12 pessoas…

December 17th, 2007

…deixaram a sala de cinema durante a exibição de “Império dos Sonhos” (”Inland Empire”), novo filme de David Lynch, sendo que dez delas sairam antes da metade da exibição no domingo à noite, sala 9 do Shopping Frei Caneca, um dos maiores quóruns de desistência cinematográfica que já presenciei. Fiquei até o fim, o que não quer dizer muita coisa… mas valeu a pena para dar uma (outra) olhadela na Laura Harring na última cena do longa…

 Se eu gostei do filme? Importa? Tá, eu gostei, mas não veria de novo. Falo mais sobre ele em um texto vindouro…

Niemeyer, 100

December 16th, 2007

Aprendi (e estou aprendendo) a admirar a arquitetura. Eu já tinha dividido apartamento com uma querida amiga arquiteta e quase namorado uma quase arquiteta, mas o meu modo de ver a cidade (“veracidade – haverá cidade”, ops, piada interna) mudou completamente quando Lili entrou em minha vida. Casas, prédios, construções, nomes de arquitetos passaram a fazer parte da minha rotina, e eu comecei a gostar disso.

Isso tudo aconteceu, em larga escala, por culpa não só de Lili, mas também de suas (e minhas) queridas amigas Ligia e Kátia. Ver Lili, Ligia e Kátia conversando/discutindo arquitetura é algo bastante inspirador. Parece conversa de boteco sobre futebol, mas elas estão falando sobre os maiores arquitetos do mundo, suas obras, concordando e discordando sobre coisas que eu nem mesmo consigo emitir uma opinião. É bonito de se ver, garanto.

Foi por influência de Lili que aprendi a curtir muito mais o mundo a minha volta, e por conseqüência, descobri um Rio de Janeiro totalmente novo em nossas viagens a cidade maravilhosa. Faz anos que faço uma viagem anual ao Rio. Amo a cidade, o ar, as praias, tudo. Mas ir ao Rio de Janeiro com uma arquiteta é algo bastante diferente. O roteiro passa também por pontos turísticos, mas existem muitos outros que um não arquiteto consegue imaginar.

Na última vez que fomos fizemos um tour com base nos mapas do “Guia de Arquitetura Moderna do Rio de Janeiro”, e foi muito legal. No roteiro, obras como o Palácio Gustavo Capanema (Ministério da Educação e Cultura), marco da arquitetura modernista brasileira (que envolve os nomes de Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Jorge Machado Moreira, Affonso Eduardo Reidy, Ernani Vasconcelos, Roberto Burle Marx e Lê Corbusier) , o Edifício Sede da Petrobras (meu preferido - foto), o Edifício do BNDES, o MAM e o Parque Guinle (queremos morar lá, um dia - olha a vista), entre outros. 

Porém, apesar de aprender a admirar estas obras, nunca achei que fosse ficar sem ar diante de uma. E isso aconteceu (e acredito que vá acontecer sempre) nas duas vezes que visitei o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, o MAC, obra de Oscar Niemeyer. Eu já tinha esbarrado em várias obras do Niemeyer aqui e ali em minha vida (gostado mais de umas do que de outras), mas o MAC foi algo bastante especial.

Na primeira vez, fomos eu e Lili. Descemos um ponto de ônibus antes, e foi legal porque permitiu observar o museu de longe. Ele surge do nada, quase uma curva, e realmente parece um OVNI que pousou na beirada de um despenhadeiro. Conforme você se aproxima, ele vai se tornando imponente, e impressionando, mas nada se compara a belíssima visão que temos dentro do Museu. A área de exposição é minúscula e, não tem jeito, compete com a maravilhosa “varanda”, área que traz uma grande janela aberta para a Baia de Guanabara. É inesquecível.

Por mais que me sinta tentado, porém, é pretensão demais da minha parte escrever algo sobre arquitetura tendo estas três experts na sala de casa discutindo o tema com a mesma facilidade com que discuto cultura pop com os amigos. Então, longe de querer soar xereta bisbilhotando em território alheio, deixo este post singelo como uma sincera homenagem ao senhor Oscar Niemeyer, que ontem completou 100 anos. Em algum momento da visita ao MAC meus olhos encheram de lágrimas, e é preciso reconhecer e agradecer quando alguém toca nossa alma dessa forma. Niemeyer, parabéns. E Lili, Ligia e Kátia, obrigado por terem aberto essa porta.

Abaixo, algumas fotos do passeio escolhidas ao acaso:

    

Música do ano, banda do ano

December 14th, 2007

O Terminal Guadalupe (responsável pelo grande disco de 2007, “A Marcha dos Invisíveis”) está disponibilizando em seu My Space uma versão ao vivo de “Grupo de Extermínio De Aberrações” (música do ano), do Violins, a grande canção de 2007. Presente em shows recentes do TG pelo país, essa gravação foi registrada na noitada que reuniu Violins e TG em Curitiba, no mês passado, e que deveria ter contado com a presença deste DJ eventual, caso o trânsito de São Paulo não tivesse praticamente parado naquela sexta-feira. Essa versão do Terminal Guadalupe para “Grupo de Extermínio De Aberrações” conta com a participação de Beto Cupertino, letrista e vocalista do Violins, nos vocais. Download no link abaixo:

http://www.myspace.com/terminalguadalupe

Noitada divertida

December 13th, 2007

Com a chuva insistente, poucas pessoas se arriscaram a ir ao Studio SP nas noite de ontem, e perderam uma balada pra lá de divertida. No palco, garotas semi nuas, o mestre Loop B dando uma aula de batucada em peças de lata e Aguilar comandando a bagunça. Assumo que eu tinha medo desse show, e quer saber: ele está correndo um sério risco de integrar a minha listinha de Top 5 de Shows Nacionais deste ano.

No repertório, canções oitentistas como “Você Escolheu Errado Seu Super-Herói” e “Monsieur Duchamp” e coisas novas como “Come Chocolate” e “A Dama do Cyber-Espaço”. Show divertido, garotas bonitas, me arrependi de não ter levado a digital. Na discotecagem o set foi totalmente desencanado. Do que lembro foram as canções abaixo. Com meia dúzia de Bohemias correndo nas veias, voltei pra casa por volta das duas (acho) caminhando pelas ruas de São Paulo. Tava com saudade disso…

Rolling Stones - Rain Fall Dawn
Kaiser Chiefs, Flowers In The Rain
Radiohead – Bodysnatchers
Mika – Can’t Stand Losing You
Beck – New Pollution (Remix)
Interpol - Slow Wands (Brit Remix)
Bloc Party - Banquet (Remix)
Calexico - Love You Tears Us Apart
The Doors - Alabama Song
The Rolling Stones - Get Off Of My Cloud
Grant Lee Bufallo - The Shining Hour
Morphine - Cure For Pain
Corinne Bailey Rae - Steady, As She Goes
Guillemots - Made Up Love Song #43
Wilco - A Shot in the Arm
Teenage Fanclub - About You
Afghan Whigs - Somethin’ Hot

Já tem programa pra hoje? :)

December 12th, 2007

Dia 12/12 a partir das 21h

http://www.mojobooks.com.br/

Papai Noel mandou um recado

December 11th, 2007

 

 Seguinte, não lembro ao certo quantas vezes insisti para que alguém comprasse algo, seja um CD ou um livro. Acho que já escrevi várias vezes “vá ver este filme”, mas nunca “compre este livro”. E, pelo que me lembro, insisti em um texto para que o leitor comprasse o “Songs For The Deaf”, do Queens of The Stone Age (muito embora eu tenha ido fuçar o jornal Alternative Voices, em que eu tinha uma coluna, visto a resenha, e não encontrado a frase “compre, compre, compre”).

Se grana fosse solução e não um problema, eu juro que entraria numa pilha de mandar um livro de natal para s leitores que me escrevessem, mas como isso ainda não pode acontecer (um dia ganharei o meu primeiro milhão, espere) devido ao estado calamitoso da minha conta bancária, vamos fazer um trato: eu escolho o seu presente, aquele que você vai dar pra si mesmo, você compra, e quando a gente esbarrar em algum lugar (show, festa, discotecagem, jogo do Corinthians na segunda divisão), leva o livro que eu escrevo: “Do Mac, com carinho, para…”

Tô falando sério.

O lance é o seguinte. Recebi hoje, via Submarino, meu presente de natal pra mim mesmo: “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”, editora Sextante. O livro é um calhamaço de quase mil páginas (960 para ser preciso) e - na passada de olho que dei - vale muito a pena. Li textos sobre “Born In The USA”, do Bruce Springsteen (”Em seu espírito - amor, ar e honestidade - este álbum é pura alma e coração”), “Ocean Rain”, do Echo and The Bunnymen (”Enquanto o U2 e o Simple Minds tocavam em estádios, o Echo percorria as ilhas da costa oeste da Escócia; ‘Ocean Rain’é a prova do que, em última instância, essa escolha foi mais compensadora”) e “Beach Samba”, de Astrud Gilberto (”Quem pode resistir a um disco que começa com: ‘Stay… and we’ll make sex and music’”).

Ou seja, faltam 998 outros discos para eu ler (e muitos para escutar), mas não é sobre esses discos que eu quero falar. O que quero dizer é que você merece esse livro de natal. Mesmo. Comprei o meu no Submarino por R$ 37,30, frete gratuito (até onde sei, pra todo Brasil), e poucas vezes a relação custo/investimento foi tão proveitosa quanto neste caso. Seria muito melhor se eu tivesse com os links patrocinados ativos no site (para o ano que vem, para o ano que vem), assim até eu conseguia faturar alguns centavos com cada compra que saísse daqui (sacumé), mas a idéia mesmo é que você tenha esse livro em seu colo antes do final de ano, para começar o ano bem. Pois “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer” é cultura pop de alta qualidade.

Deixa de comprar quatro Rolling Stone (você acha em sebo fácil depois), manera nas vódegas na balada (ao invés de beber três por noite, bebe uma pinga e pronto), aproveita a oportunidade para dar um tempo no cigarro, economiza e compre este livro para você mesmo. Sobretudo, devore cada pedaço dele como se fossem variações da sobremesa que você mais gosta. Tem coisas neste livro para as quais você ainda não está pronto (nem eu), mas que um dia você irá ouvir e, quem sabe, gostar. Coisas de jazz, blues, punk, metal, disco, soul, hip hop, música experimental, dance, world e, claro, o recheio, rock e pop. Coisas finas, garanto.

Decidi escrever tudo isso acima, com toda pieguice que esse texto permite, porque eu adoraria que alguém empurrasse esse livro sobre mim se eu não soubesse da existência dele. E, cá entre nós, se você “perde tempo” visitando este espaço rotineiramente (sei lá, uma vez por dia, por semana, por mês, por ano), este livro é a sua cara, como é a minha. Vai lá. Este é o presente que Papai Noel (velho batuta) quer te dar neste ano. Tem gente que queria um carro, uma casa, o box com as dez temporadas do Friends ou um ticket para assistir a um dos shows da volta do Led Zeppelin, mas estou feliz com este livro em meu colo. Espero que você também fique. Vai lá. Sid Vicious está te encarando.

Feliz Natal

Link: “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”

Caraminholando sobre os Melhores de 2007: Cinema

December 11th, 2007

A pergunta que ecoa dentro da minha cabeça: qual dos cinco filmes vai sair da minha lista para a entrada de “A Vida dos Outros”? O drama alemão está dividindo – neste momento – o posto número 1 de melhor filme internacional que vi neste ano com o poderoso “Onde os Fracos Não Tem Vez”, dos Coen (em breve num cinema perto de você – trailers já estão rodando os cinemas nacionais), mas – para ele entrar – alguém vai precisar sair.

“I’m Not There” é matador, mas não excelente. Deve crescer com o passar dos anos, e se mantém na lista. “À Prova de Morte” é o bom e velho Tarantino de sempre, e sua virtude – e defeito – é ser mais do mesmo. Tem uma graaaaande cena, e a velha manha do diretor em nos “enganar” com um roteiro bem amarrado que nos brinda com um final acachapante, mas cansa um pouco no meio. “Into The Wild”, de Sean Penn, é comovente e tende a conquistar multidões, mas numa escala de paixão perde para “Ratatouille” (a cena do crítico relembrando a infância é mágica).

Desta forma, com poucos filmes que podem ameaçar minha listinha internacional neste ano (acredito eu), no momento o top 5 é o seguinte:

1) Onde os Fracos Não Tem Vez
     A Vida dos Outros
3) I’m Not There
4) À Prova de Morte
5) Ratatouille

Agora, e a listinha nacional? “Jogo de Cena” merece uma vaga no Top 5, mas quem sai?

1) Saneamento Básico
2) Tropa de Elite
3) Cartola
4) Santiago
5) O Cheiro do Ralo

Vou pensar, mas “O Cheiro do Ralo” não é de 2006?

“A Vida dos Outros”

December 11th, 2007

“A Vida dos Outros”, de Florian Henckel von Donnersmarck - Cotação 5/5

Georg Dreyman (Sebastian Koch) é considerado o maior dramaturgo da Alemanha Oriental, tido por muitos como modelo perfeito de cidadão para o país, já que não contesta o governo nem seu regime político. Aparte importante: a história se passa no começo da década de 80, quando um muro (ainda) separava as duas Alemanhas, e a RDA (República Democrática da Alemã), por meio de sua polícia política, a Stasi, vasculhava a vida de seus moradores procurando desertores e pessoas contrárias ao regime, que sumiam na noite para nunca mais voltarem ou eram completamente colocadas à margem na sociedade.

Dreyman não planeja nada contra o governo da RDA, mas o ministro da cultura, Bruno Hempf, tem lá suas dúvidas, e pede a Stasi um pacote completo de escuta telefônica na casa do teatrólogo, motivado primeiramente por desconfiança, e posteriormente por interesses pessoais (sexuais). Anton Grubitz (Ulrich Tukur), um chefão da Stasi, encarrega o amigo Gerd Wiesler (Ulrich Mühe), seu subordinado, para o serviço. Wiesler é um dedicado funcionário do governo que leciona para futuros profissionais da polícia enquanto se gaba de conhecer as artes da tortura emocional em sessões de interrogatório. 

Temos, então, quase todas as principais peças no tabuleiro para movimentarmos o roteiro impecável de “A Vida dos Outros” (escrito e dirigido por Florian Henckel von Donnersmarck). A única peça que falta é Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck), atriz e namorada do dramaturgo. Christa exala encanto e todas as outras peças, em momentos diferentes do filme, circulam ao seu redor, revelando – talvez – a única fragilidade ideológica da obra: as mulheres (com base neste personagem feminino) são mais vulneráveis, inseguras e maleáveis do que os homens, o que não deixa de ser uma meia verdade (machista, mas meia verdade), e permite indagações que, se não chegam a manchar o brilho poético da obra, abrem uma fresta que pode revelar uma premissa insustentável. 

Porém, “A Vida dos Outros” exala muito mais luz e emoção por outras frestas desta casa vigiada 24 horas por dia por agentes da RDA. O capitão Wiesler dedica-se nas análises das escutas e, quando percebe, está completamente envolvido pela vida de Dreyman e Christa. Por outro lado, o ministro pressiona seus subordinados para que eles encontrem algo que possa incriminar o dramaturgo. Há, no personagem do capitão Wiesler, um senso de dever ao governo que se confronta com seu próprio senso de justiça, o mesmo que faz com que ele – friamente – arranque confissões em interrogatórios. É na visão delicada deste embate entre dever e justiça que “A Vida dos Outros” se transforma em poesia cinematográfica. 

Seu ápice climático acontece, não à toa, no ano de 1984, e cria um paralelo com a famosa obra de George Orwell – que também discute vigilância estatal e o retorno a um regime parecido com o estalinismo. As citações são várias. Em uma delas, um escritor – simpatizante dos dissidentes – recebe uma máquina de escrever que contém as letras do alfabeto romano para que ele possa redigir um texto para ser publicado do outro lado do muro, pois na RDA era expressamente proibido o uso de uma máquina dessas, e quem as usasse seria tratado como traídor do regime político. Em “1984”, o livro, o estado controlava o pensamento dos cidadãos, entre muitos outros meios, pela manipulação da língua.

O aprofundamento teórico, no entanto, é apenas um verniz que faz brilhar ainda mais uma história tocante, que é contada sem atropelo, exageros ou maniqueísmos. Por mais que a política esteja no pano de fundo de sua história, o filme se impõe como um tratado cuidadoso sobre a natureza do ser-humano e das próprias relações humanas. Em certo momento, o ministro diz ao dramaturgo, em tom de (falso) elogio: “Você acredita que as pessoas mudam… isso é bonito em peças de teatro… mas elas não mudam”.  Von Donnersmarck, o diretor, discute essa certeza de seu personagem com muito lirismo.

Com um orçamento ridículo para os padrões hollywoodianos (US$ 2 milhões), “A Vida dos Outros” se vale de um roteiro impecável, atuações convincentes e uma direção tão delicada que nem se faz perceber durante os 137 minutos empolgantes da fita. Além de levar o Oscar de Filme Estrangeiro, o filme conquistou o Independent Spirit Awards e o Globo de Ouro na mesma categoria, levou três estatuetas no European Film Awards (Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Roteiro) e é o recordista de indicações (11 no total) na história da premiação anual da Alemanha.

Muita gente não leva o Oscar a sério, e com certa razão, já que a premiação comete erros históricos e omissões imperdoáveis. Porém, é importante lembrar que nem só de escorregadas vive a Academia de cinema mais famosa do mundo. E no quesito acertos, “A Vida dos Outros”, vencedor na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira do Oscar 2007, é um belíssimo exemplo para ilustrar o caso.

Mais: se houvesse justiça cinematográfica no mundo, “A Vida dos Outros” poderia ser apontado o Melhor Filme de 2006 numa final entre língua inglesa e não inglesa (algo como o Campeonato Interclubes de futebol - hehe). Não que Scorsese não merecesse um Oscar pela carreira (ele merecia, ele merece), mas enquanto “Os Infiltrados” é uma poderosa crônica sobre o submundo (e perda de valores), “A Vida dos Outros” é uma poesia sobre o início da verdadeira revolução: ela começa em nós mesmos. Ambos são filmes impecáveis e sensacionais, mas politicamente, perdoe a pieguice, fico com o segundo.

Ps. Ulrich Müher, falecido neste ano, merecia uma indicação como Melhor Ator, no mínimo.

Nokia Trends 1 x 2 Calor

December 10th, 2007

 O Nokia Trends encerrou, na noite de sábado (ou, como alguns brincaram, na manhã de domingo) o calendário mais caótico de shows que este país já assistiu em um ano. O festival já saiu perdendo em termos de escalação em comparação com sua própria edição de 2006 (com Soulwax, Hot Hot Heat, We Are Scientists e Bravery), e se tivesse mantido a belíssima estrutura já seria um grande ponto a favor frente ao fiasco do Tim Festival SP deste ano.

Porém, a adaptação do palco no Memorial da América Latina apresentou alguns problemas, cujos principais foram os poucos banheiros disponíveis e, principalmente, o ar-condicionado insuficiente para a quantidade de gente que lotou o festival. A quantidade de caixas e bares foi satisfatória, com um único defeito a ser ressaltado: os caixas só vendiam cartelas de R$ 10 com cinco fichas de R$ 2. Ou seja, se você quisesse comprar um refrigerante, que estava custando R$ 4, teria que comprar a cartela de R$ 10 e “morrer” com os outros R$ 6 (eu voltei com R$ 2 pra casa).

E a música?, pergunta o leitor que entrou aqui para saber disso: Artificial, projeto do Kassin, é uma piada de mau gosto; para falar do Underground Resistence foi usar a frase de um amigo: “Só falta entrar a Gloria Estefan cantando“; não lembro do Van She, um pouco por causa da mistura de vodka e gin, e também porque eles são esquecíveis mesmo; o Phoenix foi bem bom. “Consolation Prizes“, a única música deles que permaneceu no meu computador, ficou muito boa ao vivo. Não que eles valham uma noite, mas são competentes e isso basta; e o She Wants Revenge foi… fraquinho.

Ok, estou sendo exigente demais. O She Wants Revenge é datadaço e não deveria estar tocando naquele local, uma tenda quente hiper-maxi-iluminada cheio de gente estilosa e/ou tentar mostrar algum estilo. O som do She Wants Revenge não casa com a proposta do lugar. Eles precisam de um ambiente menor, mais escuro, mais dark, mais gótico, mais tudo. Não dá para ouvir a voz a la Sisters of Mercy do vocalista do She Wants Revenge com o sol nascendo. Vampiros não podem com o sol. É tão primário.

Na verdade, a escalação de todos os grandes festivais pecou, e muito, em 2007. Tudo o que o marketing tentou vender neste ano foi por água a baixo pelo que se viu no palco. Killers não tem nada a ver com o Tim Festival. Kasabian não é uma banda de porte para fechar um festival tão bacana quanto o Planeta Terra. E She Wants Revenge não pode tocar com o dia clareando. Fica parecendo que, antigamente, os curadores destes festivais iam atrás daquilo que achavam melhor, mas agora pegam o que está dando sopa no mercado de shows. Algo tipo: “Temos essas 20 bandas querendo tocar na América do Sul, qual delas você quer?“.

Trocamos a curadoria pela facilidade (e economia) do que já está no circuito de shows. Para que um curador vai se preocupar em trazer algo novidadeiro se o Killers está dando sopa na América do Sul, não é mesmo? Acontece que a roda não deveria girar desse jeito. Para o Tim Festival, que vende o slogan “música sem fronteiras” e aposta em nomes pouco conhecidos do grande público, o Killers é mega e estaria perfeitamente encaixado como headliner do Terra (iria ser perfeito). E isso abriria para o Tim investir em nomes como Calexico (que estava rodando a América do Sul meses atrás), Beirut (top ten em dezenas de listas de melhores do ano) ou até apostar num Twilight Singers e Soulsavers, garantia de shows inesquecíveis e bom investimento pop.

Dos três grandes festivais deste ano (vamos combinar que o Motomix não existiu, ok), o Nokia Trends foi o que errou menos. O Planeta Terra foi perfeito na estrutura, mas faltou arriscar mais num grande nome que pudesse dar suporte ao evento. Quando se fala mais do quão a estrutura de uma festival foi legal estamos sinalizando que a música ficou em segundo plano. O Tim Festival SP teve alguns dos melhores shows do ano, mas foi terrivelmente frustrante no quesito produção. E o Nokia Trends desceu uns degraus no quesito produção e line-up, mas continuou na mesma vibe dos anos anteriores (nomes pequenos, produção cuidadosa, boa festa). Num mundo ideal, os erros cometidos neste ano deveriam servir de aprendizado para o ano que vem, mas não vou ficar surpreso se todo esse cenário se repetir. Mesmo.

Leia também:
- Planeta Terra: “Ninguém vai a um festival para comer algodão doce e tomar sorvetes Rochinha”
- Tim Festival: “Eu tenho uma vida fora daqui”.

100º post

December 10th, 2007

Estou com dor de cabeça. Fiquei com dor de cabeça o dia inteiro, e acho que não há nenhuma relação com o consumo excessivo de Gin na noite anterior (e eu nem bebi como as meninas beberam), e sim com os energéticos que estavam dando mole na sala de imprensa do Nokia Trends, e que bebi como se fossem água. Demorei a dormir, acordei estranho, fiquei gripado, comi um PF na Augusta e quando já me preparava para entrar na sala de cinema, desisti e voltei pra casa para gastar meio rolo de papel higiênico soando o nariz… dia estranho. Isso que meu orkut avisava que minha vida estava mudando novamente. Vá entender.

Bem, vou ver se falo do Nokia Trends mais pra frente, mas dá pra resumir assim: Phoenix foi bem ok, e She Wants Revenge é datadaço. Cheguei bêbado, tive ressaca no meio da noite, e fui pra casa curtido. O ambiente estava quente, mas não trocaria a noitada no Memorial pelo Maracanã. Tava vendo uns trechos do Police agora e show em marcha lenta não dá. O fato é que depois de acordar no fim da tarde de domingo ainda encontrei tempo para ir correndo ver o “Jogo de Cena”, do Coutinho. Vou escrever dele pra semana, mas fica a recomendação: veja, veja, veja.

Na quarta tem discotecagem com o pessoal da Mojo Books no Studio SP. Aparece lá. Vou ver se atualizo o site até terça (tem umas coisas legais para entrar). Quero começar a distribuir as cédulas da votação de Melhores do Ano a partir de quarta-feira. E, ah, estou preparando uma camiseta com o logo do site, bacana e básica. E este ano vou fazer um CD com o best-of do site, ok. Aliás, falando em CD, Alexandre, coloca a versão da Fernandinha Takai para “Com Açucar, Com Afeto” no CD que você estava preparando para a lady. Ela só não entrou na discotecagem pois eu só fui baixar o disco (valeu a pressão, Adriano) na segunda, após a festa da firma.

Outra coisa que quero fazer nesta semana é responder aos comentários postados. Se não me engano este é o 100º post do blog, e em média cada post tem uns três comments - uma maneira copo vazio de ver as coisas (a estatística, já dizia outro, e a ciência que diz que se temos dois homens, e um deles bebeu duas cervejas, o correto é que cada um bebeu uma cerveja, 50% do total). Vou tentar colocar as coisas em ordem por aqui, ok. Bem, hora de dormir pois já são quase 1h30. Segunda é dia de batente. “I Don’t Like Mondays”, canta Rubin em algum lugar da minha memória.