“Tropa de Elite”, um quase grande filme

Há muita coisa para falar sobre “Tropa de Elite” sem necessariamente falar de cinema. O fato (inédito para uma produção nacional) de o filme ter vazado antes da estréia tornando-se um sucesso nas mãos de camelôs (estima-se que mais de 1 milhão de cópias piratas do filme já foram vendidas em todo o País); a sua “derrota” unânime (0×6) frente a “O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias” como filme representante do Brasil no Oscar 2008; a patrulha ideológica que está crucificando seu diretor, José Padilha; entre muitas outras coisas. No entanto, o cinema vem antes. Vamos seguir a cronologia.
Se José Padilha tivesse dirigido apenas o documentário “Ônibus 174″ sua vida cinematográfica já teria valido a pena. “Ônibus 174″ ganhou diversos prêmios ao redor do globo e elogios merecidos de toda a crítica. Porém, esses prêmios agora vão parecer menores frente a carreira que “Tropa de Elite” iniciou nos cinemas no primeiro fim de semana de outubro. Menores porque tudo em “Tropa de Elite” é hiperbolizado, de sua violência desmedida as reações que vem causando; da narrativa impactante aos protestos da Polícia, de cineastas, da classe média. A vida de José Padilha se divide em antes e depois de “Tropa de Elite”.
O sucesso do filme em camelôs ameaçava sua escalada nos cinemas, acredita Padilha. Grande bobagem. Do mesmo jeito que o filme circulou no boca-a-boca Brasil afora, agora vai circular de cinema em cinema. Quem viu o DVD e viu no cinema irá encher o peito para dizer: no cinema é ainda melhor. E esse blá blá blá vai deixar o público curioso, principalmente aquele público que não costuma visitar a sala escura. Será esse público que fará a diferença, no final. E ele irá ao cinema mesmo sabendo que as diferenças são microscópicas porque ninguém resiste a própria curiosidade.
A rigor, as mudanças (roteiro, edição) são praticamente imperceptíveis, mas o impacto do som, das imagens em alta escala e da sensação claustrofóbica de uma sala escura tendem a dar ao filme ainda mais força do que a que ele mostrou nos aparelhos de televisão por ai. São duas experiências completamente diferentes que funcionam para valorizar a obra acabada em seu lugar de desfile: o cinema. Neste lugar, “Tropa de Elite” é violento, devastador, impactante e inebriante. Os tiros ouvidos (e vistos) na tela tem endereço certo: o estômago do freguês.
Wagner Moura dá vida ao Capitão Nascimento de tal maneira que é impossível não admirar o trabalho do ator, embora seu personagem seja quase um animal de caça. Sua atuação é inquestionavelmente impressionante, ganhando força até mesmo quando ele pontua a narração com um “amigo” (repetido várias vezes) em finais de frase. Os personagens secundários também brilham, mas é o Capitão Nascimento que coloca ordem na casa auxiliado pelo roteiro esperto e pela edição vertiginosa, duas grandes qualidades de seu filme primo, “Cidade de Deus”, que “emprestou” Daniel Rezende (edição) e Bráulio Mantovani (que assina o roteiro a seis mãos com José Padilha e Rodrigo Pimentel).
A comparação com “Cidade de Deus” seria dispensável, mas ajuda (e muito) a entender o fenômeno “Tropa de Elite”: Por que o primeiro virou um marco do cinema nacional, chegando ao Oscar com quatro indicações (igualando a façanha de “O Beijo do Mulher Aranha”) e ganhado elogios rasgados da imprensa internacional, e o segundo nasce sobre a égide da polêmica, incitando acalorados debates que, quase sempre, apontam o filme como fascista? Qual a diferença entre Buscapé e Capitão Nascimento? O que fez de um filme queridinho da crítica e público enquanto o outro nasce massacrado por boa parte da imprensa? Várias coisas, caro leitor, várias coisas.
A primeira que surge é a aparição de um personagem forte que veste farda e se diz incorruptível. A imagem que a maioria do povo brasileiro tem da polícia é aquela retratada na faixa clássica que encerra o primeiro álbum do Capital Inicial, de 1986, e que fez com que o álbum levasse um carimbo de “venda proibida para menores de 18 anos”. A letra, assinada por Renato Russo, questionava: “Porque pobre quando nasce com espírito assassino / Sabe o que vai ser quando crescer desde menino / Ladrão para roubar, marginal para matar / Papai eu quero ser um policial quando eu crescer”, e seguia contando a história de “assassinos armados, uniformizados”. “Tropa de Elite” é o rascunho quase perfeito desta letra, mas há uma glamourização na forma com que este rascunho é desenhado que muita gente deixa o cinema fã dos soldados do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o Bope.
A culpa não é só do filme muito menos de seu diretor. A culpa também é do público (na verdade a culpa é do Estado, mas esse é o ponto final da discussão, local para o qual todas as análises deveriam convergir). E o público é culpado por se deixar levar pela espetacularização da história e acreditar (e isso sim é assustador) que tudo aquilo que acontece na tela é realmente o que tem que acontecer na sociedade que vive. Dai a pecha de fascista que lhe imprimem alguns analistas, mais preocupados com o blá blá blá extra filme do que com o que acontece na tela. Para estes, “Tropa de Elite” glorifica a violência, a tortura, a morte sem julgamento; e o Bope nada mais é do que um braço de nossas forças armadas, a mesma instituição que encarcerou o País em uma ditadura repressiva e direitista durante anos. José Padilha permite essa leitura, mas é um lado “copo meio vazio” de se ver as coisas (da mesma forma que seria acusar o filme “Clube da Luta” de responsável por um jovem maluco que entra em um cinema atirando em todo mundo).
Outra maneira de olhar “Tropa de Elite” é entendê-lo como um reflexo de uma sociedade que vem empurrando durante anos e anos com sua imensa barriga assuntos delicados como descriminalização, corrupção e abuso de poder. O mundo em que o Capitão Nascimento vive deixou de ser um mundo comum para se transformar em um campo de guerra com o agravante de a batalha estar acontecendo 24 horas por dia ao nosso lado. “O que fazer para consertar tudo isso” deveria ser a grande questão suscitada pelo filme, mas tudo na tela parece desvalorizar essa premissa, pois “Tropa de Elite” não permite a presença do público: somos meros espectadores observando a carnificina desumana praticada tanto por mocinhos (oficiais do Bope) quanto por bandidos (a máfia da droga). O filme pede a todo o momento para que você escolha o lado dos mocinhos (a narrativa em primeira pessoa pesa nessa decisão), e erra tanto quanto acerta por exagerar na forma e no conteúdo. Ou seja, o que faz de “Tropa de Elite” um filme excelente é a mesma coisa que o diminui: seu ritmo vertiginoso e acachapante não abre espaço para reflexões nem críticas.
Essa avaliação de forma alguma faz do filme uma bandeira fascista como alguns tolos e/ou preocupados querem pichar tanto quanto não o transforma no melhor filme já apresentado nos cinemas brasileiros desde o Tratado de Tordesilhas. Ele apenas opta por jogar luz sobre um ponto de vista raramente visto no cinema nacional: o da polícia. A primeira mensagem do filme surge antes mesmo das imagens: uma citação do psicólogo Stanley Milgram, que diz que o comportamento do indivíduo é determinado pelas circunstâncias, algo que pelo filtro do roteiro justifica uma outra famosa citação, essa muito mais em sintonia com a proposta, aquela de Jean-Jacques Rousseau em “O Contrato Social”, que diz que “O homem nasce bom e a sociedade o corrompe”.
Capitão Nascimento e seus soldados foram corrompidos pela idéia de estarem praticando o bem com base nas circunstâncias de uma sociedade que fecha os olhos para a corrupção enquanto acredita dormir o sono dos justos. Assim, ao lado de uma das falas do Capitão Nascimento (notadamente aquela que diz que muitos jovens precisam morrer na favela para um playboy enrolar um baseado) é preciso colocar outra: é a omissão da sociedade que faz o Bope apertar o gatilho. Existe alguém que não seja culpado nessa história toda, cara pálida? Não, somos todos culpados. Porém, pouca gente vai vestir a carapuça. E da-lhe camisetas do Bope bombando em camelôs. A moda a serviço da filosofia. Rimos ou choramos?
“Tropa de Elite”, intenso enquanto cinema, instável como mensagem, um quase grande filme.
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- “Se há alguma pecha negativa a se colar em Tropa de Elite é o fato, inegável, de sua mensagem ser reacionária”, por Marco Antonio Bart
Site Oficial: http://www.tropadeeliteofilme.com.br/

















17 comentários
[…] Costa dá sua colaboração para colocar o filme “Tropa de Elite” em um patamar além sala escura e discutir as […]
Sem ruim ou bom, o filme funciona como um espelho, e Narciso acha feio tudo o que não é espelho.
Até mais!
O feito de Cidade de Deus não é inédito. O Beijo da Mulher Aranha foi indicado para quatro Oscars, inclusive Melhor Filme, e ganhou o de Melhor Ator (William Hurt). É um filme brasileiro tanto quanto Cidade de Deus.
Ainda bem que você acha que o capitão Nascimento foi corrompido. 95% do público acha que ele é íntegro, honesto, e que o BOPE tem mais é que matar e torturar.
A sociedade está deixando de ser omissa e passando a apoiar a barbárie. Grande negócio.
Marcus, valeu pela correção!
Abraço
Mac
Ah sim, parabéns pela versão 2.0 do blog, ficou ótima. Eu lembro de ter mandado um e-mail pra você dizendo o quanto era difícil acompanhar o blog antigo, que não tinha feed nem permalinks.
Agora ficou perfeito.
Seus argumentos são um tanto idelizados diria até utopicos , sempre culpando a sociedade de maneira geral. É comodo criticar atitudes praticadas pelo Bope em intensidade o Capitão Nascimento, argumentado que os criminosos teriam que ter direito a defesa, contariando a frase de bandido bom é bandido morto, mas que defesa temos em um país onde um julgamento leva 5 anos (minimo), com direito a varias instâncias, condicional com 1/6, com um judiciário vergonhoso, com ministros do supremos hipocritas e se acham deuses intocaveis. Não sei se você conhece a história de Nova York com a sua politica de “tolerança zero”, lá resolveu será que aqui não resolveria?… E veja que era bem pior que aqui. temos mais um ponto a abordar sobre este assunto um tanto quanto complexo, os nossos presidios superlotados, que nada mais são escola para marginalidade, onde pagamos 900,00 reais por detento, bendito seja nossos impostos. Onde casos inrrecuperaveis como Beira-Mar ou mesmo Marcola, são mantidos vivos, para que? Devemos nos tornar uma sociedade mais paliativa como o proprio bope, pois no momento presente não temos como pensar em deixar um Brasil para o futuro pois da forma que estamos talves nem exita esse futuro.
Gustavo, seria cômodo criticar se eu não vivesse nessa sociedade retratada por você, mas eu vivo. Já fui assaltado, já tive uma arma apontada para a minha cabeça, e nem por isso quero ver aqueles caras mortos. Queria, sim, que eles tivessem a chance de mudar, e se isso soa utópico é porque acredito muito mais na vida do que na morte.
Agora, o que você acharia se um línguista pegasse tudo isso que você escreveu acima e detonasse frase por frase, já que você cometeu uma dezena de assassinatos à língua portuguesa em seu comentário? Ele teria o direito de te azucrinar por que você não saber escrever? Não. Ele teria que mostrar o que é certo e o que é errado. Que não existe inrrecuperaveis, mas sim “irrecuperáveis”. Que não existe talves com s. Que não existe “tolerança zero”, mas sim “tolerância zero”. Entre outras coisas.
O que estou tentando dizer é que não somos um bando de animais. Que temos um cérebro, e que ele precisa ser usado. Se o problema todo é do Judiciário, vamos mudar o Judiciário. Lembre-se que quem coloca um político no poder é o voto popular. Soa utópico sim, mas tanto eu quanto você temos o direito de cobrar destes políticos que eles façam a coisa certa, que eles façam valer o seu voto.
Porém, é muito cômodo deixar que o Bope vá lá e faça isso por você. Que uma polícia mate uma pessoa enquanto você está em casa jantando com a sua família. É muito cômodo porque não é você apertando o gatilho (embora seja, já que você “colabora” pra isso com sua ausência política). Usando um ditado popular, “o que os olhos não vêem, o coração não sente”, não é mesmo? Precisa ser bastante hipócrita para fechar os olhos para o que está acontecendo ao lado.
Não vivemos em um mundo justo, mas isso não quer dizer que tenhamos que ser injustos. E o futuro, meu amigo, é o próximo segundo. Você pode morrer tanto com uma bala na cabeça quanto atravessando uma rua, engasgado com comida ou tropeçando no banheiro e batendo a cabeça violentamente no vaso. A vida está ai para ser vivida. É o que eu acredito, é o que faço e é o do que eu escrevo. E eu sei sobre o que eu escrevo.
Abraço
Mac
Na verdade, nem “tolerançia” existe: o certo é “tolerância”.
Mas que tal pensarmos no que significa essa palavra ao invés de nos preocuparmos com a forma correta de escrevê-la?
Olá
A principio, gostaria de dar-lhe os parabéns pela análise do filme. Acho interessante, ao se tratar de expressões artisticas (tal como o filme, a musica, quadrinhos, e por ai vai), tentar buscar perceber todas as suas nuances, encontrar os interesses envolvidos, os pré-conceitos (nem escrevi ‘preconceito’, para não dar a ideia de que esses conceitos pré existentes sobre algo sejam bons ou ruins, apenas conceitos com juizos de valor especificos), etc. E o “Tropa de Elite” incorre em alguns desses aspectos, ao mostrar as várias vertentes da sociedade,de modo a criar discursos instantãneos, como “só o BOPE pode salvar a sociedade”, “traficante bom é traficante morto”, “esses maconheiros tinham que ser mesmo presos”, e outros ainda mais grosseiros que pude ouvir depois de assistir ao filme.
Não me incomodei com a maior parte destes comentários. Em uma sociedade como a nossa, em que a educação quase não é capaz de formar um cidadão com senso crítico o suficiente para formular uma conceito mais elaborado sobre o filme, é fácil convencer a todos que os “super-homens” do BOPE vão salvar o mundo, do tráfico, da violencia e das drogas. Mas o que mais me incomodou mesmo foi perceber o quanto nossa sociedade e manipulável, para se acreditar em fatos que, ao me ver, parecem ser produzidos por grupos muito especificos da nossa sociedade (estado, classe média, a própria polícia???).
Infelizmente, assim como você, Caro Editor, tbm fui assaltado, passei por apertos com violencia em estádio, e por ai vai. Mas continuo acreditando que não é assumindo a postura da “tolerancia zero” que vamos conseguir mudar algo no atual momento em que a sociedade se encontra.
Sou estudante de Históra, na área de licenciatura, e como poucos, pude perceber como se comporta a juventude de nosso país, principalmente a da classe menos favorecida economicamente do país. Uma juventude que n ão acredita muito em futuro, que tem seus sonhos e vontades esmagados pelas obrigações financeiras com a familia, em uma época em que a unica coisa que devia ser preocupação era a sua formação educacional, uma educação que ultrapassasse a questão única do “contedismo”, e que fosse voltada para a formação de um cidadão de fato. Uma juventude que necessita sim de heróis, mas não heróis que utilizam de armas e violência e que justificam isso com o argumento de que “isso é resposta ao que os bandidos estão fazendo”.
Por isso, dou meu apoio a você quando diz “Queria, sim, que eles tivessem a chance de mudar, e se isso soa utópico é porque acredito muito mais na vida do que na morte”. E, indo um pouco mais adiante, digo que a maior arma contra todos esse “males” da sociedade, que não só o filme, mas diversas outras mídias teimam em mostrar, é a Educação, uma Educação voltada para a formação de um cidadão consciente, crítico, com meios para escolher bem os políticos que o representa em senados, câmaras legislativas e etc. Mas enquanto os interesses das classes especificas da sociedade, que não se interessam de modo algum a dar condições para que todos possam querer melhorar, com medo de perder suas gordas fatias do bolo da economia, não se modificarem, continuaremos percebendo outros destes “filmes-bomba”, mostrando qual é o melhor lado para se estar (sendo que o melhor seria se não tivéssemos que escolher lado algum).
Enquanto isso, torço para que o BOPE não me confunda com algum “marginalzinho” pela noite a dentro, e minha mãe tenha que receber uma noticia ruim…
eu vi o filme e chorei.
não existem mocinhos, nem bandidos… todo mundo é certo e errado ao mesmo tempo.
me assusta a glorificação do Zé Pequeno e do Capitão Nascimento.
me assusta a classe média se escondendo em condomínios e carros blindados.
me assusta o Renan no senado, mesmo de licença.
BOSTAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!
TEM QUE METE O PÉ NE BANDIDO FILHA DA PUTA E POLICIAL CORRUPTO!
VOCÊ AEW MARCUS! VAI TOMA NO CU KRA! “BARBARIE” O CARALHO!
TEM QUE MATA MESMO! E ENTERRA DE PÉ PRA NÃO OCUPA ESPAÇO!
BANDIDO BOM É BANDINDO MORTO!
O FILME TA CERTO! TEM QUE METE O PAU NE LADRÃO!
ELES MERECEM MUITO MAIS DO QUE APARECE NO FILME!!
VLW!
Eu me diverti vendo o filme. Mas não dei risada nas cenas de tortura, diferente de muita molecada que estava no Cinema, que racharam o bico.
É bem facil transformar em idolo um “Capitao Nascimento” que é responsavel por matar todo mundo com cara de culpado, como Hitler fez na Guerra com Judeus, pobres e velhos, e as Ditaduras na America Latrina (by EUA) fizeram com os comunistas.
Quando nao tiver mais ninguem pra matar/torturar de “provaveis culpados” ou eles estiverem muito impunes eles matam quem fez uma piadinha ou deu uma risada dele, sem problemas. Isso pode ser um dejavu da Ditadura militar no Brasil.
Só a educação salva um povo sem memória… se você nao cuidar da sua propria Educação e dos seus filhos, ninguem vai cuidar, pois esses governantes estao ai pra te matar de desamparo. Na favela esse desamparo é o extremo.
Pensem nisso molecada que se deixa iludir pelo fascimo.
[Ator Wagner Moura abomina atitudes do Capitão Nascimento]
http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL144175-7084,00.html
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Otimo Texto Marco Antonio…
é dificil ver o filme e nao se chocar, acho que por isso ele é tão interessante e prato cheio pra discussões de bar rss
Vocês querem um exemplo de como o populacho classe média (sim, porque essa fatia é que guarda o verdadeiro populacho, o escracho da população) aceita qualquer coisa que vêem na telona/telinha como retrato da verdade, e não como interpretação:
Vocês acompanharam a polêmica do rolex do Luciano Huck na Folha, espertamente estendida pelo próprio jornal com a publicação de um texto do Ferréz? Pois bem, eu li a seção de cartas do jornal todo dia por duas semanas após o texto do Huck.
Aquela guerrinha toda, direita x esquerda, playboy x correria, Jardins x periferia e tal e coisa. Mas no meio da bobajada toda, uma afirmação me chamou a atenção, por ser sido quase sempre utilizada pelos “defensores de Huck” e até mesmo repetida pelos “correrias do Ferréz”: “sim, ele paga pesados impostos,” seguido de “tem direito de se indignar” OU “mas não faz mais do que sua obrigação”, dependendo de que lado estava se expressando.
Ele Paga Pesados Impostos. Vou até botar em maiúsculas para chamar a atenção.
De onde o pessoal tirou isso? Estava no texto do Huck. Ah, então é subsídio só porque ele falou que paga?
Tudo bem, temos sempre que presumir a inocência. Mas nem por isso o leitor precisa engolir como verdade.
Luciano Huck tem uma editora, a Huck. Não sei se eles continuam praticando isso agora, mas lá por 99/2000, a editora exigia de alguns empregados não-lotados no escritório deles nota fiscal fria, e ainda indicavam onde se podia comprá-las.
Que eu saiba, comprar nota fiscal é sonegação de imposto.
E nem se pode dizer que o próprio Huck não sabia, porque quem assinava os cheques de pagamento era ele mesmo. Por vezes o pagamento atrasava por conta disso, inclusive - chefinho estava viajando, ou acertando contrato com a Globo, e tinha que esperar ele voltar pra assinar.
No final das contas, o rolo todo escondeu o problema principal: não é o Rolex do Huck que simboliza a sociedade em que vivemos, nem o correria do Ferréz. Essas são consequências de uma desigualdade de séculos. O que simboliza nossa sociedade é a disposição de engolir qualquer coisa que lhe dão.
Mesma coisa com Tropa de Elite: um filme feito por pessoas que vão além disso, visto por gente que não consegue ir além - e vai engolir ficção como solução.
Anonimo
Ops. O nome é Luck Editora.
Pra comecar, de tudo que se pode ler o mais triste de todas as frases é a velha frase “bandido bom é bandido morto, quem pronuncia uma frase dessa nada mais é do que uma pessoa incapaz de reagir ao proprio mundo em que vive… o filme acima discutido, alem de ser um filme de muita qualidade (em eu aspecto cinematografico), deve ser encarado como um filme que demonstra a realidade e não como um exemplo a ser seguido. Imagino eu que as pessoas ao assistirem este filme, irão para suas casas e por um momento irão parar e pensar qual a maneira de acabar com essas malditas injustiças sociais e não na carnificina presente no filme…. O assunto é muito mais sério e dificil do que parece ser, acabar com a criminalidade em um país como o Brasil, não é de um dia pro outro, dificil sim, impossivel não… Acredito que a mudança começa na cabeça de cada cidadão, que acredita em seu país, realmente, e o que faz diferença ,é a pequena mudança em cada um, para mudar um país inteiro… Apenas para finalizar, se bandido bom fosse bandido morte, gostaria de ver o proximo filme, não com o tal baiano com a 12 na cara e sim certos políticos que roubam milhoes de nosso pobre Brasil e estamos a assistir toda essa badidagem quietos enquanto aplaudimos o circo de pé…
O q tenho é uma simples questão a colocar a todos q assistiram e consequentemente discutiram sobre o filme TROPA DE ELITE:SE O BOPE HOJE EXISTE PARA COMBATER E EXTERMINAR O TRÁFICO,ENTÃO PORQUE O TRÁFICO AINDA EXISTE?por favor comentem….
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