36) Acariciar el cuello de una mujer
Con la yema de los dedos en movimientos lentos y circulares

45) Freir un huevo
La parte amarilla deve quedar arriba

52) Inventar una buena excusa
La improvisacion no es nuestro fuerte. Ten siempre a tu disposicion tres ou cuatro bien trabajadas y utilizadas segun la ocasion.

54) Asistir a la opera (al menos una vez en la vida)
Si eres neofito en estos temas, decidete por una de Puccini, Verdi ou Mozart. Ni se te ocurra optar por Wagner, ou preparate para cuatro horas de interminable grandilocuencia. Olvida tus prejuicos y deja que la musica fluya por tus oidos. Acabaras repitiendo.

55) Tocar un instrumento
Cuando vez a otro tio sacar musica de un piano, de una guitarra ou de cualquer otro objeto, solo puede sentir una cosa: envidia. Intentalo.

57) Abrazar a un colega
Los abrazos entre homebres estan infravalorados y sientam de maravilla. Si hace tiempo que no ves a un amigo, abrazalo con fuerza, no te cuertes.

65) Consolar a alguien
A veces, las personas quieren simplesmente desahogarse. Asi que bastara con que escuches y prestes atencion

70) Besar bien
Solo podemos recomendarte una cosa: practica siempre que puedas.

71) Recitar un poema de memoria
En el colegio nos obligaron a aprendermos La Cancion del Pirata, de Espronceda, asi que no puede ser tan dificil.

75) Ser fiel
A tua ideas, a tu chica, a tus amigos, a tu marca preferida de cerveza, a tu equipo de futbol, a tus principios, a tus gustos esteticos, a tu viejos discos, a ti mismo. 

Julho 25, 2008   5 Comments

Plaza Mayor, Palacio Real e Museu do Prado

Aconteceu comigo em Madri o mesmo que havia acontecido em Glasgow. Eu nao estava indo nem um pouco com a cara da cidade escocesa (na verdade, nao fui mesmo), mas assim que adentrei a parte antiga e “descobri” a Catedral, me encantei e marejei os olhos. Em Madri foi um pouco diferente, pois eu já estava gostando da cidade, mas nao estava me encontrando nela. Bastou caminhar a esmo, ver uma porta em forma de arco, e pensar: “Praca Maior!”. Assim que coloquei os pés nela, me arrepiei. Nao só por sua grandeza (ela é bem maior que a Plaza Mayor de Barcelona), mas pelo clima de festa, sons e cheiros que ocupava o pátio da praca naquele momento. De nao se esquecer.

Sentei em um canto, peguei uma coca-cola e fiquei observando o vai e vem de turistas, os músicos em formacoes inusitadas (um senhor com um acordeao acompanhado de uma senhora com pandeiro de um lado; um quarteto de violinos de outro; um loiro de uns 40 anos tocando “copos”, um violeiro, um gaitista), as estátuas vivas (as melhores que vi até agora, batendo as famosas estátuas vivas das Ramblas de Barcelona) e o dancar das luzes na praca. Voltei pro quarto pos meia-noite, e quando chego lá, adivinha: nnguém. Uns dez minutos depois chega o casal da Califórnia, se arruma rapidinho e sai. Todo mundo na balada, imagino eu, mas que nada. Ali pela 1h chega todo mundo, menos o casal, seis americanos empolgados com a cidade. Conversam animadamente até as 3h, quando caem desmaiados.

Acordo às 9h para os planos do dia: ver o Palácio Real e ir a Museu do Prado. Chego rápido ao palácio, e me impressiono com sua grandeza: ele nao cabe na foto! Considerado um dos monumentos arquitetônicos mais importantes da Europa, o Palácio Real de Madri foi inspirado nos desenhos que Bernini fez para o Louvre, em Paris.  E tem mais quartos que qualquer outro palácio europeu. Comeco o passeio pela sala de armas, e me impressiono com a riqueza de detalhes das armaduras. Na minha inocência, achava que armadura era só um pedaco de ferro projetado para proteger o corpo do cavaleiro. Que nada: eram roupas de metal com detalhes riquíssimos. E, olha, tinha que ser um animal selvagem para sustentar aquilo no corpo, e ainda segurar uma espada de sabe-se lá quantos quilos.

Na hora de entrar no Palácio, páro de respirar, e fico assim pelas próximas duas horas. A escadaria de entrada é um deslumbre. Conta a história que Napoleao, ao colocar seu irmao no trono da Espanha e ver a escadaria, disse: “José, você estará em melhor compania do que eu”. Fiquei uns quinze minutos embasbacado tentando absorver os detalhes da obra que impressionou Napoleao, mas fácil que poderia ter passado o dia todo ali, sentado, admirando os afrescos de Corrado Gianquinto. Cada sala que surge, na seqüência, é um desbunde. Nunca tinha visto tanto ouro junto. De todas as salas, curti mais o Salao Gasparini, que Carlos III usava para se vestir (dá, fácil, duas vezes o apartamento que eu moro), e o Salao de Gala, inaugurado em 1879 para o casamento de Alfonso XII. E, claro, o quarteto de violinos Stradivarius, inacrreditável.

Para relaxar, vou ao café do palácio fazer um desjejum. Peco um lanche de jamon, queso e huevo (presunto, queijo e ovo) com uma Pepsi, e peco a um senhor bem grisalho que está sentado em uma das mesas com janela para sentar com ele. Ele é da California (mais um), e assim que solto a palavrinha mágica (”Brazil”), sorri e diz: “Rio de Janeiro”. Comecamos um bom papo, em que ele pergunta se o Brasil é tao caro quanto a Espanha. Digo que nao. Paguei 6,50 Euros no meu café da manha (o lanche e a Pepsi), o que daria uns 17 reais no Brasil. Com esse dinheiro, lá, eu comeria esse desjejum duas vezes, ou mais. Em seguida chega sua senhora, de cadeira de rodas e sorriso largo. Ele diz que sou do Brasl, ela se anima e puxa papo.

Ela quer saber um pouco do Brasil, e vou tentando falar com meu inglês que nao existe. Em certo momento digo que meu inglês é muito ruim, mas ela gentilmente o elogia e, em seguida, apresenta o neto, que deve ter uns oito anos, e está com uma camisa do Real Madrid (comprei a vermelha um dia antes). “Você é do Brasil? Gosta de futebol?”. Respondo acertivamente, e pergunto se ele gosta mais do Real Madrid do que do Barcelona. Ele diz ambos, solta um “Ronaldinho” todo mastigado, e quando digo que o jogador foi vendido pelo Barca, ele emenda com um “tudo bem, agora chegou o Messi”. Comento que ele é argentino, o guri diz que gosta da Argentina, e antes que eu cause um incidente diplomático, deixo o café (e o Palácio) desejando a todos um ótimo dia (hehe).

No Museu do Prado compro o passe especial para os três principais museus da cidade: Prado, Reina Sofia e Thyssen-Bornemisza (14 euros o pacote). Uma multidao superlota a sala de exposicao com os mestres do renascimento. Olho “O Cardeal”, de Rafael (veja), acompanhado de mais cinco velhinhas, mas simpatizo com “Federico II”, de Tiziano (veja), cujo retrato traz  o monarca ao lado de um cachorrinho fofo, “La Bella”, de Palma Vecchio (veja), “Paisaje con San Jerónimo” e o ótimo “Las Tentaciones de San Antonio”, de Joaquin Patinir. A superlotacao enche o saco, e saio da mostra especial para ir ao encontro do acervo da “casa”, que entre outras coisas possui Caravaggio, Velázquez e Goya.

Top 3 de obras do Museu do Prado: “La Maja Desnuda”, de Goya. Tanto Carlos III quanto Carlos IV quiseram destrui-la, sem sucesso. Enquanto ao lado dela, cinco pessoas observam a “Maja Vestida”, mais de vinte se amontoam para vê-la sem roupa. Pessoalmente, eu tinha receio dela tomar o lugar de Musa do Meu Coracao, posto ocupado pela La Toilette de Venus, de Boguereau (veja), exposta no lado esquerdo da entrada do Museu Nacional de Buenos Aires (estava lá nas três vezes que a vi), mas apesar de suas curvas bem alinhadas para uma dama do século XVII (ninguém sabe, ao certo, quando a obra foi feita), a Venus ainda reina.

No posto número 2, o sensacional quadro “Las Meninas” (1656), de Velázquez, em que o pintor flagra a infanta Margarita, e registra o momento em que ele mesmo a pinta (incluindo-se na obra) em um sublime exercício de perspectiva. Coisa de gênio. Liderando o ranking, com uma multidao superlotando a frente da enorme tela - nas três vezes que tentei vê-la com mais calma - tentando decifra-la, algo que divide especialistas a séculos, “O Jardim das Delícias” (1500), de Bosch. Segundo consta, é um quadro que buscava advertir sobre os prazeres terrenos, mas há mais sexo ali do que em “9 Semanas e Meia de Amor”. Fácil. O quadro é muito deslumbrante, e só nao comprei  o quebra-cabecas de 1000 pecas (11 euros) por falta de grana (tinha também “Las Meninas”, lindo).

Caminhei cerca de três horas dentro do Museu, com paradas pruma coca-cola, depois uma água, e depois uma coca e um croissant. Passei uma meia hora dentro da lojinha e, Lili, quis levar tanta coisa pra você que vou deixar você escolher no ano qe vem, ok. Senao eu nao almoco o resto inteiro da viagem. Depois de muita escolha optei pelo básico: uma ima de geladeira de um quadro de Goya. Que eu anotei, gostei das diversas paisagens do francês Claudio de Lorena, de Davi com a cabeca de Golias (Caravagio) e, ainda, “Suzana e os Velhos”, de Guercino, além de um Rembrant e diversos Goya. No final, é uma overdose de arte que, em determinado momento, você fica completamente perdido. Depois de três horas no museu saí pra rua, para respirar, e fiquei olhando a estátua de Velázquez na frente do Prado. Foda.

Ainda estou decidindo se vou ao Thyssen-Bornemisza, que funciona até às 23h, hoje, ou deixo pra amanha, junto com o Reina Sofia (e o Guernica). Este sábado promete ser um dia daqueles. Meu vôo de Ryanair, para Paris, sai do Barajas, o Aeroporto Internacional de Madri, às 5h45 da manha do domingo. Ou seja, vou dormir no aeroporto. Pretendo sair do albergue por volta da meia-noite. O metrô, em Madri, funciona até às 1h30. Quero chegar no aeroporto lá pelas 1h, arranjar um lugar pra me acomodar, e passar a noite ouvindo Leonard Cohen e Lou Reed. Sao tantas emocoes se atropelando nessa viagem que quero manter viva a chama destes dois shows inesquecíveis, por mais que eu tenha comprado a camiseta de ambos e fotografado muito. Bem, acho que “La Maja Desnuda” merece um pint de cerveja. Vou ali, pois mesmo Madri nao sendo tao quente quanto Málaga e Barcelona, está calor pra dedéu. Eu volto… com fotos.

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 25, 2008   3 Comments

Em Sao Paulo, ops, Madri

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Lembra no comeco da viagem, quando eu disse que Berlim era muito parecida com Sao Paulo? Esquece. Madri é Sao Paulo escrita! Cheguei de trem no terminal de Atocha, que foi desenhado por Alberto de Palácio em 1888, assistido por Gustavo Eiffel (sim, o cara da torre). No final dos anos 90, a estacao foi remodelada pelo arquiteto Rafael Moneo, e ficou que é uma beleza. Como estava com as malas, nao parei muito para apreciar e fui logo encontrar a minha linha de metrô.

Típico de turista: errei a estacao, e depois de descer seis escadas rolantes, percebi que estava indo na direcao errada. Voltei seis escadas rolantes acima, cinco estacoes para trás, e desci na Sol, estacao que dá acesso a Calle Mayor e a Plaza de La Puerta de Sol, uma Praca da República mais… agitada (se isso é possível). Saio do metrô e dou de cara com uns tiozinhos com placas de “compro oro”. Detalhe: eles vestem as mesmas jaquetinhas verde-limao que a polícia! Bizarro.

O albergue fica a 100 metros da Puerta de Sol, que muitos madrilenhos entendem como o coracao da cidade. Faco o check in, entro no quarto e sento na cama, número 8. Uma japonesinha me olha com interesse. Sorrio. Na segunda vez que nossos olhos se cruzam, ela solta: “Jennifer”. Rio. Digo meu nome, e o namorado dela também se apresenta: “Sean” (mas ele é loirinho, bem tipo americano mesmo). Os dois sao da Califórnia, e estao em Madri faz três dias.

Jennifer se interessa quando digo que sou do Brasil. E toda vez é a mesma coisa. Todo mundo sorri quando você solta a palavrinha mágica: “Brazil”. Entao eu vou e falo do Rio de Janeiro, de Salvador, carnaval, praia e samba, e digo que onde moro, Sao Paulo, nao tem nada disso. Sempre fico na dúvida sobre o que dizer de Sao Paulo. Saio toda hora com um “Crazy city”. Jennifer tem uma amiga que passou uns tempos em Sao Paulo, e gostou. E quer conhecer.

Tomo um banho e vou caminhar. Minha idéia é pegar um cineminha, filme espanhol de preferência, mas em todas as salas que vejo, só blockbusters. Uma revistinha gratuita distribuida no Burger King traz na capa a grande estréia da semana passada, “Tropa de Elite”, com um grifo enorme do New York Times: “Ninguna película había causado tanto revuelo desde “Ciudad de Dios”". Como vi a versao pirata e a versao original no Brasil, deixo o Capitao Nascimento de lado e vou procurar salas menores.

O Guia Turismo 10 + indica uma salinha na Calle de La Luna. Gostei do nome da rua, e vou até lá. A parte debaixo da calle é dedicada toda a lojinhas de bugigangas sobre filmes e séries de TV. Quase compro um bonequinho do Mr. Eko para a Lili. Subo a rua e nao encontro o cinema, caio numa pracinha, clima pesado. Vejo o cinema mais à frente, ou o que deveria ser. Fechado com milhares de cartazes ocupando a fachada. A vizinhanca nao é das melhores, e percebo que vários olhos me acompanham.

Entro em outra calle seguindo um grupo de turistas, e percebo que estou na regiáo da Rua Augusta. As primas estao todas trabalhando, e por mais que eu estranhe o dia claro, já sao quase nove da noite. É a Calle Desangano, nome bem apropriado. Quebro numa rua qualquer seguindo um tipo espanhol e caio na Gran Via, tipo a Avenida Sao Joao deles. Ali, nas travessas, a zona de meritricio avanca. Vários botequinhos, vários pessoas de má índole, comeco a achar que nao vou sair daqui, quando encontro a Calle Del Carmen, um dos pontos turísticos da cidade.

Sento num botequim para comer algo e tracar meus passos, e vou logo recorrer ao guia, procurando pela parte de “cuidados em Madrid”. Diz o guia: “Os ladroes atacam nos metrôs e nas imediacoes da estacoes Sol, Rastro e Lavapés. Carregue o dinheiro na frente do bolso, jamais nos bolsos de trás. Fique longe do distrito da luz vermelha, ao norte da Gran Via, mesmo durante o dia. Se tiver que passar pela área, demonstre seguranca e fique de olho na bolsa”. É, sem dúvida, estou em Sao Paulo. :)

Bem, o dia foi cansativo, e já é hora de dormir, nada de balada hoje. Amanha vou ver se visito alguns lugares históricos, mas vou deixar o “Guernica” para o sábado, quando o Museu da Rainha Sofia tem entrada gratuita. A grana está curta e, se bobear, fico sem dinheiro para sair de Paris. Entao, melhor economizar para o trecho final da viagem. Apesar das comparacoes com Sao Paulo, me senti bem em Madri. Cada vez mais gosto da Espanha. Vamos ver o que vou achar de Paris (chego por lá no domingo de manha) e de Londres (na outra semana), ponto final da viagem.

Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta

Ps. Olha a loucura que foi o gargarejo do show do R.E.M. no T In The Park. Michael Stipe desceu “pra galera” no meio de “The One I Love”. A música acaba, e ele manda um: “Gostei e vou ficar aqui”. E canta “Losing My Religion” inteirinha ali. O cara que filmou estava do meu lado, e amassando a Ju na menina da frente, que estava na grade. Sente o clima de um dos meus shows do ano aqui e imagina que na hora que a voz da galera sobrepor a música, eu também vou estar gritando “Michaaaaaael”. (risos)

Julho 24, 2008   2 Comments

Contra o topless

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Título polêmico, eu sei, mas vou tentar me explicar, calma. Passei o dia inteiro na praia, e apesar de ter bebido sete latinhas de CruzCampo, cerveja de Sevilha (4,8%) distribuida pela Heineken, e ter torrado no sol das 12h às 19h, nao tenho muito o que falar, além dos assuntos que estao rodeando a minha mente nesta viagem: o choque cultural, o cheiro e os sons das cidades, uma ilha à parte do mundo chamada Brasil e outras cositas.

Bem, a troca de albergue foi muito boa! Saí de um quarto dividido com doze pessoas para um só pra mim, em uma residência de estudantes. Na boa, albergue é pra pessoas mais jovens, que estao afim de socializar e tal, e eu já estou chegando na casa dos 40. Nunca fui muito bom em socializar em língua portuguesa quando era moleque, imagine agora em inglês e espanhol. Nessa última noite, das doze camas do meu quarto no albergue, só três estavam ocupadas (eu e duas garotas que pareciam inglesas). O resto, balada.

Fiz o check in no hostel e fui pra praia. Aluguei um guarda-sol e uma esteira, levei duas CruzCampo na mochila, coloquei os fones de ouvido e apaguei ouvindo Lou Reed e Leonard Cohen sob um sol forte. Vez em quando acordava, olhava algum topless, e voltava a dormir. No fim, já meio bêbado, cheguei a conclusao que topless nao é uma coisa tao legal quanto a gente imagina. Topless intimida e, além do mais, nem toda mulher tem seios lindos para sair mostrando.

E nem é questao de beleza, sabe. É que sou partidário do fetiche da imaginacao e da sensualidade, entao, acho que um belo biquíni (bonito, provocativo) assim como um belissimo decote sao muito mais interessantes do que um topless. O homem imagina o que está por detrás dos panos e essa imaginacao rende boa parte da seducao e do romance em uma história de amor. Toda nudez deveria ser castigada (risos).

Assim, meninas, sei que o assunto é bem masculino, e até gostaria de saber em qual ponto da História decidiram que as mulheres deveriam cobrir os seios, e os homens nao, mas meu lado romântico acredita mesmo que há um componente interessante nessa coisa do desconhecido, e aprova. Entendo que as mulheres queiram queimar sutias e que todos deveriam ser iguais, mas apesar de admirar alguns topless, prefiro ficar na imaginacao.

Bom, amanha acordo, arrumo as malas, passo na tinturaria para pegar as roupas que deixei para lavar e passar, e parto para Madri, capital da Espanha, com algumas idéias em mente: quero ver “Guernica”, comer em um bom restaurante, ver um filme espanhol no cinema e sair pruma balada. Era para eu ter ido ao Matrix, em Berlim, mas me perdi após o show do Radiohead e cheguei no albergue às 3 da manha. Quero ver se, em Madri, encontro alguma balada rock and roll.

Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 23, 2008   8 Comments

E as férias comecaram…

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Na teoria, as férias comecaram ontem. Acordei descansado, andei de chinelos na praia de Málaga, caminhei horrores pela cidade e quase comi uma paella. Quase, mas nao tenho coragem. Na prática, só encaro os shows que esbarrarem em mim em Paris e Londres. Nada de Tom Waits em Dublin nem de Leonard Cohen em Roma (Carlos, eu cogitei), pois já fiz as contas e a grana está contada. Como era de se esperar, gastei mais do que devia, claro, mas está tudo sob controle. Dá para ver algo sem se deslocar muito. Ou de graca. E olhe lá.

Definitivamente, a Espanha é a minha cara. Amei Málaga também, mas preciso dizer que esse sol constante de 30 graus está castigando a minha pele branca. Já estou quase terminando um frasco de protetor solar, e isso nunca tinha acontecido comigo. A cidade é uma graca. Traz tracos romanos e foi território fenício no século VIII. Há escavacoes de um teatro romano (do século I depois de Cristo) no meio da cidade, e debaixo do Museu Picasso há ruínas de construcoes fenícias e romanas. A cidade é uma graca, com um centro bonito e boêmio, e uma igreja tao imensa que toda populacao da cidade deve caber dentro dela.

Isso tudo fora o Castelo de Gibralfaro, que fica no alto da cidade, data do século XIV, e brilha todas as noites sob a luz da lua. De dentro dele é possível ter uam vista maravilhosa da cidade, da Plaza de Toros abaixo e até de montanhas do estreito de Gibraltar. Aliás, lembra que eu tinha deixado um dia vago para pensar em ir a Gibraltar ou Sevilha? Desisti. Muito peso pra carregar. O problema é que o albergue que estou nao tem mais vaga, e estou indo pra outro agora, mais no centro da cidade.

Também passei pelo Museu Picasso, o primeiro museu da viagem. Como devo voltar para uma viagem mais leve e sem tantos festivais no ano que vem com a Lili (quem sabe o Fib), e sei que ela irá querer ir a muitos museus e que vamos ter um belo tour arquitetônico pelas cidades, estou focando em outras coisas. Mas como nao devemos vir a Málaga, passei no Museu do filho famoso da cidade para dar risada com suas obras hilarias. E tem uma exposicao de fotos sobre o artista que achei bem bacana.

A parte cubista tem coisas sensacionais - e divertidas - como “A Mulher com Bracos Levantados” (1936) e “A Mulher Desnuda com Gato” (1964).  Das minhas preferidas, duas: ”Claude em Marron e Branco” (1950) e “Menina com sua Boneca” (1952). É possível ver a maioria da colecao no site oficial do Museu Picasso Málaga (aqui). Ainda quero ver o “Guernica” em Madri e passar um dia inteiro no Louvre, vamos ver. Agora sao 10h aqui, 5h no Brasil. Sol forte. Vou trocar de albergue agora, voltar pra praia e conferir a agenda de shows em Paris de 27 a 30 de julho, e Londres de 01 a 06 de agosto. Passagens devidamente compradas. :)

Cervejas

01- Duvel (Bélgica) 8,5%
02- Leffe (Bélgica) 6,5%
03- Voll-Damm (Espanha) 7,2%
04- Mahou (Espanha) 5,5%
05- Kostriker (Alemanha) 4,9%
06- Orval (Bélgica) 6,2%
07- Amstel (Espanha) 5,0%
08- San Miguel (Espanha) 5,0%
09- CruzCampo (Espanha) 4,8%
10- Tennents (Escócia) 4,5%

Cidades
01- Barcelona (Espanha)
02- Leuven (Bélgica)
03- Berlim (Alemanha)
04- Málaga (Espanha)
05- Glasgow (Escócia), Bruxelas (Bélgica) e Bournemouth (Inglaterra)

Shows

01- Leonard Cohen (Benicàssim)
02- Radiohead (Berlim)
03- Lou Reed (Málaga)
04- Morrissey (Benicàssim)
05- R.E.M. (T In The Park)
06- Pogues (T In The Park)
07- Sigur Ros (Benicàssim)
08- Neil Young (Werchter)
09- The National (Werchter)
10- Spiritualized (Benicasim)
11- Grinderman (Werchter)
12- Vampire Weekend (Werchter)
13- American Music Club (Benicàssim)
14- Raconteurs (Benicàssim)
15- The Hives (Werchter)
16- Babyshambles (Benicàssim)
17- British Sea Power (T In The Park)
18- Richard Hawley (Benicàssim)
19- Sons and Daughters (T In The Park) 
20- The Verve (Werchter), Gossip (Werchter), Nada Surf (Benicàssim), Ben Folds (Wertcher), The Kills (Benicàssim), The Ting Tings (T In The Park)

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Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 23, 2008   No Comments

Lou Reed em Málaga

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Acordei na segunda-feira destruído. Fisicamente e emocionalmente, afinal ver The National, Morrissey e Leonard Cohen (aqui) seguidos é um teste para qualquer coração, mas o tempo é curto e tinha muita correria pela frente. Dez quilos de bagagem nos braços mais 18 quilos nas costas, e lá vamos nós para a estação de trens. A viagem de Castellon para Barcelona foi ok. Lembra que eu tinha só seis minutos entre desembarque, comprar passagem e embarcar em outro trem? Então, rolou. O que eu nao contava era com um congestionamento de malas de rodinhas no El Prat, o aeroporto internacional de Barcelona!!!!!

Era uma multidão de gente querendo entrar no aeroporto e uma multidão de gente querendo entrar no trem, que a muvuca causou um “congestionamento”. Sério. Agora imagina: eu tinha 15 minutos pra fazer o check in, e fico quase 10 parado numa situação surreal dessas? Assim que o congestionamento se desfez, fui procurar o guichê da Vueling, companhia barateira que faz vôos nacionais na Espanha. Claro: o guichê deles ficava no quinto dos infernos do aeroporto, e lá vou eu correndo com quase 30 quilos de bagagem. Cheguei quando já anunciavam: “Última chamada do vôo para Málaga”.

Em Málaga, os termômetros do aeroporto Pablo Ruiz Picasso, ilustre filho da cidade, marcavam 32 graus. Pela primeira vez na viagem tive que recorrer a um taxi, após vagar a esmo tentando encontrar o albergue, sem sucesso. Detalhe: nem os taxistas sabiam onde ficava o lugar. Liga pra cá, pergunta ali, e encontramos (e nem é fora de mão nem nada, vá entender). Tentei achar uma internet, mas só há “peluquerias” na região. Quando achei um locutório, um e-mail da produção do show de Lou Reed avisava que haveria um atraso:

“Estimado Usuario: el concierto de LOU REED previsto para hoy día 21 de julio de 2008 a las 21.30 horas ha sido retrasado por necesidades de producción, dada la complejidad del montaje, el espectáculo comenzará a las 22.00 horas, media hora más tarde de lo previsto inicialmente. Si tiene alguna duda adicional, por favor póngase de nuevo en contacto con nosotros.”

Não tem jeito, primeiro mundo é outra coisa…

Fui caminhando do albergue até o Teatro Cervantes para observar a paisagem e me apaixonar pela cidade, e cheguei ao teatro cinco minutos antes do show. Pessoalmente, não achava que esse show iria me abalar tanto quanto o fim de semana em Benicassim com Leonard Cohen, Morrissey e Spiritualized, mas então eu entro no teatro, lindo (lembra o Theatro Municipal de São Paulo, mas é menor, com 1104 lugares, e mais charmoso), datado de 1870, e vejo que o meu lugar, fila 1, cadeira 18, é realmente de frente ao palco: não dava para acreditar. Precisei beber uma cerveja no saguão para ajustar os ânimos.

Quando a organização mandou o e-mail falando da “complexidade da montagem”, não estava brincando. O cenário é belo, com um sofá de três lugares pendurado no teto simbolizando um decadente quarto de hotel, a New London Childrens Choir (coral infantil com doze crianças) do lado esquerdo do palco, sete membros da London Metropolitan Orchestra do lado direito, mais a banda com sete integrantes - incluindo Steve Hunter, guitarrista original do álbum - e, claro, o próprio Lou Reed. Não se engane: estamos diante de uma ópera rock!

“Berlin”, lancado em 1973, foi o terceiro disco solo de Lou Reed após sua saída do Velvet Underground, e vinha na seqüência do sucesso conquistado pelo single “Walk On The Wild Side” e pelo disco “Transformer”, um ano antes. Seguindo a mesma temática de seu principal hit, porém, afundando as canções num dramático lodo orquestral, Lou fotografa a depressão romântica de um casal drogado na Berlim (Oriental) ainda dividida pelo muro. Ela (Caroline) acaba, por fim, cortando os pulsos. Ele (Jim) lamenta a perda daquela que ele acreditava ser a sua Rainha da Escócia.

O show que comemora 35 anos de lançamento do disco começa com Bob Ezrin, produtor do disco, subindo ao palco. Ele fala um pouco da apresentação, lembra que Málaga é o encerramento da turnê, e chama Lou Reed ao palco. Lou entra de camiseta qualquer nota vermelha. Ele está aparentemente bem mais velho do que da última vez que o vi, em 2001, no Credicard Hall (resenha aqui), mas ostenta ainda aquela cara de poucos amigos que fez sua fama. Ele pega sua Fender, olha para o coral e as crianças começam o show cantando a melodia de “Sad Song”. Arrepia.

“Berlin”, a música, comeca suave com seus clássicos dedilhados de piano que contemplam a felicidade do casal. Guitarradas marcam a entrada de “Lady Day”, e aqui o coral de crianças e a orquestração encantam. “Men of Good Fortune” (aquela que diz que “os homens de sorte, muitas vezes, provocam a queda de impérios”) surge com Steve Hunter estracalhando na guitarra e o bom backing de Jeni Muldaur se destacando. “Caroline Says (I)” causa o primeiro momento de histeria na platéia, mas é com a linha de baixo de “How Do You Think It Feels” - numa versão chapante - que o teatro quase vem abaixo.

Lou Reed não se dirige ao público em nenhum momento. Ele sorri para Steve Hunter e para o baixista Fernando Saunders após alguma boa passagem instrumental e e só. Quando, em “Oh, Jim”, ele leva a base da canção sozinho na guitarra (com Steve fazendo pequenos solos), o público tenta acompanhar nas palmas, mas ele muda o andamento, quebra o ritmo, e o público se perde. A versão, no entanto, é poderosa, e marca a passagem do disco (lado b) e do show para a parte trágica da história do casal.

“Caroline Says (II)” surge numa versão fantasmagórica, com Saunders tocando violino enquanto Lou narra a degradação do romance. Jim bate em Caroline, que não pára de se drogar, e é apelidada pelos amigos como Alaska. “Está tão frio no Alaska”, canta Lou acompanhado do coral infantil no final do canção. “The Kids” é… foda. Foda. Lou repete o verso inicial várias vezes aumentando a tensão sob uma base limpa de violão: “Eles tiraram os filhos dela, porque, dizem, ela não é uma boa mae”. Jim está cansado e não está mais feliz.

“The Bed” é de chorar. Canta Lou: “Este é o lugar onde ela deitava a cabeça quando ia para a cama à noite / Este é o lugar onde concebemos os nossos filhos, velas acesas iluminavam o quarto / Este é o lugar onde ela cortou os pulsos naquela estranha e fatídica noite”. O coral de crianças intervem no trecho “oh, oh, oh, oh, oh, oh, what a feeling” e é preciso ter muito sangue frio para não se deixar levar e se emocionar. “Sad Song” retorna para fechar o show com toda sua tristeza em forma de orquestração rock and roll.

Após mais de dez minutos de incessantes pedidos de bis, Lou retorna ao palco e fala sobre o disco, apresenta as mais de 30 pessoas envolvidas, e comeca um improviso de guitarra que se transforma em ”Satellite of Love”. “Rock and Roll”, do Velvet, vem na seqüência. E “Power Of The Heart”, canção inédita disponível para download no site Cartier. Love (vá na barra do menu, clique em Love Music, espere aparecer a foto de Lou Reed e baixe aqui) encerra a noite de gala. Já se passaram da meia noite, mas volto para o albergue caminhando, olhando a luz da lua e admirando a beleza da cidade. Esse show me trará sempre a Málaga. Durmo feliz.

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Fotos da viagem e dos shows:
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Julho 22, 2008   11 Comments

FIB 2008, Domingo

Eu juro que não estava preparado emocionalmente para o que iria acontecer no último dia do Festival Internacional de Benicàssim, edição 2008. Juro. Se eu conseguisse ter imaginado que tudo que aconteceu fosse realmente acontecer, talvez até tivesse medo de ter um infarto fulminante em meio ao público, sacumé, tem coisas que o coração pode não aguentar mais. O coração, neste momento, ainda bate. O corpo está um caco e não sei se me recuperei emocionalmente ainda. Vamos ver…

Acordei às 13h para postar o texto do sábado e ir tentar almoçar com o pessoal do Alto Falante. Cheguei no hotel e ainda deu tempo de ver Nelsinho Piquet subir ao podium com Felipe Massa (vou ter que falar que o Galvão Bueno espanhol fala muuuito mais do que o nosso), se preparar para o almoço (hamburguer, fritas, salada e cerveza) e rir das histórias dos mineiros (”Esse pueblo de Lula es muy confuso”). Os próximos programas prometem, especialmente o gravado em Abbey Road.

Uns quinze minutos de caminhada e um sprint de 200 metros pra não perder o começo do show e lá estou eu novamente frente ao The National, que numa tenda sob um sol de sabe se lá quantos graus (muitos) apresentou suas pérolas românticas doloridas movidas a guitarradas, teclados atmosféricos e violino. O show foi um repeteco da brilhante apresentação no Werchter, semanas atrás, com “Baby, We’ll Be Fine”, “Fake Empire”, “Mistaken For Strangers” e uma estracalhante versão de “Mr. November” fechando a noite de sol. A “noite” só estava comecando.

Pontualmente às 20h, Leonard Cohen adentrou ao palco do festival com os dez personagens que transformam em música suas letras/poesias. Olha, é difícil demais falar sobre esse show. Uma senhora emprestou um lenço para a Juliana enxugar as lágrimas no show de Edinburgh, na quarta anterior. Alguns dias antes, o Carlos falou sobre a apresentação que ele viu em Amsterdam “O Carlos que você conheceu no Rock Werchter não existe mais, agora existe o Carlos pós show do Cohen”. Esses sentimentos são muito mais do que música, transcendem algo que não sei dizer ao certo o que é.

Pra você ter uma idéia, 20 minutos após o show terminado eu ainda estava chorando. A Carol falava: “Calma, respira fundo”. E as lágrimas vinham. Fora os flashbacks horas depois quando eu lembrava do show: “Vou ligar pra Lili pra contar” (e da-lhe lágrimas). “Como vou explicar o que foi “Hallelujah” ao vivo?” (mais lágrimas). Sinceramente: eu nunca tinha sentido o que senti ontem na frente de Leonard Cohen, e depois que ele saiu saltitando do palco após apenas uma hora de clássicos.

Comecou com “Dance Me To The End Of Love”, e algumas senhoras presentes murmuravam: “Essa é a música do meu primeiro amor”. Depois veio “The Future”, valsa do disco homônimo apropriada para apresentar o poeta aos incautos com versos como “I’ve seen the future, brother: it is murder”. E o que falar de coisas como “Bird on a Wire”, “Everybody Knows”, “Who by Fire”, “Suzanne” (com Cohen ao violão), “I’m Your Man” e “First We Take Manhattan”? Nao se fala. Se ouve. Chora. E eu chorei.

O dia já estava ganho, o ano já estava ganho, mas o FIB 2008 ainda reservava surpresas guardando como “brinde” shows de Richard Hawley e Morrissey (que festival é esse em que um show de Morrissey vem como brinde?????). O guitarrista britânico Richard Hawley, que já tocou com o Pulp de Jarvis Cocker no álbum “We Love Life”, levou para a tenda Vodafone todo charme e bom gosto dos fifties, com baladas encantadoras e rockabillys contagiantes. O visual não deixava dúvidas numa mistura de Roy Orbison e Elvis Presley, e o show foi ovacionado pelo público que lotou a tenda.

Já Morrissey, você sabe. Ninguém vai para um show dele esperando ouvir essa ou aquela música. As pessoas até gostariam de ouvir os hits, mas elas vão mesmo a um show de Morrissey para ver Morrissey. Simples assim. O que ele tocar, está valendo. Então comparar o repertório do show no FIB com aquele que vi em Buenos Aires quatro anos atrás é uma tremenda bobagem. Morrissey é o show.

Quer ver: ele entra no palco (com os cinco integrantes de sua banda sem camisa e com jeans preto colado no corpo) e sacaneia: “Spanish eyes, olhem para mim. Vocês querem que eu fale espanhol? Eu vou falar argentino (sic), português, francês, mas não vou falar espanhol”. Ele abre com “Last Of The Famous International Playboys” e finada a canção tenta convencer o público: “Benicàssim, eu estou aqui”. A música na seqüência faz todo mundo duvidar: “Ask”, dos Smiths, aquele riff mastigado, aquela bateria galopante. Será mesmo?

Seguem-se “First Of The Gang To Die”, “That’s How People Grow Up” (”a” música de 2008) e “Irish Blood, English Heart”. Ele volta ao microfone: “Eu sei que as bandas pop espanholas são um lixo, mas tudo bem, as bandas pop inglesas também são, e isso não importa pois.. “The World Is Full Of Crashing Bores”". Ataca o consumo de “animais mortos” no festival, e filosofa: “Garoto namorando garota, garota namorando garoto, garota namorando garota, garoto namorando garoto: tudo é possível”.

Dos Smiths ainda marcaram presença “Vicar In A Tutu”, “What She Said”, “Stretch Out And Wait”, uma versão fodaça de “Death of a Disco Dancer” e “How Soon Is Now?”, fechando a noite após um cover dos Buzzcooks (”You Say You Don’t Love Me”) e “Life Is A Pigsty”, um dos melhores números do álbum “Ringleader Of The Tormentors”. Faltou um mundo de músicas, mas ele próprio, mais do que ninguém, sabe que suas duas camisas arremessadas ao público vão se transformar em centenas de pedacinhos que vão ser guardados como um prêmio por cada uma daquelas pessoas. Ele é Morrissey, e pode tudo.

Eram duas da madrugada e ainda tinha Siouxsie e Viva La Fete no palco principal, mas eu não tinha as mínimas condições físicas e emocionais para seguir em frente. The National, Leonard Cohen, Richard Hawley e Morrissey numa mesma noite e em seqüência arrebenta com o coração de qualquer um. Até ouvi, de longe, “Hong Kong Garden”, mas o festival já tinha acabado - ao menos para mim. Lágrimas ainda escorriam vez em quando pelo rosto. A lembrança do dia perfeito já comecava a se cristalizar na memória. Nunca fui tão feliz após um show. Agora é dancar até o fim do amor pois é assim que as pessoas crescem.

Fotos da viagem e dos shows:

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Julho 21, 2008   15 Comments

FIB 2008, Sábado

O dia em Benicàssim comeca depois das 14h. É quando a comunidade branquela do mundo (eu incluso) e alguns poucos morenos acorda e abarrota as praias do balneário procurando um lugar para… dormir (e as meninas, fazer topless). Perdi o trem das 14h30 de Castellon para Benicàssim (assim, cheguei até a entrar no vagao, mas estava na dúvida se era aquele mesmo ou se eu estava pegando um trem para o sentido contrário. Era aquele) e tive que encarar a viagem de ônibus, que geralmente derruba o freguês de sono. Me desencontrei do pessoal do Alto Falante, enconstei em um bar na orla, estiquei as pernas na cadeira e… três Amstel de um litro (cerveja de Sevilha) e eu já estava pronto para o ritual: capotar na praia.

Arranjei um lugar “limpinho”, fiz da mochila e dos chinelos meu travesseiro, coloquei o relógio para despertar às 18h e sonhei com anjos. Acordei às 18h20 e só nao perdi o The Ting Tings pois o show atrasou. Quando coloquei o pé direito na tenda, Katie White e Jules De Martino entraram no palco. Era um dos primeiros shows do dia, 18h40, solzao no alto, e o local estava abarratodo (repetindo a loucura do T In The Park). O duo novamente fez uma boa apresentacao, com algumas criancas na platéia e clima de festa adolescente. “That’s Not My Name” (que bateu no número 1 da parada britanica), “Shut Up And Let Me Go” e “Great DJ” incendiaram a tenda.

Primeira grande comida de bola da viagem: finado o show do Ting Tings, eu, Renata e Carol procuramos um lugar pra armar o boteco e esperar o próximo show. Enquanto isso, para uma tenda com 1/4 de sua lotacao (ou seja, vazia), Jon Spencer levava ao FIB seu projeto paralelo de rockabilly Heavy Trash. Eu bebendo cerveja na grama e Jon Spencer - sem barba e de terninho - mandando ver no barulho na tenda FiberFib. Das coisas que acontece quando o line-up tem mais de 110 nomes confirmados. Pena. Mas vi meia hora de José González (aquele show bonito que a gente já conhece) e três músicas do Brian Jonestown Massacre (eu esperava mais do Anton; acho que o ótimo documentário “Dig!” superestimou a banda).

De volta a tenda FiberFib, novamente com pouca gente, estirei-me no chao a dez passos da grade e vi a performance do American Music Club inteirinha jogado. O vocalista e guitarrista Mark Eitzel (foto abaixo) tira um faca cravada no peito a cada novo número trazendo as cancoes lá do fundo do amâgo, onde você nao acredita que alguém consiga buscar emocao. Eitzel é daqueles caras que poderia ficar rico vendendo honestidade em frasquinhos de 5ml, e o reconhecimento veio no pedido de bis, o primeiro que vi neste festival, mas que o pequeno público fez questao de pedir, e ganhou como presente a pungente e arrepiante ”All My Love”, em versao comovente, de congelar a espinha. Puta show.

 Por falta do que ver, tive que encarar um show inteiro do My Morning Jacket. O Thiago, do Alto Falante, definiu bem: “Eles sao até legais em disco, mas em show abusao do rock burrao”. Tem até guitarra flying V. Era isso ou ver Tricky. Fiquei matando tempo até à meia noite, quando Alison VV Mosshart e Jamie Hince entraram no palco do Main Stage. Assumo: se eu nao fosse casado (e ela também), eu pediria a Alison em casamento. Fácil. Ao contrário de Paula Toller, Alison é daquelas mulheres que solos de guitarra podem conquista-la. Ok, nao sao os solos do Kid Abelha, mas sim do The Kills, uma usina de barulho movida a bateria eletrônica e guitarradas. O show, no entanto, foi inferior ao do Campari Rock 2005, e terminou de forma abrupta como um coito interrompido. Alison gosta de partir coracoes e ir embora sem dizer adeus.

Depois de troca-los por Grinderman, na Bélgica, e The Pogues, na Escócia, finalmente me vi frente a frente com o Raconteurs. Jack White conseguiu montar uma banda de garagem com todos os clichês do gênero (para o bem e para o mal). Tem longos improvisos e jams que na maioria dos momentos enchem o saco, mas quando a banda engata a quinta marcha, sai debaixo. Nenhuma música surge tal qual foi gravada em álbum. Eles recriam tudo, e em várias passagens se superam, caso da versao arrasa-quarteirao de “Steady, As She Goes”, mas nao é o show da vida de ninguém. Sao simplesmente quatro bons músicos declarando paixao e devocao pelo barulho. “Many Shades of Black”, com Brendan Benson comandando, foi um dos grandes momentos, mas muita coisa boa do primeiro disco ficou de fora em favorecimento de faixas medianas do segundo. E vamos combinar: Jack White e Michael Jackson podem sair de maos dadas no quesito brancura.

A noite ainda teve Gnarls Barkley (que abriu o show com a festejada cover dos Violent Femmes, “Gone Daddy Gone”) tocando seu álbum de reggae dos anos 2000 (com direito a cover do Radiohead, “Reckoner”, do “In Rainbows”) e sanduiche de bacon com chourizo (aprovado) acompanhado de duas Jake and Coke. Quando cheguei no hotel, o relógio marcava quase sete da manha, e eu precisava descansar, afinal este domingo é o grande dia do FIB 2008: na agenda Leonard Cohen e Morrissey. Amanha, correria: às 9h embarco de trem para Barcelona. Chego às 11h42 e saio correndo do vagao para comprar uma passagem de trem para o aeroporto (11h55), onde preciso estar até 12h35, horário final do check in do vôo para Malága, na Andaluzia, onde tenho encontro marcado com Lou Reed às 21h. Torce por mim. Vai ser muuuuita correria.

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 20, 2008   5 Comments

FIB 2008, Viernes

Almocei cerveja na sexta-feira, segundo dia do Festival Internacional de Benicàssim. Fui encontrar o pessoal do Alto Falante, que está em um hotel de frente para o mar - e para as européias de topless - na própria Benicàssim (invejaaaaa), e quando cheguei eles tinham acabado de almoçar. Fomos para um bar ao lado que vendia cerveja (Heineken) a 1 euro. Chamei pelo garçom duas vezes, para pedir uma tortilla de jamon (omelete de presunto), e ele não veio, então tive que me contentar com a cerveja como almoço.

A primeira coisa que fiz ao entrar no FIB foi ir direto comer um taco numa barraquinha de comida mexicana. Facada: 10 euros, mas valeu, estava bem bom. E estou eu lá, no meio do prato, quando cola uma menina ao lado: “Você fala inglês ou espanhol?”. E eu: “Nem um nem outro, mas diga”. Ela: “Cara, estou com muita fome, você pode me dar um pouco da sua comida?”. O nome dela era Roxanne, era francesa e depois de duas garfadas - cujo sabor deu para perceber em seus olhos - se despediu: “Como se diz bon appetite em português?”

Já tinha acontecido algo assim no primeiro dia, antes mesmo de eu pegar a pulseira do festival. Do lado de fora, uma barraca vendia copos de cerveja de 1 litro por 6 euros. Com o sol a pino, decidi encarar. Uma inglesa colou em mim no balcão e desembestou a falar. E eu: “Calma, calma, devagar”. E ela: “Você é alemão? Fala inglês?”. E eu: “Mais ou menos”. E ela: “Legal, você me entende. Me empresta 2 euros para eu comprar um kebab?”. O atendente, espanhol, comentou: “Você devia ter dito que não sabia falar inglês”. (risos)

Roxanne, a francesa, estava ali para ver Pete Doherty. Os portões para o palco principal foram abertos quinze minutos antes do show, e assim que cheguei perto a vi colada na grade. É interessante observar o fascínio que esse moleque provoca em seu público. Ele preferiu trocar uma das bandas britânicas mais fodas do anos 00 pelo vício em drogas. Depois, deixou uma das modelos mais cool do mundo ir embora. Mas ele continua, chapéu enfiado na cabeca, batida na guitarra marca Mick Jones e pose blasé. Para a infelicidade dos detratores, Pete Doherty está bem vivo.

O show é correto no jeito Pete Doherty de ser: ele emenda uma canção na outra através de riffs clashianos preguiçosos que parecem que vão se desmanchar no ar, mas de repente embalam e revelam uma grande cançãoo. Ao vivo, as músicas do fraquíssimo primeiro álbum crescem e empolgam e as poucas canções boas do segundo álbum, ”Shotter’s Nation”, ficam de fora, com exceção da ótima ”Delivery”. O show não dura nem 40 minutos, mas a banda sai ovacionada após uma versão incendiária de “Fuck Forever”, num daqueles momentos pra não se esquecer.

O New York Dolls vem na seqüência abrindo, de cara, com “Looking For a Kiss” para incendiar a galera. O show, no entanto, é calcado muito mais no repertório do álbum de 2006, “One Day It Will Please Us to Remember Even This”, do que na dobradinha clássica “New York Dolls”/”Too Much Too Soon” (1973 e 1974, respectivamente). E não é só David Johansen que está igualzinho ao Mick Jagger: a própria banda escarra Rolling Stones por todos os poros. Bom show, e só.

Enquanto o Hot Chip abria a noite na tenda FiberFib, o público começava a dolorosa separação: uma parcela para o Vodafone Club que iria receber o Spiritualized e outra (maior) para o Escenário Verde, dito palco principal, que iria abrigar as loucuras guitarreiras de Kevin Shields e seu My Bloody Valentine. Apesar do jornal valenciano El Mundo definir o show do My Bloody como “os setenta minutos mais intensos dos 14 anos do FIB” (leia aqui), só consegui ver o número final, “Soon”, fodido, e um casal tapando os ouvidos criando uma cena divertidíssima.

Só vi o número final pois, enquanto Kevin Shields tocava seus clássicos do inferno, eu estava ajoelhado frente a Jason Pierce, que estava convertendo novas almas com seu Spiritualized. A espinha central do show são as cancões do sensacional “Songs In Accident and Emergency” (traduzindo: “Cancoes de UTI”) que formam um núcleo de fazer o corpo levitar: “Soul On Fire”, “Sweet Talk” e ”Sitting On Fire” são de chorar. Mas é com a versão arrepiante da clássica “Come Together” que Pierce faz um estrago violento no coração dos presentes. Daqueles momentos que você pensa: “Eu nunca mais vou ser o mesmo depois disso!”.

O show foi curto, quarenta minutos, mas serviu para me deixar completamente descoordenado. Sai da tenda Vodafone em estado de transe total e embora a noite ainda prometesse com Róisín Murphy e Mika, o único destino após um show do Spiritualized é o céu, que para mim pôde ser transferido para um banho de três horas na banheira do hotel, tentando entender o que tinha acontecido debaixo da lona daquela tenda do FIB. Assim, melhor não falar mais nada. Mesmo porque não tenho mais palavras. Foi foda. Basta.

O terceiro dia do FIB promete: tem o Ting Tings, José González, The Brian Jonestown Massacre, American Music Club, My Morning Jacket, The Kills, Tricky, Raconteurs e Gnarls Barkley às 3 da manhã. Vou ali pegar uma praia, beber alguns litros de cerveja e tentar comer uma paella, mas eu volto. Eu acho…

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 19, 2008   8 Comments

FIB 2008, Jueves

A XIV edicao do Festival Internacional de Benicàsssim comecou sob um sol escaldante às 19h da quinta-feira. Muita gente ainda chegava com dezenas de sacolas de comida, pilhas e pilhas de caixas de cerveja e barracas em direcao ao acampamento. A praca central do balneário virou campo de guerra: ingleses nadavam no chafariz para fugirem do calor, alemas comiam baguetes enormes e espanhóis observacao a babel com interesse.

Primeira “decepcao”: eu tinha pra mim que o festival acontecia na areia da praia, mas nao, toda a estrutura é montada ao lado de uma estrada que separa o festival do mar. No entanto, a organizacao é de primeira. Ao contrário do Werchter e T In The Park, a maior parte da área ocupada é asfaltada, o que aumenta o calor, mas evita o lamacal em caso de chuva (e choveu anteontem de manha aqui).

Novamente, o shopping rocker junta tudo: tem barraca da Elephant Records vendendo o último CD do Júpiter Maca, as famosas sandálias havaianas, uma tenda convidando o público a assistir a um jogo beneficente entre artistas e jornalistas (será que o Cohen está escalado?), comida de diversas procedências e, claro, cerveja, aqui Heineken, patrocinadora do festival. O copo pequeno custa 2,50 euros. O de um litro sai por 7,50. Vou te dizer: é lindo!

Fui encontrado pela Carol e pela Renata (que nao é a Honorato) no meio do show do Krakovia, que eu nem sei bem o que é, mas sei que é ruim pacas. No comecinho do show do Nada Surf encontrei a comitiva mineira do Alto Falante: James, Thiago e Terence. Atualizamos os papos de shows, trocamos infos sobre bandas novas que vao se apresentar no FIB e marcamos de nos encontrarmos na frente do hotel deles, de frente pra praia em Benicassim. Chato. Ah, claro, brindamos com copos de um litro de cerveja.

O show do Nada Surf (Honorato, você iria amar) foi uma entrega do vocalista e guitarrista Matthew Caws, que aumentou o volume do seu instrumento (mais comportado nos últimos álbuns) e falou em espanhol mais do que o próprio baixista da banda, que é espanhol. Power pop para as massas espanholas, que estava assistindo ao grupo pela quarta vez no festival, e sabia todas as cancoes de cor - mesmo as novas, do bom álbum “Lucky”. Show bonito e competente.

Na seqüência, o Sigur Rós voltou a embalar sonhos roqueiros com uma apresentacao tao irretocável que até a lua - absurdamente cheia - parou para assistir ao grupo. O show foi um repeteco daquele que assisti semanas atrás no Rock Werchter, na Bélgica, com a diferenca de que o público belga era distante e contemplativo enquanto o espanhol “entra” mais no clima, canta (quando é possível cantar) e, mesmo após a cancao terminada, continua fazendo coro com a melodia criando um momento de rara beleza. Seria comum se fosse uma banda comum, mas normal é um adjetivo que nao se encaixa ao Sigur Rós. Eles merecem mais.

Hora de se jogar na grama e tirar um cochilo comendo fritas (muito melhores que as da Bélgica) e se abastecer de coca-cola. Deu para ouvir, de longe, o Mates of State e encarar boa parte do show do Black Lips, grupo norte-americano que mistura o clima flower power com a crueza do punk e empolga ao vivo - principalmente nos rockabillys. O Battles abarrotou a tenda FIB Club e três da manha já era um bom horário para voltar ao hotel e se preparar para a maratona dos próximos dias em que os shows comecam as 17h30 e terminam às 07h45.

Hoje tem Babyshambles - se o Tim Maia britânico nao der cano em mais um festival, e eu tô bem afim de ver Pete Doherty ao vivo - New York Dolls, My Bloody Valentine e Spiritualized tocando no mesmo horário, Róisín Murphy, Hot Chip e Mika. Leonard Cohen toca às 20h do domingao, mas será um show de festival, com uma hora, e nao o show completo que a Juliana viu em Edinburgh na quarta-feira, e que fez ela chorar tanto a ponto da senhora velhinha que estava na cadeira ao lado lhe emprestar um lenco. Vou a praia, mas volto com fotos e histórias.

Ps. Aliás, quase voltei pra casa mais cedo. Acordei e fui para a estacao de trem sacar grana, e dois policiais civis me pararam e pediram o passaporte. Disse a eles que nao ando com o passaporte, para nao perde-lo e tal, e os caras pegaram meu RG, fizeram várias ligacoes, e me questionaram uns dez minutos. Me dispensaram uns 15 minutos depois com o aviso: “Você precisa andar com o passaporte para mostrar que está legal aqui na comunidade européia. Da próxima vez, levamos você para a comissaria e… Brasil”. Aceitei o conselho e fui pega-lo. Mas antes do Cohen e do Lou Reed eu nao volto!

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 18, 2008   5 Comments

Um litro de cerveja

Ok, estou bêbado. É bom dizer isso antes de escrever, assim vocês relevem qualquer erro ortográfico ou filosófico, ok. (hehe). Bem, estou em Benicassim, fervendo sob um sol de sei lá quantos graus. A viagem de Barcelona pra cá foi tranquilissima, com cerveja Mahou (uma das top 5 da viagem) e a costa da Espanha pela janela. Cheguei em Castellon, e eu tinha certeza que o hotel duas estrelas que reservei em cima da hora seria tosco, mas… grande engano.

Estou pagando, em média, 20 euros por noite em albergue. Este hotel em Castellon, cidade vizinha a Benicassim, está me custando 40 euros o dia, mas nada como chegar de doze dias em albergue e tomar um banho decente de uma hora em uma banheira. O hotel é fofo, mas é bem longe de Benicassim. Precisei tomar dois ônibus até chegar aqui, e foi um tempao. Minha preocupacao era pegar logo a pulseira do festival, e entao relaxar.

No caminho da entrada do FIB havia uma barraca vendendo cerveja, copos de 300 ml ou 1 litro. Optei pelo segundo, e se estou bêbado agora, nao foi só por essa opcao. É que, também, para estar escrevendo isso aqui, tive que esperar mais ou menos três horas. Nesse tempo, almocei (omelete de batatas e salada), bebi mais três Estrellas e tentei procurar uma amiga, que estava em alguma praia perto do festival, mas nem sequer na praia eu consegui chegar.

O FIB, hoje, comeca as 19h. Neste momento, 18h23. Nada Surf toca às 22h, Sigur Ros às 23h, Mates of State à 1h e… lembra aquela banda que eu tinha dito umas semanas atrás que estava pronta pra sair da sombra do White Stripes… Black Keys às 2 da manha (bêbado é uma m****! Nao era o Black Keys e sim o Black Lips). Ainda tem Battles às 3h e o festival segue até as 6h. O que me deixou puto, no entanto, foi o fato de colocarem My Bloody Valentine e Spiritualized no MESMO HORÁRIO. Tremenda sacanagem. ://// Bem, vou lá beber mais algo. Descobri uma internet do lado do hotel em Castellon, entao deve rolar atualizacao. Só depende da minha ressaca… a gente se vê.

Julho 17, 2008   2 Comments

Bye, bye, Barcelona

Eu sei, é de partir o coracao, mas está chegando a hora de ir (”venho aqui me despedir e dizer que o meu coracao vou deixar nao ligue se acaso eu chorar, mas agora, adeus”… ahhh, o Rei Roberto). Bem, amanha de manha acordo e vou para a estacao Barcelona Sans para pegar um trem em direcao a Castellon, onde na praia vizinha, Benicassim, acontece o badalado Fiber nos próximos quatro dias. Este último dia útil em Barcelona foi o mais calmo e mais gostoso de toda a viagem, com cara de férias mesmo, e banco de praca, sorvete e caminhada de chinelo.

Acordei cedo para ir conhecer a Casa Milà, de Gaudi, popularmente chamada de La Pedrera, que fica aqui ao lado do hostel. Era para eu ser um dos primeiros a entrar, mas eis que chega junto comigo uma excursao de escola. Pô, bem legal levarem os estudantes franceses para conhecer Gaudi, mas tinha que ser no meu horário (risos). A Casa Milà è… putz, sem palavras. Meu queixo caiu várias vezes. Gaudi a construiu entre 1906 e 1910, e só um louco poderia construir uma casa bizarra dessas naquele tempo… e deslumbrante.

Na verdade, a Casa Milà eram vários apartamentos e hoje em dia é um centro cultural que abriga histórias das obras do arquiteto e o visual sensacional da casa. E, ainda, tem o “jardim” mais descolado de todos os tempos, no terraco, que você pode ter visto em “Profissao: Repórter¨, do Antonioni (valeu, meu querido Carlos Freitas), mas que nem mil fotos vao impedir que você deixe o queixo estatelado no chao. Bati muuuitas fotos. Esta, com o casal sentado sobre um dos arcos do terraco olhando a Sagrada Familia, demorou um tempo. Eu queria bater só dos arcos e da igreja, mas o casal sentou ali… (risos)

Na seqüência fui encarar o Parque Güell, que Gaudi fez entre 1910 e 1914, a pedido do dono da propriedade, Eusebi Güell. Conta a história que o resultado final do parque ficou muito aquém do ambicioso projeto original, mas olha, se ficou aquém, meu deus, o que deveria ser o projeto original! O Parque é uma pequena obra de arte. Assim que desci na estacao de metrô, e fui olhar o mapa, uma senhora perguntou: “Parque Güell? Siga reto”. Fomos conversando até o fim da escada rolante, quando ela disse que eu amaria o parque. “Me gusta mucho”, ela disse antes de ir.

Caminhei por horas pelo parque, deslumbrado com todos os seus detalhes, e lamentando nao estar com Lili para fazermos um piquinique (fica para o ano que vem). Subi e desci mais de 500 degraus (quando parei de contar), bati uma centena de fotos (mas fiz uma selecao para o flickr) e fiquei pensando o quao genial era esse homem, que fazia coisas realmente diferentes e inovadoras. É completamente chapante, completamente. Andei tanto que acabei com um tênis leve que eu tinha comprado em Parati, meses atrás, e que nao devia esperar tanto trabalho.

Voltei pro hostel de havaianas genéricas, tomei um banho e fui cortar as unhas na praca. E por lá fiquei sentado observando o movimento, descansando as pernas, acalmando a mente e sentindo o cheiro da cidade. Depois sai, olhei a Casa Battló, fui tomar um sorvete na sorveteria que fica embaixo da Casa Milà, e fiquei pensando no quanto essa cidade é encantadora. No hostel, novamente, arrumei as malas e deixei tudo pronto para amanha de manha acordar e partir, mas precisava registrar esse adeus. Nao sei como vao ser as coisas em Benicassim, mas se houver uma internet por perto (o que tem acontecido bastante nessa viagem), apareco para falar dos shows, ok.

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Julho 17, 2008   4 Comments

“Medio millón de almas en marcha”

O titulo do post foi a manchete de capa do jornal Publico, de Barcelona, ontem, que ainda dizia: “Mas de 500.000 personas asistiran  a un concierto en nuestro pais desde hoy hasta el domingo, en medio de la guerra de festivales por conseguir mas publico”. O bafafa todo eh devido ao classico do fim de semana: Barcelona x Benicassim.

Em Barcelona acontece nos dias 18 e 19 de julho a segunda edicao do Summercase, cujo principal nome do line-up sao os Sex Pistols (que, acreditem, estará tocando pela primeira vez na Espanha!). Mas segura o resto: Blondie, Grinderman, Interpol, Maximo Park, Primal Scream, The Verve, Ian Brown, Sons and Daughters, Breeders, Kaiser Chiefs, Mogwai (tocando o “Young Team” inteirinho), CSS, Kooks, Raveonettes, Mystery Jets, 2Many Djs e, ufa, muito mais.

Em Benicassim, voce já sabe (hehe), acontece do dia 17 ao dia 20 mais uma edicao do Fiber que destaca Leonard Cohen, Morrissey, My Bloody Valentine, Babyshambles, Mika, Siouxsie, The Raconteurs, Death Cab For Cutie, American Music Club, José González, The New Pornographers, Spiritualized, Vive La Fête, Justice, The National , Sigur Ros, The Kills, Gnarls Barkley, Róisin Murphy, The Brian Jonestown Massacre e, ulala, Nada Surf, entre outros. De quebra, no fim de semana tem Bruce Springsteen com sua E. Street Band dia 17 em Madri e 19/20 em Barcelona.

Existe público para tantos shows? Essa é a pergunta que o jornal propoe, e embora a pauta esteja fraca (falta o básico: comparacao e informacao de line-ups), uma boa frase me saltou aos olhos:

“Como la venta de CDs sigue bajando, hay quién defiende que lo que antes se gastaba en discos, ahora se invierte en conciertos. Una teoría más razonable apunta a la accesibilidad de la música. La llegada de Internet y las nuevas tecnologías ha provocado que el público llegue a las canciones más fácilmente y, en especial gracias a las redes P2P, de forma gratuita. Ético o no, legal o ilegal, la realidad es que hoy en día, cuando se vende menos música que nunca, se escucha más música que nunca y se va a más conciertos.” por Jesus Miguel Marcos (leia mais aqui).

Quatro futuros jornalistas me procuraram dias antes da viagem para pequenas entrevistas para seus projetos de conclusao de curso que sempre resvalavam no assunto MP3, música na internet, redes P2P, direitos autorais e o escambau. Acho que essa frase negritada do páragrafo acima é perfeita para simbolizar que a queda nas vendas nao significa a morte da música, e sim o momento agonizante da indústria. A indústria nao é a música, isso precisa ser dito. Meio milhao de pessoas nao marcham de bobeira, pode ter certeza. Mas vamos lá, diz ae: em qual dos dois festivais você iria?

Julho 16, 2008   4 Comments