Posts from — Abril 2008
Para baixar já
Abril 30, 2008 No Comments
De Friends para Lost
Estou com uma preguiça danada do mundo. Cansado. Tinha reservado a noite de hoje para escrever sobre o disco da semana para a Revoluttion, mas quem diz que estou com vontade. Nenhuma. Terminei de ver o “The Apartment”, mais um clássico de Billy Wider, estou cogitando se pego outro filme na estante, e pensando se o fato de ter terminado as 10 temporadas de Friends na sexta passada e começado a de Lost ontem transformou a minha vida de uma comédia em uma tragédia. Cada coisa. Sexta vou para Porto Alegre, casamento de um grande amigo em São Leopoldo (acho que vai nevar). Ainda estou rascunhando a viagem para a Europa, e ela está batendo na porta, falta quase que apenas dois meses. Está chovendo e seria pedir demais que amanhã já fosse quinta-feira feriado? :/
Em tempo: coloquei mais algumas fotos da Virada Cultural no meu flickr: http://www.flickr.com/photos/maccosta/
Abril 29, 2008 6 Comments
Virada Cultural 2008
Vinte e quatro horas de Virada Cultural não é uma parada fácil. São muitos shows, é muita gente, e por mais que os palcos sejam próximos uns dos outros, na segunda vez que o fulano vai do Pátio do Colégio (local dos independentes) para a Avenida São João (palco principal), o corpo já começa a dar sinais de cansaço. Multiplica isso por sei lá quantas vezes e você terá uma pálida idéia de como meus joelhos estão neste momento. No entanto, o esforço vale a pena. Só exige um mínimo de planejamento.
Existe um primeiro grupo de pessoas, dividido em duas facções, que elege seus preferidos. A facção 1 procura acompanhar aqueles artistas difíceis de ver, bandas que estão se reunindo para uma apresentação, ou cantores que são resgatados do limbo. A facção 2 vai atrás de seus artistas mais queridos, mesmo que já tenha visto mais de dez shows dele. E existe, ainda, um segundo grupo que quer ver absolutamente tudo, mesmo sendo uma pessoa só (e é aqui que incluo). Haja pique.
Descansar antes também é um item indispensável. Um grupo de fãs do Som Nosso de Cada Dia, banda progressiva dos anos 70, viajou do Sul para São Paulo para acompanhar a reunião do grupo tocando seu álbum mais clássico, “Snegs”, de 1973. A viagem cansativa unida ao adiantado da hora (três da manhã) derrubou metade dos fãs, que assistiu ao show em sonhos enquanto dormia nas poltronas (não tão confortáveis) do Theatro Municipal de São Paulo.
Eu mesmo tive que encarar um plantão no sábado. Acordei às oito horas, fui pra redação e sai de lá quase 15h30 decidido a tentar dormir só depois de (re)ver Os Mutantes, às três da manhã, na Avenida São João. Você acha que eu agüentei? Bem, conto isso e mais algumas outras coisas abaixo, em um relato descompromissado ilustrado por algumas imagens que registrei do evento. Vamos lá, acompanhando o balanço das horas pelo relógio do celular.
16h – Encontrei alguns amigos e fomos almoçar no Ponto Chic, em frente da Galeria do Rock. Na porta do Theatro Municipal, mais de 300 pessoas já aguardavam na fila para ver o show de Luiz Melodia, que iria começar apenas às 18h. Passado alguns chops escuros, uma porção de fritas e um sanduíche de filé mignon, o comboio partiu para a porta dos fundos do Theatro Municipal, local de acesso da imprensa ao teatro, que já tinha boa parte de seus 1580 lugares tomado.
18h – Luiz Melodia começou o show pontualmente com “Estácio, Eu e Você”, faixa que abre seu clássico álbum de estréia, “Pérola Negra”, de 1973, que seria apresentado na integra neste show. A apresentação foi notadamente dividida em duas, com o cantor se destacando nas canções que se tornaram hits nacionais enquanto o guitarrista Renato Piau chamava a responsabilidade pra si nos rocks que nem mesmo Luiz Melodia lembrava e colava lendo as letras (como em “Pra Aquietar”, “Objeto H” e “Farrapo Humano”).
“Vale Quanto Pesa”, “Estácio, Holly Estácio”, “Pérola Negra” (com uma pausa no meio para a citação a capela de “A Coitadinha Fracassou”) e principalmente “Magrelinha” foram cantadas em coro por um público que, em sua maioria, sabia todas as canções do álbum de cor, mas soltava a voz mesmo nos hits a ponto de emocionar o cantor. A banda, afiada, cumpriu com louvor a tarefa de transpor para o palco o repertório de um dos grandes álbuns da MPB em uma apresentação impecável. No bis, três faixas mais novas: os sambas “Contrastes” e “Dama Ideal” e, para fechar, “Cuidando de Você”.
20h – A idéia era sair do Luiz Melodia e correr para tentar pegar um pedacinho do show do Mundo Livre S/A, mas só mesmo em sonho. Quando cheguei ao Pátio do Colégio, os cariocas do Luísa Mandou um Beijo estavam encaminhando sua apresentação para o final, e deu tempo de ouvir as boas “Amarelinha” e “Anselmo”. O Vanguart entrou logo em seguida para uma ótima apresentação, enxuta, sem rodeios, falação e improvisos. “Semáforo” já não está sozinha na boca do público, que também entoou “Para Abrir os Olhos” e “Cachaça”.
22h – Antes de chegar até a Casa das Rosas, local que iria abrigar Tom Zé a partir das 23h, fiz a bobagem de entrar na loja e locadora de filmes 2001, na Paulista. Sai de lá quarenta minutos depois com R$ 50 a menos na carteira, e “Singles – Vida de Solteiro” (Cameron Crowe), a edição especial dupla de “O Iluminado” (Stanley Kubrick) e “Se Meu Apartamento Falasse”, clássico de Billy Wider que acabou de ganhar lançamento em DVD e faz anos que desejo ver. Minha alegria foi tanta ao encontrar o filme que cogitei cabular o show d’Os Mutantes para assistir ao DVD. Antes, porém, Tom Zé.
23h – A Casa das Rosas, um dos pontos mais charmosos da Avenida Paulista estava atolada de gente quando cheguei. O som não estava bom e a iluminação do pequeno palco montado nos fundos da casa também não era das melhores, mas nada consegue atrapalhar Tom Zé de fazer uma apresentação no mínimo divertida. Imagina: ele começou com “2001″, aquela d’Os Mutantes (letra dele, música da Rita). É difícil traduzir a excelência de um show de Tom Zé, mas é uma experiência pra lá de gratificante vê-lo ao vivo.
No repertório, canções mais novas como “Atchim”, do álbum “Dance eh Sá”, a sensacional “O Pib do Pib” (que versa sobre a globarbarização sob o ponto da vista da “prostituição infantil barata”), “Politicar” e a já clássica “Companheiro Bush”, mas não faltaram canções mais antigas como “Fliperama” (pedida pelo público), “Senhor Cidadão” e a maravilhosa “Augusta, Angélica e Consolação” (além, claro, da hilária “Jingle do Disco”, do álbum “The Hips of Tradition”). Para fechar, “Jimi Renda-Se” na versão do álbum “Jogos de Armar”.
01h – Cheguei em casa decidido a não sair mais. Enquanto baixava as fotos, um amigo ligou me chamando para ver Joana Duah (ex-Mascavo Roots), no Palco das Meninas, ao lado do Edifício Copan. Olhei para os meus pés. Tenho uma teoria de que se eu desamarrar os sapatos após entrar em casa, não saio mais. Tem aquela coisa de você dar uma passadinha em casa antes de uma balada, e acabar trocando a balada pela cama. Só faço isso quando desamarro os sapatos. E eu ainda não os havia desamarrado…
Coloquei a mochila nas costas e sai novamente, para voltar uma hora e meia depois e despencar na cama de sono. Como foi o show? Joana está prestes a debutar solo com um disco que mistura samba, África, Bahia e música folclórica. Quando o disco sair a gente conversa. Eu estava por demais de cansado para pensar criticamente, mas o público parece ter aprovado. Enquanto voltava pra casa, o amigo se encaminhava para o Theatro Municipal, show do Som Nosso de Cada Dia, e queria ainda ver Pepeu tocar a integra do álbum “Geração do Som”, de 1978. Se eu tivesse ido, fácil que iria integrar o time dos dorminhocos. Preferi a minha cama.
09h – Acordei para assistir a Fórmula 1, mas só vi mesmo a largada, e acabei apagando no colchão que coloquei na sala. Acordei novamente às 10h30 com outro amigo ligando, perguntando qual seria o meu roteiro para o dia. Animei-me, coloquei uma bermuda, joguei a mochila nas costas, passei na feira e comprei um pastel de carne (você acredita que a Vigilância Sanitária proibiu o vinagrete nos carrinhos de pastel? Como assim???) com um caldo de cana, e cheguei a tempo de assistir algumas músicas do Overcoming Trio (Mallu Magalhães, Hélio Flanders e Zé Mazzei).
Como projeto paralelo dos três músicos (Mallu é solista, Hélio toca no Vanguart e Zé no Forgotten Boys), o Overcoming Trio é um divertido passatempo descompromissado. Não dá para levar a sério. Há a paixão pelo folk (que segundo Hélio, “infelizmente está na moda”), mas é preciso um pouco mais. Talvez maturidade, ensaios ou mesmo punch de palco. Mallu é uma gracinha e impressiona. Os mais de vinte jovens a esperando a beira do palco também. Algo está acontecendo, mas este não é o momento e nem o lugar para sair detonando o hype e/ou provocando os invejosos.
12h – Um sol a pino castigava a selva de asfalto elevando aos ares a urina deixada por transeuntes que não esperaram pela liberação de um banheiro químico, e foram largando a cerveja digerida pelas ruas do centro da cidade. É preciso ter banheiros químicos em cada esquina do centro, pois senão fica impossível caminhar por ali após uma noitada de Virada Cultural. O forte sol fez com poucos se arriscassem a assistir os cariocas do DoAmor no Pátio do Colégio, às 12h30. Parece faltar um vocalista ao grupo, mas mesmo assim eles deixaram no ar a idéia de que o som da banda deve funcionar – e muito bem – em uma casa noturna. Ao sol do meio dia, porém, pouca coisa funcionaria além de uma cerveja gelada (ambulantes vendiam Nova Skin por R$ 3 enquanto nos bares era possível encontrar Skol e Brahma por R$ 2,50).
14h – Na Rua Barão de Itapetininga, punks se revezavam em uma homenagem ao Clash: Mingau (365/Ultraje), Clemente (Inocentes), Redson (Cólera) e Ari (365) fizeram um bê-á-bá de hits clashianos com ótimas versões para “Guns of Brixton”, “Complete Control”, “Train In Vain”, “Tommy Gun” e “Rock The Casbah”, entre outras. Luiz Thunderbird engrossou a jam session tocando Chuck Berry e Joelho de Porco, e a “bagunça” terminou com Wander Wildner subindo ao palco para cantar Sex Pistols (”Lonely Boy” e “I Wanna Be Me”), Ramones (”I Believe In Miracles”) e… Replicantes (”Surfista Calhorda”). Os Inocentes fecharam a tampa com “Pânico em SP” e “Pátria Amada”.
15h – Após devorar um dos melhores (pra mim e para o Guia da Folha, o melhor) sanduíches de mortadela da cidade (com queijo, vinagrete e bacon na Casa da Mortadela, esquina da Ipiranga com a São João), acompanhado de um copo de mate com guaraná (do Rei do Mate quase em frente), me reanimei para sambar ao som do maior cabide de empregos da música brasileira, a Orquestra Imperial, que fez a sua tradicional festa baile recheada de hits (”Ereção”, “Supermercado do Amor”, “Artista é o Caralho”, “Fita Amarela”, “Yarusha Djaruba” e “Ela Rebola”, entre tantos outros). O baixista Kassin, que estava no Japão, foi substituído por nada mais nada menos que Dadi, que ficou ali do lado de Jacobina comandando a baderna em forma de samba. Showzão.
16h – No Palco Independente, os gaúchos da Superguidis se apresentavam pela terceira vez em São Paulo, contrastando a excelência da primeira e antológica apresentação no Studio SP, dois anos atrás, com os desacertos das duas apresentações seguintes (esta inclusa). O show do Studio SP – perfeitamente equalizado – mostrou o quão a banda pode ser boa ao vivo, mas no palco do Pátio do Colégio, as guitarras ora falhavam, ora a voz sumia, ora a alça da guitarra de Andrio caia, prejudicando o excelente repertório mesclado dos dois álbuns do quarteto (mais uma inédita). Mesmo assim, canções poderosas como “Spiral Arco-Iris”, “Malevolosidade”, “Raio Que O Parta”, “Por Entre As Mãos” e “Mais Um Dia de Cão” sobrevivem aos problemas.
18h – Antes de chegar ao Palco Rock, para o show do Ultraje a Rigor, que fecharia a Virada Cultural, uma passada pelo Palco das Meninas para rever Fernanda Takai homenagear Nara Leão. Se soubesse que o Ultraje fosse atrasar tanto, teria visto toda a apresentação da Fernandinha, mas vi apenas cinco músicas e parti para arranjar um lugar para descansar os joelhos na área de imprensa frente ao Palco Rock. Com um atraso de aproximadamente vinte minutos, Roger Rocha Moreira assumiu a guitarra para – o que era esperado – tocar a integra do disco “Nós Vamos Invadir Sua Praia”, mas não foi bem isso que aconteceu.
Roger perdeu a oportunidade de tocar seu álbum mais clássico faixa a faixa (como normalmente ocorre nestes shows homenagem) optando por uma apresentação tradicional do Ultraje e Rigor, dessas que se vê em qualquer esquina, incluindo no repertório covers de Ramones e Black Sabbath (Roger, “Paranoid” não é do Ozzy, ok) em meio ao seu caminhão de hits. Sem o apelo da homenagem ao disco (a participaçao de Lobão tocando bateria na faixa título não conta), o Ultraje fechou a Virada Cultural fazendo mais do mesmo (se fosse playback com o áudio de um outro show qualquer, poucos perceberiam).
O pior, porém, ficou para o final: na volta do bis, Roger e Sérginho Serra fizeram uma longa jam session como introdução para “Marylou”, cansando um público já muito cansado (sem se atentar que a banda estava fechando um evento de vinte e quatro horas). Quando deixei o local, decepcionado, eles ainda não haviam tocado “Eu Me Amo”, “Se Você Sabia” e “Jesse Go” (as duas últimas nem devem ter entrado no show), jogando um balde de água fria sobre uma idéia que parecia genial. Uma pena. Era só Roger e o gol vazio, e ele conseguiu chutar na trave.
Apesar da decepção do Ultraje a Rigor, o saldo final da Virada Cultural foi extremamente positivo. Amigos falaram entusiasmadamente do show de Sá, Rodrix e Guarabyra no Theatro Municipal. O próprio Luiz Melodia fez uma apresentação de marejar os olhos. A imagem que fica, porém, são as quase duas mil pessoas aplaudindo de pé o músico, as outras centenas cantando as canções do Vanguart, as duas dezenas de jovens esperando por Mallu Magalhães, e o mar de gente que tomou a Avenida São João durante os shows de Gal Costa, Zé Ramalho, Os Mutantes, Orquestra Imperial e Jorge Ben Jor. Agora é esperar pela 5ª Virada Cultural, em 2009. E descansar os joelhos. Vou ali pegar uma bolsa de gelo e já volto.
Todas as fotos por Marcelo Costa
Abril 25, 2008 20 Comments
As 100 mais sexies

Angelina Jolie em décimo segundo lugar? Estão de brincadeira, né.
(lista completa aqui)
Abril 25, 2008 8 Comments
Do humor
O humor é algo bem interessante. Constantemente me pego fazendo coisas que não faria em determinadas situações, tipo, comprar coisas que em uma situação normal não compraria, ou gostar disso ou daquilo, e depois perceber que aquele filme, CD ou coisa que o valha não era aquela coca-cola toda. Acontece. Tem dias que fico lendo meus próprios textos e demoro a achar um que preste. Em outros dias, porém, até dos meus poemas eu gosto. Vá entender.
Pensei nisso tudo, pois hoje na hora do almoço passei nas Lojas Americanas do Shopping Iguatemi e, diante das promos de DVDs, comprei um filme que eu nunca compraria em uma situação normal. Peguei primeiramente o “Despedida em Las Vegas”, do Mike Figgs, que baixou de R$ 19,90 pra R$ 12,90, e eu vou querer rever esse filme uma outra vez com certeza (o filme definitivo sobre o vício em alcoolismo, já que o clássico “Farrapo Humano” derrapa nos últimos cinco minutos).
Peguei também “O Ilusionista”, com Edwart Norton, que perdi no cinema e queria ter muito visto. Na época, entre ele e “O Grande Truque”, do Christopher Nolan, fiquei com o segundo (e não me arrependi – filmão!). Como o DVD estava custando R$ 9,90, não pensei duas vezes. Por último, antes de devolver o DVD de “Os Outros” (uma ótima cópia de segunda categoria de “O Sexto Sentido”) peguei… “O Código Da Vinci”, edição dupla, caprichada, com 25 minutos a mais de filme.
Dois anos atrás escrevi o seguinte: “Não deixe se enganar pelos números de bilheteria do filme e nem pela vendagem astronômica do livro. O Código Da Vinci é um simulacro de literatura e de cinema (texto na integra)”. Catzo, o que me fez pegar o DVD então? Ok, ele estava baratinho (R$12,90), tem os extras e fiquei realmente com vontade de conferir se a versão estendida consegue tapar os buracos deixados no cinema, mas… bem, eu estava bem humorado. Só pode ser isso. Não sei como não peguei o clássico “Curtindo a Vida Adoidado” e “Quem Vai Ficar com Mary?” também…
Se um dia você me ver comprando “Olga”, por favor, evite.
Ps: Apareceram nas Lojas Americanas os três filmes da Trilogia das Cores, do Kieslowiski. Não é a mesma edição bacana do box da Versátil (que você até encontra separado por ai, nunca abaixo dos R$ 25), com extras, entrevistas e outras coisas legais, e sim uma edição mais simples, que vale os R$ 12,90 cada filme (pela excelência da trilogia), mas a edição especial é tãooooooo melhor.

Lili me deu de presente de natal no ano retrasado :o)
Abril 24, 2008 12 Comments
Dicas européias
Alguém tem dicas de albergues legais em Bruxelas, Berlim, Madri e Paris? Lugares que você já ficou e recomenda para um mochileiro de primeira viagem no velho mundo?
Os albergues de Londres e Glasgow já estão definidos, mas preciso agilizar a estadia em Benicassim. Na verdade, preciso definir os detalhes da viagem. Ainda está meio complicado… mas estou aceitando dicas. (hehe)
Julho
01 Bruxelas (Bélgica)
02 Bruxelas, Leuven (Bélgica) *
03, 04, 05, 06, Leuven / Rock Werchter (Bélgica)
07 Leuven, Bruxelas (Bélgica) e Berlim (Alemanha) *
08 Berlim / Radiohead (Alemanha) **
09 Berlim (Alemanha) e Glasgow (Escócia) *
10 Glasgow (Escócia)
11, 12 e 13 Glasgow / T In The Park (Escócia)
14 Glasgow (Escócia) / Madri (Espanha)
15 Madri (Espanha)
16 Madri (Espanha)
17 Madri / Bruce Springsteen (Espanha) ***
18 e 19 - Madri, Benicassim FIB 2008 (Espanha)
20 - Benicassim FIB 2008 (Espanha)
21 - Benicassim / Madri (Espanha)
22 - Madri / Lou Reed (Espanha) ****
23 - Madri (Espanha) / Paris (França) *****
24 - Paris (França) *****
25 - Paris (França) *****
26 - Paris (França), Londres (Inglaterra) *****
27 - Londres (Inglaterra) *****
28 - Londres (Inglaterra) *****
29 - Londres (Inglaterra) *****
30 - Londres (Inglaterra) *****
* Viajar de madrugada (de trem, se possível) para economizar na hospedagem
** Ingressos do Radiohead já estão esgotados, mas vou até a porta pois quero ficar ao menos dois dias em Berlim
*** Esse é o mais complicado show da viagem; ingressos esgotados, mas estou cogitando ir até a porta do estádio e tentar comprar de cambista em um preço camarada; porém, dependo de saber se neste mesmo dia, terá alguma grande atração em Benicassim. Ou seja, dia 17 é um dia bem complicado!
**** Ainda não começaram a vender os ingressos
***** Esse é um desejo pessoal, mas não posso garantir que vai ser assim por: 1) Ainda não tenho idéia de quanto vou gastar até o dia 22, e a chance de ter que encurtar a viagem é enorme 2) Preciso acertar essa segunda perna da viagem com os amigos que vão fazer a viagem comigo. 3) Quero pegar mais algum showzinho (barato, please) por estes dias.
Ps. Carteira de Alberguista e Passaporte em mãos. Agora falta treinar beeeem o péssimo inglês…
Abril 24, 2008 7 Comments
Algumas cervejas e uma caipirinha de cachaça
Existem uns estágios da bebedeira que são tão legais, né. A gente devia se manter constantemente bêbado. O mundo fica tãooooo melhor…
Abril 24, 2008 2 Comments
A terra tremeu…
e eu nem percebi.
Abril 23, 2008 7 Comments
Você é o que você come…

Uma semana inteira anotando tudo o que comi e bebi (com exceção das dezenas de copos d’água). É impressionante como me alimento de bobagens… mas eu não precisava anotar pra saber, né.
SEGUNDA 14/04
Padaria Boulevard - 10h - R$ 7,50
Uma média de café com leite, uma baguete de provolone com manteiga e requeijão na chapa e um Gatorade de Açai com Guaraná (ressaca, ressaca)
Hamburguinho Lanches - 12h - R$ 15,70
Um cheese bacon salada com uma coca-cola
Extra - 20h - R$ 0,50
Dois pães franceses
Em casa - 20h
Sopa de caldo verde, sanduíche de calabresa e H20 *
TERÇA 15/04
Starbucks - 9h - R$ 6,10
Café do dia e um pão de queijo
Restaurante A Grande Fatia - 13h - R$ 17,40
Picanha com arroz, fritas e feijão mais coca-cola
Festa de aniversário no iG - R$ 2,00
Coca-cola, balas e ruffles
Bella Paulista - 20h - 22,90
Omelete de presunto e queijo, salada de frutas com chantily e H2O
QUARTA 16/04
No iG - 9h
Balas da festa do dia anterior
Restaurante e Lanchonete Europa - 13h - R$ 16
Bife a parmegiana, arroz, salada, fritas e uma H2O
No iG - 16h
Balas da festa do dia anterior
Cinema Gemini - 19h - R$ 9
Pipoca, coca-cola e balinha de goma
Tollocos - 22h - R$ 8
Burrito de bacon, salada e carne
QUINTA 17/04
No iG - 9h
Uma maça, uma banana e uma danone *
Viena do Shopping Iguatemi - 12h - R$ 10
Pizza brotinho de Castelões com Coca-cola
Pastelaria da rua 24 de Maio - 20h - R$ 3,40
Pastel de carne com caldo de cana
SEXTA 18/04
Starbucks - 9h - R$ 6,10
Café do dia e um pão de queijo
Hamburguinho Lanches - 14h - R$ 15,70
Um cheese bacon salada com uma coca-cola
Casa - 19h
Dois Bis *
Casa / Delivery Bella Paulista - 21h - R$ 29
Pizza Calabreza / Verona
SÁBADO 19/04
Casa - 10h
Dois Bis *
Casa - 13h (do dia anterior)
Pizza Calabreza / Verona
Posto Petrosul - Via Dutra - 15h - R$ 9
Duas cervejas Skol 500 ML e uma Ruffles
Casa no Corisco - Paraty - à noite
Cerveja, cerveja e cerveja **
O Café - Parati - 21h - R$ 22
Lasanha de Palmito Pupunha com carne, arroz com gengibre, salada e coca-cola
Empório da Cachaça - Paraty - 22h - cortesia
Duas pingas
Sorveteria Premium - Paraty - 23h - R$ 9
Duas bolas de sorvete (Chiclete e Menta com Chocolate)
Bar O Porto da Pinga - Paraty - 00h - R$ 13
Várias cachaças (Benvinda, Mercedes, Dona Izabel, Coqueiro, Paratyana Azulada e Caramelada, Januária Centenária, Canarinha, Pirahy e outras), água e uma porção de fritas
DOMINGO 20/04
Casa no Corisco - Paraty - 11h
Pão de forma com manteiga, café com leite **
Casa no Corisco - Paraty - 14h
Macarronada com suco **
Casa no Corisco - Paraty - o dia todo
Cerveja, cerveja e cerveja **
Carrinho de lanches em Paraty - 20h - R$ 6
Cheese bacon salada e uma coca-cola
Bar O Porto da Pinga - Paraty - 00h - R$ 25
Várias cachaças (Abrideira, Clandestina, Benvinda, Cubana, Germana, Saliboa, Corisco, Pirahy, Prosa e Viola, Samba e Cana, Pirahy e outras), caipirinha de abacaxi e uma porção de fritas
* compra do mês no Supermercado
** comida e cerveja por três dias: R$ 17
*** foto: mexendo o molho de tomate com manjericão em Paraty
Abril 22, 2008 12 Comments
Era uma vez…
um feriado. :/
Uma vontade danada de deixar o mundo para trás e ficar vivendo numa casinha na beira de um rio, sem televisão, sem som, sem nada. E de noite ir pra Parati comer lasanha de palmito pupunha e experimentar doses e doses de pinga…
Abril 22, 2008 3 Comments
A última compra

Eu já tinha decidido que não ia mais passar na Nuvem Nove. Economia é palavra de ordem aqui em casa neste momento pré-viagem de férias. Mas então o Jonas pediu para que eu fosse com ele a loja (e não precisava pressionar tanto, vai), e eu acabei levando o Guto e a Marcela juntos. Tudo 50%. Lá se foram R$ 99 em onze CDs…
É bem provável que nunca na minha vida eu fosse comprar o “Metal Machine Music”, do Lou Reed. Não importa que fosse a edição remasterizada em comemoração aos 25 anos do álbum completados em 2000 (remasterizar microfonia de guitarra, sei). Não importa que David Fricke, da Rolling Stone, estivesse gastando adjetivos no encarte. Não importa nem que o texto original do próprio Lou estivesse transcrito. Nada disso importava.
Porém, você vai e olha o CD na prateleira. Ele olha para você. O preço da etiqueta diz que ele deveria custar R$ 40, o que quer dizer que, neste momento, ele está custando R$ 20. Está lacrado. É uma edição especial numerada (esta é a de número 5.132, o que faz imaginar que mais de 5 mil loucos no mundo têm esse disco em casa) “There is no other álbum in rock & roll like ‘Metal Machine Music’”, avisa a contra-capa. Era uma vez R$ 20…
Mas para dizer que sou forte (tsc tsc tsc), deixei um da Françoise Hardy, anos 60, que estava de R$ 60 por R$ 30, e a versão remaster do segundo álbum do Blondie, com cinco bônus tracks, de R$ 40 por R$ 20. Eu só devia ter pego os dois da Carmen Miranda, que estavam R$ 9 cada um. Minha última compra na Nuvem Nove acabou ficando assim:
R$ 20 - “Metal Machine Music – Limited Edition”, Lou Reed
R$ 11 - “Recuerdos de Asunción 443″, Jorge Ben Jor
R$ 11 - “Acústico MTV”, Paulinho da Viola
R$ 10 - “Bongo Fury”, Frank Zappa
R$ 10 - “Baby Snakes”, Frank Zappa
R$ 09 - “Gung Ho”, Patti Smith
R$ 07 – Songbook de Dorival Caymmi Volume 3
R$ 05 - “Eliana Pittman”, Eliana Pittman (série Odeon 100 Anos)
R$ 05 - “Doris Monteiro”, Doris Monteiro (série Odeon 100 Anos)
R$ 05 - “Dory Caymmi”, Dory Caymmi (série Odeon 100 Anos)
R$ 05 - “O Último dos Moicanos”, Moreira da Silva (série Odeon 100 Anos)
Ps. escrevi mais sobre a Nuvem Nove na Revoluttion. Leia aqui.
Abril 18, 2008 3 Comments
Idiot, fou, cretin, imbecile
Estou treinando o meu francês (tsc tsc tsc), já que o Marco Tomazzoni (do iG Música), que foi para Bruxelas uns meses atrás para ver Neil Young, avisou que na Bélgica só se fala holandês ou francês. “Inglês só em lugares bem turisticos”, garantiu.
Não sei se rio ou choro.
Abril 18, 2008 8 Comments
“Pero me pierdo si no estás”
“Odio el Amor”, Rubin
Odio el amor
La primavera y el sol
La luna y todo lo demás
Odio el calor
Y las canciones de Paul
Ir de la mano junto al mar
Pero si estás
No tengo tiempo de más
Para perder en soledad
No es tan difícil dejarme llevar
Pero me pierdo si no estás
Odio el ayer
Y lo que vino después
Que no me deja respirar
Odio a mis ex
Y a cada amor de mis ex
Ir a tu casa y esperar
Pero si estás
Todo parece cambiar
Y el viento deja de soplar.
No es tan difícil dejarme llevar
Pero me pierdo si no estás.
Ella pasó, vino y se fue
¿qué debo hacer
Para que quiera volver?
Pero si estás
No tengo tiempo de más
Para perder en soledad
No es tan difícil dejarme llevar
Pero me pierdo si no estás
(siempre) me pierdo si no estás
Abril 17, 2008 1 Comment
Raconteurs na Espanha
Então, a banda de Jack White e Brendan Benson confirmou presença em Benicassim. Estou me beliscando, mas é isso mesmo: vou ver o Raconteurs TRÊS vezes em julho.

Abril 17, 2008 No Comments
Maratona
Começo neste fim de semana uma maratona de eventos pré viagem para Europa que deve bagunçar completamente a minha cabeça. Sábado viajo para Parati, para passar o final de semana prolongado a base de lasanha de palmito pupunha e cachaça. No final de semana seguinte, não bastasse ter Virada Cultural em São Paulo, estou de plantão no iG. Ou seja, na hora em que eu deveria dormir, vou estar trabalhando. :/ No fim de semana seguinte, vôo para Porto Alegre com destino a São Leopoldo, casamento de um casal querido de amigos. O quarto fim de semana por enquanto está vago, mas o quinto já está ocupado com uma nova viagem para Porto Alegre, destino Ijuí, outro casamento de amigos queridos. Terminou? Não. Para o sexto fim de semana apareceu outro casório especial, desta vez de uma amiga querida da Lili, e lá vamos nós para… Brasília (achou que fosse Porto Alegre de novo, né).
Ou seja: dos próximos seis fins de semana, cinco estão ocupados. E eu ainda nem escrevi para a professora de inglês (acho que perdi o papel com o e-mail dela) e nem comecei a preparar as reservas da viagem de férias para a Europa. Medo. Três vezes.
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Tô querendo ver o DoAmor no Studio SP, nesta quinta, mas tô com uma preguiça…
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Na sexta passada listei seis filmes que eu gostaria de assistir no cinema nesta semana. Já foram três: “Um Beijo Roubado” (o texto fala por si só), “Senhores do Crime” (nem me deu vontade de escrever, apesar de ser um bom filme) e “A Culpa é do Fidel”. Este último deu uma balançada no meu coração apolítico. Chorei quando começaram a cantar a vitória do Salvador Allende…
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“Flávio Basso é o equivalente nacional de Amy Winehouse no que diz respeito à chapação”. Com essa frase abro a 500 Toques desta semana na Revoluttion: Júpiter Maçã, Aerocirco e Beto Só (leia aqui).
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Comprei a edição dupla em DVD do “Vidas Amargas”, uma coletânea dupla da Clara Nunes, e chegaram via correio a edição quádrupla do “Un Viaje”, do Café Tacuba (três CDs e um DVD) além da versão remaster do álbum de estréia do Violent Femmes, com uma penca de canções extras além de um CD bônus. Vi “Mais Estranho Que Ficção” em casa. Filmão, hein. Ah, já achou o álbum de estréia do “supergrupo” (ahn?) The Last Shadow Puppets? Só achei o EP e… será que vou me arrepender por escrever agora que achei o lance meia boca? Ok, só ouvi três vezes, mas pelo que li em alguns blogs amigos, parecia que estava surgindo a terceira guerra mundial. Tsc, não parece nem uma briga de torcedores do Juventus contra os da Portuguesa… mas prometo ouvir melhor. Antes, vou tomar banho… e dormir.
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Última coisa, prometo: o Part Of The Queue está disponibilizando a integra 25 minutos do show de PJ Harvey no Tim Festival (o que passou no Multishow). Lembra dele? Eu vi um trechinho no Fantástico, na época, pois tinha trocado os shows daqui pelos do Personal, em Buenos Aires (valeu pelo Morrissey, que só se apresentou lá, mas no caso da PJ sai perdendo: o show daqui foi melhor), mas já tô baixando o MPEG. Aqui.
Abril 16, 2008 2 Comments
Nuvem Nove e Pasolini
A Nuvem Nove, uma das lojas de CDs mais bacanas de São Paulo, fechará às portas no dia 26 de abril. A primeira vez que fui à loja foi em 2000. Recém mudado para São Paulo, e trabalhando no iG (na primeira das minhas três passagens pelo portal), fui convidado a conhecer o local por dois Fábios, Sooner e Bianchini, com mais alguns outros amigos. Tratava-se da Confraria da Sacola Azul, uma turma de jornalistas que baixava na loja todo dia 15 e 30 (vale e pagamento) para se abastecer dos bons itens que a loja oferecia. A Confraria não durou muito tempo, mas a loja permaneceu firme até o mês passado, quando o Zé, dono da loja, anunciou o fechamento.
Passei por lá hoje, e as prateleiras já estão bem vazias, mas há ainda como encontrar boas coisas por bons preços. Dentre os achados de hoje estão o “Peace and Noise” da Patti Smith, o “1999″ do Prince, “Lê Danger” da Françoise Hardy, o volume 2 do songbook do Ary Barroso, e o grande achado dos últimos meses: o box “A Trilogia da Vida”, de Píer Paolo Pasolini, com “Decameron” (1971), “Os Contos de Canterbury” (1973) e “As Mil e Uma Noites” (1974). Dos três, assisti apenas ao último em uma sessão no CCBB, anos atrás.
Fiquei tão apaixonado pelo cinema do cineasta italiano que comentei com um amigo, Márcio, cinéfilo de longa data, que relembrou como tinha sido assistir ao polêmico “Saló” em uma das primeiras edições da Mostra Internacional de São Paulo, em 1979. “Estava uma bagunça na sala, falação e piadinhas, coisa de quem não estava acostumado com um evento como a Mostra. Parecia uma sala de aula, e ficou assim até uns dez minutos de filme, quando começaram a sair pessoas da sala assustadas com Pasolini”. Sensacional.
Este reencontro com Pasolini e as lembranças de vários amigos nesse post servem para mostrar o quanto uma loja interessante quanto a Nuvem Nove pode fazer parte da vida afetiva de qualquer pessoa. Boas lojas de CDs, sebos, livrarias, cinemas e shows são lugares ótimos para se encontrar pessoas legais. Na Nuvem Nove (assim como na Sensorial e na Velvet CDs, estas duas na Galeria Presidente, no centro de São Paulo), porém, o interessante não era só comprar música, mas conversar sobre ela. Não à toa, vários encontros de participantes da comunidade da revista Bizz no Orkut foram marcados ali.
Com o fechamento das portas da Nuvem Nove, São Paulo não perde apenas mais uma loja de CDs, mas perde sim um ponto de encontro de pessoas apaixonadas por boa música, algo que pode soar tolamente romântico, mas é a mais pura verdade. Uma grande perda, sem dúvida.
Abril 15, 2008 4 Comments
Coisas que não combinam
Ressaca com ir ao trabalho numa segunda-feira nublada.
Abril 14, 2008 5 Comments
Uma frase
“Não existe guerra alguma, é só o capital cruzando o mar”
Fred 04
Abril 12, 2008 No Comments
Afundado em vinho

Abril 12, 2008 No Comments
“Um Beijo Roubado”

“Um Beijo Roubado”, de Wong Kar-Wai – Cotação 2,5/5
“My Blueberry Nights” (”Um Beijo Roubado”) narra à história de Elizabeth (Norah Jones emprestando fraqueza a um personagem que sobrevive disso), uma jovem que foi trocada por outra mulher na vida de um homem. Ela não aceita. Procura vasculhar os detalhes interrogando o dono de um café localizado na esquina da casa do ex-namorado. Jeremy (Jude Law em atuação discreta), o dono do café, como quase todas as pessoas que já passaram dos trinta anos, coleciona histórias de amor que não terminaram bem. Da última restou um molho de chaves e o desejo do esconderijo atrás de um balcão.
Elizabeth e Jeremy tornam-se grandes amigos. Inspirada pela decisão de cercear o ex, Elizabeth passa a freqüentar o café todos os dias, devorando tortas de blueberry e ouvindo as histórias do amigo. Afundada no desespero do fim de relacionamento, e pressentindo a aproximação romântica do amigo, Elizabeth deixa Nova York para trás e parte em busca de sanidade do coração entregando-se ao trabalho e ao cansaço em mundos que a desconhecem. Nessa epopéia romântica, é jogada no centro de histórias de perda, que colocam sua dor em segundo plano.
Lizzie parte, mas não deixa de manter contato com Jeremy. Através de postais (um hábito tão demodê em tempos de internet, e tão romântico), ela vai contando ao amigo de suas aventuras e desventuras na estrada. Ele, por sua vez, sai a caça dela ligando para todos os restaurantes de Memphis procurando por uma Elizabeth, pela sua Elizabeth, mas não a encontra. Mais de mil quilômetros os separam, e eles estão muito mais próximos – romanticamente – do que centenas de casais que dividem a mesma cama todas as noites em lugares tão díspares quanto São Paulo, Pequim ou Nova York.
“My Blueberry Nights” dura 90 minutos apenas, mas parece muito mais (interessantemente) extenso pela maneira que Wong Kar-Wai explora as histórias secundárias. Norah Jones e Jude Law não inspiram compaixão, mas se a história de amor de Arnie Copeland com Sue Lynne (David Strathairn e Rachel Weisz excelentes) não lhe deixar sem ar, é melhor consultar o doutor William Butler Yeats, pois a chance de seu coração ter perdido o ponto cardíaco romântico é grande. São nos fragmentos secundários que Kar-Wai exercita sua crença nos desencontros, e consegue alcançar (por mais rápidas que sejam as passagens) a beleza de “Amor à Flor da Pele” e “2046″.
A rigor, o diretor ainda conta suas histórias com delicadeza, calma e segurança, iluminando a tela com imagens que se sobrepõe umas as outras valorizando os tons verdes e vermelhos. A crença no desamor permanece, e as vidas semi destruídas dos personagens secundários, que precisam recomeçar do zero após terremotos emocionais, rendem bons momentos na tela (Natalie Portman, abandonada no fim do mundo, está sensacional com sotaque texano), mas não chegam a dar unidade ao filme, o que não chega a comprometer a película, mas a diminui em comparação direta com a obra anterior do cineasta.
Hollywood parece ter amolecido a crença do chinês Wong Kar-Wai nos desencontros românticos. Após duas obras dramáticas e sublimes de temática dolorida, Kar-Wai estréia na língua inglesa com um drama romântico que mantém em grande parte do tempo sua característica de bom contador de histórias trágicas de amor envolvidas em belas fotografias, mas cede as convenções do mercado norte-americano, ao premiar seu personagem principal com a oportunidade de recomeçar após ser jogado no reino dos corações partidos. Poderia ser entendido como uma segunda chance do cineasta aos românticos, se as entrelinhas não fossem notadamente cruéis. Mas você tinha dúvida disso, caro leitor?

Leia também:
“2046″, de Wong Kar-Wai, por Marcelo Costa
Abril 12, 2008 4 Comments


















