Cenas da vida em São Paulo, Parte 3

September 29th, 2007

Sexta-feira, pouco mais de sete da noite, escuridão. O cara sai do trabalho cansado pela semana intensa, mas feliz pelo sábado e domingo pela frente. Segue pela Rua Amauri atolada de carros importados, atravessa a movimentada Av. 9 de Julho, e quando está no meio do canteiro, no cruzamento com a Av. Europa, é abordado por um ambulante. De bermuda (apesar do vento frio), camiseta rasgada e pacotes de balas que ele procura vender para os passageiros dos carros parados no sinal vermelho, o ambulante todo animado puxa papo:

- Cara, eu adoro esse cara ae – diz ele apontando para a camiseta do rapaz.

O rapaz, sem entender muito o que está acontecendo, pensa que ele deve ter confundido a pessoa desenhada na camiseta, mas o ambulante continua:

- Os filmes dele são muuuuuito doidos. Me amarro.

- Eu gosto muito – responde assustado o rapaz; está escuro no cruzamento da duas grandes avenidas, mas o papo começa a ficar interessante.

- Onde você comprou essa camiseta?

- Ganhei da minha namorada…

- É lindona, viu. Esse cara é bão.

- É mesmo – responde o rapaz, e emenda – mas nem todo mundo gosta dos filmes dele…

- Eu me amarro. São doidos pra caralho. E os livros também são muito bons!

Nesta hora, o rapaz trabalhador quase tem uma sincope. “Como assim, os livros dele? O cara leu os livros dele que eu mesmo não li?”, pensa, sem humildade. Consegue apenas responder, no momento em que o sinal verde passa para o amarelo antes de se transformar em vermelho:

- Os livros eu ainda não li!

- Pô, você passa sempre aqui? Olha, na segunda eu não vou vir, mas qualquer coisa, passa aqui na terça que eu te empresto. Eu tenho os três!

O rapaz atravessa a rua totalmente sem entender os dois minutos que se passaram passos atrás. Agradece o ambulante e não diz se vai passar na terça para pegar o livro; sorri desajeitado e caminha sobre a faixa de pedestres enquanto o ambulante, também sorrindo, leva seus pacotes de balas para os carros que estão parados no sinal.

- Valeu pelo papo, abraço! – diz o rapaz quando está chegando ao outro lado da calçada. O ambulante é todo sorrisos. Elogia novamente a camiseta antes de se perder em meio aos automóveis…

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Em homenagem a cena acima assisti, neste sábado, “A Última Noite de Boris Grushenko” (“Love and Death”, 1975), comédia menor – mas muito divertida – do diretor citado. O filme conta a história de Boris, um russo que, na véspera de ser executado por soldados franceses por um assassinato que não cometeu, recorda toda a sua vida desde criança até o momento derradeiro. Neste emaranhado de lembranças, citações de filósofos, inserção de personagens de Dostoievski na trama, a descoberta de que não existem garotas na vida após a morte, e teorizações sobre o amor, o sofrimento e a morte, ao menos um momento antológico: Boris dançando com a morte, reeditando a descoberta clássica de seu diretor favorito, Ingmar Bergman, cujo personagem desafiou a morte para uma partida de xadrez, mas descobriu que não se pode confiar no anjo vestido de preto.

Mais coisas…

September 28th, 2007

Fui ao VMB ontem e me surpreendi com o baixo nível da cena nacional. O que é possível dizer rapidinho é que a produção do evento é acachapante, mas a premiação é terrível. Juliette and The Licks fizeram uma grande apresentação (na TV foi uma só, mas lá eles tocaram três ou quatro) e até o Marilyn Manson me convenceu. Mas o resto… muito vestido, muita beleza, muito roqueiro de butique e pouca inteligência.

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Antes que alguém se engane, vou torcer para o “O Ano Em Que Meus Pais Sairam de Férias”, na minha modesta opinião, um grande filme, mas inferior a “Tropa de Elite”. E vou mais alem: os dois são inferiores a “Saneamento Básico”, mas a metáfora do filme é para poucos – embora acredite que mesmo isso não deveria impedi-lo de ser o concorrente nacional – enquanto “Tropa de Elite” pega na veia. Qualquer um dos três seria um bom representante.

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Momento Herbalife: meu medido garantiu que tudo está em ordem com meu estômago, que o problema é mais em cima, na cabeça mesmo. Receitou uns chazinhos e comprimidos naturais. Fiz a primeira sessão hoje de manhã, e foi surreal. É uma salinha no centro da cidade, com palavras para melhorar a baixa-estima, em que um homem serve os chás naturais para os clientes. O programa inicial leva oito dias, e são três copos de chá cuja rotina me lembrou as histórias do Santo Daime. Apenas lembrou. Surreal demais para um cara que, um dia, cogitou ser junkie…

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O todo poderoso Billy Corgan liberou a integra de dois shows novos de 2007 para download no site oficial dos Pumpkins. O primeiro show data de 22 de maio, no Grand Rex Theatre, em Paris, e traz 33 músicas, entre elas hits como “Today”, “Bullet with Butterfly Wings”, “Tonight, Tonight” e “Disarm”. O segundo show aconteceu em 25 de julho, no famoso Fillmore, em São Francisco. O áudio captura 27 músicas da apresentação que junta hits com faixas novas como “That’s The Way (My Love Is)” e “Tarantula”, entre outras. Além dos dois shows recentes, a página de downloads do site dos Pumpkins ainda disponibiliza mais de 15 apresentações entre 1988 e 2007. Aqui.

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O programa Alto-Falante e o bar A Obra comemoram, a partir desta sexta-feira, dez anos de atividades. A data especial é o ponto de partida do Festival Garimpo, que leva para a capital mineira gente como o duo Lucy and The Popsonics, Terminal Guadalupe, Macaco Bong, Vanguart e Montage. Fica aqui os parabéns do Scream & Yell para estes dois grandes sinônimos de cultura independente do País. Mais sobre o Festival Garimpo aqui.

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E o disco do Babyshambles, hein. Já virou vício agora. Ouço no computador no trabalho, no celular quando estou indo pra casa, e no computador em casa. Já está na seleção da próxima discotecagem que irá acontecer em Curitiba, qualquer dia do mês que vem…

Coisas

September 27th, 2007

Correu tudo bem na endoscopia; na sexta vejo os resultados… cruza os dedos por mim. :)

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Faltou culhão para os selecionadores do filme candidato brasileiro ao Oscar. “O Ano Em Que Meus Pais Sairam de Férias” é um filme ótimo, mas não era o melhor filme que tínhamos a oferecer ao mundo neste ano. Os argumentos da equipe que selecionou o filme são ridiculos: “é um filme que tem crianças, é um filme que não tem violência, e os velhinhos do Oscar gostam disso”. É de uma total falta de noção um argumento desses. A função desta equipe era selecionar o melhor filme nacional, não ficar procurando um filme que se encaixasse nos padrões do Oscar. Mais uma vez o Brasil tropeça em seus próprios pés…

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Esqueci de comentar, mas postei ao lado as melhores cinco entrevistas que concedi nos últimos anos. Acho que elas permitem visualizar com mais apuro tudo que penso sobre cultura pop e algumas outras bobagens.

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E o disco do Babyshambles, hein. Me surpreendeu. Depois da vergonha que é o meu primeiro álbum, Pete Dohert até que fez algo bom neste “Shotter’s Nation”. Nada sensacional ou tãoooo interessante quanto o Libertines, mas ando ouvindo muito…

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500 Toques nova: Carla Bruni, Dean & Britta e Kristin Hersh

Após nove colunas, a lista com 27 discos fica assim:

9,5
“Carioca ao Vivo”, Chico Buarque
“Discovered, Covered: Late Great, Daniel Johnston”
“Coal”, Devastations

9
“The Autumn Defense”, The Autumn Defense
“The Saturday Sessions: Dermot O’Leary Show”, vários

8,5
“Another Weekend In The City”, Bloc Party
“Candylion”, Gruff Rhys
“Learn to Sing Like a Star”, Kristin Hersh
“Colours Are Brighter – Songs For Children (And Grown-Ups Too)”

8
“Pocket Symphony”, Air
“Bluefinger”, Black Francis
“Back Numbers”, Dean and Britta
“Make Another World”, Idlewild
“Ao Vivo em Brasília”, Superguidis

7,5
“No Promisses”, Carla Bruni
“Paris-Berlin”, Stereo Total

7
“Twilight of The Innocents”, Ash
“With Lasers”, Bonde do Rolê
“Era Vulgaris”, Queens of The Stone Age

6,5
“We Are The Night”, The Chemical Brothers
“Acústico II – Novos Horizontes”, Engenheiros do Hawaii
“Distorções do Meu Jardim”, George Israel
“A Fábula (ou a Farsa?) de Dois Eletropandas”, Lucy and The Popsonics

6
“Disco Paralelo”, Ludov
“Só Nós”, Paula Toller

5
“Samba Meu”, Maria Rita
“Under the Blacklight”, Rilo Kiley

Disco da Semana: “Magic”, Bruce Springsteen

September 26th, 2007

Nos anos 2000, Bruce Springsteen conseguiu a façanha de lançar discos quase sempre perfeitos. Não que isso não tenha acontecido nas outras décadas anteriores, mas após ter feito 50 anos (em 1999), parece que o roqueiro número 1 dos Estados Unidos imprimiu a si mesmo um nível de qualidade que precisa ser mantido em todos os álbuns. Começou com “The Rising” (2002), um disco arrebatador influenciado (mas sem populismo barato) pelos acontecimentos do 11 de setembro. A seqüência não poderia ser melhor: “Devil & Dust” (2005) escorria amargura em folks que batiam forte no peito e na cabeça.

“We Shall Overcome - The Seeger Sessions” (2006) foi uma folga da autoralidade. Bruce recolheu canções do repertório do folk singer Pete Seeger, voltou no tempo e trouxe de lá uma sonoridade riquíssima em sutilezas melódicas e políticas. Jogou no colo dos Estados Unidos da América aquilo que alguns governantes querem jogar para debaixo do tapete: história. Após uma longa turnê, Bruce Springsteen emenda um disco no outro, cancela as férias e retorna com material inédito e a companhia de sua E Street Band (cujo último trabalho em conjunto foi “The Rising”). “Magic” é o décimo quinto disco do compositor, e chega às lojas (gringas) no próximo dia 09.

Brendan O’Brien (Pearl Jam, Stone Temple Pilots, Korn) volta assinar a produção, como havia feito em “The Rising” e “Devil & Dust” e contou a Rolling Stone norte-americana: “Bruce me chamou para sua casa em New Jersey e tocou um grupo de canções novas. Foi surreal. Nós sentamos em seu quarto, ele me deu um caderno com as letras e tocou as músicas novas na guitarra. Minha tarefa foi dizer quais canções cabiam no novo álbum, e quais iriam ficar de fora”, explicou O’Brien. As canções que “sobraram” foram trabalhadas em estúdio durante dois meses, com membros da E Street Band gravando nos finais de semana.

O resultado deste modus operandi é um álbum inspirado que soa como uma continuação melódica de “The Rising” (que, por sua vez, era quase um “Born In The USA” 2), sem soar diretamente tão político quanto seus álbuns gêmeos. “Radio Nowhere” abre o disco de forma acelerada e empolgante. O som das guitarras é sujo, mas cristalino, e serve para dar corpo a uma canção que clama por outras do mesmo quilate: “Eu quero mil guitarras / Eu quero baterias martelando / Eu quero um milhão de vozes diferentes”. Mais duas canções seguem por este mesmo caminho: “You’ll Be Comin’ Down” (com piano a frente das guitarras que fazem um riff circular por trás) e “Last to Die”, com cordas na introdução abrindo caminho para uma porrada musical que tem a guerra como tema (”Quem será o último a morrer por um erro”, diz a letra).

Porém, “Magic” não é feito apenas de rocks acelerados entupidos de guitarradas. A romântica “I’ll Work for Your Love” traz boas guitarras, vocação pop rock de estádio, mas fica no grupo das canções menores do álbum. “Livin In The Future” se sai melhor: é dançante e destaca o reconhecível sax de Clarence Clemons. Em “Your Own Worst Enemy” é a vez dos teclados tomarem a frente da canção que fala sobre alguém que não pode dormir nem sonhar pois seu inimigo está na cidade. “Girls in Their Summer Clothes” é uma balada ensolarada de quem se inspira com garotas caminhando na rua em suas roupas de verão. “Devil’s Arcade” é um libelo anti-guerra que quer soar épico, mas fica no meio do caminho. “Magic”, a faixa título, é bonitinha, e em termos de Bruce Springsteen isso soa ligeiramente estranho.

Se até aqui “Magic” está parecendo um álbum mediano é porque as três grandes canções do disco ainda não foram citadas: “Gypsy Biker” começa com violão e gaita para virar um rockão portentoso lá pelo meio. “Long Walk Home” é uma das poucas canções do disco que já vinha sendo apresentada na turnê do álbum anterior. Segue a linha de “Gypsy Biker” (com percussão no lugar da gaita) e também inspira. As duas canções falam sobre voltar pra casa. Para o final, o único folk “folk mesmo” de todo o repertório, “Terrys Song”, dedicada ao amigo Terry Magovern, morto em julho, e que versa sobre maravilhas do mundo (as Pirâmides do Egito, a Capela Sistina, a Mona Lisa, o amigo falecido) e conclui que o amor é maior do que a morte.

Em retrospecto, “Magic” fica abaixo de outros álbuns roqueiros de Bruce Springsteen (cuja lista é encabeçada pelo clássico “Born To Run”, de 1975), e é um álbum menor do roqueiro mesmo nos anos 2000, mas isso só acontece porque a competição aqui é em alto nível. “Magic” é, facilmente, um álbum nota 9, cuja produção cuidadosa em parceria com um repertório inspirado encontram tradução perfeita por uma banda competente (a mão segura e pesada do baterista Max Weinberg e as guitarras afiadas de Steven Van Zandt e Nils Lofgren se destacam em um grupo que ainda conta com o saxofonista Clarence Clemons, o baixista Garry Tallent, os tecladistas Roy Bittan e Danny Federici, e Patti Scialfa nos violões e backing). Não é o melhor disco de Bruce Springsteen, mas é um dos cinco grandes discos do ano. Fácil.

O que é a gastrite?

September 24th, 2007

Segundo a Wikipedia, a gastrite é a inflamação da mucosa que reveste internamente o estômago, também conhecida como epitélio estomacal. Os dois tipos mais conhecidos de gastrite são a crônica e a aguda. Eu carrego esta segunda, que aparece quase sempre por estresse, físico ou psíquico. Os sintomas são perda de apetite, azia, dor e queimação no abdômen. Essa tal queimação parece uma estática de rádio em tom beeem baixo que fica zunindo no lado esquerdo da barriga (no meu caso, desde os 21 anos).

Bem, tudo isso é meio blá blá blá, né. Fica mais fácil assim:

Gastrite é o seguinte:

Três amigos saem de um show e planejam a balada. Ela diz que irá beber algo que tem chocolate e Tequila. Um dos meninos diz que irá de Bloody Mary com alguma outra coisa. O terceiro, salivando, abre mão do esquenta e diz que vai direto pra casa, mas que vai pegar uma Xingu para aplacar o desejo.

Isso é gastrite?

Não, caro leitor, quem dera. Gastrite é, na última hora, você trocar a cerveja por suco de maracujá…

Ps. esse post é em homenagem a minha 10ª endoscopia (em 17 anos), a ser feita nesta terça… :)

Pato Fu num dia, Jards Macalé no outro, Interpol no ano que vem…

September 23rd, 2007

No palco do charmoso teatro do Sesc Vila Mariana, o Pato Fu fez na sexta-feira mais uma apresentação memorável, desta vez focando-se no repertório do recém lançado “Daqui Pro Futuro”, mas sem abrir mão do passado. Nas minhas contas, foi o décimo show do Pato Fu que assisti nos 15 anos de vida da banda, e foi o melhor show de todos (até agora).

O show começou com “Mamã Papá” do novo disco (a pequena Nina, filha de Fernanda e John, estava na primeira fila acompanhada da avó), emendou com uma bonita versão de “Perdendo Os Dentes” e virou barulho com “Gimme 30″, do álbum de estréia, “Rotomusic de Liquidificapum” (1993). Esse trio de abertura se repetiu no show: canções novas, hits e umas “velharias” escolhidas a dedo.

Entre os hits destaque para “Sobre o Tempo”, com intensa participação do público. Das canções novas, “Tudo Vai Ficar Bem” e “Vagalume” chamaram a atenção (a última com um momento “bateria de moedinhas” tocada por Ricardo Koctus). Das raridades no repertório, “Um Ponto Oito” e “Vivo num Morro” mantiveram o clima em alta. Ao contrário do álbum, que é bem lento, o show do Pato Fu continua acelerado. E divertido. E praticamente perfeito nos detalhes. Ao final, só uma certeza: eles são a melhor banda do País.

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No palco do teatro do Sesc Santana (na verdade, quase todos os novos teatros do Sesc em São Paulo são charmosos), Jards Macalé, sozinho com seu violão, fez mais uma vez um grande show. Foi diferente do show do Theatro Municipal (melhor show nacional que assisti em 2007 até agora – e um dos melhores que vi na década até aqui), mas mesmo assim foi bem especial.

Macalé brindou o público com pequenos sets homenageando amigos. Waly Salomão foi relembrado em versões matadoras de “Mal Secreto”, “Anjo Exterminado” e “Vapor Barato”. O mestre Moreira da Silva foi relembrado com “Acertei no Milhar”, o divertidíssimo samba de Gordurinha “Orora Analfabeta”, e a parceria “Tira os Óculos e Recolhe o Homem” (com direito a história que rendeu a parceria na época da ditadura), com direito a citação do samba “Olha o Padilha” (e mais história).

O Brasil foi outro homenageado. Na verdade, os políticos brasileiros foram lembrados com sambas magníficos de Noel Rosa: “Onde Esta a Honestidade”, “Com Que Roupa” e “Positivismo” (dos versos que citam o lema da bandeira brasileira: “o amor vem por principio, a ordem por base, e o progresso é que deve vir por fim, desprezaste esta lei de Augusto Comte, e fostes ser feliz longe de mim”). Os pontos altos foram as arrepiantes versões para “Consolação” (de Baden e Vinicius) e “Contraste” (de Ismael Silva), com os versos:

“Existe muita tristeza na rua da Alegria
Existe muita desordem na rua da Harmonia
Analisando essa história
Cada vez mais me embaraço
Quanto mais longe do circo
Mais eu encontro palhaços”

O show terminou com “Gotham City” e a promessa de “Movimento dos Barcos” para o show de domingo… até estou pensando em ver de novo…

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 E o baterista do Interpol confirma turnê sul-americana em março de 2008. Leia aqui.

Smashing Pumpkins, The Cure e discos para download

September 21st, 2007

Segundo o ótimo Part Of The Queue, boatos apontam Smashing Pumpkins e The Cure em terras brasileiras nos próximos meses. As datas:

Smashing Pumpkins
01/12: Sao Paulo, Brasil
02/12: Sao Paulo, Brasil
04/12: Porto Alegre, Brasil
06/12: Santiago, Chile
08/12: Buenos Aires, Argentina
11/12: Lima, Perú
13/12: Bogota, Colombia
15/12: México, México

The Cure
02/04: Santiago, Chile
05/04: Buenos Aires, Argentina
08/04: Porto Alegre, Brasil
10/04: Sao Paulo, Brasil
11/04: Sao Paulo, Brasil
13/04: Bogota, Colombia
15/04: Caracas, Venezuela

Ps. Detalhe tolo, mas a data da Argentina dos Pumpkins é a mesma do Personal Fest, que já confirmou Wilco.

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O ótimo site MP3 Magazine está disponibilizando para download gratuito o novo álbum do cantor China (Del Rey, Sheik Tosado), que conta com a participação de uma verdadeira seleção pernambucana de músicos: Chiquinho, Marcelo Machado, Felipe S. e Vicente Machado (Mombojó), Rafael B. (Bonsucesso Samba Clube) e Pupillo (Nação Zumbi) - que também assina a produção musical, entre outros. http://mp3magazine.com.br/

500 Toques: Paula Toller, George Israel e Maria Rita (e mais Tropa de Elite)

September 19th, 2007

Na Revoluttion…

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Assisti a versão pirata do badalado (e ainda inédito) “Tropa de Elite” na noite passada. A versão que comprei - R$ 8 - é a tão famosa que circula por ai, com intertítulos em inglês e sem os créditos finais. O longa de José Padilha estava previsto para estrear em novembro, mas a produção antecipou a estréia para 12 de outubro devido ao “sucesso” do filme no mercado negro. Suas primeiras exibições públicas acontecem na noite de quinta (20), para convidados do Festival de Cinema do RJ, e outra na sexta (21), às 23h45, no Espaço de Cinema, a única aberta ao público (mas os ingressos esgotaram em uma hora).

Padilha diz que a versão que circula é o terceiro corte, e que o filme passou por 16 cortes até o final de montagem. Isso só poderá ser comprovado após uma comparação do que foi visto no DVD pirata e do que estará nas telas de cinema no próximo dia 12. O que dá para dizer é que, do jeito que está circulando em versão pirata, “Tropa de Elite” é sensacional. Bate “Cidade de Deus” em vários quesitos, e Wagner Moura impressiona com uma atuação eletrizante. Agora, a pergunta que fica é: será que a versão final vai ser tão boa quanto esta cópia pirata do terceiro corte?

Dúvidas a parte, a única coisa que dá para garantir é o grande sucesso que espera o filme. Assim como acontece com os CDs vazados na web, que ganham uma exposição gratuita, “Tropa de Elite” chega aos cinemas com um público garantido. Duvido que as pessoas que assistiram ao DVD (como eu) vão deixar de ir ao cinema para ver a versão final do melhor filme brasileiro dos anos 00. É uma tremenda tolice gastar tempo questionando se esse ou aquele é culpado na distribuição do filme. A propaganda gratuita só deve fazer de “Tropa de Elite” a grande bilheteria do Brasil em 2007. Merecidamente.

Tropa de Elite, o Filme

September 18th, 2007

 Só tenho uma coisa a dizer, e em maiúsculas: SENSACIONAL

Downloads e Disco da Semana

September 17th, 2007

Disco da semana na Revoluttion

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Wander Wildner colocou seus quatro discos para download no iJigg. Eu não entendi como se baixa algo ali, mas descobre lá:

http://www.ijigg.com/profile/wanderwildner

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O Lasciva Lula (que faz show no Cinemateque na próxima quarta-feira) também está liberando seus discos para download, incluindo o excelente “Sublime Mundo Crânio”, um dos dez grandes álbuns do rock nacional em 2007. Link abaixo

http://tramavirtual.uol.com.br/lasciva_lula

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No meio de tanta gente bacana e genial que conheci em oito anos de São Paulo, o chapa Eduardo Fernandes (EduF para os “íntimos”) tem um lugar de destaque. Quando o S&Y ainda era um recém-nascido, e eu tentava descobrir que loucura era aquela chamada HTML (que até hoje eu não entendo direito), era para o EduF que eu pedia um help. “Cara, como faço para criar uma tabela?”, “Putz, deu um pau fudido num lance aqui, o que eu fiz de errado?”, e algumas coisas desse naipe. Além de tocar vários lances legais, o EduF tem um projeto musical chamado Peruano Saudita (achei a demo de 2002 dia desses em casa), que é beeeem legal. Ele regravou uma das músicas, a ótima “10%”, e acabou de disponibilizar para dowload. A letra é ótima. “É uma breve história de um sujeito tentando (não) comprar um mp3 player dos coreanos. A gravação original tinha quatro guitarras. A nova nenhuma. A lógica é um pouco aquela do Primus, baixão com slap e em primeiro plano. Mas há uma porrada de detalhes, como cantos de índios americanos, percussões latinas e uma série de frescuras”, diz EduF. Baixe a música no link abaixo:

http://eduf.net

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Vi “Bird”, filme do Clint Eastwood sobre o genial Charlie Parker. Pesaaaaado, viu.