Boy Kill Boy, Forward Russia!, Elf Power e… Bob Dylan

February 29th, 2008

E lá se foram dois meses de 2008. O tempo está passando cada vez mais rápido ou estou pirando? Bem, mais quatro CDs novos cairam na web: “Life Processes”, do Forward Russia! (aqui); “In a Cave”, do Elf Power (aqui); “Stars and The Sea”, do Boy Kill Boy (aqui); e “Red”, do Guillemots. Este último ficou algumas minutos no Jornal Berbequim, e foi deletado. Procura por ai. Só adianto que é um ótimo disco para ninar crianças e que a última música é cópia descarada de “Morning Bell”, do Radiohead.

Na falta do Guillemots, que tal saber como é o novo show de Bob Dylan? O áudio que você irá pegar no Ear Flux é do show que o homem fez em Dallas, seis dias atrás. Você pega o áudio aqui. Abaixo, o set list e um pequeno comentário que postei na comunidade da revista Bizz no orkut, comparando o áudio deste show do dia 23 com o que o amigo Thiago Ney viu no México, no dia 24, e reportou no Ilustrada no Pop.

Disc 1:
01. introduction [00:59]
02. Rainy Day Women #12 & 35 [05:49]
03. Lay, Lady, Lay [05:47]
04. Just Like Tom Thumb’s Blues [05:44]
05. Señor (Tales Of Yankee Power) [05:26]
06. The Levee’s Gonna Break [07:16]
07. Spirit On The Water [06:41]
08. Stuck Inside Of Mobile With The Memphis Blues Again [06:54]
09. ‘Til I Fell In Love With You [07:32]
10. The Lonesome Death Of Hattie Carroll [06:20]
11. Honest With Me [06:30]
12. When The Deal Goes Down [06:24]
Total time: [71:29]

Disc 2:
01. Highway 61 Revisited [05:53]
02. Workingman’s Blues #2 [07:25]
03. Summer Days [06:03]
04. Ballad Of A Thin Man [10:09]
(encore)
05. Thunder On The Mountain [05:56]
06. band introduction [00:44]
07. All Along The Watchtower [05:41]
Total time: [41:56]

Sua voz está cada vez mais rouca e mais fraca; em várias faixas, é atropelada por teclado e bateria.

Que a voz está mais rouca e mais fraca, todo mundo sabe. Agora, que foi atropelada pela bateria, tem que ver como foi o som no México, se não foi problema lá, pois nesse em Dallas a voz dele até está muuuuito na frente dos instrumentos. É possivel ouvi-la perfeitamente!

É notório que ele muda as versões das músicas nos shows. Mas não precisava machucar tanto coisas como “Blowin’ In the Wind”, que encerrou a apresentação.

Ele (Thiago) não tem idéia do que é um Dylan que desconstrói a canção. “Ballad Of A Thin Man” está igual a versão original. “All Along The Watchtower” idem (até arrepia a entrada dos violões). “Rainy Day Women #12 & 35″ também é o mesmo arranjo (e se ele tocar no pique dessa ótima versão de Dallas, valeu o investimento do ingresso). O que ele faz - já faz alguns anos - é mudar a melodia vocal por não conseguir alcançar as mesmas notas. Até em “Workingman’s Blues #2″, uma das melhores da nova safra, ele altera a melodia vocal. Nesse ponto, “Stuck Inside of Mobile With The Memphis Blues Again” é a que mais “sofre”, mas o arranjo tem poucas variações.

Dylan virou artista que faz cover de si mesmo. As faixas novas se arrastam; é nítida a falta de força dessas músicas recentes quando ouvidas lado a lado com clássicos como “Highway 61 Revisited” e “Like a Rolling Stone”. E é nítido como esses clássicos nas versões atuais soam pálidos se comparados às versões originais.

“The Levee’s Gonna Break” e “Thunder On The Mountain” fazem bonito ao vivo. Essa segunda é uma das canções em que ele mais se aproxima (por motivos óbvios) da interpretação do álbum, e as versões são fortes, crescem até em relação ao “Modern Times”. Não vi a nitidez nem a palidez que ele alega no comentário. E o próprio público aplaude muito as novas canções.

Ps para o leitor: baixe o áudio, ouça e tire as suas próprias conclusões.

Os tempos modernos de Bob Dylan (re-post)

February 28th, 2008

Texto publicado na Revoluttion em 28/09/2006

Quando se fala em rock sempre vem à mente a imagem de algum moleque desajustado tocando sua guitarra num volume ensurdecedor. Mas será que é isso mesmo? Ok, vamos aprofundar. Sempre venderam o rock como algo juvenil, desajustado, fora da sociedade. Isso tudo, claro, até a indústria cultural ver potenciais de ganhar grana com o negócio, transformando músicos em celebridades e todo o cenário em um grande circo. Não é um fato recente: Raul Seixas refletia em seu disco mais clássico, de 1975: “Mamãe já ouve Beatles, Papai já deslumbrou, com meu cabelo grande eu fiquei contra o que eu já sou” (”A Verdade Sobre a Nostalgia”). O interessante é lembrar que os Beatles cantavam desde “Dr. Robert” até “She’s Leaving Home”.

A questão toda, na verdade, é que mais do que ser uma música juvenil, de suor e transpiração, o rock envelheceu desde que Elvis chacoalhou seus quadris pela primeira vez, e por mais que Mick Jagger continue cantando “Satisfaction” após 40 anos, quem vai ousar dizer que o velhinho não é rock’n’roll? E os velhotes pilhados do Gang of Four, que fizeram um show absurdamente barulhento e sensacional semanas atrás em São Paulo (e também em Floripa e Belo Horizonte), não são roqueiros?

A temática é muito mais abrangente do que esta coluna permite vislumbrar, mas ao ouvir “Working Man’s Blues #2″, a sensação de que o homem que a canta viveu tudo que o rock lhe permitiu ser vivido (e mais) joga pelo ralo qualquer idéia do contrário. A questão não é sobre este homem ter mudado a história da música pop mundial (e ele mudou), e sim ele estar ainda radiografando o mundo com tanta lucidez e inteligência. Como escreveu Ana Maria Bahiana certa vez: “Nirvana foi uma faísca, enquanto o R.E.M. é uma fogueira, e eu, particularmente, estou mais interessada no desafio da sobrevivência e da longevidade do que na saída fácil da vida breve e fulminante”. Eu também, Ana, eu também.

Do alto de seus 65 anos, Bob Dylan lança um disco que não é para a molecada dançar na balada urrando as letras (para isso existe o – ótimo – single do Killers) muito menos para ser ouvido enquanto se passa manteiga no pão no café da manhã. Dylan precisa de mais atenção. “Modern Times” é um disco de temática quase antagônica, falando sobre sexo e morte. E também sobre amor. E também sobre um mundo que está se desintegrando na frente dos nossos olhos. Ou será tudo a mesma coisa? É um disco para se ouvir em um bar acompanhado de luzes que se misturam com a fumaça de cigarro num balé melancólico. Seu autor ousa relembrar que mesmo tendo vivido mais de seis décadas de vida, o mundo continua um lugar imperfeito, solitário e vazio. Mas o próprio, em entrevista ao jornal USA Today, atesta que não há nada de nostálgico no álbum. Nostalgia, quem diria, é objeto de culto muito mais juvenil.

E não que é não existam rocks em “Modern Times”. A faixa que abre o disco, “Thunder On The Mountain”, é um rock clássico, com direito a guitarra solando e um interlocutor que gostaria de saber onde encontrar Alicia Keys (e não é para ouvi-la cantar). A mesma levada pode ser ouvida na suave “Someday Baby” e na soturna “The Levee’s Gonna Break”, com Dylan cantando de forma direta nesta última: “Se continuar chovendo, o dique vai quebrar: algumas pessoas estão dormindo, mas outras estão bem acordadas”. Ainda nas aceleradas, o bluezaço “Rollin’ and Thumblin” (com jeitão Robert Johnson de ser) acelera em direção ao rockabilly. Das dez canções do disco, é apenas nestas quatro que se ouvirá algum frescor (ahñ) juvenil que, talvez, lhe faça ter vontade de balançar o corpo ou, no máximo, marcar a melodia com os pés. Nas outras seis canções, jazz, folk e blues fazem a cama para que Dylan exercite sua visão do mundo.

De sotaque jazz, “Spirit on the Water” fala de pesadelos. “Eu estou suando sangue”, diz a letra. “When the Deal Goes Down”, cujo clipe traz a musa do momento Scarlett Johansson, é uma balada folk que não revela em sua levada a temática pesada da letra que procura um sentido em estar vivo, e diz a certa altura: “Nós vivemos e nós morremos, e não sabemos porquê”. O clima se acalma na suavidade de “Beyond the Horizon”, que imagina: “Além do horizonte é fácil amar”. Lembra o Rei Roberto em sua fase pós-Jovem Guarda dizendo que “Além do horizonte existe um lugar bonito e tranqüilo pra gente se amar”. O clima volta a pesar na arrastada “Nettie Moore” e fica ainda mais sombrio em “Ain’t Talkin’”, faixa que encerra o disco com Dylan contando “que não há nenhum altar nessa estrada longa e solitária”.

Dentre todas estas, a que merece maior atenção é a já citada “Working Man’s Blues #2″, canção que atualiza para os tempos modernos um velho country de Merle Haggard. Enquanto o original versava sobre como o trabalho comprara o espaço da diversão (na letra, após uma semana de batente e muito cansaço, o cara planeja sair para beber uma cerveja quando o pagamento chegar), “Working Man’s Blues #2″ avança criticando não só esse capitalismo que vendeu um sonho e acabou, no fim, comprando a alma de todos, mas também suas conseqüências, entre elas a mais visível: a divisão do povo em ricos e pobres. “Working Man’s Blues #2″ consegue ser ainda, do alto de seus seis minutos, uma belíssima canção de amor.

Dylan já não tem a necessidade de escrever que tinha quando era jovem. Segundo ele, na entrevista ao USA Today, chega uma hora em que é muito mais difícil encontrar uma finalidade para se fazer algo diferente. No entanto, ele sabe que talvez seja complicado para o ouvinte compreender não só a temática do disco, mas as canções como canções mesmo: “Cada canção significa o que você disser que significa. Ela te golpeia onde você pode sentir, e sentindo ela terá um significado para você. É um tipo de música que tem a finalidade de mexer com a pessoa, e para fazer isso ela tem que ter mexido comigo mesmo primeiramente”, explica.

É muito complexo dizer o que as pessoas precisam de verdade, seja música, filmes ou mesmo aparelhos domésticos. Se eu fosse moleque hoje em dia, provavelmente eu precisasse de Clash e Sex Pistols – ou quem sabe, Nirvana – mais do que Strokes, Killers ou Be Your Own Pet. Mais do que todos eles, na verdade, eu precisaria de Aldous Huxley, Lygia Telles e Shakespeare, mas essa é uma outra questão. O que realmente preocupa é limitar o que uma pessoa precisa, tenha ela 14, 36 ou 65 anos. Novamente recorro a Ana Maria Bahiana, que escreveu:

“Eu, por mim, recomendo a qualquer um - de 16, 21, 30, 45, 55 anos - que, ao menos uma vez por semana, escute algo que jamais pensaria escutar. E, certamente, algo que fuja dos padrões daquilo que as gravadoras determinaram ser “apropriado” para sua faixa etária - um ouvinte de 16 anos tem tanto a se beneficiar com uma audição de A Nod Is as Good as a Wink, dos Faces, quanto um de 55 do disco do Kula Shaker. É um santo remédio, o equivalente a uma corrida no calçadão, uma hora de malhação, uma partida de basquete: o suficiente para manter os ouvidos flexíveis, o cérebro desentupido, o coração palpitante e prevenir a instalação - muitas vezes precoce - do reumatismo estupidificante do classic rock”.

Pense nisso. E ouça “Modern Times” com bastante atenção. Ele está falando deste tempo sombrio que estamos, todos, vivendo. Ele não precisa de você, afinal, ele é Bob Dylan. Mas talvez você precise dele mais do que qualquer outra coisa, e ainda não descobriu.

Leia também:
- “I’m Not There”, de Todd Haynes, por Marcelo Costa
- “No Direction Home”, de Martin Scorsese, por Marcelo Costa
- Bob Dylan, Martin Scorsese e a História Universal, por Marcelo Costa

O segundo álbum da Tom Bloch

February 27th, 2008

 Pedro Veríssimo é filho do Luis Fernando e neto do Érico. Sei que é meio foda começar um texto estudando a genealogia do cara, e que as artes exibem aos montes exemplos contrários do ditado popular que diz que “filho de peixe, peixinho é”, mas é importante falar dos Veríssimo agora, pois em “2″, dito segundo álbum da Tom Bloch, Pedro dissipa a nuvem de sons e barulhos na qual ele se escondia nos primeiros lançamentos do grupo e, parafraseando uma das canções emblemáticas deste “2″, se joga com letras e voz à frente de guitarras poderosas e batidas sincopadas como se estivesse dançando em um campo minado. O resultado é um disco sensacional, que pega na veia, cospe na cara, bate no peito e, por fim, acalenta o ouvinte em um abraço mudo.

Crescer sobre o brilho da luz de duas lendas da literatura nacional tem seu lado bom e, consequentemente, seu lado ruim. Se há um aprendizado, uma vivência literária inerente ao meio, também há um cobrança explicita que visa descobrir (muitas vezes de forma cruel) se há algo genético que perpetue a tradição familiar. No caso de Pedro, isso se amplificou quando ele optou por assumir a frente de uma banda de rock, quando ele arriscou-se a escrever letras. Essa opção, no entanto, surgiu velada e pode ser simbolizada a perfeição pelo rapaz com um saco de papelão sobre a cabeça, uma imagem que acompanha o trabalho da banda desde o início.

Essa estratégia de desfocar-se funcionou bem nos dois primeiros trabalhos do grupo – o EP “Demo Deluxe” (2000) e o álbum “Tom Bloch” (2002) – principalmente pela presença forte de Gustavo Mini Bittencourt (Walverdes) no embrião da banda, compondo e dividindo atenções (e canções) com Pedro. Essa divisão de atenção marcou imensamente a estréia da banda, mesmo com o fato de Mini não estar na Tom Bloch desde o EP anterior, já que a estética proposta pela imagem do rapaz com um saco de papelão sobre a cabeça permanecia ganhando forma de álbum. Ótimo na teoria, confuso na prática. “Tom Bloch”, a estréia, traz a voz de Pedro escondida entre os instrumentos, ás vezes acariciada por efeitos que a descaracterizam, como alguém que observa aos outros dançarem enquanto afoga dentro de si o desejo indecente de mover o corpo, e o faz mexendo os pés.

“2″, segundo álbum da Tom Bloch, apresenta uma nova banda. Primeiro, a formação de sexteto que gravou a estréia foi desfeita. O núcleo permanece: Pedro Veríssimo na voz (e, agora, assumindo todas as letras) e o mago dos estúdios sulistas Iuri Freiberger na bateria, programações, teclados, produção e mixagem, além de guitarras eventuais. No baixo, o experiente Patrick Laplan (cujo currículo inclui serviços prestados ao Biquíni Cavadão, Los Hermanos e Rodox, entre outros); na guitarra, Júnior Tostói (da banda carioca Vulgue Tostói). Com a formação reduzida, Pedro Veríssimo sai detrás da nuvem em que se escondia nos primeiros álbuns da Tom Bloch e apresenta um repertório de letras inspiradas que encontram complemento perfeito na musicalidade apurada de Iuri Freiberger.

“Sob a Influência” abre o disco de forma singular: um arranjo de cordas circular, preguiçoso, faz a cama para que a voz de Pedro – forte e clara – mostre que algumas coisas mudaram no som da banda. Acompanhado de guitarras (ambientadas de forma precisa na mixagem) e alfinetas de eletrônica, o vocalista convida náufragos, desesperados e desalojados a participarem da “primeira convenção dos corações partidos”. Em “A Dúvida”, a segunda faixa, um rock poderoso com melodia vocal que remete a algo da jovem guarda, a questão central é como se desfazer da foto da ex pessoa amada, um gesto doloroso que causa um cruel embate entre coração e mente: “É ou eu rasgo a tua foto ou atiro no que pra mim ainda vem pela frente / É ou eu rasgo a tua foto ou retiro a carta que sustenta todo o castelo / Se eu não quero mais viver no presente melhor então me desfazer do passado / É ou rasgo a tua foto e me viro, ou então não rasgo a tua foto e me mato”.

“Entre Nós Dois”, primeira música de trabalho do álbum, que já ganhou clipe e marcará presença no próximo curta-metragem do cineasta Jorge Furtado, é uma porrada que traduz a diferença entre amor e sexo com mais precisão do que Arnaldo Jabor: “Ninguém aqui presta, mas no momento atual você e eu é só o que resta (…) / E já não tem por que ir devagar, a gente sabe bem onde isso vai terminar”. A próxima, “A Invenção”, continua brincando com o tema no ótimo refrão: “O amor eu inventei pra justificar o prazer que me dá quando você vem”. Na mesma toada ainda se segue “Vendetta (Frase Feita)”, que conta com o vocal feminino de Alessandra Verney repetindo: “O que eu fiz foi por vingança”. A banda pisa no freio nas duas faixas que encerram o álbum. A temática da balada de guitarras “O Refém” lembra algo da Legião Urbana do álbum “A Tempestade”, assim como a próxima, “Por Favor, Mente”, uma das grandes canções do álbum, que abre versando de forma bela e fudidamente dolorida sobre piano e guitarras afundadas na mixagem: “Hoje eu sou seu pra sempre / Se eu perguntar, por favor, mente”.

O resumo desta nova fase da Tom Bloch se encontra em “Situação de Dança”, canção emblemática que rememora toda uma geração de pessoas que, em festinhas na adolescência (as lendárias reuniões dançantes), não sabia o que fazer em situação de dança, jogando luzes sobre aquele grupo de pessoas que preferia ficar em pé no canto da festa a arriscar uns passos na pista. Diz a letra: “As minhas juntas não movem separado de um plano inicial pré-determinado / Se eu tentar pode ficar evidente, eu danço como eu nado sincronizado / Mesmo versado no controle da mente, mover um corpo exige bem mais cuidado / Posso tentar, mas não vai ser diferente: eu danço como eu ando em campo minado”. Metafórica, a canção joga Pedro Veríssimo desajeitadamente para a frente da Tom Bloch, uma situação que o vocalista parecia evitar nas gravações anteriores, mas que parece ultrapassada neste excelente segundo álbum, que soa – na verdade – como a estréia da banda. Agora só falta Pedro e Iuri tirarem o saco de papelão da cabeça do rapaz que simbolizava a Tom Bloch: aquele rapaz cresceu e está pronto para enfrentar o mundo.

“2″, Tom Bloch (Som Livre Apresenta)
Preço em média: 19,90
Nota: 9,5
Site Oficial: http://www.tombloch.com.br/

Curadoria x facilidade

February 26th, 2008

Escrevi estes dois parágrafos abaixo em 10 de dezembro:

“Na verdade, a escalação de todos os grandes festivais pecou, e muito, em 2007. Tudo o que o marketing tentou vender neste ano foi por água a baixo pelo que se viu no palco. Killers não tem nada a ver com o Tim Festival. Kasabian não é uma banda de porte para fechar um festival tão bacana quanto o Planeta Terra. E She Wants Revenge não pode tocar com o dia clareando. Fica parecendo que, antigamente, os curadores destes festivais iam atrás daquilo que achavam melhor, mas agora pegam o que está dando sopa no mercado de shows. Algo tipo: “Temos essas 20 bandas querendo tocar na América do Sul, qual delas você quer?“.

Trocamos a curadoria pela facilidade (e economia) do que já está no circuito de shows. Para que um curador vai se preocupar em trazer algo novidadeiro se o Killers está dando sopa na América do Sul, não é mesmo? Acontece que a roda não deveria girar desse jeito. Para o Tim Festival, que vende o slogan “música sem fronteiras” e aposta em nomes pouco conhecidos do grande público, o Killers é mega e estaria perfeitamente encaixado como headliner do Terra (iria ser perfeito). E isso abriria para o Tim investir em nomes como Calexico (que estava rodando a América do Sul meses atrás), Beirut (top ten em dezenas de listas de melhores do ano) ou até apostar num Twilight Singers e Soulsavers, garantia de shows inesquecíveis e bom investimento pop.”

Lembrei desse texto pois o chapa Lúcio Ribeiro adianta que o Beirut (grupo querídissimo deste espaço) está confirmado para o próximo Tim Festival. Uma ótima notícia que pode sinalizar que boas novidades podem surgir!!!!

Radiohead e Bruce Springsteen… na Europa

February 26th, 2008

Fazia uma cara que eu não passava pelo excelente blog Una Piel de Astracán. Olhei ontem à noite e dei de cara com os novos álbuns do Breeders (”Mountain Battles”), Clinic (”Do It!”) e Be Your Own Pet (”Get Awkward”), esta última, a banda que o amigo Thiago Ney comentou na Folha uns dois anos atrás dizendo que os jovens precisavam mais deles do que de um disco novo do Bob Dylan. Por último, tem a trilha sonora do “Sangue Negro”, assinada pelo Radiohead Jonny Greenwood bobeando por lá. Tudo aqui.

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Assisti ontem “Juno” pela segunda vez. Foi bem melhor que a primeira, e é bom quando um filme resiste a uma segunda sessão. Também vi “Sangue Negro” e “Onde os Fracos Não Têm Vez”, e o primeiro cresceu muito na segunda sessão. Ainda quero vê-los mais uma vez…

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Está começando a se desenhar meu roteiro de viagem de férias na Europa. O problema, claro, é o dinheiro limitado. Assim, conforme acrescento algum show na agenda, alguns dias são cortados da estadia européia. Não tem como discutir com a falta de grana. Estava pensando em passar 40 dias no velho mundo, mas já estou aceitando ficar 25. Tudo isso devido ao fato de que uma amiga já está providenciando a compra de um ingresso para o show do Radiohead em Berlim, dia 08 de julho. E fiquei tentado a ver Bruce Springsteen na Espanha.

Duas datas de shows do velho Bruce já estão esgotadas (em Madri e Barcelona); só a de San Sebastian ainda está em aberto, mas estou com muita vontade de bater com a cara na porta do mítico Santiago Bernabeu (estádio do Real Madrid), e tentar comprar um ticket o mais em conta possível na mão de algum cambista (na web, os ingressos que custavam 60 euros já estão saindo por 250 euros). E não vou negar que fiquei tentado a ver o Radiohead no Main Square Festival, em Arras, uma cidade a 180 quilometros de Paris, no dia 06 de julho, mas é muita coisa para pouca grana. :/ De repente faço uma loucura, e passo o resto do ano comendo miojo e andando a pé…

Novos discos na web

February 25th, 2008

Cairam na web neste fim de semana os novos álbuns de Supergrass (”Diamond Hoo Ha”), Nick Cave and The Bad Seeds (”Dig, Lazarus, Dig!!!”) e Elbow (”The Seldom Seen Kid”) além de uma edição especial dupla do último álbum do Queens Of The Stone Age (”Era Vulgaris Limited Edition”). Passa lá no Berbequim

E o Black Rebel Motorcycle Club confirmou seu segundo show na Argentina, os dois em Buenos Aires. O primeiro será no mega-festival Quilmes Rock, no dia 06 de abril . O segundo acontece dois dias antes, no La Trastienda, um lugar do tamanho do CB, em São Paulo. Imagina ver uma banda do nível do BRMC em um local pequeno, bacana, de som bom? É isso que vai acontecer no La Trastienda, dia 04 de abril…

E deu “Onde Os Fracos Não Têm Vez”

February 25th, 2008

Ok, preciso assumir: nos últimos minutos, meu coração bateu mais forte por “Sangue Negro”, mas o resultado final – coroando a sensacional obra dos irmãos Coen – não me entristece nem um pouco. Os quatro Oscar de “Onde Os Fracos Não Têm Vez” (roteiro adaptado, ator coadjuvante para a estupenda atuação de Javier Bardem, direção e melhor filme) são totalmente merecidos. E os sorrisos e lágrimas da Sra Coen, Frances McDormand, foram de emocionar.

Na melhor seleção de filmes em muito tempo, o Oscar também selecionou momentos emocionantes (como Marion Cotillard ganhando a estatueta de Melhor Atriz por “Piaf - Um Hino ao Amor” e Daniel Day-Lewis se ajoelhando aos pés da rainha Helen Mirren ) como também as melhores piadas em muito tempo: “Temos duas grávidas na platéia esta noite: Cate Blanchett e Jéssica Alba. Muito embora, como Jack Nicholson está na platéia, esse número pode aumentar até o final da transmissão”. E em uma piada sobre crianças, o apresentador John Stewart soltou: “and the baby goes to: Angelina Jolie”.

No geral, a premiação foi correta e as expectativas se confirmaram. “Sangue Negro” foi representado pelo Oscar de Melhor Ator de Daniel Day-Lewis; “Juno” com Diablo Cody em Melhor Roteiro Original; “Sweeney Todd” por direção de arte; “Ratatouille” como animação; “Desejo e Reparação” como Melhor Trilha Sonora; e “Ultimado Bourne” faturando três categorias técnicas: Melhor Som, Melhor Edição de Som e Melhor Montagem. Minha única decepção foi Tilda Swinton ter ganhado como Atriz Coadjuvante. Ela está ok no papel, mas nada que merecesse o Oscar que levou.

No entanto, esse pequeno lapso cometido na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante não mancha a premiação. Mancharia se as duas categorias principais não ficassem entre “Onde os Fracos Não Têm Vez” ou “Sangue Negro” (muitos temiam a vitória de “Desejo e Reparação”, um filme mais tradicional do que as obras autorais e difíceis de Paul Thomas Anderson e dos Irmãos Coen). A coroação dos Coen é quase a perfeição, pois não consigo dizer que venceu o melhor, mas sim que venceu um dos dois melhores filmes do ano. O empate seria o ideal, mas como não existe empate no Oscar, parabéns aos irmãos Coen. Eles merecem. Muuuuito.

Melhor Filme - “Onde Os Fracos Não Têm Vez”
Melhor Diretor - Ethan Coen e Joel Coen (”Onde Os Fracos Não Têm Vez”)
Melhor Ator - Daniel Day-Lewis (”Sangue Negro”)
Melhor Roteiro Original - “Juno”
Melhor Documentário - “Taxi to the Dark Side”
Melhor Documentário de Curta-Metragem - “Freeheld”
Melhor Trilha Original - “Desejo e Reparação”
Melhor Fotografia - “Sangue Negro”
Melhor Filme Estrangeiro - “Os Falsários” - “Die Fälscher” (Áustria)
Melhor Montagem - “O Ultimato Bourne”
Melhor Atriz Coadjuvante - Marion Cotillard (”Piaf - Um Hino ao Amor”)
Melhor Mixagem de Som - “O Ultimato Bourne”
Melhor Efeitos Sonoros - “O Ultimato Bourne”
Melhor Roteiro Adaptado - “Onde Os Fracos Não Têm Vez” (Joel Coen e Ethan Coen)
Melhor Atriz Coadjuvante - Tilda Swinton (”Conduta de Risco”)
Melhor Curta de Animação - “Peter & the Wolf”
Melhor Curta Documentário - “Le Mozart des Pickpockets”
Melhor Ator Coadjuvante - Javier Bardem (”Onde Os Fracos Não Têm Vez”)
Melhor Direção de Arte - “Sweeney Todd”
Melhores Efeitos Visuais -”A Bússola de Ouro”
Melhor Maquiagem - “Piaf - Um Hino ao Amor”
Melhor Animação - “Ratatouille”
Melhor Figurino -  “Elizabeth: A Era de Ouro”

Acho que vou entrar em uma academia antes de viajar…

February 23rd, 2008

 

Apostas para o Oscar

February 22nd, 2008

Sem muitas delongas, já que a premiação acontece no domingo e o último grande indicado, “Juno”, estréia hoje no País. Quem você acha que vai ganhar? Aposte nos comentários. Abaixo seguem os meus pitacos.

MELHOR FILME
Desejo e Reparação
Juno
Conduta de Risco
Onde os Fracos Não Têm Vez
Sangue Negro

MELHOR DIREÇÃO
Julian Schnabel (O Escafandro e a Borboleta)
Jason Reitman (Juno)
Tony Gilroy (Conduta de Risco)
Joel Coen e Ethan Coen (Onde os Fracos não Têm Vez)
Paul Thomas Anderson (Sangue Negro)

MELHOR ATOR
George Clooney (Conduta de Risco)
Daniel Day-Lewis (Sangue Negro)
Johnny Depp (Sweeney Todd)
Tommy Lee Jones (No Vale das Sombras)
Viggo Mortensen (Senhores do Crime)

MELHOR ATRIZ
Cate Blanchett (Elizabeth: A Era de Ouro)
Julie Christie (Longe Dela)
Marion Cotillard (Piaf - Um Hino ao Amor)
Laura Linney (The Savages)
Ellen Page (Juno)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford)
Javier Bardem (Onde os Fracos não têm vez)
Philip Seymour Hoffman (Jogos do Poder)
Hal Holbrook (Na Natureza Selvagem)
Tom Wilkinson (Conduta de Risco)

MALHOR ATRIZ COADJUVANTE
Cate Blanchett (I’m Not There)
Ruby Dee (O Gângster)
Saoirse Ronan (Desejo e Reparação)
Amy Ryan (Medo da Verdade)
Tilda Swinton (Conduta de Risco)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Juno
Conduta de Risco
Lars and the Real Girl
Ratatouille
The Savages

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Desejo e Reparação
Longe Dela
O Escafandro e a Borboleta
Onde os fracos não têm vez
Sangue Negro

MELHOR ANIMAÇÃO
Ratatouille
Persepolis
Tá Dando Onda

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
O Gângster
Desejo e Reparação
A Bússola de Ouro
Sweeney Todd
Sangue Negro

MELHOR FOTOGRAFIA
O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford
Desejo e Reparação
O Escafandro e a Borboleta
Onde os Fracos não têm vez
Sangue Negro

MELHOR FIGURINO
Across the Universe
Desejo e Reparação
Elizabeth: A Era de Ouro
Piaf - Hino ao Amor
Sweeney Todd

MELHOR EDIÇÃO
O Ultimato Bourne
O Escafandro e a Borboleta
Na Natureza Selvagem
Onde os Fracos não têm vez
Sangue Negro

MELHOR TRILHA SONORA
Desejo e Reparação
O Caçador de Pipas
Conduta de Risco
Ratatouille
Os Indomáveis

MELHOR MAQUIAGEM
Piaf - Hino ao Amor
Norbit
Piratas do Caribe: No Fim do Mundo

MELHORES EFEITOS
A Bússola de Ouro
Piratas do Caribe: No Fim do Mundo
Transformers

MELHOR SOM
O Ultimato Bourne
Onde os Fracos não têm vez
Ratatouille
Os Indomáveis
Transformers

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
O Ultimato Bourne
Onde os Fracos não têm vez
Ratatouille
Sangue Negro
Transformers

Wilco e lágrimas, lágrimas e os cinco shows

February 21st, 2008

Isso que você está vendo é o set list da quarta das cinco noites que o Wilco agendou para shows no Riviera Theatre (e que terminou ontem), em Chicago, prometendo tocar todos (TODOS) os seus discos. A foto do set list é do blog Rock and Roll Ghosts, o Chicago Tribune comentou detalhadamente o  set list de cada uma das noites (1, 2, 3, 4, 5) e o aúdio completo (com as 31 músicas) do dia 4 já está na web em qualidade perfeita que pode até ser comparado ao som do ao vivo “Kicking Television”.

Então, quando eles começam “Impossible Germany” (em versão estendida, com um longo solo) é possível sentir um arrepio. “War on War”, “Summer Teeth” e “A Shot In The Arm” quase nos fazem entregar os pontos. Se você passar incólume pelas versões pungentes de “Reservations” (uma das músicas mais tocantes desta década) e “On and On and On”, duvido que você resista a “Misunderstood”, em uma versão que consegue ser superior a do “Kicking Television”. Na hora em que Jeff Tweedy pergunta “Do you still love rock and roll?”, a platéia grita um “yes” tão forte que é impossível (IMPOSSÍVEL) não se emocionar. Derramei lágrimas no meio da chuva.

Ps: O amigo Alexandre Matias postou o áudio das outras três primeiras noites no Trabalho Sujo. Link direto e set lists aqui. Já o blog Fuel Friends disponibilizou a quinta a noite aqui.