Pixies em Buenos Aires?

October 16th, 2007

Calma, calma, calma, não está confirmado ainda. Aliás, nem o Wilco está confirmado. Segundo informações que recebi, a organização do Personal Fest está conversando seriamente com as duas bandas, mas ainda não bateu o martelo. Só parece que o Smashinh Pumpkins melou de vez. Enquanto isso eles já confirmaram nomes “menores” como Phoenix, Dandy Warhols, Chris Cornell, Happy Mondays e Cypress Hill. Vamos combinar que nenhum deles é headliner de festival, vai…

Ps. Já avisei na redação do iG que se confirmarem Wilco e Pixies eu nunca, NUNCA mais vou ficar reclamando de perder esse ou aquele show. Depois de perder shows das duas bandas no Brasil, se eles tocarem juntos no mesmo festival na Argentina, eu pago minha dívida comigo mesmo e espero pacientemente até os meus 100 anos por um show do Radiohead. Sem reclamar. Tweedy e Black, me ajudem.

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Desses todos, só o Dandy Warhols está confirmado (naquelas) para o Motomix em São Paulo. O Motomix deve acontecer quase que na mesma semana de dezembro que o Nokia Trends, que já confirmou She Wants Revenge…

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Será que “In Rainbows” vendeu mesmo 1 milhão e 200 mil cópias? Se vendeu, a banda está de parabéns pela iniciativa. Ponto a favor é que o disco é… sensacional. Quem veio direto pra cá sem passar pela Revoluttion ou pela capa do Scream & Yell não conferiu meu veredicto final sobre o álbum: “In Rainbows” não é só o disco da semana, é o disco do ano. Leia a coluna aqui: http://revoluttion.blig.ig.com.br/

Mas, falando em Radiohead, sabe o que realmente me deixou impressionado: uma leitora da Revoluttion comentou sobre o sucesso de “In Rainbows” na Last.Fm e fui lá conferir. No Top Ten semanal da Last.Fm, os dez lugares estão ocupados pelo Radiohead. Os dez! “15 Step” foi ouvida por mais de 67 mil usuários, que juntos somaram 263169 plays da música. “Videotape”, faixa 10 de “In Rainbows”, aparece em décimo tendo passado pelo player de 56 mil usuários que somaram 211.332 plays.

Mas ainda não é isso que me impressionou: o Radiohead lidera a semana com 118.836 ouvintes diferentes que escutaram 3.308.175 de vezes canções do Radiohead (e ai incluimos todos os discos do Radiohead que foram ouvidos na Last.Fm semana passada). Sabe quem aparece em segundo lugar? Beatles! Quando demonstrei minha surpresa para o meu amigo, ele retrucou: “Mas os Beatles lideram toda semana!”. E eu achando que ninguém ouvia Beatles hoje em dia… 

 Olha o Top Ten da Last.Fm (07/10 a 14/10)

1 - Radiohead
118,836 listeners
3,308,175 plays

2 - The Beatles
73,373 listeners
844,600 plays

3 - Red Hot Chili Peppers
64,502 listeners
498,031 plays

4 - Muse
55,563 listeners
570,069 plays
 
5 - Coldplay
54,165 listeners
364,902 plays
 
6 - Foo Fighters
53,214 listeners
484,542 plays
 
7 - Linkin Park
51,245 listeners
474,899 plays
 
8 - Metallica

49,381 listeners
413,219 plays
 
9 - Nirvana
46,759 listeners
307,810 plays
 
10 - Pink Floyd
45,192 listeners
435,711 plays

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Já que falei no Pink Floyd, postei ontem no Mistureba uma notinha falando sobre a edição tripla que comemora 40 anos do lançamento do álbum de estréia da banda, o sensacional “Piper At the Gates of Dawn”. Leia aqui.

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Pra fechar, um e-mail bacana do Fábio avisa:

“Eu e dois amigos, Carlos Hahn (músico e jornalista)  e Pedro Hahn (músico e cineasta), colocamos no ar o www.zoomrs.com, um site sobre música gaúcha, não apenas rock, mas música boa em geral, com ecletismo e sem preconceitos. O site  tem notícias que são atualizadas diariamente, e um conteúdo com entrevistas, resenhas, etc… que  é atualizado mensalmente.  O primeiro tem matérias com os Folk Brothers, Darma Lóvers, etc…  E o segundo (prestes a entrar no ar) traz uma matéria com o Thomaz Dreher, gravada no lendário estúdios Dreher. Imperdível”.

Vai lá: w.zoomrs.com

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Nesta quarta tem 500 Toques especial na Revoluttion com três Trilhas Sonoras (Ian Curtis, Kurt Cobain e Joe Strummer agradecem)…

Marcelo Costa, o “ogro-fofo”

October 15th, 2007

 

Escrevi um textinho especial para o blog Comidinhas, da querida Ale Blanco, contando sobre minhas experiências culinárias. Da próxima vez que fizer um tournedo com ervas, posto uma foto aqui, ok. Além da receita, e da história, a Ale começa escrevendo assim e… bem… as frases dizem por si mesmas… :)~

Ps. Este texto é dedicado a Helena, minha “professora” de culinária… e a Lili, que vai experimentar meus pratos malucos quem sabe até os meus 100 anos…

O ogro-fofo, por Ale Banco

“O Marcelo Costa é o típico menino que eu e minhas amigas chamamos de o “ogro-fofo”. Sabe aquele tipo que gosta de futebol, conhece tudo de música, tem um fanzine há anos, um blog, anda com camisetas de banda de rock ou camisas xadrez, adora um clube indie da rua Augusta ou da Barra Funda? Esse é o lado ogro. O fofo é que ele é um amor, amigo para todas as horas, total amorzinho com a namorada (agora mulher). Mas jamais o tipo que eu imaginaria curtir um forno e fogão.

A gente se conhece há anos, trabalhamos juntos há vários outros e pelo menos umas duas vezes por semana eu dou uma carona na saída do trabalho e o deixo na porta de casa. Falamos sobre quase tudo, inclusive comida. Mas há alguns dias em um papo parado no trânsito o Mac disse que havia comprado um livro de dicas para homens na cozinha e que vinha se saindo muito bem. Contou que havia passado o estágio do macarrão, que seu risoto era um sucesso e me deu dicas de preparo de carnes!!!! Achei que merecia um depoimento aqui no Comidinhas. Então, aí vai abaixo: um ogro-fofo que acaba de se aventurar pela arte da culinária:”

Tem uma homem na cozinha, por Marcelo Costa

“Eu sempre tive vontade de aprender a cozinhar. Quando tinha meus 15 anos imaginava que quando chegasse aos 30 iria entrar em um curso de culinária e descobrir os prazeres da boa cozinha. Os 30 anos se passaram, a vontade de aprender a cozinhar continuou, mas o tal curso de culinária virou sonho de adolescente: na hora de escolher os primeiros móveis para a primeira casa de “homem morando sozinho” a cama de casal e uma TV 29 polegadas vieram na frente da geladeira e do fogão, que só foram fazer parte do ambiente um ano depois…

A compra da geladeira e do fogão não quis dizer muita coisa. A geladeira servia para manter as cervejas geladas e o fogão para fazer pipocas. Ou seja, eu era um caso perdido. Até que uma amiga querida decidiu me dar um empurrão e me ensinar a fazer risoto, um risoto de verdade.

- “Minha especialidade: risoto (tem panela e colher de pau aí?)”
- “Colher de pau? Hummm… vou tentar comprar… risos… mas panelas têm!”
- “Compra-se colher de pau com pouquíssimo dinheiro em qualquer supermercado…”

E assim foi. Aprendi a fazer risoto, e na primeira oportunidade testei o novo dom com a namorada na casa das amigas dela. O namoro estava começando e um fracasso naquele momento iria virar piada para o resto da vida, mas todos gostaram. Escrevi para a minha professora: “Ficou bom. Tá, o arroz estava um pouco durinho, mas nem tanto, e como eu deixei o alho porró passar do ponto, o arroz ficou amarronzado. Ficou ‘bunito’. E gostoso sim. Mas tenho que melhorar muito!”

Animada com o sucesso do aluno, e recém-formada em um curso de culinária, ela resolveu apostar no amigo, e lhe deu um livro que, segundo ela, havia quebrado muitos galhos em suas aventuras culinárias: “Guia Para a Sobrevivência do Homem na Cozinha”, de Alessandra Porro. A introdução escrita pelo pai da autora junta poesia familiar, David Bowie, Beatles e cabelos curtos em um jantar londrino. Diz o pai em certo trecho, antes de contar os detalhes da família:

“Eu não acredito em receitas. Respeito o básico, mas detesto as bizarrias que durante algum tempo nos foram oferecidas em nome de uma estrombótica nouvelle cuisine. Cozinhar, para mim, é exercício de criação, de invenção, de fantasia e inspiração. Mas é preciso respeitar o paladar dos hóspedes”, explica, antes de jogar uma pitada de açúcar sobre a filha: “Quando comecei a ler as provas deste livro (…) fui obrigado a rever – em parte – minha atitude carregada de preconceitos contra receitas. As que Alessandra nos oferece contêm, numa dosagem exata, o essencial e a fantasia”.

Com o livro em mãos fui fuçar as tais receitas. O texto é divertido e os rodapés funcionam como pequenas porções de tempero sobre o cotidiano. Na página 18, uma nota de rodapé explica que as “Panelas de Barro eram confeccionadas originalmente pelos índios e as de pedra sabão são, em grande parte, de Minas Gerais. Além de conferir um sabor especial à comida, elas se prestam a preparações lentas, pois conservam o calor e o distribui uniformemente”. Cool.

No capítulo “Cortes, Aproveitamento e Conservação de Carnes”, a autora abre a página dizendo que vegetarianos convictos não devem ler o que virá a seguir. Segundo ela, vegetarianos são “animais que se alimentam exclusivamente de vegetais e fogem daqueles que comem carne, como o tigre, o leão e o leopardo”. Logo abaixo, uma dica interessante: “Ao contrário daquilo que o seu açougueiro costuma repetir, não existe carne de primeira ou de segunda. O que existe é carne boa, bem tratada e bem utilizada”. Bingo.

Já é possível perceber que decidi começar minha aventura na cozinha pelas carnes, acredito. Apostei nos tournedos com ervas, algo que lá em Taubaté, cidade em que cresci, costuma ser chamado de medalhões. Levei o livro para o supermercado e fui separando os ingredientes: filés, bacon, manteiga, salsinha e pimenta-do-reino. A namorada tomou conta do arroz, uma amiga assumiu a salada e fiquei na total responsabilidade pelos tournedos com ervas. Preciso assumir que cozinhar para outras pessoas dá um friozinho na barriga. Será que vai ficar bom? Será que exagerei no tempero? Será que passou do ponto? Isso não era pra ser divertido? (risos)

E foi divertido. O prato ficou ótimo, daqueles que ao provar você fica na dúvida se foi você realmente quem fez (ou então, pior, que foi sorte de principiante). Na primeira vez que a mãe e a irmã vieram para São Paulo visitar o filho, adivinha o prato principal: tournedos com ervas, claro. A mãe toda hora ia na cozinha, observar, mas aceitou que naquele domingo ela seria visita e o filho quem iria cozinhar. E a receita, seguida a risca, saiu tão perfeita quanto da primeira vez. A mãe voltou feliz e imaginando que, agora, pode ficar despreocupada: “Ele cozinha bem, não vai passar fome” (risos – as mães sempre acham que nós vamos passar fome).

Após esse ímpeto inicial, arrisquei mais algumas receitas, mas a frase “ele cozinha bem” está muito (mas muuuuuito) longe da realidade. Na verdade, acho que estou perdendo aos poucos o medo da cozinha e sobrevivendo neste ambiente de colheres de pau, panelas, cheiros e sabores. Faço testes com umas ervas aqui, uns cheiros acolá, nada muito difícil. Ainda sou extremamente dependente do meu “Guia Para a Sobrevivência do Homem na Cozinha”, que depois de uma arrumação na estante de livros do quartinho acabou ganhando um lugar definitivo na nova casa: sobre o armário da cozinha, ao lado do “Arroz, Feijão e…”, livro de Glorinha Barbosa que a namorada, agora “esposa”, ganhou de uma tia quando veio morar sozinha em São Paulo (ela é mineira). Abaixo, a receita dos tournedos com ervas (para duas pessoas). É facinha, embora nada seja muito fácil para um homem que sobrevive na cozinha…

Tournedos com Ervas (para duas pessoas)

- 4 filés (cortados para tournedos*) de 100 a 150g cada, com 5cm de espessura;
- 4 fatias de bacon;
- 50g de manteiga, que deve ser derretida da geladeira 30 minutos antes da preparação;
- 1 colher de sopa de salsinha bem picada;
- Sal e pimenta-do-reino;
- 4 palitos de dente 50 cm de barbante;

1) Tempere os tournedos apenas com a pimenta-do-reino;
2) Enrole cada pedaço de carne com 2 fatias de bacon, no sentido da altura; **
3) Você pode prender o bacon usando palitos de dente ou amarrando com um barbante qualquer, de algodão; ***
4) Leve uma frigideira ao fogo bem alto. Quando tiver super quente, coloque nela os tournedos. Comece fritando os lados onde está o bacon. Não é preciso colocar manteiga ou óleo porque o bacon vai soltar a sua própria gordura. Conforme for tostando, vá virando os tournedos;
5) Coloque a manteiga em uma tigela, junte a salsinha bem picada e tempere com um pouco de sal e pimenta do reino moída. Misture muito bem. Vai ficar uma pasta verde;
6) Quando todos os lados estiverem dourados por igual, frite as pontas, virando apenas uma vez cada uma;
7) Apague o fogo e tire os tournedos. Com cuidado, solte o bacon que já deve estar esturricado e retire;
8 ) Coloque 1 tournedo em cada prato e sobre cada filé coloque metade da manteiga com salsinha e sirva;
9) Já que a carne pegou o gostinho do bacon, que é salgado, coloque o sal na mesa.

*Tournedos: é um corte feito com a parte central do filé mignon, que é bem redonda. Também são chamados de ‘medalhões’ e são um pouco menores que o chateaubriand;
**Altura: imagine que comprou a peça inteira e separou você mesmo os pedaços. As duas partes que forem seccionadas pela faca são as duas pontas. O bacon vai ser enrolado em toda a volta, deixando as pontas livres;
***Linha de bordado, grossa, também serve. Só não use lã, corda de varal, fio encerado para pipas ou fio de náilon;

“Guia Para a Sobrevivência do Homem na Cozinha”, de Alessandra Porro (Editora Objetiva, 3ª Edição)

Catherine Deneuve x Audrey Hepburn

October 14th, 2007

Assisti, ontem no HSBC Belas Artes, a “Repulsa ao Sexo”, clássico de Roman Polanski com Catherine Deneuve interpretando uma manicure com sérios distúrbios de sexualidade, que acabam rendendo cenas impressionantes e interessantes.

Agora, e sei que não devia dizer isso, mas a Catherine não me impressionou não, viu. Seu personagem é pálido, o que está perfeitamente inserido no contexto do filme, mas mesmo ela parece tãooo normalzinha (uma loirinha bonitinha, só isso). Femme fatale? Sei não.

Na verdade, acho que estou muito influenciado por “Sabrina”, de Billy Wilder (estou escrevendo aliás um textinho “rápido” sobre três filmes dele que revi nesta semana), que vi na sexta, em casa. Principalmente por Audrey Hepburn, que tomou meu coração de sonhador,  e está brincando com ele. Na boa, entre ela e Deneuve, escolho a Audrey. Ih…

Os 100 melhores discos nacionais de todos os tempos

October 14th, 2007

 A Rolling Stone Brasil (já viu o site? Dá uma olhada) publica em sua 13ª edição um especial com os 100 melhores discos brasileiros de todos os tempos. Para chegar aos 100 escolhidos a publicação convidou 60 profissionais (a grande maioria, colaboradores da revista) que enviaram - cada um - uma lista com 20 discos. Comparando, os melhores do ano do S&Y contam com 92 votantes (nos dois últimos anos), e para o tamanho e importância de uma revista como a Rolling Stone, resumir um especial deste porte apenas a redação é pensar pequeno (era só seguir o método Uncut, que convida centenas de músicos, e ainda pede para que eles escrevam sobre um dos discos que escolheram). Seria bem legal ver os votos de Caetano, Rita Lee, Fred 04, Pauo Ricardo, Japinha (só para ficar em cinco artistas díspares).

O método de forma alguma invalida a lista, que é bastante interessante, e uma das melhores (senão a melhor) já publicadas no País. Desde sexta estou ouvindo um a um os discos da lista (neste momento estou no 12º) e por mais que “Acabou Chorare” (1º) seja um disco sensacional, numa “lista minha” ele apareceria atrás do coletivo “Tropicália ou Panis Et Circenses” (2º). Em terceiro, o não menos sensacional “Construção”, de Chico Buarque. Em quarto, “Chega de Saudade”, de João Gilberto, o único dos 20 primeiros que não tenho em casa (na falta, Lili colocou o ao vivo “In Tokio”). A estréia dos Secos e Molhados aparece em 5º; o doidaço e divertido “A Tábua de Esmeralda”, de Jorge Ben, surge em 6º; o coletivo “Clube da Esquina”, comandado por Milton Nascimento e Lô Borges, surge em 7º (e, não adianta, tentei ouvir mais uma vez, mas não consigo curtir esse disco - ok, “Paisagem da Janela” vale, mas é pouco prum disco duplo).

O oitavo lugar traz “Cartola”, o segundo disco do sambista que junta uma porção de pedras preciosas da música brasileira (”O Mundo é Um Moinho”, “Minha”, “Preciso Me Encontrar”, “As Rosas Não Falam”, “Ensaboa”, “Cordas de Aço” e “Peito Vazio” - esta última sempre surge em minha memória com uma interpretação brilhante de Nelson Gonçalves para o tributo “Bate Outra Vez”). “Os Mutantes” surge em nono (pessoalmente prefiro o segundo); “Transa”, de Caetano Veloso, surge em 10º; “Elis & Tom” em 11º (merecia estar umas cinco posições a frente, viu); “Krig-Ha Bandolo!”, de Raul Seixas, em 12º (acabei de descobrir que não consigo mais ouvir “Mosca na Sopa” e “Metarmofose Ambulante”, mas tudo bem, pois esse disco ainda tem “Dentadura Postiça”, “Cachorro Urubú” - que o PT usou em um segundo turno ae por causa do verso certeiro: “Todo jornal que eu leio, me diz que a gente já era, que já não há mais primavera, baby, a gente ainda nem começou”-, a maravilhosa “How Could I Know” e, zuzu bem, “Ouro de Tolo”); “Da Lama ao Caos”, de Chico Science e Nação Zumbi, em 13º; “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MCs, em 14º, e “Samba Esquema Novo”, de Jorge Ben, em 15º. Titas aparece em 19º com “Cabeça Dinossauro”; Legião em 21º com “Dois”; Ultraje em 27º com “Nós Vamos Invadir Sua Praia”; Paralamas em 39º com “Selvagem?”; Los Hermanos em 42º com “Bloco do Eu Sozinho”; Sepultura aparece em 46º com o matador “Chaos A.D.”; Blitz em 50º com o álbum de estréia.

Até pensei em fazer uma listinha minha com 20 discos agora, mas não dá. Isso não é coisa para se fazer assim, do nada. Se eu conseguir me organizar, tento publciar uma até quarta ou quinta… mas esse top 100 da Rolling Stone Brasil merece ser visto, debatido e, principalmente, ouvido.

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O novo do The Hives já está por ai… peguei no The Undertown

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Dos 100 discos da lista da Rolling Stone, nove aparecem na lista especial dos Melhores dos Anos 90 feita pelo Scream & Yell em 2001. No total, a Rolling Stone trouxe onze discos da década de 90, e três dos anos 2000 (dois dos Los Hermanos e um dos Racionais). Abaixo os Melhores dos Anos 90 pelo Scream & Yell:

Internacional
“Óbvio, óbvio. O trio inicial já era o esperado. “Nevermind” disparado na frente. “Ok Computer” não tão atrás, e “Acthung Baby” levando o bronze. A briga mesmo veio do quarto lugar para frente”. LISTA INTERNACIONAL

Nacional
“Votação equilibradíssima. A estréia do Raimundos venceu por um ponto “Carnaval na Obra”, do Mundo Livre S/A, que ficou com o segundo lugar tendo um ponto de vantagem sobre “Afrociberdelia”, do Chico Science & Nação Zumbi. Alias, esse trio manipulou os primeiros lugares. Das sete primeiras posições, seis são deles, cada um cravando dois álbuns.” LISTA NACIONAL

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Top 20 anos 90: Como se fossemos Rob Fleming, por Marcelo Costa

500 Toques: Twilight Singers, Foo Fighters e White Stripes

October 12th, 2007

Bootlegs na 500 Toques da Revoluttion. De quebra, o primeiro 10…

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E o que você achou do novo Radiohead? Comprou? Baixou? Eu baixei, mas vou pagar os meus 5 doláres neste fim de semana (tentei na noite de domingo e estava impossível). Porém, tem gente que não tem um cartão de crédito internacional (o meu mesmo tem um limite baixíssimo - ainda bem), então a saída e baixar na web (e tenha certeza que Thom Yorke iria entender). Não conferi os links, mas dá uma olhada no Nodatta. Um deles deve estar funcionando…

http://nodatta.blogspot.com/2007/10/radiohead-in-rainbows.html

Disco da Semana: “Shotter’s Nation”, do Babyshambles

October 10th, 2007

Em 2004, se existisse uma categoria especial chamada rock na famosa Dead List, Pete Doherty seria o número 1 (em 2007, Fidel lidera as apostas, Niemeyer está em sexto). Expulso de sua própria banda, encarcerado pela polícia, viciado em drogas pesadas, Pete Doherty levava sobre sua cabeça uma nuvem negra que insistia em acompanhá-lo para onde quer que ele fosse (infelizmente, não para o Brasil, local em que o Libertines se apresentou em 2004). A nuvem negra não o abandonou, pior: ele teve que dividi-la com a modelo problema Kate Moss, e qualquer espirro do casal (ou transa no jardim de uma clínica de dependentes) virava manchete de tablóides em todo o mundo. Pete deixou de ser um rockstar para se tornar uma pessoa pública.

Enquanto desmanchava e voltava com Kate Moss sete vezes por semana, Pete Doherty montou o Babyshambles e lançou, em 2005, “Down In Albion”, um álbum tão fraco, tão fraco, mas tão fraco que nem que se o Coldplay (ou Keane, ou Travis, ou Razorlight, ou Bravery) quisesse lançar um álbum tão ruim conseguiria (e olha que eles não precisam se esforçar muito para lançarem álbuns ruins). “Down In Albion” parecia um rascunho de quinta categoria do Libertines, e serviu para que Pete Doherty virasse saco de pancadas e piadas da crítica enquanto Carl Barat, seu “parceiro” na ex-banda, era elogiado pelo primeiro álbum do Dirty Pretty Things, o ótimo “Waterloo to Anywhere”.

Estamos em 2007. A bola da vez na dead list rock star é Amy Winehouse. Pete e Kate parece que terminaram de vez; Carl e Pete andam se encontrando e boatos pedem a volta do Libertines; enquanto isso, e após um bom EP em 2006, “The Blinding”, o roqueiro problema número 1 da Inglaterra parece ter reencontrado os bons sons. “Shotter’s Nation” (”Nação de Atiradores”), segundo álbum do Babyshambles (lançado na Inglaterra dia 01/10, e com edição nos EUA prevista para 23/10), não é um disco tão bom quanto qualquer um dos dois do Libertines, mas ao menos já permite que Pete Doherty olhe Carl Barat de igual para igual, e isso já é uma grande notícia.

“Shotter’s Nation” traz Stephen Street na produção (no lugar de Mick Jones) e abre com a preguiçosa e ótima “Carry On Up The Morning”, que fala sobre a fama e a dificuldade de se lidar com a mídia. “Delivery”, primeiro single, vem na seqüência, traz o título do álbum além de guitarras cortantes, afiadas e empolgantes. É daquelas músicas que valem um disco. “You Talk”, a terceira, é uma parceria de Doherty com Kate Moss (que, aliás, aparece semi-nua na capa do álbum e assina mais três parcerias no disco). “You Talk” junta boas guitarras, excelente vocal de Pete e um climão descontraído que fez muita falta a “Down In Albion”. Essas três canções abrem “Shotter’s Nation” e se as nove seguintes mantivessem o nível teríamos um álbum brilhante para ouvir.

Porém, de “UnBiloTitled” para frente, “Shotter’s Nation” desce a ladeira. Não chega a soar tão ruim quanto a estréia (nem como o melhor disco das bandas citadas no segundo parágrafo), mas não mantém a qualidade das três primeiras faixas. “UnBiloTitled” é uma baladinha que tropeça em riffs de guitarra enquanto aponta o dedo na cara da imprensa: “Você pensa de que você me possui / Por que você não se vai foder?”, canta Doherty como se estivesse dizendo eu te amo. “Side of the Road” é uma típica canção Libertines (cuja estética Carl também usou em algumas passagens de “Waterloo to Anywhere”): começa desleixada, com riffs se entrelaçando com a bateria até tudo juntar-se e seguir como um caminhão desgovernado acelerando de encontro a um prédio.

“Crumb Begging Baghead” tem algo de psicodélica; “Unstookie Titled”, apesar de bonitinha e ordinária, parece várias outras canções (tanto do Libertines quanto do Babyshambles); “French Dog Blues” é uma rock love song Pete/Kate que não convence; “There She Goes” rouba a linha de baixo de “The Lovecats”, do The Cure, e a lembrança do clássico de Robert Smith é melhor do que o resultado do empréstimo; “Baddie’s Boogie” e “Deft Left Hand” tem clima, mas carecem de força e impacto. “Lost Art of Murder” fecha o lançamento de forma melancólica e acústica com Pete cantando, no refrão, que hoje “é um dia agradável para um assassinato / Você diz que é um assassino / Mas a única coisa que você mata é seu próprio tempo”, mastiga o roqueiro enquanto pessoas pedem para que ele deixe de fumar.

Três faixas matadoras e um bando de canções medianas podem ser pouco para tornar “Shotter’s Nation” um grande álbum, mas ao menos servem para trazer Pete Doherty de volta ao cenário pop. Para quem andava freqüentando mais as páginas de fofoca do que as de música já é algo. Para quem, principalmente, já liderou as listas de apostas do “próximo defunto rocker” é uma conquista… até a próxima internação… ou a volta do Libertines. O que será que acontecerá antes? Estou com quem apostou na primeira opção. Enquanto isso, “Carry On Up The Morning”, “Delivery” e “You Talk” permanecem no repeat, e abrem espaço para a versão acústica do single em edição especial para o semanário New Musical Express. Se todos os discos recentes trouxessem três boas canções como essas…

Uma estante de CDs ou uma novela?

October 8th, 2007

Bem, após mais um amigo me perguntar da saga das estantes percebi que já está na hora de mostrar como ficou a casa com elas prontas, ok. Lili queria desenhar umas coisas bem legais, mas desistiu porque a quantidade de CDs era tanta que a estante teria que ser o mais básica possível. E assim foi. Para aproveitar ao máximo a madeira de chapa de MDF, Lili calculou 1,83m de altura por 1,10m de largura, que resultou em uma estante com 11 prateleiras, totalizando aproximadamente 125 CDs por prateleira (1375 por estante).

Para facilitar (sic), claro, pedi que uma das estantes tivesse um espaço maior para os DVDs. E também disse que queria alguns caixotes para os vinis e os boxes. A idéia era fixar as estantes na parede, e colocar os caixotes embaixo, formando tudo um móvel único. No entanto, com as peças em casa, descobrimos que os caixotes funcionavam bem na parede verde (eu já disse algum dia que Lili me fez pintar a parede da sala de jantar de verde? Bem, ela fez), além de poderem ficar ajeitados de diversas formas. Na foto está o formato padrão.

Três estantes de CDs ocuparam toda a parede da sala de jantar. A quarta ficou no corredor, frente à porta da cozinha, e além dos CDs também recebeu DVDs. Como organização ficou perfeito. Os CDs, agora, se encontram todos juntos, divididos em nacional e internacional, seguindo uma ordem alfabética, com exceção para as coletâneas, trilhas sonoras, tributos e discos que ainda preciso ouvir, que ficaram na estante do corredor, que também tem DVDs, mais de 100 CDs de MP3 e, acredite, VHS (além do pen-drive contendo o álbum “A Marcha dos Invisíveis”, do Terminal Guadalupe: nunca uma estante juntou tantas mídias – risos).

Com as estantes prontas liberamos espaços para alguns livros nos cubos da sala. Agora, livros de arquitetura convidem ao lado de livros de música. Lester Bangs com Herman Hertzberger, Tony Parsons com Leonardo Benévolo, a biografia de Billy Wider, o livro de Rainer Maria Rilke sobre Auguste Rodin, “Clássico Anticlássico” de Giulio Carlo Argan; “A Era dos Festivais” de Zuza Homem de Mello, e revistas Rolling Stone, Piauí, Uncut e AU (Arquitetura e Urbanismo). Bem, a sala ficou mais ou menos do jeito que vocês vão ver abaixo:

Foto1: vista da entrada da casa (com o sofá laranja ao fundo):

2) A foto não ficou boa, mas essa é uma peça das quatro estantes:

3) Vista da sala para a entrada do apartamento:

4) Close na parte dos DVDs:

5) O caixote com os vinis e os boxes na parede verde

6) Geral da parede verde (o relógio de vinil foi presente de aniversário):

Bem, é isso. Estou anexando o PDF que a Lili finalizou para o marceneiro, apesar da relutância dela (que diz que alguns dados estão errados), mas é mais para se ter uma idéia de como fazer, caso você precise fazer uma destas. Na verdade, depois que o “nosso” marceneiro nos deu cano, e deixou o serviço pela metade, percebemos que rolava termos feito nos mesmos. Na madeireira você entrega as medidas e eles entregam a madeira toda cortada para você, que “só” terá que juntar. Claro que não é tão simples. É um trabalho milimétrico, e a parte do acabamento é bem chatinha (essa coisa de colar as bordas e tal). Mas não é impossível. Se eu e Lili tivéssemos feito as quatro peças da nossa, com certeza elas teriam saído muito melhor que o trabalho meia-boca que nos foi entregue (pela metade) pelo marceneiro que encontramos. Vale tentar.

 PDF - Estante de CDs

Baixe gratuitamente o novo single do OAEOZ no Scream & Yell

October 8th, 2007

O quinteto curitibano OAEOZ está festejando 10 anos de atividade com um show especial e o lançamento do segundo single extraído das gravações do novo disco, “Canção Para OAEOZ”, que traz como “lado b” uma versão para “Loucura”, música do Ídolos da Matinee, banda curitibana dos anos 80. O show especial acontece na quinta-feira (11/10), e as duas músicas que compõe o segundo single do novo álbum do OAEOZ você baixa aqui, agora, com exclusividade do Scream & Yell:

Download: “Canção Para OAEOZ” (botão esquerdo e salvar como)

Uma década distribuindo boa música pelo cenário independente é um fato que deve ser comemorado. Bandas surgem todas as noites, bandas acabam todas as manhãs. Um grupo permanecer na ativa por uma década apenas pelo tesão de se fazer o som que gosta não é pouco, e diz muito sobre a paixão que esses caras sentem por algo maltratado/usado pela indústria, e que um dia convencionou-se ser chamado música.

“Canção Para OAEOZ” é a cara do OAEOZ. Um violão conduzindo, as guitarras pontuando o arranjo com detalhes; o vocal entregue que vez em quando foge da nota para criar o seu próprio espaço em uma melodia que cresce e se transforma em uma canção, uma canção do OAEOZ, uma canção para OAEOZ, uma canção para Curitiba: “Vou deixar a porta aberta / Esquecer o que aprendi / A chuva fria de Curitiba / Pra mim é o sol do Havaí”, canta o guitarrista Carlos Zubek. “Loucura”, apesar de ser uma versão, está perfeitamente contextualizada no som do OAEOZ.

Este segundo single segue “Impossibilidades”, lançando em junho, e que trazia como “lado b” uma versão acachapante de “Città Piu Bella”, uma das faixas luminosas do luminoso álbum “Amor Louco”, do Fellini. O que era folk na versão felliniana se transformou em rock espacial de altíssima qualidade com o OAEOZ. Você pode baixar “Impossibilidades” aqui e ler mais na Revoluttion.

“Tropa de Elite”, um quase grande filme

October 6th, 2007

Há muita coisa para falar sobre “Tropa de Elite” sem necessariamente falar de cinema. O fato (inédito para uma produção nacional) de o filme ter vazado antes da estréia tornando-se um sucesso nas mãos de camelôs (estima-se que mais de 1 milhão de cópias piratas do filme já foram vendidas em todo o País); a sua “derrota” unânime (0×6) frente a “O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias” como filme representante do Brasil no Oscar 2008; a patrulha ideológica que está crucificando seu diretor, José Padilha; entre muitas outras coisas. No entanto, o cinema vem antes. Vamos seguir a cronologia.

Se José Padilha tivesse dirigido apenas o documentário “Ônibus 174″ sua vida cinematográfica já teria valido a pena. “Ônibus 174″ ganhou diversos prêmios ao redor do globo e elogios merecidos de toda a crítica. Porém, esses prêmios agora vão parecer menores frente a carreira que “Tropa de Elite” iniciou nos cinemas no primeiro fim de semana de outubro. Menores porque tudo em “Tropa de Elite” é hiperbolizado, de sua violência desmedida as reações que vem causando; da narrativa impactante aos protestos da Polícia, de cineastas, da classe média. A vida de José Padilha se divide em antes e depois de “Tropa de Elite”.

O sucesso do filme em camelôs ameaçava sua escalada nos cinemas, acredita Padilha. Grande bobagem. Do mesmo jeito que o filme circulou no boca-a-boca Brasil afora, agora vai circular de cinema em cinema. Quem viu o DVD e viu no cinema irá encher o peito para dizer: no cinema é ainda melhor. E esse blá blá blá vai deixar o público curioso, principalmente aquele público que não costuma visitar a sala escura. Será esse público que fará a diferença, no final. E ele irá ao cinema mesmo sabendo que as diferenças são microscópicas porque ninguém resiste a própria curiosidade.

A rigor, as mudanças (roteiro, edição) são praticamente imperceptíveis, mas o impacto do som, das imagens em alta escala e da sensação claustrofóbica de uma sala escura tendem a dar ao filme ainda mais força do que a que ele mostrou nos aparelhos de televisão por ai. São duas experiências completamente diferentes que funcionam para valorizar a obra acabada em seu lugar de desfile: o cinema. Neste lugar, “Tropa de Elite” é violento, devastador, impactante e inebriante. Os tiros ouvidos (e vistos) na tela tem endereço certo: o estômago do freguês.

Wagner Moura dá vida ao Capitão Nascimento de tal maneira que é impossível não admirar o trabalho do ator, embora seu personagem seja quase um animal de caça. Sua atuação é inquestionavelmente impressionante, ganhando força até mesmo quando ele pontua a narração com um “amigo” (repetido várias vezes) em finais de frase. Os personagens secundários também brilham, mas é o Capitão Nascimento que coloca ordem na casa auxiliado pelo roteiro esperto e pela edição vertiginosa, duas grandes qualidades de seu filme primo, “Cidade de Deus”, que “emprestou” Daniel Rezende (edição) e Bráulio Mantovani (que assina o roteiro a seis mãos com José Padilha e Rodrigo Pimentel).

A comparação com “Cidade de Deus” seria dispensável, mas ajuda (e muito) a entender o fenômeno “Tropa de Elite”: Por que o primeiro virou um marco do cinema nacional, chegando ao Oscar com quatro indicações (igualando a façanha de “O Beijo do Mulher Aranha”) e ganhado elogios rasgados da imprensa internacional, e o segundo nasce sobre a égide da polêmica, incitando acalorados debates que, quase sempre, apontam o filme como fascista? Qual a diferença entre Buscapé e Capitão Nascimento? O que fez de um filme queridinho da crítica e público enquanto o outro nasce massacrado por boa parte da imprensa? Várias coisas, caro leitor, várias coisas.

A primeira que surge é a aparição de um personagem forte que veste farda e se diz incorruptível. A imagem que a maioria do povo brasileiro tem da polícia é aquela retratada na faixa clássica que encerra o primeiro álbum do Capital Inicial, de 1986, e que fez com que o álbum levasse um carimbo de “venda proibida para menores de 18 anos”. A letra, assinada por Renato Russo, questionava: “Porque pobre quando nasce com espírito assassino / Sabe o que vai ser quando crescer desde menino / Ladrão para roubar, marginal para matar / Papai eu quero ser um policial quando eu crescer”, e seguia contando a história de “assassinos armados, uniformizados”. “Tropa de Elite” é o rascunho quase perfeito desta letra, mas há uma glamourização na forma com que este rascunho é desenhado que muita gente deixa o cinema fã dos soldados do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o Bope.

A culpa não é só do filme muito menos de seu diretor. A culpa também é do público (na verdade a culpa é do Estado, mas esse é o ponto final da discussão, local para o qual todas as análises deveriam convergir). E o público é culpado por se deixar levar pela espetacularização da história e acreditar (e isso sim é assustador) que tudo aquilo que acontece na tela é realmente o que tem que acontecer na sociedade que vive. Dai a pecha de fascista que lhe imprimem alguns analistas, mais preocupados com o blá blá blá extra filme do que com o que acontece na tela. Para estes, “Tropa de Elite” glorifica a violência, a tortura, a morte sem julgamento; e o Bope nada mais é do que um braço de nossas forças armadas, a mesma instituição que encarcerou o País em uma ditadura repressiva e direitista durante anos. José Padilha permite essa leitura, mas é um lado “copo meio vazio” de se ver as coisas (da mesma forma que seria acusar o filme “Clube da Luta” de responsável por um jovem maluco que entra em um cinema atirando em todo mundo).

Outra maneira de olhar “Tropa de Elite” é entendê-lo como um reflexo de uma sociedade que vem empurrando durante anos e anos com sua imensa barriga assuntos delicados como descriminalização, corrupção e abuso de poder. O mundo em que o Capitão Nascimento vive deixou de ser um mundo comum para se transformar em um campo de guerra com o agravante de a batalha estar acontecendo 24 horas por dia ao nosso lado. “O que fazer para consertar tudo isso” deveria ser a grande questão suscitada pelo filme, mas tudo na tela parece desvalorizar essa premissa, pois “Tropa de Elite” não permite a presença do público: somos meros espectadores observando a carnificina desumana praticada tanto por mocinhos (oficiais do Bope) quanto por bandidos (a máfia da droga). O filme pede a todo o momento para que você escolha o lado dos mocinhos (a narrativa em primeira pessoa pesa nessa decisão), e erra tanto quanto acerta por exagerar na forma e no conteúdo. Ou seja, o que faz de “Tropa de Elite” um filme excelente é a mesma coisa que o diminui: seu ritmo vertiginoso e acachapante não abre espaço para reflexões nem críticas.

Essa avaliação de forma alguma faz do filme uma bandeira fascista como alguns tolos e/ou preocupados querem pichar tanto quanto não o transforma no melhor filme já apresentado nos cinemas brasileiros desde o Tratado de Tordesilhas. Ele apenas opta por jogar luz sobre um ponto de vista raramente visto no cinema nacional: o da polícia. A primeira mensagem do filme surge antes mesmo das imagens: uma citação do psicólogo Stanley Milgram, que diz que o comportamento do indivíduo é determinado pelas circunstâncias, algo que pelo filtro do roteiro justifica uma outra famosa citação, essa muito mais em sintonia com a proposta, aquela de Jean-Jacques Rousseau em “O Contrato Social”, que diz que “O homem nasce bom e a sociedade o corrompe”.

Capitão Nascimento e seus soldados foram corrompidos pela idéia de estarem praticando o bem com base nas circunstâncias de uma sociedade que fecha os olhos para a corrupção enquanto acredita dormir o sono dos justos. Assim, ao lado de uma das falas do Capitão Nascimento (notadamente aquela que diz que muitos jovens precisam morrer na favela para um playboy enrolar um baseado) é preciso colocar outra: é a omissão da sociedade que faz o Bope apertar o gatilho. Existe alguém que não seja culpado nessa história toda, cara pálida? Não, somos todos culpados. Porém, pouca gente vai vestir a carapuça. E da-lhe camisetas do Bope bombando em camelôs. A moda a serviço da filosofia. Rimos ou choramos?

“Tropa de Elite”, intenso enquanto cinema, instável como mensagem, um quase grande filme.

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- “Se há alguma pecha negativa a se colar em Tropa de Elite é o fato, inegável, de sua mensagem ser reacionária”, por Marco Antonio Bart

Site Oficial: http://www.tropadeeliteofilme.com.br/

Quanto vale o novo disco do Radiohead?

October 5th, 2007

Ôôôôôôô, quanto vale o show, Lombardi?
Quer pagar quanto, Sílvio?

Direto ao ponto enquanto o garçom traz uma cerveja escura: o Radiohead é a melhor banda do mundo, e isso já faz dez anos, mais precisamente desde quando Thom Yorke e cia jogaram o arrebatador “Ok Computer” (ainda em formato real, CD mesmo) nas lojas. E 1997 parece tãoooo distante. Foi o ano que Woody Allen chocou o mundo ao se casar com sua enteada, Soon-Yi; o mesmo ano em que Xuxa anunciou sua gravidez; e em que Fernando Henrique Cardoso estava exercendo a metade de seu primeiro mandato como Presidente de uma República chamada Brasil (ou seria Eldorado?).

De lá pra cá quando se fala o nome de Woody Allen ninguém pensa mais em Soon-Yi, mas sim em Scarlett Johansson, atual musa do diretor em seus filmes recentes (principalmente no excelente “Match Point”); Sacha, a filha de Xuxa, já ganhou capa “solo” de Caras versando sobre seu aniversário em que rolaram Bonde do Tigrão, “Ilarie” e outras pérolas; e Luis Inácio Lula da Silva (quem diria) já está no meio de seu segundo mandato. O Corinthians era 17º no Brasileirão de 1997 e está em 18º no deste ano, o que prova que nem tudo muda, não é mesmo.

Mas o que aconteceu com o Radiohead? A rigor, a fama e o sucesso conquistados com “Ok Computer” deram um nó na cabeça dos integrantes da banda, que precisaram aprender em um ano o que o R.E.M. teve uma década para decorar – e o que levou Kurt Cobain para o lado de lá da força em apenas dois anos: a maneira certa de lidar com a mídia e a indústria. O resultado desse curso rápido e intenso pode ser verificado no excelente documentário “Meeting People Is Easy”, que flagra o momento exato de uma banda se libertando do mercado fonográfico (e de si mesma, por que não).

Os próximos passos foram óbvios: discos impopulares que serviram para despistar a mídia enquanto o público iniciava uma idolatria sobre o quinteto cujo altar passou a ser a Internet (nada mais normal para uma banda que cravou “Ok Computer” como nome de disco). Shows, aparições em TV, letras, entrevistas e tudo o mais superlotou a rede com informações passo-a-passo do grupo britânico. “Kid A” (2001) foi um dos primeiros álbuns a ser vazado em larga escala na Web (bons tempos do Napster), o que não atrapalhou sua escalada normal nas paradas nem diminui as filas para os shows do Radiohead, muito pelo contrário.

Seis anos e dois álbuns oficiais depois (”Amnesiac” – também conhecido como “Kid B” – e o político “Hail To The Thief”), o Radiohead pára o mundo pop com o anúncio de um álbum novo de forma totalmente inusitada: na segunda-feira passada (01/10), o site oficial do grupo avisava que a partir do dia 10/10 estará á venda “In Rainbows”, sétimo álbum de inéditas da banda. Não bastasse o anúncio surpreendente, o modo de vender o trabalho também é inovador: “In Rainbows” terá venda online com dois meses de antecedência no site oficial (www.inrainbows.com) e o ouvinte irá pagar pelas músicas o valor que ele quiser pagar. No dia 03 dezembro, uma versão real do álbum será vendida por 40 libras (aproximadamente R$ 150) e conterá um disco duplo de vinil, um CD multimídia com todas as nove faixas deste primeiro lançamento mais sete faixas extras, fotos, arte e letras. Uau.

O que tudo isso significa, caro leitor? Não só que o Radiohead continua sendo uma banda à frente de seu tempo, mas que as gravadoras como nós a conhecíamos estão com os dias contados – agora mais do que nunca. Porque “In Rainbows” não será lançado por nenhum grande selo. O contrato da banda com a poderosa EMI/Parlophone terminou em 2005 e desde então o Radiohead tem o “passe livre” na música pop. Essa estratégia doida de lançamento de “In Rainbows” cheira a revolução. Pense: não estamos falando de qualquer banda, mas sim da principal banda do mundo (e não sou eu apenas quem diz isso; qualquer tablóide de qualquer canto do mundo carrega nas tintas em relação ao grupo de Thom Yorke). A estratégia do Radiohead de se desamarrar das gravadoras pode demarcar uma nova era no modo de se negociar música pop, e para uma indústria que já perdeu a batalha do MP3, a derrota digital no modo de se negociar canções pode significar o fim da guerra – e de um abusivo controle sobre a obra artística musical de décadas e décadas.

A importância de “In Rainbows” para a música pop é muito mais teórica do que prática. Não que o valor de suas músicas seja inferior em qualidade a sua importância histórica, mas a estratégia de lançamento tende a causar um burburinho que poderá colocar as canções em segundo plano. É um fato, ainda mais se levarmos em conta que das dezoito canções anunciadas para o álbum, só quatro são realmente inéditas: “Weird Fishes”, “Faust Arp”, “MK 1″ e “MK 2″. As outras catorze canções e meia (incluindo a metade da faixa quatro, “Arpeggi”) circulam pela rede – em excelente qualidade e diferentes versões – faz meses. Ou seja, “In Rainbows” já chegará ao tocador de MP3 do fã como um álbum conhecido, que ele terá ouvido muito mais do que vários discos reais lançados neste ano. Apesar da palavra final em termos de arranjo e letras ser dada apenas no dia 10, “Bodysnatchers”, “15 Steps” e “Down Is the New Up” (por exemplo) podem ser ouvidas em alta qualidade agora-neste-momento-já na Internet.

E ouvindo estas versões das novas canções, à primeira impressão é de que os arranjos continuam fundindo rock e eletrônica, mas a guitarra de Jonny Greenwood está muito mais presente no som da banda (”Bodysnatchers”, “Down Is the New Up”, “Up On The Ladder”), embora existam momentos calmos/líricos (”All I Need”, “Videotape”, “4 Minute Warning”). Nas letras, Thom Yorke novamente dá sinais de querer se desvencilhar do cargo de Messias: “Eu não tenho a mínima idéia sobre o que estou falando / Estou preso neste corpo e não posso sair”, canta no refrão de “Bodysnatchers”. Porém, ele nunca foi tão direto quanto em canções como “House of Cards” (”Não quero ser seu amigo / Quero ser seu amante”) e “All I Need” (”Eu sou todos os dias / que você escolhe ignorar / Você é tudo que eu necessito”). O que permanece nas letras, no entanto, é um forte sentimento de inadequação que agora também se confunde com partida: “Esta é minha maneira de dizer adeus / Porque eu não posso fazer isso cara-a-cara”, canta Thom em “Videotape”; em “Weird Fishes/Arpeggi”, o protagonista se compara a um peixe que planeja escapar; em “4 Minute Warning” o personagem quer se esconder dos bombardeios.

Entre letras e músicas em versão bootleg fica quase impossível cravar uma avaliação da qualidade de “In Rainbows”, mas as onze canções disponíveis permitem algumas pequenas certezas: “In Rainbows” parece um “Hail To The Thief 2″ da mesma forma que “Amnesiac” parecia um “Kid B”. Não parece destacar nada que venha a fazer do álbum algo tão importante quanto “Ok Computer”, e talvez nem precise mesmo. O Radiohead já caminha faz tempo à frente do mundo pop. Sua estratégia de divulgação, no entanto, deve dar uma chacoalhada em todo o cenário, entrar para a história e abrir um novo caminho no modo de se comercializar música. Acredite: é algo muito importante porque lida com as relações entre um determinado artista e seu público. Na prática, ninguém precisa pagar para baixar as músicas de “In Rainbows”, afinal elas vão estar em programas de trocas de arquivo e blogs de MP3 minutos após serem colocadas à venda no site oficial. A grande sacada, no entanto, é a banda depositar sua confiança sobre seu público. Pode ter certeza que muita, mas muita gente mesmo vai pagar pelo álbum. Pelo simples prazer de se apoiar uma idéia original e que respira a revolução. Quanto vale? Bem, o preço é o de menos, mas estive pensando em quanto vou pagar, e acho que, Seo Silvio, o show vale US$ 5, algo em torno de R$ 10, para mim um bom preço sobre um CD que virá sem capa, encarte, letras e um material tateável que me faça sentir sua real existência.

Pago com prazer e vou ficar torcendo para que daqui dez anos o Radiohead ainda me surpreenda com boas músicas e atitudes acima de qualquer suspeita. Vou esperar, também, que Woody Allen permaneça vivo e filmando, que Sacha chegue as vinte anos sendo matéria de capa da Bravo ou da EntreLivros (hehehe) e que os futuros presidentes dessa Eldorado chamada Brasil consigam nos devolver a fé não só nos partidos políticos, mas nas pessoas mesmo. Ok, Corinthians campeão do mundo, mas ai seria pedir demais. Realmente, acho que só posso contar com as mãos do cinema de Woody Allen e o abraço da música de Thom Yorke e seus amigos. Será que as gravadoras vão existir/resistir até 2017?

Tracking List: - CD 1 (10/10)
“15 Step”
“Bodysnatchers”
“Nude”
“Weird Fishes/Arpeggi”
“All I Need”
“Faust Arp”
“Reckoner”
“House of Cards”
“Jigsaw Falling Into Place”
“Videotape”

Disco bônus: (03/12)
“MK 1″
“Down Is The New Up”
“Go Slowly”
“MK 2″
“Last Flowers”
“Up On The Ladder”
“Bangers and Mash”
“4 Minute Warning”

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