T In The Park 2008

May 20th, 2008

T In The Park 2008

Data: 11, 12 e 13 de julho
Local: Maior festival anual da Escócia, o T In The Park acontece no Parque Balado, em Kinross-shire.
Entradas: 180 Libras o pacote de três dias
Destaques deste ano: The Verve, Stereophonics, Rage Against the Machine, The Fratellis, The Kooks, R.E.M., Kings of Leon, Amy Winehouse, The Chemical Brothers, Kaiser Chiefs, The Raconteurs, We Are Scientists, Panic at the Disco, The Futureheads, Ian Brown, The Pogues, Primal Scream, The Charlatans, Echo & The Bunnymen, Sons and Daughters, Vampire Weekend, British Sea Power, Aphex Twin, Miss Kittin & The Hacker
Site Oficial: http://www.tinthepark.com/

“Falsas Baladas e Outras Canções de Estrada”, OAEOZ

May 19th, 2008

“A carne é triste, e eu li todos os livros”, escreveu certa vez um poeta simbolista. É uma imagem forte, um símbolo forte. Ele leu todos os livros e descobriu que a carne, infelizmente, é triste. Não lhe resta muita coisa. É hora de fugir. Ou de crescer, mas a sociedade teme tanto a maturidade que os adolescentes se transformaram em adultescentes. Crescer, mais do que qualquer coisa, é acumular tristezas enquanto esperamos a morte por bala, vício ou susto.

“A vida é cruel” é uma frase em néon despencando da fachada de um hotel de quinta categoria em lugar nenhum. Copo meio vazio. Copo meio cheio, então: “A vida é uma porcaria, e passa rápido demais”, lembra aquele diretor esquisito. “Falsas Baladas e Outras Canções de Estrada”, segundo álbum do OAEOZ (descontando dois CDs independentes), amplifica essa questão ao polarizar os sentimentos que tantas pessoas amontoam em si mesmas jogando nas costas dias e noites de fuga.

Mais do que falar da vida na estrada, “Falsas Baladas” fala da dificuldade da vida em sociedade. “Impossibilidades”, o rock majestoso que abre o álbum de forma acelerada, ambienta o ouvinte: “Pode ser só teimosia / Pode ser até capricho / Eu não quero sua imagem / Nem a tua alegoria”. A letra ainda distribui muitos símbolos (destino, rumo, fantasia, inferno, frio) para fechar de forma sublime: “Me alimento da falta e me cerco do excesso / Pra me esconder na ausência da vontade e na impossibilidade dos sentidos”.

Em “Distância”, uma falsa balada com guitarras espaciais que remetem às grandes influências dos curitibanos (Mercury Rev, Tindersticks, Pink Floyd fase 69), uma frase flutua pelo ar até cair solitária no colo: “A verdade se despede como farsa”. A beleza que se transforma em ruína. Violão e efeitos introduzem “Negativa”, a próxima canção, um duelo frente ao espelho cujo clímax é o solo de trumpete de Igor Ribeiro. Um violão lento, preguiçoso, apresenta a sonhadora “Mariane” enquanto guitarras barulhentas e rancorosas fazem a cama para seu interlocutor: “A humanidade é uma piada sem graça”, diz ele.

“Eu Penso Nisso Todo Dia” é a tentativa da fuga da prisão, a narrativa da quebra do encanto, a fé e o amor em algo que nem se sabe ao certo o que é, com baixo a frente e vocais climáticos. “Uma Canção Para OAEOZ”, liberada para download pelo Scream & Yell em outubro passado, é uma empolgante declaração de amor a Curitiba e aos bons momentos da vida (seja passado, presente ou futuro). O barulho volta a dar as caras em “Ninguém Vai Dormir”, rock que tenta tirar os pesos das costas através de toneladas de distorção. “Pra Longe”, baladaça com violino de Desiré Marantes, versa sobre abandono e desesperança.

Com dez anos de estrada, o quinteto curitibano alcança a maturidade musical em um álbum que impressiona pela entrega, pela maneira que despe sentimentos, desejos e sonhos sem soar piegas, emo(cionalmente infantil) ou apelativo. “Falsas Baladas e Outras Canções de Estrada” reúne um apanhado de visões e sensações acerca da “città piú bela” (não à toa, a banda colocou uma versão da canção do Fellini como lado b do single “Impossibilidades”), uma paisagem envolta entre anseios intensos cujas nuvens cinzas impedem a visão de estrelas. Porém, não é preciso vê-las para saber que elas estão lá. Melhor pegar outro copo (cheio de vinho).

Você já leu todos os livros, caro leitor?

“Falsas Baladas e Outras Canções de Estrada”, OAEOZ (Senhor F)
Download Gratuito: Baixe aqui (inteiro) ou aqui (faixa a faixa)
Nota: 8

Leia e baixe também:
- “Às Vezes Céu”, do OAEOZ, por Marcelo Costa (aqui)
- Baixe o single “Impossibilidades”, do OAOEZ (aqui)
- Baixe o single “Uma Canção Para OAEOZ”, do OAOEZ (aqui)

La Version Inesperada

May 17th, 2008

Um show de Wander Wildner é diversão garantida. Apostando em seu “espanhol selvagem” (uma evolução natural do portunhol desenvolvido por milhares de brasileiros América do Sul a fora), o ex-punk brega apresentou sua nova persona, o Gonzo, para o público paulista na última quinta-feira, data que marcava o lançamento oficial de “La Cancion Inesperada”, quinto disco de originais do bardo gaúcho, produzido pela dupla Berna e Kassin.

A diversão que Wander proporciona em seus shows é algo bem raro de se encontrar em hoje em dia. Ela parte da premissa que show é um local para se encontrar amigos, beber cerveja (no meu caso, chopp escuro) e cantar refrões atrapalhados e surreais que ousam definir o amor (”Hippie, Punk, Rajanesh”, “Um Bom Motivo”), cantar a solidão acompanhada de uma garrafa (”Bebendo Vinho”) ou viajar pela América do Sul em uma maverikão (”Rodando El Mundo”).

Nesta noite em especial, além de algumas doses de canções/versões novas (a faixa título, “Mares de Cerveja”, “Winona”, “Os Pistoleiros”, “Amigo Punk”, “Sandina”), o set final foi de impressionar o mais árduo fã do roqueiro gaúcho. Acompanhado de um duo de metais, Wander fez da choperia do Sesc Pompéia um salão de baile com versões samba dos hits “Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro” e “Eu Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo”. No bis, pra fechar, “Lugar do Caralho” em versão soul blues. Foooda.

Fotos: Liliane Callegari (http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/)

“My silence is in vain”

May 17th, 2008

“My Secret Is My Silence”, Roddy Woomble

If you never leave the highlands
like you’re drowning under rain
and your sadness tastes like whiskey
and my body breathes the same

and ill drain my wisdom empty
just to feel that space again

but you know nothing is outside
and my secret is my silence
my secret is my silence
and my silence is in vain

im sick of living in these buildings
that were built from blood and rain
and from the warm side of the window
the views always look the same

but your face it held the stories
full of dreams it can contain

but you know nothing is outside
and my secret is my silence
my secret is my silence
and my silence is in vain

but you know nothing is outside
and my secret is my silence
my secret is my silence
and my silence is in vain

and you held on to a country
from the cail yard to the grave
and you spoke in quickly written verses
hidden in your gaelic name
to approach land without a harbour
to find your way home
you approach land without a harbour
to find your way home

Download - (Botão direito, salvar como)
Cortesia Stereogum

Conta maluca

May 14th, 2008

Conversando com um amigo, logo após ele comentar algo sobre São Thomé das Letras, brinquei que era a minha segunda casa. Automaticamente me veio à mente uma conta maluca dos lugares que eu mais estive em minha vida, cidades mesmo. Em um chute aproximado (somando várias viagens), seria isso:

25 anos em Taubaté
10 anos em São Paulo
01 ano em São Bernardo do Campo

50 dias em Pindamonhangaba
50 dias em Ubatuba

40 dias em São Vicente
40 dias no Rio de Janeiro

30 dias em São José dos Campos

25 dias em São Thomé das Letras

20 dias em Campos do Jordão
20 dias em Porto Alegre

15 dias em Bernardino de Campos
15 dias em Vitória
15 dias em Parati

10 dias em Buenos Aires
10 dias em Curitiba
10 dias em Uberaba

Já passei seis dias em Belo Horizonte e em São Pedro do Atacama, cinco dias em Maceio e em Santiago, e vou conhecer Brasília no fim do mês (só três dias).

Ps. Falando em viagem, passagens compradas. Entre 02 de julho e 06 de agosto, este blog será escrito de terras européias. Frio na barriga, pouca grana e procura constante por melhores preços de passagem, albergues e/ou hotéis (seeeeempre). Os grandes trechos neste momento em aberto são Bruxelas/Glasgow (devo ir de Ryanair), Glasgow /Madrid e Madrid/Paris. As coisas estão se ajeitando.

“Songs In A&E”, Spiritualized

May 12th, 2008

Jason Pierce acredita na redenção através da música. Mais de dez anos atrás, quando o britpop começava a exibir os primeiros sinais de declínio, Pierce colocou nas lojas via Spiritualized – banda que formou em 1990, assim que seu Spacemen 3 foi para o espaço – um álbum cuja capa emulava uma caixa de remédios, o CD vinha embalado tal qual um comprimido, e o encarte, como uma bula, prescrevia: “Spiritualized deve ser usado no tratamento do coração e da alma”.

“Ladies And Gentlemen We Are Floating In Space” (1997), terceiro disco do Spiritualized, bateu na quarta posição do chart britânico e vinha embalado na idéia de que o álbum havia sido feito para selar o fim de relacionamento do compositor com sua tecladista – e ex-namorada – Kate Radley, que havia se casado secretamente com Richard Ashcroft, vocalista do The Verve. Pierce nega a inspiração, mas “Broken Hearts” entrega: “Estou chorando o tempo todo/ e tenho que disfarçar com um sorriso/ Deus eu tenho um coração partido”.

“Songs In A&E” é o sexto álbum do Spiritualized, e quebra um silêncio de cinco anos sem material inédito. Jason Pierce (aka J. Spaceman) estava com o repertório do disco praticamente pronto quando foi internado em estado grave com pneumonia dupla. Apesar de grande parte das canções já estar pronta, o hospital inspirou o conceito e o título de “Songs In Accident and Emergency”, setor próximo da nossa conhecida unidade de terapia intensiva (”Songs in UTI” poderia ser um bom título nacional).

Partindo do pressuposto que a inspiração do álbum nasceu em uma cama de hospital, normal esperar que o repertório seja pesado, tristonho, carregado de referências à morte, certo. Mais ou menos. As referências até estão ali (funerais, o calor, estado de coma, visita de anjos, igrejas), mas a confrontação com a morte fez Pierce colocar os pés no chão e buscar no gospel, nas harmonias vocais, e nas orquestrações uma maneira de soar… vivo.

Para construir sua epopéia de recuperação, Pierce pincelou doze canções intercaladas por seis faixas instrumentais e fez delas pequenas sinfonias. “Sweet Talk”, a primeira, é uma faixa grandiosa de visão chapada por remédios: “Você tem a fala doce como a de um anjo, e está dirigindo este cego”, canta Pierce. “Death Take Your Fiddle”, uma das mais densas, teve a voz gravada na cama do hospital, e diz entre sons de respiração: “Acho que vou beber para entrar em coma / Mas, morfina, codeína, whisky / eles não alteram a forma como me sinto agora com a morte me rondando”.

“I Gotta Fire” rompe o drama da faixa anterior com guitarras que lembram Primal Scream e BRMC e é a primeira das três faixas seguidas do álbum que trazem o fogo como elemento visual. A seguinte, “Soul On Fire”, é o primeiro single. Co-escrita por Daniel Johnston, a canção traz um refrão tão lírico, tão rico em melodia que poderia ser estendido até o final do álbum que ficaria tudo bem. Só imagine a cena: “Começou um furacão em minhas veias e eu quero que fique para sempre”. Respiração profunda. “Sitting on Fire”, movida a violões preguiçosos, também foi registrada na cama do hospital.

O silêncio é quebrado novamente pelos rocks. “Yeah Yeah” lembra algo de Bob Dylan enquanto “You Lie You Cheat” clama por liberdade em clima de garage rock. “Baby, I’m Just A Fool” é o épico do álbum com seus mais de sete minutos de duração (o solo de órgão, no meio da canção, é de chorar). Seguem-se a baladaça “Don’t Hold Me Close”, a espacial “The Waves Crash In” (com seu arranjo encantador), a estranha “Borrowed Your Gun” (suave como um sonho… ou um pesadelo: “Papai, me desculpe / Peguei emprestado sua arma de novo / E atirei em mamãe / A bela mamãe”) e, pra fechar, “Goodnight Goodnight”, balada acústica de ninar apaixonados, loucos ou doentes.

Jason Pierce acredita na salvação através da música. Seja pelo mal do amor, seja por pneumonia dupla, ele limpa as lágrimas do rosto com melodias encantadoras, e faz sonhar inspirado em Phil Spector e Brian Wilson, gospel e rock. “Songs In A&E” não avança no território aberto por “Ladies And Gentlemen We Are Floating In Space” (1997) e ampliado em “Let It Come Down” (2001), mas é um excelente contraponto a fúria de boa parte de “Amazing Grace” (2003). Sobretudo, cumpre uma função já proposta anos e anos atrás pela própria banda: é perfeito no tratamento do coração e da alma. O próprio paciente J. Spaceman que o diga.

“Songs In A&E”, Spiritualized (Universal)
Preço em média: $50 (importado)
Nota: 9
Lançamento: 26/05/08

Três músicas novas

May 12th, 2008

- “Mutantes Depois”, Os Mutantes (baixe)
Não é para levar à sério, né

- “Rat Is Dead (Rage)”, Cansei de Ser Sexy (baixe)
Pixies puro. Tirando o descaramento, soa bacana.

- “Violet Hill”, Coldplay (baixe)
E o Coldplay troca de banda preferida de Liverpool: saem os Bunnymens, entram os Beatles. Não quero jogar úruca, mas por essa canção, “Viva la Vida or Death and All His Friends” pode vir a ser o primeiro grande disco da turma de Chris Martin. Tô até com medo.

Atualizando histórias

May 12th, 2008

Na quinta-feira, enquanto o Intensom com Hurtmold e Mamelo Sound System esgotava os ingressos da choperia, me abasteci de dois chopps escuros para assistir ao Wado no teatro do Sesc Pompéia. Uma seleta platéia acompanhou o músico num passeio por seus quatro álbuns, privilegiando o repertório do recém lançado “Terceiro Mundo Festivo” (baixe aqui).

Centrado em programações, teclados, baixo e bateria (com uma guitarra, tocada pelo próprio Wado, eventual), o show destacou canções mais antigas como “Alagou As”, “Uma Raíz, Uma Flor”, “Ontem Eu Sambei” (do “Manifesto da Arte Periférica”) e “Sotaque” (”Cinema Auditivo”). “Tarja Preta” surgiu em uma versão sinuosa, contagiante.

De “A Farsa do Samba Nublado” marcaram presença “Tormenta”, “Grande Poder”, “Alguma Coisa Mais Pra Frente”, “Se Vacilar o Jacaré Abraça” e “Carteiro de Favela” (faltaram – sempre faltam – “Amor e Restos Humanos” e “Deserto de Sal”). Das canções novas, destaque para a pungente “Melhor”, a poderosa “Fita Bruta” e o sambinha “Fortalece Ai”. De extra, um excelente funk proibidão sobre o 11 de setembro. Classe. (mais fotos aqui)

*************

Na sexta, aniversário de Lili no Veloso. Tomei um banho de caipirinha de frutas vermelhas (acho que a camiseta do Ash não irá sobreviver), mas a turma toda se deliciou com as melhores caipirinhas e coxinhas da cidade (ainda volto para experimentar com calma o bife de tira).

Na volta pra casa pegamos um taxi com Luiz, o equivalente nacional de Jerry Fletcher, o motorista interpretado por Mel Gibson no filme “Teoria da Conspiração”. Se eu tivesse guardado ao menos umas duas ou três previsões que ele nos falou no carro, teria escrito um “cenas da vida em São Paulo”. Coisas assim: O mundo vai acabar em 2022. Na verdade, os Estados Unidos vão acabar, e o Brasil será a maior potência da Terra. Sério.

*************

Eu planejava ver uns filmes no cinema no fim de semana, mas não rolou. No sábado, só Lost. No domingo, uma amiga ligou convidando para um almoço no Consulado Mineiro, na praça Benedito Calixto. Depois de uma bela refeição (bisteca, torresmo, feijão tropeiro, tutu, couve, farofa de banana – estou ficando com fome de novo) e algumas doses da excelente cachaça Germana, não teve como resistir a voltar para casa e desmaiar na cama. Vontade de ficar a semana inteira debaixo do edredom, mas a gente tem que trabalhar, né mesmo. :/

A primeira nota 1…

May 8th, 2008

…a gente nunca esquece:

Para “Anywhere I Lay My Head”, estréia como cantora da atriz Scarlett Johansson. Aqui.

Eita disquinho safado!

“Três Vezes Amor”

May 8th, 2008

“Três Vezes Amor”, de Adrian Brooks – Cotação: 3/5

Will está passando por um processo de divórcio. Em meio a papelada que marca o fim jurídico do relacionamento, Will tem que lidar com a insatisfação de um emprego que não o faz feliz e com os questionamentos de sua filha sobre sexo, pênis invadindo vaginas (isso mesmo) e o milagre muitas vezes não esperado da procriação. Maya, a filha, passa dois dias da semana com ele, e está decidida a saber o que motivou sua vinda ao mundo. Deste argumento batido nasce uma das melhores comédias românticas em muito, muito tempo.

Maya (a “Pequena Miss Sunshine” Abigail Breslin em excelente atuação) não poupa Will (Ryan Reynolds bastante convincente) e quer dele a verdade sobre a natureza de seu nascimento. Will, por sua vez, propõe uma brincadeira para a filha: ele irá contar detalhadamente suas principais desventuras amorosas trocando os nomes das protagonistas para que a filha descubra quem é sua verdadeira mãe em meio aos romances que abalaram (e ainda abalam) seu coração.

Voltamos para 1992 e entram em cena Emily (namorada da faculdade que ficou no interior quando Will foi batalhar a vida na Big Apple), April (amiga que trabalha no mesmo lugar que Will, o escritório em Nova York da campanha do então candidato presidencial democrata, Bill Clinton) e Summer (amiga de Emily que mora em Nova York e namora seu orientador de tese – Kevin Kline em uma ponta inspiradíssima). Estas três mulheres (os três amores do clichezado título nacional) valem o filme. Ok, três mulheres e meia.

Emily (Elizabeth Banks) não consegue acompanhar os sonhos do namorado, e por insegurança acaba por cometer um clichê romântico. April é apenas a menina da copiadora, que está ali porque pagam bem, não por Bill Clinton (o que já rende ótimas gags). Além, é sempre a mulher certa na hora errada. Já Summer (um looooooongo suspiro para Rachel Weisz) é o tipo de mulher deslumbrante que Will nunca imaginaria namorar, quiçá casar. Nosso herói irá passar poucas e boas nas mãos destes três deliciosos arquétipos do sexo feminino.

Um dos grandes trunfos de “Três Vezes Amor” é a esperteza do roteiro. Escrito e dirigido por Adrian Brooks (que assinou o segundo Bridget Jones), “Três Vezes Amor” constrói pequenos núcleos narrativos que se intercalam a perfeição durante os 105 minutos do filme. Will conta a história para Maya, que vai anotando tudo. A grande sacada do roteiro é não glamurizar os personagens. São pessoas comuns vivendo histórias de amor comuns. O pano de fundo (da eleição presidencial de Clinton até o caso Monica Lewinsky) serve como uma deliciosa metáfora para a história, que ganha profundidade sem perder a simplicidade.

A trilha sonora também é bem cuidada. O título original lhe diz alguma coisa: “Definitely, Maybe”? Não há nenhuma música do Oasis na trilha, mas o primeiro nome de pessoa que surge na tela é o da professora Gallagher. Não pode ser à toa. Como voltamos para 1992, R.E.M. e Nirvana entram de trilha sonora (”Quem é Kurt Cobain?”, pergunta o politizado Will em certo momento para uma amiga), mas há também espaço para Otis Redding, Massive Attack e Sly and The Family Stone.

Entre idas e vindas, “Três Vezes Amor” convence com seu charme sonhador, seu roteiro pontual e sua dose de açúcar no ponto certo. Críticos sérios e aficionados por cinema costumam desdenhar comédias românticas sem se atentar que mesmo os grandes diretores (Billy Wilder à frente) já se renderam – e criaram pequenos clássicos – ao estilo. Porém, duas décadas de Meg Ryan serviram para traumatizar grande parcela do público (se fossem só “Harry & Sally” – a comédia romântica definitiva – e “Sintonia de Amor”). Dica: deixe o preconceito de lado e encare de frente está “arid comedy” estilizada, um dos melhores filmes do gênero desde o divertidíssimo “O Casamento do Meu Melhor Amigo”. E aprenda: o amor não é uma questão de quem, mas sim de quando.