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Posts from — Março 2008

Cenas da vida em São Paulo, Parte 7

Lotação, oito e pouco da manhã do meio de uma semana qualquer. Três senhoras conversam animadamente no último banco do ônibus. Uma delas, mais morena, abre o coração para as amigas:

“Minha sobrinha ia toda semana à minha casa. Era sempre a mesma coisa:
– Tia, não consigo arranjar emprego. Quando falo que tenho dois filhos, já era…

E ela é uma morena bunita!!!

Até que certo dia ela parou de ir em casa. Passado uns quatro meses, ela apareceu:

– Tia, arranjei um trabalho. Eu tô dançando na Augusta…
– Só dançando????
– Só dançando, tia.
– Com esse bundão??? (enfática)
– Só dançando, tia!

Tudo bem, né (continuou a senhora para as amigas no lotação, que ouviam atentas), ela tinha que sustentar os meninos. Um tempo depois, ela apareceu em casa novamente:

– Tia, eu não tô mais só dançando…
– Você tá dando, minha filha?????
– Não, tia, não é isso! É que eu arrumei um namorado lá na boate. Ele é mais velho, é carinhoso e está cuidando de mim.

E não é que tempos depois, o homem comprou uma casa no Jaçanã, e eles foram morar juntos, ela e os pirralhos!!!! Faz uns meses que ele morreu e deixou tudo pra ela…

– Que beleza!, comentou uma das amigas, na lata, para diversão das outras.”

O mundo, às vezes, é uma grande comédia…

Março 20, 2008   No Comments

Mais uma paixão…

Sou apaixonado desde sempre por Ingrid Bergman (já comentei que vejo “Casablanca” ao menos uma vez por ano desde os meus 15 anos?). Audrey Hepburn é algo mais recente, de uns dez anos pra cá, depois que assisti “Quando Paris Alucina”. A loirinha Jean Seberg, que invadiu meu coração na semana passada, é totalmente novata em meus romances cinéfilos. Essa garota da foto, no entanto, caminha sobre a minha alma já faz uns quinze anos. Fui matar saudade hoje. Ahhhh, as francesas…

Março 13, 2008   No Comments

Bob Dylan ao vivo em São Paulo

Texto por Marcelo Costa
Fotos por Liliane Callegari

Última música. George Receli, o baterista, dá duas marteladas no bumbo e a banda entra jogando no colo da audiência “Like a Rolling Stone”, a canção que tirou Bob Dylan de vez da ala folk e o transformou em ícone pop em 1965. O homem não está olhando a plateia. O teclado (em que Bob passa 80% do show) fica posicionado na lateral do palco, para que ele comande com olhares as baquetadas de Receli e coordene – junto ao baixista Tony Garnier – os improvisos da banda. No lado direito da plateia, uma garota de estatura mediana consegue – numa falha da segurança – escalar o palco e parte correndo em direção ao homem.

Bob Dylan está imerso na canção, buscando na memória a letra que vai saindo pelos lábios em fiapos desgastados de voz. A menina corre, para em frente a ele e abre os braços. Assim que vê a garota, Dylan toma um susto e faz um gesto automático de “pare” com a mão esquerda estirada e o braço retraído, enquanto a mão direita continua intercalando teclas pretas e brancas. A menina fica petrificada até ser agarrada por um segurança brutamontes que, ao invés de portar uma cara de poucos amigos, ri de toda a cena enquanto a retira do palco. O público vai ao delírio e deixa as cadeiras – de R$ 250 até R$ 900 – para ficar em pé.

Um princípio de desordem se instala no recinto com berros, gritos e urros saldando a invasora, o homem e aquela canção. Dylan não se perde na melodia, olha para Garnier, que aproximou-se para “protege-lo”, e retorna ao andamento do refrão buscando a garota com o olhar. O público vai junto e canta “How does it feel / How does it feel / To be without a home / Like a complete unknown / Like a rolling stone?” a plenos pulmões sem o acompanhamento de Bob, que volta a cantar o refrão na seqüência e encaminha a música – e o show – para o final com um olhar em direção a Receli e Garnier. A música acaba. Ele se curva em direção a platéia, vira de costas e caminha para o backstage. Parece pensar, atônito, num lapso de deja vu: “Isso foi tão anos 60″.

Até este momento o show alternava clássicos interpretados de forma incompreensível (“Masters Of War”, “I’ll Be Your Baby Tonight”, “It Ain’t Me, Babe”) com versões bem distinguíveis de “Leopard-Skin Pill-Box Hat” e “Highway 61 Revisited” (metalizada, um dos grandes números da noite), sem contar canções mais recentes (o repertório trouxe nove músicas pós anos 2000 e oito dos anos 60), como a versão poderosa de “High Water (For Charlie Patton)” (com o grisalho Denny Freeman atacando com fúria sua Fender Stratocaster) e as bem recebidas (seis) canções do álbum “Modern Times” (com destaque para “Spirit On The Water”, com Dylan introduzindo a canção com uma gaita; e “Thunder On The Mountain”). Decepção mesmo só “Stuck Inside Of Mobile With The Memphis Blues Again”, um mero rascunho da original.

A Turnê Que Nunca Termina chegou a São Paulo precedida de muita expectativa. O alto preço dos ingressos, a fama de difícil do compositor e sua (falta de) voz castigada por anos e anos de excessos dividiam o público. Na hora do show, no entanto, 90% da casa estava tomada. Bob não falou uma palavra sequer com a platéia (a não ser quando apresentou incompreensivelmente sua banda – um quinteto – ao final do show), mas está muito longe de ser a pessoa difícil que tantos pintam.

De calça preta com uma listra branca, terno prateado (que parece ser duas vezes maior do que ele) e chapéu de cowboy com uma pena colorida, no Via Funchal, em São Paulo, Bob Dylan, 67 anos, fez com que duas garotas invadissem o palco (a primeira tentou subir pelo lado esquerdo da platéia, no início da apresentação), e com que o ícone teen do momento, Mallu Magalhães, 15 anos, fosse conversar com os seguranças antes do show pedindo-lhes permissão para entregar ao músico algo que ela carregava em uma caixa. Isso diz muito sobre a música deste homem, sua influência e seu carisma.

Fãs de primeira e última hora (que só conhecem “Blowin’ in The Wind” e não ouviram os recentes “Love and Theft” e “Modern Times”) e artistas globais (como Bruna Lombardi, que perguntada sobre qual música de Dylan ela mais gostava, respondeu: “Aquela que o Caetano canta”) se assustaram com a voz deteriorada do compositor. Nos anos 60, quando começou sua carreira, Dylan já não tinha a melhor voz da música pop. Esse nunca foi o seu cartão de visitas. Natural que em 2008, sabem-se lá quantas vidas depois, sua voz esteja esganiçada, pequena e ardida. Pela idade e pelo descuido. Dylan envelheceu, e sua voz também.

O show é um retrato borrado da era de ouro do rock and roll, algo fora de moda, distante dos tempos modernos. Porém, ao contrário de muitos outros mártires daquele verão do amor, Dylan foi ao inferno, sobreviveu a si mesmo, e voltou para contar/cantar. Sua voz enrugada é perfeitamente aceitável. O show é um passeio sombrio entre passado, presente e futuro. Por mais que aquele momento da garota petrificada frente ao ídolo tenha sido muito anos 60, não há nada mais 2008 que recusar o amargo, o ardido, o esganiçado, aquilo que não soa limpo (até o punk e o metal soam melodiosos hoje em dia).

Quase cinquenta anos se passaram, e Dylan continua na contramão da música pop, caminhando sozinho em uma estrada longa e solitária. Na plateia, menos afortunados tentam capturar um fragmento de um tempo que se foi, sem perceber que Dylan está muito mais preocupado com o que virá. Neste desencontro entre plateia e artista encontra-se o crème de la crème da arte moderna. Poucos shows no mundo podem simbolizar tanto sem serem explicitamente históricos. E foi isso que aconteceu. Dylan fez uma apresentação histórica em São Paulo, mas pouca gente percebeu.

– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne

Leia também:
– Discografia Comentada: todos os discos de Bob Dylan (aqui)

Março 6, 2008   No Comments

Me apaixonei…

Ingrid Bergman (e Audrey Hepburn) me perdoem, mas essa loirinha acaba de tomar meu coração de cinéfilo… suspiro…

Março 1, 2008   No Comments