Da melancolia
Um filme e cinco Bohemias. Faz nove anos que moro em São Paulo, e só hoje experimentei a sensação de assistir a um filme de dentro do café da sala do Cinesesc. Explico para quem não é de São Paulo: a sala do Cinesesc, na Augusta, é um relíquia dos quase extintos cinemas de rua. O Sesc comprou a sala, que abrigava o Cinema 1, em 1979, e se preocupou em manter seu principal destaque: um café dentro da sala. Isso mesmo. Separado da sala por um vidro, e com som ambiente do filme, o café permite ao espectador assistir ao filme dali de dentro enquanto saboreia um delicioso bolo de banana com nozes, uma quichê de alho-poró, ou bebe-se. Não dispensei a quichê nem o bolo, mas me abasteci de cinco latas de Bohemia durante a exibição de “Em Paris”.
Bem, não vou falar muito sobre o filme, já que ele merece um texto só dele, mas é incrível como os filmes franceses têm me chacoalhado nos últimos anos. O último filme que me fez encher garrafas de 500ml com lágrimas foi “Bonecas Russas”. “Em Paris” não exibe tantas semelhanças com “Bonecas Russas” além de trazer o mesmo ator no papel principal (o bom Romain Duris), não me fez chorar como “Bonecas Russas”, mas deu uma boa chacoalhada no coração e na alma. Sai da sala meio bêbado, parei no carrinho de pipoca na rua, caminhei na garoa e comecei a lembrar de coisas dispersas, tipo o que cada bar da Augusta me lembra (reunião de pauta com amigos em um, termino de namoro em outro, açai com vodka em outro, e bons amigos que deixaram de ser amigos em outro) e cheguei em casa emocionado.
Mais do que me preocupar com a pergunta inicial de um dos personagens (”será que alguém pularia de uma ponte por amor?”), talvez pela resposta ser óbvia demais para mim, o que mais gostei em “Em Paris” foi sua leveza e sua maneira simples e direta de lidar com a tristeza e melancolia. Nada melhor do que encontrar uma boa tradução para estes meus dias melancólicos e… eu tinha mais coisa para escrever quando abri esse post, mas perdi em algum lugar que não consigo encontrar. Se eu achar, continuo. Se não, não se preocupe. A melancolia passa, um dia qualquer, mas passa. (risos - que post mais sem pé nem cabeça).
Ps. Já que esse post está uma bagunça, custa nada bagunçar mais: escrevi de Elvis Costello e Whiskeytown na Revolution. Leia aqui.
Abril 11th, 2008 at 9:25 am
Belo post melancólico, Mac!
Eu adorei Bonecas Russas também, e gostei bastante do 2 dias em Paris, e aliás, estes dias reli uma resenha tua sobre a Trilogia das Cores, e agora estou ainda mais afim de ver por conta da Julie Delpy, mas Em Paris acho que ainda vai levar um tempo porque acho que não chega aqui tão cedo.
Do Cinesesc eu me lembro das poltronas de couro, mas não do café. Acho que preciso fazer uma visita logo.
Eu fui lá prá ver Elogio ao Amor.
Grande abraço.
Abril 15th, 2008 at 11:04 pm
Fábio, a Trilogia das Cores fará você se apaixonar pela Irene Jacob!!!!!!
E eu perdi essa sessão do Elogio ao Amor, eu ia, mas acabei perdendo.