Blog do Editor do Scream & Yell
Random header image... Refresh for more!

Posts from — Agosto 2007

Comédias românticas

Eu adoro comédias românticas. Adoro. E é por isso que eu tinha uma boa expectativa em relação a “Must Love Dogs”, vertido para o Brasil como “Procura-se em um amor que goste de cachorros” (tsc tsc tsc). Mesmo com a boa expectativa, não encarei o filme quando estava em cartaz, não aluguei em uma locadora e acabei comprando o DVD em um sebo, numa promoção “se levar cinco DVDs, cada um sai por R$ 10″. Ótima oportunidade para adquiri-lo.

Veja bem, não estranhe, mas era para ser um filme com todos os ingredientes para agradar: cachorros (e eu adoro cachorros), dois bons atores principais e um romance entre eles. E não é que Gary David Goldberg consegue confundir tudo e tornar um filme promissor em algo no máximo ruim. O argumento é fraco, Diane Lane e John Cusack estão desajeitadamente constrangedores e os cachorros não estão nem no papel secundário.

Se você gosta de cachorros assista “Melhor é Impossível” (aquele cachorrinho merecia um Oscar ao lado de Helen Hunt e Jack Nicholson); se você gosta de Diane Lane assista… assista… assista “Infidelidade” (aquele com Richard Gere mesmo; o roteiro atrapalha tudo e a metade final do filme é constrangedora, mas Diane Lane está deslumbrante); se você gosta de John Cusack veja “Alta Fidelidade” (na verdade, assista “Alta Fidelidade” de qualquer jeito). Esqueça esse “Must Love Dogs”. Eu esqueci.

Ps. Acho que a melhor comédia romântica que vi nos últimos anos foi “Como Perder um Homem em 10 Dias”…

Agosto 31, 2007   9 Comments

Palestra em Araraquara

 

 No próximo dia 05 de setembro estarei em Araraquara palestrando na VII Semana de Jornalismo da Faculdade UNIARA. O tema é jornalismo na web, e acho que vai ser possível contar algumas experiências e histórias legais destes oito anos de atuação na área. Como costumo dizer, já não lembro mais o que é papel e caneta… :) (cartaz em alta)

Agosto 29, 2007   No Comments

Alguns filmes e alguns discos novos…

 

E o fim de semana se foi, mais uma vez. Mas não vou reclamar. Vi dois filmes no cinema, comprei alguns outros em um sebo, e vi mais alguns em casa. E só por isso estou feliz. O cinema faz uma falta danada em minha vida, embora nenhum dos cinco últimos filmes que vi tenha sacudido a minha alma na beira de um precipício.

- “Os Incompreendidos”, François Truffaut, 1959
Belíssimo filme de estréia do diretor francês, “Os Incompreendidos” narra a infância do próprio diretor de forma autobiográfica. A cena do interrogatório é divertidíssima e esclarecedora, mas os grandes momentos são a apresentação de fantoches e a corrida final. Um ótimo exemplo de que um jovem problemático pode se transformar em um gênio. Pessoalmente prefiro “A Noite Americana”, mas esta estréia tem sua beleza.

- “Amadeus”, Milos Forman, 1984
Premiado com 8 Oscars, esta versão romanceada (inspirada em uma montagem teatral) da vida de Wolfgang Amadeus Mozart destaca um roteiro tão bem cuidado que as atuações quase ficam em segundo plano. Quase. F. Murray Abraham (como Antonio Salieri) e Tom Hulce (como Mozart) brilham. O filme fecha em si mesmo como obra cinematográfica. Mas… bem, senti falta de algumas obras clássicas, de alguns quartetos (a única coisa que tenho de Mozart em casa são um quarteto de flautas e um quinteto de clarinetes). Na verdade, senti falta de Mozart no filme, já que o narrador é Salieri. Isso não diminui a obra de forma alguma, e a versão do diretor, com 20 minutos a mais (totalizando 3 horas de filme) é impecável. Porém, eu esperava mais.

- “O Grande Lebowski”, Irmãos Coen, 1998
Outro filme que sofreu aqui em casa de grande expectativa, afinal, é uma obra dos Irmãos Coen. Entende? - “Fargo”, “O Homem Que Não Estava Lá” e “E Ai, Meu Irmão, Cadê Você?” são clássicos recentes do cinema mundial, e eu esperava ver neste “O Grande Lebowski” um pouco da genialidade da tríade citada. A genialidade está ali, você a sente em diversas passagens, porém o resultado final é confuso e pouco sedutor. Existem ótimas cenas, ótimas idéias que, no entanto, parecem não encaixar no quebra-cabeças maluco em que sempre se torna um roteiro dos Coen. Pena.

- “Medos Públicos em Lugares Privados”, Alain Resnais, 2006
Quando sai da sala de cinema e me deparei com a crítica de Luiz Zanin, no Estadão, não pude deixar de lembrar do chapa Marcelo Orozco dizendo que o texto de Lester Bangs sobre “Astral Weeks”, de Van Morrison, era melhor do que o disco. E não é que o filme de Resnais seja ruim (assim como a obra prima de Van Morrison não é) ou que o texto seja algo incomum. Zanin apenas colocou no papel coisas que ali na tela caem sobre o colo delicadamente como flocos de neve, mas derretem. Ele escreve: “Sabe-se, desde as primeiras cenas, que aquela é  uma Paris imaginária, artificial, gelada, onde neva o tempo todo, porque também há gelo nos corações das pessoas” (leia o texto completo). A tela, por sua vez, exibe um drama de pessoas congeladas em suas próprias almas num belíssimo exemplar do eterno cinema francês, provocativo, intenso e teatral. Em certos momentos há poesia e delicadeza (como quando Charlotte conversa em uma cozinha com Thiery e a câmera foca as mãos de ambos afundadas na neve), mas a teatralidade é mais presente, deixando escorregar uma certa tristeza, e também uma certa decepção. Um quase belo filme.

- “Os Simpsons – O Filme”, David Silverman, 2007
Acho complicado me manifestar sobre essa adaptação após o Bart (e tinha que ser ele – hehe) ter traduzido tão bem o misto de felicidade e incomodo que todos sentimos ao sair da sala de cinema. Não há decepção, mas também não há nada que vá mudar nossas vidas (e, bulhufas, será que eles teriam que mudar nossas vidas? Será que tínhamos que esperar tanto? Será que não nós contentamos com as mesmas incorreções de sempre?). É mais do mesmo, sim, mas é mais do mesmo em grande forma. Bem, sei lá. Eu gostei. E não gostei. A culpa será do Homer ou minha?

*******************

Discos bacanas que você precisa ouvir:

- “Yes, U”, Devastations, no Nodatta.

- Os singles de Eddie Vedder (a boa “Hard Sun”), Beck (”Timebomb”), Hives (a ótima “Tick Tick Boom”), PJ Harvey (a não sei o que dizer sobre ela “When Under Ether”) e Foo Fighters (a fraquinha “The Pretender”) no Rock Army

- Os novos de José González (“In Our Nature”) e Rilo Kiley (“Under The Blacklight”) no Part of The Queue.

Agosto 26, 2007   1 Comment

Download: Tropicalismo Minimal, do Superquadra

O chapa Cláudio Bull já é um velho agitador do rock de Brasília: no meio dos anos 90 integrava o Divine, banda que cravou um dos hits indies mais bacanas da década passada, a poderosa “A Rainha das Garotas Más”. O Divine acabou, Cláudio Bull se reuniu com alguns amigos e formou a Oficina Abstrata do Entretenimento, que lançou dois álbuns demo muito bons (de vez em quando, quando banco o DJ, jogo na pista a ótima “Bang XPZ”, cuja letra cita nomes famosos… da arquitetura: Mies van der Rohe, Oscar Niemeyer, Le Corbusier e Walter Gropius): “Demos Lo-Fi Collection” e “Panorama”.

O Oficina Abstrata do Entretenimento meio que foi o embrião do Superquadra, que lançou um EP excelente em 2004, “Bagulhinho Bom”, que cedeu três faixas para este “Tropicalismo Minimal”, lançado no finalzinho de 2006,  eleito melhor álbum de 2006 pelo jornal Correio Braziliense. Segundo o próprio Cláudio Bull, vocalista e letrista da banda, o lance do Superquadra é rocktrônico. “Tropicalismo Minimal” foi colocado para download gratuito no site MP3 Magazine. Lá você pode conferir uma entrevista com a banda. Recomendadíssimo.

http://www.mp3magazine.com.br/

Agosto 23, 2007   2 Comments

Nesta selva…

O mundo odeia os Engenheiros do Hawaii. Um mês e pouco atrás, quando fui falar sobre uma banda que admiro, a curitibana OAEOZ, disse que uma das músicas lembrava a melodia de uma canção da banda de Humberto Gessinger. Só esse comentário bastou para represálias infantis no estilo “se lembra Engenheiros deve ser uma porcaria”.

E é claro que não era. E, para mim, fica claro demais que Engenheiros não é tudo isso que detonam por ai, mas nunca quis comprar essa briga porque gosto é como nariz: cada um tem o seu. Porém, nesses dias cinzas que tenho vivido, com pressão de todos os lados esmurrando meu estômago, quem poderia surgir para traduzir em palavras tudo o que estou sentindo? Humberto Gessinger.

“No Meio de Tudo, Você” é uma das faixas inéditas que Humberto preparou para o segundo acústico consecutivo dos Engenheiros. A música, assim como outras nove inéditas, está circulando pela internet já faz uns seis meses, desde que o gaúcho colocou no site oficial da banda vídeos caseiros apresentando cada uma das dez novas faixas que vão compor o novo álbum (ver aqui). E é uma das mais bacanas composições de Humberto em sua safra anos 00.

Só que, claro, para que a letra abaixo faça um pouco de sentido é preciso que você esteja em contato com a selva. É preciso que você viva neste mundo em que agradecemos, todos os dias, por chegar em casa sem ter sido assaltado (e já fomos, eu e Lili, assaltados duas vezes nos últimos dois meses). É preciso que você já tenha se sentido na situação do “e eu ainda pago por isso” tão característico do povo brasileiro, que espera horas no telefone, em filas, na vida, e ainda é insultado.

Me desculpa o péssimo humor, mas quem acompanha este espaço (desde quando ele era 1.0) sabe que alterno momentos de felicidade estúpida e ira inconseqüente. Neste exato momento, a minha vontade era desaparecer sem deixar vestígios, mas para o meu bem, no meio de tudo, ela me salva da selva. :)

No Meio de Tudo, Você

Selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é demais
Quando chega em casa do trabalho quase vivo

Selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é o máximo
Liberdade pra escolher a cor da embalagem

Nessa selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é o normal
Entrar na fila, pagar ingresso, pra levar porrada

No meio de tudo, você
Me salva da selva

Selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é demais
Um pouco de silêncio e um copo de água pura

Selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é o máximo
Se o cara mente, mas tem cara de honesto

Nessa selva
A gente se acostuma a muito pouco
A gente fica achando que é o normal
Finge que não vê, diz que não foi nada, e leva mais porrada

No meio de tudo, você
Me salva da selva

- Humberto no estúdio em versão acústica

Agosto 22, 2007   11 Comments

Disco da semana: a estréia do Vanguart

Agosto 20, 2007   2 Comments

Eu vos saúdo, Maria

Hoje é dia de colocar a casa em ordem, mais propriamente o quartinho em que estão todos os CDs, caixas ainda fechadas da mudança, e centenas de revistas. Aliás, a reportagem da TV Gazeta esteve aqui em casa ontem para uma reportagem sobre os 25 anos do CD, que foi ao ar ontem mesmo. O bate papo com a repórter me fez pensar em algumas coisas interessantes sobre a chegada do MP3, o fim da indústria, e coisas assim. Vou tentar escrever para a próxima coluna de sexta que vem. Devagar, devagar.

Ontem também assisti a “Je Vous Salue, Marie”, de Godard, que se encaixa na categoria dos filmes que não me chaparam tanto quando terminei de assistir, mas que após ler alguns artigos, me fez repensar e até planejar outra sessão. E por mais que a temática seja densa e polêmica, ainda não entendo o caos gerado pela Igreja em torno do filme. Godard não nega a gravidez divina de Maria (a bonita Myriem Roussel), um dos pontos mais contestados do catolicismo em todos os tempos por cientistas e estudiosos, que teve seu filho sem ter tido contato sexual com nenhum homem. O que o cineasta francês contesta é o conformismo com que o casal aceitou a missão divina.

Maria luta bravamente contra o desejo sexual, enrolada sobre um lençol branco e com a mão acariciando os pelos pubianos, contendo-se para não contrariar o desejo divino. José, por sua vez, só aceita Maria após ser coagido pela força do arcanjo Gabriel, um homem truculento – desses que poderiam facilmente passar por segurança de boate – que tenta colocar a história divina nos eixos. Após o nascimento do filho, Maria dedica-se ao garoto, mas aos poucos vai perdendo sua inocência e pureza, para tornar-se uma mulher comum.

Por mais que a Igreja tenha usado toda sua força contra o filme, proibindo sua exibição em diversos países (Brasil incluso) o recado final é totalmente pró-catolicismo: tivemos uma chance, e a desperdiçamos. Pior: esquecemos que essa chance nos foi dada. Agora vivemos em pecado. Mais católico que isso, impossível. De qualquer forma, o mais interessante de “Je Vous Salue, Marie” não é sua mensagem, e sim a forma com que essa mensagem foi recebida. Da minha posição de católico apostólico romano não praticamente admiro a divagação godardiana não por ela ser (supostamente) provocativa, mas sim por gerar reflexão.

Ao transpor a gênese do catolicismo para os dias de hoje (Maria e José são um simples casal – ele taxista, ela trabalhando no posto de gasolina do pai – vivendo em uma grande cidade e com os mesmos problemas que eu e você) e dar a esta gênese uma visão de inconformismo com as diretrizes escolhidas por Ele sobre nossas vidas, Godard questiona o significado de religião, para todos nós, nos dias de hoje. O que você faria se fosse Maria ou José? Teria o filho? Abandonaria todos os seus sonhos e desejos para dar à luz (Maria) e cuidar do filho (José) d’Ele? Eu tenho a minha resposta, mas como esse Word já fechou umas três vezes sem motivo enquanto eu escrevia, não quero provocar a ira divina blasfemando contra o senhor. :/ E não que fosse blasfêmia, mas…

Agosto 19, 2007   3 Comments

Rapidinho…

Hoje tem show do Terminal Guadalupe no CB… e só isso que vou conseguir escrever. Nada de coluna, nada de posts enormes, me aguarda no fim de semana… mas uma coisinha para passar o tempo:

Nesta semana tivemos o Dia dos Solteiros. Bem, como sou um recém-casado me acostumando com a vida a dois, não vou ficar falando das vantagens da solteirice, mas a troca de e-mails das mulheres da redação rendeu um texto bem bacana. Confere aqui.

 A gente se vê…

Agosto 17, 2007   1 Comment

Quatro monografias para ler e baixar

Abaixo, algo que quero fazer faz tempo, mas que sempre esquecia: disponibilizar em PDF pra consulta (e leitura) a minha monografia de conclusão de curso. Lembrei disso porque Jorge Wagner, colaborador do S&Y, me mandou a dele (que traz uma citação de um frase de um texto meu). Conversamos e ele topou disponibilizar a dele também.

Junto neste repost você também pode ler e/ou baixar “Para Além do Post-Rock: Cena, Mídia e a Nova Música Instrumental Brasileira”, do amigo Victor de Almeida, e também a de Lázaro Paz Fanfa, “Artista Desconhecido: A utilização do Design pela Indústria Fonográfica nos Meios Digitais”. Temas interessantes.

Na última vez que li a minha, escrita com Ana Cecília e Carlos “Dadá” Fernandes, só pensei no quanto o texto estava truncadíssimo, coisa de monografia mesmo. Mas ainda assim tem coisas legais ali. De apêndice, segue o texto rascunho da minha apresentação perante a banca da Universidade de Taubaté (UNITAU).

Para salvar o PDF de cada uma das monografias, é só dar um “salvar como” nos links abaixo. Boa leitura.

- “Do Caipira ao Sertanejo: Cultura, Música e Indústria Cultural”
de Ana Cecília Del Mônaco, Carlos Eduardo Fernandes e Marcelo Costa

- “A Imprensa Musical no Brasil e a revista Rolling Stone”
de Jorge Wagner Mello de Andrade

- “Para Além do Post-Rock: Cena, Mídia e a Nova Música Instrumental Brasileira”
de Victor de Almeida Nobre Pires

- “Artista Desconhecido: A utilização do Design pela Indústria Fonográfica nos Meios Digitais”
de Lázaro Paz Fanfa

pdf1.jpg

Agosto 15, 2007   3 Comments

Downloads

Dois discos do meu Top Five 2007 foram disponibilizados para download gratuito no Trama Virtual: “A Marcha dos Invisíveis”, do Terminal Guadalupe (http://tramavirtual.uol.com.br/terminal_guadalupe) e “A Amarga Sinfonia do Superstar”, da Superguidis (http://tramavirtual.uol.com.br/superguidis). Os dois álbuns fazem parte do projeto “Download Remunerado”, uma iniciativa da Trama Virtual com patrocínio da Kildare: para baixar, basta fazer o cadastro no site. O usuário nada paga por baixar o MP3, mas as bandas são remuneradas pelo número de downloads. “A Marcha dos Invisíveis”, que já foi lançado em Pen Drive, também ganha edição em SMD/SDMV, ou seja: um disco de áudio, outro de vídeo, custando apenas R$ 13, numa distribuição da parceria entre Fósforo Records (GO) e a Cubo Discos (MT).

*******************

Outro grande disco do rock nacional foi colocado para download gratuito, desta vez, no site Senhor F: “Los Porongas”, disco da banda acreana pode ser baixado na integra aqui: http://senhorf.com.br/agencia/main-senhorf-discos.jsp?codSessao=39

*******************

E já que o assunto é download, enquanto tentava colocar uma ordem na coleção de CDs toda desorganizada no quartinho - enquanto a estante que Lili desenhou não chega da marcenaria - me diverti baixando alguns dos meus álbuns preferidos do rock nacional anos 80 no excelente blog Cogumelomoon (http://cogumelomoonpoprock80brasil.blogspot.com/), coisas que eu tenho em vinil, mas não escutava faz tempo (por preguiça de ligar o toca-discos em tempo da facilidade do CD e do MP3) como o quarto álbum do Kiko Zambianchi, “A Era das Flores”, que nunca saiu em CD, e traz um lado b muito foda com as suítes gospel “Tente de Novo Amanhã”, “O Medo Não é Motivo – Meu Pais” (minha preferida) e “Dança Pra Mim – O Porteiro”; dois álbuns de Kid Vinil, um com os Heróis do Brasil de André Christovam (com as sensacionais “Sem Whisky & Sem My Baby”, “Conta da Light”, “Trilha da Perdição”, “Se Liga Meu Chapa”, “Independência ou Morte”, “Fútil Rock ‘N’ Roll”, “Assassinato Anônimo” e “Carne de Pescoço”) e outro, com um power trio, e as impagáveis “BR 116″, “João Paulo II”, “Let’s Twist Gay” e “Tio Sam”; também baixei todos os do Eduardo Dusek (”Olhar Brasileiro” de 1981, “Cantando No Banheiro” de 1982, o clássico “Brega Chique” de 1984, e “Dusek Na Sua” de 1986) e vamos combinar que “Nostradamus” é um clássico da música brasileira, vai. Olha só que letra surrealista:

Nostradamus

Naquela manhã
Eu acordei tarde, de bode
com tudo que sei, acendi uma vela
abri a janela, e pasmei

Alguns edifícios explodiam
pessoas corriam
eu disse bom dia
Ignoreeei

Telefonei
Prum toque-tenha qualquer
E não tinha
Ninguem respondeu
Eu disse: Deus, Nostradamus, forças do bem e da maldade, vudoo, calamidade, juizo final
Entao és tu

De repente na minha frente
A esquadria de alumínio caiu
junto com vidro fumê
O que fazer? Tudo ruiu
Começou tudo a carcumer
Gritei, ninguém ouviu, e olha que eu ainda fiz: psiu!

O dia ficou noite
O sol foi pro além
Eu preciso de alguém
vou até a cozinha
encontro Carlota, a cozinheira, morta
Diante do meu pé, Zé
eu falei, eu gritei, eu implorei:
Levaaaanta! Me serve um café
Que o mundo acabou.

Fora tudo acima, minhas dicas são o tributo “Sanguinho Novo… Arnaldo Baptista Revisitado”, os dois álbuns de Fausto Fawcett & Os Robôs Efêmeros, e os primeiros álbuns de Leo Jaime, incluindo o discoteca básica “Sessão da Tarde”. Não desanime se clicar em um álbum e ele estiver indisponível. Logo logo eles colocam de novo…

http://cogumelomoonpoprock80brasil.blogspot.com/

Agosto 13, 2007   8 Comments

21h25, Saturday Nigth

Ia começar falando que as coisas estão corridas, que o trabalho está insano, mas bastante instigante (muuuitas novidades, a grande maioria boa), e me desculpar pela ausência culpando a correria. Mas quando eu não estive correndo? Entre os apelidos carinhosos dos quais Lili me chama, um é bem sintomático: 220. Ela diz que sou ligado no 220. Bem, eu tento fazer o máximo de coisas no mínimo de tempo que temos. A vida passa rápido demais, e quando vemos, já era. Eu só tento aproveitar. Então, não vamos culpar a correria. Se ando faltando aqui (apesar de ser um layout novo e tal) é porque estou trabalhando demais, mas também porque estou tentando aproveitar a vida. Não me culpe.

*******************

Ando viciado na Piauí (mas lendo de duas a três reportagens por edição), comprando a Rolling Stone todo mês, mas não lendo nada (Lili lê e me conta), e é só isso em termos de revistas. Neste mês, no entanto, vou comprar a Bravo Especial Cinema. Tem dedo do amigo Jonas Lopes lá (e não são poucos dedos, e sim as duas mãos inteiras), então é garantia de boa leitura e boas dicas. Aliás, Jonas e Juliana são os responsáveis por um dos presentes mais bacanas que ganhei nesse aniversário: “Cruze Esta Linha”, uma coletânea de ensaios e artigos de Salman Rushdie, um dos escritores que admiro pelo dom de fazer rir após um longo trecho discursivo. O André foi responsável por um presente não menos especial: dois DVDr com mais de 11 horas de raridades de Bob Dylan. Começa em 1963, com uma apresentação no programa Folk Songs and More Folk Songs, da WBC TV, e termina em 2002, com a apresentação no Grammy. Presentaços.

*******************

No cinema as coisas até que estão engatinhando. Vi “Saneamento Básico” dia desses (não viu? Vá ver, AGORA) e revi “Ratatouille” no fim de semana passado, com a sobrinha Gabriela. Havia visto em Valparaiso, no Chile, dublado em espanhol, e este foi um dos momentos em que nos desligamos completamente do lugar em que estávamos, do frio fora do cinema, de hostels, aviões e tudo mais. Só voltamos ao Planeta Terra quando o filme acabou, e fomos despertados do transe pelos aplausos do público (os chilenos aplaudem o filme quando gostam). Nem a dublagem em espanhol (e a falta de conhecimento da língua) atrapalhou no entendimento e encanto dessa maravilhosa saga de gerações sobre um rato que deseja ser chef de restaurante em Paris. Além de ser uma criança (com 37 anos, mas uma criança), me senti tocado pela parte do crítico, profissão que finjo exercer de vez em quando. O trecho final do filme é simplesmente clássico.

Fora isso, tem os DVDs. Andei fazendo uma rapa nas Lojas Americanas. Comprei “Amores Brutos”, “O Grande Lebowski”, “E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?”, “Je Vous Salue, Marie” e “Z”. Acabei de assistir a este último, e fiquei absurdamente embasbacado com a sensacional visão do cineasta grego Contantin Costa-Gavras sobre o universo político. “Z” é considerado a obra-prima do cinema político, e foi o primeiro filme a romper a barreira da língua e ganhar, em 1969, uma indicação ao Oscar de Melhor Filme. Ficou com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, e recebeu o prêmio do júri e o prêmio de Melhor Ator em Cannes. O filme denuncia a violência da ditadura na Grécia, instalada na década de 1960, e a forma como traduz política, manipulação da mídia, e o poder da força sobre a inteligência é de corar céticos. Foi proibido no Brasil durante a nossa ditadura militar. E é tão fresco, tão forte, tão impressionantemente atual. E custou apenas R$ 9,90 nas Lojas Americanas, pouco mais do que uma locação para um filme que deve ser visto várias vezes.

*******************

E música… bem, neste momento ouço “Make Another World”, do Idlewild, que acabou de ganhar edição nacional. Bom, mas ainda não sei se é mais do que isso. Tenho ouvido bastante Ash (”Twilight Of The Innocents”) e Josh Rouse (”Country Mouse City House”), um pouco de Kula Shaker (”Strange Folk”) e acho que a ficha caiu em relação ao último álbum do Pato Fu, “Daqui Pro Futuro”, mas ainda não sei dizer se gostei. Tem também Lucy and The Popsonics (”A Fábula Ou a Farsa de Dois Eletropandas”), que adorei a primeira metade do álbum (o que dizer de “Garota Rock Inglês” e os singelos versos “Garota rock inglês não maltrate dessa vez / o meu coração que só fala português…/ Eu não leio Byron nem escuto Coldplay”), mas não achei tão boa a metade final. E também Orquestra Imperial (”Carnaval Só Ano Que Vem”) e Fino Coletivo (”Fino Coletivo”), mas desses dois eu não quero falar, porque ainda ouvi pouco o primeiro e já ouvi demais o segundo (eles iam pintar em primeiro lugar no meu Top 5 de 2007 na segunda-feira, mas quero ouvir melhor e ver se não é só uma chapação imediata ou se o disco sobrevive três semanas de extensa audição). E por fim, não gostei da música nova do Foo Fighters…

*******************

Bem, Lili chegou… e é hora de preparar o jantar (nada especial hoje, mas se você algum dia topar com o livro “Guia Para a Sobrevivência do Homem na Cozinha”, de Alessandra Porro, leve pra casa, duas cópias se for possível. Uma pra você e outro pra me emprestar caso alguém leve o meu - que eu ganhei da Helena, já te agradeci, He? – e não devolva. Está frio na Selva de Pedra. Eu tinha mais coisas pra contar, mas… esqueci. Deixo vocês com Mr. Wander Wildner e o trailer da fotonovela O Infiel. Divirta-se.

http://www.crepusculo.com.br/ai_trailer.html

Agosto 11, 2007   2 Comments

Cenas da vida em São Paulo (Re-post)

Na sexta, após sair da casa de uma amiga aniversariante, com uma Nortenha e pouco na cabeça, o rapaz cai na Amaral Gurgel esquina com a Major Sertório, centro de São Paulo. Quem é da cidade sabe: esse é um território dominado por travecos (há um mapa não escrito que diz que a área das prostitutas é a região da Rua Augusta - as mais interessantes ficam na esquina da Fernando de Albuquerque com a Bela Cinta - e que os garotas de programa atuam na região do Parque Trianom e na Rua do Aroche: ninguém invade a área de ninguém).

Levemente alterado, o rapaz atravessa a avenida em direção ao posto de gasolina do outro lado da rua. No posto, um casal de idade observa com interesse o rebolar de um(a) moreno(a), que insiste em tentar baixar a micro-micro-micro-micro saia que não tapa nem 10% de sua bunda (perfeita, por sinal, o que o diferencia da grande maioria das mulheres. Como profetiza um amigo do rapaz, se a mulher é muito perfeita, peitos, bunda e tal, desconfie: pode ser um travesti).

Com um fio dental, ele(a) se arrebita todo(a) na porta de um taxi, fala alguma coisa, levanta e xinga o motorista com uma voz mais grossa do que a de muito homem barbado. A cena surreal, no entanto, não termina. Logo a frente, um senhor aparentando 60 anos baixa a porta de ferro de sua loja. Ele parece um portuga típico, com barba, bigode, barrigão e cara séria de quem sempre acha que está sendo passado para trás. Ao baixar a porta até o fim, ele se vira para um pequinês que ninguém havia percebido no cenário, e diz com um fiozinho de voz fino e insuspeito, que poderia facilmente não ser ouvido tamanho a leveza das palavras: “Vamos embora, Batman?”.

A vida é deveras divertida.

Agosto 10, 2007   1 Comment

500 Toques na Revoluttion

Correria, correria, correria, correria, muita correria, mas consegui um tempinho na noite (entre taças de vinho) para escrever a segunda coluna 500 Toques na Revoluttion

Agosto 8, 2007   4 Comments

Festa, plugins e Disco da Semana

A balada de festa de aniversário no CB foi bastante especial. Foi, disparada, a minha festa de aniversário com maior quorum de amigos, presença da “firma” em peso, mais alguns amigos que eu não via fazia tempo (Drex, Marcela, Felipão, valeu por terem ido) e alguns leitores do Scream & Yell, para a minha feliz surpresa. A discotecagem foi aquelas coisas de sempre. Não foi tão boa porque estou acostumado a dar uma amaciada no set list em alguns momentos (e ando, cada vez mais, com vontade de inserir um ou outro sambinha no meio), e o CB de sábado é rock pesado. Mesmo assim, valeu, e muito. O set list foi esse abaixo (se não esqueci uma música ou outra)…

Ramones – Do You Remember Rock ‘n’ Roll Radio
Backbeat – Please Mr. Postman
Nancy Sinatra – Day Tripper
White Stripes – Conquest
PJ Harvey – Down By The Water
Bloc Party – Hunting For Witches (single version)
BRMC – Berlin
Arctic Monkeys – Teddy Picker
The Clash – London Calling
Dirty Pretty Things – Bang Bang You’re Dead
The Libertines – Can’t Stand Me Now
The Killers – Mr Brightside (Live)
Kaiser Chiefs – Na Na Na Na Naa (Polysics Remix)
Franz Ferdinand – Thissssss Fire
The Strokes – Juicebox
The Hives – Hate To Say I Told I So
Art Brut – My Little Brother
Afghan Whigs – Miles Iz Ded
We Are The Scientists – Be My Baby
Smashing Pumpkins – Bullet With Butterfly Wings
Violent Femmes – Blister in the Sun
Grant Lee Buffalo – The Shining Hour
The Futureads – Let’s Dance
Pixies – Debaser
Lily Allen – Smile (Version Mark Ronson)

**********************************

Estou mexendo nos plugins do blog, mas ainda vai demorar um pouquinho pra acertar tudo. Já inseri o RSS, mas não consegui fazer ele funcionar por aqui. Tem mais umas duas coisas dessa mesma forma. Quero ver se no fim de semana que vem passo um bom tempo dedicado a resolver estes pequenos problemas…

**********************************

Este, acima, é o disco da semana na Revoluttion

Agosto 6, 2007   11 Comments

Bate papo rápido com Gastão Moreira

Não tenho a mínima idéia da data desta foto, mas deve ser 2000 ou 2001. É no Musikaos, e lembro que logo no começo do programa eu havia entregue um exemplar do Scream & Yell (on paper) para o apresentador, que elogiou a capa com Johnny Cash. No meio do Musikaos, surgiu alguma pergunta sobre o Bixo da Seda, banda gaúcha do final da década de 70, e eu subi ao palco para responder (sob protestos brincalhões de “o Marcelo não vale, o Marcelo não vale”, lançados por Wander Wildner, que estava tocando neste dia). A foto original é bem melhor, mas tentei escanear, e a qualidade não ficou lá grande coisa. Vou tentar tirar uma foto da original, e troco depois aqui, ok.

 O fato é que lembrei automaticamente desta ocasião (apesar de ter visto o Gastão várias vezes depois deste dia) quando o Danilo me escreveu dizendo que o Gastão tinha escrito um Mojo Book, sobre o “The Ghost of Cain”, discaço do New Model Army, que inclusive baixa em São Paulo na semana que vem. Li o livro numa tacada só, e cada vez que leio um Mojo novo, acho que o meu poderia ter sido muuuuito melhor (hehe). O do Gastão é muito bom. A história é interessante, e os detalhes que ele fotografa em seu texto rápido funcionam perfeitamente com a narrativa (e com o clima do disco). O livro estará para download na Mojo Books (www.mojobooks.com.br) no domingo. Para agora, um bate rápido com Gastão, lá na Revoluttion.

Agosto 3, 2007   1 Comment

Blog novo, vida nova

Bem, como quase tudo que começo, o Calmantes com Champagne 2.0 não encontra-se em sua versão final. Mas acredito que se eu ficar enrolando, enrolando, enrolando, ele nunca vai sair. O próprio Scream & Yell nasceu assim: se fôssemos buscar pelo lay-out perfeito, ele nunca teria entrado no ar. Porém, lá se vão sete anos (e o lay-out continua tosco - risos). Este Calmantes com Champagne 2.0, no entanto, tem as funções básicas que muita gente cobrava da versão 1.0: espaço para comentários e busca por palavras e assuntos. Ainda vou preencher o botão “sites e blogs” com a lista de tudo que costumo ler, e inserir alguns plugins bacaninhas, mas já posso trocar de casa e assumir este espaço como meu. :) Seja bem-vindo: puxa o tapete, senta no chão, e vamos ouvir o disco novo do Superguidis, que está bem bom. Aguarda que o café já vem. Aqui tem sempre pão quentinho; servimos bem para servir sempre.

Ps. Obrigado ao Danilo (Speculum) e ao Carlos Freitas (Impop) pela assessoria; hehe

Agosto 2, 2007   17 Comments

Dois longos minutos de silêncio…

… por Bergman e Antonioni.

 Ps. Se cuida Woody Allen, por favor.

Agosto 1, 2007   7 Comments

Homens Trabalhando

Convite de Festa de Aniversário

Agosto 1, 2007   No Comments