Blog do Editor do Scream & Yell
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Posts from — Dezembro 2007

Cenas da vida em São Paulo, Parte 5

Rua Augusta, 8h20, manhã de 31 de dezembro de 2007. O sol está a pino e os relógios marcam 27 graus. O dia está apenas começando. Um homem de uns 40 e poucos anos desce cambaleante pela calçada levando na mão esquerda uma sacola de plástico que parece muito maior do que o que ela leva dentro de si. Visivelmente abalado alcoolicamente, nosso amigo não caminha, dança ao som do vento, embora nem esteja ventando.

Do outro lado, uma garota deixa uma casa noturna da Augusta (se é que você nos entende) gritando para o amigo na portaria:

- Vou ali fazer uma correria, já volto.

Ela é, notadamente, uma dama da noite. Magra, com um colant cinza por baixo do top preto, ela não aparenta ter mais do que 30 anos. É fim de expediente, e mesmo assim ela brilha na manhã ensolarada de São Paulo. Se retirar a maquiagem e colocar uma roupa um pouco mais normal, poderia perfeitamente ser apresentada como namorada de algum sortudo numa casa de família tradicional, e todos iriam adorá-la. Ela caminha decididamente, mas é abordada pelo bêbado. O diálogo que se seguiu dificilmente poderia ser reproduzido fielmente, mas vale a tentativa:

- Oi, oi, oi – diz o rapaz pegando a mão da moça e beijando-a como se ela fosse uma princesa (e ela deveria realmente ser… para ele).

- Oi, tudo bem? – responde ela retribuindo ao homem uma atenção insuspeita; é possível perceber que ela está sendo importunada, que ela não queria ter parado ali, mesmo assim ela trata o homem com a maior delicadeza possível.

- Então, e ai? – diz ele

- É isso, é isso – responde ela, apressadamente

- Espera, você é linda demais – e a voz dele carrega no “demais” deixando o ar com cheiro de algum aguardente barato; ela ainda permite que ele a segure pelas mãos, mas o improvável casal não consegue terminar uma frase útil que seja.

- É bom olhar você…

- Que legal…

- É legal…

- Um barato…

- Sabe… sabe… sabe…

- Eu acho muito legal…

- (sorrisos)

- Eu preciso ir…

- Olha, não…

- Então…

- Pô, você lembra???

- Lembro, claro que lembro – ela solta a mão dele e volta ao seu trajeto normal…

- Ela lembra, ela lembra – ele comenta sorridente com as pessoas no ponto de ônibus, e grita para ela:

- Feliz ano novo.

Ela apenas acena a mão e some entre os prédios. Ele, atingido pelo vento que não venta, cambaleia, e continua seu trajeto descendo a Augusta. Aproximadamente uns vinte metros depois aborda outra dama da noite, tenta pegar a sua mão, e ante a negativa vai direto para o final da história:

- Feliz ano novo.

O sol está a pino e o ano está acabando. Previsão para 2008: ressaca.

Dezembro 31, 2007   2 Comments

Melhores do ano ao redor do mundo

A Metacritic compilou 26 listas de Melhores do Ano de diversas publicações ao redor do planeta. Três bandas dominam metade dos números 1: Radiohead (6 primeiros lugares), LCD Soundsystem (4) e Arcade Fire (3) juntos somam 13. A outra metade fica dividida entre gente como Battles, Feist, Spoon, National, Bruce Springsteen e Panda Bear, entre outros. Veja quais veículos se dividiram entre os três primeiros:

“In Rainbows”, Radiohead
Billboard, Delusions of Adequacy, Filter, Mojo, Noripcord, PopMatters

“Sound Of Silver”, LCD Soundsystem
Drowned In Sound, MusicOMH, The Guardian, Uncut

“Neon Bible”, The Arcade Fire
Lost At Sea, The Onion AV Club,  Q Magazine

A Rolling Stone americana escolheu “Kala”, da cantora M.I.A., como disco do ano; a badalada The Wire ficou com “Comicopera”, de Robert Wyatt; a Spin apontou “New Wave”, do Against Me!; o Observer ficou com o álbum homônimo do The Good, The Bad & The Queen; a NME com “Myths Of The Near Future”, do Klaxons (que toca no Brasil em maio junto com Editors e Yo La Tengo). Veja as 26 listas (e a média final da Metacritic) aqui.

O mais engraçado, pra mim, é que recebidos 1/4 dos votos para os Melhores do Ano do Scream & Yell (25 de 100), o disco que lidera a votação neste momento não foi primeiro lugar em nenhuma das 26 publicações listadas pela Metacritic… mas muita coisa pode mudar…
 

Dezembro 30, 2007   2 Comments

Sonhar é permitido, viver é permitdo

O processo que eu havia iniciado em 2006 persistiu por todo o 2007: meu amadurecimento. Ou, como escreveu o amigo Takeda um dia, o descongelamento. Passamos anos de nossas vidas congelados em um tempo que se foi, mas que não queremos deixar partir. Recusamos o amadurecimento em pró da eterna adolescência. Mas, quer queiramos ou não, a maturidade bate a nossa porta. E quando percebemos estamos descongelando. Dois mil e sete foi um dos anos mais importantes da minha história pessoal. E também da nossa história social, Brasil, saca.  Como diria Marlon Brando, muitas coisas que pareciam ser relevantes, hoje não são mais. Posso creditar meu principio de descongelamento ao fato de ter expandido minhas fronteiras: posso dizer que cheguei perto da fronteira do Chile com a Bolívia e, quer saber, é uma experiência e tanto.

Posso creditar também ao fato de que, desde julho, sou um homem casado. Quase casado, ok. Dividir a vida com uma pessoa é algo extraordinariamente revigorante. E por mais que você se julgue mestre em relacionamentos, acredite, há um mundo de diferenças entre namorar uma pessoa e viver com ela. A gente aprende tropeçando, não tem jeito. E talvez essa seja a graça de tudo, e esse é um dos segredos para se manter uma história de amor: humor. Rir nos momentos bons… e nos ruins também.

Conceitualmente, porém, o que mais mexeu com meus pensamentos em 2007 foram dois fatos isolados acontecidos no meu poderoso inferno astral: o assalto em Buenos Aires e o atropelamento na rua da Consolação, dois minutos da porta de casa. É clichê pra caralho, mas não tem jeito: sentir a morte caminhando por perto mexe com a gente. E o atropelamento nem foi algo assim, violento. Mas depois que recebi o impacto, senti a escuridão, e abri os olhos sentindo um gosto de sangue nos lábios e a mão toda arrebentada, impossível não pensar no que poderia ter sido.

Passei algumas semanas pensando nisso, e o estranho é que, entre o mil anos a dez ou o dez anos a mil, sou partidário do mil anos a mil. Eu nunca quis pouca coisa, mas assim que o pessoal do Resgate me imobilizou e me transferiu para a ambulância, eu só conseguia pensar na quantidade de coisas que ainda não tinha feito, que seria uma grande bobagem divina alguém me aprontar uma peça. Era impossível não caraminholar isso: um dos meus grandes amigos sofreu um acidente de carro, foi transferido para o hospital, acordou no outro dia e falou com a família, tudo ótimo, mas quando foram transferi-lo da cama para uma maca, uma hemorragia interna o levou. Ele tinha 21 anos. Eu também. Melhor não arriscar.

O assalto me balançou de outra forma. Deu tudo errado naquele dia. Pior: os sinais eram evidentes, mas mesmo assim demos bobeira. Lili queria conhecer La Boca. Seus livros de arquitetura rendiam elogios ao lugar, porém, La Boca é um dos bairros mais pobres de Buenos Aires. Não dava pra marcar bobeira. A sucessão de erros começou  no hotel: inseguro em relação ao dinheiro (R$ 4 mil no total), coloquei R$ 2 mil num bolso inferior perto do joelho esquerdo e outros R$ 2 mil foram guardados numa bolsinha por dentro da calça. Como tínhamos uma encomenda (uma camisa do Boca para o sogro), decidi levar R$ 200 em reais mesmo, para aproveitar a valorização da moeda. E mais 100 pesos para comprar outras coisas, almoçar e tal. Ou seja, eu estava portando aproximadamente R$ 4.500, e não se leva uma quantia dessas em um bairro barra pesada, ok.

Além do dinheiro (que era tudo que tínhamos para seguir viagem – Buenos Aires era o começo), eu levava uma Canon S215 (deve estar uns R$ 1500 por ai) na mochila, além de frutas e nosso guia de viagens, que tinha servido de base para todo o planejamento da viagem. Minha idéia era pegar um ônibus na avenida 09 de Julio (havíamos visto vários no dia anterior) e seguir até La Boca. Encostei numa banca de flores e perguntei para um garoto como chegar a La Boca. Ele respondeu?

- La Boca? Não vá a La Boca.

Eu ri, e insisti, mas ele continuou com o mesmo discurso, repetindo mais duas vezes:

- Não vá a La Boca.

Deixamos o menino e seguimos uma quadra. A idéia do ônibus já não parecia tão boa, então paramos um táxi. Assim que disse ao motorista que queríamos ir para La Boca, ele praguejou algo e nos deixou estatelados na calçada. O táxi seguinte, porém, parou e nos recebeu, mas o motorista não abriu a boca um segundo sequer nos 15 minutos de trajeto. Ele nos deixou logo na entrada do bairro pelo lado do porto, e a primeira coisa que me chamou a atenção foi uma pixação em um conjunto velho de prédios: “Nos precisamos de água quente”. Poucos dias depois que partimos para Santiago, nevou em Buenos Aires. E moradores de La Boca não tinham água quente…

Fizemos o trajeto turístico, com vários seguranças contratados pelos comerciantes locais, e saímos por uma rua em direção ao estádio de La Bombonera, do Boca Juniors, casa que viu Diego Maradona nascer para o mundo. Eu não havia conseguido entrar no estádio nas duas vezes anteriores que eu o tinha visitado, mas desta vez demos sorte, e passeamos pela arquibancada, tiramos fotos, nos divertimos. Coloquei a máquina digital (que é de média pra grande) no bolso da jaqueta e partimos em busca do almoço.

O guia que levávamos falava muito bem de um restaurante italiano em La Boca, e depois de alguns dias devorando bifes de chouriço, experimentar uma boa massa nos pareceu uma grande oportunidade. Nosso erro, porém, foi nos desligarmos completamente do lugar em que estávamos. Olhávamos os prédios, as casas, eu questionava coisas sobre arquitetura, Lili me explicava, até que chegamos a uma grande igreja (duas quadras fora do centro turístico) e bateu um frio na barriga sem motivo. O motivo, na verdade, se revelou na esquina seguinte.

Assim que entramos na rua do restaurante, a Nepuchea, cinco caras nos cercaram. Um deles tirou Lili de lado, e depois de fuçar nos bolsos de sua jaqueta, e ela dizer que não tinha nada, apenas pediu para que ela ficasse em silêncio. Os outros quatro partiram para cima de mim, me jogando ao chão e tentando me atacar como urubus em busca de carne fresca. Não se deve, nunca, reagir a um assalto, mas tem coisas que são mais fortes que a razão. Colei minha perna esquerda no asfalto (no bolso próximo ao joelho havia R$ 2 mil) oferecendo o bolso da direita, que trazia apenas um caderno de anotações. Com uma mão eu segurava a máquina digital, e com a outra tentava atrapalhar o máximo possível a ação dos quatro rapazes. Passava um pouco do meio-dia.

A grande maioria dos assaltos não dura mais do que um minuto ( e existe uma grande porção que dura segundos, e você só descobre que foi assaltado horas depois), mas este deve ter batido os 120 segundos. Quando, finalmente, eles conseguiram retirar minha carteira (e ver os 100 pesos lá dentro) e minha mochila, saíram correndo deixando eu e Lili para trás. A primeira coisa que me veio à cabeça: documentos. Me levantei na hora e sai correndo atrás deles gritando “documentos, documentos”. O rapaz que estava correndo com a carteira a abriu e foi jogando RGs (meu e de Lili), vistos de entrada no país, cartões de crédito e de débito e outros. Resgatamos tudo e fomos acolhidos por uma família dona de um restaurante. Eles chamaram a polícia (que não veio), nos deram alguns pesos para a passagem do ônibus, e nos acompanharam até o ponto.

Tenho certeza que, assim que sai do restaurante, um dos assaltantes me aguardava na porta. Minha intenção era chutar-lhe o saco com toda força e arremessa-lo no meio da rua, mas seria uma grande idiotice. Eu estava com a máquina (que eles devem ter sentido falta na mochila, já que só a capa dela estava lá) e com R$ 4 mil. Não dava para cometer mais um erro. O dono do estabelecimento bateu boca com o cara, o clima ameaçou esquentar, mas fomos levados em segurança até o ponto de ônibus. O senhor se desculpava pelo acontecido como se ele tivesse culpa, e dizia que atrás do porto havia uma grande favela. Lili passou boa parte da viagem acordando assustada, e minha função – além de protege-la – era dar-lhe segurança e calma. Após alguns dias as coisas voltaram ao normal.

Apesar de toda violência (que, na verdade, me rendeu apenas um roxo no lado esquerdo do rosto, que sumiu no dia seguinte), não foi o fato em si que mexeu comigo, mas os pensamentos que dele decorreram. Primeiramente, não tiro a razão daqueles caras. Eu e Lili éramos dois turistas “esbanjando” enquanto eles estavam ali passando fome. É algo como aquela piada que diz “que a sociedade me deve a sua carteira, saco, mano”. Não estou querendo dizer, de forma alguma, que aprovo. Não, não aprovo. Eu sei o quanto Lili e eu ralamos para juntar aquele dinheiro, o quanto planejamos aquela viagem, mas se os assaltantes fossem se preocupar com isso, não teríamos crimes no mundo, não é mesmo. Na verdade, acho que os motivos são mais importantes que o fato.

Caraminholando incessantemente sobre tudo isso, e caminhando os meses seguintes pelas ruas cheias de pobreza de São Paulo, cheguei a conclusão (óbvia) de que se queremos um mundo melhor, precisamos dar o exemplo. Não ria. Eu sei que é piegas, mas numa entrevista que concedi ao amigo Carlos William, da revista Bula, ano passado, respondi assim a seguinte pergunta:

“E o PT?”
“Um sonho que nos apresentou a realidade: não existem sonhos!”

Não quero descambar para o partidarismo (na verdade, quero ficar cada vez mais longe deles), pois sempre votei em pessoas, não em partidos. O que estou querendo dizer é que se já sabemos que não podemos confiar em ninguém, que não existem sonhos quando o assunto é política, dinheiro e poder, então está na hora de fazermos as coisas nós mesmos. E, mais do que nunca, deixarmos o social de lado e agirmos no pessoal. Sim, mudarmos as coisas ao nosso redor primeiro. Sempre fomos acomodados demais, mas precisamos mostrar que se as coisas podem dar certo, elas tem que começar a dar certo dentro da nossa própria casa, do nosso próprio ambiente de trabalho, da nossa família, do nosso bairro. Sempre acreditei que fazer o bem é a melhor coisa que uma pessoa pode fazer para mudar o mundo, e apesar de parecer a coisa mais piegas do mundo, é no que eu acredito realmente.

Não estou fazendo, de forma alguma, uma apologia da cegueira do tipo “feche os olhos para as coisas feias do mundo, para as pessoas que te xingam no sinal de transito, para aqueles que roubam o seu dinheiro, para os políticos que fazem da nossa capital federal um grande e nada engraçado circo”. Precisamos acreditar na Justiça, evitarmos a tolice (pois, como escreveu Blake, “se os outros não forem tolos, nós teremos que ser”) e buscarmos um mundo melhor. Quero chegar aos 100 anos, como Niemeyer, de preferência em um mundo muito melhor do que este que vivemos agora. Por mais que as grandes empresas nos queiram longe das decisões importantes (já leu o poderoso “Sem Logo – A Tirania das Marcas em Um Planeta Vendido”, de Naomi Klein?), a força está em cada um de nós. E nós podemos construir um mundo melhor a partir da nossa história pessoal, das coisas que vivemos, das pessoas que conversamos, das idéias que trocamos, da camiseta que vestimos. Tenho pensado muito nisso. E acho que essa é uma boa maneira de começar 2008: acreditando em um mundo melhor, apesar de assaltos, atropelamentos e partidos políticos. Apesar de tudo.

Feliz ano novo para todos nós. E força sempre.

Ps. Não esqueça: sonhar é permitido, viver é permitido. Sonhe. Viva.

Feliz 2008.

Dezembro 28, 2007   9 Comments

Preguiçinha boa

Fiz um bate-volta São Paulo /Uberaba / São Paulo no feriadão de natal e tô meio quebrado, apesar de ter ido e voltado de ônibus leito (ônibus normal nunca mais!). Não consegui dormir na volta, e vim caraminholando coisas pra escrever aqui, aquele papo natalino e de feliz ano novo básico, mas… bateu um cansaço. Volto mais tarde, quem sabe, entorpecido de vinho, e a coisa sai.

Dezembro 26, 2007   1 Comment

Cinco monólogos clássicos do cinema

Acabei de assistir (mais uma vez) “Apocalipse Now Redux”, esta obra prima de Francis Ford Coppola, considerada por muitos como o melhor filme de guerra de todos os tempos. Lamento não ter conseguido ver no cinema quando de seu relançamento, mas são tantas cenas poderosas, tantas passagens antológicas que, logo após ao filme, me lembrei de uma eleição anos atrás que apontou o monólogo de Robert Duvall sobre o Napalm como o melhor do cinema em todos os tempos.

Particularmente acho que a abertura de “Annie Hall” merecia uma vaga entre os cinco (e mesmo Rick falando sobre Paris em “Casablanca” tem um lugar no Top Ten), mas que essa fala de Duvall é clássica não há como discutir. Não vi “Uma Questão de Honra”, que ficou com o segundo lugar, e acho as três escolhas seguintes irrepreensiveis. Só para ter uma idéia, tenho em casa o roteiro de “Pulp Fiction” e de “Trainspotting”, sendo que a fala deste último também abre o Scream & Yell em papel número 6. Confira a lista.

1. Robert Duvall, Apocalypse Now (1979)
“You smell that? Do you smell that? Napalm, son. Nothing else in the world smells like that. I love the smell of napalm in the morning. You know, one time we had a hill bombed, for twelve hours. When it was all over I walked up. We didn’t find one of ‘em, not one stinkin’ dink body. The smell, you know that gasoline smell, the whole hill. Smelled like… victory.”

Você consegue cheirar isto? Cheire isto? É Napalm, filho. Nada no mundo tem um cheiro semelhante. Adoro o cheiro de napalm pela manhã. Sabe, uma tarde bombardeamos uma colina por doze horas. Quando tudo acabou eu subi a colina. Não encontramos um deles, nem sequer um corpo mal cheiroso. O cheiro, você sabe aquele cheiro de gasolina, toda a colina…. cheirava a vitoria.”

2. Jack Nicholson, A Few Good Men (1992)
“You can’t handle the truth! Son, we live in a world that has walls, and those walls have to be guarded by men with guns. Who’s gonna do it? You? You, lieutenant Weinberg? I have a greater responsibility than you can possibly believe. You weep for Santiago, and you curse the Marines. You have that luxury. You have the luxury of not knowing what I know - that Santiago’s death, while tragic, probably saved lives; and my existence, while grotesque and incomprehensible to you, saves lives.”

“Você não aguenta a verdade! Filho, vivemos em um mundo que tem paredes. E essas paredes são guardadas por homens com armas. “O que você vai fazer? Tu? você, Tenente Weinberg? Eu tenho uma responsabilidade maior do que vocês podem acreditar. Você limpa para Santiago, e você fala mal dos Marines. Você pode dar-se a esse luxo. Você tem o luxo de não saber o que eu sei - Que a morte de Santiago, embora trágica, provavelmente salvou vidas; e minha existência, embora grotesca e incompreensível para si, salva vidas.”

3. Samuel L Jackson, Pulp Fiction (1994)
“The path of the righteous man is beset on all sides by the inequities of the selfish and the tyranny of evil men. Blessed is he who, in the name of charity and good will, shepherds the weak through the valley of darkness, for he is truly his brother’s keeper and the finder of lost children. And I will strike down upon thee with great vengeance and furious anger those who attempt to poison and destroy my brothers. And you will know my name is the Lord when I lay my vengeance upon you.

“O caminho do homem de bem é cercado por todos os lados pelas iniqüidades dos egoístas e a tirania dos maus. Abençoado aquele que, em nome da caridade e boa-vontade, pastoreia os fracos pelo vale das trevas. Pois é verdadeiramente o guardião de seus irmãos e salvador dos filhos perdidos. E irei cair com grande vingança e ira sobre todos os que tentarem envenenar e destruir meus irmãos. E você saberá que eu sou o Senhor quando minha vingança o abater.”

 4. Ewan McGregor, Trainspotting (1996)
“Choose life. Choose a job. Choose a career. Choose a family, Choose a big television, Choose washing machines, cars, compact disc players, and electrical tin openers. Choose good health, low cholesterol and dental insurance. Choose fixed-interest mortgage repayments. Choose a starter home. Choose your friends… Choose your future. Choose life.”

“Escolha a vida. Escolha um trabalho. Escolha uma carreira. Escolha uma família, escolha uma televisão grande, escolha máquinas de lavar, carros, aparelhos de CD, e abre-latas eléctricos. Escolha uma boa saúde, o colesterol baixo e o seguro dental. Escolha empréstimos de taxa fixa. Escolha uma casa. Escolha seus amigos… Escolha seu futuro. Escolha a vida.”

 5. Mel Gibson, Braveheart (1995)
“You have come to fight as free men, and free men you are. What will you do with that freedom? Will you fight? Aye, fight and you may die, run and you’ll live. At least a while. And dying in your beds many years from now, would you be willing to trade all the days from this day to that for one chance, just one chance to come back here and tell our enemies that they may take our lives, but they’ll never take our freedom!”

“Vocês vieram lutar como homens livres, e homens livres vocês são. Que farão com essa liberdade? Você lutará? Aye, luta e podes morrer, fuja e você viverá. Ao menos por enquanto. E morreram em suas camas muitos anos à frente, você estaria disposto negociar todos os dias deste dia àquele para uma possibilidade, apenas uma possibilidade voltar aqui e dizer a nossos inimigos que podem tirar as nossas vidas, mas nunca nos tirarão a nossa liberdade!”

Ps. Woody Allen, Annie Hall (1977)…

Dezembro 23, 2007   10 Comments

Enquanto o Natal não chega…

…e eu me perco numa correria infinita, algumas coisinhas para distrair:

- 500 Toques na Revoluttion: esta semana, Jens Lekman, Suzanne Vega e Damon and Naomi. Aqui.
- David Byrne entrevistando Thom Yorke na Wired (você sabe que Radiohead é o nome de uma música do Talking Heads, né?) Aqui
- Diego Medina (ex-Video Hits) apresenta seu novo projeto, o pirado “Zombieoper”, um ensaio sobre o apodrecimento da humanidade em dois atos, assinado por Senador Medinha e Seridée Mondevac. Os dois álbuns estão disponiveis para download gratuito aqui
- Daniel Peixoto avisa: 11 músicas novas do Montage para baixar no Trama Virtual. Pega.
- Caiu na Internet as cinco faixas que compõe o single “Conquest”, do White Stripes, uma das cinco grandes músicas de 2007. O single traz Beck cantando e tocando piano em “It’s My Fault for Being Famous”, fazendo slide guitar em “Honey, We Can’t Afford to Look This Cheap” e produzindo “Cash Grab Complications on the Matter”. O single ainda traz uma versão “acoustic mariatchi” da faixa título. Tá no POTQ e no Nodatta.
- Por último, a Revista O Grito publicou seu Top 25 e ainda traz uma lista especial com os votos de jornalistas convidados, entre eles este que vos escreve. Aqui.

Dezembro 20, 2007   No Comments

Cold War Kids free

O quarteto norte-americano Cold War Kids está liberando seu primeiro (e sensacional) EP, de 2005, para download gratuito no site RCRD.LBL; Quem tem acompanhado este espaço nos últimos meses com certeza já viu imagens do “Mulberry Street EP” na parte “o que estou ouvindo”. O disquinho é fodaço. Abre com a poderosa “The Soloist In The Living Room”, segue com a matadora “Heavy Boots”, e quando você acha que eles não poderiam cravar outra grande canção eles jogam no teu colo “The Wedding”. Pra grudar no ouvido e ser levado no MP3 Player, tocado alto em casa e ser rolado em discotecagens. Download no link abaixo:

http://rcrdlbl.com/artists/Cold_War_Kids

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Já chegaram as dez primeiras cédulas da votação dos Melhores do Ano do Scream & Yell. Quer saber: a briga em disco internacional e nacional promete ser acirrada. Tivemos tantos filmes nacionais bons que decidi dividir a categoria em Nacional e Internacional, e a primeira está muito mais concorrida que a segunda, mostrando que 2007 foi um ano de grandes filmes brasileiros. Vou comentando conforme os votos forem chegando, ok. Se tudo der certo, dia 15 de janeiro publico o especial completo com (aqueles) 100 (amigos) votantes (de sempre).

Dezembro 18, 2007   1 Comment

Açai com vodka

Após uma dúzia de cervejas, papeando sobre misturas alcoólicas, contei que quando meu pai teve uma sorveteria em uma cidadezinha do interior, anos e anos atrás, uma das metas de minhas férias escolares era descobrir qual sorvete combinava melhor com uísque.

Morango e limão foram reprovados, mas chocolate e creme passaram com louvor. A Ligelena, que estava na mesa, contou que adora sorvete com vodka. Eu tinha comentado na mesa algo sobre minha vontade de comer açaí, foi quando deu o estalo na mesa: o que será que vai dar misturarmos vodka com açaí?

A Juliana não quis nem saber (depois, aprovou). O Guto protestou contra o uso de banana e granola. Eu, Jonas, Renata e Ligelena nem ligamos e aprovamos a mistureba toda. Depois que “bebemos” a primeira cumbuca na colher (com uma senhora dose de vodka), pedimos outra, que atendendo aos pedidos do Guto, veio sem granola, mas com banana. Desceu tão bem que já virou um dos pratos especiais do reveillon da turma.

Dezembro 18, 2007   2 Comments

Bob Dylan, Wilco e Radiohead

Eu já tinha postado isso quinze dias atrás, meio em off, mas agora já estão circulando por ai mais novidades: a principio, o homem, o mito, a lenda pisa em terras brasileiras pela terceira vez na primeira quinzena de março para dois shows, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro. A pendenga está na decisão dos lugares em que Dylan irá se apresentar. Os dois primeiros lugares sondados foram o Via Funchal (SP) e o Vivo RJ, mas a produção está pensando em lugares maiores.

Na Argentina, Dylan já tem data e local: ele se apresenta no dia 15 de março, no estádio do Velez Sarsfield.

Agora é só esperar Wilco confirmar pra maio e Radiohead pra junho e vamos ter o primeiro semestre mais sensacional de todos os tempos, musicalmente falando.

Dezembro 18, 2007   5 Comments

Inteligência a favor da música

Dizer, a essa altura do campeonato, que Fernanda Takai sempre teve um jeito de Nara Leão é menosprezar a inteligência do ouvinte. Não que a semelhança inexista, mas é que usar esse argumento após o lançamento de “Onde Brilhem Os Olhos Seus” (álbum em que a vocalista do Pato Fu interpreta canções cantadas outrora por Nara) é mais do que chover no molhado: é render-se ao mínimo divisor comum das letras. E “Onde Brilhem Os Olhos Seus”, por sua imensa qualidade, não merece isso.

Fernanda Takai sempre trafegou – de mãos dadas com o parceiro e marido John Ulhoa – em um território totalmente diferente do de Nara Leão, o do pop rock inteligente (algo raro em um mundo que valoriza o desgaste de fórmulas de sucesso). Nesta investida do casal (sim, “Onde Brilhem Os Olhos Seus” não é só um disco de Fernanda, mas também de John) por um território quase que totalmente desconhecido (o Fu brincou com o samba no batucão “G.R.E.S.” e no sambinha “Tribunal de Causas Realmente Pequenas”), o que mais chama a atenção é a não rendição as fórmulas fáceis.

Sim, pois por mais que o Pato Fu tenha se tornado uma instituição inatacável dentro do famigerado cenário brasileiro (importante: seguindo seus próprios passos) injetando genialidade num lugar caracterizado por monotonia, as fórmulas vão estar sempre presentes para que os “espertos” esvaziem os bolsos dos incautos. E não é que se esperasse de Fernanda e John, após tantos anos de bons serviços prestados a música brasileira, um salto ao lado negro da força, mas sacumé, o que esperar de um repertório calcado por clássicos incontestes do quilate de “Com Açúcar, Com Afeto”, “Luz Negra”, “Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos”, “Insensatez” e “Ta-Hi”?

Porém, Fernanda e John surpreendem acolhendo este repertório de clássicos do cancioneiro nacional e os renovando com arranjos espertos que passeiam pelo “pop, rock, folk, jazz, dixieland, baião-techno e soul branco”, como analisa um dos idealizadores do projeto, Nelson Motta, no belíssimo trabalho gráfico do CD. Entre os pontos altos se destacam a fofa “Diz Que Fui Por Aí” (Zé Kéti / Hortensio Rocha), a deliciosa “Odeon” (Ernesto Nazareth / Hubaldo / Vinicius), a belíssima “Com Açúcar, Com Afeto” (Chico Buarque) e “Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos” (Roberto e Erasmo).

O que mais chama a atenção neste trabalho é a autoralidade da produção de John, que valoriza as canções e as transporta para um território conhecido (aquele em que o Pato Fu trafega com tranqüilidade) sem agredir as matrizes originais. Seria fácil e simplista demais para Fernanda fazer um disco homenageando Nara que soasse exatamente como Nara Leão soava.

“Onde Brilhem Os Olhos Seus” segue outro caminho: é a Nara travestida de Pato Fu (várias canções do álbum encaixariam perfeitamente no repertório da banda mineira), numa aproximação de Fernanda com Nara que, além de homenagear uma das grandes interpretes da MPB, permite valorizar uma das grandes personalidades musicais de nossa música atual: Fernanda Takai. E é nesse aproximação que o álbum consegue seu maior intento: valorizar duas interpretes que souberam, cada uma ao seu modo, usar a inteligência a favor da música.

“Onde Brilhem os Olhos Seus”, Fernanda Takai (Do Brasil Discos)
Preço em média: R$ 22

Dezembro 17, 2007   5 Comments