Nesta selva…
O mundo odeia os Engenheiros do Hawaii. Um mês e pouco atrás, quando fui falar sobre uma banda que admiro, a curitibana OAEOZ, disse que uma das músicas lembrava a melodia de uma canção da banda de Humberto Gessinger. Só esse comentário bastou para represálias infantis no estilo “se lembra Engenheiros deve ser uma porcaria”.
E é claro que não era. E, para mim, fica claro demais que Engenheiros não é tudo isso que detonam por ai, mas nunca quis comprar essa briga porque gosto é como nariz: cada um tem o seu. Porém, nesses dias cinzas que tenho vivido, com pressão de todos os lados esmurrando meu estômago, quem poderia surgir para traduzir em palavras tudo o que estou sentindo? Humberto Gessinger.
“No Meio de Tudo, Você” é uma das faixas inéditas que Humberto preparou para o segundo acústico consecutivo dos Engenheiros. A música, assim como outras nove inéditas, está circulando pela internet já faz uns seis meses, desde que o gaúcho colocou no site oficial da banda vídeos caseiros apresentando cada uma das dez novas faixas que vão compor o novo álbum (ver aqui). E é uma das mais bacanas composições de Humberto em sua safra anos 00.
Só que, claro, para que a letra abaixo faça um pouco de sentido é preciso que você esteja em contato com a selva. É preciso que você viva neste mundo em que agradecemos, todos os dias, por chegar em casa sem ter sido assaltado (e já fomos, eu e Lili, assaltados duas vezes nos últimos dois meses). É preciso que você já tenha se sentido na situação do “e eu ainda pago por isso” tão característico do povo brasileiro, que espera horas no telefone, em filas, na vida, e ainda é insultado.
Me desculpa o péssimo humor, mas quem acompanha este espaço (desde quando ele era 1.0) sabe que alterno momentos de felicidade estúpida e ira inconseqüente. Neste exato momento, a minha vontade era desaparecer sem deixar vestígios, mas para o meu bem, no meio de tudo, ela me salva da selva.
No Meio de Tudo, Você
Selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é demais
Quando chega em casa do trabalho quase vivo
Selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é o máximo
Liberdade pra escolher a cor da embalagem
Nessa selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é o normal
Entrar na fila, pagar ingresso, pra levar porrada
No meio de tudo, você
Me salva da selva
Selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é demais
Um pouco de silêncio e um copo de água pura
Selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é o máximo
Se o cara mente, mas tem cara de honesto
Nessa selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é o normal
Finge que não vê, diz que não foi nada, e leva mais porrada
No meio de tudo, você
Me salva da selva
Agosto 22nd, 2007 at 9:26 pm
Fala meu caro,
Só pra dizer que meu primeiro show da vida foi o Engenheiros do Hawai, no Aramaçan em Santo André. Eram os idos de 1991 acho eu, ehehe…
Good vibes praí. Fique bem.
Abraço,
André
Agosto 23rd, 2007 at 11:05 am
Eu me permito gostar de Engenheiros, ou de qualquer outra música/artista, basta que eu seja chacoalhado pela letra e/ou ritmo. Tá certo que faz tempo que o Engenheiros não me emociona, mas não crio barreiras para que isso aconteça.
Certa vez, ouvi o Mini Walverdes dizer que ‘não existe música boa ou ruim, tudo depende do contexto’ - ou quase isso, não lembro bem. Assino embaixo.
Em Urânia, ao lado de uma cerveja e do meu pai, cantarolo com força e emoção temas caipiras da minha infância. E, hoje, não canso de ouvir ‘Bad Time’, do Jayhawks.
É por isso que a música faz parte da minha vida. E de tantas outras pessoas.
Abraço!
Agosto 23rd, 2007 at 11:11 am
Putz, Mac. Eu devia ter lido isto ontem, antes de te deixar o scrap. Realmente é uma letra bacana, e tem a síntese da política brasileira atual: “A gente fica achando que é o máximo / Se o cara mente, mas tem cara de honesto”. Abraço!
Agosto 23rd, 2007 at 1:09 pm
cara… nao desanima nao… e eu gosto de algumas músicas do Engenheiros… na verdade acho q muita gente que esculhamba a banda misture o fato de nao gostar da figura do Humberto com as músicas… pura bobagem
abços e paz!
Agosto 23rd, 2007 at 1:30 pm
No embalo do batidão: “Minha vida é uma bosta/Quero ser Marcelo Costa”. Isso ainda vai virar funk de quinta categoria… Ou seja: bom! Ânimo, rapaz.
Agosto 24th, 2007 at 3:14 pm
Meu primeiro show de rock foi o Engenheiros em 1992, na epoca eu tinha 13 anos… :))
A banda faz parte de varios momentos da minha trilah sonora pessoal…Quanto aos dias de hoje é foda mesmo, as vezes da essa vontade de sumir, mas temos que seguir, seguir sempre…Abraços :))
Agosto 24th, 2007 at 9:20 pm
Nossa você ainda se lembra do meu comentário… hahahaha
Bem, minha opinião se mantém irrevogável caro Marcelo..
Engenheiros continua a mesma merda…
Agosto 28th, 2007 at 4:55 pm
São exatamente letras assim que me fazem lembrar porque eu odeio Engenheiros, de profundis… Também pela música mais horrenda do pop/rock nacional: O PAPA É POP. Também pelo Gessinger ter declarado à Bizz que sua banda e ele só eram perseguidos pela crítica porque ele não é homossexual. Acho é só por isso.
Agosto 28th, 2007 at 6:51 pm
Drex, tudo caminhando, meu amigo. Good vibes pra ti também!
Xará Urânia, o lance é exatamente esse: boa música pode vir de qualquer lugar.
Márcio, ainda volto na comuna pra te ajudar nessa luta inglória.
André, acho até que tem a ver isso de misturarem a figura, sabe. Mas é o que você diz, pura bobagem.
Dary, força sempre pra todos nós!
Adriano, eles também fazem parte da minha história pessoal. No quartel, era Engenheiros (terceiro disco) e Mercyful Fate (hehehe)
Diego, eu lembro de cada coisa, meu caro. Mas você tem todo o direito de achar uma merda, assim como eu tenho todo o direito de achar sensacional. É simples.
Victor, ainda bem que você não leu a crítica que o Pedro Só escreveu sobre o “Filmes de Guerra, Canções de Amor”, na clássica revista General. Você teria motivo para odiar um dos melhores jornalistas do país também. É música mais horrenda do pop rock nacional? A concorrência é brava, viu.
Setembro 19th, 2007 at 3:52 pm
Oi… procurando a letra dessa música do Engenheiros na internet, depois de escutá-la umas vinte vezes seguidas olhando da janela do meu trabalho as pessoas passeando na praça, com um “p” sol lá fora, achei o seu blog… compartilho inteiramente do que vc disse, tudo depende mesmo do contexto, só acrescentaria “do contexto de quem ouve”, porque tem gente que seja em que contexto for, não consegue enxergar além do umbigo…
Abraço