Pullovers e Bidê ou Balde ao vivo no Inferno Club (SP)

Novembro 21st, 2007

A cena indie nacional descobriu, definitivamente, a MPB. É sintomático – e interessante – o fato do Pullovers, grupo paulista devoto do Pavement e já com três álbuns guitarreiros nas costas, abrir seu novo show tocando “Jorge Maravilha”, de Julinho da Adelaide (aka Chico Buarque), e no meio do set apresentar “Mal Secreto”, parceria de Waly Salomão com Jards Macalé presente no clássico disco de estréia deste último, em 1972. As duas versões juntam-se ao novo repertório do grupo, cantado em português e cheio de possíveis hits.

No entanto, nessa passagem da banda da adolescência para a vida adulta (prejudicada por mudanças constantes na formação), os arranjos ao vivo não estão valorizando o bom (e simples) rock que o Pullovers tem apresentado em estúdio. Canções grudentas e deliciosas como “1932″, “O Amor Verdadeiro Não Tem Vista Para o Amor”,”Futebol de Óculos” e “Marcelo ou Eu Traí o Rock” (todas disponíveis para download no Trama Virtual) perdem punch em suas versões ao vivo. Na hora em que o sexteto encontrar o seu som no palco, São Paulo terá uma grande banda para descobrir. Fique atento.

A Bidê ou Balde ainda é, sobre um palco, uma das melhores bandas de rock do país. Eles podem mudar a formação (perderam o baixista André e o baterista Pedro está fora desde a gravação do Acústico MTV em 2005), se darem ao luxo de tocarem as canções mais fracas de seu repertório (”Vamos Para Cachoeira”, “A-ha”, “Vamos Para Uma Excursão”), e o vocalista esquecer a letra da música que deu a banda o prêmio de revelação no VMB 2001, que mesmo assim o show é poderoso, muito pelo incendiário desempenho de palco de Carlinhos, Vivi, Sá e o novo (velho) guitarrista Pila.

Mérito também para um repertório de canções poderosas como “É Preciso Dar Vazão Aos Sentimentos”, “Matelassê”, “Bromélias”, “K-7″, a versão de “Buddy Holly”, “O Antipático” e “Mesmo Que Mude”, esta última, fácil, uma das dez grandes canções do rock brasileiro nos anos 00. Eles têm o público nas mãos. Vivi sorri. Carlinhos tira o terno, coloca o terno, apresenta os novos integrantes e diz que vai tocar uma antiga, mas “Spaceball” causa um anticlímax na memória: é de uma época em que Bidê e a Vídeo Hits tinham tudo para conquistar o mainstream nacional, e não conquistaram (muito mais por incompetência das gravadoras do que por falta de qualidade das bandas citadas). Essa expectativa não realizada me acorda: já estamos em 2007. E o que a Bidê tem a dizer?

Com esse pensamento, analiso a cena: é uma sexta-feira quente em São Paulo, bebo cerveja gelada na tentativa de entorpecer a memória enquanto uma das bandas mais bacanas desta década do cenário nacional louva o passado (nem tão passado assim) sem dar uma piscadela sequer para o futuro. O último disco da banda, “É Preciso Dar Vazão Aos Sentimentos!”, é de 2004 e, desde então, eles não fizeram nada novo. Amigos se surpreenderam quando a banda anunciou esse show em São Paulo: “Achei que eles tivessem acabado”. O show, no entanto, não desmente isso.

Com três discos na carreira e pouco mais de nove anos de atividade, a Bidê ou Balde parece ter virado um dinossauro indie. Mesmo o show tendo sido bom, foi inferior a qualquer um que a banda tenha feito na cidade entre 2001 e 2005. Pode ser o começo de uma nova fase. Pode ser que os novos integrantes ainda estejam se entrosando. Mas Carlinhos, no palco, lamentando a ausência do baixista André, soa tanto como “os melhores anos de nossas vidas se foram”. Não dá pra fugir do futuro, e a Bidê – que sobreviveu a saída do guitarrista e compositor Rossato após o primeiro álbum – tem estofo de sobrar para sobreviver aos novos tempos. Porém, os fantasmas no palco do Inferno colocam uma grande interrogação no futuro de uma das bandas mais legais que o cenário brasileiro ouviu nos últimos anos.

O Poderoso Chefão

Novembro 21st, 2007

Aproveitei o feriadão (apesar do plantão nesta segunda e terça) para fazer algo que eu queria fazer faz muito tempo: assistir a trilogia “O Poderoso Chefão” de uma tacada só. Na verdade foi um por dia, mas tudo bem. Minha opinião é a óbvia: uma obra prima do cinema. Marlon Brando e Al Pacino sensacionais no primeiro; De Niro e Al Pacino sensacionais no segundo; Andy Garcia e Al Pacino sensacionais no terceiro. Um dos melhores filmes de todos os tempos.

Particularmente gostei mais do primeiro, o que é ir meio contra a corrente daqueles que usam o segundo filme para validar a exceção a regra da frase “uma seqüência nunca supera a obra original”. “O Poderoso Chefão II” superou em Oscars, mas prefiro o primeiro. Na verdade, de 1 a 10, “O Poderoso Chefão I” é 10,5 e “O Poderoso Chefão II” é 10 redondo. E “O Poderoso Chefão III” é ofuscado por Sofia Coppola.

Ok, sei que o mundo inteiro nos últimos 17 anos detonou a atuação da filha do seu Francis, com toda razão. Mesmo assim, não paro de me perguntar que catzo ela está fazendo ali???? “O Poderoso Chefão III” é um filmaço cujo único ponto destoante é falta de atuação de Sofia. Já que estamos falando de um filme de mafiosos, porque ninguém meteu um balaço no personagem dela nos dois primeiros minutos de filme??? Ia ser tão bom….

Aproveitando a onda de filmes sobre a máfia, assisti novamente ao sensacional “Os Intocáveis”, de Brian de Palma, um diretor de altos e baixos, mas que aqui rende que é uma grandeza (assim como em “Scarface” e “Dublê de Corpo”). Cada vez que assisto a este filme, gosto mais dele. Uma senhora atuação de Sean Connery. Na seqüência, vem por ai “Goodfellas”…

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A discotecagem no CB, sábado passado, foi bem rápida. Gostei do Cassavetes, muito embora eu não entenda como um programa ideal sair à noite para ver uma banda cover de canções indies. Ok, eles toquem bem, os arranjos acústicos são ótimos, é tudo muito bem ensaiado, mas… não dá. Se nem o Nouvelle Vague passou no teste…

Abaixo, o curto set list da noite:

Somethin’ Hot, Afghan Whigs
The Good Life, Weezer
Can’t Stand Me Now, Libertines
Delivery, Babyshambles
Hunting For Witches (Single Version), Bloc Party
Heavy Boots, Cold War Kids
Like a Virgin, Teenage Fanclub
Day Tripper, Nancy Sinatra
(I Can’t Get No) Satisfaction, Otis Redding
It Won’t Be Long, Evan Rachel Wood
Mr. Brightside, The Killers
Bodysnatchers, Radiohead

Será que dessa vez vai?

Novembro 20th, 2007

 A revista Variety publicou o primeiro pôster da campanha do filme brasileiro “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias” para uma das cinco vagas na categoria Filme em Língua Estrangeira do Oscar. Confesso que deu um friozinho na barriga. Ainda acho que “Tropa de Elite” era “o” filme, mas confesso que “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias” tem todas as credenciais necessárias para honrar o nome do país numa premiação desse porte. É um belíssimo filme.

 ”Emprestei” o cartaz do blog do Marcelo Bernardes, o Media Soup, que além de trazer a campanha em primeira mão, já lista apostas para as categorias de ator, atriz, ator codjuvante e atriz coadjuvante. Não entendi o que Javier Bardem (sensacional em “Onde os Francos Não Tem Vez”) está fazendo na lista de coadjuvante… Confira os cotados aqui:

http://mediasoup.blig.ig.com.br/

PJ Harvey não é fast-pop-food

Novembro 19th, 2007

A grande maioria das pessoas odeia mudanças em seu dia-a-dia. Estão de certa forma atoladas na rotina diária que se alguém tirar o cinzeiro do lugar de costume e colocar no lugar um copo de gasolina, é capaz que a pessoa jogue as cinzas de cigarro no mesmo lugar sem notar nenhuma mudança. E depois beba o líquido – se ele já não tiver jogado tudo pelos ares – sem saber o que aquele copo estava fazendo ali. Na música pop, a palavra mudar é quase uma ofensa. Por mais contraditório que pareça ser, fãs não pagam para que o artista seja criativo, mas sim para que ele não ouse sair um milímetro que seja daquilo que eles aprenderam a admirar. O culto ao mais do mesmo.

Em seu oitavo disco numa carreira marcada pela atemporalidade, Polly Jean Harvey coloca o rock e os sons de guitarra distorcida - tão característicos de sua persona pop - em uma redoma de vidro para voltar no tempo, mais precisamente para 1861, ano em que o pintor James Abbott McNeill Whistler desenhou o quadro “The White Girl”, inspiração da capa deste “White Chalk”. Com esse retorno, PJ deixou no futuro os sons de guitarra, baixo e bateria trocando os por harpa, banjo e gaita, mas quem comanda a usina de melodias do álbum é o piano (aliás, tema de outro quadro de Whistler, “At The Piano”, em que uma mulher de roupas negras toca uma canção para uma garotinha toda de branco).

A busca de PJ Harvey pelo isolamento no passado é explicitada em diversas letras de “White Chalk” que valorizam a solidão e o silêncio (ao contrário de “Uh Uhu Her”, em que ela dava sinais de esperar o verão). Em “Dear Darkness” (com backings de John Parish, parceiro e um dos produtores do álbum ao lado de Flood e PJ) ela faz uma declaração de amor para a escuridão: “Cara escuridão, você não vai me cobrir novamente? Fui sua amiga durante anos, você não vai fazer isso para mim, caríssima escuridão, proteger-me do sol?”. Em “Before Departure” ela escreve uma carta de despedida: “Adeus meus caros amigos, perdoem a minha franqueza e lembrem-se de mim na primavera”.

Nesta volta ao passado PJ reencontra sua mãe, e pede em “Grow Grow Grow”: “Mãe, me ensine a crescer”; em “To Talk To You” ela tenta falar com o avô; em “Silence”, por sua vez, ela se liberta da família, do trabalho e de si mesma; em “The Piano” diz que ninguém a escuta enquanto repete que se perdeu de Deus; em “Devil” avisa que o Diabo está divagando em sua alma; “When Under Eter”, primeiro single do disco, é sobre uma pessoa em coma: “a mente está viva, mas sem consciência de nada, ela quer sobreviver”; em “Mountain” ela já não está sentindo nada em sua alma, e faz uma pequena profecia: “A primeira árvore não irá dar flores / A segunda não irá crescer / A terceira quase cairá / Uma vez que você me traiu… assim”.

A atmosfera do disco é densa, sombria, renascentista. Polly Jean Harvey canta muito, mas rasga a voz em poucas passagens. A bateria também é rara em um álbum que não deve e nem pode ser consumido como se fosse um produto fast-pop-food (como acontece com grande parte do Novo Rock, que satisfaz o desejo por alguns milésimos de segundo até serem descartados e trocados por algo mais novo… e praticamente igual), mas requer atenção e calma. “Broken Harp” soa como um resumo da obra com PJ cantando a capella nos primeiros segundos: “Por favor, não me censure / Minha vida tornou-se vazia / Eu não sei realmente o que aconteceu / Prestei atenção a sua decepção / E estou sendo mal interpretada / Mas vos perdôo”. As almas pequenas – que passam a vida remoendo pequenas certezas – podem dormir em paz. A deusa Polly Jean Harvey os perdoa. Amém.

“White Chalk”, de PJ Harvey (Universal)
Lançamento nacional: R$ 25 (em media)

Dois discos para você baixar… agora

Novembro 18th, 2007

Toda semana, três ou quatro pessoas (às vezes mais, às vezes menos) me escrevem dizendo que tem uma banda, que gravaram algumas canções e que gostariam de me mandar um CD para eu escutar e - quem sabe - resenhar. Sinto-me sempre elogiado quando alguém leva em consideração o que penso sobre uma música, disco ou mesmo uma banda que está surgindo, mas lá no âmago eu sempre me enrolo numa situação dessas, por que ouvir fitas demo e/ou CDs de novas bandas é um trabalho na maioria das vezes tortuoso, pode acreditar.

Quando me peguei pensando nisso, lembrei-me do Álvaro Pereira Júnior, que em uma coluna de 1999 na Folhateen dizia: “É preciso ter estômago de avestruz para escutar fitas demo. Muitas revistas estrangeiras têm jornalistas que cuidam especificamente de analisá-las. (…) Recebo poucas fitas demo e CDs de estreantes. Ainda bem. Estou velho, rabugento e seletivo, não tenho mais como perder tempo dando ouvidos a amadores” (o texto todo está aqui). Na época, achei que se ele estava de saco cheio disso, que fosse procurar outro ramo para trabalhar, pois se você escreve sobre música precisa estar atento a todas as novidades, e as grandes bandas (TODAS) surgem de uma fita demo, um single ou um CD de estréia. Hoje, mais velho (”rabugento e seletivo”, como o Álvaro se justifica na coluna), entendo a posição dele.

Entendo por que, cada vez mais, ando sem tempo para quase nada. A velocidade do tempo moderno, as facilidades da tecnologia (que ao invés de nos poupar tempo, nos trouxe mais coisas para “perdermos tempo” e nos mostrou uma infinidade de coisas que não sabíamos que existiam) e os afazeres diários se juntaram e se transformaram em uma bola de neve que aumenta sintomaticamente todos os dias. São centenas de discos para ouvir, livros para ler, filmes para assistir, e ainda preciso arranjar tempo para trabalhar, me alimentar e me relacionar. Isso tudo sem contar que grande parte do material que recebo não é destinado a mim (coisas de hard rock e derivados de Red Hot Chili Peppers e Evanescence – será que esses músicos lêem o que eu escrevo faz mais de dez anos?)

Então, depois de três parágrafos reclamões, o leitor pergunta: Por qual você continua aceitando receber fitas demo e/ou CDs de bandas novas se é tão tortuoso assim? A resposta é simples: pelo imenso e inigualável prazer de “descobrir” uma banda nova que me deixe sem fôlego a ponto de eu querer escrever dela, indicar para os amigos, insistir para as pessoas baixarem o disco, irem ao show, se encantarem como eu me encantei enquanto ouvia. É preciso entender que eu escrevo por necessidade da minha alma, por um desejo que surgiu em mim do nada, sem eu saber por quê. Escrevo por prazer. Não dá para perder tempo sendo burocrático ou falando sobre coisas inúteis (a não ser que seja em forma de ironia, a raiva travestida de estilo e inspiração). Tempo é algo sagrado.

Toda essa reflexão surgiu por causa do Lestics, projeto paralelo de dois integrantes do grupo independente paulistano Gianoukas Papoulas (Olavo e Umberto), que lançou dois belíssimos discos gravados em home studio em 2007, “9 Sonhos” em março e “les tics” em outubro, ambos liberados para download gratuito no site oficial do duo (www.lestics.com.br). Olavo fica responsável pelo excelente registro vocal enquanto Umberto se divide entre guitarra, violão, baixo, teclados, gaitas, programações, percussão e voz. Juntos eles fazem um passeio emocionante por melodias calcadas em folk, rock e country criando pequenas odes sombrias repletas de beleza urbana que deixam o ouvinte sem fôlego após a primeira audição.

“9 Sonhos”, como explicita o nome, são nove canções que passeiam pelo universo da memória em um tempo indistinto, mas que permite ligação com a infância e a adolescência. Abre com a deliciosa “Elefantes”, que narra uma pequena fábula cujo personagem aperta a campainha de uma casa e sai correndo (quem nunca fez isso na infância?), mas os moradores da casa são uma família de elefantes, “que vem voando arrasando tudo pelo caminho”. O surrealismo toma conta das letras como em “Mutantis Mutandi” que finaliza dizendo que “a vida é o nada, é a morte, é o parto”. Já a genial “Alguma Coisa Me Diz” filosofa em forma de folk rock: “Eu saio da cama, eu lavo o meu rosto, eu troco de roupa, e desço pra rua / eu entro no táxi, e digo bom dia, apago o cigarro e abro o jornal / mas alguma coisa me diz que nada disso é normal”.

A primeira lembrança que o som do duo resgata são os gaúchos da Graforreia Xilarmônica, mas também é possível identificar influências dos paulistas do Fellini (que além de gravarem seus primeiros discos também em home studio, tinham uma poética muito próxima da que o Lestics exibe) em algumas passagens. Embalada por uma gaitinha, a romântica “O Mundo Acaba” fala de uma garota que tem mais de mil bocas, dois mais braços, dez mil pernas e milhões de seios lindos, e explica no refrão: “Ela vem e me abraça e ai que o mundo acaba”. “Dois Olhos” é climática, psicodélica. “O Rio” é folk alegre. “Tropeço” tem outra letra ótima: “Eu quero parar e começo / Eu quero correr e tropeço”. “Canto de Sereia” é suave enquanto “Escuridão e Silêncio” narra um assassinato em um sinal vermelho. São nove sonhos… repletos de realidade.

No segundo álbum recém lançado, “les tics”, os textos continuam surreais, mas são bem mais diretos como mostra a faixa de abertura, “Tipo” que narra: “Levando em conta a história da família, os quatro anos isolados numa ilha, e a falta de presentes no natal, até que ele é um tipo bem normal”. “Gênio”, a próxima, é uma das melhores do álbum. Abre dizendo que Shakespeare e os gregos já disseram tudo antes para cravar no refrão cruel: “Você tem a alma atormentada de um gênio / pena que te falte uma pitada de talento”. Com o orgão à frente, “Última Palavra” narra um fim de relacionamento cujo forte verso exprime: “Longe demais é o lugar que a gente vai pelo prazer de se arrepender”. Após o tempestade surge a calmaria de “Luz de Outono”, que prevê sabiamente: “Pode ser que algum dia que eu queime os meus livros / Jogue fora os meus discos e quebre a TV / Mas mesmo enjoado de tudo na vida / Eu sei que não vou me cansar de você”.

“Náusea” é sombria (e tem um outro ótimo verso: “O instinto mantém minhas veias abertas”); “Inevitável” é divertida e fala sobre a necessidade de composição de uma canção “pobre de idéias”; “Metamorfose” é uma declaração de amor (no jeito Lestics de fazer declarações de amor: “Ainda me surpreendem as suas metamorfoses / as mudanças de aparência / suas coleções de vozes”); a poética de “Caos” destaca outra grande faixa do álbum (“Não é possível que você não acorde / com o barulho infernal de cada estrela que explode”); a curtinha “Ego” fecha o pacote de MP3 em clima de folk blues. Juntas, as noves faixas de “9 Sonhos” e “les tics” somam 50 minutos de música inspirada, canções prontas para serem devoradas por ouvintes exigentes. Os dois discos estão disponíveis gratuitamente no site www.lestics.com.br, basta um clique sobre o nome do álbum e “salvar” para o seu computador. Minha alma, agora, está satisfeita. Vou voltar para a rotina do dia (que inclui terminar de assistir a trilogia “O Poderoso Chefão”, de Francis Ford Copolla, e ouvir com mais calma “White Chalk”, novo de Polly Jean Harvey), mas se você me conhece, sabe: ainda vamos voltar a conversar sobre o Lestics.

Discotecagem no CB e Damon & Naomi tocando Cae e Dylan

Novembro 17th, 2007

Assumo as pick-ups no CB hoje à noite ao lado do André Fiori (capo da Velvet CDs) e do chapa Focka. No palco, Cassevetes, banda formada por músicos do cenário indie dos anos 90 que tocam Elvis Presley, Neil Young, Velvet Underground, Van Morrison, Echo and the Bunnymen, Radiohead, Talking Heads, Tom Waits, Madonna, Stevie Wonder, Smashing Pumpkins, Beatles e outros. Noitada boa!

Segue o serviço:

FESTA ROCK ‘N’ ROLL DINER, no CB (SP)
A partir das 21h
Shows: Cassavetes
DJ: Focka, André Fiori e Marcelo Costa
$18 ($12 na lista)
Av. Brigadeiro Galvão, 871, Barra Funda, São Paulo
Tel: (11) 3666.8971

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Falando em discotecagens, as duas de semana passada não rolaram. Um trânsito absurdo de quase três horas não permitiu que chegássemos em tempo de pegar o vôo para Curitiba para assistir aos shows de Terminal Guadalupe e Violins. Uma pena. Pior foi ter que encarar mais três horas de trânsito na volta de Guarulhos pra casa (sério, ficamos quase meia hora com o ônibus parado no MESMO lugar).

Já no domingo a história foi outra. A organização do festival Groselha Fuzz cancelou a segunda data do festival. Admiro o trabalho que o Tiago Fuzz faz na região, e deixo aqui meio completo apoio. Criar um circuito de shows não é nada fácil, e são os tropeços que permitem que a gente continue caminhando sabendo onde pisar (filosofia de boteco, mas plenamente real). Tiago, força sempre.

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Acho que nunca comentei aqui do Blogoteque, né. Bem, acompanhei o surgimento do blog/site francês uns anos atrás, sempre admirando o trabalho dos caras. Num resumo tosco, eles fazem pequenos clipes ao vivo com bandas independentes, e os locais de cenário podem ser os mais inusitados: de um pista de skate, passando por uma praça, um café, um edifício abandonado, ou um quarto de hotel, como você pode assistir nos vídeos abaixo que trazem a dupla Damon & Naomi tocando Bob Dylan (”Oh Sister” dentro de “I Wonder If”) e Caetano Veloso (”Araça Azul”).

http://www.blogotheque.net/article.php3?id_article=3102

Ou então o Guillemots tocando a fofíssima “Made Up Love Song #43″

http://www.blogotheque.net/article.php3?id_article=2448

Ou que tal o National tocando “Start a War”…

http://www.blogotheque.net/article.php3?id_article=2838

Dá para ficar dias assistindo: http://www.blogotheque.net/

 

Cenas da vida em São Paulo, Parte 4

Novembro 13th, 2007

Sábado, um rapaz desce a Rua Augusta absorto em sua audição de MP3 quando percebe que, alguns metros a frente, um casal de meninas vive uma cena de amor. A primeira coisa que lhe vem a cabeça é o comentário – machista, diga-se de passagem – de um velho amigo, que diz que (quase) sempre é possível perceber quem faz o papel de homem em uma relação lésbica. Segundo ele, uma das meninas sempre é menino.

Por mais complicada e pouco analítica que seja essa opinião sou obrigado a concordar que, neste caso, ele estava certo. “Ela ele” era de média estatura, camiseta sem mangas mostrando os braços malhados, cabelo curto e pose de bad boy. “Ela ela”, por sua vez, tinha pose angelical: magrinha, cabelos loiros escorridos, voz fina. As duas caminhavam em direção ao centro em uma discussão que chamava a atenção dos transeuntes.

Em um certo momento, a loirinha de rosto angelical parou – enquanto a morena de cabelo curto continuou caminhando – e sacou de sua bolsinha um molho de chaves. Correu para alcançar sua pretensa metade e chacoalhou o molho em frente ao rosto “dele”. O resultado, cinematográfico, você pode imaginar: a menina com pose de bad boy desferiu um bofete sem dó no rosto da loirinha, que abaixou a cabeça delicadamente (não deve ter doído) e, orgulho ferido, começou a caminhar apressadamente com o rosto entre as mãos.

A cena que se segue já aconteceu com milhares e milhares e milhares de pessoas: “Ela ele” fica imóvel. O tempo pára, enquanto “ele” percebe que cometeu um ato imperdoável (não que todo mundo já tenha desferido um tapa na pessoa que ama, mas todo mundo já fez/falou algo que, assim que aconteceu, percebeu que errou), passa a mão no rosto e faz a única coisa que lhe resta: correr atrás de seu amor ferido.

A morena alcança a loirinha no meio da subida da Rua Costa - uma travessa da Augusta - mas a loirinha não quer saber de reconciliação. Se desvencilha e desce a Augusta a mais de 30 Km por hora fugindo do olhar recriminador de várias pessoas e de um cachorrinho branco, que late, mas não é ouvido. A morena a persegue na mesma toada falando - com voz grossa: “Me perdoa… você também não ajuda”…

Antes de subir a Rua Costa em direção a sua casa, o rapaz que ouve MP3 observa, ao longe na Rua Augusta, as duas meninas enfim abraçadas em frente a um bordel de terceira categoria. “A noite de amor vai ser quente”, imagina, enquanto volta a ouvir o novo álbum do Radiohead…

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Corte para o domingo. O rapaz está em pé em frente à porta de desembarque do ônibus, quando percebe que um outro rapaz está tentando, inutilmente, concluir uma ligação no celular. Lá pelas tantas, ele consegue a linha:

- Alô??? Onde você está? Na padaria? A ligação está péssima…. Ahhh, caiu…

Ele insiste no mesmo momento:

- Oi. A ligação estava ruim. Onde você está? No elevador? Você não disse que estava na padaria, bicha? Porque você mente pra mim? É isso mesmo! Você mente pra mim. Quando eu chegar em casa, você vai ver, viu. E trate de me esperar. Eu te odeio!!! Odeio.

Ele desliga o telefone com cara de desconsolado e parece estar pensando: “Porque eu amo este cara, porque????”

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O amor é um graaaande clichê…

Top 100 de shows

Novembro 13th, 2007

Respondendo a um comentário do Diego, no post abaixo, fiz uma listinha rápida de meus shows preferidos. Graaande bobagem. Uma listinha dessas não pode ser feita assim, a toa. Deitei na cama, coloquei a cabeça no travesseiro e dezenas de shows foram pintando na minha memória. Resolvi levantar e fazer o que tem que ser feito: listar os melhores shows que assisti em minha vida. Era para ser um Top 10, virou um Top 20, depois um Top 25, em seguida um Top 30 e por fim um Top 50. Não foi uma tarefa fácil, e sei que ainda estou esquecendo um e outro, mas paciência. No mais, a lista que segue serve como explicação para aqueles que acham que ando insatisfeito demais com o mundo e achando qualquer showzinho do Killers, Arctic Monkeys e Kasabian medianos… o nível é que anda alto por aqui. :o)

Top 50 Internacional
01) R.E.M. no Rock in Rio (2001)
02) Page & Plant no Hollywood Rock (1995)
03) Elvis Costello no Tom Brasil (2005)
04) Morrissey no Personal Fest (2004)
05) Mercury Rev no Curitiba Rock Festival (2005)
06) The Cure no Ibirapuera (1987)
07) Lou Reed no Credicard Hall (2000)
08) Betty Gibbons no Tim Festival (2003)
09) Sonic Youth no Free Jazz (2000)
10) Pearl Jam no Estádio do Pacaembu (2006)
11) Rolling Stones na Praia de Copabacana (2006)
12) Brian Wilson no Tim Festival (2004)
13) Neil Young no Rock In Rio (2001)
14) AC/DC no Estádio do Pacaembu (1996)
15) Patti Smith no Tim Festival (2006)
16) Super Furry Animals no Tim Festival (2003)
17) Damon e Naomi no Sesc Vila Mariana (2002)
18) Iron Maiden no Parque Antártica (1992)
19) Bad Religion no Close-Up Planet (1996)
20) Gang of Four no Campari Rock (2006)
21) And You Will Know Us By The Trail of Dead no Sesc Belenzinho (2001)
22) Alice in Chains no Hollywood Rock (1993)
23) Black Sabbath no Olympia (1992)
24) Ian McCulloch no Directv Music Hall (2005)
25) Metallica no Parque Antártica (1993)
26) Supergrass no Campari Rock (2006)
27) Television no Sesc Pompéia (2005)
28) Medeski, Martin e Wood no Sesc Pompéia(2006)
29) Iggy Pop & The Stooges no Claro Que é Rock (2005)
30) Weezer no Curitiba Rock Festival (2005)
31) Luna no Sesc Pompéia (2001)
32) Flaming Lips no Claro Que é Rock (2005)
33) 2Many DJs no Tim Festival (2003)
34) Mudhoney no Olympia (2001)
35) Stereo Total no Sesc Pompéia (2005)
36) Echo and The Bunnymen no Via Funchal (1999)
37) Franz Ferdinand no Motomix (2006)
38) Blondie no Personal Fest (2004)
39) Libertines no Tim Festival (2004)
40) Chemical Brothers no Pacaembu (2004)
41) Teenage Fanclub no Sesc Pompéia (2004)
42) Shirley Horn no Tim Festival (2003)
43) Yo La Tengo no Sesc Pompéia (2001)
44) L7 no Hollywood Rock (1993)
45) Mogwai no Sesc Vila Mariana (2002)
46) Bellrays no Inferno (2007)
47) Björk no Tim Festival (2007)
48) Robert Plant no Hollywood Rock (1993)
49) NIN no Claro Que é Rock (2005)
50) PJ Harvey no Personal Fest (2004)

Top 50 Nacional
01) Jards Macalé no Theatro Municipal (2007)
02) Legião Urbana no Clube de Regatas em São José dos Campos (1992)
03) Titãs no Taubaté Country Club (1986)
04) Sepultura no Olympia (1996)
05) Ira! no Aeroanta (1991)
06) Graforréia Xilarmônica no Upload Festival (2001)
07) RPM no Taubaté Country Club (1987)
08) Mundo Livre no Sesc Pompéia (2001)
09) Los Hermanos no Blen Blen (2002)
10) Edgard Scandurra no Sesc Consolação (2002)
11) João Donato no Theatro Municipal (2007)
12) DJ Marky no Skol Beats (2003)
13) Raimundos no Hollywood Rock (1996)
14) Os Replicantes na Funhouse (2005)
15) Tom Zé no FMI Maceió (2006)
16) Wander Wildner no Café Camalehon (2005)
17) Paulinho da Viola no MIS (2007)
18) Orquestra Manguefônica no Sesc Pompéia (2005)
19) Defalla no Avenida Clube (2005)
20) Bidê ou Balde no Avenida Clube (2005)
21) Marcelo Nova no CCBB (2004)
22) Rita Lee no Teatro São João (1992)
23) Walverdes na Funhouse (2003)
24) Pato Fu no Sesc Vila Mariana (2007)
25) Chico Buarque no Tom Brasil (2006)
26) Jorge Mautner no Sesc Consolação (2004)
27) Camisa de Vênus no Taubaté Country Club (1988)
28) Lobão no Taubaté Country Club (1988)
29) Blitz no Taubaté Country Club (1984)
30) Banda Vexame no Sesc Pompéia (2004)
31) Capital Inicial no Taubaté Country Club (1988)
32) Blues Etilicos em Taubaté (1994)
33) Nação Zumbi no Tim Festival (2003)
34) Jupiter Maça no Blen Blen (2002)
35) Video Hits no London Burning Festival (2001)
36) Trio Mocotó & João Donato no CCBB (2005)
37) Cidadão Instigado no FMI Maceio (2006)
38) Móveis Coloniais de Acaju no Curitiba Rock Festival (2005)
39) Ultraje a Rigor no Taubate Country Club (1989)
40) Wado no Tim Festival (2003)
41) Mombojó no Itaú Cultural (2004)
42) Acústico Bandas Gaúchas (2005)
43) Paralamas do Sucesso no Taubaté Country Club (1992)
44) Autoramas no Sesc Pompéia (2002)
45) Devotos de Nossa Sra Aparecida no Estacionamento do Anhembi (1994)
46) Inocentes no Projeto Leste 1 (1989)
47) Lulu Santos no Taubaté Conutry Club (1987)
48) Mutantes no Parque da Independência (2006)
49) Superguidis no Studio SP (2006)
50) Garotos Podres no Teatro Franco Zampari (1988)

10 Shows abaixo do esperado
01) Nirvana no Hollywood Rock (1993)
02) Sex Pistols no Close-Up Planet (1996)
03) Ozzy Osbourne no Monsters of Rock (1995)
04) Kiss no Monsters of Rock (1994)
05) Devendra Banhart no Tim Festival (2006)
06) Red Hot Chilli Peppers no Rock in Rio (2001)
07) Jesus and Mary Chain no Projeto SP (1990)
08) The Charlatans no Olympia (2002)
09) The Rakes no Indie Rock Festival (2007)
10) Foo Fighters no Rock in Rio (2001)

10 Shows que eu perdi e queria (muito) ter visto
01) Wilco no Tim Festival (2005)
02) Pixies no Curitiba Rock Festival (2004)
03) David Bowie no Olympia (1990)
04) Echo and The Bunnymen no Anhembi (1987)
05) Kraftwerk no Free Jazz (1998)
06) The Smashing Pumpkins no Hollywood Rock (1996)
07) Ramones no Olympia (1992)
08) Oasis no Anhembi (1998)
09) Jon Spencer Blues Explosion no Sesc Pompéia (2001)
10) Arcade Fire na Marina da Glória (2005)

CSS, Devo e Rapture fazem bons shows no Planeta Terra

Novembro 11th, 2007

 Após o fiasco da edição paulista do Tim Festival na Arena Skol duas semanas antes, a expectativa de assistir a um festival realizado em um local inóspito sem histórico de shows não era das melhores. Uma reportagem da Folha de São Paulo, na manhã de sábado, alertava: “Festival ocupa galpões e espera chuva, (…) e se chover a situação pode ficar precária”. Apesar de toda uruca, o Planeta Terra 2007 deve fechar o ano como o festival que colocou o badalado Tim no chinelo (em 2005 foi o Claro Rock; em 2006 o Nokia Trends).

De fácil acesso, a Villa de Galpões do Morumbi (na verdade, um decadente conjunto industrial que abrigou durante anos uma fábrica de plásticos) foi adaptada para o festival de forma exemplar. A produção não procurou esconder a decadência do local (e vamos combinar: isso casa perfeitamente com o rock e a música pop), e tratou de usar este fator a seu favor sem, de maneira alguma, desrespeitar o público. Tudo aquilo que o público reclamou do Tim Festival duas semanas atrás aqui estava praticamente perfeito.

Da limpeza (uma equipe passou o festival todo recolhendo o lixo produzido pelas mais de 15 mil pessoas) passando pela alimentação (além de uma praça muito bem armada com várias opções, o festival tinha vários caixas, vários pontos para comprar cerveja, e ainda carrinhos de sorvete Rochinha, de pipoca e algodão doce feitos na hora), pelo respeito aos horários dos shows (Lily Allen começou com dois minutos de atraso; CSS entrou no palco três minutos antes do previsto) e pelos preços corretos (um refrigerante ou garrafa de água R$ 2 contra R$ 5 no Tim), o Planeta Terra exibiu em sua primeira edição uma produção cuidadosa que merece elogios.

Porém, ninguém vai a um festival para comer algodão doce e tomar sorvetes Rochinha. As facilidades propostas pela organização do evento merecem aplausos, mas um festival se faz de boa música, e é nesse ponto que o Planeta Terra deixou um pouco a desejar. O line-up mediano que juntava uma inglesinha metida a besta (a fofa Lily Allen), um dinossauro da new wave (os tiozinhos do excelente Devo), uma banda brasileira famosa na gringa (os ótimos CSS) e um dos melhores nomes da nova cena nova-iorquina (o Rapture, que já tinha feito um show contagiante no Brasil em 2003) não prometia shows antológicos, mas apenas entretenimento enquanto se saboreia um bom sorvete de palito.

Um dos fatores interessantes de se assistir a um festival bem estruturado é que não há tempo para descanso: enquanto você perde tempo esticando as pernas algum bom show está começando em uma das tendas, e não dá para ficar olhando estrelas. Assim, ali pelas duas da manhã já estava difícil não pensar nos joelhos castigados. Foi um alivio quando o vocalista do Kasabian (só no Brasil para uma banda de terceiro escalão se tornar headliner de festival; chega a ser uma afronta ao Pato Fu, que tem muito mais hits e personalidade que o grupo britânico) gritou pela última vez “Sãoooo Paooolo”.

Os portões se abriam às 17h. O último show iria acabar às 2h e tanto. Tantas horas em pé andando de um lado para o outro não são uma das tarefas mais fáceis, por isso acabei cabulando os shows de Supercordas (que trouxe Tatá “Jumbo Elektro” Aeroplano como integrante especial) e Lucy and The Popsonics. No momento que pisei o Main Stage, o Pato Fu iniciava sua apresentação com “Mamã Papá”, do excelente disco novo, “Daqui Pro Futuro”. O show, mais curto que o usual, foi repleto de declarações de amor de Fernanda Takai e John Ulhoa ao Devo. “Vocês não sabem o que é passar metade da vida com uma camiseta escrita Devo no peito e estar aqui agora”, contou um emocionando John. O show valeu pelo resgate de “Gol de Quem?”, faixa título do segundo álbum dos mineiros pouco executada ao vivo.

Tokio Police Club (foto maior) e Datarock (fotos menores) fizeram um barulho dos diabos no palco Indie do festival. Apesar do som embolado, o Tokio Police Club soou interessante, mas o máximo que se pode dizer da apresentação é que foi correta. Fresquinho que é no cenário pop, o Tokio Police Club podia fazer uma noite antológica na Funhouse, n’a Obra, no Teatro Odisséia ou no 92 Graus. Num festival eles são apenas um passatempo barulhento, o que não deixa de ser ok. Já o Datarock pareceu mais bem encorpado e mais pesado que nos MP3 que circulam por ai. Não vale a comparação – na brincadeira – com o Sepultura perpretada pelo vocalista, mas é uma boa diversão.

Lily Allen é baixinha, mas invocada. Despeja palavrões em um microfone verde-limão enquanto bebe no gargalo para comemorar o último show da turnê do platinado álbum “Alright, Still” – e bêbada acaba esquecendo as letras de suas próprias canções. Desfila no palco com um bonito vestido azul enquanto sarreia o tamanho do pênis de um ex-namorado em uma canção e reclama da microfonia que insiste em marcar presença na apresentação. A banda afiada dá um sotaque ska para o som (que até cover do Speciais teve), mas o show é morno, quase frio. Se mesmo a fofíssima versão de “Everbody’s Changing”, do Keane (presente no álbum “The Saturday Sessions: Dermot O’Leary Show”) soou deslocada imagine “Heart of Glass” do Blondie. Boa ressaca, my dear.

O retorno do Cansei de Ser Sexy para São Paulo não poderia ter sido melhor. Após ter tocado em palcos de todos os cantos do mundo, o grupo mostrou em São Paulo uma unidade e uma maturidade que devem ter assustado aos detratores. É gratificante ver que a badalação da imprensa britânica – tanto de música quanto de moda – não afetou em nada o excelente desempenho de Lovefoxxx. Ela continua rolando no palco, pedindo alegria para o público e fazendo as mesmas tiradas sem graça do início da banda (desta vez foi uma brincadeira com a Xuxa). O repertório – com exceção da inédita “The Beautiful Song” e da cover do L7, “Pretend We’re Dead” – não trouxe novidades, mas canções como “Alcohol”, “Off The Hook”, “Alala” e “Metting Paris Hilton” ainda valem um show. Na perfeita “Music Is My Hot Hot Sex” (com Adriano Cintra na guitarra), Lovefoxxx engrossou a voz e trocou a frase “o que eu gosto não é farsa” por “o que eu faço não é farsa”. Se alguém tinha dúvidas já era. Agora é esperar o segundo álbum.

O Devo entrou no Main Stage introduzidos de forma inusitada: um longo vídeo que misturava trechos de clipes avisava, no final, que o Devo era uma experiência que todos precisam viver. Não poderia ter sido mais apropriado. Começando com o hit “That’s Good”, o grupo que está na ativa desde 1972 praticando um rock ácido e bem humorado (cujo exemplo clássico é a divertida versão de “(I Can’t Get No) Satisfaction”, dos Stones, presente no primeiro álbum do grupo, “Q: Are We Not Men? A: We Are Devo!”, de 1978) chacoalhou a audiência com hits do quilate de “Peek-a-Boo!”, “Whip It!” e “Uncontrollable Urge”. Além de fazer um dos melhores shows da noite, também foi do vocalista Mark Mothersbaugh a frase do festival: “Já faz um bom tempo que tocamos no Brasil (1990). Naquela época vocês ainda tinham uma floresta”. Clap clap clap.

Fechando os trabalhos do palco Indie, o Rapture voltou a repetir a aclamada apresentação de quatro anos atrás no Tim Festival. Assim como no show de 2003, o baterista Vito Roccoforte não deu descanso ao público com suas pancadas que “obrigam” a audiência a pular e dançar. Por sua vez, Gabriel Andruzzi provou mais uma vez como o sax pode ser bem usado no rock. Seu solo no hit dançante “Get Myself Into It” foi chapante. O bom baixista Matt Safer continua sendo um dos destaques da banda. E Luke Jenner recebeu o espírito de um guitar hero em vários momentos da apresentação. Conforme o show foi crescendo a massa sonora também aumentou ao ponto de “House of Jealous Lovers” ter soado ensurdecedora. “Olio”, “Don Gon Do It” e “Whoo! Alright Yeah… Uh Huh” foram outros grandes momentos da noite.

Apesar dos bons shows de CSS, Devo e Rapture, o Planeta Terra Festival ficou devendo uma apresentação antológica, daquelas que daqui dez anos alguém vai virar e falar: “Lembra, em 2007, naquele festival, que show sensacional foi aquele???”. Apesar do acerto louvável na organização faltou ao festival um grande nome no line-up, e isso ficou claro na apresentação de encerramento com o Kasabian, cujo rock com pitadas de eletrônico (claramente chupados do Primal Scream) soou tão instigante quanto um programa comandando por Gugu Liberato no meio de uma madrugada qualquer. Fica a torcida para que em 2008 o Festival consiga aliar à qualidade de produção um grupo de artistas que façam valer a pena chegar às três e meia da manhã em casa. Dedos cruzados.

Revoluttion (Mini) Tour

Novembro 7th, 2007

Nesta sexta começa a Revoluttion (Mini) Tour (eeee). Ok, menos, menos. Na sexta embarco para Curitiba com o compromisso de discotecar no Jokers Bar na noite em que se juntam as duas principais bandas do meu Top 2007 pessoal: Terminal Guadalupe e Violins. Só garanto que vai rolar Cold War Kids. O resto é resto. No sábado tem Planeta Terra. Pretendo acordar lá pelas 15h e começar a me preparar com bastante energético, pois esse vai ser um festival em que as bandas nacionais tem tudo para roubar a cena das gringas. Ou seja, o lance é chegar cedo. Domingo pela manhã embarco para Ribeirão Preto onde assumo as pick-ups no Groselha Fuzz Festival (garanto que vai rolar Cold War Kids). E como canta Rubin na cover da banda do Bob Geldof: “I Don’t Like Mondays”…

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Disco da Semana: a trilha sonora do filme “I’m Not There ” “Lee Ranaldo, do Sonic Youth, montou um supergrupo para acompanhar os “sem banda”: Steve Shelley na bateria (Sonic Youth), Nels Cline (Wilco) numa guitarra, Tom Verlaine (Television) na outra, Tony Garnier (Bob Dylan Band) no baixo, Smokey Hormel (parceiro de Miho Hatori) também na guitarra, e John Medeski (do grupo Medeski, Martin and Wood) nos teclados.” Continua

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500 Toques: Britney Spears, Emma Pollock e Siouxsie “Britney é mais rock do que Coldplay, Keane e emos juntos; Emma Pollock mostra que os mandamentos praticados pelo Delgados permanecem vivos; Siouxsie chega aos 50 anos tão inspirada e criativa como quando tinha 20″; Continua

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Downloads da Semana: Para quem não ficou até o final do Tim Festival em São Paulo e quer saber como soa o Killers ao vivo, o Part Of The Queue está disponibilizando a integra do show que a banda de Brandon Flowers fez em Santiago três dias atrás. O show lá foi mais completinho (18 músicas incluindo a nova “Tranquilize” e a cover de “Can’t Take My Eyes Off You”) e permite perceber que o fanfarrão Brandon Flowers não segura a peteca de um show completo (a voz falha várias vezes), mas o baterista é bem bom. De quebra você pode baixar o show que o Travis fez no mesmo festival (Fênix Festival, que ainda contou com o Starsailor) e cantar com os chilenos “Why Does it Always Rain on Me” já que ninguém no Brasil quis bancar a vinda da banda de Fran Healy ao país (eles são coxinha, mas tem umas músicas muito boas). Tudo aqui