Jane Birkin, Mimi Maura e Columbia

March 19th, 2008

Como ando em fase de estagnação criativa, nada melhor que valorizar os amigos que sempre tem um texto pronto para o Scream & Yell. Publiquei, ontem, três novidades na capa do site:

- André Fiori conta como foi o lindo show de Jane Birkin em São Paulo (leia)

- Leo Vinhas falando sobre o curioso disco de Mima Maura (leia)

- Jorge Wagner dissecando o álbum de estréia do Columbia (leia)

:)

Kooks, Grenade e R.E.M.

March 18th, 2008

Me desculpe: não estou com a mínima vontade de escrever. Nada. Passei horas ouvindo o disco do Nick Cave ontem para tentar traçar umas linhas de pensamento para o disco da semana da Revoluttion, mas a melancolia e o desanimo foram mais fortes. Coisas de que nem o disco novo do R.E.M. conseguiu me salvar. Logo eu saio dessa, garanto.

Mesmo assim, decidi passar por aqui para dividir uns bons links com vocês. O Rodrigo Miranda foi quem me indicou o Kokoro Data MP3, um dos blogs mais bacanas que eu visitei no momento. Peguei lá o “Acellerate”, novo do R.E.M., e também o single de “Supernatural Superserious”, que vem com a inédita “Airliner”. No blog ainda surgiram os novos de Van Morrison e Apples is Stereo. Como o blog foi retirado do ar. pega o novo do R.E.M. aqui.

O novo do Kooks, “Konk”, apareceu no Jornal Berbequim. Gostei do primeiro deles, e estou esperançoso sobre esse segundo (aqui). O blog Wilco, Etc… colocou para download o “Trinity Revisited”, homenagem dos Cowboys Junkies ao seu disco mais famoso (e que nesta gravação ao vivo conta com Ryan Adams, Vic Chesnutt e Natalie Merchant) (aqui). Pra fechar, o Grenade está disponibilizando para download seu novo álbum, “Life As A Sinner” aqui. Divirta-se! ;)

A marca do Zorro

March 16th, 2008

Nada como um fim de semana para colocar as coisas em seu devido lugar. Teve orkontro da comunidade da Bizz e festa de aniversário da Capitu e da Carla no Copan. Assumi as pick-ups nesta última e como a festa  foi à fantasia, tirei a capa preta do armário e me vesti de Zorro. Lili foi de espanhola (na verdade, ela parecia a menina do azeite, mas estava linda demais). Não sei dizer quem estava mais estiloso na festa. As aniversariantes, uma de Cleópata e outra de Joaninha, estavam ótimas. Teve Emília, diabinhas, garis, tiozão do rock, Branca de Neve, várias mortes, Jason, serial killers, Nietzsche, Harry Potter, árabes, sambistas, romanos e até um Marcelo Costa…

O set list, essencialmente de samba, foi esse:

Mamãe Natureza, Caetano Veloso
Samba a Dois, Los Hermanos
Que Pena, Gal Costa
Mas Que Nada, Jorge Ben
Diz Que Fui Por Ai, Nara Leão
Eu Canto Samba, Paulinho da Viola
Vou Deitar e Rolar, Elis Regina
Samba do Grande Amor, Paulinho da Viola
Tiro ao Alvaro, Elis e Adoniran
Kid Cavaquinho, Maria Alcina
Orora Analfabeta, Jards Macalé
Pecado Capital, Paulinho da Viola
Não Vou Ficar, Roberto Carlos
Minha Menina, Os Mutantes
Chocolate, Tim Maia
16 Toneladas, Funk Como Le Gusta
Ereção, Orquestra Imperial
Quero Te Encontrar, Claudinho e Buchecha
O Que Que Nego Quer, De Leve
Dark and Lovely, Beck
Crazy, Gnars Barkley
Down By The Water, PJ Harvey
John, I’m Only Dancing, David Bowie
Rocks (Remix), Primal Scream

Mais uma paixão…

March 13th, 2008

Sou apaixonado desde sempre por Ingrid Bergman (já comentei que vejo “Casablanca” ao menos uma vez por ano desde os meus 15 anos?). Audrey Hepburn é algo mais recente, de uns dez anos pra cá, depois que assisti “Quando Paris Alucina”. A loirinha Jean Seberg, que invadiu meu coração na semana passada, é totalmente novata em meus romances cinéfilos. Essa garota da foto, no entanto, caminha sobre a minha alma já faz uns quinze anos. Fui matar saudade hoje. Ahhhh, as francesas…

Se o mundo soubesse…

March 13th, 2008

“Nunca me ensinaram a arte da solidão, tive de aprendê-la sozinho. Ela se tornou tão necessária para mim quanto Beatles, tanto quanto beijos na nuca e carinho”.

Intimidade, de Hanif Kureishi

Acho foda demais essa frase, essa comparação (o livro também é sensacional). A solidão é algo que me atrai em fases da minha vida, e principalmente nestes dias em que estou, como dizia uma amiga, “conchinha”. É dolorido ter que falar quando não se quer falar. Não é maldade. É, simplesmente, vontade de ficar… quieto.

Quanto mais tempo passamos nesta bolotinha azul, mais percebemos os movimentos ciclicos do mundo (e das pessoas que vivem nele). Muitas vezes, afundado num poço sem fim de melancolia, rio de mim mesmo por ainda não estar vacinado em relação as agruras do mundo moderno. Como diria Raul, “pena eu não ser burro, não sofreria tanto”. Vivendo e não aprendendo…

Por fim, acho tão estranho que a imagem principal que o mundo tem de mim seja a de um cara falante, expansivo, extremamente sociável. Se o mundo soubesse o quanto sou tímido…

“Tem dias…

March 12th, 2008

…que a vida parece coca-cola sem gás”

 Hoje foi (e está sendo) um dia assim.

Uma vontade danada de sumir…

Leonard Cohen ou Lou Reed?

March 11th, 2008

Novas datas da turnê européia de Leonard Cohen ousam bagunçar meu itinerário de viagem. Como você já leu por aqui, Radiohead em Berlim já era, mas Lou Reed em Madrid ainda está em aberto, já que os ingressos só começam a serem vendidos em abril.

No entanto, dia 16 de julho, três dias após o T In The Park, na Escócia (que embora eu tenha comprado os ingressos, eu vá tentar vender), tem Leonard Cohen fazendo show no Castelo de Edimburgo. Dá uma clicada na foto e imagina o que seria ver Cohen num lugar desses!!!!!

Na pré-agenda eu havia planejado ver Bruce Springsteen em San Sebastian no dia 15 (embora também não tenha comprado o ingresso ainda, e esse está á venda), mas juro que fiquei balançado. O que acalma é que Cohen faz show em Benicàssim, na Espanha, no dia 20. E esse festival está nos planos.

Agora, imagina como está a cabeça dos portugueses: Lou Reed e Leonard Cohen tocam em Lisboa no mesmo dia, 19 de julho. Em qual dos dois shows você iria?

“Mr. Love and Justice”, Billy Bragg

March 9th, 2008

Billy Bragg nasceu na época errada. Só pode ser. Com cinqüenta anos completados em dezembro último, o roqueiro britânico que ousa misturar Clash com Bob Dylan chega ao seu décimo segundo disco falando de coisas que estão fora de moda na nova ordem mundial. Em uma época em que o pop celebra muito mais os barracos de seus principais artistas (Britney e Amy na dianteira) do que a música propriamente dita, qual espaço para um cara que fala de amor, política e justiça?

“Mr. Love and Justice” sucede o brilhante “English, Half, English” (2002), e vem sendo saudado com tiros de canhão pela imprensa inglesa. “Antes do Arctic Monkeys escrever dolorosas canções de amor; antes de Mike Skinner destilar noites bêbadas em dramas de três minutos; antes do Radiohead descobrir a política; Billy Bragg já tinha feito tudo isso”, cravou a NME. “O Bob Dylan de Essex”, comparou a Q. “Uma das vozes de protesto mais importantes do pop britânico”, bradou a Uncut. “A British icon”, resumiu a Mojo.

Em um mundo cada vez mais dominado por grandes conglomerados, afundado em religiões fakes que prometem a vida eterna em troca de dinheiro, atolado de livros de auto-ajuda que prometem desvendar o grande segredo, e repleto de amizades virtuais (igual a solidão real), Billy Bragg aparece carregando sua guitarra, seu texto afiado e interrogando o Sr. Amor e Justiça. Em “Some Days I See The Point”, do álbum anterior, ele dizia que queria fazer do mundo um lugar melhor, mas que não conseguia fazer isso sozinho. Nem parece que se passaram só quatro anos. Quantas pessoas estão dispostas a fazer do mundo um lugar melhor? É possível contar nos dedos de uma das mãos.

No entanto, apesar do cenário catastrófico em que vive a sociedade atual, Billy Bragg abre “Mr. Love and Justice” bradando, no refrão: “Eu mantenho a fé em você”. Soa até inocente, eu sei, mas quem está cantando isso já passou dos 50 anos, é um ativista político que luta pelos direitos da classe trabalhadora inglesa e que defende a multiculturalidade britânica. E que, sobretudo, ainda acredita no amor e na justiça. “I Keep Faith” é singela, conta com a participação de Robert Wyatt e é uma daquelas canções que podem ser ouvidas por dias e dias a fio.

Com clima flamenco, “I Almost Killed You” surge movida por gaita e violões. “Você vê um arco-íris / Eu vejo uma nuvem escura / Você vê novos amigos / Eu vejo uma multidão má / Eu quase lhe matei com meu amor”, diz a letra. Na tocante “M For Me” ele propõe: “Seus problemas agora são nossos”. No rockão “The Beach is Free” ele explica: “Os campos pertencem aos fazendeiros / As florestas pertencem ao rei / Hoje em dia nossos prazeres estão cercados / Temos que pagar por tudo / Mas a praia está livre”. Na suave “You Make Me Brave” ele se recusa a se esconder no passado. Em “Something Happened” ele compara amor e luxuria.

Na faixa título, Billy Bragg interroga o senhor amor e justiça; em “If You Ever Leave”, fala de solidão e abandono; “O’Freedom” versa sobre democracia e liberdade, temas caros; em “The Johnny Carcinogenic Show”, praticamente adapta para o formato canção pop a temática do filme “Obrigado Por Fumar”: “Vi um garoto na televisão ontem / Ele estava vendendo uma tonelada de veneno / Uma mulher perguntou: Como você pode fazer isso? / Ele respondeu: o segredo é agarrar os jovens / Eu não posso ser responsabilizado pelo que as crianças aprendem / Sou responsável apenas em dar algum retorno aos meus investidores”. Lá pelo meio, ainda crava: “A pobreza é tóxica, todos sabem”.

Entre rocks, folks e ballads, “Mr. Love and Justice” soa muito mais um álbum de amor do que política. Seu clima (entre anos 40 e 50), no entanto, não alcança a sobriedade de “English, Half, English” nem a grandiosidade de álbuns clássicos do cantor, como “Talking With The Taxman About Poetry” (lançado em vinil no Brasil nos anos 80) ou os dois discos em parceria com o Wilco tendo por base canções inacabadas de Woody Guthrie. Mesmo assim, ele chega a tocar a alma em alguns momentos. É um disco que não tem relação nenhuma com a melancolia pueril dos emo punks, com a rebeldia sem causa do novo rock, com a diversão sem limites do electro. Talvez, por isso, soe fora do tempo. Billy Bragg nasceu na época errada. Ainda bem.

“Mr. Love and Justice”, Billy Bragg (Cooking Vinil)
Preço em média: R$ 50 (Importado)
Nota: 7,5

Veja também:
- “Must I Paint You A Picture?”, de Billy Bragg, por Marcelo Costa
- Assista a clipes de todas as canções de “Mr. Love and Justice” aqui

Ps. O álbum também foi lançado em uma edição dupla luxuosa, que traz no CD bônus as doze canções originais em versões caseiras, a maioria voz e guitarra.

Fernanda Takai ao vivo em São Paulo

March 9th, 2008

Estou sentado na primeira fila do charmoso teatro do Sesc Pinheiros. Ao meu lado, uma senhora que aparenta ter mais de 60 anos. Já passou da metade do show, e ela não abriu a boca para cantar nenhuma das canções, muitas delas hits do cancioneiro nacional. Ao final de “Insensatez”, porém, ela se vira para mim e lança a pergunta: “Todas essas músicas estão no CD?”. Respondo que sim, explicando que apenas as versões em inglês não entraram. “São muito boas”, diz ela encerrando o papo e voltando-se para o palco.

No palco, Fernanda Takai, a vocalista do Pato Fu (que fez questão de frisar que a banda é sua prioridade, é onde ela quer estar), apresenta as canções de seu excelente primeiro disco solo, “Onde Brilhem Os Olhos Seus”, que reúne um repertório de canções interpretadas por Nara Leão. É a noite de estréia, e Fernanda está radiante e falante, saltitando entre o nervosismo do debute de uma turnê e a felicidade da recepção do público, que esgotou os ingressos para as duas apresentações. “A gente nunca sabe como será a noite de estréia, mas eu fiquei muito feliz quando soube que os ingressos estavam sendo bem vendidos… e bem esgotados”, comentou em certo momento.

A banda que a acompanha traz os Pato Fus Lulu Camargo (teclados) e John Ulhoa (”violão, guitarra, marido, bom pai”), mais Thiago Braga (baixista do LAB) e Mariá Portugal (bateria e zabumba, integrante das bandas Trash Pour 4 e Dona Zica). Mariá, por sinal, é um dos grandes destaques da formação. Baterista de “mão pesada”, a garota ataca seu kit mostrando versatilidade, indo dos extremos da delicadeza até as marcações mais pesadas (e são essas últimas que dão o tom de grande parte da apresentação).

O repertório apresenta as treze canções do álbum, mais algumas surpresas, “já que o disco é curtinho, tem pouco mais de 30 minutos”, explica a cantora. A produção é magnífica. A iluminação é extremamente delicada e as luzes flutuam dando charme ao espetáculo. Projeções estampam fotos de Fernanda na decoração do fundo de palco. E se levarmos em conta que o projeto tomou fôlego após Fernanda interpretar Nara em um desfile da grife de Ronaldo Fraga no SPFW, natural que ela esteja deslumbrante na noite de estréia (de preto, vestido, meias e sapatilhas).

Todo esse cuidado com a produção aconchega o repertório, que funciona a perfeição no palco. O show começa com de “Ta-Hi”, samba de Joubert de Carvalho (1930) gravado primeiramente por Carmen Miranda. Seguem-se “Luz Negra”, “Lindonéia” e “Diz Que Fui Por Aí” (uma das melhores do álbum e do show). A primeira canção “extra” foi “There Must Be an Angel (Playing with My Heart)”, do Eurythmics, totalmente no clima da noite. Após “Estrada do Sol”, Fernanda arremata: “Como apresentamos uma música do Tom Jobim com a Dolores Duran, agora a gente vai tocar uma música do Duran Duran”. Segue-se “Ordinary World” em versão fofa, fofa.

No show, Fernanda Takai amplia os acertos do álbum. O repertório junta muitas canções quase que de “domínio público”, cujas versões mais famosas já fizeram casa no imaginário popular. Porém, os ótimos arranjos de John e Lulu, somados a interpretação delicada e particular de Fernanda (e, no show, acrescidos da pontuação marcante da bateria de Mariá e do baixo estiloso de Thiago) conseguem transcender o passado, que ao invés de se transformar em obstáculo, acaba por servir como trampolim para o presente, explorando a musicalidade do quinteto.

“Com Açúcar, Com Afeto”, “Trevo de Quatro Folhas”, “Seja o Meu Céu” e “Odeon” rendem belos momentos na noite, que ainda traz versões para “Ben”, de Michael Jackson, “Esconda o Pranto Num Sorriso”, de Evaldo Braga, “O Divã”, de Roberto Carlos (excelente) e a contagiante “A Dança do Carimbó”, de Eliana Pittman. Ao final desta última, empolgada, a senhora que assiste ao show ao meu lado intima: “Ninguém levanta? Levanta e aplaude!”. Seguem-se mais de dois minutos de aplausos incessantes com todos de pé no teatro do Sesc Pinheiros coroando a estréia. Com grande parte do público dançando na frente do palco, “Kobune”, versão em japonês estilo Pizzicato Five de “O Barquinho”, fecha a noite em clima descontraído, e deixa a certeza que Fernanda Takai tem uma bela carreira solo pela frente.

Veja também:
- “Onde Brilhem Os Olhos Seus”, de Fernanda Takai, por Marcelo Costa
- Mais fotos do show no flickr de Liliane Callegari
- “Onde Brilhem Os Olhos Seus”, blog de Fernanda Takai

“Third”, do Portishead, na rede

March 8th, 2008

“Third”, terceiro disco do Portishead, acaba de cair na web (aqui); um dos discos mais bacanas do ano é o novo do American Music Club, “Golden Age” (aqui); o segundo álbum do Tapes ‘n Tapes, “Walk it Off”, não me convenceu, mas preciso ouvir melhor (aqui). Estes três discos você encontra no excelente Jornal Berbequim. Já o segundo do Long Blondes (pra mim, outra decepção), está no Una Piel de Astràcan (aqui). Fora isso, tem um show da Cat Power, no excelente programa francês Black Sessions, rolando por ai. Vá atrás.

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Novidades da viagem: segundo a tickets.de, já era o Radiohead em Berlim. Convites sold out. Mesmo assim, estou pensando em dar as caras na cidade, andar ali “perto do muro” e tal. Mas o show mesmo, já estou passando. Vou me contentar com o do Rock Werchter. Lou Reed em Madri, nenhuma novidade. Estou ansioso. Fora isso, chegou a minha carteirinha de alberguista e na segunda-feira, se tudo der certo, passagens em mãos. Dedos cruzados.